Open-access Apresentação Filosofia Unisinos v. 26, n.1

A Revista Filosofia Unisinos completa 25 anos de existência no decurso desta edição. Iniciada em 2000 com o intento de divulgar o conhecimento filosófico original, promover o debate de ideias e auxiliar no crescimento dos conhecimentos humanísticos, a revista visava contribuir, também, com a instauração do estrito senso em filosofia na UNISINOS, mestrado e doutorado. Hoje consolidada como um veículo de difusão e de debate de ideias de excelência no campo da filosofia e áreas afins, projeta um futuro maior no qual omodus operandide Ciência aberta (UNESCO, 2023) se apresenta como uma realidade cada vez mais efetivo.

Isso tudo é motivo de regozijo. Nos alegramos e agradecemos aos articulistas, pareceristas, leitores, editores, equipe editorial, coordenação do PPG em Filosofia da UNISINOS, Decanato de Humanidades da UNISINOS, Setor de Periódicos da UNISINOS e à Diretoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da UNISINOS, atores que contribuíram de forma decisiva para a brilhante trajetória. Nesta perspectiva de afirmação das práticas da Ciência aberta (UNESCO, 2023), divulgamos a renovação daEquipe Editorial com o ingresso na revista do jovem editor assistente Leonardo Marques Kussler, ao qual desejamos boas-vindas e votos de um excelente trabalho. Anunciamos, também, a renovação da Comissão Científica, que consta agora com sete novas integrantes, todas pesquisadoras extremamente competentes, dedicadas e criativas. São elas:

  • Márcia Junges - UNISINOS;

  • Mitiele Seixas da Silva - UFSM;

  • Polyana Cristina Tidre - UFPR;

  • Cristina Foroni Consani - UFSC;

  • Andréa Luisa Bucchile Faggion - UEL;

  • Susana de Castro Amaral Vieira - UFRJ;

  • Paola Corti - Universidad Adolfo Ibanez (Vina del Mar/Chile);

Será uma grande honra contarmos com a participação de tão renomadas pesquisadoras para auxiliar na reflexão sobre as diretrizes gerais da Revista, contribuir com a indicação de pareceristas, formular pareceres e, sobretudo, dar suporte aos editores para, enquanto instância consultiva, levarem à efeito as grandes metas a serem perseguidas. Agradecemos publicamente a receptividade e o aceite para integrar essa Comissão Científica.

Por buscar a promoção do modus operandi de Ciência aberta (UNESCO, 2023), comunicamos que estamos engajados e atentos para promover certos princípios e práticas dentre as quais listamos:

  1. (i) “o conhecimento científico como bem público global” (SciELO, 2024, p. 7);

  2. (ii) “trabalho em rede em todos os níveis como meio de maximizar a escalabilidade em termos de custo-efetividade na adoção do estado da arte em edição científica, cooperação e gestão das assimetrias entre coleções, áreas temáticas e periódicos” (SciELO, 2024, p. 7);

  3. (iii) “controle de qualidade, rigor científico e ético, obediência aos padrões e às boas práticas editoriais em todo o fluxo de comunicação científica” (SciELO, 2024, p. 7);

  4. (iv) utilização da prática editorial de publicação contínua realizada quando o artigo é aprovado e editado. Operamos com esta modalidade sob a forma de edições periódicas (números) dentro de volumes anuais. Esta modalidade, utilizada já há anos em nosso periódico, possibilita o fluxo de comunicação de pesquisas com ganhos para todos os envolvidos;

  5. (v) introdução do nome das editoras ou editores responsáveis pelo processo de avaliação na primeira página de cada artigo publicado. Este mecanismo informa quem foram as editoras ou editores efetivamente envolvidos em cada artigo;

  6. (iv) aceitação da avaliação dos manuscritos depositados em servidores de preprints confiáveis;

  7. (vii) “promoção dos Princípios DEIA (diversidade, equidade, inclusão e acessibilidade) em todo o fluxo de comunicação científica” (SciELO, 2024, p. 7);

  8. (viii) previsão como meta para este ano da publicação de pelo menos 36 artigos de qualidade.

Assim, é com grande contentamento que apresentamos a publicação da primeira edição da Revista Filosofia Unisinos em 2025. Neste volume contamos com doze artigos, abordando diferentes temas e áreas da filosofia, e uma tradução.

