Resumo
O trabalho analisa a narrativa de Olavo de Carvalho sobre o golpe de 1964 e o regime militar no Brasil. O objetivo é apreender os afastamentos e as aproximações entre a narrativa olavista e setores da extrema direita brasileira e parte da historiografia acadêmica sobre o tema. Os resultados mostram que Carvalho aproxima-se de vertentes “revisionistas” e liberais da historiografia acadêmica, assim como de discursos militares. Através do conceito de “marxismo cultural”, Carvalho nega o caráter violento do golpe, atribuindo a violência a setores da sociedade civil de extrema direita e de esquerda e constrói uma imagem de “ditadura branda”. Crítico do conceito de “revolução”, afasta-se da narrativa militar e admite o conceito de “golpe”, considerado uma necessidade inevitável diante da ameaça de uma “ditadura comunista” durante o governo João Goulart.
Palavras-chave
Ditadura militar; Marxismo cultural; Comunismo; Golpe; Extrema direita