Open-access Percepção da carga de trabalho dos enfermeiros de um Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica*

RESUMO

Objetivo:  Avaliar a percepção da carga individual de trabalho dos enfermeiros do Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica de uma Unidade Local de Saúde do Norte de Portugal e explorar a relação entre a percepção da carga de trabalho e variáveis sociodemográficas e profissionais.

Método:  Estudo transversal descritivo-correlacional e quantitativo. Recorreu-se à escala Individual Workload Perception Scale-Revised para avaliar a percepção da carga de trabalho. A análise utilizou os testes t ou U de Mann-Whitney, análise de variância ou Kruskal-Wallis.

Resultados:  A média do escore global da escala foi de 73,73 (DP=9,21), indicando percepção moderadamente positiva. A dimensão “Suporte do enfermeiro gestor” apresentou a menor média por item (3,01). Verificaram-se diferenças estatisticamente significativas em função do tempo de exercício profissional (p=0,001) e do tempo de exercício no serviço atual (p < 0,001).

Conclusão:  A carga de trabalho percebida possui margem para melhorias por meio de ambientes mais positivos e sustentáveis.

DESCRITORES:
Enfermeiros; Percepção; Serviço Hospitalar de Emergência; Carga de Trabalho; Condições de Trabalho.

HIGHLIGHTS

1. Os serviços de urgência são ambientes altamente dinâmicos.

2. Verificou-se uma percepção global moderada da carga de trabalho.

3. A carga de trabalho percebida se associou a diferentes variáveis.

4. Avaliar a carga de trabalho orienta medidas para ambientes positivos.

ABSTRACT

Objective:  To assess the perception of individual workload among nurses in the Medical-Surgical Emergency Service of a Local Health Unit in Northern Portugal and to explore the relationship between the perception of workload and sociodemographic and professional variables.

Method:  This is a descriptive-correlational and quantitative cross-sectional study. The Individual Workload Perception Scale-Revised was used to assess workload perception. The analysis used the Mann-Whitney t-test or U test, analysis of variance, or Kruskal-Wallis test.

Results:  The mean overall score on the scale was 73.73 (SD=9.21), indicating a moderately positive perception. The “Nurse manager support” dimension had the lowest mean score per item (3.01). Statistically significant differences were found based on professional experience (p=0.001) and current job experience (p < 0.001).

Conclusion:  The perceived workload has room for improvement through more positive and sustainable environments.

DESCRIPTORS:
Nurses; Male; Perception; Emergency Service; Hospital; Workload; Working Conditions.

HIGHLIGHTS

1. Emergency services are highly dynamic environments.

2. A moderate overall perception of workload was observed.

3. Perceived workload was associated with different variables.

4. Assess workload guides measures for positive environments.

RESUMEN

Objetivo:  Evaluar la percepción de la carga de trabajo individual entre el personal de enfermería del Servicio de Urgencias Médico-Quirúrgicas de una Unidad de Salud Local en el norte de Portugal y explorar la relación entre la percepción de la carga de trabajo y las variables sociodemográficas y profesionales.

Método:  Este es un estudio transversal descriptivo-correlacional y cuantitativo. Se utilizó la Individual Workload Perception Scale-Revised para evaluar la percepción de la carga de trabajo. El análisis se realizó mediante la prueba t de Mann-Whitney o la prueba U, el análisis de varianza o la prueba de Kruskal-Wallis.

Resultados:  La puntuación media global en la escala fue de 73,73 (DE=9,21), lo que indica una percepción moderadamente positiva. La dimensión “Apoyo de la jefatura de enfermería” obtuvo la puntuación media más baja por ítem (3,01). Se encontraron diferencias estadísticamente significativas en función de la experiencia profesional (p=0,001) y el tiempo de permanencia en el servicio actual (p < 0,001).

Conclusión:  La percepción de la carga de trabajo puede mejorarse mediante entornos más positivos y sostenibles.

DESCRIPTORES:
Enfermeros; Percepción; Servicio de Urgencia en Hospital; Carga de Trabajo; Condiciones de Trabajo.

