Resumo
Este artigo examina a interseção entre o populismo penal, em ascensão no Brasil, e o populismo digital, fenômeno de alcance global, tendo como eixo analítico central a noção de autoritarismo socialmente implantado (Pinheiro, 1991) e como base empírica os discursos (re)produzidos por influenciadores masculinistas da comunidade Red Pill no YouTube brasileiro. O artigo adota uma abordagem pós-estruturalista para compreender a formação desses discursos, quais as suas principais contradições e formas de circulação e perceber de que maneira contribuem para a constituição de um populismo penal, entendido como um movimento que sustenta políticas criminais punitivas baseadas em narrativas de medo, ressentimento e insegurança. Simultaneamente, explora-se a forma como essas narrativas se articulam com o autoritarismo socialmente implantado no Brasil, por um lado, e o populismo digital em ascensão, caracterizado pela mobilização afetiva e pela viralização de conteúdos através das plataformas digitais, por outro. Ao articular o crescimento do populismo penal no Brasil com a expansão global do populismo digital, o artigo mostra como influenciadores masculinistas utilizam o YouTube para moldar discursos de controle social, justiça retributiva e reforço de uma masculinidade hierárquica e excludente.
PALAVRAS-CHAVE
Punitivismo; Populismo digital; Masculinidades; Misoginia; Neoliberalismo