Com imenso prazer anunciamos a publicação da segunda edição da Revista Filosofia Unisinos em 2025. Neste volume, seguindo as recomendações da SciElo, implementamos em cada um dos textos a “declaração de disponibilidade de dados”. Na edição anterior já contávamos com a publicidade dos editores envolvidos no processo de editoração de cada artigo, medida que também compõe as novas orientações da SciElo. Na presente edição disponibilizamos quatorze textos, dentre os quais doze são artigos, abordando diferentes temas e áreas da filosofia, uma resenha e uma tradução.
O primeiro texto desta edição é de autoria do professor Alexandre Ziani de Borba e intitulado “Usando a teoria das virtudes para definir ciência e conceitos relacionados”. Nele o pesquisador, recorrendo a conceitos da teoria ética das virtudes, busca apresentar definições para o conceito de ciência. Para tal se utiliza do conceito de virtude intelectual para definir o que é ciência e seu antônimo, o vício intelectual, para demarcar o que é pseudociência.
André Klaudat é o autor de “Motivos e teoria moral em Hume”. O professor investiga, partindo de sua fundamentação sentimentalista, a teoria moral de David Hume e destaca o papel dos motivos e da vontade para a constituição das distinções morais. Para tal, parte da noção de um “espectador judicioso” e argumenta que a moralidade se baseia em uma sensibilidade compartilhada que nos faz considerar, de modo imparcial, os efeitos das ações sobre os outros.
“Una lógica para la aceptación lógica” escrito pelo professor Diego Tajer é o terceiro texto da presente edição. O autor desenvolve, estendendo a proposta de Lokhorst (1997), uma análise formal do conceito de aceitação. Argumenta, ainda, utilizando aparatos da lógica epistêmica, que podemos representar a ideia de que um agente aceita um determinado argumento ou sentença como válidos.
Com o objetivo de traçar uma leitura crítica do Banquete de Platão, refletindo sobre a afetividade, amor e sexualidade, o professor Francisco Fianco apresenta o texto “Se sofremos por amor a culpa é do Platão: uma leitura crítica ao Banquete”. A crítica ao pensamento platônico está calcada em uma perspectiva pós-moderna, baseada, principalmente, no texto de Michel Onfray Théorie du corps amoureux e busca apresentar ao leitor alternativas contemporâneas por meio das tantas transformações nos modos de vida, de pensar e de amar no século XXI.
“Charcot, desenhador da histeria. Ou a crítica médica de arte”, de autoria do professor Francis- co Verardi Bocca, compõe o quinto texto desta edição. O texto, por meio de uma revisão bibliográfica e biográfica, investiga como Jean-Martin Charcot e colaboradores, no hospital Salpêtrière do século XIX, integraram arte e ciência no estudo da histeria. Para tal o autor analisa o uso do desenho como instrumento de pesquisa, diagnóstico e ensino, evidenciando a proposta de uma colaboração recíproca entre medicina e arte, orientada pelo ideal naturalista.
O sexto texto é de autoria do professor Gonçalo Rosete e intitulado “Zenão de Eleia e a (im)possibilidade do movimento: o paradoxo da dicotomia”. O objetivo consiste em analisar o paradoxo da dicotomia de Zenão de Eleia com o intuito de explorar possibilidades de refutar esse paradoxo, argumentando em favor da possibilidade de movimento. O arcabouço teórico utilizado pelo autor conta, sobretudo, com análises da Física aristotélica (Aristoteles, 1936), mais precisamente dos conceitos de continuidade e contiguidade, e da proposta de Bergson (1994; 2002) sobre a natureza do tempo e do espaço.
Israel Arturo Orrego-Echeverría, Julián Cárdenas Arias, Juan Cepeda H. Ana María León Forero e Jairo Alberto Merlo Pinzón são os autores do texto cujo título é “Tras las categorías ontológicas del pensamiento indígena desde la propuesta de las ontologías de la diferencia radical”. Os autores propõem, como chave para compreender o pensamento autóctone e popular, a reflexão ontológica. Buscam, com isso, contribuir para a construção de uma ontologia com perspectiva latino-americana e, para tanto, se baseiam inicialmente na crítica de Heidegger à metafísica, sugerindo que esta possibilita pensar ontologias relacionais e da diferença radical.
