Resumo
Esta pesquisa qualitativa, realizada entre 2015 e 2018, corrobora as iniciativas de comunicação e educação sobre prevenção do HIV. Com a perspectiva intersetorial e territorial, o estudo pretende descrever a metodologia empregada na produção compartilhada de um jogo de imagens, com 36 cartas e regras de jogabilidade, construído com estudantes do curso de formação de professores das séries iniciais de uma escola pública de ensino médio, situada no Rio de Janeiro, Brasil. Também busca discutir como eles/as significam as relações entre sexualidade, saúde e prevenção do HIV. O método da problematização freireano orientou a observação direta e as intervenções no cotidiano escolar. Foram discutidos temas de interesse dos/as jovens: estratégias de “desconstruções” da perspectiva biomédica-prescritiva e heteronormativa, hegemônica nos discursos sobre a sexualidade e prevenção ao HIV; preservativo feminino; significados das terminologias soropositivo para o HIV, sorodiferentes e carga viral (CD4e CD8); testagem; PrEP e PEP; tratamento e efeitos colaterais medicamentoso. Conclui-se que a metodologia adotada viabilizou a educação entre e por pares e a criação do jogo “Sexualidade e prevenção do HIV”, de modo contextualizado e interativo.
Palavras-chave:
Adolescentes; Comunicação e educação em saúde; Sexualidade; Prevenção do HIV; Jogos educativos
Abstract
This qualitative research was conducted from 2015 to 2018 and corroborates communication and education initiatives on HIV prevention. With an intersectoral and territorial perspective, the study aims to describe the methodology used in the shared production of an image game, with 36 cards and gameplay rules, built with students from the teacher training course for the initial grades, from a public high school, located in Rio de Janeiro, Brazil. It also aims to discuss how they understand the relationship between sexuality, health and HIV prevention. The Freirean problematization method guided direct observation and interventions in everyday school life. Topics of interest to young people were discussed: strategies for “deconstructing” the biomedical-prescriptive and heteronormative perspective, hegemonic in discourses on sexuality and HIV prevention; female condoms; meanings of the terms HIV-positive, serodifferent, and viral load (CD4 and CD8); testing; PrEP and PEP; drug treatment and side effects. The conclusion is that the methodology adopted enabled peer-to-peer education and the creation of the game “Sexuality and HIV prevention”, in a contextualized and interactive way.
Key words:
Adolescents; Communication and health education; Sexuality; HIV prevention; Educational games
Resumen
Esta investigación cualitativa, realizada entre 2015 y 2018, corrobora iniciativas de comunicación y educación sobre prevención del VIH. Con una perspectiva intersectorial y territorial, el estudio tiene como objetivo describir la metodología utilizada en la producción compartida de un juego de imágenes, con 36 cartas y reglas de juego, construido con estudiantes del curso de formación docente de grado inicial de una escuela secundaria pública ubicada en Río de Janeiro, Brasil. Asimismo, busca discutir cómo entienden las relaciones entre sexualidad, salud y prevención del VIH. El método de problematización de Freire guió la observación directa y las intervenciones en la vida escolar cotidiana. Se discutieron temas de interés para los jóvenes: estrategias para “deconstruir” la perspectiva biomédica-prescriptiva y heteronormativa, hegemónica en los discursos sobre sexualidad y prevención del VIH; condón femenino; significados de las terminologías VIH positivo, serodiferente y carga viral (CD4 y CD8); pruebas; PrEP y PEP; Tratamiento farmacológico y efectos secundarios. Se concluye que la metodología adoptada posibilitó la educación entre y por pares y la creación del juego “Sexualidad y prevención del VIH”, de forma contextualizada e interactiva.
Palabras clave:
Adolescentes; Comunicación y educación en salud; Sexualidad; Prevención del VIH; Juegos educativos
Pistas iniciais, começando o jogo
Evocamos as palavras de Renato Russo na canção “Índios”: “[...] nos deram espelhos e vimos um mundo doente”, não apenas pelo brilhantismo do poeta que marcou a juventude dos anos de 1980 e 1990 e de sua luta contra a Aids, mas para, a partir dessa memória, mirarmos o espelho da atualidade que nos mostra a juvenilização do human immunodeficiency virus (HIV) no Brasil1. Apesar dos avanços das biotecnologias de prevenção ofertadas no Sistema Único de Saúde (SUS)2, ao compararmos os anos 2020 e 2022, o número de casos de infecção pelo HIV aumentou 17,2%, sendo 114.593 (23,4%) casos na faixa-etária entre 15 e 24 anos3. Frente a essa realidade alarmante, ainda teremos chance de desdizer o poeta?
Essa provocação permeou o estudo das inter-relações entre sexualidade e prevenção do HIV junto a estudantes do ensino médio da rede pública na cidade do Rio de Janeiro, tendo como base a produção compartilhada de um jogo de imagens sobre esses temas. O estudo, ao articular as áreas da educação e da saúde, reitera a relevância de parcerias interinstitucionais e intersetoriais envolvendo adolescentes/jovens, profissionais dessas áreas, representantes da sociedade civil organizada e da comunidade acadêmica na agenda da prevenção ao HIV4-6.
