Open-access CONHECIMENTO DE ESTUDANTES DO ENSINO SECUNDÁRIO SOBRE SUPORTE BÁSICO DE VIDA

RESUMO:

Objetivo:  Avaliar os conhecimentos dos estudantes do ensino secundário sobre suporte básico de vida e analisar as associações entre o nível de conhecimento e as variáveis sociodemográficas e académicas.

Método:  Estudo quantitativo, descritivo, transversal e correlacional. Amostra constituída por 59 estudantes do ensino secundário de uma Escola Secundária da área metropolitana do Porto - Portugal. Recorreu-se análises descritivas, coeficiente de correlação de Pearson e teste t (ou testes não-paramétricos quando os pressupostos não se verificavam).

Resultados:  35 (59,3%) tinham formação em suporte básico de vida e 52 (88,1%) possuíam interesse para realizar a formação. Apenas sete (11,9%) tinham conhecimento sobre um desfibrilhador externo automático e 14 (23,7%) identificaram em que momento deve-se pedir ajuda diferenciada.

Conclusão:  O conhecimento sobre suporte básico de vida pode contribuir para obter-se melhores resultados em situações de paragem cardiorrespiratória, devendo os estudantes aumentar as competências nesta área, com recurso à formação no contexto escolar.italares, assim como a constituição de ações custo-efetivas voltadas à redução das internações por Sífilis Congênita.

DESCRITORES:
Estudantes; Primeiros Socorros; Reanimação Cardiopulmonar; Conhecimento.

HIGHLIGHTS

59,3% possuem formação em suporte básico de vida.

Integrar o suporte básico de vida nos programas formativos.

Treinar regularmente para desenvolver as habilidades necessárias.

ABSTRACT

Objective:  Evaluate high school students’ knowledge about basic life support and analyze the associations between the level of knowledge and sociodemographic and academic variables.

Method:  Quantitative, descriptive, cross-sectional, and correlational study. The sample consisted of 59 high school students from a Secondary School in the metropolitan area of Porto - Portugal. Descriptive analyses, Pearson’s correlation coefficient, and t test (or non-parametric tests when assumptions were not met) were used.

Results:  35 (59.3%) had basic life support training, and 52 (88.1%) were interested in undergoing the training. Only seven (11.9%) were aware of an automatic external defibrillator and 14 (23.7%) identified when to seek specialized help.

Conclusion:  Knowledge about basic life support can contribute to achieving better outcomes in situations of cardiorespiratory arrest, and students should increase their skills in this area by using training in the school context.

KEYWORDS:
Students; First Aid; Cardiopulmonary Resuscitation; Knowledge.

HIGHLIGHTS

59.3% have basic life support training.

Integrate basic life support into training programs.

Train regularly to develop the necessary skills.

RESUMEN

Objetivo:  Evaluar los conocimientos de los estudiantes de educación secundaria sobre soporte vital básico y analizar las asociaciones entre el nivel de conocimiento y las variables sociodemográficas y académicas.

Método:  Estudio cuantitativo, descriptivo, transversal y correlacional. Muestra constituida por 59 estudiantes de educación secundaria de una Escuela Secundaria del área metropolitana de Porto - Portugal. Se recurrieron análisis descriptivos, coeficiente de correlación de Pearson y prueba t (o pruebas no paramétricas cuando no se verificaban los supuestos).

Resultados:  35 (59,3%) tenían formación en soporte vital básico y 52 (88,1%) tenían interés en realizar la formación. Solo siete (11,9%) tenían conocimiento sobre un desfibrilador externo automático y 14 (23,7%) identificaron en qué momento se debe pedir ayuda diferenciada.

Conclusión:  El conocimiento sobre soporte vital básico puede contribuir a obtener mejores resultados en situaciones de paro cardiorrespiratorio, debiendo los estudiantes aumentar las competencias en esta área, con recurso a la formación en el contexto escolar.

DESCRIPTORES:
Students; First Aid; Cardiopulmonary Resuscitation; Knowledge.

HIGHLIGHTS

El 59,3% tiene formación en soporte vital básico.

Integrar el soporte vital básico en los programas formativos.

Entrenar regularmente para desarrollar las habilidades necesarias.

