RESUMO:
Objetivo: Avaliar o efeito de um podcast como uma ação educativa em alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na aprendizagem sobre hanseníase.
Método: Estudo prospectivo, quase-experimental. Foi realizada uma ação educativa com podcast educacional sobre hanseníase em escolas públicas de Recife, Pernambuco, 2024. A amostra foi composta por 211 alunos e a seleção foi do tipo não probabilística por conveniência. A coleta ocorreu por meio de questionário envolvendo conteúdos sobre hanseníase e foi utilizado McNemar para significância de mudanças.
Resultados: Após a intervenção, houve aumento da quantidade de alunos com conhecimento adequado, com a proporção de mudanças de erros no pré-teste para acertos no pós-teste maior (p < 0,05) do que a proporção de mudanças de acertos no pré-teste para erros no pós-teste para as questões.
Conclusão: Usar ferramentas como podcasts na educação em saúde possibilita acesso e propagação de informação, promovendo conhecimento e mudanças no comportamento de saúde individuais e coletivos.
DESCRITORES:
Hanseníase; Webcast; Educação; Saúde Pública; Educação em Saúde.
HIGHLIGHTS
O podcast educacional aumentou o conhecimento sobre hanseníase.
O podcast na educação combate preconceitos desmistificando a hanseníase.
O podcast facilita o acesso à informação sobre hanseníase.
ABSTRACT
Objective: Evaluate the effect of a podcast as an educational action on Youth and Adult Education (EJA) students in learning about leprosy.
Method: Prospective, quasi-experimental study. An educational action was carried out with an educational podcast about leprosy in public schools in Recife, Pernambuco, 2024. The sample consisted of 211 students and the selection was non-probabilistic by convenience. The collection took place through a questionnaire involving content about leprosy, and McNemar was used to assess the significance of the changes.
Results: After the intervention, there was an increase in the number of students with adequate knowledge, with the proportion of changes from errors in the pre-test to correct answers in the post-test being greater (p < 0.05) than the proportion of changes from correct answers in the pre-test to errors in the post-test for the questions.
Conclusion: Using tools like podcasts in health education enables access and dissemination of information, promoting knowledge and changes in individual and collective health behavior.
KEYWORDS:
Leprosy; Webcast; Education; Public Health; Health Education.
HIGHLIGHTS
The educational podcast increased knowledge about leprosy.
The podcast in education combats prejudices by demystifying leprosy.
The podcast facilitates access to information about leprosy.
RESUMEN
Objetivo: Evaluar el efecto de un podcast como una acción educativa en estudiantes de la Educación de Jóvenes y Adultos (EJA) en el aprendizaje sobre la lepra.
Método: Estudio prospectivo, casi-experimental. Se realizó una acción educativa con podcast educacional sobre lepra en escuelas públicas de Recife, Pernambuco, 2024. La muestra estuvo compuesta por 211 estudiantes y la selección fue de tipo no probabilístico por conveniencia. La recolección se realizó mediante un cuestionario que involucraba contenidos sobre lepra y se utilizó McNemar para la significancia de los cambios.
Resultados: Después de la intervención, hubo un aumento en la cantidad de estudiantes con conocimiento adecuado, con una proporción de cambios de errores en el pre-test a aciertos en el post-test mayor (p < 0,05) que la proporción de cambios de aciertos en el pre-test a errores en el post-test para las preguntas.
Conclusión: Usar herramientas como podcasts en la educación en salud posibilita el acceso y la propagación de información, promoviendo el conocimiento y cambios en el comportamiento de salud individuales y colectivos.
DESCRIPTORES:
Bacilo de Hansen; Webcast; Educación; Salud Pública; Educación en Salud.
HIGHLIGHTS
El podcast educativo aumentó el conocimiento sobre la lepra.
El podcast en la educación combate los prejuicios desmitificando la lepra.
El podcast facilita el acceso a la información sobre la lepra.
INTRODUÇÃO
Educação em saúde é um conjunto de ações desenvolvidas que visa à construção de conhecimentos na perspectiva da promoção de mudanças, capazes de melhorar a qualidade de vida dos indivíduos e/ou da comunidade. Constitui-se de uma ferramenta de intercâmbios entre o conhecimento científico e a população, de forma dinâmica e interativa, levando a resultados positivos1.