Com esse olhar, partimos da premissa de que a interação com e entre adolescentes/jovens é central para o entendimento das gramáticas e experiências relativas à sexualidade e à prevenção do HIV na juventude, atentando-se aos marcadores interseccionais como determinantes para epidemia do HIV4-8. Conforme nos ensina Foucault9, a experiência é qualquer coisa que nos transforma, e a partir dela é possível modificar o que se pensa e o que se é. O transformar a si também implica mudanças no modo de interagir com o outro e, nessa intersubjetividade, a atenção à circularidade dos sentidos - ao que é dito e/ou silenciado - permite o acesso às práticas forjadas nesse processo ético-estético9. Dessa forma, este artigo descreve o itinerário metodológico empregado na elaboração compartilhada do jogo de imagens “Sexualidade e prevenção do HIV” e apresenta a análise das interações com os/as adolescentes, narrando como, a partir de suas experiências, individuais e coletivas, eles/as constroem as gramáticas acerca da sexualidade e da prevenção ao HIV.
Percursos metodológicos: diálogos e bricolagens
Antecedentes da pesquisa: descobertas e consequências
O presente estudo de caso apresenta uma pesquisa-intervenção ocorrida entre 2015 e 2018 que, alicerçada na análise da micropolítica das práticas socioculturais10,11, investigou as inter-relações entre sexualidade, saúde e prevenção do HIV em jovens matriculados no ensino médio público. Antecede este estudo a pesquisa, coordenada pela primeira autora entre 2011 e 2015, que averiguou os sentidos da prevenção do HIV/Aids presentes em 590 materiais educativos (cartilhas, cartazes, folhetos etc.) produzidos no âmbito do SUS e por entidades da sociedade civil organizada.
Entre esses materiais, apenas 18 se destinavam aos adolescentes/jovens, a maioria das mensagens reiteravam o discurso biomédico na abordagem da prevenção (“Use camisinha”), assim como na referência à adolescência e ao adolescente. Em termos de prevenção do HIV, endossavam o uso de preservativos (masculino e feminino) e a prevenção combinada (PC), essa última com menor ocorrência. Convergindo com essa evidência, estudos indicam que a comunicação sobre a PC na juventude é diminuta e representa um desafio1,6,12,13.
Quanto aos discursos sobre a adolescência, essa era associada a uma “fase da vida”, a “mudanças hormonais” e às “diferenças anatômicas” entre os sexos; já o adolescente era representado como “rebelde”, “imaturo” ou “desprovido de conhecimento” em relação ao seu corpo, à sexualidade ou às tecnologias de prevenção. Em contraponto a essa semiose, de modo mais raro, circulavam mensagens vinculadas às perspectivas da saúde sexual e reprodutiva e aos estudos sobre gênero, aludindo à concepção da adolescência e do adolescente como uma construção social. Este sendo considerado “sujeito” com “direitos e deveres”, de “orientação sexual” e “identidade de gênero” distintas, “capaz de refletir” sobre “desejos”, “atitudes e comportamentos”, e aquela como uma “fase de transformação”, “descobertas” e de “responsabilidade”.
Essas evidências, discursivas e pragmáticas, justificaram a definição do objeto do estudo e fundamentaram a decisão de estar com os/as adolescentes para conhecer suas histórias de vida e compreender como eles/as significavam as relações entre saúde, sexualidade e prevenção ao HIV. Nesse diálogo, se averiguaria a correspondência entre os aspectos identificados nos materiais educativos citados e as experiências dos jovens, e se produziria coletivamente um material comunicativo destinado a adolescentes. Tal escolha metodológica ganhou força frente à descoberta do jogo Dixit, do latim “Ele disse”. Comercializado pela empresa Galápagos, o jogo envolve raciocínio, criatividade, estratégia e adivinhação, convidando o jogador a narrar uma história, sem ser muito óbvia, a partir de uma carta. As cartas, por sua beleza estética surrealista, transportam o jogador ao mundo onírico e o convoca a interpretar as ilustrações a seu modo. O encontro com o Dixit nos fez pensar: estaria ali a chave para problematizar os jogos de verdades9 (“conjunto de regras de produção da verdade”) que alicerçavam as percepções dos adolescentes sobre as dimensões socioculturais, intersubjetivas e biológicas envolvidas nas intersecções entre sexualidade e prevenção do HIV?
Territórios geográficos e interacionais
No rastro dessa ideia, no início de 2015, a partir de nossa rede pessoal, conhecemos uma escola estadual, localizada na região central do município do Rio de Janeiro, que oferecia o ensino médio para adultos no horário noturno e o curso de formação de professores para as séries iniciais (alfabetização e básico) no horário integral. A localização do colégio colaborava para a maior diversidade sociocultural, expressa no ingresso de alunos oriundos de diversos bairros do município e de cidades da região metropolitana, e na presença de pessoas de diferentes cores de pele, identidades de gênero e classe social (baixa e média); atributos que determinaram a escolha do território em questão como local de estudo.
