Open-access A FLICC além do negacionismo climático: uma análise de grupos bolsonaristas no WhatsApp durante a campanha de 2022 e o 8/11

FLICC beyond climate denialism: an analysis of Bolsonaro supporters on WhatsApp during the 2022 campaign and the 8/1 movement

RESUMO

O estudo examina as mensagens disseminadas no WhatsApp por apoiadores do candidato a presidente Jair Bolsonaro durante as eleições de 2022 e os ataques aos prédios-sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. Tomando como objeto os conteúdos mais compartilhados entre grupos de eleitores de Bolsonaro, captados pelo Monitor do WhatsApp, foram selecionados os 50 conteúdos mais replicados e a taxonomia FLICC foi testada, estratégia usada para averiguar a desinformação, desenvolvida por John Cook, aplicada inicialmente para identificar padrões argumentativos utilizados por negacionistas climáticos. O objetivo é compreender o uso das estratégias desinformativas veiculadas nesses grupos. O artigo testa a hipótese de que a taxonomia FLICC possa ser aplicada a outros campos afetados pela desinformação. A análise do conteúdo revelou que a estratégia FLICC pode ser aplicada a outros campos, como no caso do evento político analisado, em que houve um forte predomínio de falácias lógicas e teorias da conspiração. No entanto, o estudo sugere que a categorização seja ampliada para incorporar outras classificações já consolidadas no estudo da desinformação para compreensão mais completa de fenômenos políticos.

PALAVRAS-CHAVE
FLICC; desinformação; manipulação; extrema-direita; eleições 2022

ABSTRACT

This study examines messages disseminated on WhatsApp by supporters of presidential candidate Jair Bolsonaro during the 2022 elections and the attacks on the Three Powers headquarters in Brasília on January 8, 2023. Using the most shared content among Bolsonaro's voter groups, captured by the WhatsApp Monitor, the 50 most replicated messages were selected and tested using the FLICC taxonomy, a strategy used to investigate disinformation, developed by John Cook and initially applied to identify argumentative patterns used by climate change deniers. The objective is to understand the process of use and the impact of disinformation strategies disseminated in these groups. The article tests the hypothesis that the FLICC taxonomy can be applied to other fields affected by disinformation. The content analysis revealed that the FLICC strategy can be applied to other fields, as in the case of the political event analyzed, where there was a strong predominance of logical fallacies and conspiracy theories. However, the study suggests that the categorization be expanded to incorporate other classifications already established in the study of disinformation for a more complete understanding of political phenomena.

KEYWORDS
FLICC; disinformation; manipulation; far-right; 2022 elections

INTRODUÇAO

A propagação da desinformação no Brasil atingiu patamares inéditos, impulsionada por fatores como a ampla digitalização do país — com 84% dos lares conectados à internet (Peres, 2023) —, o declínio da credibilidade da mídia tradicional, resultado tanto de uma crise em seu modelo de negócios quanto de esforços deliberados para desacreditá-la, e a sobrecarga informacional que caracteriza o atual cenário comunicacional (Costa et al., 2021). Esse contexto favorece a manipulação da informação em um ambiente digital consolidado, onde a circulação de informações ocorre com rapidez e alcance sem precedentes, facilitando a disseminação de conteúdos enganosos (Machado, 2018). As redes sociais e os aplicativos de mensagens instantâneas se tornaram os principais meios de fluxo e consumo de notícias (Newman et al., 2023). Para Rêgo e Barbosa (2020), esse contexto configura um ecossistema que fomenta uma verdadeira indústria voltada à construção da ignorância coletiva, utilizada para perpetuar o poder de grupos específicos. Como efeito, Nunes e Traumann (2023) apontam que, nos últimos sete anos, a polarização política no Brasil se aprofundou, influenciando o cotidiano da população.

A partir da década de 2010, a produção e circulação de desinformação se sofisticaram e passaram a integrar estratégias políticas estruturadas (Cesarino, 2019; Da Empoli, 2019). Esse processo contribuiu para a ascensão de líderes populistas de direita (Teitelbaum, 2020), a legitimação de pseudo-autoridades cognitivas (Froehlich, 2019) e a relativização dos conceitos de verdade e realidade, fenômeno característico da era da pós-verdade (D’Ancona, 2017). Além disso, a manipulação de narrativas se intensificou através de discursos que oferecem respostas simplistas a questões complexas, explorando emoções como medo, raiva e preconceito, frequentemente direcionados a grupos isolados em bolhas informativas e câmaras de eco (Schneider, 2022). A desinformação se espalha principalmente via algoritmos (O’Neill, 2020), que operam por meio de perfis falsos, sites de credibilidade duvidosa, robôs, grupos organizados e aplicativos como o WhatsApp, amplamente utilizado no Brasil (Charaudeau, 2022; Wardle, 2019).

Schneider (2022) denomina esse fenômeno como Desinformação Digital em Rede (DDR), diferenciando-o dos métodos tradicionais de manipulação de massas, como desvalorização da educação, oferta ampla de entretenimento de baixa qualidade ou a estratégia da gradualidade (fazer com que se aceite uma medida inaceitável aplicando-a gradualmente), embora compartilhem semelhanças, como usar figuras de autoridade para endossar mentiras ou usar táticas diversionistas para tirar a atenção do público daquilo que realmente é importante. Esse cenário foi potencializado pelo monopólio das grandes plataformas digitais, cujo modelo de negócios se baseia na extração e comercialização de dados (Machado, 2018). Os conceitos de capitalismo de plataforma, de Nick Srnicek (2016), e capitalismo de vigilância, de Shoshana Zuboff (2021), convergem na ideia de que os dados pessoais da população foram transformados em mercadoria pelas gigantes tecnológicas. Bezerra (2024), ao explorar o conceito de ideologia dataísta, explica por que essas plataformas relutam em remover conteúdos desinformativos e discursos de ódio com o seguinte argumento: esses conteúdos geram engajamento, o que alimenta a coleta de dados, ampliando o ciclo de monetização das empresas às custas do tecido social. Segundo o autor:

Assim como o ódio, a mentira também gera “engajamento” nas redes: notícias falsas são compartilhadas por quem acredita nelas ou por quem as faz circular por má fé, interesse pessoal ou canalhice, e são refutadas, desmentidas e denunciadas por quem age em defesa da verdade dos fatos. Em ambos os casos, retomando o livro contábil das big tech, o engajamento é medido pela interação dos usuários da rede com esse conteúdo, que gera a produção de dados por meio de cliques, comentários, compartilhamentos e visualizações, novamente dilatando o big data das corporações de internet.