Diversos fatores dificultam e/ou atrasam o diagnóstico e tratamento da hanseníase, como o estigma, a dificuldade de acesso a informações corretas e adaptadas ao entendimento, o que leva a um atraso na procura por cuidados em saúde que pode acarretar em complicações severas da doença, inclusive causando incapacidades físicas, afetando economicamente não só o indivíduo/família, mas também o sistema de saúde. Sendo assim, a educação em saúde pode ser usada como ferramenta para evitar essas consequências2-4.
Nesse olhar, a educação em saúde ultrapassa os muros das unidades de atendimento, pois trabalha com a construção de conhecimentos, que pode ser desenvolvida em diversos locais como comércio, associações de moradores, locais de trabalho e escolas. Dentre estes, a escola constitui-se como local ideal para realização de ações de educação em saúde, considerando sua função fundamental na formação do ser humano1.
As ações de educação em saúde devem ser pensadas ou adaptadas garantindo acessibilidade e possibilitando a modificação de comportamentos em saúde. A educação em saúde orienta e fundamenta o saber em saúde. Com isso, a possibilidade de conhecimento pode neutralizar a marginalização, a carga social e a exclusão sentidas por aqueles afetados por doenças estigmatizadas como a hanseníase5-6.
Os profissionais envolvidos nas ações de educação em saúde devem planejar estratégias para maior envolvimento e participação dos alunos nas ações. É de fundamental importância considerar as necessidades e características do público-alvo, para que ele seja estimulado a participar do processo educacional, assim como definir os recursos adequados a serem utilizados7.
Entre os recursos tecnológicos para fins educacionais disponíveis, têm-se vídeos, cartilhas, panfletos, softwares, jogos, áudios, podcasts, entre outros. O podcast consiste em um recurso midiático de transmissão de informações por meio de um programa de rádio personalizado, que pode ser gravado em diversos formatos de áudio e armazenados em computador, disponibilizados na internet ou em plataformas de stream, podendo fazer uso de fala, música ou de ambos8. Essa tecnologia tem as vantagens de ser de baixo custo em sua produção e edição, de fácil divulgação e boa acessibilidade, sem demandar complexo aporte de recursos tecnológicos8-9.
Explorar as tecnologias educacionais, tal como o podcast, nos processos educacionais relacionados à saúde vem apresentando seus incontestáveis benefícios. Observa-se crescente quantitativo de trabalhos científicos, envolvendo a construção destas tecnologias, em temáticas relacionadas à promoção da saúde, devendo-se também explorar a efetividade destas em vários ambientes com diversos públicos para a produção de excelência2. Nesta perspectiva, o presente estudo objetivou avaliar o efeito de um podcast como uma ação educativa em alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na aprendizagem sobre hanseníase.
MÉTODO
Desenho do estudo
Estudo prospectivo, quase-experimental, desenvolvido segundo declaração Transparent Reporting of Evaluations with Non-randomized Designs (TREND), complemento da declaração Consolidated Standards of Reporting Trials (CONSORT). Neste modelo de estudo todos os participantes são expostos à intervenção, não havendo grupo de controle independente, avaliando-se e comparando-se o conhecimento antes da intervenção e após ela, a fim de analisar seu impacto10-12.
Local do estudo
A pesquisa foi desenvolvida em escolas públicas de ensino fundamental e médio da cidade do Recife, PE, Brasil, localizadas nos Distritos Sanitários (DS) IV e V.
A escolha de tais distritos deu-se por serem os distritos sanitários de Recife hiperendêmicos para hanseníase e esses distritos atendem em conjunto 29 bairros e 538,944 habitantes.
População
A população do estudo foi constituída por alunos do Programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). O EJA é uma modalidade de ensino criada em 1996 pelo governo federal, que contempla toda a educação básica, implementado em todo o Brasil. O programa foi desenvolvido com foco em jovens, adultos e idosos, impossibilitados de cursar a educação básica no tempo apropriado e na idade recomendada. Ele é dividido em duas modalidades: EJA Ensino Fundamental, para jovens com 15 anos que não finalizaram do 1º ao 9º ano; e EJA Ensino Médio, para pessoas maiores de 18 anos que não iniciaram ou finalizaram o ensino médio13.