Na escola existiam diversas pesquisas na área da saúde, o que em certa medida facilitou a recepção do estudo, embora fosse nítida a resistência a acolher “mais uma pesquisa”. Isso se devia à percepção de que alguns/as pesquisadores/as “usavam” a escola como parte de seus projetos (extensão/pesquisa), sem, contudo, se implicarem com as demandas escolares. Em conversa com a diretora, problematizamos as bases conceituais e metodológicas do estudo, apresentando nossa perspectiva de que a pesquisa é uma experiência em que os sujeitos intervêm no cotidiano estudado, ou seja, uma ação política pautada na reciprocidade e no respeito à alteridade9,10,11,14.
Enfrentado esse percalço metodológico, após a aprovação do projeto por instâncias responsáveis, em setembro de 2015 começamos a observação etnográfica, ancorada nos estudos de gênero15 e nas análises das relações de saber-poder9 (Quadro 1). Essa etapa, transversal ao estudo, perdurou até 2018, consistindo na observação do cotidiano escolar, na definição dos participantes do estudo e no mapeamento dos discursos e percepções sobre sexualidade e prevenção ao HIV/Aids. Inicialmente, interagimos com representantes da gestão escolar (diretora, inspetora de alunos, coordenadora pedagógica), professores e alunos dos cursos de formação de professores e do ensino médio regular vislumbrando definir o perfil dos participantes do estudo. Observou-se que os integrantes do curso de formação de professores expressaram maior receptividade e disponibilidade para participar da pesquisa, sendo que esse grupo era constituído por adolescentes, público de interesse do estudo. Além disso, o curso abrigava projetos extraclasse circunscritos ao nosso objeto, a exemplo do “Papo de jovem (PPJ)” (nome fictício), que discutia diversidade e equidade de gênero, racismo, intolerância religiosa e discriminação.
À luz dessas descobertas, convidamos para participar das etapas de observação e da oficina um professor de biologia e uma professora de história, ambos coordenadores do projeto PPJ, com idade entre 50 e 55 anos. O primeiro se autorreferiu negro e gay, a segunda, mulher cis e branca. Além deles, contamos com a presença de 30 alunos de uma das turmas do 2º e do 3º ano, um total de 60 discentes, e 20 integrantes do PPJ, com idades entre 16 e 18 anos, de diferentes identidades de gênero/orientação sexual, classe social, cores de pele e crença religiosa. Os alunos do PPJ também atuavam como multiplicadores no Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (PSE), ainda em curso na escola. À época, pós-golpe político que destituiu a presidenta Dilma Rousseff (2016), era nítido o desinvestimento no PSE e o avanço de uma agenda refratária ao debate de gênero nas escolas, inclusive no âmbito das ações de prevenção do HIV1,16.
Em continuidade à etapa de observação, conhecemos os recintos do prédio de quatro andares, de modo a capturar as nuances desse cenário e as relações ali construídas. Concomitantemente, a leitura do projeto político pedagógico e da matriz curricular, aliada à participação nas atividades extraclasses, foi possível identificar a frequência, em que situações o tema sexualidade e prevenção ao HIV/Aids circulava e sob qual perspectiva. Essa estratégia nos permitiu acessar os discursos, saberes e práticas atinentes a essas temáticas, e também nos fez explorar os territórios institucionais e relacionais17 e descortinar o olhar “idealizado dos pesquisadores”, que pouco entendiam sobre as dinâmicas desse novo ambiente.
As descobertas provenientes das observações sedimentaram o caminho para a oficina “Sexualidade, saúde e prevenção do HIV”, realizada durante 2016 e 2018 nas instalações da escola, em dias e horários previamente estabelecidos. Em 2016, iniciamos a oficina com encontros semanais, durante a disciplina de biologia ou após o horário das aulas, com participação, em média, de 80 alunos e dois docentes que integraram a etapa de observação. Em 2017 e 2018, os encontros foram quinzenais, com o mesmo grupo de alunos e professores, além dos convidados: uma enfermeira, cis hetero, branca, servidora pública federal que atua no cuidado a crianças e adolescentes que vivem com HIV, uma psicanalista e escritora, cis hetero e branca, um ativista que vive com HIV, homem gay e branco.
Nas atividades da oficina, a partir do método problematizador de Freire14, discutiram-se os aspectos subjetivos, socioculturais e biomédicos concernentes à sexualidade e à prevenção do HIV/Aids. Numa ambiência inventiva e interativa, usando diferentes formas de comunicação (cartas, bilhetes, jogos, textos narrativos, rodas de conversa, desenhos, músicas), identificamos os temas-geradores, acessamos as biografias dos adolescentes (percepções, conhecimentos, curiosidades, crenças, atitudes, afetos) e construímos um espaço de educação emancipatória14,17,18 (Quadro 2). À luz dessa reflexividade, em 2018 elaboramos as imagens das cartas e as regras de jogabilidade, que foram validadas por 40 alunos de uma das turmas do 3º ano, 20 do PPJ que participaram da oficina e 30 alunos de uma das turmas do 1º ano que não conheciam o jogo (Quadros 3 e 4). Esse processo resultou no jogo “Sexualidade e prevenção do HIV”, com 36 cartas e as regras de jogabilidade. O percurso metodológico, ora descrito, permite a replicação do estudo em escolas e unidades de saúde, estimulando a prevenção do HIV/Aids na juventude.