(Bezerra, 2024, p. 75)

Suspeições provocadas intencionalmente por grupos que veiculam desinformação indicam que há métodos de simulação praticados para se apropriarem de narrativas científicas e evidenciadas, forçando a coabitação de informações falsas em ambientes factuais. A ideia é descredibilizar o conteúdo evidenciado com dados ou narrativas que o contradizem ou o enfraquecem, transformando uma informação evidenciada em uma peça de desinformação. Contudo, a mentira é mais facilmente localizável que a verdade e, embora “corra mais rápido” e atinja lugares mais distantes por seu apoio tecnológico, segundo Schneider (2022):

[...] ela ainda deixa pegadas, muitas pegadas que apontam para o desacoplamento mais ou menos radical entre o que parece ser e o que é. Essas pegadas são os rastros semióticos e digitais que deixam por toda parte, rastros que podem denunciar seus criadores e reprodutores, bem como suas motivações e intenções. (Schneider, 2022, p. 24)

No âmbito dessa dinâmica informacional, nascem as investigações promovidas pelo historiador americano Robert Proctor (2008), que cunhou o termo agnotologia para conceituar as estratégias e fenômenos relacionados à desinformação calculada como arma de produção de conhecimento deturpado no ramo cultural e social (Proctor; Schiebinger, 2008). A desinformação como estratégia eleitoral, portanto, torna-se apenas mais uma tática de conquista a ser destrinchada: o fenômeno envolve a disseminação intencional de informações falsas ou enganosas com o objetivo de influenciar a opinião pública e manipular resultados eleitorais por meio da área cinzenta digital não regulamentada (ibidem, 2008).

O principal desafio reside no fato de que a propagação de informações falsas, dentro de um ambiente dominado por poucas corporações cujo modelo de negócios incentiva a circulação de conteúdo desinformativo e de discurso de ódio (Morozov, 2018), pode minar a confiança nas instituições, intensificar a polarização social, interferir na integridade dos processos eleitorais e incitar mobilizações para atos violentos e antidemocráticos (Bucci, 2023; Levitsky; Ziblatt, 2018). Esse fenômeno foi evidente em episódios como a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, em 6 de janeiro de 2021 (Wang, 2022; Warden, 2021),

e nos ataques contra os edifícios da Praça dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023 (Macário; Rômany, 2024; Ribeiro; Menezes, 2024; Romanini; Mieli, 2019; Ruediger et al., 2023).

A SELEÇÃO DE CONTEÚDO PARA CLASSIFICAÇÃO

O relatório divulgado em 7 de janeiro de 2024 pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) (Brasil, 2024), apresenta um balanço detalhado da invasão à Praça dos Três Poderes, utilizando números expressivos. Ao longo de 2023, foram proferidas mais de 6 mil decisões relacionadas ao caso, incluindo 255 ordens de busca e apreensão em mais de 400 locais, além de 350 quebras de sigilo bancário e telemático, resultando em mais de 800 diligências para a obtenção de provas. O documento também menciona deliberações sobre prisões, concessões de liberdade provisória e renovações de prisões preventivas, em conformidade com os critérios legais que exigem reavaliações periódicas dessas medidas (Brasil, 2024).

Para compreender as táticas de manipulação e mobilização dos eleitores bolsonaristas e da extrema-direita que levaram aos acontecimentos de 8 de janeiro, esta pesquisa examinou as 50 mensagens mais compartilhadas nesses círculos extremistas no WhatsApp, utilizando a classificação FLICC. Esse sistema, desenvolvido por John Cook (2020), doutor em psicologia cognitiva e pesquisador do Center for Climate Change Communication da George Mason University, identifica estratégias lógico-linguísticas de desinformação envolvendo temas sobre o aquecimento global e as divide em categorias, conforme apresentado na Tabela 1. Considerando que processos desinformativos costumam empregar múltiplas técnicas de persuasão para confundir e intensificar emoções extremas (Schneider, 2022) — sentimentos que impulsionaram os ataques às sedes dos Três Poderes em 2023 —, diversas categorias da FLICC foram identificadas nas mensagens analisadas.

A pesquisa sobre os conteúdos de texto, imagem e áudio foi executada pela ferramenta Monitor do WhatsApp, desenvolvida pelo Departamento de Ciência da Computação (DCC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)2. A ferramenta agrega e analisa os conteúdos mais compartilhados em um conjunto de grupos políticos dentro do aplicativo de mensagens. O uso desta ferramenta foi importante pela abrangência e rapidez na coleta de conteúdos nos ecossistemas dos aplicativos e, pela eficácia em ranquear os conteúdos e destacar apenas os mais compartilhados (viralizados), portanto, aqueles que potencialmente têm mais chances de exercer influência sobre os membros dos grupos.

