O programa Portugal Acolhe se caracterizou por ser uma política de tipo assimilacionista, traço infundido no termo acolhimento. No contexto europeu, a concepção pressuposta ao português concebeu a língua de maneira reificada, associada a uma lógica nacionalista moderna e a um multiculturalismo de tipo liberal. Diferentes linguistas apresentaram visões críticas a abordagens subtrativas que esperam de aprendizes minoritários a substituição de suas línguas por línguas nacionais. Este ensaio tem como objetivo problematizar a noção de acolhimento linguístico. Para tanto, inicialmente situa a discussão sobre educação e linguagem em contextos diversos, colocando em evidência a interculturalidade crítica enquanto um modelo de interação mais dialógico e dinâmico, que considera as relações de poder e dominação que permeiam as interações sociais. Em seguida, aborda a translinguagem como uma resposta crítica e prática à colonialidade da linguagem. Por fim, retoma noções de acolhimento linguístico tradicionais no Brasil. Muitos dos debates que atravessam a questão da aproximação diferencial não são novidades frente à experiência linguística de grupos autóctones latino-americanos. Antigas questões de linguagem são atualizadas no contexto das migrações internacionais.
Palavras-chave:
acolhimento
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interculturalidade
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translinguagem