As informações foram registradas no caderno de campo. Para este artigo, procedemos à leitura transversal desses registros e à análise enunciativa11,19, identificando-se os enunciados, expressões e frases, e posteriormente agrupando as categorias empíricas segundo as regularidades e raridades discursivas, a saber: tornar-se adolescente, sexo-sexualidade, diversidade de gênero, prevenção do HIV. A seção “Sexualidade e prevenção do HIV: intersecções e intervenções” discute a circularidade e a apropriação dessas categorias no contexto escolar. As falas dos interlocutores aparecem sinalizadas por siglas, indicando a posição social, seguida do número de inserção na pesquisa - A:1 adolescente; P:1 professor, M:1, mãe.
Sexualidade e prevenção do HIV em jogo: intersecções e intervenções
A escola: institucionalidades, saberes e poderes
A Escola Formação de Professores - EFP (nome fictício) ocupa um lugar de vanguarda na formação de professores das séries iniciais, o antigo magistério, desde sua criação na década de 1960, na ditadura cívico-militar brasileira. A arquitetura modesta abrigava a história desse território vinculando presente-passado. No corredor do primeiro andar se destacavam as memórias de sua fundação - quadros com fotografias da primeira turma de normalistas e de premiações recebidas, além da placa comemorativa dos 50 anos da EFP, com os dizeres: “Ética humanista, autodisciplina, solidariedade, respeito aos limites necessários à boa convivência social, compromisso com uma educação pública, gratuita e de qualidade, respeito à diversidade cultural”.
Essa memória institucional era reatualizada no projeto político pedagógico e, com certa frequência, o discurso humanístico era ratificado nas falas de profissionais, estudantes e seus familiares, referindo-se à escola como uma “segunda casa”. Essa expressão nativa, por um lado, denotava a experiência de pertencimento àquele cotidiano; por outro, incutia nas entrelinhas o papel do Estado-família no controle dos corpos nos espaços sociais. Na modernidade, o Estado instaurou, gradativamente, medidas educacionais, higiênicas e morais com o intuito de governar os saberes sobre a infância e a juventude, deslocando a centralidade da instituição família na tarefa de “educar” e “cuidar” das crianças e jovens20.
Essa percepção engendrava, ao mesmo tempo, valores humanitários, morais e disciplinares na formação dos jovens, e por vezes a “segunda casa” era comparada a um “quartel”. Na cerimônia cívica de “incorporação” de novos alunos, ritual semelhante à “condecoração militar”, os alunos trajavam uniforme de gala com o distintivo da EFP, hasteavam as bandeiras do Brasil, do Estado e da escola cantando os respectivos hinos, e os alunos do 3º ano transmitiam o distintivo aos novatos. A “receptividade encenada” era vista pelos jovens como “protocolar”, isso porque a violência dos trotes aos novatos e a rigidez nas relações cotidianas revelavam a hostilidade e o pouco acolhimento institucional. Essa experiência visibiliza o poder disciplinar da escola e seu potencial de reproduzir desigualdades16,20,21.
Era nesse contexto, permeado por diferentes lógicas e modos de vida, que os adolescentes passavam o dia imersos numa intensa programação de aulas e atividades esportivas, cultu rais e alguns momentos de descanso. Para eles/as, essa rotina “disciplinar” gerava um clima de animosidade e dificultava o engajamento nas atividades propostas. Para driblar tal controle, colocavam seus corpos em movimento e agenciavam seus afetos, criando modos de existência: nas quadras e corredores, muitos deles ficavam vidrados nos celulares, enquanto outros comiam guloseimas, dançavam, grafitavam ou cochilavam. Os namoros eram frequentes, uma menina beijava o crush, outra abraçava sua companheira e um garoto acariciava o namorado, porém, volta e meia a inspetora separava as “duplas”, mas findada a abordagem, os casais retomavam as carícias.
No diálogo com a inspetora, descobrimos que a expressão “duplas” se referia aos casais homoafetivos. Tal eufemismo visibilizava as gramáticas inscritas nesse território e indicava formas sutis de discriminação e preconceitos16,21. Os jovens que se autorreferiram gays, lésbicas ou bissexuais não raramente mencionavam o sentimento de “rejeição” e “desigualdade” por parte de outros estudantes e profissionais da escola, ainda que em minoria. O ambiente “heteronormatizador, controlador e disciplinador”21, somado a algumas práticas hostis e LGBTfóbicas, tem impactado negativamente a subjetividade dos jovens, causando prejuízos a suas vidas16,21.
