Open-access Estratégias utilizadas por professores para prevenção da evasão escolar de crianças com câncer: revisão integrativa1

Strategies used by teachers to prevent school dropout among children with cancer: an integrative review

Resumo

O câncer infantil é um problema de saúde que acarreta consequências físicas, mentais, sociais e educacionais para a criança e sua família, podendo colocar em risco a continuidade dos estudos. Os professores são essenciais para manutenção de um ambiente escolar acolhedor, e suas ações permitem adaptação da nova realidade e prevenção da evasão. O estudo tem como objetivo descrever as estratégias utilizadas por professores na prevenção da evasão escolar de crianças com câncer. Trata-se de revisão integrativa, norteada a partir de seis passos metodológicos, realizada no período de janeiro a maio de 2024, nas bases de dados LILACS, MEDLINE, BDENF, Web of Science, Scopus e PubMed, com estudos disponíveis em livre acesso e publicados no intervalo temporal de 2007 a 2024. Os achados das buscas foram analisados em pares e às cegas por meio do processo de redução de dados, e a amostra final (n=05) foi avaliada de acordo com as diretrizes nacionais para desenvolvimento do Programa Saúde na Escola. Os professores podem prevenir a evasão escolar através de medidas pautadas no apoio da rede social, na comunicação e aproximação de pais, da comunidade escolar e de profissionais de saúde, bem como na adaptação da realidade e do ambiente de ensino para proporcionar experiências agregadoras à aprendizagem da criança. Entende-se que ações relacionadas à aproximação da situação de saúde da criança com câncer de educadores, comunidade escolar, pais e sociedade permitem a amplificação das possibilidades de intervenção e melhores possibilidades para inserção da criança com câncer na escola.

Palavras-chave:
Neoplasias - Saúde da criança - Serviços de saúde escolar - Evasão escolar - Enfermagem

Abstract

Childhood cancer is a health problem that entails physical, mental, social, and educational consequences for the child and their family, potentially jeopardizing the continuation of their studies. Teachers are essential for maintaining a welcoming school environment, and their actions allow for adaptation to the new reality and prevention of school dropout. This study aims to describe the strategies used by teachers in preventing school dropout among children with cancer. This is an integrative review, guided by six methodological stages, conducted from January to May 2024, in the LILACS, MEDLINE, BDENF, Web of Science, Scopus, and PubMed databases, with studies available in open access and published between 2007 and 2024. The search findings were analyzed in pairs and blindly through a data reduction process, and the final sample (n=5) was evaluated according to the national guidelines for the development of the School Health Program. Teachers can prevent school dropout through measures based on supporting the social network, communicating with and engaging parents, the school community, and healthcare professionals, as well as adapting the reality and learning environment to provide enriching experiences for children. It is understood that actions related to bringing educators, the school community, parents, and society closer to the health situation of children with cancer allow for the amplification of intervention possibilities and better opportunities for the inclusion of children with cancer in school.

Keywords:
Neoplasms - Child health - School health services - Student dropouts - Nursing

Introdução

As neoplasias são compreendidas como uma variedade de mais de 100 doenças caracterizadas pelo crescimento desalinhado e desorganizado de células com capacidade de se expandir entre os tecidos e órgãos do corpo Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2022). Qualquer faixa etária pode ser acometida, inclusive crianças, por variadas razões, com manifestações da doença e intervenções terapêuticas que geram sofrimento, receios e angústias para o paciente e sua família (Viero et al., 2014).

Conforme dados do Global of Cancer Observatory e da World Health Organization, aproximadamente 29 mil crianças são acometidas pelo câncer a cada ano Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, 2022). Uma parcela importante de crianças vivencia a fase escolar no momento da descoberta de uma neoplasia. Dados do Instituto Nacional do Câncer demonstram que, no Brasil, a estimativa de câncer infantojuvenil é de 4.310 casos novos para o sexo masculino e de 4.150 para o sexo feminino. Esses valores correspondem a um risco estimado de 137,87 casos novos por milhão de pessoas do sexo masculino e de 139,04 por milhão de pessoas do sexo feminino, causando impactos na vida de crianças e suas famílias em diversos âmbitos, especialmente na manutenção de sua saúde, vida social e atividades educacionais (INCA, 2020)

A escola é essencial para o desenvolvimento da criança, e a presença de um diagnóstico de câncer oportuniza diversos desafios e dificuldades na vida estudantil que necessitam de apoio dos profissionais da comunidade escolar e da área da saúde. O Programa Saúde na Escola (PSE) é uma estratégia que utiliza intervenções interdisciplinares para identificar as fragilidades da população infantil, incentivando seu crescimento individual e coletivo, o que, por sua vez, permite intervenções no processo de saúde-doença e permitem a continuidade da vida escolar (Ferreira; Pessoa, 2023; Rumor et al., 2022; Brasil, 2007, 2011).

