Este artigo examina o assentamento dos colonos valdenses no Uruguai entre 1858 e 1880, com foco na construção de uma identidade cultural vinculada à educação e à cultura escrita. Por meio da análise de cartas pessoais, diários de memórias e documentos oficiais, explora-se como a educação funcionou como um pilar de coesão comunitária e resistência frente a desafios externos. Os valdenses, uma minoria religiosa com raízes medievais, transferiram para o contexto uruguaio sua tradição educativa, adaptando-a às condições locais. Apesar das dificuldades econômicas e sociais, conseguiram consolidar um sistema educacional que transcendia o âmbito estritamente escolar, influenciando a formação de um imaginário coletivo que perdura nos discursos educativos atuais. O artigo também analisa o papel das escolas dominicais e diárias, destacando sua importância na transmissão de valores religiosos e culturais. Por fim, questiona-se a narrativa tradicional que apresenta esse processo como um simples “transplante” cultural, argumentando que a experiência valdense no Uruguai foi um fenômeno único, marcado pela adaptação e inovação em um contexto desafiador.
Palavras-chave:
Educação e Cultura Escrita; Valdenses; Uruguai; Migração e Religião; Escolas Dominicais