O discurso heteronormativo15, naturalizado em nossa cultura, modulava a organização do espaço escolar, a exemplo da clássica divisão dos banheiros segundo o sexo. Entretanto, essa regra nem sempre era respeitada, por conta dos banheiros danificados ou da falta de água na escola, exigindo que meninos e meninas frequentassem o mesmo espaço; ou por “vontade” dos estudantes - quando o banheiro era usado para “namorar”. Para os/as jovens, a lógica binária, dominante na EFP, desconsiderava outras identidades de gênero e restringia o direito à igualdade. À época, na EFP era debatida a normativa governamental22 que contemplava o direito “ao uso de banheiros, vestiários e demais espaços segregados por gênero, quando houver, de acordo com a identidade de gênero de cada sujeito” (art. 6º); e no art. 7º enfatizava que, “Caso haja distinções quanto ao uso de uniformes e demais elementos de indumentária, deve ser facultado o uso de vestimentas conforme a identidade de gênero de cada sujeito”. Apesar da relevância dessa medida, não houve nenhuma intervenção na arquitetura do ambiente escolar. De certa forma, tal resistência perpetua as práticas de segregação dos corpos considerados “desviantes” e os discursos edificados na moral sexual cristã9,15.
O uniforme, de estilo da década de 1960, reiterava este enquadramento - meninas vestiam saia plissada azul, ainda que ocasionalmente era facultado o uso de calça comprida, enquanto os meninos vestiam calça de brim azul, e todos/as trajavam camisa branca com a logo da EFP. A tentativa de homogeneizar os corpos e apagar a diversidade de gênero não passava desapercebida, as meninas frequentemente questionavam seus trajes dizendo “não gostar de usar saias” e sentirem “insegurança” em virtude de “elogios” machistas recebidos no trajeto casa-escola e vice-versa. A determinação de como se vestir e se comportar ou que ambientes frequentar definia um conjunto de regras e procedimentos de produção da verdade sobre o sexo-gênero-sexualidade no cotidiano escolar9,13,15,16,20. Em última instância, criava gramáticas que geram interditos aos corpos que, corajosamente, biografam suas existências, lutando contra as iniquidades de gênero16,21.
A sociabilidade também era construída por identificações afetivas e atravessada pelo enquadramento heteronormativo, como a clássica divisão em grupos de “meninos” e “meninas”. Era perceptível a constituição de grupos que se vinculavam por proximidade religiosa, prevalecendo a referência à prática católica ou evangélica; já a proximidade por cor de pele e classe social não foi anunciada, tampouco aprofundada, sendo um limite do estudo. Entre os jovens do PPJ, era nítida a organização por “grupinhos”, todavia acolhendo-se a diversidade de gênero, raça e religião. O diálogo sobre esses assuntos fluía de modo menos tenso, a exemplo de ações contra homofobia e intolerância religiosa lideradas por uma aluna que se autorreferia uma mulher negra, cisgênero e umbandista, e por um aluno católico, homem gay e branco. Entre os estudantes que não participavam do PPJ, quando indagados sobre a relação entre sexualidade, religião e prevenção do HIV, evitavam se posicionar. Tais assuntos mobilizavam resistências, por isso vários estudantes se recusavam a participar do estudo. Apesar desse silenciamento, nas atividades de campo seguimos atentas aos “nós” interseccionais no cotidiano escolar7,8,12,16,21.
Os discursos sobre sexualidade, prevenção do HIV, religião e racismo, entremeados por perspectivas conservadoras e progressistas, circulavam nos projetos PPJ e Gravidez na Adolescência, nas atividades extraclasse e eventos culturais (Quadro 1). Na disciplina de biologia no 2º ano, abordavam-se os seguintes conteúdos: sexualidade e sexo, reprodução, gravidez e métodos contraceptivos, genética, diversidade e sexo biológico, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST) e vida sustentável. Predominava o ensino da educação sexual sob o viés da moral-cristã, o que pode “reforçar o caráter perigoso da sexualidade”16 e minimizar as dimensões subjetivas e socioculturais intrínsecas aos saberes sobre sexo-sexualidade17,21.
Nos corredores da EFP, murais e cartazes divulgavam informações contra o racismo, em defesa da tolerância religiosa e da diversidade de gênero. No acesso ao 2º andar, avistava-se um belo desenho de em rosto humano contemplando a diversidade de gênero; em um dos muros da quadra de esportes, a pintura de uma mulher ornamentava os sentidos do feminino, em outro se via um grafite com a caricatura de um homem vestido de terno azul batendo com um livro em um casal de meninos gays. Algumas dessas cenas integraram as cartas do jogo (Quadros 4 e 5).
Esse grafite gerou polêmica entre profissionais, alunos e pais. Um professor dizia: “A escola não pode estimular a violência”; outro reiterava que “isso é preconceito com as religiões evangélicas”; outra professora problematizava: “Esse trabalho mostra o que acontece na realidade e esse é nosso papel: formar cidadãos”. Em acordo com essa opinião, outro professor disse: “As imagens expressam um trabalho feito pelos alunos, o que eles vivenciam, aprendem e consideram importante dizer”. Quando perguntamos ao professor do PPJ sobre o feito, ele enfatizou: “A saída foi colocar uma interrogação no livro e deixar que cada um construa sua interpretação”. Tal controvérsia desvela a necessidade de romper “silenciamentos”, “violências” e “segregações” circunscritos ao dispositivo sexualidade-gênero-religião e evidencia a relevância desse debate na agenda de prevenção ao HIV8,12.