Neste contexto, a escolha dessa população deu-se pela necessidade de ações educativas com este público-alvo, considerando que, apesar destes fazerem parte do Programa Saúde na Escola, não se observam ações de educação em saúde voltadas para a temática da hanseníase.
Critérios de seleção
Foram incluídos no estudo alunos com 18 anos ou mais, regularmente matriculados nas escolas e que estavam presentes no dia da intervenção. Não foram incluídos aqueles que apresentaram problemas auditivos que os impediam de participar da pesquisa e os que possuíam algum déficit cognitivo que comprometia a participação, segundo relato dos professores.
Definição da amostra
O tamanho mínimo da amostra (n = 193) foi definido utilizando-se a fórmula para teste de McNemar14-15 e populações infinitas. Foram consideradas proporção de fracasso-sucesso (p01 = 0,50), proporção sucesso-fracasso (p10 = 0,30), nível de significância igual a 0,05 (α = 0,05; zα = 1,96), poder do teste igual a 0,80 (β = 0,20; zβ = 0,84) e perda amostral estimada de 20%. As escolhas dos valores de p01 e p10 foram baseadas em porcentagem de, no mínimo, 50% de mudanças de fracasso-sucesso e, no máximo, 60% desse valor para mudanças sucesso-fracasso.
A seleção da amostra foi do tipo não probabilística, por conveniência, com a inclusão de duas escolas, uma de cada distrito sanitário vinculado à instituição, as quais foram sorteadas. A primeira escola possuía 322 alunos matriculados, onde todos os alunos presentes foram convidados. Porém, devido à elevada taxa de evasão escolar, obteve-se a participação de 138 alunos. A segunda escola possuía 153 alunos matriculados, onde realizou-se o mesmo procedimento, obtendo-se a participação de 73 alunos.
Variáveis do estudo
Foram descritas variáveis sociodemográficas e avaliado o conhecimento em aspectos específicos referentes à hanseníase no que se refere à transmissibilidade, ao diagnóstico, ao tratamento, à cura e aos direitos do cidadão ao tratamento.
Instrumento utilizado na coleta das informações
Para o pré e pós-teste, foram coletadas informações sociodemográficas e de conhecimento sobre hanseníase. Utilizou-se um questionário composto por sete questões sociodemográficas e 20 questões específicas referentes à hanseníase, abordando transmissibilidade, diagnóstico, tratamento, cura e direitos do cidadão ao tratamento, elaborado baseado em revisão de literatura e Manuais do Ministério da Saúde: guia prático sobre a hanseníase e diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da hanseníase como problema de saúde pública16-17.
Após a análise crítica do questionário, ele foi submetido à validação de conteúdo por juízes18. Participaram do processo de validação do questionário 22 juízes19 especialistas na/nas temática/s hanseníase e/ou educação em saúde e/ou tecnologia educacional. Os valores do Índice de Validade de Conteúdo19 para validação do conteúdo foram considerados valores maiores ou iguais a 0,80 na maioria dos itens avaliados, e os itens que não atingiram o valor foram reformulados até obter o valor para a validação.
Coleta de dados
A coleta de dados ocorreu nas escolas selecionadas e o processo se deu em sala de aula no turno da noite, onde todas as informações e etapas foram apresentadas aos participantes de forma coletiva. Em seguida, cada membro da equipe, composta por 11 alunos do curso de graduação em enfermagem, foi capacitado e supervisionado pela pesquisadora responsável.
Inicialmente, realizou-se o convite aos alunos, esclarecendo os objetivos da pesquisa, e que a participação dos mesmos era voluntária, sendo iniciada a coleta de dados somente após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que foi elaborado em linguagem acessível aos alunos, pois todos os participantes pertencem ao EJA ensino médio.
