Open-access Pessoas com deficiência na formação em enfermagem: inteligência artificial e práxis transformadora

RESUMO

Objetivo:  Analisar criticamente as contradições, os desafios e as possibilidades da inteligência artificial generativa como catalisadora de uma formação emancipatória e inclusiva na enfermagem, com foco nas singularidades de estudantes com deficiência.

Método:  Ensaio teórico-reflexivo, desenvolvido entre agosto de 2024 e maio de 2025, fundamentado na pedagogia crítica de Paulo Freire e em referenciais sobre justiça cognitiva e tecnologias inclusivas. O texto foi desenvolvido a partir da análise de documentos normativos nacionais e internacionais sobre inclusão e governança da inteligência artificial generativa.

Resultados:  Estrutura-se em dois eixos: contradições éticas e epistemológicas da inteligência artificial generativa enquanto mediadora de práticas educativas inclusivas; e elementos para uma práxis transformadora com base em uma mediação tecnológica crítica e comprometida com a equidade.

Considerações finais:  A inteligência artificial generativa, se mediada criticamente, pode ampliar a acessibilidade de estudantes com deficiência na formação em enfermagem. No entanto, seu uso acrítico tende a reforçar barreiras e aprofundar desigualdades.

DESCRITORES:
Educação em Enfermagem; Educação Inclusiva; Inteligência Artificial; Equidade; Pessoas com Deficiência.

HIGHLIGHTS

1. Pessoas com deficiência são invisibilizadas nos debates sobre inovação tecnológica educacional.

2. O uso acrítico da inteligência artificial generativa pode reforçar exclusões e desigualdades.

3. inclusão exige mediação tecnológica crítica e práxis transformadora.

4. A governança da inteligência artificial generativa deve considerar pessoas com deficiência e justiça cognitiva.

ABSTRACT

Objective:  To critically analyze the contradictions, challenges, and possibilities of generative artificial intelligence as a catalyst for emancipatory and inclusive nursing education, focusing on the singularities of students with disabilities.

Method:  A theoretical-reflective essay developed between August 2024 and May 2025, grounded in Paulo Freire’s critical pedagogy and in frameworks on cognitive justice and inclusive technologies. The text was developed based on the analysis of national and international normative documents on inclusion and governance of generative artificial intelligence.

Results:  It was structured into two axes: ethical and epistemological contradictions of generative artificial intelligence as a mediator of inclusive educational practices; and elements for a transformative praxis based on critical technological mediation committed to equity.

Conclusion:  Generative artificial intelligence, when critically mediated, can expand accessibility for students with disabilities in nursing education. However, its uncritical use tends to reinforce barriers and deepen inequalities.

DESCRIPTORS:
Education, Nursing; Education, Special; Artificial Intelligence; Equity; Persons with Disabilities.

HIGHLIGHTS

1. People with disabilities are rendered invisible in debates on educational technological innovation.

2. The uncritical use of generative artificial intelligence may reinforce exclusion and inequalities.

3. Inclusion requires critical technological mediation and transformative praxis.

4. The governance of generative artificial intelligence must consider people with disabilities and cognitive justice.

RESUMEN

Objetivo:  Analizar críticamente las contradicciones, los desafíos y las posibilidades de la inteligencia artificial generativa como catalizador para una educación de enfermería emancipadora y inclusiva, centrándose en las necesidades específicas de los estudiantes con discapacidad.

Método:  Este ensayo teórico-reflexivo, desarrollado entre agosto de 2024 y mayo de 2025, se basa en la pedagogía crítica de Paulo Freire y en marcos conceptuales sobre justicia cognitiva y tecnologías inclusivas. El texto se elaboró a partir del análisis de documentos normativos nacionales e internacionales sobre inclusión y gobernanza de la inteligencia artificial generativa.

Resultados:  Se estructura en torno a dos ejes: las contradicciones éticas y epistemológicas de la inteligencia artificial generativa como mediadora de prácticas educativas inclusivas; y los elementos para una praxis transformadora basada en la mediación tecnológica crítica comprometida con la equidad.

Conclusión:  La inteligencia artificial generativa, si se gestiona de forma crítica, puede ampliar la accesibilidad a la formación en enfermería para estudiantes con discapacidad. Sin embargo, su uso acrítico tiende a reforzar las barreras y a agravar las desigualdades.