A característica invasiva dos tratamentos para tumores na infância gera dor, efeitos colaterais, internações hospitalares, desgaste funcional e baixa autoestima, que contribuem para o afastamento da criança de suas atividades e quebra do vínculo escolar por tempo indeterminado (Silva; Hora, 2018). Essas experiências de saúde geram variações nas relações familiares, sociais e com a comunidade escolar, resultando em uma realidade conhecida como “enfermidade social”, ocasionada pela segregação decorrente da doença, que põe em xeque dois vieses tidos socialmente como essenciais: a saúde e a educação (Ferreira; Pessoa, 2023; Matos; Mugiatti, 2009).

O tratamento oncológico manifesta uma série de condições negativas que impactam a autopercepção e interação social da criança, como a queda de cabelo, amputações, dependência constante dos pais e de outros membros da rede social, e o sentimento constante de compaixão por parte das pessoas. Tudo isso afeta seu desenvolvimento psicológico, afetivo, social e o processo de aprendizagem. A evasão escolar se coloca como uma alternativa diante dos diversos desafios a serem enfrentados ao longo dos tratamentos para o câncer (Ferreira; Pessoa, 2023).

O vínculo construído entre a criança diagnosticada com câncer, a sua família e a escola, especialmente na figura dos professores, é fragilizado pelos sentimentos de despreparo e desinformação dos docentes sobre como lidar com a vulnerabilidade da criança, que comportamentos e cuidados devem ser adotados no ambiente escolar e que mudanças devem ser incorporadas no cotidiano da sala de aula diante desse novo momento de vida trazido pelo adoecimento (Paterlini; Boemer, 2017).

As ações pautadas no diálogo, no controle do ambiente e na adaptação da realidade escolar são medidas corriqueiras que ajudam no acolhimento da criança; porém, são limitadas diante da complexidade do diagnóstico e da necessidade de manutenção do vínculo entre a criança e a escola (Paterlini; Boemer, 2017). Compreender o enredo de atuação do professor diante do ensino e do cuidado de uma criança portadora de uma doença crônica permite visualizar meios para continuidade do processo de aprendizagem e fortalecimento do papel docente no cuidado da criança. Este estudo teve como objetivo descrever as estratégias desenvolvidas por professores na prevenção da evasão escolar de crianças com câncer.

Método

Trata-se de estudo de revisão integrativa da literatura, que é um método de pesquisa utilizado na Prática Baseada em Evidências que permite a incorporação das evidências na prática clínica. Tem a finalidade de reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre um delimitado tema ou questão, de maneira sistemática e ordenada, contribuindo para o aprofundamento do conhecimento do tema investigado (Mendes; Silveira; Galvão, 2008). Para estruturação metodológica deste estudo, cumpriram-se os seguintes passos metodológicos: 1 - estabelecimento da questão de pesquisa; 2 - amostragem e busca na literatura; 3 - categorização dos estudos; 4 - avaliação dos estudos incluídos na revisão; 5 - interpretação dos resultados; 6 - síntese da revisão (Mendes; Silveira; Galvão, 2008; Souza; Silva; Carvalho, 2010).

Para o primeiro passo da revisão, elaborou-se uma pergunta norteadora, utilizando a estratégia PICO (P: crianças com câncer; I: estratégias adotadas pelos professores; C: sem controle; O: evasão escolar), resultando na questão: quais estratégias são adotadas pelos professores para prevenção da evasão escolar de crianças com câncer?