INTRODUÇÃO

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), diariamente, existem cerca de 20 mil pessoas vítimas de morte súbita. Na Europa e América do Norte ocorrem por ano entre 50 a 100 situações de Paragem Cardiorrespiratória (PCR) por cada 100 000 habitantes1. Anualmente a PCR ocorre fora das instituições de saúde, afetando 250 000 e 300 000 pessoas em todo o mundo2. Portugal não é exceção, tendo-se verificado 21 603 pessoas vítimas de PCR3, constituindo um problema de saúde pública.

O reconhecimento precoce, a ativação do serviço de emergência médica e a realização de suporte básico de vida (SBV) são fatores determinantes para aumentar a probabilidade de sobrevivência da pessoa. Todas estas etapas dependem dos conhecimentos e das ações de terceiros. Majoritariamente, estas situações ocorrem na comunidade, sendo essencial que qualquer cidadão esteja habilitado para prestar o socorro necessário com base nas recomendações internacionais. O conhecimento básico de suporte à vida aumenta a responsabilidade social e os valores humanos4.

A PCR consiste na cessação da circulação e da respiração, reconhecidas pela ausência de batimentos cardíacos e respiratórios numa vítima inconsciente5, resultando num quadro clínico de inconsciência, apneia, ausência de resposta aos estímulos e inexistência de pulsos palpáveis6. Frequentemente as PCR ocorrem na população adulta e a sua incidência tende a aumentar com a idade. Devido aos fatores de risco cardiovascular, os homens apresentam um risco três a quatro vezes superior de PCR comparativamente com as mulheres, contudo, esta discrepância tem vindo a diminuir. Após uma PCR, a vítima perde 10% de hipóteses de sobrevivência a cada minuto que passa. Desta forma, ao fim de cinco minutos sem assistência, a vítima tem apenas 50% de probabilidade de sobreviver7.

O SBV constitui um conjunto de procedimentos padronizados visando manter a circulação e ventilação até à chegada da ajuda especializada, melhorando as probabilidades de sobrevivência8. É fundamental uma rápida intervenção de quem presencia uma PCR, com base na cadeia de sobrevivência. Os elos da cadeia são: a) o reconhecimento precoce e ativação do sistema de emergência médica; b) a reanimação imediata com a instituição de manobras de SBV; c) a desfibrilação precoce; e, d) o suporte avançado de vida (SAV)8. Consiste no reconhecimento e tentativa de correção imediata da falência dos sistemas respiratório e/ou cardiovascular até à chegada da equipa especializada. Os procedimentos, quando efetuados de forma eficaz e rápida, permitem diminuir as taxas de mortalidade associados à PCR e aumentar a probabilidade de sobrevivência. As dificuldades sentidas na realização da reanimação cardiorrespiratória devem-se à falta de conhecimento, treino inadequado, falta de habilidades e à falta de confiança para realizar o procedimento10.

A capacitação, orientação e treino de habilidades nos jovens, especialmente junto dos estudantes, é essencial para o reconhecimento e intervenção precoce de SBV em emergências. Ela também proporciona diferentes cenários de ensino-aprendizagem, interação ativa entre os participantes promovendo a autonomia, horizontalidade dos agentes envolvidos e multidisciplinariedade11.

Definiram-se como objetivos: avaliar os conhecimentos dos estudantes do ensino secundário sobre suporte básico de vida e analisar as associações entre o nível de conhecimento e as variáveis sociodemográficas e acadêmicas.

MÉTODO

Estudo quantitativo, descritivo, transversal e correlacional representativo das etapas iniciais de um estudo mais amplo de investigação-ação até a fase de diagnóstico preliminar.

A amostra envolveu estudantes que frequentam o 10º ano (n = 59) numa Escola Secundária da Área Metropolitana do Porto, em Portugal. Amostra não probabilística de conveniência segundo os critérios de inclusão: Estudantes matriculados no 10° ano, com participação na sessão formativa sobre SBV, com consentimento informado assinado pelo encarregado de educação. Estes estudantes do 10º ano apresentam entre 14 e 15 anos de idade e encontram-se no primeiro de três anos que integram o ensino secundário. Após o 12º ano, o estudante poderá prosseguir os estudos no ensino superior.

