RESUMO
Objetivo: Descrever o processo de coleta de dados no âmbito da ecologia informacional complexa, com foco específico nos ambientes analógicos do Museu da Diversidade Sexual.
Método: Foi adotada a metodologia da pesquisa etnográfica, permitindo uma imersão profunda no contexto do museu.
Resultados: Os dados descrevem as observações detalhadas, conversas informais e entrevistas semiestruturadas, o pesquisador capturou a interação dinâmica entre visitantes, funcionários e exposições do museu.
Conclusões: Os dados coletados contribuem para uma análise aprofundada das questões de diversidade sexual e do papel do museu na sociedade contemporânea, destacando a importância de abordagens metodológicas adequadas para compreender a complexidade dos ambientes analógicos, como o Museu da Diversidade Sexual.
PALAVRAS-CHAVE:
Coleta de dados; Etnografia; Observação; Entrevista; Ecologia Informacional Complexa; Museu da Diversidade.
ABSTRACT
Objective: To describe the data collection process within the scope of complex informational ecology, with a specific focus on the analog environments of the Museum of Sexual Diversity.
Method: The ethnographic research methodology was adopted, allowing for deep immersion in the museum's context.
Results: Through detailed observations, informal conversations, and semi-structured interviews, the researcher captured the dynamic interaction between visitors, staff, and museum exhibits.
Conclusions: The collected data contribute to an in-depth analysis of sexual diversity issues and the role of the museum in contemporary society, highlighting the importance of appropriate methodological approaches to understanding the complexity of analog environments such as the Museum of Sexual Diversity.
KEYWORDS:
Data collection; Ethnography; Observation; Interview; Complex Informational Ecology; Museum of Diversity.
1 APRESENTAÇÃO
A ecologia informacional complexa no âmbito dos museus representa um campo interdisciplinar que busca compreender a interação dinâmica entre os sistemas de informação, os sujeitos e ambientes em que estão inseridos. No âmbito da ecologia informacional, os ambientes analógicos assumem um papel fundamental, disponibilizando espaços físicos onde a diversidade se entrelaça com as experiências humanas (Brito, 2023).
O Museu da Diversidade Sexual (MDS) emerge como um desses ambientes analógicos, oferecendo contextos para explorar as complexidades da ecologia informacional. Localizado na cidade de São Paulo, especificamente no interior da estação República da Companhia do Metropolitano (Metrô), este museu tem como missão preservar, promover e disseminar a diversidade sexual, da comunidade das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, queer e outras identidades (LGBTQ+) por meio de suas coleções, exposições e programas educacionais (Museu da Diversidade Sexual, 2024; Brito, 2023).
Este artigo tem como objetivo descrever o processo de coleta de dados no âmbito da ecologia informacional complexa, com um foco específico nos ambientes analógicos do Museu da Diversidade Sexual. Abordaremos o método da pesquisa etnográfica utilizada para capturar o detalhamento e a complexidade das interações informacionais que ocorrem dentro deste espaço cultural diversificado.
Ao explorar a coleta de dados neste contexto, buscamos não apenas documentar os dados disponíveis, mas também compreender como essas informações são produzidas, compartilhadas e interpretadas pelos sujeitos envolvidos no museu. Por meio dessa descrição de dados, esperamos contribuir para uma compreensão mais profunda das dinâmicas informacionais que moldam a experiência humana e cultural nos ambientes analógicos contemporâneos.
Os dados coletados nos ambientes analógicos na ecologia informacional complexado Museu da Diversidade Sexual são úteis porque representam a interação dinâmica entre os visitantes, os entornos, as exposições e o ambiente físico(analógico) do museu. Esses dados fornecem contribuições efetivas sobre como as pessoas interagem com a informação, interpretam os conteúdos apresentados e respondem às experiências culturais oferecidas pelo museu. Além disso, esses dados podem ser usados para avaliar a eficácia das exposições e programas educacionais do museu, bem como contribuir para a curadoria de exposições futuras.