HIGHLIGHTS

1. Los servicios de emergencia son entornos altamente dinámicos.

2. Se observó una percepción general moderada de la carga de trabajo.

3. La carga de trabajo percibida se asoció con diferentes variables.

4. Evaluar la carga de trabajo y orientar las medidas hacia entornos laborales positivos.

INTRODUÇÃO

Os serviços de urgência são ambientes dinâmicos e multitarefa, com demanda e grau de complexidade elevados e imprevisíveis1. A carga de trabalho em enfermagem é definida como “a quantidade de tempo e de cuidados que um enfermeiro pode dedicar (direta e indiretamente) aos doentes, ao local de trabalho, e ao desenvolvimento profissional”2.

Entre enfermeiros, as demandas do trabalho e o tempo necessário para a sua execução podem impactar diretamente a percepção negativa da própria saúde nos níveis físico e psícológico3. Estudo envolvendo enfermeiros atuando em um serviço de urgência, no qual se procurou avaliar a percepção do estresse, constatou que a carga de trabalho e a morte constituíam as duas principais fontes de estresse entre os enfermeiros da amostra4.

A sobrecarga de trabalho e o dimensionamento inadequado de recursos humanos para atender às necessidades dos pacientes em estado crítico podem estar associados a muitos eventos adversos e incidentes atribuídos às intervenções de enfermagem5.

As cargas físicas e mentais associadas à carga de trabalho estão relacionadas e podem influenciar-se mutuamente6. A sobrecarga de trabalho dos enfermeiros nos hospitais deve ser investigada em seus múltiplos fatores, a fim de que sejam propostas soluções para a sua adequação3.

As condições de trabalho da enfermagem têm sido motivo de preocupação no âmbito da pesquisa e da gestão, que procuram avaliar os níveis de satisfação profissional, a segurança e a qualidade da assistência. Os resultados revelam que ambientes de trabalho saudáveis contribuem para a manutenção de uma força de trabalho estável e suficiente, incentivam maior produtividade e promovem a segurança hospitalar, entre outros7. A literatura disponível revela que a qualidade da prestação da assistência de enfermagem e o desempenho dos serviços de saúde são influenciados pela satisfação profissional8. A insatisfação profissional, aliada a níveis mais elevados de absentismo, constitui um forte preditor de rotatividade futura9.

Ambientes da prática de enfermagem positivos são fundamentais para a promoção da saúde e do bem-estar dos profissionais e para o desempenho organizacional10, pois aumentam a intenção dos enfermeiros de permanecer nas instituições11.

Em Portugal, a inexistência de instrumentos validados para avaliar a percepção da carga de trabalho levou à tradução e à validação da Individual Workload Perception Scale-Revised (IWPS-R)12. A versão original da Individual Workload Perception Scale (IWPS) foi desenvolvida nos Estados Unidos da América, em 2002, com 46 itens, e foi posteriormente revisada, em 201012.

A versão portuguesa foi denominada de Escala de Percepção Individual da Carga de Trabalho (IWPS-R-PT), sendo reduzida a 21 itens e cinco dimensões (Suporte do enfermeiro gestor; Suporte da equipe; Recursos da organização; Carga de trabalho; e Intenção de permanecer), podendo ser aplicada em qualquer contexto de atenção à saúde. A IWPS-R constitui um instrumento útil para a coleta de dados essenciais à gestão de enfermagem e à pesquisa12.

Considerando que a aplicação do instrumento em serviços de urgência é de particular interesse, uma vez que se trata de um contexto marcado pela elevada demanda e imprevisibilidade, que exige tomada de decisões rápidas e no qual a carga de trabalho tende a ser intensa, formulou-se a seguinte questão norteadora: qual a percepção dos enfermeiros de um Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica (SUMC) de uma Unidade Local de Saúde do Norte de Portugal (ULSNP) sobre a carga individual de trabalho e sua relação com as variáveis sociodemográficas e profissionais? Para responder a essa questão, delinearam-se os seguintes objetivos: avaliar a percepção da carga individual de trabalho dos enfermeiros do SUMC de uma ULSNP; e explorar a relação entre a percepção da carga de trabalho e as variáveis sociodemográficas e profissionais.

