Resumo
Observa-se um aumento exponencial de festas, bienais e festivais literários em todo o país. Estes podem ser vistos como desdobramentos de outras movimentações no campo literário brasileiro, profundamente alterado nas duas últimas décadas. Nesses eventos, inaugura-se um novo agente do campo, a curadoria. Este artigo propõe uma reflexão sobre a influência do gesto curatorial na recepção de literatura brasileira contemporânea e tem como objetivos entender a situação atual do campo a partir da realização de eventos literários, além de realçar o lugar de tais práticas para a divulgação literária e a formação de leitores. Utilizando os métodos bibliográfico e observacional, este artigo revisita o conceito de campo literário, de Pierre Bourdieu (1996), recorre ao trabalho de Michael Bhaskar (2020), ao definir os usos recentes do termo curadoria, e levanta dados sobre festas literárias em fontes diversas - imprensa e sites de instituições dedicadas ao livro e à leitura. Ainda que de modo exploratório, concluiu-se que a curadoria já integra o novo desenho de campo, cabendo aos agentes que atuam nesse setor observarem dinâmicas fundamentais para que os eventos, efetivamente, cumpram sua função em potencial.
Palavras-chave:
curadoria; campo literário; festas literárias; literatura contemporânea
Abstract
Brazil has witnessed an exponential growth in literary festivals, fairs, and biennales nationwide. These events reflect broader shifts in the Brazilian literary field over the past two decades. This article examines the impact of curatorial practices on the reception of contemporary Brazilian literature. It aims to understand the current state of the literary field through event organization and highlight the role of such practices in literary dissemination and reader formation. Using bibliographic and observational methods, this study revisits Pierre Bourdieu's concept of “literary field” (1996), and Michael Bhaskar's work on contemporary curatorial practices (2020). Data on literary festivals were collected from diverse sources, including press coverage and websites dedicated to books and reading. Our exploratory findings suggest that curation has become integral to the literary field's new landscape, emphasizing the need for sector professionals to observe fundamental dynamics to ensure events fulfill their potential.
Keywords:
curation; literary field; literary festivals; contemporary literature
Resumen
Se observa un aumento exponencial de fiestas, festivales y bienales literarias en todo el país. Estos pueden ser vistos como desdoblamientos de otras movilizaciones en el campo literario brasileño, profundamente alterado en las dos últimas décadas. En estos eventos, se inaugura un nuevo agente del campo, la curaduría. Este artículo propone una reflexión sobre la influencia del gesto curatorial en la recepción de literatura brasileña contemporánea y tiene como objetivos entender la situación actual del campo a partir de la realización de eventos literarios, además de resaltar el lugar de tales prácticas para la divulgación literaria y la formación de lectores. Utilizando los métodos bibliográfico y observacional, este artículo revisita el concepto de campo literario, de Pierre Bourdieu (1996), recurre al trabajo de Michael Bhaskar (2020), al definir los usos recientes del término curaduría, y levanta datos sobre fiestas literarias en fuentes diversas - prensa y sitios web de instituciones dedicadas al libro y a la lectura. Aunque de modo exploratorio, se concluyó que la curaduría ya integra el nuevo diseño de campo, correspondiendo a los agentes que actúan en ese sector observar dinámicas fundamentales para que los eventos cumplan su función en potencial.
Palabras-clave:
curaduría; campo literario; fiestas literarias; literatura contemporánea
Introdução
Nos últimos 10 anos, com mais ênfase, as realizações de festas literárias pelo país têm atraído olhares desconfiados de alguns segmentos que têm os livros e suas autoras e autores como matéria de trabalho. Em 2015, apesar da Feira do Livro de Porto Alegre datar de 1955 e da Festa Literária Internacional de Paraty chegar à 13ª edição, diante de uma maior cobertura da imprensa nos eventos nesse formato, um artigo publicado no jornal O Globo perguntava o que era festejado nas festas literárias (Vargas, 2015),1 talvez intuindo que ali tivéssemos chegado à escala máxima de suas multiplicações, o que bem se sabe, não foi o caso. As festas literárias continuam em uma escala ascendente de editais e não devem declinar de sua curva tão cedo.2
A pergunta retórica naquela época, mesmo se lançada hoje, pode até ocultar a importância das festas, ao mesmo passo que ironiza sua utilidade diante de dados preocupantes sobre a leitura e seu acesso. A concepção do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), inaugurado em 2006 e implantado até 2010 com ampla participação da sociedade civil, animou os setores da educação que apostam na formação de leitores, por sugerir que o país a partir desse período finalmente teria conquistado políticas públicas de valorização do livro e da leitura. Entre os eixos de estruturação do PNLL, destaco dois deles que apontam diálogo direto com um dos temas deste artigo, a curadoria. O plano defende, entre outras ações, o incremento do valor simbólico da leitura e do livro, bem como o apoio ao desenvolvimento da economia do livro. Direta e indiretamente, as programações dos eventos acabam por mobilizar uma série de agentes do campo literário, impulsionando diversos setores da economia como o turismo, o que justifica, por exemplo, que elas sejam acolhidas como programações anuais ou bienais.
Dez anos depois, para entender o boom dos eventos literários, precisamos atravessar acontecimentos recentes, como o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, a interrupção das políticas dos governos anteriores, o governo de Jair Messias Bolsonaro e uma pandemia. Todos esses pontos não são coadjuvantes do que se observa, sobretudo desde 2023, com o retorno à realização de eventos em formato presencial e o primeiro ano do terceiro governo Lula.3 Depois de um apagão das políticas públicas na área da cultura, expresso na diluição do Ministério da Cultura em 2019, o país voltou a respirar e as festas são sinal disso.
