Um cão da raça Shih-tzu, macho, com sete anos e pesando 4,65 kg, foi encaminhado ao hospital veterinário com histórico de vômitos após ingerir um petisco comercial para cães contendo etilenoglicol (EG) na formulação. O animal apresentava sinais clínicos característicos de injúria renal e após exames complementares foi diagnosticado com lesão renal aguda severa de grau IV (escala de I-V). Quase um ano e meio depois, o paciente retornou ao atendimento veterinário, apresentando lesão renal crônica de grau IV. Durante esse período, foram realizados vários exames, incluindo hemograma, análise bioquímica sérica, ultrassonografia abdominal e hemogasometria. Em estado crítico, o animal evoluiu a óbito pouco tempo depois. O exame anatomopatológico da necropsia revelou lesões renais extensas com necrose tubular, esclerose glomerular, fibrose e mineralização, acompanhadas por numerosos cristais de oxalato mono e dihidratados. De acordo com o nosso conhecimento, este é o primeiro relato descrevendo os sinais clínicos e achados anatomopatológicos de um cão intoxicado por EG no Brasil. Este estudo busca contribuir para o entendimento da patogênese e diagnóstico clínico da intoxicação por EG, especialmente no que se refere à insuficiência renal crônica.
Palavras-Chave:
Canino; intoxicação; lesão renal; patologia toxicológica; toxicologia forense
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