Embasados no percurso que culminou na proposta de construção de uma filosofia da energia no Brasil, os professores Jairo Dias Carvalho e Daniel Caixeta apresentam três aspectos para construir um quadro mínimo para a Filosofia da Energia. Este texto é intitulado “A filosofia da energia como campo interdisciplinar para pensar o Brasil” e compõe esta edição como o oitavo artigo.
O nono texto deste volume traz a ética profundamente ligada à física no pensamento de Heráclito. Para isso, o professor Julian Ramiro Numpaque García, identifica os princípios físicos centrais e analisa a proposta ética heraclitiana, focado, principalmente, no papel da alma. Este texto é intitulado “Ética y física en Heráclito”.
“Exploraciones fenomenológicas de la paradoja del mentiroso. Un breve análisis de insolubilia. Eine logische studie über die grundlage der mengenlehre de A. Koyré” é escrito pelo professor Luis Alberto Canela Morales. O autor aborda o paradoxo do mentiroso, partindo da leitura feita por Alexandre Koyré emInsolubilia (1999). O texto divide-se, basicamente, em duas partes onde, na primeira delas, o professor apresenta a ligação de Koyré com a fenomenologia husserliana e, na segunda, examina interpretações do paradoxo.
À luz do conceito de cognição incorporada, os professores Mindaugas Briedis e Juan Carlos Carrillo apresentam um novo modo de lerPedro Páramo, de Juan Rulfo. O texto é intitulado “Enaction of mestizo identity in Pedro Páramo: transgression as care for the embodied soul” e objetiva desconstruir binarismos clássicos como corpo-mente e liberdade-responsabilidade.
O décimo segundo artigo desta edição objetiva avaliar duas teses conflitantes quanto à normatividade do significado, o prescritivismo e o antiprescritivismo semântico. “Semantic naturalism and the normativity of meaning: against semantic prescriptivism” é escrito pelo professor Sérgio Farias de Souza Filho e argumenta em favor do antiprescritivismo semântico.
Por fim, apresentamos a resenha do texto “Negritude sem identidade: sobre as narrativas sin- gulares das pessoas negras”, realizada por Marcos Silva, e a tradução “Notas de leitura - Proust”, efetuada por Tiago Nunes Soares Schweiger.
A todos(as) os(as) pareceristas que realizaram avaliações cuidadosas, rigorosas e imparciais, contribuindo substancialmente para a qualidade ímpar desta produção, registramos o nosso muito obrigado. Agradecemos, ainda, a todos os articulistas que optaram por compartilhar em nosso veículo de difusão filosófica as suas pesquisas. Aos(às) nossos(as) leitores(as) desejamos a excelente companhia deste conteúdo de extrema qualidade.
Referências
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FILOSOFIA UNISINOS. São Leopoldo: Periódicos Unisinos, 2004-2025. ISSN 1984-8234. Disponível em: https://revistas.unisinos.br/index.php/filosofia/about
» https://revistas.unisinos.br/index.php/filosofia/about - LOCKHORST, G.-J. 1997. The logic of logical relativism. Logique et Analyse, 41(161/163): p. 57-65.
- ARISTOTELES, -. 1936. Physics Revised Greek text with introduction and commentary by W. D. Ross. Oxford: Clarendon Press.
- BERGSON, H. 1994. Matter and Memory, New York: Zone Books.
- BERGSON, H. 2002. The Creative Mind: An Introduction to Metaphysics New York: The Citadel Press.
- KOYRÉ, A. 1999. Insolubilia. Eine logische Studie über die Grundlagen der Mengenlehre, Giornale Critico Della Filosofia Italiana, 19(3): pp. 323-45.
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Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