Parece consenso entre estudiosos as mudanças percebidas no campo literário brasileiro nos últimos 20 anos, realçando que as políticas de Estado em diferentes níveis têm participação nessa alteração de rota, que permitiu novos sujeitos na cena com universidades mais diversificadas e um maior número de autoras e autores indígenas, mulheres, mulheres negras e dissidentes de gênero. Também não é negado o papel que as redes sociais têm desempenhado, ajudando a dar visibilidade a diversos agentes envolvidos neste campo, incluindo editoras de pequeno porte e as nem tão novas figuras dos influenciadores digitais. Acontece que neste consenso também coabita uma dualidade. Se, por um lado, reconhece-se as políticas públicas e as mudanças sociais que repercutiram de alguma maneira no campo literário, por outro, desconfia-se de novos cenários que surgem também na esteira de reconfiguração desse campo. Aqui refiro-me diretamente aos eventos literários.
Eis que surge, acompanhando essa nova cena, a figura do curador literário, uma espécie de desdobramento da função curador que explode no mundo em diversas áreas como resultado também da etapa atual do capitalismo. O editor Michael Bhaskar (2020) discorda que o termo curadoria tenha surgido no contexto das artes, como normalmente é tratado, inclusive por mim, em textos anteriores.4 “Ela já acontecia numa variedade desconcertante de contextos. Só começamos a chamar essas coisas de curadoria porque a palavra estava ao alcance” (Bhaskar, 2020, p. 17).
Mas que coisas são essas, às quais o autor se refere? Bhaskar considera uma série de processos e atividades, inclusive do universo dos negócios, a curadoria de conteúdos dos mais variados, e não descarta a preocupação de artistas e dele próprio com a possível banalização do uso do termo, o que acabaria por esvaziar a especificidade de uma função de reconhecida importância. Algo similar, podemos dizer, com o termo designer, que saltou de um campo de conhecimento, inclusive com formação específica no Brasil, para os mais diferentes tipos de serviço. Conforme nos explica:
O que passamos a chamar de curadoria é a interface, o intermediário necessário, para a moderna economia de consumo; uma espécie de membrana ou filtro intencional que equilibra nossas necessidades e desejos para se contrapor a grandes acúmulos de coisas. Na acepção mais ampla, curadoria é uma forma de gerenciar a abundância. (Bhaskar, 2020, p. 91).
O autor salienta que, discordâncias à parte, é dessa forma que a maioria das pessoas, ou o público não necessariamente especializado, entende a atividade. O curador, portanto, nos ajuda a gerir o excesso, o que não damos conta de selecionar diante da oferta ampliada, utilizando critérios específicos de escolha com foco em um leitor-modelo definido por Umberto Eco como “uma espécie de leitor ideal que o texto não só prevê como colaborador, mas ainda procura criar” (1994, p. 15).
As feiras, festas e bienais,5 locais privilegiados de contato com autores e seus livros a partir do trabalho curatorial, fazem num primeiro momento um retrato otimista. Um exemplo disso foi a 27ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, ocorrida em setembro de 2024, com um público de 722 mil visitantes, o maior número dos últimos 10 anos, de acordo com levantamento do próprio evento. De acordo com a Câmara Brasileira do Livro (2025), cada visitante gastou, em média, R$208,14, ajudando os quase 300 expositores a atingirem o faturamento diário 83% maior do que a edição de 2022.
Os números animadores desse e de tantos outros eventos pelo país, no entanto, contrastam com um cenário ambivalente, se pensarmos que nunca se publicou tanto, ao passo que o mercado editorial encolhe assustadoramente. Destaco esse último diagnóstico diante dos dados da série histórica da Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, feita pela Nielsen BookData a pedido da Câmara Brasileira do Livro (2024) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros.6 O levantamento indica que, pelo quinto ano consecutivo, houve um recuo nas vendas realizadas ao mercado. Entre 2006 e 2024, a queda chegou a 44%. Consideradas as vendas totais, o que inclui as transações com o Governo, o recuo no mesmo período é de 30%.
Na contramão desses números, temos cada vez mais autoras e autores ocupando um mercado com promessa de entregas rápidas e estoques infinitos, permitidos pelos marketplaces, realidade que colaborou para o fechamento das megastores, além dos independentes, que encontraram a internet e seus leitores - e-books e audiolivros registraram um crescimento de 200% em seis anos na mesma pesquisa. Em 2024, o setor editorial brasileiro produziu 44 mil títulos impressos e 366 milhões de exemplares; destes, 77% são reimpressões, e, em outro recorte, 58% são obras didáticas, 24% gerais e 15% religiosos.7 A queda do subsetor de obras didáticas desde o primeiro ano da pesquisa é de 51% nas vendas ao mercado. Outro dado relevante: apenas a categoria “Obras gerais” traz feiras do livro e bienais como canal de distribuição, com 1,7% e 1,9% do total de vendas, respectivamente, números ínfimos se comparados aos demais modos de acesso e compra de livros.