A conjuntura política do país em 2017 e 2018 refletia as raízes desses acontecimentos. Nesse período, o então deputado Jair Messias Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), com o lema “Deus, pátria e família”, liderava a corrida à Presidência da República. Sua campanha endossava a artificiosa pauta da “ideologia de gênero”13,16,21, que, orquestrada pelo movimento Escola sem Partido21, propunha a retirada dos conteúdos de gênero e sexualidade do currículo do ensino médio e o retorno compulsório do ensino religioso. Essa agenda messiânica era fortalecida por discursos conservadores que acirravam a ideia da centralidade da família no diálogo sobre a sexualidade com os adolescentes12. No âmbito das políticas de prevenção ao HIV/Aids, efetivava-se o progressivo desinvestimento de campanhas, inclusive retirando da esfera pública as cartilhas que abordavam a saúde sexual e reprodutiva13, além da falta de testes e medicamentos no SUS1,2,4. Enfim, como nos advertira o poeta, será que “vimos um mundo doente”?
Adolescência, sexualidade, normas de gênero e prevenção do HIV: (des)construções
O contexto institucional e sociopolítico atravessava as experiências dos estudantes, influenciando no modo como significavam a adolescência e as relações entre sexualidade e normas de gênero. Para os jovens, apesar de muitas vezes se sentirem tratados como “crianças”, a adolescência era reconhecida como um momento de “independência” e “responsabilidade”, bem como de “descobertas”, “incertezas” e “mudanças” em relação às escolhas profissionais ou às experiências afetivo-sexuais. Tal reflexão, colocada por outros estudiosos1,16,21,23, desconstrói as práticas socioculturais que infantilizam ou desqualificam a adolescência e o adolescente e nos faz indagar: em que medida os espaços institucionais (escolas e unidades de saúde) criam condições para uma escuta ativa e atenta às subjetividades em jogo na adolescência?
Nas interações com os/as adolescentes, sustentamos a escuta ativa, acolhendo os afetos e as emoções manifestadas, principalmente diante de temas considerados sensíveis, como a sexualidade, uma vez que as mudanças psicológicas, físicas e nas relações sociais vividas na adolescência incidem nas decisões sobre saúde sexual23. Por isso é crucial o diálogo aberto e franco sobre sexualidade9, como nos disse uma jovem: “Sexualidade é ser, é essência, é o ser humano, é vida, e precisamos falar sobre isso e quebrar esse tabu!” (A-11,16 anos). Outra jovem enfatizou que o assunto flui melhor entre amigos do que com os pais, afirmando: “É muito difícil conversar sobre sexo com a minha família” (A-27, 15 anos); e por uma mãe entrevistada durante o Sábado Solidário: “Não é por ser homem ou mulher, é coisa de jeito. Tenho dois filhos, e o menino prefere conversar sobre esse assunto com o irmão mais velho dele” (M, 2).
Para estudantes e pais, a escola mediava o diálogo sobre educação sexual, contribuindo para ultrapassar essa barreira comunicativa. A escola, mesmo com as hierarquias disciplinares, ainda é um espaço estratégico para problematizar os discursos que negligenciam ou silenciam as relações entre saúde sexual e reprodutiva, diversidade de gênero e prevenção do HIV6,12,16,17,21. Igualmente, potencializa o desenvolvimento da educação entre pares, amplificando esse debate17,18.
Em acordo com a literatura especializada1,12,16,18, constatamos que a iniciação sexual continua despertando curiosidades entre adolescentes e orientando as intervenções técnico-científicas relativas à saúde sexual e reprodutiva. Apesar de os adolescentes parecerem empoderados e seguros de suas escolhas, na prática a iniciação das experiências sexuais aumentava a “pressão interna” e os “conflitos”. Algumas jovens expressaram “vergonha”, “pudor” e “medo”, uma delas nos disse: “Para a mulher, as coisas são mais escondidas e será que isso tem a ver com seu corpo?” (A-30,16 anos). Outra narrativa feminina endossava a percepção do controle do corpo da mulher22: “A gente se priva do conhecimento do próprio corpo por conta de regras sociais sobre o que é certo e o que é errado, o que é ser homem e o que é ser mulher. Não é mole” (A-23, 17 anos).
Para eles/as, os discursos moralistas e reducionistas, associando a descoberta sexual feminina apenas ao “rompimento de uma pele”, cristalizam os “preconceitos concernentes à virgindade”. Nessa toada, eles/as seguiam decifrando os padrões hegemônicos de masculinidade22, em que o “homem deve perder a virgindade o mais cedo possível como prova de sua virilidade” (A-28, 18 anos) e a “mulher pode retardar tal decisão”, no sentido de “se guardar para o futuro marido” (A-03, 16 anos). Esses discursos, reconhecidos por eles/as como machistas, se contrapunham ao que buscavam em suas experiências afetivo-amorosas. A desconstrução dos estereótipos das normas de gênero permanece tencionando o modo como os/as jovens significam seus corpos, seus desejos e sua sexualidade16,21-23.