Na descrição da ferramenta, Benevenuto (2019) afirma que o objetivo é permitir que jornalistas, pesquisadores e agências de fact-checking identifiquem de forma ágil e eficaz conteúdos como campanhas de desinformação e teorias conspiratórias ou simplesmente monitorem o debate político nestes espaços. O sistema funciona através de palavras-chave3 e, para as pesquisas no WhatsApp, foram selecionadas 12 delas: eleição, eleições, eleição fraudada, eleições fraudadas, 8/1, fraude, fraudes, urna eletrônica, urna eletrônica fraudada, urna, urnas, quartéis, povo. Foram consideradas apenas as mensagens enviadas entre 1 de setembro de 2022 e 8 de fevereiro de 2023.

O relatório de WhatsApp consultado monitorou 1.008 grupos ativos que enviaram mensagens, somando um conjunto de 150.239 conteúdos enviados por 23.389 usuários distintos. Estas palavras-chave foram extraídas de cada conteúdo, agregadas e depois analisadas. Procurou-se observar quantas vezes elas aparecem nos conteúdos postados e também quantas vezes foram compartilhadas entre grupos e por quem. As informações finais incluem os conteúdos mais compartilhados, os grupos e usuários mais ativos neste processo de compartilhamento, e a quantidade de vezes em que determinado conteúdo viralizou. No levantamento realizado, os conteúdos compartilhados consistiram em textos (mais de 100 mil), seguidos de vídeos (mais de 10 mil) e imagens (cerca de 5 mil).

Para a classificação FLICC, foram selecionados os 50 conteúdos mais compartilhados no WhatsApp, mas é válido mencionar os desafios que a pesquisa enfrentou ao longo da coleta e análise. Por conta da decisão do Tribunal Superior Eleitoral de retirar do ar determinados conteúdos, e com a reação do mesmo Tribunal de determinar a prisão e instaurar processo, boa parte dos envolvidos nos ataques aos prédios das instituições, muitos conteúdos foram retirados do ar pelos próprios integrantes dos grupos, devido às possíveis penalizações judiciais. Foi exatamente o que ocorreu com os conteúdos analisados de números 5, 6, 10, 13 e 14, além de alguns vídeos. Os outros conteúdos puderam ser incluídos e examinados por esta pesquisa porque a UFMG os copiou e armazenou em outros servidores antes que fossem retirados do ar.

METODOLOGIA DE CLASSIFICAÇÃO FLICC

Exploramos a taxonomia FLICC no estudo da DDR no âmbito da política. Cook (2013) propôs a FLICC para sintetizar as cinco técnicas mais frequentemente empregadas por negacionistas no campo científico, com destaque para temas relacionados à mudança climática. A formulação da taxonomia FLICC dialoga com os achados de Diethelm e McKee (2009), que identificaram cinco categorias principais para compreender as táticas retóricas do negacionismo, a partir de casos como a produção deliberada de dúvida em temas como HIV/AIDS e mudanças climáticas. O estudo delineia várias motivações que facilitam a atuação dos negacionistas, argumentando que é essencial expor tais táticas para que sejam devidamente avaliadas, dado que “é importante reconhecer o negacionismo quando confrontado com ele (ibidem, 2009, p. 3)”.

A seguir, estão os significados das categorias primárias: Fake Experts (Falsos Especialistas): figuras ou instituições que se apresentam como fontes confiáveis de informação, mesmo que não qualificadas para tal; Logical Fallacies (Falácias Lógicas): argumentos em que a conclusão não decorre logicamente das premissas; Impossible Expectations (Expectativas Impossíveis): exigência de padrões de certeza inalcançáveis por parte da ciência; Cherry Picking (Escolha Seletiva): selecionar uma amostra de dados que parece confirmar um resultado, ignorando outros que contradizem essa posição; e, por último, Conspiracy Theories (Teoria da Conspiração): propor que existe um plano secreto para implementar um esquema nefasto ou esconder “verdades” da população. A partir da sigla principal, foram desenvolvidas outras 27 categorias (Tab. 1) para avaliação de estratégias mais específicas no ramo da desinformação científica.

TABELA 1.
A taxonomia FLICC.

A taxonomia FLICC, criada para categorizar estratégias de desinformação sobre aquecimento global, se revelou uma ferramenta valiosa para analisar as mensagens compartilhadas em grupos de extrema-direita durante o processo eleitoral de 2022 e as invasões aos prédios dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. A análise dos conteúdos (Fig. 1) evidencia a manipulação de narrativas falsas para incitar e legitimar as ações de ataque ao Estado Democrático de Direito e incitar mobilizações com o uso principalmente de Teoria da Conspiração (aparecem 14 vezes nos conteúdos analisados), seguido do uso de Falácias Lógicas (12 classificações), conteúdos que apelam a Falsos Especialistas ou figuras de autoridade (11 vezes) e por fim, pelas Escolhas Seletivas (10). Teorias conspiratórias destacaram-se como um dos principais pilares das mensagens desinformativas. Desde alegações de fraudes eleitorais arquitetadas por organizações internacionais até a sugestão de complôs envolvendo mídia e lideranças políticas, essas narrativas fomentaram uma espécie de paranoia coletiva e incitaram os ataques por parte dos eleitores insatisfeitos com os resultados das eleições de 2022 acampados em frente aos quartéis4. A estratégia se mostrou eficaz na mobilização emocional dos apoiadores da invasão aos prédios-sede dos Três Poderes, como parte da tentativa de golpe, porque criou um senso de urgência e justificativa para os atos extremos.

FIGURA 1
Classificações mais encontradas nos grupos.