Se usarmos outra pesquisa como referência, a Retratos da leitura no Brasil,8 realizada pelo Instituto Pró-Livro (2024) e ItaúCultural, em sua edição de 2024, o cenário parece ainda pior: 53% dos brasileiros não leem livros ou não leram sequer partes de um livro no último ano. Pela primeira vez na série histórica, temos mais não leitores do que leitores no país. Este segundo levantamento traz dados específicos sobre a participação de leitores em eventos literários. Entre os autodeclarados leitores de literatura, 18% dizem ter participado de eventos, o maior percentual da pesquisa.
Em outra frente, diante de ações de incentivo à escrita esporádicas e normalmente na forma de prêmios literários, e cientes das políticas de fomento à leitura, passíveis a reavaliações, mas existentes, o Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), criou o Territórios da Escrita, programa de incentivo a novos escritores no final de 2024. O curso é o primeiro em formato público, online e gratuito, de formação básica em escrita literária, com o objetivo de “formar novos escritores pelo país, bem como promover a diversidade de publicações editoriais”, conforme divulgado em seu lançamento.9
A Flip como modelo de referência
Embora a Feira do Livro de Porto Alegre seja a mais antiga experiência neste formato no país, desde 2010 considerada Patrimônio Imaterial da cidade, é no Rio de Janeiro que está a festa considerada propulsora de centenas que surgiram depois dela, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Criada em 2002, pela Associação Casa Azul, a festa procura reunir o público em torno de palestras, debates e outras atividades culturais que ocorrem em circuitos fechados, caso da programação principal, e transmitidos online em uma praça da cidade e também no canal da festa no YouTube, ampliando o acesso aos conteúdos, ao contrário do formato que privilegia apenas o stand do livreiro, das livrarias e editoras.
Para efeito do que quero tratar neste artigo, os modos como o trabalho de curadoria podem orientar a recepção, impactando diretamente o campo literário brasileiro, escolho tratar de duas edições da Flip: a de 2017, que ficou conhecida como “a Flip do Lima Barreto”, e a Flip 2023, cujo elenco de convidadas e convidados pouco conhecidos ou inéditos no país rendeu-lhe a crítica de uma edição “pouco pop”. A partir dessas duas, faço ainda comentários pontuais sobre a edição de 2024, para mantermos na discussão dois eventos de grande porte realizados no mesmo ano, a Bienal de São Paulo, maior evento literário da América Latina, e a referida festa literária. No caso de Flip, detenho-me apenas à programação da tenda principal, disponível para consulta no canal do evento no YouTube.
Tomo o evento de Paraty como referência, porque este parece, até o momento, o modelo de profissionalização deste tipo de festa, colocando o Brasil na rota de grandes eventos, e, por outro lado, servindo de modelo para que novas festas sejam criadas como A Feira do Livro, com quatro edições até a data de escrita deste artigo, na praça Charles Mille em São Paulo. É também sintoma da influência da Flip que as festas literárias no Brasil tenham adotado o “FLI” como uma espécie de prefixo do título do evento, o que não acontece em outros países, cujos nomes das festas são bem mais inventivos: Correntes d’Escritas e Babell, em Portugal, Rota das Letras, na China, e Hay Festival, no País de Gales, para ficarmos em alguns exemplos.
Em 2016, antes mesmo de começar, a Flip precisou responder à carta aberta do Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que acusou a festa de “arraiá da branquitude”. Naquele ano, em que o jornalista e editor da revista Quatro Cinco Um Paulo Werneck assinava sua terceira curadoria consecutiva da festa, não havia convidados/as negros entre os quase 40 nomes escalados. Em 2017, com a curadoria assinada pela escritora, jornalista e historiadora Joselia Aguiar, e tendo como autor homenageado Lima Barreto, há uma virada de chave que acompanha discussões que já estavam sendo feitas dentro e fora do Brasil. Uma expressão desse efeito que vem de fora é observarmos as datas das primeiras edições das publicações de intelectuais negras no país,10 além da ampliação das discussões sobre pan-africanismo e negritude, trazendo nomes como Achille Mbembe e Frantz Fanon para o repertório das universidades brasileiras. Com recorde de participação negra, as escritoras Ana Maria Gonçalves, Conceição Evaristo, o poeta Edmilson de Almeida Pereira, o historiador João José Reis e a escritora tusti, de Ruanda, Scholastique Mukasonga, foram alguns dos 30% dos convidados dessa edição da Flip, que pautou racismo e preconceito.
Este pequeno resumo, que nem de longe ilustra o que de fato se passou naqueles cinco dias, nos dá alguns dados para análise. O primeiro deles é que a mudança racial da programação principal, provavelmente, sofre influência do contexto que envolveria aqueles anos no que diz respeito aos avanços dos debates raciais em escala internacional. Daí podemos inferir que já havia uma recepção de autores e autoras não brancos interessada em temas que não eram espelhados nos convidados das edições anteriores, aspecto bem observado pelo trabalho de curadoria em 2017. O segundo ponto é que o acolhimento do protesto dos docentes da UFRJ, que inclusive poderia não ter sido acatado pela direção da festa, demonstra o reconhecimento de um mercado editorial interessado nas autorias reclamadas. Ou seja, havia pessoas leitoras e havia livros publicados de autores não brancos, logo que poderiam ser considerados no elenco do evento.