Nesse fio discursivo, a conversa em torno da identidade de gênero e da orientação sexual produzia ressonâncias. Para alguns adolescentes, “classificar” uma pessoa como “gay, lésbica ou cisgênero” significava normatizar a sexualidade. Para outros, a experiência de manifestar sua orientação sexual - “gay”, “lésbica” e “bissexual” - era vista como positiva, porém encontramos relatos de “insegurança e medo frente à essa descoberta” (A-05, 16 anos). O desconhecimento de como as práticas sexuais acontecem, entre cis heterossexuais ou entre as pessoas do mesmo sexo, ancorava “tabus” e “equívocos”. Comprovamos que, na atualidade, o dispositivo sexo-gênero-sexualidade configura novos regimes, gramáticas e significações, como enfatizado por Paiva13 e Carrara15.
Os discursos sobre o risco de gravidez seguem no centro das preocupações, gerando “medo”, proliferando a ideia de “abstinência sexual ou de interdições ao sexo”, e com frequência a gravidez aparece associada à “interrupção dos estudos”, à “falta de apoio familiar” e do “parceiro”. Evidências afirmam a recorrência dessa percepção entre jovens1,12,21 e enfatizam que a gravidez na adolescência é uma situação vulnerabilizadora24, por isso a “acuidade, competência teórica e técnica” são indispensáveis no trato desse assunto17.
As percepções de risco de gravidez apareciam vinculadas aos discursos do sexo seguro e da prevenção ao HIV, sob o enfoque biomédico e sociocultural12,16. Uma das intervenções do PPJ dispunha, na entrada da EFP, um display com preservativos masculinos e femininos, e ao lado um cartaz com a mensagem: “Previna-se contra o HIV: use camisinha”. Nos corredores do 2º andar eram avistados cartazes de campanhas contra a Aids, um deles com a fotografia de jovens gays se abraçando e segurando uma camisinha. Em outro cartaz, a cantora Kelly Key, que quando adolescente encantava a juventude com o hit “Baba baby”, sensualizava a camisinha e, segurando-a na boca, dizia: “Mostre que você cresceu. Neste Carnaval, use camisinha”. A mensagem remetia, implicitamente, à estrofe “baba, a criança cresceu”, convocando o jovem a ter responsabilidade e a adotar o sexo seguro e se prevenir contra o HIV. Na oficina, a análise dessas peças publicitárias pelos adolescentes mobilizou o diálogo sobre educação sexual e autocuidado, revelando o potencial desse tipo de metodologia nas práticas educativas13,19.
Entre fluidos, segredos e desejos, a dimensão subjetiva modulava as práticas de sexo seguro e da prevenção do HIV. Muitos adolescentes relatavam que usar o preservativo “cortava o clima” e o “prazer”. Na trilha do prazer-desprazer, a confiança no parceiro balizava a prática do sexo (in)seguro. Muitos adolescentes, apesar de cientes do risco de ISTs e de gravidez, narravam: “Na verdade a gente só transa [sem camisinha] com quem a gente gosta e confia” (A-02, 17 anos). Um dos professores reafirmou esse pensamento: “Muitos [jovens] usam a camisinha no início do relacionamento, mas com o tempo, quando já confiam no parceiro, eles abrem mão dessa proteção”.
Na visão de uma adolescente, o sexo desprotegido estava relacionado às normas de gênero, pois “as meninas fazem sexo sem camisinha para agradar o parceiro” (A-31, 18 anos); outras já associavam essa situação à “falta de amor próprio”, à “insegurança” e ao “medo”. Um grupo minoritário expressou que o sexo desprotegido teria relação com o “desejo de constituir uma família”, embora alguns adolescentes admitissem que esse assunto nem sempre era dito no momento da “negociação” do uso do preservativo. Em termos de escolha do preservativo, prevalecia a camisinha masculina, tendo em vista que parte considerável das adolescentes desconheciam a “camisinha feminina”, e entre aquelas que conheciam, diziam “ter pouca familiaridade”, relatando que era “incômoda”, “horrorosa”, “desconcentrava”. Apesar da maior quantidade de mulheres na EFP, observamos que o preservativo feminino ainda era pouco distribuído na escola, tendo como justificativa a dificuldade de obtê-lo no SUS.
Apesar das iniciativas de prevenção ao HIV na EFP, notamos que o assunto ainda era visto como um tema sensível, por vezes silenciado. Muitos estudantes relatavam “vergonha de falar com professores e pais”, preferindo conversar com amigos ou profissionais de saúde:
A maioria dos jovens tem receio de contar para os pais que teve uma relação sexual, e quando descobre que tem uma doença, cresce muito mais esse receio. Então ninguém fala, vejo que é proibido ter HIV, é proibido você fazer sexo. Até que isso tem se quebrado, mas é o que está, vamos dizer assim, nas grandes famílias tradicionais (A-25, 17anos).