DESCRIPTORES:
Educación en Enfermería; Educación Especial; Inteligencia Artificial; Equidad; Personas con Discapacidad.

HIGHLIGHTS

1. Las personas con discapacidad quedan invisibilizadas en los debates sobre innovación tecnológica educativa.

2. El uso acrítico de la inteligencia artificial generativa puede reforzar las exclusiones y las desigualdades.

3. La inclusión requiere una mediación tecnológica crítica y una praxis transformadora.

4. La gobernanza de la inteligencia artificial generativa debe tener en cuenta a las personas con discapacidad y la justicia cognitiva.

INTRODUÇÃO

A formação superior brasileira segue marcada por desigualdades estruturais que atravessam a constituição física, simbólica e epistemológica das instituições. As pessoas com deficiência (PcDs) representam apenas 0,9% das matrículas no ensino superior, revelando barreiras persistentes de acesso e permanência1-2. Essa realidade silencia experiências corporais, cognitivas e comunicacionais, reforçando normatividades excludentes3-4.

No campo da enfermagem, essa exclusão se acentua. A formação ainda se organiza a partir de currículos e práticas pedagógicas que pressupõem um corpo funcional5 como referência para o cuidado6-7. As PcDs permanecem invisibilizadas, como estudantes e futuros profissionais, e reforçam padrões que restringem a diversidade de corpos, saberes e subjetividades. Isso revela a reprodução histórica de uma pedagogia que naturaliza as desigualdades8.

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI) representa um marco ao propor a transversalidade da inclusão nos diferentes níveis educacionais. Ao deslocar o foco da deficiência para a necessidade de transformação estrutural, essa política desafia práticas pedagógicas excludentes, evidenciando a urgência de ambientes educacionais que reconheçam a singularidade das trajetórias estudantis9. Contudo, tais diretrizes ainda esbarram em uma cultura institucional que resiste à diversidade, à ruptura de hierarquias epistêmicas e à democratização do conhecimento10.

Nesse cenário, a inteligência artificial generativa (IAG) emerge como tecnologia educacional promissora, com potencial de ampliar a acessibilidade11-13, personalizar trajetórias de aprendizagem e atuar como mediadora de conteúdos13-15. No entanto, essa mesma tecnologia carrega contradições éticas e epistemológicas12,14. Seu uso acrítico pode intensificar desigualdades por meio da reprodução de vieses algorítmicos16, vigilância pedagógica e padronização de saberes, especialmente porque é treinada com dados que não refletem as realidades de diferentes grupos, incluindo os de PcDs12.

No campo da enfermagem, há necessidade de ressignificação crítica. Isso inclui as relações pedagógicas, epistemológicas e políticas que estruturam o ensino e o cuidado17-19. É preciso tensionar as concepções de gênero, raça e, principalmente, de diferentes corpos de PcDs, bem como a não representação disso em virtude dos vieses algorítmicos12,20. Há necessidade de deslocamento do debate de uma lógica de integração para uma perspectiva de transformação estrutural21, fundamental para avançar na reconfiguração dos espaços formativos que vêm discutindo diversidade12,20,22. Essa reflexão se justifica não apenas pela urgência de efetivar a PNEEPEI, mas pela necessidade de reposicionar a enfermagem22-23 como campo de cuidado comprometido com a diversidade humana em suas múltiplas expressões e as tecnologias emergentes12,17-19.

Nesse sentido, este estudo tem como objetivo analisar criticamente as contradições, os desafios e as possibilidades da IAG como catalisadora de uma formação emancipatória e inclusiva na enfermagem, com foco nas singularidades de estudantes com deficiência.

MÉTODO

Trata-se de ensaio teórico-reflexivo, desenvolvido entre agosto de 2024 e maio de 2025, fundamentado na pedagogia crítica de Paulo Freire10, com ênfase na articulação dialética entre teoria e prática, problematização e transformação. O texto parte da compreensão de que o uso da IAG na educação em enfermagem deve ser analisado à luz das contradições históricas que estruturam o ensino superior e as PcDs.