Um terceiro aspecto que podemos supor a partir destes dois primeiros é que a pluralidade da Flip a partir de 2017, em relação a temas e autorias, também pode ter colaborado para que novas propostas de festas apareçam em vários estados, privilegiando programações com autores e autoras locais, apesar de a maioria ainda carregar o nome megalomaníaco de “festa literária internacional” mesmo em municípios brasileiros que não ultrapassam 20 mil habitantes e quando muito conseguem convidar um nome estrangeiro. Acrescento, ainda, o cenário político de época - a indigestão sofrida desde o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, ocorrido em agosto de 2016. O Brasil não engoliu o golpe e à série de protestos que pareciam desordenados desde 2013, somou-se mais um, o “Fora Temer”.11 Nos anos subsequentes, movimentos sociais de diferentes segmentos se reorganizaram para atravessar o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) e a pandemia de Covid-19.
Em 2023, a curadoria assinada pela jornalista e poeta Fernanda Bastos e a professora e pesquisadora Milena Britto12 apostou em uma edição com nomes pouco conhecidos do público brasileiro. Foram 13 escritores e escritoras estrangeiras, entre eles a poeta argentina Laura Wittner e a romancista Akwaeke Emezi, da Nigéria, presente nas livrarias brasileiras com Água doce (2019, Editora Kapulana) e A morte de Vivek Oji (2022, Editora Todavia), e o ucraniano Ilya Kaminsky, autor de República surda (2023, Editora Companhia das Letras). No entanto, se a presença do público dentro e fora da arena principal for termômetro de audiência, a resposta não foi positiva (Gabriel, 2023, Melo; Balloussier, 2023). Mesas como a de Marcial Gala, de Cuba, e Luiza Romão, de São Paulo, e de Dionne Brand, de Trinidad e Tobago, e Angélica Freitas, do Rio Grande do Sul, não chegaram à ocupação de 50%. A aposta na poesia também não parece ter surtido efeito positivo. Tendo como homenageada a escritora Patrícia Galvão, a Pagu, a edição recebeu na programação oficial, fio condutor de todo o evento, as poetas Luiza Romão, Marília Garcia, Angélica Freitas e Bruna Beber.
Se tomarmos um dos gestos fundamentais da curadoria, o mapeamento de obras, autores e autoras, a recepção desta edição pode ser lida como um recado de que o público ainda prefere nomes conhecidos que já circulam pelas livrarias e clubes de livros ou nomes que tenham apelo na mídia e nas redes sociais. Se for isso, afinal, significaria dizer que o público preferiria muitas das edições anteriores, a maior parte taxada de elitista, o que é difícil de acreditar, se pensarmos nas diversas mudanças sociais e consequentemente no campo literário brasileiro nas duas últimas décadas. Nesse sentido, uma avaliação negativa de uma curadoria que sustenta um trabalho de mapeamento que inclui autores e autoras de muitos continentes e regiões do Brasil, muitos deles com pouco espaço na mídia convencional, estampa uma incompreensão a respeito do próprio gesto curatorial.
Casos como o último mencionado demonstram como a curadoria torna-se visível na festa, ainda que a maior parte do público não entenda as engrenagens do evento. É a curadoria que acumula na mesma conta acertos e erros, escolhas técnicas e negociadas por um grupo maior que realiza a festa e, ainda que esta seja independente, deve-se considerar os diferentes agentes que interferem na tomada de decisões de uma programação. Posicionados diferentemente e com experiências diversas com o livro e a leitura, um grupo que realiza uma festa vai muito além do que deseja um curador ou uma curadoria coletiva, modelo, aliás, que também tem sido replicado em outras festas como o 12ª Festival Literário Internacional de Araxá (Fliaraxá) de 2024, que contou com quatro curadores na articulação da programação principal.13
Do ponto de vista dos financiadores das festas em geral, o objetivo é proporcionar uma pauta positiva para as marcas associadas, privadas ou públicas, o que inclusive pode passar ao largo de qualquer expectativa de democratização do livro, da leitura e da formação de leitores. Com esse propósito, como é de se esperar, o fenômeno de seguidores nas redes sociais é uma variável a se considerar, tal como temos visto em outros campos artísticos como o cinema e a teledramaturgia. Os algoritmos são um aspecto importante, mas quero acreditar que não chegam a determinar as escolhas. É aí que o gesto do curador, como agente especializado capaz de selecionar também o que as redes oferecem, pode fazer a diferença na negociação de interesses, assumindo com atenção redobrada o papel de mediação entre a expectativa de consumo e de divulgação literária e seus possíveis desdobramentos como a formação de leitor. Um pouco na linha do que Françoise Verges recomenda no Epílogo de sua obra a respeito da descolonização dos museus, que afinal solicita uma descolonização de todo o pensamento refém de algum tipo de domesticação programada pelo capitalismo: “Aprender a desobedecer, usar de artifícios, contornar e enfrentar” (Verges, 2023, p. 248).
Como podemos constatar, assim como todo trabalho de seleção no campo cultural, a curadoria é também um gesto que não prescinde das questões políticas além de livros e leitura. Pensando a partir da observação de feiras em outros países, a pesquisadora Agnes Rissardo defende que esses eventos “funcionam como termômetro não apenas para medir o estado dos campos editorial, literário e cultural de um país, mas também o do campo do poder político e econômico” (2015, p. 248). Daí que podemos entender as feiras “também como espaços de uma nova diplomacia, a de tipo cultural, e de ações de soft power (‘poder brando’) para os diferentes sistemas literários nelas apresentados, em geral, por países e editoras” (Rissardo, 2015, p. 248).