Os sentidos transmissão-prevenção do HIV apareciam vinculados, sendo unânime o reconhecimento de que “usar camisinha é a melhor forma de se prevenir do HIV e de outras ISTs, além de gravidez” (A-09, 18 anos), convergindo em direção a outras evidências científicas1,12,13,21,23,24. Também conheciam a “contaminação” por compartilhamento de seringas e transmissão vertical, essa última foi mais enfatizada pelos estudantes do PPJ. Outros assuntos também mobilizavam curiosidades, a saber: diferenças entre as terminologias soropositivo para o HIV, sorodiscordantes e sorodiferentes; significados de carga viral (CD4e CD8); testagem; PrEP, PEP e PC; efeitos colaterais medicamentosos. Estudantes afirmaram que o pouco conhecimento ou o desconhecimento sobre PrEP, PEP e PC está relacionado às barreiras de acesso aos serviços e ao desinvestimento nas ações de comunicação de massa e no nível comunitário; percepção comum em outras realidades13,21,23. Estudos indicam que a ausência da representação de adolescentes nos anúncios das campanhas pode despertar a ideia de que a PrEP não é para eles23, por isso recomenda-se uma abordagem holística ao tema e sua inclusão nas políticas e programas de educação sexual1,2,13.
Para alguns estudantes, a percepção das novas possibilidades de tratamento incidia na decisão de usar ou não o preservativo e construía as representações do HIV como “tratável” e “curável”, e por digressão dissociavam a antiga imagem da Aids - uma doença que tem cara (gays) e mata1. No embalo das canções “Índios”, de Renato Russo, e “Ideologia”, de Cazuza, escolhidas pelos pesquisadores, discutiram-se os aspectos históricos da epidemia, como os estigmas relacionados à pessoa que vive com o HIV e a adesão às novas tecnologias de prevenção4,23, de modo a engajar a juventude na luta contra a Aids. Encorajada por esse debate, uma adolescente contou que já havia feito o teste; em meio a risos de tensão, disse: “Ufa, foi um alívio ler ‘Negativado para HIV’” (A-011-, 18 anos), reforçando a importância da testagem como prevenção23. Não escutamos depoimentos de soropositividade para HIV entre os estudantes, não sendo possível inferir se havia caso de infecção. Constatamos que o desconhecimento dos processos de transmissão-prevenção do HIV promove vulnerabilidades16,18 e requer uma comunicação factual e contextualizada5,6,23, de maneira que os jovens reflitam sobre suas experiências e se apropriem das informações científico-técnico disponibilizadas1,13. Dessa forma, é importante afirmar as conquistas semânticas, subjetivas, socioculturais, biomédicas e pragmáticas da história da Aids na esfera pública2,4,8,13,16,21.
Partidas (in)conclusas, o jogo continua?
Esta pesquisa seguiu a prerrogativa da escuta e da interação com o outro como condição do fazer científico. As experiências advindas desse encontro revelaram que o processo comunicativo construído na elaboração do jogo “Sexualidade e prevenção do HIV” conectou pesquisadores, professores e jovens e contribuiu para problematizar, de modo aberto, franco e contextualizado, temas a serem abordados na prevenção ao HIV na juventude, a saber: intersecções entre infecção por HIV, sexualidade, normas de gênero e religião; afetos e prazeres que determinam práticas sexuais protegidas (ou não); transmissão vertical; o direito de acesso à testagem, a PrEP, PEP e PC; os efeitos dos medicamentos na vida dos jovens.
A comunicação sobre a prevenção do HIV na juventude exige continuidade, metodologias problematizadoras e educação entre/por pares, de maneira a explicitar as gramáticas que buscam “desobjetificar” os corpos e tornar visíveis os “(d)efeitos da cor”, as dobradiças dos corpos que transitam entre os sexos e as normas sociais, a fé professada ou silenciada ou ainda o grito daqueles que se agarram com unhas e dentes nas bordas da vida.
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Financiamento
A pesquisa contou com o financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), por meio de edital (E_28/2014) e do fomento de uma Bolsa de Iniciação Científica (E_26/200.501/2015) à segunda autora deste manuscrito, à época estudante da graduação do curso Saúde Coletiva na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além do financiamento da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação no Edital de Recursos Educacionais Abertos (REA_2017).
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Declaração de disponibilidade de dados
As fontes de dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.
As fontes de dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.






Fonte: Autores, com dados coletados durante as atividades de campo entre os anos 2015 e 2018.
Fonte: Autores, com dados da oficina “Sexualidade, saúde e prevenção do HIV”, 2016 a 2018.
Fonte: Autores, com dados das atividades de campo coletados entre os anos 2015 e 2018.
Fonte: Autores, com dados coletados durante as atividades de campo entre os anos 2015 e 2018.
Fonte: Autores, com dados coletados durante as atividades de campo entre os anos 2015 e 2018.