Foi aplicado o pré-teste no formato de entrevista individual, onde foi lida cada questão e aguardando que os participantes respondessem individualmente, passando para questão seguinte apenas quando todos já haviam respondido. Entre o pré e pós-testes, foi apresentado o Podcast educacional (A Mancha)20. Sobre hanseníase, utilizando caixa de som Bluetooth, possibilitando a todos ouvir o áudio com clareza. O podcast com duração de 12 minutos aborda questões referentes à hanseníase, como sinais e sintomas, tratamento, cuidados e prevenção. Aborda, ainda, o tratamento como direito legal do usuário e a importância da rádio comunitária, da enfermagem e do agente comunitário de saúde.
Após ouvir o podcast, o pós-teste foi aplicado seguindo o mesmo método do pré-teste. A coleta respeitou o tempo disponibilizado pelo professor e todo o processo ocorreu em sala de aula com média de duração de 60 minutos. Durante a aplicação da intervenção, destacou-se que o objetivo não era de atribuição de notas ou de avaliar acertos ou erros, mas da obtenção de informações sobre o conhecimento deles sobre a doença.
Durante todo o processo, os pesquisadores não realizaram qualquer tipo de explicação ou esclarecimento referente à hanseníase; entretanto, todos os questionamentos foram esclarecidos ao final da pesquisa, após a devolução do pós-teste.
Tratamento e Análise dos dados
Os dados obtidos foram digitados em formulário do Google Drive, sendo exportados para o IBM SPSS Statistics - 18 para análise. Os questionários foram identificados numericamente de forma que possibilitou confrontar a resposta do pré-teste com o pós-teste de cada participante.
Para análise estatística das alterações entre número de acertos e erros, em cada questão, antes e após a aplicação do Podcast, foi utilizado o teste McNemar para mudanças em proporções16-17.
As hipóteses testadas são: Ho: A proporção de mudanças de erros no pré-teste para acertos no pós-teste não difere da proporção de mudanças de acertos no pré-teste para erros no pós-teste; e Ha: A proporção de mudanças de erros no pré-teste para acertos no pós-teste é maior do que a proporção de mudanças de acertos no pré-teste para erros no pós-teste. O nível de significância utilizado nas análises foi igual a 0,05 (α = 5%).
Aspectos Éticos
O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco, sob o parecer n.° 2.885.556. A coleta de dados foi iniciada após aprovação do projeto.
RESULTADOS
Na Tabela 1 estão apresentados os resultados relativos ao perfil sociodemográfico dos alunos da EJA participantes do estudo.
Perfil sociodemográfico dos alunos da EJA participantes do estudo (n = 211). Recife, PE, Brasil, 2024
Sobre as vivências dos participantes em relação à temática da hanseníase, (171) 81% já haviam recebido alguma informação sobre a doença. Desses, as fontes mais frequentes foram a mídia (televisão, internet, folhetos, jornal), (58) (27,5%); as unidades de saúde, (38) (18,0%); seguidos por trabalho, (36) (17,1%); conhecidos e/ou familiares, (35) (16,6%); as escolas e os livros, (24) (11,4%); e a bíblia, (21) (9,9%). Em relação à experiência de ter algum conhecido e/ou familiar com a doença (165) (78,2%), afirmaram não conhecer alguém que tenha ou tenha tido hanseníase.
Os resultados apresentados na Tabela 2, obtidos com a aplicação do teste de McNemar para cada uma das questões, mostram que a proporção de mudanças de erros no pré-teste para acertos no pós-teste foi maior do que a proporção de mudanças de acertos no pré-teste para erros no pós-teste, para todas as questões exceto a 5, 6, 9 e 10.
Proporções de alunos do EJA com erro no pré-teste e acerto no pós-teste, e acerto no pré-teste e erro nos pós-teste, respectivamente, por questão. Recife, PE, Brasil, 2024 (n = 211)
Dessa forma, a proporção de participantes que passou a responder a maioria das questões de forma correta, após a intervenção educativa, foi maior do que a proporção de participantes que mudaram a resposta do acerto para o erro no pós-teste.
