Introdução: O processo de envelhecimento em países de baixa e média renda acelerou. O uso crescente de medicamentos é um fenômeno global, e indivíduos de meia-idade (45–64 anos) e idosos (65+ anos) são os maiores usuários.
Objetivo: Avaliar a prevalência de polifarmácia e verificar sua associação com fatores sociodemográficos, estilo de vida e preditores clínicos numa amostra de brasileiros de meia-idade e idosos, no contexto de uma população predominantemente desfavorecida.
Método: Estudo populacional transversal com indivíduos de 55 a 103 anos. Um total de 2.819 indivíduos cadastrados na Estratégia Saúde da Família, Porto Alegre, Brasil, foi entrevistado em domicílio em 2013–2015.
Resultados: A prevalência de polifarmácia foi de 35,7%, incluindo os indivíduos de meia-idade (55–59 anos) (28,1%). Após ajuste para variáveis sociodemográficas e de saúde, mulheres, indivíduos com 75–79 anos, com 1–3 anos de estudo, ex-fumantes, com autopercepção de saúde ruim ou muito ruim, condições crônicas (cardiovasculares) e sintomas de depressão foram fortemente associadas à polifarmácia.
Conclusão: A prevalência de polifarmácia é alta e inicia cedo. A população estudada apresenta características de baixa renda e escolaridade, o que a torna extremamente vulnerável aos efeitos da polifarmácia, sendo demonstrada forte associação com a presença de doenças crônicas e depressão.
Palavras-chave:
idoso; pessoa de meia-idade; farmacoepidemiologia; polifarmácia; saúde pública