RESUMO
Objetivos: Analisar e discutir as estatísticas dos transplantes de órgãos e tecidos realizados na Região Nordeste no ano de 2024.
Métodos: Trata-se de um estudo observacional, descritivo, com abordagem quantitativa. A pesquisa foi conduzida utilizando dados extraídos dos relatórios estatísticos do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), disponibilizados eletronicamente pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). A coleta de dados ocorreu no mês de julho de 2025.
Resultados: O estado do Ceará (CE) destacou-se com o maior número de procedimentos, totalizando 1.872 transplantes, correspondendo a 31,63% do total regional. Subsequentemente, Pernambuco (PE) realizou 1.365 transplantes. A Bahia (BA) realizou 918 procedimentos, correspondendo a 15,51%, enquanto o Maranhão apresentou 535 transplantes, equivalente a 9,04%. A Região Nordeste registra um total de 12.611 pacientes ativos na lista de espera por transplantes. Bahia lidera com aproximadamente 30,41% do total. Em seguida, PE apresenta cerca de 24,70%, e CE ocupa a terceira posição, com aproximadamente 12,70%. Os outros estados também têm um número expressivo de pacientes na lista.
Conclusão: O objetivo do estudo foi alcançado, tendo em vista que foram analisadas e discutidas as estatísticas dos transplantes realizados no ano de 2024 na Região Nordeste.
Descritores
Transplante; Obtenção de Tecidos e Órgãos; Transplante de Órgãos; Epidemiologia
ABSTRACT
Objectives: To analyze and discuss the statistics of organ and tissue transplants performed in the Northeast region in 2024.
Methods: This study employs an observational, descriptive design with a quantitative approach. The research was conducted using data extracted from the statistical reports of the Brazilian Transplant Registry (Registro Brasileiro de Transplantes [RBT]), made available electronically by the Brazilian Association of Organ Transplants (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos [ABTO]). Data collection took place in July 2025.
Results: The state of Ceará (CE) stood out with the highest number of procedures, totaling 1,872 transplants, corresponding to 31.63% of the regional total. Subsequently, Pernambuco (PE) performed 1,365 transplants. Bahia (BA) performed 918 procedures, corresponding to 15.51%, while Maranhão performed 535 transplants, equivalent to 9.04%. The Northeast region has a total of 12,611 active patients on the transplant waiting list. BA leads with approximately 30.41% of the total. PE follows with approximately 24.70%, and CE ranks third with approximately 12.70%. The other states also have a significant number of patients on the waiting list.
Conclusion: Therefore, the objective of the study was achieved, considering that the statistics of transplants performed in 2024 in the Northeast region were analyzed and discussed.
Descriptors
Transplantation; Tissue and Organ Procurement; Organ Transplantation; Epidemiology
INTRODUÇÃO
O transplante de órgãos enfrenta diversos desafios, como a capacidade de atender a todos os pacientes em lista de espera, o que, durante o processo, pode resultar no óbito de alguns. Essa realidade é observada globalmente1. Para os pacientes na lista de espera, sentimentos como ansiedade e incerteza são concomitantes. O Brasil é uma referência mundial em doação e transplantes de órgãos, garantidos de forma integral e gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por financiar e realizar mais de 88% de todos os transplantes no país2.
No Brasil, existe uma lista nacional unificada que abrange todos os pacientes e órgãos disponíveis para transplante no país. Essa lista é coordenada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), órgão vinculado ao Ministério da Saúde (MS). O SNT estabelece critérios para a alocação dos órgãos, incluindo compatibilidade imunológica entre doador e receptor, urgência clínica do paciente, tempo de espera na fila e disponibilidade geográfica do órgão3.
Todavia, o país defronta-se com desafios na otimização da fila de transplantes, destacando-se a reduzida taxa de doação efetiva de órgãos, calculada pela proporção entre o número de doadores falecidos que efetivamente doaram seus órgãos e o total de potenciais doadores falecidos. Em 2022, tal taxa foi de 18%, divergindo da meta ideal de 25%. Consequentemente, um número expressivo de órgãos não foi doado devido a múltiplos fatores, incluindo a recusa familiar, a carência de infraestrutura ou equipes especializadas e a demora no diagnóstico de morte encefálica (ME), entre outros4.
Outro impasse é a desigualdade regional na oferta e demanda por órgãos. Conforme o relatório da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) de 2022, observou-se uma diversidade na taxa de doação efetiva entre as regiões do país, com as regiões Sul e Sudeste apresentando as maiores taxas, 28% e 23%, respectivamente. Em contrapartida, as regiões Norte (8%), Nordeste (12%) e Centro-Oeste (13%) registraram as menores taxas. Essa discrepância reflete as diferenças culturais, socioeconômicas e infraestruturais entre as regiões3.
O país dispõe, atualmente, de uma Central Nacional, 27 Centrais Estaduais de Transplantes (CET), 78 Organizações de Procura de Órgãos (OPO), 516 Comissões Intra-hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), 52 bancos de tecido ocular, 13 câmaras técnicas nacionais, 12 bancos de multitecidos, 13 bancos de cordão de sangue umbilical e placentário e 48 laboratórios de histocompatibilidade. Toda essa estrutura do SNT visa aprimorar o processo de doação e transplante de órgãos e tecidos2.
Em concordância, os profissionais dessas comissões atuam diariamente para que o processo ocorra de forma fidedigna. Como exemplo, a equipe do CIHDOTT realiza a busca ativa de potenciais doadores, auxilia no protocolo e acompanha todo o processo junto às OPO. Além disso, é fundamental que promovam capacitação contínua aos profissionais de saúde, para garantir a notificação do óbito e a adequada identificação e condução de situações de potencial doação5.
Portanto, esse trabalho se torna importante, vista a necessidade de mais estudos sobre transplante no Brasil, em específico na Região Nordeste, com a necessidade de ampliar e disseminar a doação de órgãos e tecidos nessa área, para melhorar as estatísticas e reduzir significativamente a fila de transplante. Assim, o objetivo do estudo é analisar e discutir as estatísticas dos transplantes de órgãos e tecidos realizados na Região Nordeste no ano de 2024.
MÉTODOS
Este estudo consiste em uma análise observacional, descritiva, empregando uma abordagem quantitativa. A pesquisa foi conduzida utilizando dados extraídos dos relatórios estatísticos do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), disponibilizados eletronicamente pela ABTO. A coleta de dados ocorreu no mês de julho de 2025. A população estudada compreendeu todos os registros referentes aos transplantes de órgãos e tecidos realizados, bem como os dados da lista de espera na Região Nordeste, no ano de 2024.
O presente estudo foi conduzido com base em uma análise detalhada dos dados referentes a transplantes de órgãos e tecidos no Nordeste, área de vasta extensão geográfica e grande relevância demográfica e social para o país. Conforme os dados consolidados do último censo demográfico, realizado no ano de 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população total do Nordeste atinge a marca de 54,6 milhões de habitantes. Esse número expressivo a posiciona como a segunda região mais populosa do Brasil, ficando atrás apenas da Região Sudeste. A densidade populacional e a diversidade cultural e geográfica da região impõem desafios e oportunidades únicas para a área da saúde, especialmente no que tange à logística, captação e distribuição de órgãos e tecidos para transplante6.
A análise e a tabulação dos dados coletados foram realizadas com o auxílio do programa Microsoft Excel 2019, aplicando-se estatística descritiva simples para a síntese dos dados e das observações. Para uma compreensão aprimorada dos resultados, foram elaborados gráficos e tabelas com base no método quantitativo, apresentando valores absolutos e percentuais. Esses dados foram correlacionados com a literatura científica pertinente à temática.
Considerando que os dados são de domínio público e de livre acesso e contêm exclusivamente informações de interesse para a saúde coletiva, não se observam implicações diretas para seres humanos. Consequentemente, a submissão desta pesquisa ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) foi dispensada. O presente estudo está em conformidade com as Resoluções nº 466/12, nº 510/2016 e nº 738/2024 do Conselho Nacional de Saúde (CNS).
RESULTADOS
Os resultados do presente estudo compreendem a análise e a interpretação de todos os registros referentes aos transplantes de órgãos e tecidos realizados, bem como aos dados da lista de espera na Região Nordeste do Brasil, no ano de 2024. Os resultados obtidos fornecem uma visão abrangente do cenário de transplantes em cada um dos estados da Região Nordeste, detalhando as particularidades de cada localidade. Isso inclui a identificação das principais demandas por órgãos, refletindo sobre a capacidade dos centros transplantadores e os desafios enfrentados no processo de doação e captação, assim como as iniciativas em andamento para otimizar o sistema.
Adicionalmente, o estudo examina os padrões observados nas listas de espera, avaliando o tipo de órgão com maior demanda por doação e a distribuição geográfica dos pacientes. A análise desses dados permite não apenas quantificar a atividade de transplantes na região, mas também contribui para identificar lacunas e áreas que necessitam de maior investimento e atenção.
A Fig. 1 apresenta a distribuição dos transplantes de órgãos e tecidos realizados na Região Nordeste durante o período em análise. A análise da Fig. 1 revela uma distribuição heterogênea entre os estados. O estado do Ceará (CE) destacou-se com o maior número de procedimentos, totalizando 1.872 transplantes, correspondendo a 31,63% do total regional. Subsequentemente, Pernambuco (PE) realizou 1.365 (23,06%) transplantes. A Bahia (BA) realizou 918 procedimentos, correspondendo a 15,51%, enquanto o Maranhão (MA) apresentou 535 transplantes, equivalente a 9,04%.
Distribuição dos transplantes de órgãos e tecidos realizados por estado, na Região Nordeste, em 2024, São Luís, MA, 2025.
Os demais estados apresentaram os seguintes números: Piauí (PI), 305 transplantes (5,15%); Rio Grande do Norte (RN), 263 (4,44%); Paraíba (PB), 264 (4,46%); Alagoas (AL), 169 (2,86%); e Sergipe (SE), 228 (3,85%). O total de transplantes realizados na região ascendeu a 5.919, distribuídos de forma desigual entre os estados, refletindo as diferenças na capacidade de realização desses procedimentos na Região Nordeste.
A Tabela 1 apresenta o quantitativo de transplantes realizados na Região Nordeste, segmentados por estado e tipo de órgão transplantado. No ano de 2024, foram realizados 5.919 transplantes na região.
Distribuição dos transplantes realizados na Região Nordeste de acordo com o tipo de órgão e tecido em 2024, São Luís, MA, 2025.
Ceará destacou-se com o maior número de transplantes, totalizando 1.872 procedimentos, o que representa 31,63% do total regional. Dentre esses, 250 foram transplantes de rim, 251 de fígado, 35 de coração, três de pulmão, três de pâncreas e rim simultaneamente, e 1.330 de córnea. PE apresentou o segundo maior volume de transplantes realizados, com 1.365 transplantes, sendo 372 de rim, 118 de fígado, 32 de coração, seis pâncreas e rim simultaneamente, e 837 de córnea. BA e MA também registraram volumes expressivos, com 918 e 535 procedimentos, respectivamente.
Os demais estados apresentaram números comparativamente inferiores, indicando uma distribuição heterogênea dos procedimentos na região. PI registrou 305 procedimentos, RN 263, PB 264, SE 228 e AL 169. Essa distribuição ressalta a concentração de procedimentos em estados específicos, possivelmente devido à infraestrutura e à capacidade de transplantes disponíveis na região.
Ainda é um desafio significativo e de grande importância para a saúde pública a lista de espera por transplantes na Região Nordeste do país. A Fig. 2 oferece uma análise detalhada dos dados referentes aos pacientes ativos nessa lista de espera na região.
Distribuição dos pacientes ativos na lista de espera por estado na Região Nordeste em 2024. São Luís, MA, 2025.
A Região Nordeste registra um total de 12.611 pacientes ativos na lista de espera por transplantes. BA lidera com 30,41% (3.835) do total. Em seguida, PE apresenta 24,70% (3.115 pacientes) e CE ocupa a terceira posição, com 12,70% (1.601 pacientes).
Outros estados também têm um número expressivo de pacientes na lista: PI com 980 (7,77%); RN com 969 (7,68%); MA com 674 (5,34%); PB com 648 (5,14%); AL com 521 (4,13%); e SE com 268 (2,13%). AL e SE, embora com números menores, representam uma parcela significativa da demanda regional.
A Tabela 2 ilustra a distribuição dos pacientes em lista de espera de acordo com o tipo de órgão ou tecido necessário para transplante, fornecendo uma compreensão das demandas por procedimentos de transplante na região.
Distribuição dos pacientes ativos na lista de espera na Região Nordeste de acordo com o tipo de órgão e tecido em 2024, São Luís, MA, 2025.
Bahia lidera o número de pacientes em lista de espera, com um total de 3.835 indivíduos. Desses, 2.071 aguardam transplante renal, 48 necessitam de fígado, um de coração e 1.715 de córneas. PE ocupa a segunda posição, totalizando 3.115 pacientes. Destaca-se o número de pacientes aguardando rins (1.681) e córneas (1.333). CE ocupa a terceira posição no ranking de pacientes em lista de espera, totalizando 1.601 pacientes, distribuídos da seguinte forma: 1.396 para rim, 123 para fígado, cinco para coração, sete para pulmão, dois para pâncreas, 13 para pâncreas e rim simultaneamente, e 55 para transplante de córneas. Esses estados demonstram uma demanda significativa por transplantes renais.
Piauí totaliza 980 pacientes, com ênfase em 560 aguardando rins e 420 por córneas. RN apresenta 969 pacientes na lista, SE 228 e AL 169. No MA, 674 pacientes estão na lista de espera, sendo 164 para rins e 501 para córneas. PB tem 648 pacientes, 154 aguardando rins, 28 por fígado, três por coração e 463 por córneas, denotando uma demanda diversificada. AL registra 521 pacientes, dos quais seis aguardam por rins, quatro por fígado, um por coração e 510 por córneas. SE, por sua vez, conta com 268 pacientes ativos, todos aguardando córneas, sem registros para outros órgãos.