O curador e o campo
O sociólogo Pierre Bourdieu (1996) define o conceito de campo literário a partir de um estudo sobre a vida e obra do escritor Gustave Flaubert. Nos termos do teórico, o campo pode ser traduzido como uma “rede de relações objetivas (de dominação ou de subordinação, de complementaridade ou de antagonismo etc) entre posições” (Bourdieu, 1996, p. 262). Embora criado refletindo o contexto francês do século XIX, é um conceito com desdobramentos para analisar bens culturais simbólicos (não apenas literários) até a contemporaneidade. Assim, temos visto, na academia brasileira, uma série de estudos em diferentes formatos (monografias, dissertações e teses) que utilizam o termo para finalidades específicas, tal e qual a proposta apresentada neste artigo.
Para Bourdieu, a estrutura dos bens simbólicos e que orienta os agentes em torno de si reproduz relações de poder e de dominação social. Ou seja, os bens simbólicos não conseguem se livrar da estrutura que os cria e os mantêm em circulação ao mesmo tempo em que atendem a uma demanda que está na gênese do campo, uma vez que ele é mais um fruto de dominação dentro da ordem do capital. Se o campo é também estrutura, a questão talvez seja o que fazer dos agentes que o compõem, considerando-se o atual estágio social e econômico em que nos encontramos, quando, por exemplo, uma empresa multinacional de tecnologia concentra-se no e-commerce, acabando por solapar livrarias de rua e editoras independentes, ou um autor que produz exclusivamente para redes como o Instagram consegue ter um alcance muito superior do que autores que recorrem às práticas tradicionais (aqueles que escrevem e publicam em casas editoriais de livros prioritariamente impressos).
Garantir o funcionamento de todas as peças da engrenagem do campo não é uma tarefa dada. Isso requer que diferentes agentes da economia do livro atuem garantido as etapas de produção (escritores), publicação (editoras e serviços ligados a elas), circulação (distribuição dos livros, participação em eventos literários, relacionamento com as redes sociais) e recepção (leitores e leitores especializados). Em estudo de 2014, as pesquisadoras Calila das Mercês Oliveira, Raquel Machado Galvão e professor Roberto Henrique Seidel escreveram a respeito das dinâmicas da economia criativa do livro na Bahia. O que surpreende no trabalho é que ele chamava a atenção para alguns entraves que poderemos supor serem comuns em outros pontos do país ontem e hoje, tais como:
(...) de distribuição, da inexistência de livrarias em todos os municípios e próximas da população, do preço do livro que não cabe no bolso do brasileiro e do baiano, além de uma deficiência grave, a falta de gráfica própria por parte das editoras, o que indica que as editoras dependem de outros estados e regiões, tornando o livro mais caro e mais distante do consumidor final. (Oliveira; Galvão; Seidel, 2014, p. 164).
Dez anos depois, vemos pouco ou quase nada disso mudar. As editoras baianas continuam, por exemplo, tendo de recorrer a gráficas de outros estados para publicar seus livros. Portanto, garantir a circulação de livros em espaços não institucionais de valorização do livro, como os eventos literários, a princípio deve ser visto positivamente, sem fecharmos os olhos para as deturpações que vemos em alguns formatos de festas que pagam altos cachês a artistas de outros campos, como a música, enquanto a maioria dos escritores e escritoras ganham cachês irrisórios. Ou quando vemos uma grande circulação de crianças e jovens lotando stands, mas saindo da festa/feira/bienal sem um livro nas mãos, porque não tiveram recurso para comprá-los. Muitos autores, aliás, aceitam participar, porque entendem que os eventos os darão visibilidade nas redes sociais e na imprensa, podendo lhes oportunizar melhores cachês em futuros trabalhos.
Eu, curadora: relato de experiência
Apesar das críticas serem pertinentes e necessárias para que de fato as festas possam fazer a diferença na divulgação literária e na valorização do leitor de todas as idades, é bom que se diga que há um avesso desses eventos que merece ser analisado e que sofre influência decisiva da curadoria. Nesta seção, na forma de relato de experiência, assumo a primeira pessoa, a partir da função de curadora de duas festas literárias no Estado da Bahia em 2023 e 2024, com o intuito de refletir sobre as propostas apresentadas e os desafios encontrados por mim nesta função.14
De partida, proponho pensar que, havendo ou não uma recomendação verticalizada do que deve ou não figurar nos eventos, entendo que a curadoria pode agir contra uma cultura de dominação, aqui entendida como a predisposição para agendas previsíveis de manutenção de status quo, movimentando um elenco de convidados que 1) dialogue com a cultura do território em que o evento acontece; e 2) possa colaborar com novas referências literárias, de temáticas e de sujeitos ao redor do livro. Neste segundo ponto, podemos pensar em outras literaturas (de regiões, países, tradições por exemplo), como também artistas de outras linguagens, garantindo ainda as diversidades de gênero, raça, orientação sexual entre outras, não porque os realizadores têm medo de um cancelamento digital, mas porque genuinamente compreende-se a importância de se ofertar diferentes perspectivas sociais, conforme defendidas pela cientista política Iris Marion Young.
(...) as posições sociais estruturais produzem experiências particulares, relativas ao posicionamento, e compreensões específicas dos processos sociais e de suas consequências. Cada grupo diferentemente posicionado tem uma experiência ou um ponto de vista particular acerca dos processos sociais precisamente porque cada qual faz parte desses processos e contribui para produzir suas configurações. (Young, 2006, p. 162).