A categoria de Falácias Lógicas também foi amplamente empregada, beneficiando-se da potencial existência de um público-alvo formado por militantes que se tornaram presas de algoritmos que reforçam preconceitos e visões de mundo distorcidas, criando uma “redoma” informacional que os isola da realidade objetiva (Bezerra; Schneider, 2022). Narrativas como a acusação de que o STF agia como um “órgão ditatorial” exageravam ações judiciais legítimas para promover desconfiança e hostilidade. Adicionalmente, falsas equivalências e simplificações reducionistas transformaram contextos complexos em argumentos simplórios e polarizados, ampliando divisões sociais e políticas. Talvez pela natureza do público de viés autoritário e militarista (Barbosa, 2024), uma das estratégias predominantes foi a utilização da figura da autoridade, que por analogia os autores decidiram enquadrar na definição de Falsos Especialistas. Com essa tática, figuras de autoridade, como militares, o próprio presidente ou jornalistas fictícios, foram citadas para dar credibilidade a informações falsas. Por exemplo, mensagens atribuíam teorias conspiratórias a generais ou instituições internacionais inexistentes, construindo uma aparência de legitimidade. Este método, além de manipular a confiança pública, reforça narrativas que alinham desinformação com autoridade, desviando o foco da veracidade das informações.

Por fim, outras ações relevantes do trabalho foram o uso de Escolhas Seletivas e a mistura intencional de fatos verdadeiros com falsos para confundir o público. Mensagens que destacavam supostos feitos do governo Bolsonaro, por exemplo, omitiam ou distorciam o contexto para reforçar a narrativa deste campo ideológico. Esse tipo de manipulação sobrecarrega o destinatário com informações contraditórias, dificultando uma análise crítica séria e mais aprofundada. Choques emocionais e apelos à vitimização completaram a estratégia. A representação de apoiadores como vítimas de perseguição reforçou o sentimento de injustiça e necessidade de reação. A exploração de elementos religiosos e moralistas, embora fora do escopo direto da FLICC, demonstrou ser um recurso adicional para sustentar as campanhas de desinformação. As estratégias aplicadas na pesquisa revelaram como a desinformação foi usada como estratégia para manipular percepções e fomentar a polarização política nesse contexto específico.

CONSTATAÇÕES A PARTIR DA APLICAÇÃO DA FLICC

A aplicação da classificação FLICC no contexto proposto possibilitou compreender dois fenômenos relacionados às estratégias de desinformação em diferentes contextos. O primeiro deles é o uso simultâneo de diversas estratégias lógicas e narrativas em uma mesma peça com conteúdo -desinformativo. Dessa forma, a análise de conteúdos que colocavam em suspeita o processo eleitoral e as urnas eletrônicas revela a combinação de estratégias e subcategorias. Um exemplo é o vídeo do argentino Fernando Cerimedo5 que realizou, em novembro, após as eleições, uma live, compartilhada no WhatsApp brasileiro 335 vezes, na qual apresentou um dossiê apócrifo com supostas irregularidades nas urnas, mas sem evidências concretas. Esse conteúdo é um exemplo de recurso à estratégia de Falso Especialista, uma vez que Cerimedo foi apresentado como “consultor de Bolsonaro pai no país”, embora não possua qualquer qualificação como cientista político, apesar de intensa cobertura de sites e perfis de direita no Brasil que o colocavam nesse patamar.

Além disso, o vídeo utiliza a tática de Arenque Vermelho ao valorizar as acusações não comprovadas de fraude nas urnas eletrônicas e ignorar que, uma semana após o segundo turno das eleições presidenciais, o então presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro, ainda não haviam se pronunciado oficialmente sobre o resultado das eleições, ou sobre o aumento de pessoas acampadas em frente aos quartéis. A tática desviava com um fato inexistente, mas polêmico, a atenção da população para o posicionamento de Bolsonaro, àquela época mais do que importante devido à conjuntura.

Outra estratégia identificada é a Indução Preguiçosa quando se constata o desprezo ao fato de que, desde a implementação das urnas eletrônicas no processo eleitoral brasileiro, há mais de 20 anos, nenhuma acusação de fraude foi confirmada por investigações ou pela Justiça Eleitoral. Também é observado o uso da Escolha Seletiva ao afirmar que a live não era transmitida no Brasil porque o Tribunal Superior Eleitoral consideraria crime as “críticas às urnas eletrônicas”. No entanto, trata-se de uma acusação que se sustenta na alegação de fraude eleitoral sem qualquer lastro empírico ou evidência verificável. Por fim, a live pode ser caracterizada como Teoria da Conspiração porque sugere um suposto complô da Justiça Eleitoral com a “esquerda brasileira”6 (Cesarino, 2022; Rocha, 2021) contra o candidato Jair Bolsonaro, o que nunca foi evidenciado.

Essa constatação de múltiplas manipulações reforça a necessidade de combater a desinformação com base na prática de inoculação ou prebunking, como sugerido por pesquisadores como Cook, Lewandowski e Ecker (2017). Trata-se de expor as técnicas e lógicas manipulativas para enfrentá-las, funcionando como uma forma de educação midiática-digital que promove o desenvolvimento do pensamento crítico como defesa contra a desinformação.

Em cenários de ameaça ao Estado Democrático de Direito, como se observou nos eventos de 8 de janeiro de 2023, esse esforço ultrapassa a noção tradicional de educação midiática — geralmente centrada no desenvolvimento de habilidades técnicas de análise, interpretação e produção de conteúdos — e se aproxima de uma forma de educação midiática-digital cidadã. Esta, por sua vez, incorpora uma dimensão normativa e política mais explícita, voltada não apenas à leitura crítica da informação, mas também ao engajamento ativo na defesa de valores democráticos, ao reconhecimento de dinâmicas de desinformação como ameaças institucionais e à promoção de práticas comunicacionais responsáveis no espaço público.

