Observa-se um aumento exponencial de festas, bienais e festivais literários em todo o país. Estes podem ser vistos como desdobramentos de outras movimentações no campo literário brasileiro, profundamente alterado nas duas últimas décadas. Nesses eventos, inaugura-se um novo agente do campo, a curadoria. Este artigo propõe uma reflexão sobre a influência do gesto curatorial na recepção de literatura brasileira contemporânea e tem como objetivos entender a situação atual do campo a partir da realização de eventos literários, além de realçar o lugar de tais práticas para a divulgação literária e a formação de leitores. Utilizando os métodos bibliográfico e observacional, este artigo revisita o conceito de campo literário, de Pierre Bourdieu (1996), recorre ao trabalho de Michael Bhaskar (2020), ao definir os usos recentes do termo curadoria, e levanta dados sobre festas literárias em fontes diversas - imprensa e sites de instituições dedicadas ao livro e à leitura. Ainda que de modo exploratório, concluiu-se que a curadoria já integra o novo desenho de campo, cabendo aos agentes que atuam nesse setor observarem dinâmicas fundamentais para que os eventos, efetivamente, cumpram sua função em potencial.
Palavras-chave:
curadoria; campo literário; festas literárias; literatura contemporânea