DISCUSSÃO
O perfil socioeconômico de alunos que frequentam o EJA é de jovens, trabalhadores, com baixa renda familiar, sendo muitas vezes um dos responsáveis pelo sustento daqueles com quem convive, como mostra o estudo de Ferreira21, em que o motivo predominante para o abandono dos estudos foi a necessidade de trabalhar. O estudo acima citado mostra perfil de estudantes semelhante ao deste estudo, em que a faixa etária prevalente é de 18-25 anos, solteiros, com um filho(a), trabalhadores, com renda familiar de um a dois salários-mínimos.
Os resultados mostram que a temática da hanseníase é divulgada nos meios de comunicação, uma vez que (171) 81% dos participantes já haviam ouvido falar a respeito da temática. Os locais onde eles ouviram sobre a doença referidos com maior frequência foram na mídia, sobressaindo-se a televisão, e nas unidades de saúde. Nessa perspectiva, observa-se os meios de comunicação em massa como televisão, internet, redes sociais, rádio e jornal como importantes ferramentas a se utilizar, a fim de disseminar informações de saúde, sendo o podcast um tipo de mídia que pode ser facilmente divulgada nesses meios de comunicação.
Tendo em vista que educar é comunicar-se, para que o processo ensino-aprendizado ocorra é necessário que exista uma comunicação efetiva entre educador e educando, uma vez que ambas as partes envolvidas são fundamentais em todo processo. Portanto, os meios de comunicação são importantes ferramentas a serem utilizadas nos processos educacionais, levando-se sempre em consideração as características socioculturais do aprendiz, para que o conteúdo possa ser adequado à realidade vivida e, desta forma, obter um processo educacional eficaz1.
Neste sentido, considerando o baixo custo de produção e edição, a facilidade de divulgação e acesso, assim como a gama de temáticas e abordagens que se pode fazer por meios do podcast, esse sobressai-se como instrumento facilitador de construção de conhecimento, podendo ser utilizado pelos profissionais da saúde22.
Observou-se que (42) 19,9% daqueles que já tinham ouvido falar da doença referiram ter recebido esta informação de algum familiar e/ou conhecido, evidenciando que as pessoas ao adquirirem conhecimento em saúde tornam-se multiplicadores no meio em que vivem, devendo-se, portanto, investir em ações de educação em saúde junto à comunidade. Corroborando com este achado, estudos sobre ações de educação em hanseníase no ambiente escolar mostram que os alunos que participaram destas ações se tornaram multiplicadores no meio em que vive23.
Diante do exposto, a escola enquanto órgão formador deve incluir temáticas relacionadas à saúde em seus conteúdos habitualmente trabalhados, fato esse reforçado com a criação do PSE, destacando a força da parceria entres escolas e unidades básicas de saúde para a melhoria da situação de saúde das comunidades1,24. Neste estudo, observa-se que a hanseníase é uma temática ainda pouco trabalhada no ambiente escolar, pois o percentual de alunos que já haviam ouvido falar sobre o assunto na escola e/ou em livros foi de (28) 13,3%. As discussões acerca da hanseníase podem vir a ser trabalhadas no ambiente escolar nas aulas de biologia e história, podendo-se utilizar recursos audiovisuais capazes de dinamizar essa discussão.
Estudos que trabalham a temática da hanseníase no ambiente escolar mostram os benefícios de abordar esta temática com os escolares, destacando as diversas abordagens e faixas etárias em que se pode explorar o tema. Porém, destaca-se as ações educativas que utilizam metodologias ativas em sua abordagem, mostrando maior envolvimento e empoderamento do aprendiz ao ser o autor da construção de seu conhecimento23,25-26.
Os resultados deste estudo evidenciaram que o conhecimento dos participantes no pré-teste foi em sua maioria parcialmente inadequado ou parcialmente adequado, mostrando que, apesar de a maior parte dos alunos já terem recebido alguma informação sobre a hanseníase, o conhecimento que possuíam não era suficiente para responder às questões corretamente, gerando a reflexão sobre a qualidade e a forma com que essas informações em saúde vêm sendo abordadas com a população.