Os dados apresentados nesta pesquisa possuem grande relevância, pois fornecem uma base detalhada para a compreensão das interações, práticas informacionais e dinâmicas culturais no contexto do Museu da Diversidade Sexual. Esses dados podem ser utilizados como referência em investigações futuras que busquem explorar questões similares em outros museus ou espaços culturais, especialmente aqueles voltados para temas de diversidade, inclusão e educação. Além disso, o conjunto de dados pode servir como suporte para estudos comparativos, análise de ecologias informacionais e desenvolvimento de estratégias para aprimorar a experiência dos sujeitos e as práticas museológicas. A aplicação desses dados em novos contextos amplia sua utilidade, contribuindo para a construção de conhecimento interdisciplinar e para o fortalecimento de abordagens etnográficas na Ciência da Informação.
Uma variedade de pessoas e grupos podem se beneficiar desses dados. Isso inclui pesquisadores acadêmicos das áreas de Ciência da Informação, Museologia, Antropologia, Ciências Sociais, assim como associações LGBTQ+ e estudiosos na área de Museologia Social, todos interessados na ecologia informacional. Profissionais de museus responsáveis pelo desenvolvimento de exposições e programas educacionais também podem encontrar utilidade nesses dados. Adicionalmente, os dados de pesquisa têm potencial para serem compartilhados com outros museus e instituições culturais que buscam promover a diversidade e a inclusão em suas próprias comunidades.
2 MÉTODOS E INSTRUMENTOS
A pesquisa etnográfica é um método de pesquisa qualitativa que se concentra na imersão em um ambiente social específico para entender os padrões culturais, comportamentais e simbólicos dos participantes. Angrosino (2009) destaca que a pesquisa etnográfica envolve a observação participante prolongada e a interação com os participantes em seu ambiente natural. Essa abordagem permite ao pesquisador capturar a complexidade da vida cotidiana e as dinâmicas sociais em contexto, fornecendo uma compreensão aprofundada dos significados culturais e das práticas sociais.
Nesse sentido, a etnografia, é considerada como “a arte e a ciência de descrever um grupo humano - suas instituições, seus comportamentos interpessoais, suas produções materiais e suas crenças” (Angrosino, 2009, p. 30).
O método etnográfico apresenta a compreensão e as características de um grupo social e por meio de uma pesquisa de campo procura interpretar aquilo que os sujeitos vivem em uma determinada comunidade ou determinado contexto, como atesta López (1999, p. 46, grifo nosso):
A etnografia permite a aproximação e detecção que favorecem a coleta de dados nas respectivas fontes, utilizando os principais instrumentos como observação participante, os entrevistados, os documentos pessoais, com o propósito de proceder a investigar dados descritos, palavras escritas e/ou orais, em condutas observáveis dos populares participantes, de conhecer as pessoas e perceber como elas desenvolvem suas próprias definições.
A etnografia no contexto dessa pesquisa apresenta as técnicas de coleta de dados, sendo estas as observações, as anotações no diário de campo, as conversas informais e a entrevista semiestruturada buscando compreender a ecologia informacional do Museu da Diversidade Sexual (MDS) no que diz respeito aos ambientes analógicos.
A pesquisadora Costa (2016, n.p.) defende que “os museus se constituem em espaços profícuos para uma abordagem etnográfica acerca da relação homens, temporalidades e objetos”. Concordamos com a pesquisadora em utilizar a etnografia no contexto dessa pesquisa, pois, além de identificar os ambientes e os comportamentos dos sujeitos no contexto museológico, o contato do pesquisador com campo amplia a discussão acerca da realidade social, que muitas vezes é esquecida.
Desse modo, a pesquisa de campo foi realizada no período de maio a início de dezembro de 2021 (07 meses e 06 dias), período da pandemia de Covid-19, durante a exposição intitulada “Orgulho e Resistências - LGBT na ditatura”, sob a curadoria de Renan Quinalha, apresentando relatos e vivências das pessoas LGBT+ durante o período da ditatura militar no Brasil.
A coleta de dados teve como base as observações nos ambientes analógicos enfocando nos sujeitos e em seus comportamentos.
