Resumo
O Brasil é o terceiro país que mais recebe migrantes venezuelanos, com cerca de 626 mil pessoas. Esse fluxo migratório aumentou a demanda no Sistema Único de Saúde, especialmente na assistência à gestação e ao parto. Este estudo objetivou avaliar o acesso e a percepção das mulheres migrantes venezuelanas sobre a prestação de cuidados de saúde recebida no Brasil, em sua trajetória assistencial durante o pré-natal e o parto. Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa e qualitativa, realizada entre 2021 e 2023, com venezuelanas residentes em Manaus, Amazonas. No componente quantitativo, utilizou-se a amostragem dirigida por participante (n = 118), com cálculo de frequências absolutas e prevalências com intervalos de 95% de confiança. No qualitativo, adotou-se a amostragem intencional (n = 39), e os dados foram analisados por meio de Análise Temática. Nos resultados quantitativos, a maioria das entrevistadas realizou pré-natal (95%), principalmente em unidades públicas, iniciando-o no primeiro trimestre (83%) e com número adequado de consultas (77%). Dos partos, 58% foram vaginais e 95% contaram com acompanhante. Foram relatadas 14% de complicações maternas e 21% neonatais. No componente qualitativo, identificaram-se dificuldades para a realização de exames pelo sistema de saúde e para a vinculação à maternidade durante o pré-natal, além de peregrinação anteparto e diferenças culturais que influenciaram as percepções sobre a assistência recebida. O idioma também foi um fator que impactou a qualidade do atendimento. Conclui-se que a assistência à gestação e ao parto foi garantida pelo sistema de saúde brasileiro, embora persistam desafios que exigem aprimoramento a partir das experiências das mulheres migrantes.
Palavras-chave:
Migração Internacional; Atenção à Saúde; Cuidado Pré-Natal; Parto; Estudo de Avaliação
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Fonte: elaboração própria. Nota: representação do fluxo da amostragem utilizada no estudo qualitativo desenvolvido no âmbito do projeto ReGHID entre 2021 e 2023. À esquerda, o componente quantitativo teve início com 755 mulheres elegíveis, das quais 118 participaram da pesquisa em 2021 (por cumprirem os critérios de inclusão e exclusão). Dessas, 11 foram contatadas para a etapa qualitativa em 2023. À direita, o componente qualitativo iniciou com 58 participantes em 2021, das quais 6 foram incluídas (por cumprirem os critérios de inclusão e exclusão). Em 2023, o número de participantes aumentou para 39, sendo 22 vinculadas a instituições de acolhimento a migrantes. As caixas cinza-escuro indicam o número de mulheres da amostra do estudo guarda-chuva. As caixas brancas representam participantes incluídas em cada etapa. As caixas em cinza-claro indicam o número de mulheres elegíveis que atenderam aos critérios de inclusão e exclusão em cada etapa. As setas representam o fluxo da amostragem ao longo do tempo e entre componentes do estudo. Instituições de acolhimento aos migrantes: uma organização não-governamental e uma instituição religiosa sem fins lucrativos, ambas com atuação social na cidade do estudo.
UBS: unidade básica de saúde; SUS: Sistema Único de Saúde. Fonte: elaboração própria, baseado em Medeiros et al.