Escrito pelos professores Aida Navas-Aparicio e José Carlos Ibarra-Cuchillo, o texto intitulado “El papel del escritor en el siglo XX según Barthes: lectura de El grado cero de la escritura” é o primeiro desta edição. Nele os pesquisadores discutem três conceitos fundamentais na obra de Roland Barthes, a saber, a escrita, o escritor (écrivant) e o escriba (écrivain). O ponto de partida são os textos O grau zero da escrita e O prazer do texto, além de exemplos da literatura antiga e moderna que buscam defender o desenvolvimento da escrita como a revelação de um processo transformativo capaz de converter o desejo do significante em uma lei objetiva, funcionando como índice do real. Por outro lado, o escritor e o escriba manifestam na sua prática escrita uma tendência de evolução para uma nova tipologia de indivíduo, cuja emergência coloca em crise o papel social da obra literária e as categorias tradicionais de autor e leitor.

“Violência: microviolência e esquizoanálise” é o título do segundo texto da presente edição. Os pesquisadores Alexandre Meyer Luz, Bernardo Peressoni Luz e André Luiz Strappazon oferecem uma discussão sobre a violência e alguns de seus impactos epistemológicos além da sua relação com outros conceitos consolidados, como por exemplo a ignorância e as injustiças epistêmicas.

Antônio Carlos dos Santos é o autor do terceiro texto deste número e o título é “John Locke: da leitura liberal aos valores republicanos”. O autor busca defender a leitura de John Locke desde o viés republicano. Para tal expõe os principais argumentos da leitura liberal lockiana, seguida da apresentação de traços essenciais do republicanismo de Locke no Second Treatise. Argumenta, ainda, que aquilo que permite a leitura de Locke pela ótica republicana se dá quando Locke opera a passagem do indivíduo, preocupado consigo e com os seus bens, para uma conduta moral incorporada à promoção do bem público.

O quarto texto é intitulado “Autenticidade na memória experiencial: uma defesa do pictorialismo” e escrito pelo professor César Schirmer dos Santos. Neste texto o autor explora a questão da acurácia das memórias experienciais, principalmente no tocante ao ajuste entre os elementos imagísticos que compõe uma memória experiencial e a experiência passada, objeto da lembrança. O professor Schirmer dos Santos busca defender a superioridade explicativa do pictorialismo, em contraste ao descritivismo, para explicar sobre como a imageria mental constituinte de uma memória experiencial pode se ajustar ao passado.

O texto que compõe o quinto deste número é escrito pelo professor Diego Fernández H. Em “Walter Benjamin y el ‘trabajo del concepto’. Sobre la noción benjaminana de tarea (Aufgabe)” o autor objetiva responder a três questões centrais, a saber, (i) o que é um conceito para Benjamin, (ii) sobre quais regras eles podem ser produzidos e (iii) o que pode, ou não, ser feito com eles. Para atingir tal objetivo o autor argumenta que Benjamin identifica a regra da produção de um conceito na noção de tarefa, com a qual os conceitos adquirem uma força irredutível à esfera da subjetividade.

“O problema do monismo nas interpretações contemporâneas da metafísica hegeliana” escrito por Federico Orsini, busca discutir se a Lógica de Hegel é ou não a fundamentação de um monismo metafísico. O autor argumenta que a metafísica hegeliana é um tipo de idealismo que se esforça para compreender a unidade da ideia, por um lado, e a pluralidade de suas modalidades de manifestação, por outro, neutralizando, assim, qualquer dicotomia possível entre monismo e pluralismo.

O sétimo artigo escrito por Jaqueline Stefani e Wallace da Silva Carvalho é intitulado como “Realismo moral nos Principia Ethica de G. E. Moore”. Neste texto os autores retomam questões e conceitos centrais na Filosofia de G. E. Moore como “o que é o bom?”, o argumento da questão aberta e a falácia naturalista no intento de avaliar se as críticas de Frankena (1976) são suficientes para refutar Moore.

No oitavo texto da presente edição há uma análise acerca da justificativa de Simone de Beauvoir para o que ela denomina “romance metafísico”. Este texto é intitulado “Entre filosofia e artes narrativas: o romance metafísico de Simone de Beauvoir e seus desafios metodológicos” e escrito pela professora Juliana Oliveira Missaggia. Para a autora existe uma singularidade na abordagem beauvoiriana, e argumenta que a busca por conciliar filosofia e artes narrativas implica em um rompimento metodológico para com ambas.