A pesquisa etnográfica se deu por meio de três etapas principais. Primeira etapa: observação, conversas informais e anotações referentes aos ambientes analógicos (entornos do museu da diversidade sexual); segunda etapa: entrevista com o diretor do museu; e terceira etapa: observação e conversas informais na parte interna do Museu da Diversidade Sexual com educadores (funcionários) e visitantes.
A abordagem etnográfica adotada permitiu compreender as interações, práticas e dinâmicas presentes tanto nos entornos quanto na parte interna do Museu da Diversidade Sexual. A primeira etapa, dedicada à observação dos ambientes analógicos, revelou aspectos importantes sobre como o espaço físico e o entorno do museu influenciam a experiência dos visitantes e promovem diálogos com questões de diversidade e inclusão. As conversas informais, registradas em anotações detalhadas, capturaram percepções espontâneas e reflexões dos transeuntes, oferecendo um panorama sobre como o museu é percebido na esfera pública.
Na segunda etapa, a entrevista com o diretor do museu trouxe uma perspectiva institucional, revelando as estratégias, os desafios e os objetivos que orientam as práticas museológicas voltadas para a diversidade sexual. Essa interação foi essencial para compreender a visão curatorial e educacional que sustenta as iniciativas do museu. Por fim, a terceira etapa possibilitou uma imersão no cotidiano do espaço expositivo e educacional, onde a observação direta e as conversas com educadores e visitantes enriqueceram a análise. Essa fase destacou o papel do museu como espaço de interação social, aprendizado e troca de experiências, evidenciando as diferentes formas de engajamento com os temas abordados.
Na visão de Angrosino (2009), a observação tem o papel de descrever e perceber os ambientes na qual se está inserido e fazer anotações significativas. A entrevista, por sua vez, “é um processo que consiste em dirigir a conversação de forma a colher informações relevantes” (Angosino, 2009, p. 61). As conversas informais, as gravações e as fotografias são consequências da realidade e da observação que pode surgir durante a pesquisa e o envolvimento com a comunidade.
Na figura 1 apresentamos o caderno de campo utilizado para as anotações da pesquisa. Este foi composto por uma prancheta de madeira, folhas de papel tipo sulfite e um estojo com lápis e caneta para as anotações. Além disso, o celular também foi utilizado para algumas fotografias e registros no bloco de notas.
As observações e conversas informais nos entornos ocorreram no âmbito dos ambientes analógicos do museu, quais sejam: Praça da República - SP, englobando a Avenida Vieira de Carvalho, o Largo do Arouche, parte interna da Estação República e, por fim, dentro o Museu. A entrevista por sua vez, com o diretor do MDS contemplou esses elementos e como o museu contribui para redes de sociabilidade e ativismo LGBTQ em toda a ecologia informacional complexa.
O instrumento para coleta de dados junto aos sujeitos no âmbito dos ambientes analógicos foi desenvolvido em forma de roteiro de observação, fotografias, conversas informacionais e entrevista semiestruturada e observação diária com base nos estudos das ecologias informacionais complexas presentes na literatura elucidadas por Oliveira (2014). Quantitativamente foram realizadas mais de duzentas (200) conversas informais com turistas, visitantes do museu, pessoas no entorno, educadores e uma (1) entrevista realizada com o diretor da época.
Vale destacar que a pesquisa tem aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Data de aprovação: 07 de setembro de 2020. Número do parecer: 4.262.528.
Todos os participantes da pesquisa que estiveram envolvidos com os dados da pesquisa assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido autorizando a participação da pesquisa.
3 TABELA DE ESPECIFICAÇÕES
3.1 Descrição do conjunto de dados
Os dados estão descritos e apresentados no repositório Mendeley Data, disponível em: https://data.mendeley.com/datasets/25k58yt58r/1 e divididos em categorias como Observação/Conversas Informais e Entrevista. Vale destacar que os dados refletem o período em que foram coletados, durante a pandemia de COVID-19, no ano de 2021.
O conjunto de dados apresenta dois arquivos de dados que são fundamentais para compreensão dos resultados e que possam ser utilizados por outros pesquisadores.