A segunda constatação é que, embora a taxonomia FLICC aborde um vasto conjunto de estratégias em aquecimento global, ela desconsidera algumas práticas típicas de desinformação em outros campos – políticos, econômicos e culturais. Classificações adicionais podem enriquecer sua aplicação, especialmente para analisar desinformação científica (Malinverni et al., 2023), resultando em um modelo taxonômico mais abrangente. Como observado por Wardle (2020), existem pelo menos sete estratégias clássicas de desinformação. Apesar de sobreposições com as definições do First Draft fundado por Wardle, como no caso do Conteúdo Incorreto, que engloba diversas falácias lógicas apontadas por Cook - e, neste sentido, a taxonomia de Cook é mais precisa -, algumas táticas de outros estudos poderiam tornar a FLICC mais assertiva.

Entre essas, há o que Wardle chama de Conteúdo Fabricado, que é aquele completamente falso e criado para confundir. Um exemplo é o documento de setenta páginas, supostamente produzido pelas Forças Armadas do Brasil para provar que houve fraude nas urnas eletrônicas. O documento, entretanto, não foi produzido pelas Forças Armadas do Brasil e não apresenta provas verificáveis, sendo uma peça fictícia. A questão do conteúdo sabidamente inverídico fundamentou decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) para a retirada de conteúdos da internet durante a campanha de 2022, com impactos jurídicos e políticos (Abbud, 2022; Veloso, 2024).

O mesmo princípio pode ser aplicado a deepfakes produzidas por Inteligência Artificial (IA), como as imagens de viés pornográfico da candidata democrata à presidência dos EUA, Kamala Harris, que circularam antes das eleições de 2024. Nesse caso, observa-se a falácia do Ad Hominem, que ataca a reputação de uma pessoa em vez de contra-argumentar suas ideias. Mas o fato é que a falácia Ad Hominem é usada sobre um material 100% falsificado intencionalmente.

Outro conceito relevante é o de Conexão Falsa, caracterizado quando o título de um conteúdo diverge totalmente do texto, prática comum em clickbaiting (títulos caça-cliques). Segundo Christofoletti (2018), essa técnica de viralização ocorre até no jornalismo digital tradicional, podendo, contudo, ser desinformativa. Como foi mostrado anteriormente, há conteúdos que se assemelham a estratégias próximas às dos Falsos Especialistas de Cook, como a Autoridade como Verdade, frequentemente associada a militares ou religiosos, como aparece em mensagens no contexto dos atentados de 8 de janeiro. Essa estratégia, não formalmente categorizada na FLICC, permite presumir que a autoridade de uma pessoa, ou seu prestígio social, garante a veracidade de suas afirmações.

Mensagens em grupos de WhatsApp, por sua natureza pessoal, imediata e emotiva, geralmente não possuem as articulações lógicas das desinformações científicas, como as relacionadas ao aquecimento global citadas por Cook. O apelo tende a ser emocional, ligado a sentimentos como raiva ou medo, como detectam Alba Juez e Mackenzie (2019) ao estudarem o peso das emoções dentro de notícias falsas no processo de convencimento do receptor, uma situação que vai além da questão meramente argumentativa ou linguística. Dizem os autores:

[...] é muito difícil caracterizar notícias falsas apenas por suas características “puramente linguísticas”. A característica que encontramos comum a todas as instâncias analisadas não é tanto a linguagem usada, mas o fato de seus autores brincarem com o conhecimento cultural compartilhado entre eles e os leitores, as inferências desencadeadas, as emoções transmitidas no texto e aquelas desencadeadas no público, e as consequentes implicações emocionais desencadeadas.

(Alba Juez; Mackenzie, 2019, p. 36)

Por fim, destaca-se o uso de desinformação para crimes como o phishing, prática recorrente em situações de grande mobilização pública, incluindo tragédias naturais, como as enchentes que ocorreram no Rio Grande do Sul, em maio de 2024. Narrativas desinformativas frequentemente apresentam petições ou ofertas fraudulentas que buscam coletar dados pessoais e até dinheiro para golpes, o que também não está presente na taxonomia de Cook. Assim, evidencia-se a necessidade de ampliar modelos analíticos consolidados para abarcar dimensões criminológicas da desinformação, especialmente em contextos de vulnerabilidade social e comoção coletiva.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo conclui que, embora a FLICC tenha sido desenvolvida para analisar discursos manipuladores ou negacionistas sobre o aquecimento global, sua aplicação é relevante em outros contextos de desinformação. Isso inclui eventos de grande significância política, como a tentativa de deslegitimar processos eleitorais, debates legislativos e crises sociais, como pandemias ou desastres ambientais, demonstrando a amplitude e importância do método classificatório como forma de combater a guerra de narrativas que ameaça o tecido social e até mesmo a democracia.

Sob os regimes do capitalismo de vigilância e de plataforma, a monetização do engajamento sobrepõe-se ao interesse público, transformando a desinformação em um ativo econômico estratégico. Por conta dessa lógica, o desenvolvimento de políticas públicas enfrenta o desafio da opacidade algorítmica, que dificulta a fiscalização da propagação de conteúdos deliberadamente falsificados ou polarizadores de ódio ou preconceito a favor de grupos específicos em disputa pelo poder. Tal vácuo regulatório compromete a integridade do debate político e submete o tecido social a modulações comportamentais orientadas pelo lucro corporativo.

Como foi demonstrado no estudo, o esgarçamento do tecido social é exacerbado por falácias lógicas e teorias conspiratórias que deslegitimam processos democráticos e fomentam uma paranoia coletiva prejudicial ao Estado de Direito. As assimetrias informacionais são aprofundadas por problemas estruturais históricos, como a persistência de desertos de notícias e as dinâmicas de coronelismo eletrônico em diversas regiões do país. A concentração da propriedade dos meios de comunicação, aliada ao acesso desigual à infraestrutura de internet, cria um terreno fértil para a hegemonia de redes de desinformação não mediadas. Nesses contextos de exclusão informativa, a carência de jornalismo local independente facilita a cooptação do debate por interesses oligárquicos e narrativas extremistas (Cabral, 2019).