Obteve-se parecer favorável da Comissão de Ética P17-S28-14/09/2022 e da instituição de ensino para a realização do estudo. Foi solicitado o consentimento para a participação dos estudantes neste estudo onde foram apresentados objetivos, intervenção, e equipe de investigação aos representantes legais. Também foi solicitada a autorização para a utilização do instrumento de avaliação, a qual foi concedida.

A intervenção foi estruturada numa primeira parte expositiva durante a qual foram apresentados os conteúdos teóricos, com recurso à visualização de vídeos e na segunda parte realizou-se a demonstração e treino de prática simulada em manequins. A intervenção e colheita de dados foi realizada durante outubro de 2022 no decurso planejado das aulas letivas.

Foi aplicado um questionário subdividido em três partes: 1) dados sociodemográficos e acadêmicos; 2) formação e experiência em SBV; 3) opiniões e conhecimentos sobre SBV11. Foram inseridas questões de caracterização nos dados sociodemográficos e acadêmicos. A formação e a experiência em SBV foi aferida pela tipologia de formação e experiências anteriores na área.

O nível de conhecimento foi avaliado por 20 questões sobre SBV, tendo por base as guidelines do European Resuscitation Council de 2021: Conceito de cadeia de sobrevivência; Conhecimento do número de emergência médica; Avaliação das condições de segurança; Avaliação do estado de consciência e ausência de respiração como sinais PCR; Permeabilização de via aérea (VA); Técnica de avaliação da respiração; Tempo máximo dedicado à técnica de avaliação da respiração; Taxa de compressões torácicas e ventilações com um ou vários reanimadores; Solicitação de ajuda especializada; Início das manobras RCR com compressões torácicas e/ou ventilação; em que situações suspender manobras SBV; Local correto, Depressão tórax, Taxa de compressões torácicas por minuto; Quando colocar uma vítima em PLS; Conhecimento Desfibrilhador Automático Externo (DAE) para desfibrilhação.

As análises dos dados foram realizadas com recurso ao software estatístico IBM SPSS Statistics (versão 28). Começou-se por criar a variável Conhecimentos relativos ao SBV que, para cada elemento da amostra, contabiliza o número de respostas corretas às 20 questões de escolha múltipla sobre os conhecimentos relativos ao SBV. Quanto às 20 questões que avaliam o conhecimento sobre SBV, foi atribuída a classificação de 1 ponto às respostas certas e 0 pontos às respostas erradas. A pontuação final atribuída ao conhecimento sobre SBV variaentre 0 a 20 pontos, com a pontuação diretamente proporcional ao conhecimento adquirido.

Posteriormente, realizou-se uma análise descritiva das variáveis em estudo. Para analisar a relação entre nível de conhecimento sobre SBV e idade, recorreu-se ao coeficiente de correlação de Pearson. Para analisar a relação entre aquele nível de conhecimento e outras variáveis sociodemográficas e de contexto socioeducativo, recorreu-se ao teste t de Student para duas amostras independentes, após validação do pressuposto de normalidade das médias amostrais e do pressuposto de homogeneidade das variâncias. Nos casos em que o pressuposto de homogeneidade das variâncias falha, recorreu-se ao teste t de Welch. No caso da variável que indica se o estudante alguma vez socorreu alguém em perigo de vida, o pressuposto de normalidade não pôde ser validado devido à dimensão de um dos grupos a comparar, pelo que se recorreu ao teste não-paramétrico de Mann-Whitney. Considerou-se um nível de significância de 0,05.

RESULTADOS

Participaram 59 estudantes do 10º ano, com idades compreendidas entre os 15 e 17 anos (M = 15,66 anos; DP = 0,63). Nesta amostra, 29 (49,2%) são do gênero feminino, 25 (42,4%) do gênero masculino, cinco (8,4%) não se identificaram nesta dualidade de gênero, preferindo não responder, frequentam cursos que se enquadram na área das Artes Visuais (n = 15; 25,4%) ou das Ciências e Tecnologia (n = 44; 74,6%).

Na Tabela 1, verifica-se que 35 (59,3%) estudantes têm formação e experiência em SBV, tendo a grande maioria (n = 34; 97,1%) adquirido essa formação na escola. O mais frequente foi encontrar estudantes que nunca tiveram de socorrer alguém em perigo de vida (n = 52; 88,1%) mas, relativamente aos que já tiveram de o fazer, a asfixia foi a situação mais reportada. Salienta-se que, dos 7 estudantes que já socorreram alguém em perigo de vida, 6 (85,7%) tinham formação em SBV.