Na tentativa de que mais grupos sociais possam por fim ser representados, pode-se, ainda, conciliar a visibilidade de convidados mais conhecidos com nomes de menor alcance, mas cuja agência literária mereça ser conhecida. Ao oportunizar essa mistura de produtores literários, de formatos e de temas propiciados pelos livros, a curadoria garante a pluralidade de vozes, como também dá a ver a existência de um ecossistema específico (do local onde ocorre a festa), em permanente esforço de consolidação (se pensarmos em eventos de pequeno e média porte, modelo da maioria das festas literárias do país) e com potencial para diálogo com outras literaturas.
Dessa forma, entendo que festas, feiras e bienais, como realidades incontestes, devem ser compreendidas como calendários importantes para as movimentações do campo literário brasileiro contemporâneo, fomentando ainda o desenvolvimento econômico local a partir da geração de empregos para profissionais que atuam nas diferentes etapas dos eventos, criando assim um circuito em torno do objeto livro. Eventos dessa natureza, para além da divulgação do livro e da leitura, são relevantes para que possamos observar a pluralidade editorial do país, às vezes expressa inclusive em fenômenos editoriais muitos dos quais incompreendidos dentro dos espaços universitários, mas que conseguem angariar novas pessoas leitoras.
A autora mineira Carla Madeira é um caso desses fenômenos que merece atenção, seja pelos caminhos que seu primeiro livro, Tudo é rio (2014), em especial tomou (ao ser publicado primeiramente de forma independente e se sustentar no topo dos rankings de vendas 10 anos depois), seja pelo capital simbólico que a autora conquistou a ponto de ser convidada para representar o Brasil na Feira do Livro de Genebra, um dos calendários literários mais importantes para o setor, no início de 2024. Madeira foi a escritora de ficção mais vendida do país em 2023 e suas obras agora circulam no México, Portugal, Itália e Rússia. Além de Tudo é rio (2014), A natureza da mordida (2018) e Véspera (2021), até dezembro de 2023, de acordo com os dados da Nielsen Book, ultrapassavam 500 mil exemplares vendidos, colocando-a em uma lista seleta de campeões de vendas como Jorge Amado e mais recentemente Itamar Vieira Júnior. Estas notas biográficas explicam por que ela é um nome sempre desejado nas programações das festas, de acordo com os realizadores, independente do grande tema que mobilize a programação daquele ano. Considero que reconhecer por si só a importância dos seus muitos leitores e leitoras, sem ajuizamento de suas obras, torna-a apta a circular com outras autorias, fazendo com que o público seja atraído pela sua presença e ainda possa assistir autores menos conhecidos. Isso porque, no contexto de festas para um público amplo e não especializado, Madeira será provavelmente o nome mais popular para a recepção, que faz às vezes de fã e lota os eventos em que a autora está. Foi o que pude constatar na mesa solo com a escritora, na edição da Festa Literária da Praia do Forte (FliPF) em maio 2024, e também na sua participação na Flip do mesmo ano, com a veterana Silvana Tavano e a poeta premiada Mariana Salomão Carrara. Nos dois casos, as mesas estiveram entre as mais disputadas pelo público.
Um ano antes, também na FliPF como curadora, uma estratégia para emplacar nomes com “pouco apelo” na visão dos financiadores foi conciliá-los com convidados internacionais. Assim foi pensada a mesa com a mexicana Guadalupe Nettel, autora de A filha única (2022), a escritora Aline Bei, fenômeno editorial desde o lançamento de O peso do pássaro morto (2017), e o baiano Tiago D. Oliveira, finalista do prêmio Oceanos com As solas dos pés de meu avô (2019). Dos três, o menos conhecido, apesar da inconteste qualidade literária de sua obra e da indicação a um dos principais prêmios em língua portuguesa, tratava-se do autor baiano.
Outra conversa pensada de modo similar contou com a escritora angolana Yara Nakahanda Monteiro, autora de Essa dama bate bué (2018), a baiana Luciany Aparecida, vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura de 2024 com Mata doce (2023), e o poeta e compositor de blocos afro Lande Onawale, autor de Pretices e milongas (2020). Nessa triangulação, tivemos autoras de duas editoras de grande circulação, Todavia e Companhia das Letras, e um autor de uma casa editorial baiana, a Segundo Selo. Para fechar o arranjo, a mediação, sempre escolhida meticulosamente, ficou a cargo da professora e pesquisadora de literatura afro-brasileira Fernanda R. Miranda, que entre outros trabalhos, compõe o conselho editorial de publicação da escritora Carolina Maria de Jesus pela editora Companhia das Letras. Este encontro, na mesma edição que contou com as participações do escritor e ativista indígena Ailton Krenak e do neurocientista Sidarta Ribeiro, dois nomes de fácil atração, buscou, por meio do trabalho curatorial, ofertar ao público nomes menos óbvios e que escapam ao radar das grandes livrarias, inclusive virtuais. Nos dois casos citados, o desenho das mesas contou com o mesmo expediente: uma convidada estrangeira, um convidado de alcance nacional e um convidado regional. Espero dizer com isso que o exercício exigiu da curadoria uma reflexão sobre a dinâmica de um evento aberto e a seleção de autorias com vistas ao incentivo à leitura de obras de autores mais e menos conhecidos.