Baseou-se na análise crítica de documentos normativos e literatura acadêmica publicada entre 2021 e 2025. Foram selecionados marcos internacionais e nacionais que discutem a governança ética da IAG, com destaque para a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre inteligência artificial, de 2024, e o relatório do Órgão Consultivo de Alto Nível da ONU sobre IAG, além da PNEEPEI. A busca por estudos científicos foi intencional e realizada em bases como PubMed e SciELO, utilizando os descritores “Inteligência Artificial Generativa”, “Enfermagem”, e “Pessoas com Deficiência” em português e inglês.

A análise foi conduzida com base no movimento dialético freiriano, partindo da realidade concreta e dos marcos normativos para problematizá-los à luz da mediação crítica e da práxis transformadora. Inicialmente, foram consideradas quatro dimensões: acessibilidade digital; personalização do ensino; mediação de práticas procedimentais; e transformação das relações pedagógicas. Ao final, organizaram-se dois eixos centrais, que sintetizam as contradições estruturais mais relevantes identificadas na interface entre a IAG e a formação inclusiva em enfermagem.

A triangulação entre os autores foi utilizada como estratégia de validação interpretativa, assegurando a coerência teórico-argumentativa. A reflexão se propõe a contribuir para o avanço crítico das discussões sobre o papel das tecnologias emergentes na formação em enfermagem, especialmente no que se refere à inclusão de estudantes com deficiência, à superação de práticas normativas e à ampliação das possibilidades de uma educação libertadora.

DESENVOLVIMENTO

Eixo 1: Contradições da inteligência artificial generativa como mediadora de processos educativos inclusivos

Neste eixo, analisa-se como a IAG, ao ser incorporada de forma acrítica nas práticas educativas, pode reforçar desigualdades estruturais e epistemológicas, silenciando as singularidades das PcDs e reduzindo a complexidade do processo educativo à lógica da padronização algorítmica12-14.

Evidencia-se que as tecnologias assistivas potencializadas pela IAG representam avanços diante das barreiras comunicacionais, informacionais e procedimentais13-19. Todavia, emergem contradições entre a personalização, a padronização algorítmica, a acessibilidade, a vigilância exacerbada, a democratização e a exclusão digital12,24. Em ambientes acadêmicos, tal exclusão fica evidente no acesso a laboratórios, bibliotecas digitais e sistemas de identificação, pois refletem realidades de grupos hegemônicos24. Isso evidencia a tensão entre a promessa de personalização da IAG e sua tendência à padronização13, o que distancia das singularidades das PcDs.

Outrossim, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/15) assegura o direito à acessibilidade em múltiplas dimensões, mas sua efetivação em ambientes digitais revelou contradições importantes. Verifica-se que as ferramentas de IAG para descrição de imagens, legendas automáticas e interfaces adaptativas ampliam significativamente o acesso a conteúdos educacionais13-19. Todavia, reproduzem padrões comportamentais, revelando a necessidade de debates sobre trajetórias específicas de aprendizagem24 e de atenção ao racismo algorítmico12,24.

Essas experiências com IAG evidenciam que a linha entre personalização benéfica e vigilância exacerbada é tênue. O controle pode causar estresse e ansiedade25, em virtude do monitoramento de tempo, frequência e padrões de interação, contrariando o princípio freireano de autonomia do educando10. Isso, diante das diferentes singularidades dos PcDs, demonstra a necessidade de avançar em modelos multimodais13 na assistência23,25 e na formação de PcDs e não PcDs em enfermagem.

A realidade virtual, por exemplo, pode contemplar diferentes corporalidades nos cenários procedimentais da enfermagem. No entanto, sua implementação depende de infraestrutura técnica, formação docente25, adaptação de espaço e a diversidade de pessoas2-4. No caso do uso de plataformas de simulação virtual, é fundamental considerar, além das diferentes formas de realizar procedimentos de enfermagem, a superação da apresentação singular, que revela os padrões corporais funcionais. Isso evita a perpetuação da exclusão agora digitalizada e de preocupações técnicas14.

É fundamental assegurar que a eficácia da IAG como instrumento de mediação pedagógica inclusiva resulte de uma articulação dialética entre infraestrutura técnica adequada, compromisso ético sólido e metodologias participativas. Nesse sentido, destaca-se a necessidade de que a mediação tecnológica esteja subordinada a uma ação pedagógica dialógica, na qual os educadores atuem como mediadores éticos capazes de problematizar, adaptar e monitorar criticamente o uso da IAG12,14, sempre considerando as múltiplas singularidades das PcDs.