Tabela 1
Formação e experiência em SBV. Porto, Portugal, 2022

Relativamente à formação na área, dos estudantes que nunca tinham socorrido ninguém, no gênero feminino (n = 22; 75,9%), bem como no grupo de estudantes que não se identificam com a dualidade de gênero (n = 3; 60,0%), a maioria tinha formação e experiência em SBV, o mesmo não acontece no gênero masculino, onde a maioria (n = 15; 60,0%), não possui essa formação (Tabela 1).

Quando questionados até que ponto sentem-se capazes de realizar SBV, cinco estudantes (8,5%) responderam que se sentem completamente incapazes, 17 (28,8%) afirmaram ter dúvidas sobre as suas capacidades, 25 (42,4%) dizem ter conhecimentos teóricos que nunca foram colocados em prática e 12 (20,3%) sentem-se capazes de realizar SBV.

Pela Tabela 2, é possível verificar que, no gênero feminino o mais frequente foi encontrar estudantes que têm conhecimentos teóricos, mas nunca os colocaram em prática (n = 15; 51,7%) e o menos frequente foi encontrar estudantes que se sentiam completamente incapazes de prestar SBV (n = 2; 6,9%). No entanto, embora a resposta menos frequente permaneça a mesma no gênero masculino (n = 3; 12,0%), o mais frequente foi encontrar estudantes do gênero masculino que tinham dúvidas sobre as suas capacidades em ajudar alguém (n = 9; 36,0%).

Tabela 2
Capacidade para realizar SBV, por gênero, conforme tenham ou não formação e experiência em Suporte Básico de Vida e por área científica. Porto, Portugal, 2022

No grupo de estudantes que não se identificaram com a dualidade de gênero, o mais frequente foi encontrar estudantes que se sentiam completamente capazes de prestar SBV (n = 2; 40,0%), mas também estudantes que, embora tendo os conhecimentos teóricos, nunca os tinham colocado em prática (n = 2; 40,0%). Também é possível verificar que, no grupo de estudantes que tiveram formação em SBV, o mais frequente foi encontrar estudantes com conhecimentos teóricos, mas nunca os colocaram em prática (n = 19; 54,3%) e o menos frequente foi encontrar os que se sentiam incapazes de prestar SBV (n = 1; 2,9%). Nos estudantes que nunca tiveram formação em SBV, o mais frequente foi encontrar estudantes do gênero masculino que tinham dúvidas sobre as suas capacidades em poder ajudar alguém (n = 11; 45,8%) (Tabela 2).

No que diz respeito à área científica, observou-se que 11 (73,3%) estudantes das Artes Visuais e 14 (31,8%) das Ciências e Tecnologia indicaram possuir conhecimentos teóricos mas nunca os colocaram em prática, embora a segunda tenha registado um igual número de estudantes com dúvidas sobre as suas capacidades em poder ajudar alguém (Tabela 2).

Relativamente às necessidades formativas e importância atribuída ao SBV, 52 (88,1%) estudantes sentem interesse ou necessidade de adquirir mais conhecimentos e formação, com 55 (93,2%) a considerar importante a realização de formação e 40 (67,8%) a demonstrar disponibilidade para realizar tal formação. Mais de metade da amostra (n = 35; 59,3%) afirma que a escola disponibiliza formação em SBV na forma curricular ou extracurricular, afirmando que foi disponibilizada, sobretudo, no 10º ano de escolaridade (ver Tabela 3).

Tabela 3
Necessidades formativas e importância atribuída ao SBV. Porto, Portugal, 2022

Na Tabela 4, apresentam-se as opiniões acerca do SBV. Verificou-se, com a exceção das afirmações “Jamais providenciaria SBV a estranhos” e “Jamais providenciaria respiração boca a boca a estranhos”, que a maioria concorda muito ou muitíssimo com as restantes afirmações. Esta situação é mais evidente na afirmação “Os professores devem ter conhecimentos sobre SBV”, com 57 (97%) dos 59 a concordar muito ou muitíssimo com a afirmação. Relativamente a quem deve realizar a formação sobre SBV, verificou-se maior percentagem, 51 (86%) a concordar muito ou muitíssimo com o INEM ou os Bombeiros como entidades formadoras, embora uma percentagem elevada de estudantes, 49 (83%) tenha a mesma opinião sobre as escolas.