Em 2024, a Festa das Mulheres na Literatura (Flimina), em sua edição de estreia, trouxe em sua programação a poeta e atriz Elisa Lucinda, nome sugerido pela produtora do evento devido seu alcance midiático, e a poeta baiana Jovina Souza. Enquanto Elisa Lucinda contava com a visibilidade em função de seu trabalho na Rede Globo, naquele ano inclusive tendo acabado de finalizar uma novela de grande sucesso, Vai na fé, a poeta, escritora e professora Jovina Souza era conhecida em circuitos específicos na Bahia. Autora de quatro livros e várias inserções nos Cadernos Negros, a mais longeva publicação de autoria afro-brasileira no país, com 46 anos de existência, Jovina produz uma poesia que, quando performatizada, realça o tom político da sua escrita. A resistência negra às violências sutis dos mais diversos tipos de relacionamentos sociais emerge dos anos de experiência em projetos identitários destinados à elevação da autoestima de negros e negras de todas as idades, das formações de intelectuais negros e da preparação de professores, para ensinar os conteúdos previstos na Lei nº 10.639. O encontro das duas poetas, duas mulheres negras, de idades próximas, seria improvável se não fosse um evento literário.
Os jogos montados nas programações das festas são uma tentativa, por vezes aceita, outras naturalmente questionada, de conciliar os interesses dos proponentes, normalmente instituições públicas e do mercado, e as expectativas dos demais agentes do campo literário, do qual a curadoria já faz parte. O trabalho de mapeamento e de construção de uma programação coerente, que apresente novidades à recepção, quando não bem executado, pode ser rejeitado por agentes do campo que, embora trabalhem no setor, não têm conhecimento especializado em literatura, como os produtores culturais. Também não parece ser a melhor estratégia negar as sugestões verticalizadas da organização de uma festa. O desafio está na junção de um conhecimento especializado com as demandas do mercado, que reage a outras dinâmicas que não a acadêmica, mas consegue angariar leitores. Neste ponto, torna-se possível a construção de um elenco de qualidade capaz de fomentar o interesse do público pela leitura. Embora os percentuais de vendas nas feiras sejam os menores no ranking de uma das pesquisas indicadas neste artigo, é preciso considerar que muitos leitores podem acessar os livros em outro momento, inclusive de modo virtual, onde as vendas de livros de literatura representam 48% do valor total.
Por fim, a curadoria deve ser entendida como um espaço de disputas, mas também como um espaço de conciliação de expectativas sobre leitores e leitura. Logo, um olhar mais atento, na tentativa de compreender os caminhos percorridos pela curadoria, pode ser uma boa saída para compreender o papel do curador nesta nova configuração do campo literário brasileiro. As festas, feiras e bienais já fazem parte do calendário de inúmeras cidades do país, não à toa agora constam nas pesquisas dedicadas ao setor de livros. Se suas existências irão garantir que revertamos o baixo número de leitores, talvez seja prematuro dizer. Minha otimista aposta, no entanto, é de que o contato com livros e autores e autoras pode fazer diferença para leitores em geral e alguns em particular, caso dos leitores em formação. Nesse sentido, oportunizar o contato do público com autoras e autores em espaços em que falaremos de livros e seus temas em dias concentrados pode fazer a diferença, sendo a curadoria o elemento central de articulação desse novo retrato do campo literário brasileiro.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os dados de pesquisa só estão disponíveis mediante solicitação.
Referências
- BHASKAR, Michael (2020). Curadoria: o poder da seleção no mundo do excesso. Tradução de Érico Assis. São Paulo: Edições Sesc.
- BOURDIEU, Pierre (1996). As regras da arte: gênese e estrutura do campo literário. Tradução de Maria Lucia Machado. São Paulo: Companhia das Letras.
-
CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO (2024). 27ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo recebe 722 mil visitantes e se consagra como a maior edição dos últimos 10 anos. Disponível em: Disponível em: https://cbl.org.br/2024/09/27a-bienal-internacional-do-livro-de-sao-paulo-recebe-722-mil-visitantes-e-se-consagra-como-a-maior-edicao-dos-ultimos-10-anos/ Acesso em: 2 jul. 2024.
» https://cbl.org.br/2024/09/27a-bienal-internacional-do-livro-de-sao-paulo-recebe-722-mil-visitantes-e-se-consagra-como-a-maior-edicao-dos-ultimos-10-anos/ -
CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO (2025). Produção e vendas do setor editorial brasileiro: ano-base 2024. Disponível em: Disponível em: https://www.cbl.org.br/wp-content/uploads/2025/05/Producao_e_Vendas_anobase_2024_imprensa.pdf Acesso em: 15 out. 2025.
» https://www.cbl.org.br/wp-content/uploads/2025/05/Producao_e_Vendas_anobase_2024_imprensa.pdf - DE GÓIS, Edma (2019). Curadoria como forma de presença: marcas notórias da mediação dos autores nas obras. Suplemento Pernambuco, Recife, p. 18-21.
- ECO, Umberto (1994). Seis passeios pelo bosque da ficção. Tradução de Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras
-
GABRIEL, Ruan de Sousa et al. (2023). Flip expôs méritos como diversidade e desafios como críticas à programação com autores menos conhecidos do público. Disponível em: Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/flip/noticia/2023/11/27/flip-expos-meritos-como-diversidade-e-desafios-como-criticas-a-programacao-com-autores-menos-conhecidos-do-publico.ghtml Acesso em: 14 jul. 2024.
» https://oglobo.globo.com/cultura/flip/noticia/2023/11/27/flip-expos-meritos-como-diversidade-e-desafios-como-criticas-a-programacao-com-autores-menos-conhecidos-do-publico.ghtml -
MELO, Patrícia Campos; BALLOUSSIER, Virgínia (2023). Flip cara e sem elenco badalado frustra a maioria, mas tem seus defensores. Disponível em: Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/11/flip-cara-e-sem-elenco-badalado-frustra-a-maioria-mas-tem-seus-defensores.shtml Acesso em: 14 jul. 2024.