MÉTODO

Trata-se de estudo transversal descritivo-correlacional de natureza quantitativa. A população-alvo incluiu todos os enfermeiros em exercício no serviço de urgência da ULSNP (95 enfermeiros). Para a definição da amostra, utilizou-se uma técnica de amostragem não probabilística por conveniência. Utilizou-se como critério de inclusão enfermeiros que estavam em exercício no serviço de urgência da referida ULSNP, independentemente do tipo de vínculo contratual. Não foram incluídos enfermeiros que exerciam funções de gestão. A participação foi voluntária, e a coleta de dados foi realizada em novembro de 2024.

Os dados foram coletados por meio de questionário estruturado, composto pela IWPS-R, validada para o contexto português de Portugal, e por um questionário sociodemográfico, acadêmico, profissional e laboral. Cada item da IWPS-R é avaliado em uma escala do tipo Likert, variando de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente). Assim, as pontuações globais da escala variam de 21 (mínimo) a 105 (máximo), sendo que pontuações mais altas refletem percepções mais positivas em relação à carga de trabalho. A versão portuguesa12 (IWPS-R-PT) apresentou boa consistência interna (alfa de Cronbach de 0,88), semelhante à observada em outras validações culturais, como a versão validada em mandarim (0,93)13 e em grego (0,88)12.

Os questionários foram aplicados em formato impresso e distribuídos pessoalmente pelo enfermeiro gestor do serviço. A coleta foi anônima e confidencial. Todos os participantes receberam previamente informações sobre os objetivos do estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A análise de dados foi realizada no software Jamovi para Mac (versão 2.6.44.0). Foram utilizadas estatísticas descritivas (frequências, médias e desvios padrão) e inferenciais. Para explorar associações entre as variáveis, aplicaram-se testes paramétricos e não paramétricos (quando verificado o não cumprimento dos pressupostos). Para variáveis dicotômicas, foi utilizado o teste t ou, alternativamente, o teste não paramétrico U de Mann-Whitney. Para variáveis que apresentam três ou mais categorias, foi necessário recorrer à análise de variância ou, alternativamente, ao teste não paramétrico H de Kruskal-Wallis14. Quando identificada significância estatística, foram aplicados testes post-hoc apropriados para verificar entre quais grupos existiam diferenças. O nível de significância adotado na análise estatística foi de 5%.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição (Parecer n.º 61/2024 da ULSNP) e conduzido em conformidade com a Declaração de Helsinque, a legislação nacional e as normas internacionais de bioética. Foram garantidos a autonomia dos participantes, a confidencialidade dos dados e o consentimento livre e esclarecido.

RESULTADOS

A amostra obtida foi constituída por 85 enfermeiros, dos quais 62 (72,9%) eram do sexo feminino, e 40 (47,1%) pertenciam à faixa etária de 30 a 39 anos. Com relação ao estado civil, 40 (47,1%) eram solteiros, e 35 (41,2%), casados. Entre os participantes com filhos, 40 (47,1%) tinham filhos menores (com idade inferior a 18 anos) sob sua responsabilidade. Em relação ao nível de escolaridade, 55 (83,5%) possuíam graduação. Na Tabela 1, apresentam-se os resultados referentes à caracterização sociodemográfica e profissional dos participantes.

Tabela 1
Caracterização sociodemográfica e profissional da amostra (n=85). Região Norte, Portugal, 2024

No âmbito do primeiro objetivo delineado, a Tabela 2 apresenta a estatística descritiva referente ao escore global da escala e às respetivas dimensões. Em relação ao escore global da escala, a média foi de 73,73 (DP=9,21), o que corresponde a uma percepção moderadamente positiva em relação à carga de trabalho.

Tabela 2
Estatística descritiva do escore global da Individual Workload Perception Scale-Revised e respetivas dimensões (n=85). Região Norte, Portugal, 2024

Os resultados indicam médias por item mais elevadas nas dimensões “Intenção de permanecer” e “Apoio da equipe”, respectivamente, com 3,89 e 3,87. Em contraste, a menor média por item, de 3,01, é observada na dimensão “Suporte do enfermeiro gestor”, que também apresenta a maior dispersão (DP=4,61), indicando maior variabilidade nas percepções dos participantes.