Esse fenômeno resulta em uma fragmentação da realidade compartilhada, impedindo consensos mínimos necessários à estabilidade democrática, daí a importância da taxonomia. Ela pode e deve receber maior atenção de novos pesquisadores dedicados a criar uma nova e mais ampla taxonomia capaz de abarcar todos os casos visíveis no país, tarefa que pode ser consolidada em novo estudo.

  • 1
    Trabalho apresentado no GP de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura, XIX Encontro dos Grupos de Pesquisas em Comunicação, evento componente do 47º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom/2024).
  • 2
  • 3
    Entrevista concedida por telefone por Vitor Mafra, mestrando do curso de Ciência da Computação do departamento de Ciência da Computação da UFMG e executor do levantamento sobre eleições e 8 de janeiro em 03 abr. 2024.
  • 4
    À época, a permanência de apoiadores de Jair Bolsonaro em frente a quartéis foi motivada pela contestação do resultado das eleições de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva, e pela expectativa — infundada do ponto de vista institucional — de que as Forças Armadas do Brasil pudessem intervir para reverter o resultado eleitoral.
  • 5
    Fernando Cerimedo é dono do canal de direita La Derecha Diario no YouTube. Disponível em: <https://www.youtube.com/@DerechaDiarioTV>.
  • 6
    No contexto do discurso bolsonarista, a expressão “esquerda brasileira” é frequentemente empregada de forma ampla, imprecisa e carregada de conotação depreciativa. Longe de se restringir a partidos ou correntes ideológicas específicas, o termo é utilizado como um rótulo abrangente que engloba desde legendas partidárias progressistas até instituições, movimentos sociais, setores da imprensa, universidades e, em alguns casos, o próprio sistema eleitoral e judiciário. Trata-se, portanto, menos de uma categoria analítica rigorosa e mais de um constructo retórico usado para produzir antagonismo político e deslegitimar adversários no debate público.

Disponibilidade de dados de pesquisa

Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do documento.