No desenvolvimento do segundo passo, foi iniciado levantamento bibliográfico, realizando-se busca de estudos publicados nas seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS); Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem on-line (MEDLINE); Banco de Dados de Enfermagem (BDENF); Web of Science; Scopus; e PubMed. Para a busca, foram utilizados os seguintes descritores e conexões nos idiomas português e espanhol, por meio do dicionário de Descritores em Ciências da Saúde, e no idioma inglês, por meio do Medical Subject Headings (Quadro 1):

Fonte: Dados
dos autores (2024).

Para seleção dos artigos nas bases elencadas, foram incluídos artigos disponíveis em livre acesso, com intervalo de publicação entre 2007 e 2024, por considerar o desenvolvimento do PSE no Brasil, publicados nos idiomas português, inglês ou espanhol, além de artigos oriundos de estudos clínicos ou de campo. Foram excluídos artigos de revisão da literatura (narrativa e integrativa), materiais informativos de programas educacionais ou de saúde e materiais da literatura cinzenta. A busca dos estudos ocorreu no período de janeiro a maio de 2024.

A busca foi realizada por dois pesquisadores de forma independente, conforme o processo de avaliação em pares e às cegas. Os pesquisadores julgaram a inclusão ou exclusão dos estudos na revisão através do processo de leitura crítica e redução de dados em três etapas: 1a - leitura do título da publicação; 2a - leitura do resumo; e 3a - leitura do texto completo. Os artigos coerentes com o objetivo da pesquisa e que oferecessem subsídios para responder à pergunta norteadora eram considerados e prosseguiam no processo de análise, enquanto os estudos não enquadrados nessa perspectiva eram eliminados. Na divergência de opinião entre os revisores, foi acionado um terceiro pesquisador, seguindo o processo de avaliação às cegas, para proceder com a avaliação e decidir pela inclusão ou exclusão dos estudos para revisão (Figura 1). Os dados relacionados à síntese da revisão foram analisados a partir da leitura crítica do material e da sua associação com as diretrizes nacionais para desenvolvimento do PSE, definidas através do Decreto nº 6.286, de 2007 (Brasil, 2007).

Para seguimento da revisão, foram considerados os aspectos metodológicos do guia Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses nos itens pertinentes a estudos de revisão integrativa (Page et al., 2021).

Figura 1
Fluxograma de seleção dos artigos nas bases de dados. Caruaru, Pernambuco, Brasil, 2024

Durante a análise crítica, os artigos foram classificados de acordo com a hierarquia de evidências para estudos de intervenção: nível I - revisão sistemática ou metanálise; nível II - estudos controlados e aleatórios; nível III - estudos controlados sem randomização; nível IV - estudos caso-controle ou de coorte; nível V - revisão sistemática de estudos qualitativos ou descritivos; nível VI - estudos qualitativos ou descritivos; nível VII - opiniões ou consensos.

A amostra final (n=05) passou por uma análise crítica, extraindo-se os elementos que embasaram a síntese da revisão. Para a extração dos dados dos estudos selecionados, utilizou-se o instrumento The JBI Critical Appraisal tools for use in JBI Systematic Reviews (Lockwood, Munn, Porritt, 2015).

Resultados

Mediante a busca nas bases de dados, foram identificados cinco artigos, publicados em inglês entre 2016 e 2021, que tiveram como objeto de análise a relação entre o diagnóstico e o tratamento do câncer infantil e as atividades escolares. Os dados de caracterização dos artigos selecionados para etapa de síntese estão elencados no Quadro 2.

Quadro 2
Caracterização dos artigos incluídos para análise da revisão integrativa. Caruaru, Pernambuco, Brasil, 2024

Os estudos incluídos na etapa final foram analisados detalhadamente, e os pontos de maior relevância na produção e seu alinhamento com o direcionamento proposto pela pergunta norteadora deste estudo foram destacados. Além disso, foi feito o detalhamento destas produções quanto às ações dos professores na prevenção da evasão escolar de crianças com câncer (Quadro 3). Constatou-se, diante da análise dos níveis de evidência, uma variedade de métodos de pesquisa entre as produções, denotando a necessidade de desenvolvimento de pesquisas com maior robustez, especialmente de estudos clínicos, que permitam maior aprofundamento sobre a temática.