Tabela 4
Opiniões dos estudantes sobre SBV. Porto, Portugal, 2022

A afirmação “Jamais providenciaria SBV a estranhos” foi aquela em relação à qual os estudantes mais discordaram, com a maioria da amostra (n = 36; 61%) a não concordar ou a concordar pouco com a afirmação. Seguiu-se a afirmação “Jamais providenciaria respiração boca a boca a estranhos”, com 23 (39%) dos estudantes a não concordar ou a concordar pouco. Salienta-se, a elevada percentagem de estudantes que concordam muito ou muitíssimo com estas afirmações, 21 (36%) no caso da primeira e 23 (39%) no caso da última, sendo que, no caso da afirmação “Jamais providenciaria respiração boca a boca a estranhos”, as opiniões extremas ocorreram com a mesma frequência. Ressalta-se a elevada percentagem (n = 40; 68%) que concordam muito ou muitíssimo com a afirmação “Qualquer cidadão pode fazer SBV”, embora os que têm a mesma opinião sobre a necessidade de todos os cidadãos terem conhecimentos sobre SBV também sejam em número elevado (n = 40; 85%) (Tabela 4).

No que diz respeito ao conhecimento dos estudantes sobre SBV, a Tabela 5 apresenta o número de estudantes que responderam corretamente a cada uma das 20 questões do teste de conhecimentos.

Tabela 5
Número de estudantes que responderam corretamente a cada uma das questões do questionário de SBV. Porto, Portugal, 2022 (n = 59)

Quanto ao número nacional de emergência médica, é praticamente conhecido pela totalidade da amostra (n = 57; 96,6%). Mais da metade da amostra conhece o conceito de cadeia de sobrevivência (n = 32; 54,2%), os procedimentos para avaliar o nível de consciência de uma vítima (n = 45; 76,3%), os sinais de PCR (n = 36; 61,0%), a técnica de avaliação da respiração (n = 41; 69,5%), a taxa de compressões/ventilações com apenas um reanimador (n = 34; 57,6%) ou com vários (n = 40; 67,8%) e como se devem iniciar as manobras de reanimação cardiorrespiratória, de acordo com as atuais recomendações (n = 39; 66,1%). Nas demais questões, a percentagem de respostas corretas é inferior a 50%, destacando-se a última questão, sobre o conhecimento da abreviatura DAE, já que apenas 7 (11,9%) dos 59 identificaram, corretamente, a abreviatura para DAE.

Adicionalmente, para avaliar os conhecimentos relativos ao SBV, procedeu-se à contagem do número total de respostas corretas às 20 questões do questionário sobre SBV, para cada estudante, tendo-se verificado que aquele número variou entre 3 e 16 respostas corretas (M = 9,78; DP = 3,21), não se tendo observado uma correlação estatisticamente significativa entre a pontuação deste teste e a idade do estudante (r (57) = -,105; p = ,427).

A Tabela 6 apresenta a análise das diferenças na pontuação do questionário sobre SBV, entre os grupos definidos por diversas variáveis sociodemográficas e de contexto socioeducativo. Pela análise da Tabela 6, conclui-se que as diferentes variáveis sociodemográficas e de contexto socioeducativo não influenciam significativamente os resultados do teste de conhecimentos.

Tabela 6
Conhecimentos relativos ao SBV, de acordo com variáveis sociodemográficas e de contexto socioeducativo. Porto, Portugal, 2022

