Resumo
Procuramos, com o ensaio, pensar os poemas de Donizete Galvão, constantes no livro O homem inacabado, de 2010, como possibilidades de ruptura com a ordem vigente. Para isso, recorremos principalmente à poesia e aos textos de Charles Baudelaire e Walter Benjamin, autores que empreenderam uma crítica contundente à modernidade e com os quais o próprio poeta estabeleceu diálogos.
Palavras-chave:
Donizete Galvão; modernidade; paisagem urbana
Abstract
With the essay, we tried to think about Donizete Galvão’s poems, contained in the book O Homem Inacabado, from 2010, as possibilities of breaking with the current order. For this, we resorted mainly to the poetry and texts of Charles Baudelaire and Walter Benjamin, authors who undertook a scathing critique of modernity and with whom the poet himself established dialogues.
Keywords:
Donizete Galvão; Modernity; Urban landscape
Resumen
Con el ensayo, buscamos pensar los poemas de Donizete Galvão, contenidos en el libro O homem inacabado, de 2010, como posibilidades de ruptura con el orden actual. Para ello recurrimos principalmente a la poesía y los textos de Charles Baudelaire y Walter Benjamin, autores que acometieron una mordaz crítica a la modernidad y con los que el propio poeta entabló diálogos.
Palabras clave:
Donizete Galvão; Modernidad; Paisaje urbano
Este ensaio não faz nenhuma apresentação sistemática ou revisão de literatura dos autores mencionados. O que proponho, nesse pequeno texto, fazendo uma paráfrase com o crítico Anatol Rosenfeld, de quem gosto muito, é um jogo de reflexões, “um diálogo lúdico com o leitor” (1969, p. 73), baseado numa hipótese possivelmente fecunda.
A poesia de Donizete Galvão, poeta mineiro, falecido em 2014, parece estar inebriada de sua experiência em São Paulo, onde viveu por mais de trinta anos. Os poemas do livro O homem inacabado, publicado em 2010 (Galvão, 2010), refletem o corpo e a palavra a partir da paisagem urbana, em intertextualidade com diversos artistas e escritores. O conceito de paisagem urbana mobilizado neste ensaio parte daquele articulado por Ana Fani A. Carlos (2001) (de quem desdobraremos algumas ideias ao longo do texto), ou seja, diz respeito ao intenso processo de produção e reprodução humanos na modernidade, que se materializa concretamente no espaço geográfico, e que é apreendido na paisagem através de uma série de elementos como construções, vias de comunicação, enfim, pela concretude das cidades. O título da obra, O homem inacabado, vai sendo desdobrado ao longo dos poemas, que descrevem, de certa maneira, a alienação do sujeito na modernidade, que faz com que a experiência de se tornar humano seja empobrecida, cotidianizada e, por isso, inacabada. Observemos o poema Para Evgen Bavcar:
proteja aqueles de corpo incompleto
sacrificados à máquina
mutilados pela guerra
jogados de encontro às rochas
zele pelo corpo ferido
oculto pelas palavras
preso em próteses
coberto por máscaras
que o anjo distraído de Klee
guarde aqueles colhidos na engrenagem
produtora de ruínas
O nome homenageado no título pertence ao fotógrafo e pesquisador esloveno Evgen Bavcar, que perdeu a visão dos dois olhos em acidentes diferentes na infância: o olho esquerdo foi perfurado por um galho de árvore e o direito foi afetado pela explosão de um detonador de minas com o qual ele brincava. Assim sua experiência com o período pós-guerra deu-se tanto emocional quanto fisicamente: o lirismo no poema constrói-se a partir deste corpo violado pela guerra.
Outra intertextualidade bastante aparente dá-se pela tela de Paul Klee, Angelus Novus, eternizada por Walter Benjamin em sua reflexão Sobre o conceito da História, em que se pode ler na nona tese:
Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso (Benjamin, 1987, p. 226).