» https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/11/flip-cara-e-sem-elenco-badalado-frustra-a-maioria-mas-tem-seus-defensores.shtml - OLIVEIRA, Calila das Mercês, GALVÃO, Raquel Machado, SEIDEL, Roberto Henrique (2014). Dinâmicas da economia criativa do livro na Bahia. ANTARES, v. 6, n. 12, p. 164.
- OLIVEIRA, Sayonara Amaral; lima, Elizabeth Gonzaga. (org.) (2019). Literatura e cultura: conversações. Campinas: Mercado das Letras.
- PINHEIRO-MACHADO, Rosana (2019). Amanhã será maior: o que aconteceu com o Brasil e possíveis rotas de fuga para a crise atual. São Paulo: Editora Planeta.
-
PRÓ-LIVRO (2024). Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. 6. ed. Disponível em: Disponível em: https://www.prolivro.org.br/wp-content/uploads/2024/11/Apresentac%CC%A7a%CC%83o_Retratos_da_Leitura_2024_13-11_SITE.pdf Acesso em: 15 out. 2025.
» https://www.prolivro.org.br/wp-content/uploads/2024/11/Apresentac%CC%A7a%CC%83o_Retratos_da_Leitura_2024_13-11_SITE.pdf -
RISSARDO, Agnès (2015). O enigma da literatura brasileira contemporânea na França: recepção, visibilidade e legitimação. In: CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC, 14., Belém, Anais (...). Belém: ABRALIC. Disponível em: Disponível em: https://abralic.org.br/anais/arquivos/2015_1455906791.pdf Acesso em: 28 jul. 2024.
» https://abralic.org.br/anais/arquivos/2015_1455906791.pdf -
VARGAS, Suzana (2015). O que se festeja nas festas literárias. Jornal O Globo. Disponível em: Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/o-que-se-festeja-nas-festas-literarias-15766932 Acesso em: 15 out. de 2025.
» https://oglobo.globo.com/cultura/livros/o-que-se-festeja-nas-festas-literarias-15766932 - VERGES, Françoise (2023). Descolonizar o museu: programa de desordem absoluta. Tradução de Mariana Echalar. São Paulo: Ubu.
- YOUNG, Iris Marion (2006). Representação política, identidade e minorias. Tradução de de Alexandre Morales. Lua Nova, n. 67.
-
1
O artigo mencionado está disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/o-que-se-festeja-nas-festas-literarias-15766932. Acesso em: 15 out. 2025.
-
2
Apenas no Estado da Bahia, de onde parte a reflexão deste artigo, entre 2024 e 2025, o número de festas com financiamento do Governo do Estado aumentou mais de 60%.
-
3
O terceiro mandato do governo Lula, também chamado de governo Lula III, é o período da história política brasileira em que Luiz Inácio Lula da Silva exerce a presidência da República desde 1º de janeiro de 2023, representando seu retorno ao cargo para um terceiro mandato após ter sido presidente de 2003 a 2011.
-
4
Falo sobre o tema no ensaio “Curadoria como forma de presença: marcas notórias da mediação dos autores nas obras” (2019). Uma versão ampliada desta reflexão também foi publicada no capítulo “Curadoria enquanto presença: quando as marcas da autoria sugerem um percurso de leitura” (Oliveira, 2019, p. 43-58).
-
5
O Ministério da Cultura (Minc) faz uma diferenciação entre os três tipos de eventos. No entanto, para o que pretendo discutir neste artigo, as classificações serão tratadas conjuntamente, compreendendo-se que para a recepção não faz diferença entre os formatos.
-
6
A pesquisa completa está disponível para download no link: https://www.cbl.org.br/wp-content/uploads/2025/05/Producao_e_Vendas_anobase_2024_imprensa.pdf. Acesso em: 15 out. 2025.
-
7
Esses dados se referem apenas ao livro impresso. A mesma pesquisa apresenta também dados específicos sobre e-books e audiolivros.
-
8
O levantamento está disponível em: https://www.prolivro.org.br/wp-content/uploads/2024/11/Apresentac%CC%A7a%CC%83o_Retratos_da_Leitura_2024_13-11_SITE.pdf. Acesso em: 15 out. 2025.
-
9
Para saber mais: https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/ministerio-da-cultura-e-ufrgs-lancam-programa-inedito-de-escrita-literaria-no-brasil. Acesso em: 02 out. 2025.
-
10
Aqui me refiro às primeiras edições traduzidas no Brasil, por exemplo, de autoras como Angela Davis, publicada pela editora Boitempo a partir de 2016.
-
11
A respeito do Fora Temer e das manifestações que aconteceram desde 2013 no Brasil, ver Pinheiro-Machado (2019).
-
12
Elas também assinaram a curadoria de 2022, com o professor Pedro Meira Monteiro.
-
13
Afonso Borges, Tom Farias e Sérgio Abranches foram os curadores da programação nacional/internacional; Leo Cunha, da programação infantojuvenil; e Rafael Nolli, Luiz Humberto França e Carlos Vinícius Santos da Silva, responsáveis pela curadoria local.
-
14
Refiro-me às programações principais da Festa Literária Internacional da Praia do Forte (FliPF), edições 2023 e 2024, e da Festa das Mulheres na Literatura (Flimina), realizada na Caixa Cultural de Salvador em 2024.