Tais fatos se tornaram mais críticos devido à dimensão humana e aos processos de exclusão já historicamente identificados nos espaços de formação de PcDs, como no caso do gênero3,4,14. A personalização individual pela IAG, por exemplo, pode, paradoxalmente, individualizar o que deveria ser coletivo, fragmentando a práxis educativa. Por isso, as interseccionalidades de classe social, gênero e raça que impactam diferentemente o acesso e o uso de tecnologias devem ser consideradas, a fim de não perpetuar a exclusão12,20.

Um aspecto importante é a vulnerabilidade econômica. É crucial verificar as experiências distintas, dada a exclusão digital, que podem ampliar desigualdades existentes frente ao avanço das tecnologias emergentes. A não visualização dessas questões pode beneficiar PcDs com maior capital cultural/econômico em detrimento de PcDs negras, indígenas ou de outros grupos minorizados que ficam à margem dos debates, como ilustrado pelas tensões evidenciadas na Figura 1, que conecta essas exclusões estruturais à aplicação da IAG na educação inclusiva em enfermagem.

Figura 1
Tensões dialéticas da aplicação da inteligência artificial generativa na educação inclusiva em enfermagem. Belém, Pará, Brasil, 2025 Fonte: Os autores (2025).

A superação dessas contradições exige uma práxis transformadora, que articula técnica e ética, inovação e inclusão, personalização e democratização, preparando o caminho para a reconfiguração epistemológica.

Eixo 2: Práxis transformadora: elementos para governança ética da mediação tecnológica crítica

O eixo 2 aborda que a inclusão de PcDs deve ir além do cumprimento legal, tornando-se um compromisso político e epistemológico. Defende que a tecnologia, especialmente a IAG, seja utilizada criticamente como ferramenta de emancipação, promovendo a participação ativa das PcD e valorizando as diversidades corporais e experienciais. O eixo enfatiza a coconstrução de soluções educacionais inclusivas, a formação docente crítica e a superação de padrões normativos e funcionais, preparando o caminho para uma abordagem verdadeiramente inclusiva e dialógica no ensino de enfermagem.

A mediação crítica da IAG é necessária para uma reconfiguração epistemológica do conceito de cuidado em tempos de automatização. Essa perspectiva rompe com a ideia restrita de inclusão de PcDs e inclusão digital como mera obrigação legal, deslocando-a para um compromisso político-epistemológico que valoriza a diversidade corporal e experiencial como potência para renovar saberes e práticas diante das tecnologias emergentes.

Isso é percebido nas diferentes corporalidades que tensionam a normatividade ainda predominante nas práticas profissionais, no caso das PcDs26-27, e na IAG12,24. O uso crítico da IAG pode atuar como catalisadora ao tornar visíveis as contradições antes naturalizadas nos processos formativos. Desse modo, políticas e diretrizes que envolvem a IAG devem ser discutidas no âmbito da formação, buscando envolver elementos operacionais e administrativos no campo da enfermagem.

O potencial contra-hegemônico da tecnologia está na intencionalidade emancipatória de sua apropriação, que deve ser atravessada pelo olhar crítico considerando o escopo da deficiência auditiva, visual, motora e intelectual. Deve operar por meio da visibilização de contradições estruturais e da amplificação de potencialidades marginalizadas28, com ruptura de padrões normativos12,24, e criar uma relação entre autonomia diante da dependência, vigilância tecnológica25 e tecnocracia do cuidado, que comprometem a dimensão relacional fundamental ao cuidado de enfermagem.

Demanda governança ética que articule inovação tecnológica29, com preservação dos vínculos humanos constitutivos da práxis cuidativa, que deve ser orientada desde o ensino da corporiedade14 aplicada às PcDs. É necessária a cocriação de tecnologias educacionais com a participação ativa de estudantes com deficiência, para promover a justiça epistêmica, entendida como o reconhecimento da legitimidade de diferentes formas de conhecer e experienciar o mundo, superando hierarquias que privilegiam saberes hegemônicos28.