Quadro 3
Síntese dos artigos selecionados para revisão integrativa. Caruaru, Pernambuco, Brasil, 2024

Discussão

As escolas são uma base para o desenvolvimento psicossocial e a incorporação de medidas de cuidado individual e coletivo em saúde. Nelas, são solidificados múltiplos benefícios, de forma a melhorar continuamente a qualidade de vida dos alunos, com apoio de professores e familiares, à medida que atendam aos requisitos e necessidades que tornam possível a implementação do PSE. O espaço educativo, junto ao PSE, promove a percepção de sinais e sintomas, como também dos agravos. Esse espaço proporciona a promoção da saúde, o apoio às políticas públicas e a participação da família na abordagem interdisciplinar dos profissionais de saúde e da educação no que diz respeito à individualidade da criança e de suas necessidades (Rumor et al., 2022; Brasil, 2007, 2011).

A educação é um direito fundamental de todas as pessoas, inclusive daquelas que enfrentam desafios de saúde. Nesse contexto, a familiaridade do professor com o modo de funcionamento das escolas e salas de aula, com todas as estratégias e particularidades de cada criança, é uma grande vantagem (Bruce et al., 2012). Desse modo, a comunicação construída das famílias com a criança sobre sua condição é fundamental para a prática do cuidado (Borges; Dupas, 2016).

Em cada cenário, são destacadas estratégias que, quando somadas, permitem que o panorama de intervenção do professor e da escola se associe ao cuidado em saúde e culmine em benefícios ao longo dessa fase. São apresentadas também as informações que serão fornecidas à escola para que um planejamento especializado seja feito (Tresman et al., 2016).

Uma das estratégias que os professores implementam para prevenir a evasão escolar entre crianças com câncer é oferecer opções de aprendizagem flexíveis. As crianças submetidas ao tratamento oncológico enfrentam frequentemente desafios que podem interferir na sua frequência regular à escola (Young et al., 2021). Entre essas ações, destacam-se a oferta de recursos online que permitem o aprendizado de forma remota e a oferta de planos educacionais personalizados que considerem a rotina de cuidados da criança, de modo que os professores possam ajudá-la a continuar suas atividades formativas, apesar de suas circunstâncias de saúde. Dessa forma, é possível garantir que o estudante não perca o contato com os estudos e continue seu desenvolvimento escolar mesmo diante dos desafios enfrentados (Al-Gamal; Long, 2016; Lyu, 2019). Logo, o acompanhamento da reintegração, seja uma reunião ou videoconferência para abordar as preocupações em torno das necessidades ao longo prazo que possam emergir, é uma alternativa na manutenção dos vínculos e aprendizado das temáticas formativas (Tresman et al., 2016; Al-Gamal; Long, 2016; Lyu, 2019).

A oferta de ações de acolhimento e a adaptação da realidade escolar se aproximam do ideal de tratar a saúde e a educação de forma integral como parte de uma formação ampla para cidadania e o usufruto pleno dos direitos humanos. Essas abordagens não só apoiam o progresso acadêmico, mas também promovem um sentido de normalidade e rotina para as crianças com câncer, o que pode ser crucial para o seu bem-estar geral e saúde mental. Por meio delas, as crianças realizam atividades rotineiras, exercitam o papel de cidadão, compreendem a organização social de sua comunidade e têm acesso garantido à educação e à saúde, prerrogativas para a manutenção de seus direitos (Young; Bowers; Bradford, 2022).

A criação de um ambiente de sala de aula favorável e inclusivo é outra estratégia utilizada pelos professores. Ao promover uma atmosfera segura e acolhedora, onde todos os estudantes se sintam aceitos e valorizados, os docentes podem ajudar a mitigar os desafios que esses alunos enfrentam durante a sua jornada contra o câncer. As estratégias para criar um ambiente apoiador incluem a implementação de programas de apoio entre os pares (a criança com câncer recebe apoio dos colegas de turma ao longo do ano letivo) e o fornecimento de apoio social, de forma emocional, para atender às necessidades e preferências individuais. Esses esforços não só contribuem para o sucesso escolar, mas também promovem a resiliência entre as crianças com câncer e reduzem o risco de evasão (Young et al., 2021).