REFERÊNCIAS

  • ABBUD, Bruno. Alexandre de Moraes manda site remover conteúdo “sabidamente inverídico” sobre voto de Marcola em Lula. O Globo, 02 out. 2022. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2022/noticia/2022/10/alexandre-de-moraes-manda-site-remover-conteudo-falso-sobre-suposto-voto-de-marcola-em-lula.ghtml>. Acesso em: 02 maio 2024.
    » https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2022/noticia/2022/10/alexandre-de-moraes-manda-site-remover-conteudo-falso-sobre-suposto-voto-de-marcola-em-lula.ghtml
  • ALBA JUEZ, Laura; MACKENZIE, J. Lachlan. Emotion, lies, and “bullshit” in journalistic discourse: The case of fake news. In: Revista Ibérica, n. 38, p. 17–50, 2 jan. 2019. Disponível em: <https://revistaiberica.org/index.php/iberica/article/view/91>. Acesso em: 14 nov. 2023.
    » https://revistaiberica.org/index.php/iberica/article/view/91
  • BARBOSA, Jefferson. 8 de janeiro: um ano depois, uma análise do fato mais estarrecedor da história política recente do Brasil. The Conversation Brasil, 8 jan. 2024. Disponível em: <https://theconversation.com/8-de-janeiro-um-ano-depois-uma-analise-do-fato-mais-estarrecedor-da-historia-politica-recente-do-brasil-220650>. Acesso em: 20 fev. 2024.
    » https://theconversation.com/8-de-janeiro-um-ano-depois-uma-analise-do-fato-mais-estarrecedor-da-historia-politica-recente-do-brasil-220650
  • BEZERRA, Arthur Coelho. A miséria da informação: dilemas éticos da guerra digital. Rio de Janeiro: Garamond, 2024.
  • BEZERRA, Arthur Coelho; SCHNEIDER, Marco (org.). Competência crítica em informação: teoria, consciência e práxis. Rio de Janeiro: IBICT, 2022. Disponível em: <https://ridi.ibict.br/bitstream/123456789/1200/1/Bezerra%20%26%20Schneider%20-%20Compet%C3%AAncia%20Cr%C3%ADtica%20em%20Informa%C3%A7%C3%A3o%20%282022%29.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2023.
    » https://ridi.ibict.br/bitstream/123456789/1200/1/Bezerra%20%26%20Schneider%20-%20Compet%C3%AAncia%20Cr%C3%ADtica%20em%20Informa%C3%A7%C3%A3o%20%282022%29.pdf
  • BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Gabinete do Ministro Alexandre de Moraes. Relatório do gabinete do Ministro Alexandre de Moraes 7 jan. 2024, 33p. Disponível em: <https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/Relatorio8dejaneiro1ano.pdf>. Acesso em: 15 jan. 2024.
    » https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/Relatorio8dejaneiro1ano.pdf
  • BUCCI, Eugênio. Desinformação e pane política. Revista Brasileira, a. 2, n. 114, p. 8-13, jan./mar. 2023. Disponível em: <https://repositorio.usp.br/item/003156952>. Acesso em: 15 nov. 2023.
    » https://repositorio.usp.br/item/003156952
  • CABRAL, Eula Dantas Taveira (org.). Desafios das políticas de comunicação VII Encontro ULEPICC-Brasil, 2018. e-Book. p. 240. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Ruy Barbosa/ULEPICC-Brasil, 2019. Disponível em: <https://ulepicc.org.br/wp-content/uploads/2019/12/DesafiosdasPol%C3%ADticasdeComunica%C3%A7%C3%A3o.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2021.
    » https://ulepicc.org.br/wp-content/uploads/2019/12/DesafiosdasPol%C3%ADticasdeComunica%C3%A7%C3%A3o.pdf
  • CESARINO, Letícia. Como vencer uma eleição sem sair de casa: a ascensão do populismo digital no Brasil. In: Internet & Sociedade, v. 1, n. 1, p. 92-120, 2019. Disponível em: <https://revista.internetlab.org.br/serifcomo-vencer-uma-eleicao-sem-sair-de-casa-serif-a-ascensao-do-populismo-digital-no-brasil/>. Acesso em: 15 ago. 2020.
    » https://revista.internetlab.org.br/serifcomo-vencer-uma-eleicao-sem-sair-de-casa-serif-a-ascensao-do-populismo-digital-no-brasil/
  • CESARINO, Letícia. O mu ndo do TUI: a política da desinformação e a ascensão do populismo digital. São Paulo: Ubu Editora, 2022.
  • CHARAUDEAU, Patrick. A manipulação da verdade: do triunfo da negação às sombras da pós-verdade. São Paulo: Contexto, 2022.
  • CHRISTOFOLETTI, Rogério. Padrões de Manipulação no Jornalismo Brasileiro: fake news e a crítica de Perseu Abramo 30 anos depois. In: Rumores, n. 23, v, 12, p. 56-82, jan./jun. 2018. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/Rumores/article/view/144229>. Acesso em: 5 jun. 2024.
    » https://www.revistas.usp.br/Rumores/article/view/144229
  • COOK, John. A history of FLICC: the 5 techniques of science denial. In: Skeptical Science, 31 mar. 2020. Disponível em: <https://skepticalscience.com/history-FLICC-5-techniques-science-denial.html>. Acesso em: 25 abr. de 2024.
    » https://skepticalscience.com/history-FLICC-5-techniques-science-denial.html
  • COOK, John; LEWANDOWSKY, Stephan; ECKER, Ulrich K.H. Neutralizing misinformation through inoculation: Exposing misleading argumentation techniques reduces their influence. In: PLOS One, e0175799, mai. 2017. Disponível em: <https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0175799>. Acesso em: 28 maio 2022.
    » https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0175799
  • COSTA, Caio Túlio. Politização, polarização e o futuro do jornalismo profissional. In: FEITH, Roberto (ed.). Te mpestade perfeita Rio de Janeiro: História Real, 2021.
  • D’ANCONA, Matthew. Pós-verdade: a nova guerra dos fatos em tempos de fake news. Barueri: Faro Editorial, 2018.
  • DIETHELM, Pascal; MCKEE, Martin. Denialism: what is it and how should scientists respond? In: European Journal of Public Health, n.1, p. 2-4, 19 jan. 2009. Disponível em: <https://academic.oup.com/eurpub/article/19/1/2/463780?login=false>. Acesso em: 14 set. 2023.
    » https://academic.oup.com/eurpub/article/19/1/2/463780?login=false
  • FROEHLICH, Thomas. The role of pseudo-cognitive authorities and self-deception in the dissemination of fake news. In: Open Information Science, v. 3, n. 1, p. 115-136, 2019. Disponível em: <https://doi.org/10.1515/opis-2019-0009>. Acesso em: 15 mar. 2024.
    » https://doi.org/10.1515/opis-2019-0009
  • LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem São Paulo: Zahar, 2018.
  • MACÁRIO, Carol; RÔMANY, Ítalo. Tentativa de golpe incluiu núcleo de desinformação comandado por aliados de Bolsonaro, diz PF. Lupa, 8 fev. 2024. Disponível em: <https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/02/08/tentativa-de-golpe-incluiu-nucleo-de-desinformacao-comandado-por-aliados-de-bolsonaro-diz-pf>. Acesso em: 20 fev. 2024.
    » https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/02/08/tentativa-de-golpe-incluiu-nucleo-de-desinformacao-comandado-por-aliados-de-bolsonaro-diz-pf
  • MACHADO, Débora. A modulação de comportamento nas plataformas de mídias sociais. In: SOUZA, Joyce; AVELINO, Rodolfo; SILVEIRA, Sergio Amadeu (org.). A sociedade de controle: manipulação e modulação nas redes sociais. São Paulo: Hedra, 2018.
