Open-access A “Segunda Técnica” de Walter Benjamin: uma relação harmoniosa entre a humanidade e a natureza

Este artigo procura analisar o conceito de “segunda técnica” de Walter Benjamin para compreender a relação entre humanidade e natureza que ele implica. Este conceito surge em L’œuvre d’art à l’époque de sa reproduction mécanisée, mas tem raízes em textos anteriores. Este artigo pretende ser, em sentido estrito, um contributo para as interpretações do conceito de segunda técnica de Benjamin, e, em sentido geral, um contributo para os debates atuais em torno da técnica e da natureza, no quadro da crise ambiental. Meu argumento é que, desde meados da década de 1920, Benjamin introduz uma concepção de técnica como uma relação entre a humanidade e a natureza. Essa concepção aparece em vários textos do período e é cristalizada no conceito de segunda técnica, do qual o filme é um exemplo ilustrativo. O conceito de segunda técnica, que aparece pela primeira vez em L’œuvre d’art..., tem antecedentes em Einbahnstraße e Theorien des deutschen Faschismus por dois motivos: em ambos os textos, 1) Benjamin define a técnica como uma relação entre a natureza e a humanidade; 2) essa técnica é colocada em oposição a um mau uso da técnica, seja como dominação em Einbahnstraße, seja como destruição em Theorien des deutschen Faschismus. O conceito de segunda técnica representa uma inovação que destaca a natureza dessa relação, que é harmoniosa, e se opõe explicitamente a uma primeira técnica definida pela dominação.

Palavras-chaves:
Walter Benjamin; Segunda Técnica; Humanidade; Natureza

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