A inserção de profissionais de saúde na rotina escolar para fornecer apoio individualizado é um aspecto crucial da prevenção da evasão escolar entre crianças com câncer, e está alinhada à diretriz do PSE que estabelece a articulação entre as ações do Sistema Único de Saúde e as ações da rede de educação pública. Ao trabalhar em estreita colaboração com os prestadores de cuidados de saúde, os professores podem obter informações valiosas sobre as necessidades e os desafios específicos enfrentados por esses estudantes (Al-Gamal; Long, 2016; Bruce et al., 2012; Brasil, 2007, 2011). Essa colaboração permite que os professores desenvolvam planos de apoio personalizados que abordem métodos para apoio da rede social (família, amigos, vizinhos, comunidade, profissionais ligados ao cuidado em saúde), adaptação das acomodações do ambiente escolar e estratégias de comunicação com a equipe de saúde e família da criança de forma colaborativa (Sjoberg et al., 2018).

Ao colaborar com profissionais de saúde para apoiar crianças com câncer na escola, é essencial que os professores tenham uma compreensão abrangente da condição de saúde e dos seus potenciais impactos no desempenho escolar e no bem-estar emocional do estudante. No trabalho conjunto com profissionais de saúde, os docentes podem obter informações sobre o plano de tratamento, os efeitos adversos dos medicamentos e as limitações potenciais que a criança com câncer pode enfrentar durante a sua educação. Com a colaboração de todos os envolvidos, é possível proporcionar uma experiência educacional mais inclusiva e positiva para a criança. Essas intervenções tornam o ambiente escolar mais empático e acolhedor, contribuindo para o bem-estar e o desenvolvimento do estudante (Young et al., 2021; Young; Bowers; Bradford, 2022; Paterlini; Boemer, 2008).

A assistência dos profissionais de saúde também pode ajudar os professores a identificar sinais de alerta de problemas de saúde que possam surgir durante o período escolar, permitindo uma intervenção precoce e adequada. Dessa forma, a parceria entre educadores e profissionais de saúde é fundamental para garantir o sucesso acadêmico e o bem-estar emocional dos alunos em tratamento contra o câncer (Al-Gamal; Long, 2016; Bruce et al., 2012).

O aporte informativo deve ser fortalecido através da promoção de ações educativas que sensibilizem os colegas de classe e todo o corpo docente sobre a realidade da criança em tratamento contra o câncer (promover a conscientização sobre o câncer e seus tratamentos, os fatores de risco associados e as intenções preventivas de câncer), visando construir um ambiente mais solidário, inclusivo e apoiador, que possibilita a participação ativa, integração no processo de aprendizagem e prevenção do bullying entre os estudantes (Young et al., 2021; Young; Bowers; Bradford, 2022).

A comunicação aberta e constante entre a escola, a família e os profissionais de saúde é crucial para garantir que o estudante receba o suporte necessário em todas as áreas de sua vida. A adaptação do ambiente escolar, a flexibilização de prazos e a compreensão da condição da criança são aspectos importantes a serem considerados nessa parceria. Com o apoio de todos os envolvidos, é possível proporcionar uma experiência educacional mais inclusiva e positiva para o aluno em tratamento contra o câncer (Sjoberg et al., 2018; Young et al., 2021; Tresman et al., 2016). Esse apontamento se associa à diretriz do PSE relacionada ao fortalecimento do enfrentamento das vulnerabilidades de saúde que podem comprometer o avanço escolar, bem como à promoção da comunicação, do encaminhamento e da presença da comunidade escolar como parceira na resolução das adversidades de saúde (Brasil, 2007, 2011).