DISCUSSÃO

Para que exista a mudança de prática baseada em evidências é importante compreender as necessidades da população, aumentar a satisfação e a segurança das pessoas. Cerca de 59,3% possuem formação e experiência em SBV. Destes, 97,1% adquiriu a formação em contexto escolar. Dos estudantes do gênero masculino, 60% não possuem formação em SBV e 68% demonstraram disponibilidade e motivação para realizar a formação. Dados vão ao encontro do estudo desenvolvido11 onde 57% tiveram formação em SBV em alguma fase das suas vidas. Num estudo12 verificou-se que a maioria conhece as etapas do SBV, contudo a informação deve estar acessível a todos e fazer parte integrante dos conteúdos programáticos, de modo, a desenvolverem e melhorarem os conhecimentos e habilidades práticas. O empoderamento tende a gerar maior autoconfiança para a realização das intervenções. As habilidades adquiridas não ficam consolidadas porque não constituem uma prática regular, existindo poucas atividades formativas para atualização de conhecimentos13. Quando questionados sobre até que ponto sentem-se capazes de realizar SBV a alguém, 8,5% sentem-se completamente incapazes e 28,8% afirmaram ter dúvidas sobre as suas capacidades em poder ajudar alguém. O treino periódico em SBV melhorou os conhecimentos, habilidades e a eficácia das práticas de SBV durante o treino e em situações reais, afetando positivamente a autoestima e a auto-eficácia14.

Relativamente às opiniões acerca do SBV apurou-se que 61% discorda com a afirmação “Jamais providenciaria SBV a estranhos” e 39% discorda que “Jamais providenciaria respiração boca a boca a estranhos”. É essencial formar pessoas que não são profissionais de saúde, mas que estejam capacitadas e sintam-se seguras para agir, desde os primeiros anos de escolaridade até ao ensino superior15. De igual modo, verificou-se que 87,8% dos participantes consideram que “Qualquer cidadão pode fazer SBV” e 84,8% demonstram conscientização para a necessidade de todos os cidadãos possuírem conhecimentos sobre SBV. Um estudo16, enfatiza a importância de melhorar o conhecimento incluindo nos programas curriculares de forma sistematizada, referindo a utilização de meios de comunicação como Facebook®, Twitter®, anúncios televisivos e internet, para informações sobre SBV.

Cerca de 35,6% sabem em que circunstâncias devem avaliar a circulação e 23,7% quando pedir ajuda diferenciada; 32,2% tem conhecimento da taxa de compressões torácicas por minuto e 30,5% sabem quando colocar uma vítima em PLS, cerca de 11,9% conseguiram identificar a abreviatura para DAE. Resultados concordantes com estudos, que mencionam dificuldades no reconhecimento de situações que carecem de intervenção urgente7,17. A evolução dos algoritmos e a situação pandémica tem induzido algumas alterações nas taxas das compressões/insuflações, o que poderá ser um fator confusional no conhecimento. É importante a rápida avaliação da vítima para poder decidir sobre a intervenção adequada: PLS ou SBV8. As crianças e jovens, mesmo não tendo domínio e conhecimento da técnica de compressões cardíacas, podem ter um papel essencial em alertar adultos sobre situações de potencial necessidade de SBV17.

Este estudo apresenta limitações, nomeadamente o tamanho reduzido da amostra o que pode dificultar a identificação de diferenças significativas nos resultados encontrados. A avaliação dos conhecimentos foi realizada através de um questionário que avalia os conhecimentos teóricos, não abordando as competências práticas.

CONCLUSÃO

O conhecimento geral dos EES acerca de SBV é insuficiente, necessitando de melhoria quanto à permeabilização da VA, ao pedido de ajuda diferenciada, taxa de compressões torácicas por minuto, quando colocar uma vítima em PLS e conhecimento da abreviatura DAE.

A realização da formação proporcionou a aquisição de conhecimentos e habilidades relacionadas com as práticas de SBV, sendo que os estudantes de gênero masculino apresentaram mais dúvidas sobre as suas capacidades para auxiliar alguém. Evidencia-se a necessidade de intervir nas áreas identificadas de menor conhecimento definindo estratégias de intervenção visando capacitar e sensibilizar para as práticas de RCP.

Verifica-se a necessidade de desenvolver estudos que permitam avaliar os conhecimentos antes, após a formação e avaliação de follow-up para se compreender a eficácia dos programas formativos e a consolidação de conhecimentos em cenários educativos do ensino secundário.

AGRADECIMENTOS

Este estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia - FCT (Ministério Português de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior), no âmbito da bolsa UIDB/05380/2020. Financiamento em acesso aberto disponibilizado pela FCT|FCCN (b-on)

  • COMO REFERENCIAR ESTE ARTIGO:
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  • Editora associada:
    Dra. Luciana Nogueira

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    09 Dez 2024
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    27 Fev 2024
  • Aceito
    24 Jul 2024
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