Por essa relação com o texto de Benjamin e pela maneira como o poema se encerra (“que o anjo distraído de Klee guarde aqueles colhidos na engrenagem produtora de ruínas”), podemos perceber a reflexão que o poeta trava com a modernidade, que é o seu tempo, e também o de Evgen Bavcar: da técnica, da máquina, das próteses, das máscaras, palavras proparoxítonas que, de fato, marcam a tônica do poema. Os verbos também sugerem que a ação só pode partir do anjo, ao menos é o que espera o eu do poema - através de um lirismo que se assemelha a uma oração -, já que os de corpo incompleto aparecem na voz passiva, foram sacrificados, mutilados, jogados, ocultos, presos, cobertos por máscaras e colhidos na engrenagem.
Quanto à paisagem, que a lírica de Donizete Galvão parece levar do exterior para o interior, o poema fachada demonstra o inacabamento do sujeito, aprisionado pela selva de pedras, o progresso chamado por Benjamin de tempestade:
Para o homem construir sua fachada
Ele continua em andaimes.
Provisório.
Exibe máscaras cambiantes.
Sua face inconclusa,
Sustentada por ferragens,
Parece esconder que,
Em todos esses anos de obra,
Ergueram-se inúteis plataformas
Para edificar um escombro.
Novamente as ruínas, o escombro, estão presentes, agora com roupagem urbana. Fachada é o lado exterior de um edifício, geralmente aquele de frente para a rua. Justamente por ficar exposto, há um maior cuidado no acabamento, no design desta construção. O título do poema remete, até certo ponto, ao lirismo de Baudelaire sobre as vitrines de Paris, construídas de maneira a seduzir consumidores para bares, lojas e cafés, seduzindo também aqueles que não detinham meios para frequentar tais lugares, como no poema em prosa Os olhos dos pobres (Baudelaire, 2020). Ali fica evidente, além da diferença de classes e a repulsa da burguesia pelos pobres, a maneira como a cidade se torna excludente: “num café novo na esquina de um bulevar novo, todo sujo ainda de entulho” (Baudelaire, 2020, p. 63) diz o poema, apontando que, ao lado de toda pompa do café, as ruínas de diversos bairros antigos, lares de milhares de parisienses, estavam ao chão. Benjamim retoma este tema em seu ensaio Paris, capital de século XIX, para discutir como a representação coisificada da civilização, as novas formas de vida e as novas criações de base econômica e técnica se tornam uma espécie de fantasmagoria.1
Para isso, o crítico analisa o projeto arquitetônico de Paris idealizado por Haussman, principalmente as passagens, as galerias de Baudelaire, cobertas de vidro e com paredes revestidas de mármore. A despeito de todo glamour em torno delas, Benjamin percebe como sua construção estava ligada a interesses econômicos e políticos, como centros de mercadorias de luxo cujos proprietários se uniram para esse tipo de especulação. Esse é o cenário ideal para o flâneur, figura criada por Baudelaire e retomada pelo crítico: “É o olhar do flâneur, cujo gênero de vida dissimula, por trás de uma miragem benfazeja, a miséria dos futuros habitantes de nossas metrópoles” (Benjamin, 1989, p. 61). A flânerie, por mais que seja um caminhar reflexivo e escape a um comportamento padronizado, encontra na multidão centenas de consumidores e o tempo que se anuncia põe em perigo sua lenta caminhada.
O poema de Donizete Galvão dialoga com as reflexões de Baudelaire e Benjamin em torno da cidade como fantasmagoria, que aparece como paisagem e como aposento, lugar de moradia. Homem e cidade imbricam-se, os objetos que compõem o urbano se tornam metáforas para a condição do sujeito, ou seja, as contradições do urbano ressoam na vida interior do homem na rua. Na verdade, a construção do urbano e do homem são resultados de um sistema social que aliena, degrada, exclui. Para a geógrafa Carlos (2001), as novas condições de existência realizam-se desigualmente em São Paulo pela criação de uma rotina organizada (no espaço e no tempo) da vida cotidiana que transforma radicalmente a sociabilidade, empobrecendo-a à medida que as relações entre as pessoas passam a ser substituídas por relações profissionais ou institucionais. Por sua vez, o tempo acelera-se em função do desenvolvimento da técnica, que requer a construção de novos espaços, que vão redefinindo as relações dos habitantes com o lugar e no lugar, redefinindo a prática socioespacial. Assim, o próprio espaço e, portanto, a paisagem é produzida e reproduzida como mercadoria e seu caráter é homogêneo, “consequência da repetição indefinida de um modelo que vai limitando os usos e reduzindo o modo de vida a atos e gestos sempre repetitivos, comportamentos orientados e vigiados” (Carlos, 2001, p. 17).
Se as galerias de Paris, enquanto fantasmagoria, ainda permitiam a travessia das pessoas, hoje, este espaço foi deslocado para os shoppings. Há avenidas inteiras onde não é possível a passagem de pedestres, construídas de maneira a “organizar” o tráfego de automóveis. Para Marshall Berman (2007), Baudelaire percebeu o fenômeno no poema A perda do Halo, quando escreve sobre o halo perdido no meio da lama das ruas, repletas de carruagens, onde se tornava cada vez mais perigoso para um transeunte atravessar: “A nova força que os bulevares trazem à existência, a força que arranca o halo do herói, conduzindo-o a um novo estado mental, é o tráfego moderno” (Berman, 2007, p. 189).
No poema de Donizete Galvão, o fim da construção de concreto é metáfora para a morte (“logo vai terminar o prazo para o homem construir sua fachada”). A vida interior do homem, no entanto, através do lirismo construído em torno de objetos pertencentes à construção, permanece opaca, vazia, apesar da fachada demonstrar o contrário (“ele continua em andaimes/ provisório/ exibe máscaras cambiantes”). O que se tentou edificar, ao longo dos anos de obra, foi um escombro. Paisagem e sujeito são resultado de um processo social que os torna mercadoria. Arquitetura da insônia e Insônia são outros dois poemas que revelam o drama do tempo e da vida programados:
na caçamba de entulhos
entre cacos de azulejos
e restos de reboco.
Mergulhada no caos,
sem eixo, sem direção
girando na história
em busca de uma saída.
Sob as nuvens que assomam,
palavra tensa e espinhenta,
esticada como cerca elétrica,
prestes a ser deflagrada.
Uns inventariam bens
que cabem numa gaveta,
mas que saturam o coração
de afeto e ressentimento.
Já cantam os paturis
no voo rumo à represa.
A cidade surge sob fumaças
e o insone reconta detritos.
Quanto mais capinava
mais a tarefa espichava.
Acordou com o corpo moído.
Agora o olho desconfiado
não quer mais dormir
com receio de trabalho
dobrado.
Ambos os poemas revelam o tempo da acumulação que, como reflete Carlos (2001), tende a reproduzir uma racionalidade homogeneizante inerente ao processo, que não se realiza apenas na produção de mercadorias, mas na divisão e organização do trabalho, nos modelos de comportamento e valores que induzem ao consumo, revelando-se como norteadores da vida cotidiana. Assim, enquanto todos dormem para descansar o corpo do trabalho e para prepará-lo para novo dia, o eu do poema desvia-se desse comportamento normatizado para buscar a “palavra perdida na caçamba de entulhos/entre cacos de azulejo e restos de reboco”, ou seja, a palavra que não pode surgir ao longo do dia, já que é tomada pelas tarefas que nos ocupam, pela correria dos dias, pelo cotidiano, permanecendo “mergulhada no caos, sem eixo, sem direção/ girando na história em busca de uma saída”. O título e a escolha de significantes do poema dialogam novamente com a cidade, paisagem que reflete outra vez o sujeito. Arquitetura da cidade e do poema, nascido da insônia, que se ergue em cinco estrofes de quatro versos. A saída da palavra é encontrada em outro tempo, que não o do trabalho, eis a potência do poema. No entanto, o poeta permanece preso “e o insone reconta detritos”.
Insônia revela, através de uma espécie de humor perverso, a impossibilidade do descanso, do sono, do sonho. O que se tem é o pesadelo do não dormir e da ansiedade causada por isso, já que, na sociedade do tempo programado, as consequências para a rotina são grandes. Não dormir é trabalhar duplamente, como sugere o poema: “Agora o olho desconfiado não quer mais dormir/com receio de trabalho/dobrado”.
Segundo Carlos (2001), à medida que o espaço urbano vai sendo transformado, acontece a normatização das relações sociais, a rarefação dos lugares de encontros, o que faz com que haja o estranhamento do indivíduo na metrópole. Há um descompasso entre a rapidez com que a cidade vai se modificando e a vida do sujeito que vive nela, com suas memórias dos lugares e de pessoas que ali viveram. Com a modernidade e a aceleração do tempo, há um empobrecimento da experiência, tema caro a Benjamin. As metrópoles transformam-se em imagens, aguçando o sentido da visão em detrimento dos outros. Esse estranhamento pode tornar-se potência de transformação pelas mãos de um poeta, como podemos perceber na poesia de Donizete Galvão. Mesmo o olhar pode romper com as amarras que lhe são impostas pelo processo de alienação, como demonstra o poema As garrafas:
as coisas sem o foco fixo
da fotografia
e da filosofia da mentira.
Um modo de olhar
as coisas com sua irradiação:
a ênfase de asas irisadas.
Sua face com grânulos
capta o rumor do tempo
que reverbera
desde a primeira era.
O olhar dirigido ao mundo através de uma garrafa, uma espécie de caleidoscópio, abre novas possibilidades de percepção, “sem o foco fixo/ da fotografia/ e da filosofia da mentira”. O poema dialoga novamente com Baudelaire, agora com suas críticas ao Salão de 1859 (2005), em que Baudelaire reivindica a importância das artes plásticas, que começam a perder espaço para a fotografia porque:
Entre nós o pintor natural, assim como o poeta natural, é quase um monstro. Aqui, o gosto exclusivo pela Verdade (tão nobre quando se limita a suas verdadeiras aplicações) oprime e sufoca o gosto pelo Belo. Onde se deveria ver somente o Belo (suponho uma bela pintura, e pode-se facilmente adivinhar a que estou me figurando), nosso público busca tão-somente a verdade (Baudelaire, 2005, p. 108-109).
O poeta percebe o fascínio que a fotografia exerce, já que o que ela faz é uma cópia da realidade, considerada como verdade pelo público. Os artistas, seja sobre quais motivos se debruçam do cotidiano, como rostos e situações coletivas ou do imaginário, vão sendo abandonados, já que sua arte passa pela representação, pelo estilo, ou seja, pela maneira como aquele artista experimenta seus sentidos. Para Baudelaire, a fotografia chega como uma indústria que oferece um produto idêntico à natureza: “pouco tempo depois, milhares de olhos ávidos se debruçavam sobre os buracos do estereoscópio como se fossem janelas para o infinito” (Baudelaire, 2005, p. 110). No entanto, o que tais janelas mostram é apenas uma cópia da realidade que enxergamos, mas jamais a verdade. O processo social a que estamos submetidos é nebuloso e vimos com Benjamin que nos é velado com fantasmagorias. O olhar pela garrafa do poema de Donizete Galvão funciona como esse momento de ruptura (“Um modo de olhar/as coisas com sua irradiação:/a ênfase de asas irisadas”), já que, por um breve momento, consegue-se ver sobre outros ângulos, que distorcidos pelo vidro, desvelam o mundo. E o que se vê, afinal? “Sua face com grânulos/capta o rumor do tempo/que reverbera/desde a primeira era”. As imagens desse caleidoscópio são diferentes para cada observador, mas parecem demonstrar que, desde a primeira era, passamos por alienações, antes religiosas e, com a modernidade, entrelaçadas ao capital, ao tempo programado, aos sentidos controlados, à eliminação de singularidades.
Baudelaire comparou o flâneur “a um caleidoscópio dotado de consciência que, a cada movimento, representa a vida múltipla e a graça comovente de todos os elementos da vida” (Baudelaire apudBenjamin, 1989, p. 221). A garrafa do poema parece funcionar da mesma maneira, ao oferecer outros olhares que não o da realidade cotidiana.
Os cinco poemas de Donizete Galvão aqui apresentados têm o mesmo fio condutor, eles demonstram como a experiência do sujeito está ligada ao avanço tecnológico e à transformação da paisagem. Angústia, melancolia e mal-estar são sensações recorrentes ao longo dos poemas. Sete anos antes da publicação de O homem inacabado, o poeta concedeu uma entrevista ao Digestivo Cultural e umas das respostas parece ser uma espécie de reflexão sobre sua poética, que se revela como a tônica daquele livro:
Agora, não tenho ilusões. O conflito da poesia com o mundo em que vivemos é radical. Não poderia ser de outro modo. Não há conciliação possível. O que a poesia pode fazer é renegar permanentemente o utilitarismo do mundo moderno. Pode ser que a gente não mude o mundo, mas pelo menos há uma recusa em ser moldado (Galvão, 2003).
As palavras do poeta revelam como sua arte é resultado da tensão social a que está submetida, ou seja, como os conflitos dessa sociedade fetichista são incorporados pela subjetividade poética. A um mundo opressivo corresponde uma poesia que se nega a ser puro entretenimento, afastando-se de uma leitura contemplativa ou conformista.
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Referências
- BAUDELAIRE, Charles (2005). Salão de 1859. In: LICHTENSTEIN, Jacqueline (org.). A pintura: o paralelo das artes. Coordenação da tradução de Magnólia Costa. São Paulo: Ed. 34. [volume 7]. p. 108-113.
- BAUDELAIRE, Charles (2020). Os olhos dos pobres. In: BAUDELAIRE, Charles. O spleen de Paris: pequenos poemas em prosa. Tradução de Samuel Titan Jr. 1. ed. São Paulo: Editora 34. p. 63.
- BENJAMIN, Walter (1989). O Flâneur. In: BENJAMIN, Walter. Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. Obras escolhidas. Vol. III. Tradução de José Martins Barbosa e Hemerson Alves Baptista. 1. ed. São Paulo: Brasiliense. p. 185-236.
- BENJAMIN, Walter (1987). Sobre o conceito da História. In: BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. Obras escolhidas. Vol. I. Tradução de Sérgio Paulo Rouanet. Prefácio de Jeanne Marie Gagnebin. 3. ed. São Paulo: Brasiliense . p. 222-232.
- BERMAN, Marshall (2007). Baudelaire: o modernismo nas ruas. In: BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade. Tradução de Carlos Felipe Moisés e Ana Maria L. Ioriatti. São Paulo: Companhia das Letras. [capítulo 3]. p.158-196.
- CARLOS, Ana Fani Alessandri (2001). Introdução. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri. Espaço-tempo na metrópole: a fragmentação da vida cotidiana. São Paulo, Contexto. p. 11-20.
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GALVÃO, Donizete (2003). Luz no breu: entrevista com poeta Donizete Galvão. [Entrevista concedida a Jardel Dias Cavalcanti]. Digestivo Cultural, 17 fev. 2003. Disponível em: Disponível em: https://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=942&titulo=Luz_no_breu:_entrevista_com_poeta_Donizete_Galvao Acesso em: 23 dez. 2019.
» https://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=942&titulo=Luz_no_breu:_entrevista_com_poeta_Donizete_Galvao - GALVÃO, Donizete (2010). O homem inacabado. São Paulo: Portal Editora.
- MARX, Karl (1988). A mercadoria. In MARX, Karl. O capital: crítica da economia política - volume 1. Tradução de Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural. p. 45-78. [capítulo 1].
- ROSENFELD, Anatol (1969). Texto/Contexto. São Paulo: Ed. Perspectiva.
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1
Benjamin refere-se à forma fantasmagórica como Marx a entendeu: “a forma mercadoria e a relação de valor dos produtos de trabalho, na qual ele se apresenta, não tem que ver absolutamente nada com sua natureza física e com as relações materiais que daí se originam. Não é mais nada que determinada relação social entre os próprios homens que para eles assume a forma fantasmagórica de uma relação entre coisas” (Marx, 1988, p.71).