  • MALINVERNI, Cláudia et al (org.). Desinformação e covid-19: desafios contemporâneos na comunicação e saúde. São Paulo: Instituto de Saúde, 2023. E-book. Disponível em: <https://portolivre.fiocruz.br/desinformacao-e-covid-19-desafios-contemporaneos-na-comunicacao-e-saude>. Acesso em: 20 dez. 2023.
    » https://portolivre.fiocruz.br/desinformacao-e-covid-19-desafios-contemporaneos-na-comunicacao-e-saude
  • MELO, Philipe et al WhatsApp Monitor: a Fact-Checking System for WhatsApp. In : Proceedings of the Int’l AAAI Conference on Weblogs and Social Media (ICWSM’19) Munique, jun. 2019. <https://homepages.dcc.ufmg.br/~fabricio/download/icwsm2019-whatsapp.pdf>. Acesso em: 15 maio 2024.
    » https://homepages.dcc.ufmg.br/~fabricio/download/icwsm2019-whatsapp.pdf
  • MOROZOV, Evgeny. Big tech: a ascensão dos dados e a morte da política. São Paulo: Ubu Editora, 2018.
  • NEWMAN, Nic. et al Reuters Institute Digital News Report 2023. Reuters Institute for the Study of Journalism, 2023, 160 p. Disponível em: <https://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/digital-news-report/2023>. Acesso em: 26 jun. 2023.
    » https://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/digital-news-report/2023
  • NUNES, Felipe; TRAUMANN, Thomas. Biografia do abismo: como a polarização divide famílias, desafia empresas e compromete o futuro do Brasil. Rio de Janeiro: Harper Collins, 2023.
  • O’NEILL, Cathy. Algoritmos de destruição em massa: como o big data aumenta a desigualdade e ameaça a democracia. Santo André: Editora Rua do Sabão, 2020.
  • PERES, Sarah. Acesso à internet cresce e chega a 84% dos brasileiros em 2023. Poder360, 16 nov. 2023. Disponível em: <https://www.poder360.com.br/brasil/acesso-a-internet-cresce-e-chega-a-84-dos-brasileiros-em-2023/>. Acesso em: 17 maio 2024.
    » https://www.poder360.com.br/brasil/acesso-a-internet-cresce-e-chega-a-84-dos-brasileiros-em-2023/
  • PROCTOR, Robert.; SCHIEBINGER, Londa. Agnotology: the making and unmaking of ignorance. Stanford: Stanford University Press, 2008. Disponível em: <https://www.sup.org/books/title/?id=11232>. Acesso em: 24 maio 2024.
    » https://www.sup.org/books/title/?id=11232
  • RÊGO, Ana Regina; BARBOSA, Marialva. A construção intencional da ignorância: o mercado das informações falsas. Rio de Janeiro: Mauad Editora, 2020.
  • RIBEIRO, Amanda; MENEZES, Luiz Fernando. Em ato no Congresso, chefes de Poderes dizem que desinformação insuflou o 8 de janeiro. Aos Fatos, 8 jan. 2024. Disponível em: <https://www.aosfatos.org/bipe/desinformacao-8-de-janeiro-ato-congresso/>. Acesso em: 10 jan. 2024.
    » https://www.aosfatos.org/bipe/desinformacao-8-de-janeiro-ato-congresso/
  • ROCHA, João Cezar de Castro. Guerra cultural e retórica do ódio: crônicas de um Brasil pós-político. Goiânia: Caminhos, 2021.
  • ROMANINI, Anderson Vinícius; MIELLI, Renata Vicentini. Mentiras, discurso de ódio e desinformação violaram a liberdade de expressão nas eleições de 2018. In: COSTA, Cristina; BLANCO, Patrícia. Liberdade de expressão: questões da atualidade. São Paulo: ECA-USP, 2019. p. 34–51. Disponível em: <https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/408/360/1452>. Acesso em: 8 abr. 2021.
    » https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/408/360/1452
  • RUEDIGER, Marco Aurélio. et al Eleições 2022, desinformação e ataques ao sistema eleitoral: repercussão do debate público digital das eleições presidenciais brasileiras de 2022. FGV ECMI, 2023, 36 p. Disponível em: <https://repositorio.fgv.br/items/29c71967-a32b-483e-9a2a-825fdd96a70b>. Acesso em: 15 maio 2024.
    » https://repositorio.fgv.br/items/29c71967-a32b-483e-9a2a-825fdd96a70b
  • SCHNEIDER, Marco. A era da desinformação: pós-verdade, fake news e outras armadilhas. Rio de Janeiro: Garamond, 2022.
  • SRNICEK, Nick. Platform capitalism Cambridge: Polity Press, 2016.
  • TEITELBAUM, Benjamin. Guerra pela eternidade: o retorno do tradicionalismo e a ascensão da direita populista. Campinas: Editora Unicamp, 2020.
  • VELOSO, Natália. Entenda a atuação de órgão do TSE mencionado por Moraes em decisões. Poder360, 18 abr. 2024. Disponível em: <https://www.poder360.com.br/justica/entenda-a-atuacao-de-orgao-do-tse-mencionado-por-moraes-em-decisoes/>. Acesso em: 25 abr. 2024.
    » https://www.poder360.com.br/justica/entenda-a-atuacao-de-orgao-do-tse-mencionado-por-moraes-em-decisoes/
  • WANG, Jian. The U.S. Capitol Riot: Examining the Rioters, Social Media, and Disinformation 2022. p.131. Dissertação (Mestrado em Liberal Arts in Extension Studies) - Universidade de Harvard, 2022. Disponível em: <https://dash.harvard.edu/bitstream/handle/1/37371540/JIAN%20WANG%20Thesis%20.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 10 jan. 2023.
    » https://dash.harvard.edu/bitstream/handle/1/37371540/JIAN%20WANG%20Thesis%20.pdf?sequence=1&isAllowed=y
  • WARDEN, Meredith. White Mob Violence and Capitol Insurrection. On Second Thought, digital commons at Oberlin History College, abr. 2021. Disponível em: <https://digitalcommons.oberlin.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1019&context=ost>. Acesso em: 17 fev. 2022.
    » https://digitalcommons.oberlin.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1019&context=ost
  • WARDLE, Claire. Misinformation Has Created a New World Disorder. Scientific American, 01 set. 2019. Disponível em: <https://www.scientificamerican.com/article/misinformation-has-created-a-new-world-disorder/>. Acesso em: 17 maio 2024.
    » https://www.scientificamerican.com/article/misinformation-has-created-a-new-world-disorder/
  • WARDLE, Claire. Understanding Information Disorder. First Draft, set. 2020. Disponível em: <https://firstdraftnews.org/long-form-article/understanding-information-disorder/>. Acesso em: 28 set. 2021.
    » https://firstdraftnews.org/long-form-article/understanding-information-disorder/
  • ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2021.

Editado por

  • Editores responsáveis:
    Adriana Teixeira
    Fábio Fonseca de Castro
    Maurício Ribeiro da Silva
    Norval Baitello

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    29 Jun 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    27 Abr 2025
  • Aceito
    13 Abr 2026
location_on
Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Rua Ministro Godoi, 969, 4º andar, sala 4A8, 05015-000 São Paulo/SP Brasil, Tel.: (55 11) 3670 8146 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: galaxiapucsp@gmail.com
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro