Open-access Internacionalização do Brazilian Journal of Transplantation: Desafios e Estratégias

No ano de 2024, a inclusão do Brazilian Journal of Transplantation (BJT) na coleção SciELO e na LILACS foi uma conquista significativa, pois ampliou a visibilidade do periódico, tornando suas publicações acessíveis a uma audiência global, reforçando sua posição na área de transplantes de órgãos e tecidos. Esse reconhecimento reflete a qualidade editorial e científica do BJT, ao mesmo tempo em que contribui para o aumento do impacto acadêmico dos artigos publicados.

No entanto, a internacionalização do BJT apresenta desafios consideráveis, como a indexação do periódico em plataformas como PubMed, Scopus e Web of Science. Garantir a regularidade das edições, atrair artigos de alta qualidade e aumentar a taxa de citações são demandas constantes. Ao investigarem a distribuição geográfica dos autores que publicaram no BJT no período de 2005 a 2023, Cerqueira et al.1 constataram a predominância de autores residentes no Brasil (96,8%). A participação de autores de outros países, como Portugal (2,1%) e Estados Unidos (0,7%), foi menor, com contribuição ainda mais reduzida de autores da República Dominicana e Nigéria (0,4%). Outros obstáculos para a internacionalização incluem adotar estratégias eficazes para divulgar o periódico em comunidades científicas fora do Brasil. Nesse quesito, o BJT investe em estratégias de marketing e divulgação, tanto para a comunidade científica quanto para o público em geral, mantendo perfis em diversas redes sociais, como Instagram, LinkedIn, Facebook e X, além de publicar press releases de artigos selecionados.

Ao longo dos anos, o BJT tem apresentado um crescimento constante no número de artigos publicados, passando de 28 artigos no volume 24 (2021) para 32 no volume 25 (2022), 40 no volume 26 (2023) e alcançando 48 no volume 27 (2024), evidenciando seu papel crescente na disseminação do conhecimento científico na área de transplantes de órgãos e tecidos.

Destaque também para o BJT como uma publicação científica comprometida tanto com os princípios de ciência aberta quanto com os valores de diversidade, equidade, inclusão e acessibilidade (DEIA), integrando essas diretrizes como pilares estratégicos de sua atuação editorial.

No campo da ciência aberta, o BJT adota o modelo Gold Open Access, que garante o acesso imediato, livre e gratuito ao conteúdo publicado, promovendo a democratização do conhecimento científico. Os artigos são licenciados sob a Creative Commons CC BY 4.0, permitindo aos autores reterem os direitos autorais e viabilizando o uso irrestrito dos textos para fins legais, inclusive comerciais, desde que atribuído o devido crédito. Ainda, o BJT incentiva o depósito de todas as versões dos manuscritos (preprint, manuscrito aceito e artigo publicado) em repositórios institucionais ou temáticos, reforçando o compromisso com a disseminação ampla e inclusiva da ciência.

Em relação à DEIA, o BJT promove ações concretas para fomentar um ambiente editorial inclusivo e representativo. Essas medidas incluem a diversidade na composição do corpo editorial e na seleção de avaliadores, a adesão às diretrizes sobre equidade de sexo e gênero na pesquisa [Sex and Gender Equity in Research (SAGER)] e o incentivo ao uso de terminologias corretas e linguagem inclusiva nos artigos. O periódico também estimula a submissão de estudos que abordem questões relacionadas à DEIA no escopo da transplantação, contribuindo para o fortalecimento desses princípios na comunidade científica.

Por fim, tratemos do uso da inteligência artificial generativa (IA). Os periódicos científicos enfrentam uma série de desafios relacionados ao uso inadequado de IA, que podem comprometer a integridade e a confiabilidade da pesquisa acadêmica. Entre os principais problemas estão a geração de textos ou citações fictícias, o plágio involuntário devido ao treinamento dos modelos com conteúdos protegidos por direitos autorais e a falta de transparência no uso dessas ferramentas, dificultando a replicabilidade dos estudos. Além disso, há riscos associados à perpetuação de vieses e imprecisões nos conteúdos gerados, bem como à utilização de dados sensíveis ou inéditos, que podem ser retidos pelas plataformas de IA sem o conhecimento dos autores, contribuindo para o chamado “colonialismo de dados”. Esses fatores demandam dos periódicos a implementação de diretrizes claras e mecanismos robustos de supervisão para prevenir a adoção indevida de IA e preservar a ética e a originalidade das publicações científicas2.

De acordo com o SciELO3, recomenda-se que os editores estejam preparados para lidar com os efeitos do uso de ferramentas de IA nos processos de recepção, avaliação e edição de manuscritos. Isso inclui capacitação e acesso a ferramentas atualizadas para detectar conteúdo gerado ou alterado por IA, além de assegurar que todo o uso dessas tecnologias seja documentado e alinhado às boas práticas éticas.

Com os desafios e conquistas de 2024 como base, esperamos que 2025 seja um ano de maior consolidação de boas práticas na utilização de IA na ciência, assim como de avanços na internacionalização do BJT. O fortalecimento da ciência aberta e a promoção da DEIA continuarão sendo premissas importantes para a evolução do periódico, refletindo o compromisso de toda a equipe editorial.

AGRADECIMENTOS

Não se aplica.

  • FINANCIAMENTO
    Não se aplica.
  • DECLARAÇÃO DO USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA
    Visando garantir a transparência e a ética na redação deste editorial, os autores informam que foram utilizadas ferramentas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT e o Gemini, que auxiliaram na revisão gramatical, na elaboração de paráfrases e na fluidez do texto. Após o uso dessas ferramentas, os autores analisaram e editaram o conteúdo e a coerência dos argumentos, assumindo total responsabilidade pela publicação.

DISPONIBILIDADE DE DADOS DE PESQUISA

Não se aplica.

REFERÊNCIAS

  • 1 Cerqueira BP, Paim TS, Miyahara AK, Vizzuso-Oliveria A, Garcia LB, Silva DC, et al. Estudo descritivo do Brazilian Journal of Transplantation: uma análise bibliométrica. Braz J Transplant, 2024;27:e2524. https://doi.org/10.53855/bjt.v27i1.579_PORT
    » https://doi.org/10.53855/bjt.v27i1.579_PORT
  • 2 Sampaio RC, Sabbatini M, Limongi R. Diretrizes para o uso ético e responsável da inteligência artificial generativa: um guia prático para pesquisadores. São Paulo: Intercom; 2024.
  • 3 Scientific Electronic Libray Online. Guia de uso de ferramentas e recursos de inteligência artificial na comunicação de pesquisas na rede SciELO. Versão preliminar de 14 de setembro de 2023. São Paulo: SciELO; 2023. [acesso em 6 Jan 2025] Disponível em: https://wp.scielo.org/wp-content/uploads/Guia-de-uso-de-ferramentas-e-recursos-de-IA-20230914.pdf
    » https://wp.scielo.org/wp-content/uploads/Guia-de-uso-de-ferramentas-e-recursos-de-IA-20230914.pdf

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    03 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    10 Jan 2025
  • Aceito
    15 Jan 2025
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