Léo Peruzzo Júnior é autor do texto cujo título é “Artificial intelligence, extended cognition, and the narratives of cyberimmortality” e objetiva discutir a tese da mente estendida sob dois aspectos, a saber, (i) de que modo essa tese pode redefinir nossa compreensão acerca da natureza da mente e como isso acaba conferindo legitimidade às narrativas da cyberimortalidade e (ii) como a Inteligência Artificial tem pensado isso.

O décimo texto é escrito por Pedro Fior Mota de Andrade e intitulado “Anomalismo, apriorismo e causação mente-corpo: o melhor argumento de Hume contra a necessidade causal”. Neste artigo Pedro Fior intenta mostrar que Hume, quando reinterpretado sob a ótica do anomalismo psicofísico, pode se mostrar convincente no debate contemporâneo sobre causação. Para tal, o autor reformula completamente a estratégia argumentativa humeana e apresenta uma reavaliação das razões apresentadas por Hume para então poder reintroduzir o que o autor entende ser o mais promissor argumento remodelado nos moldes desenvolvidos por Donald Davidson e Kim Jaegwon.

Intitulado “Determinism as the cause of free will” é o texto onze da atual edição. Nele defende que a existência do livre-arbítrio só pode se dar em um universo governado por leis físicas e biológicas, um universo determinístico. Em outras palavras, Serrado busca demonstrar que somente em um universo deste tipo podemos encontrar a existência de eventos como desejo, vontade e volição.

O penúltimo texto desta edição é escrito pelo professor Thadeu Weber e recebeu o título “Hobbes: filósofo da paz”. O objetivo do texto é apresentar Hobbes como um filósofo das relações internacionais e, também, da paz. Assim, embasado no atual contexto de instabilidade política e conflitos, o autor apresenta uma reflexão acerca do papel do Estado, das organizações internacionais e da própria ideia de natureza humana.

Por fim há a tradução “A Escola Megárica”, realizada por Gabriel Rodrigues da Silva e Silvana Colombo de Almeida. O texto é a tradução da obra Die megarische Schule, de Hegel (1986).

Agradecemos imensamente a todos(as) os(as) pareceristas que, de forma tão generosa, realizaram avaliações cuidadosas, rigorosas e imparciais que contribuíram substancialmente para a qualidade desta produção. Estendemos, também, nossos especiais agradecimentos, aos articulistas que optaram por compartilhar suas pesquisas em nosso veículo de difusão filosófica. Desejamos aos(às) nossos(as) leitores(as) uma ótima companhia com este conteúdo de exímia qualidade.

Referências

  • CIÊNCIA aberta no Brasil. In: UNESCO Brasília. O que é ciência aberta? Brasília, 25 jan. 2023. Disponível em: https://www.unesco.org/pt/fieldoffice/brasilia/expertise/open-science-brazil Acesso em: 10 de fev. 2025.
    » https://www.unesco.org/pt/fieldoffice/brasilia/expertise/open-science-brazil
  • CRITÉRIOS, política e procedimentos para a admissão e a permanência de periódicos na Coleção SciELO Brasil. In: SciELO - Scientific Electronic Library Online. São Paulo, set. de 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/media/files/20220900-criterios-scielo-brasil.pdf Acesso em: 10 fev. 2025.
    » https://www.scielo.br/media/files/20220900-criterios-scielo-brasil.pdf
  • FILOSOFIA UNISINOS. São Leopoldo: Periódicos Unisinos, 2004-2025. ISSN 1984-8234. Disponível em: https://revistas.unisinos.br/index.php/filosofia/about
    » https://revistas.unisinos.br/index.php/filosofia/about
  • FRANKENA, W. 1976. The naturalistic fallacy. In: W. Frankena (ed.), Perspectives on Morality Notre Dame, University of Notre Dame Press, p. 1-11.
  • HEGEL, G. W. F. 1986. I. Die megarische Schule. In: Vorlesungen über die Geschichte der Philosophie I Theorie Werkausgabe 18. Frankfurt am Main: Suhrkamp, p. 523-538.

Editado por

  • Nome dos editores responsáveis pela avaliação:
    Inácio Helfer; Leonardo Marques Kussler; Luís Miguel Rechiki Meirelles

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    02 Jun 2025
  • Data do Fascículo
    2025
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