A Tabela 3 apresenta os resultados do estudo da relação entre o escore global IWPS-R e as variáveis sociodemográficas e profissionais. Foram identificadas diferenças estatisticamente significativas com o tempo total de exercício profissional (p=0,001), bem como com o tempo de exercício no serviço atual, o SUMC (p<0,001). Em relação ao tempo total de exercício profissional, os testes post-hoc de Tukey evidenciaram diferenças entre o grupo com 1-4 anos e o restante, a saber: 5-9 anos (p=0,009), 10-14 anos (p=0,032) e ≥15 anos (p=0,001).

Tabela 3
Associação entre o escore global da Individual Workload Perception Scale-Revised e as variáveis sociodemográficas e profissionais. Região Norte, Portugal, 2024

Relativamente ao tempo de exercício no serviço atual, os testes post-hoc de Tukey evidenciaram diferenças entre o grupo <1 ano e os grupos 1-4 anos (p=0,015) e 5-9 anos (p<0,001), bem como entre os grupos 5-9 anos e ≥15 anos (p=0,035), com médias superiores no grupo com <1 ano e no grupo com ≥15 anos no SUMC.

DISCUSSÃO

Este estudo analisou a percepção da carga individual de trabalho dos enfermeiros de um SUMC da ULSNP, relacionando-a a determinadas variáveis sociodemográficas e profissionais. O predomínio do sexo feminino está em consonância com os dados emanados pela Ordem dos Enfermeiros (anuário estatístico 2024), que indicam predomínio feminino em Portugal (82,80%)15. A percepção moderadamente positiva dos enfermeiros em relação à carga de trabalho está distante do seu máximo possível e desejável, o que indica uma margem considerável de melhoria para alcançar um ambiente de trabalho ideal e de prática de enfermagem mais positivo, conforme preconizam diversos autores7,10, uma vez que a carga de trabalho em enfermagem pode impactar a saúde dos enfermeiros e a qualidade dos cuidados16.

Os valores particularmente elevados nas dimensões “Intenção de permanecer” e “Apoio da equipe” refletem uma forte identificação dos profissionais com a equipe e uma predisposição positiva para a continuidade no serviço. A intenção de permanecer pode estar relacionada a fatores individuais, organizacionais e laborais/contextuais. Estudo transversal realizado com enfermeiros, cujo objetivo foi analisar a relação entre resiliência psicológica, apoio organizacional percebido e intenção de permanecer, observou que a resiliência psicológica se correlaciona positivamente com a intenção de permanecer, sendo essa relação parcialmente mediada pelo apoio organizacional percebido17.

No presente estudo, a dimensão com menor pontuação foi “Suporte do enfermeiro gestor”, associada à percepção de empatia e apoio da chefia, bem como à gestão e distribuição da carga de trabalho. Esse achado está em consonância com a literatura, que destaca a sobrecarga de trabalho nos serviços de urgência como decorrente de múltiplos fatores, como o aumento da demanda, a insuficiência de pessoal, a gravidade ou complexidade dos casos, entre outros, configurando-se como uma importante fonte de estresse18. Recursos humanos inadequados estão associados à maior insatisfação profissional9.

Os líderes de enfermagem devem criar e utilizar uma abordagem sistemática de apoio ao processo de alocação de pessoal para melhorar a distribuição da carga de trabalho e garantir a segurança dos cuidados, além de aprimorar os resultados19. Em Portugal, essa orientação é preconizada pela Ordem dos Enfermeiros no regulamento que estabelece a norma para o cálculo de dotações seguras dos cuidados de enfermagem20. Os gestores de enfermagem devem envidar esforços para proporcionar um ambiente de trabalho favorável nas organizações de saúde, com reforço do apoio organizacional, do capital psicológico e da identificação organizacional como um todo21. Sessões educativas conduzidas por profissionais credenciados podem favorecer o empoderamento dos enfermeiros, potencializar a energia e reduzir a percepção de exaustão22.