A fim de desenvolver uma relação dialógica5 durante o processo educativo, facilitar e dinamizar o processo ensino-aprendizado, o profissional pode fazer uso dos recursos auxiliares disponíveis27. No caso do presente estudo o uso do podcast como tecnologia educacional mostrou-se eficaz no aumento do conhecimento dos alunos da EJA sobre hanseníase, evidenciando a importância do uso de recursos como este ao realizar ações educativas. Corroborando com este estudo, outras pesquisas também mostram a efetividade destes recursos na educação em saúde13,27-28.
Ao realizar ações de educação em saúde é de suma importância levar em consideração as questões sociais, culturais e econômicas, tendo em vista a intrínseca relação entre elas1. O podcast apresentado no presente estudo abordou estas questões, colocando em evidência a cura da doença, a cessação da transmissão após o início do tratamento, não necessitando, portanto, que o paciente interrompa suas atividades habituais nem se isole da sociedade; além de trazer questões como a importância da rádio comunitária e do agente comunitário de saúde, e destacando o tratamento como um direito de todo cidadão, sendo possível observar o aumento no conhecimento dos participantes sobre estes aspectos da temática.
Diante do exposto, reforça-se a educação em saúde como um instrumento de empoderamento do indivíduo/comunidade, um meio pelo qual o conhecimento técnico-científico se integra ao conhecimento popular. Quando realizada de forma horizontalizada, dialógica, considerando os aspectos socioculturais e econômicos, é capaz de aumentar o conhecimento dos participantes e repercutir positivamente na situação de saúde de uma população/comunidade4-5.
São limitações deste estudo a amostragem não probabilística e a ausência de cegamento (informação sobre a alocação dos participantes nos Grupos Controle e Intervenção). Foi utilizada apenas para o profissional que realizou a análise dos dados, pois os participantes tinham conhecimento da intervenção e o pesquisador responsável participou de todo o processo, supervisionando inclusive a aplicação dos instrumentos de coleta de dados no pré e pós-teste.
CONCLUSÃO
Neste estudo foi possível identificar que o conhecimento dos alunos da EJA sobre a hanseníase era inadequado, apesar de já terem ouvido falar a respeito da doença. Ficou evidente o efeito positivo do podcast como tecnologia educacional, o qual repercutiu promovendo a melhora do conhecimento dos alunos da EJA acerca da hanseníase, reforçando a importância de implementar as tecnologias nos processos educacionais.
A educação em saúde constitui-se importante ferramenta promotora da saúde, sendo um espaço que possibilita a integração do saber técnico-científico e do saber popular. Educar em saúde vai além da transmissão de informações, consiste no despertar no indivíduo/comunidade o empoderamento e a corresponsabilidade pela situação de saúde da coletividade. Sendo, portanto, de suma importância realizar ações educativas em saúde, a fim de promover a melhoria do cenário de saúde em seus diversos aspectos, como, por exemplo, no campo das doenças negligenciadas como a hanseníase.
Destaca-se a importância em abordar, além das questões biológicas referentes à doença, os aspectos culturais e sociais, para que se possa desmistificar os mitos e preconceitos e reafirmar junto ao indivíduo/comunidade o seu direito à saúde.
Sugere-se a realização de estudos implementando esta tecnologia com outros públicos, a fim de verificar se ele também se mostrará eficaz em outras populações. Também se destaca a importância de não apenas construir e validar as tecnologias educacionais, mas também desenvolver estudos que verifiquem seu efeito junto à comunidade, para que dessa forma outros profissionais possam usá-las com respaldo científico.
AGRADECIMENTOS
O presente trabalho foi realizado com apoio do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica - PROCAD/CAPES edital 071/2013.
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COMO REFERENCIAR ESTE ARTIGO:Ferreira MC, Costa RHG da, Muniz RAA, Santos CR dos, Santos CB dos, Vasconcelos EMR de. Educational podcast on leprosy as a learning resource. Cogitare Enferm. [Internet]. 2024 [cited “insert year, month and day”]; 29. Available from: https://doi.org/10.1590/ce.v29i0.96968.
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Artigo extraído da dissertação do mestrado: “INTERVENÇÃO EDUCATIVA UTILIZANDO UM PODCAST EDUCACIONAL SOBRE HANSENÍASE”, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brasil, 2019.;
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Editora associada:
Dr. Gilberto Tadeu Reis da Silva