O conjunto de dados da pesquisa é composto por dois arquivos principais, fundamentais para a compreensão dos resultados e para futuras consultas de outros pesquisadores. O primeiro arquivo contém as anotações de campo detalhadas, incluindo registros de observação e diálogos informais capturados durante as visitas aos ambientes do Museu da Diversidade Sexual. O segundo arquivo reúne registros mais aprofundados de observação participante, elaborados a partir da imersão direta nas dinâmicas e atividades do museu. Ambos os arquivos foram estruturados em documentos de texto no formato Word e posteriormente em pdf, permitindo organização e facilidade de acesso aos conteúdos. Cabe destacar que as fotografias capturadas durante o processo de coleta foram excluídas desse conjunto, focando exclusivamente nas descrições textuais. Esses dados constituem uma base sólida para a análise das interações e da ecologia informacional observadas, promovendo uma compreensão mais ampla sobre o papel do museu na disseminação de informações e experiências sobre diversidade sexual.
No arquivo 1, disponibilizado em pdf, intitulado observação/conversas informais, os dados descrevem os entornos, a disposição das exposições, o fluxo de visitantes e quaisquer eventos ou atividades ocorrendo no local. Além das observações diretas, os dados apresentam as conversas informais com os visitantes e funcionários do museu. Essas conversas ocorreram de forma natural e espontânea, permitindo ao pesquisador obter contribuições sobre as percepções, interesses e experiências dos participantes em relação ao museu e às exposições. Durante essas conversas, foram explorados tópicos relacionados à diversidade sexual e de gênero, bem como questões específicas levantadas pelas exposições do museu.
No arquivo 2, também disponibilizado em pdf, intitulado entrevista com o diretor do museu, apresentam dados sobre a dimensão holística do museu com enfoque principalmente na comunicação museológica e nas relações que a ecologia estabelece com a diversidade e a comunidade LGBTQ+.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a CAPES, ao Museu da Diversidade Sexual e todos os sujeitos envolvidos na pesquisa.
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FINANCIAMENTO
CAPES - Código de Financiamento - 001
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CONSENTIMENTO DE USO DE IMAGEM
Não se aplica
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APROVAÇÃO DE COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA
A pesquisa tem a aprovação do comitê de ética em pesquisa (CEP) da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) Unesp - Marília. Data de aprovação: 07 de setembro de 2020 Número do parecer: 4.262.528.
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PUBLISHER
Universidade Federal de Santa Catarina. Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação. Publicação no Portal de Periódicos UFSC. As ideias expressadas neste artigo são de responsabilidade de seus autores, não representando, necessariamente, a opinião dos editores ou da universidade.
REFERÊNCIAS
- ANGROSINO, M. Etnografia e observação participante São Paulo: Artmed, 2009
- BRITO, J. F. Ecologia informacional complexa em museus: tessituras teóricas e proposta de modelo. 193 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências de Marília, 2023.
- COSTA, D. F. da. Quando o campo é o museu: uma etnografia da relação homem, tempo e os objetos na cidade de Belém. 2016. 197 f. Tese (Doutorado) - Universidade Federal do Pará, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Belém, 2016.
- LÓPEZ, G. O método etnográfico como um paradigma cientifico e sua aplicação na pesquisa. Textura, Canoas, vol. 1, n. 1, 1999.
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MUSEU DA DIVERSIDADE SEXUAL. Sobre o museu [online]. 2024. Disponível em: http://www.mds.org.br/quem-somos/ Acesso em: 12 maio. 2024.
» http://www.mds.org.br/quem-somos/ - OLIVEIRA, H. P. C. Arquitetura da Informação Pervasiva: contribuições conceituais. 2014. 202 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Universidade Estadual Paulista, Marília, 2014.
Editado por
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EDITORESEdgar Bisset Alvarez, Ana Clara Cândido, Patrícia Neubert, Genilson Geraldo, Jônatas Edison da Silva, Mayara Madeira Trevisol, Edna Karina da Silva Lira e Luan Soares Silva.


Fonte: Fotografia realizada pelo autor.