No âmbito da análise das relações em função das variáveis sociodemográficas e profissionais, destaca-se o contributo das variáveis profissionais. Nesse sentido, o estudo evidenciou que enfermeiros em início de carreira apresentam percepções mais positivas em comparação aos demais grupos, com redução das médias à medida que aumentavam os anos de experiência. Ao considerar o tempo de atuação no serviço atual (SUMC), a percepção mais positiva foi observada no grupo com menos de um ano. Isso pode estar associado ao aumento das responsabilidades decorrentes de maiores habilitações acadêmicas adquiridas (especialização e mestrado), que possibilitam o acesso à categoria de enfermeiro especialista e implicam responsabilidades acrescidas23.

A insuficiente valorização e o reduzido reconhecimento do trabalho do enfermeiro podem repercutir de forma significativa no seu empenho e na sua autoestima, com impactos diretos na relação que se estabelece com o exercício profissional e com a identidade laboral3, sendo mais plausível tal ocorrer nos profissionais com mais anos de profissão do que naqueles em início de profissão.

Quanto às limitações deste estudo, destacam-se a técnica de amostragem não probabilística por conveniência, o número reduzido de participantes e o fato de a amostra ser composta apenas por enfermeiros de um único SUMC, em uma única região de Portugal, o que limita a generalização dos resultados. Contudo, ressalta-se a importância dos achados para o contexto estudado, contribuindo para um melhor diagnóstico da percepção da carga de trabalho e dos fatores a ela associados.

Considerando que o IWPS-R foi validado em 2022 para Portugal, a ausência de estudos realizados especificamente no mesmo contexto (serviço de urgência), que pudessem auxiliar na comparação e discussão dos resultados, constituiu a principal dificuldade.

Sugere-se o desenvolvimento de estudos futuros multicêntricos, com o aumento considerável da amostra e amostragem probabilística, envolvendo SUMC de diferentes regiões de Portugal. Posteriormente, recomenda-se a realização de estudos internacionais, a fim de subsidiar análises comparativas.

CONCLUSÃO

O presente estudo evidenciou uma percepção moderadamente positiva em relação à carga de trabalho dos enfermeiros de um SUMC da ULSNP abaixo do máximo possível e desejável. Entre as dimensões, destacaram-se “Apoio da equipe” e “Intenção de permanecer”, que apresentaram as maiores médias normalizadas. Identificou-se como área crítica a dimensão “Suporte do enfermeiro gestor”, que apresentou a menor média normalizada por item. Esse achado requer atenção, evidenciando a necessidade de fortalecer o apoio e a liderança direta, especialmente quanto à gestão e à distribuição da carga de trabalho, em consonância com as necessidades reais.

Constatou-se, ainda, associação estatisticamente significativa entre o escore global e os grupos definidos pelas variáveis tempo de exercício profissional e tempo de atuação no serviço atual (SUMC), sendo que os enfermeiros com menor tempo de experiência apresentaram percepção mais positiva da carga de trabalho.

Recomenda-se que as instituições de saúde invistam em estratégias de valorização e suporte contínuo às equipes de enfermagem, especialmente por parte dos gestores, a fim de promover um ambiente de trabalho mais positivo, sustentável e atrativo, contribuindo para a retenção de profissionais e para a qualidade da assistência prestada.

Nas implicações para a enfermagem, destaca-se a importância da avaliação da percepção da carga de trabalho em ambientes dinâmicos e imprevisíveis, como os serviços de urgência e de terapia intensiva, para subsidiar um diagnóstico situacional e orientar estratégias voltadas à criação de ambientes positivos para a prática de enfermagem.

  • *
    Artigo extraído da dissertação do mestrado: “Percepção da carga individual de trabalho dos enfermeiros de um serviço de urgência de uma unidade de local de saúde do norte de Portugal”, Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, Portugal, 2025.
  • COMO REFERENCIAR ESTE ARTIGO:
    Afonso AJC, Magalhães CP. Percepção da carga de trabalho dos enfermeiros de um Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica. Cogitare Enferm [Internet]. 2026 [cited “insert year, month and day”];31:e101169pt. Available from: https://doi.org/10.1590/ce.v31i0.101169pt

Disponibilidade de dados:

Os autores declaram que os dados podem ser disponibilizados mediante solicitação ao autor correspondente.

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Editado por

  • Editor associado:
    Dr. Nuno Damácio de Carvalho Félix

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    01 Jun 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    09 Set 2025
  • Aceito
    05 Mar 2026
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