Além disso, é necessária a formação docente como mediação ético-tecnológica-crítica29, capaz de tensionar os usos instrumentais da tecnologia e potencializar sua apropriação emancipatória12,18-19. Isso evita reprodução de vieses24 capacitistas, a partir da mediação humana crítica12. Para isso, o docente deve se apropriar das políticas que sustentem a transversalidade da educação inclusiva, assegurando que os estudantes com deficiência28 sejam visibilizados, o que aponta a necessidade de cursos, oficinas e articulação pedagógica na formação dos docentes que atuam na enfermagem.

Isso exige superar a lógica de integração adaptativa para avançar rumo à transformação estrutural, em que currículos e ambientes sejam ressignificados segundo a diversidade humana2-4. Essa transformação deve ser intencionalmente política e reconhecer a tecnologia como uma ferramenta obrigatoriamente orientada aos princípios dialógicos, de problematização e de compromisso29 com a emancipação, superando a normalização de corpos e evidenciando as diversidades nas diferentes áreas de conhecimento apresentadas nos currículos. A Figura 2 ilustra esse processo, mostrando como a reconfiguração epistemológica do conceito de cuidado está diretamente relacionada à governança ética da mediação tecnológica.

Figura 2
Da epistemologia do cuidado à governança ética. Belém, Pará, Brasil, 2025 Fonte: Os autores (2025).

A Figura 3 sintetiza os principais componentes necessários para a efetiva transformação do ensino em enfermagem a partir de uma perspectiva verdadeiramente inclusiva. Inspirando-se nos princípios da pedagogia crítica de Paulo Freire, a figura destaca a importância da participação ativa das PcDs na construção coletiva de saberes, reconhecendo suas experiências e corporalidades como fundamentais para ampliar o entendimento sobre cuidado. A representação visual traz elementos que explicitam caminhos para a reconstrução do saber-cuidar inclusivo.

Figura 3
Elementos da práxis transformadora freireana na reconstrução do saber-cuidar inclusivo. Belém, Pará, Brasil, 2025 Fonte: Os autores (2025).

As figuras sintetizam esse percurso, reiterando que a formação docente ocupa papel estratégico como mediação ético-tecnológica, consciente de que algoritmos são construções humanas impregnadas de valores12,24 capacitistas que dialogam com a PNEEPEI. Os contextos de implementação da IAG podem se tornar arenas de disputa política onde PcDs afirmam sua presença como sujeitos de saber e produtores de epistemologias que ampliam o que se entende por cuidado, corpo e saúde22. Para isso, a governança ética e digital deve garantir uma formação dos enfermeiros para equidade, uso e armazenamento adequado de dados e tomada de decisão que considerem as diferentes corporalidades dos estudantes com deficiência na enfermagem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A IAG, à luz da pedagogia crítica freireana, revela contradições estruturais relevantes para a formação inclusiva em enfermagem. Embora apresente potencial para ampliar a acessibilidade e personalizar o ensino, seu uso acrítico pode reforçar exclusões, especialmente de estudantes com deficiência, cujos corpos e saberes seguem marginalizados por currículos normativos e lógicas algorítmicas hegemônicas.

O estudo é limitado por abordar a presença de PcDs, como estudantes de enfermagem, o que restringe a discussão sobre diversidade corporal e interseccionalidades específicas. Recomenda-se o desenvolvimento de estudos que investiguem a coconstrução de tecnologias com participação ativa de PcDs e a análise dos impactos da IAG sobre diferentes tipos de deficiência, considerando raça, gênero e classe, bem como a avaliação da presença de PcDs nas políticas curriculares e nas práticas pedagógicas.

  • COMO REFERENCIAR ESTE ARTIGO:
    de Castro NJC, de Castro JC, Cordeiro DLS. Pessoas com deficiência na formação em enfermagem: inteligência artificial e práxis transformadora. Cogitare Enferm [Internet]. 2026 [cited “insert year, month and day”];31:e100677pt. Available from: https://doi.org/10.1590/ce.v31i0.100677pt

Disponibilidade de dados:

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Editado por

  • Editor associado:
    Dra. Luciana de Alcantara Nogueira

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    18 Maio 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    30 Jul 2025
  • Aceito
    16 Fev 2026
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