O fomento de uma consciência coletiva para promoção da saúde na escola fortalece a parceria com as instituições e profissionais de saúde, permitindo a criação de uma cultura coletiva voltada ao cuidado. A empatia e o acolhimento por parte de todos os membros da comunidade escolar são de grande importância, pois contribuem positivamente para o bem-estar e o desenvolvimento da criança com câncer. Torna-se, portanto, relevante promover ações educativas que sensibilizem colegas de classe e professores sobre a realidade do aluno em tratamento contra o câncer, visando construir um ambiente mais solidário e inclusivo. Com essas práticas, a escola se torna um espaço de apoio e fortalecimento para o aluno, possibilitando sua participação ativa e sua integração no processo de aprendizagem (Sjoberg et al., 2018; Young et al., 2021; Tresman et al., 2016). A educação continuada dos profissionais de saúde e da educação é essencial para garantir que a criança com câncer receba o apoio necessário para continuar seus estudos com sucesso. A articulação dos saberes e a participação coletiva (pais comunidade escolar e sociedade em geral) são elementos que permitem o fortalecimento do PSE no cuidado em saúde da criança com neoplasias. É importante que a família seja incluída nesse processo, para que todos os envolvidos estejam alinhados e trabalhem juntos em prol do bem-estar e do desenvolvimento educacional do estudante. A criação de um plano educacional individualizado, que leve em consideração as necessidades específicas do estudante durante o período de tratamento, garante que não haja perda do contato com os estudos e a continuidade do desenvolvimento acadêmico mesmo diante dos desafios

enfrentados (Al-Gamal; Long, 2016; Young et al., 2021; Brasil, 2007, 2011).

É fundamental que haja uma rede social de apoio sólida e eficiente, que possa oferecer suporte emocional, instrumental, presencial e informativo aos estudantes em tratamento oncológico. Ademais, torna-se importante promover a inclusão desses estudantes nas atividades escolares e sociais, garantindo que não se sintam isolados ou excluídos, além de presenciar comparações nos cuidados habituais e novas melhorias na qualidade de vida (Young; Bowers; Bradford, 2022; Akard et al., 2020; Sjoberg et al., 2018; Al-Gamal; Long, 2016).

Entre as limitações do estudo, focado em dados mais conclusivos, destaca-se a escassez de informações sobre a vivência das intervenções dos professores junto a crianças com câncer e seu efeito no tratamento, o que possibilitaria um aprofundamento maior nas questões práticas associadas a essa interface do cuidado na escola.

Considerações finais

As ações dos professores para a prevenção da evasão escolar em crianças com câncer estão pautadas no fortalecimento do apoio da rede social, especialmente o apoio emocional; na aproximação da relação entre corpo docente e profissionais da área da saúde para a orientação e a troca de informações sobre o diagnóstico, o tratamento e a prevenção de adversidades ao longo da vida escolar; na adaptação do ambiente e da rotina escolar para a acomodação do estudante (flexibilização de horários, elaboração de planos de aula mais inclusivos e atividades remotas); e na aproximação da comunidade escolar à temática relacionada ao câncer para a minimização de estigmas e de bullying, para um maior acolhimento e inclusão da criança nas atividades da vida escolar de forma harmoniosa, colaborativa e inclusiva.

É fundamental que as instituições de ensino, professores, profissionais de saúde, famílias e a sociedade estejam atentas às necessidades dos estudantes com câncer e se empenhem em oferecer as condições necessárias para continuidade dos estudos e enfrentamento da doença com mais tranquilidade. A educação e a solidariedade são essenciais para garantir que esses jovens tenham as mesmas oportunidades de desenvolvimento e realização pessoal que qualquer outra criança sem o diagnóstico de neoplasia.

Torna-se importante que os professores estejam capacitados e preparados para lidar com as necessidades específicas dos estudantes com câncer. São necessários estudos clínicos que permitam visualizar os efeitos da ação dos professores nos desfechos de saúde de crianças com câncer, bem como intervenções pautadas no fortalecimento do conhecimento, da atitude e das práticas dos professores em relação aos estudantes com neoplasias.

É fundamental que a sociedade como um todo se una para combater o estigma em torno do câncer e promover um ambiente inclusivo e acolhedor para aqueles que estão enfrentando essa adversidade na vida. A educação e a conscientização são ferramentas poderosas na luta contra o câncer, e é preciso fomentar e investir em programas e iniciativas que visem prevenir e detectar precocemente a doença. Somente por meio de uma abordagem integrada, que envolva não apenas profissionais de saúde, mas também educadores, familiares e a comunidade em geral, é possível garantir que os estudantes com câncer recebam o suporte necessário para superar os desafios que enfrentam.

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  • Disponibilidade de dados:
    Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
  • Editora responsável:
    Profa. Dra. Mônica Caldas Ehrenberg.

Disponibilidade de dados

Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    08 Maio 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    05 Ago 2024
  • Revisado
    04 Ago 2025
  • Aceito
    18 Ago 2025
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