DISCUSSÃO
Os resultados do presente estudo evidenciaram uma disparidade significativa nas taxas de doação de órgãos e tecidos na Região Nordeste do país. A heterogeneidade é demonstrada no ano de 2024 pela concentração de procedimentos no CE, que realizou 1.872 transplantes (31,63% do total regional), em contraste com AL e SE, que realizaram 169 e 228 procedimentos, respectivamente. Essa discrepância levanta importantes questões sobre os fatores que influenciam a decisão familiar pela doação, a eficiência dos sistemas de captação e notificação e a urgência de implementar políticas públicas mais eficazes. Tais políticas devem visar tanto ao aumento da conscientização quanto à melhoria da infraestrutura de saúde local.
O Brasil detém o programa público de transplante de órgãos mais abrangente do mundo, posicionando-se em segundo lugar no número de transplantes realizados, superado apenas pelos Estados Unidos. Contudo, o país confronta notáveis desigualdades e discrepâncias em seu território, além de desafios consideráveis em infraestrutura, logística e aspectos geográficos, os quais impactam o processo de doação e transplante de órgãos7.
A lacuna entre a demanda e a oferta de órgãos, conforme identificada neste estudo, com um total de 12.611 pacientes ativos na lista de espera em 2024 e apenas 5.919 transplantes realizados no mesmo ano, encontra-se em consonância com os resultados observados na literatura. Um estudo8 revelou que os dados dos transplantes no Brasil contrastam com a demanda por órgãos sólidos ou tecidos, que é mais acentuada nas regiões Sul e Nordeste. A logística de captação, o processo de transplante e o produto interno bruto (PIB) regional podem impactar o aumento desses números.
Nessa perspectiva, um estudo9 buscou descrever a distribuição de transplantes de órgãos sólidos no Brasil e as informações da lista de espera. Os resultados indicaram um crescimento no número de transplantes realizados de 2001 a 2017, parcialmente atribuível ao aumento de centros de transplante habilitados. Contudo, observa-se uma concentração desses centros nas regiões Sul e Sudeste, o que denota uma distribuição desigual do serviço em território nacional.
Destarte, a investigação aprofundada revelou que, embora a demanda por transplantes seja alta em todo o país, a oferta de órgãos e tecidos na Região Nordeste permanece abaixo do ideal, contribuindo para longas filas de espera e, em muitos casos, para a piora da condição de saúde dos pacientes. Fatores como a cultura local, a desinformação e a falta de recursos adequados para a manutenção de doadores em potencial são apontados como elementos cruciais para essa realidade.
Um estudo10 realizado com o propósito de identificar a tendência temporal das taxas de doadores efetivos de órgãos e tecidos, de notificações e tipos de órgãos transplantados por milhão de habitantes no Brasil, constatou um aumento nas notificações de potenciais doadores e nas doações efetivas em âmbito nacional. No que concerne aos órgãos e tecidos transplantados, observou-se uma tendência crescente para o transplante de córnea nas regiões Norte e Nordeste.
Assim, a análise dos resultados, em termos gerais, evidencia uma demanda preponderante por rins em diversos estados da Região Nordeste, seguida por uma elevada procura por córneas. No ano de 2024, o Nordeste registrou 6.384 pacientes aguardando transplante renal e 5.881 pacientes por transplante de córnea. Destacam-se os 2.071 pacientes aguardando rim na BA e os 1.715 aguardando córnea. Tais dados são cruciais para a orientação de políticas públicas de saúde, a otimização da alocação de recursos e a ampliação da captação de órgãos, com o intuito de reduzir o tempo de espera e aprimorar os índices de sucesso dos transplantes.
Contudo, apesar do avanço legal no Brasil, a subnotificação do diagnóstico de ME e a ineficiência na doação de órgãos aumentam as listas de espera, devido à escassez de recursos humanos e materiais, à falta de capacitação e infraestrutura precária. Para otimizar o processo, coordenadores de CET e o governo devem investir na mitigação da ineficiência de recursos, na capacitação da equipe e em infraestrutura e logística. Campanhas de conscientização pública sobre a doação de órgãos também são cruciais7.
No contexto da pandemia causada pelo novo coronavírus, síndrome respiratória aguda grave do coronavírus 2 [severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2)], é plausível que tenha exercido um impacto adverso na oferta de serviços de transplante para muitos pacientes que necessitavam do procedimento. A pandemia intensificou alguns dos desafios preexistentes enfrentados pelos provedores de serviços de transplante. No que concerne ao Brasil, estima-se que a demanda anual por transplantes de órgãos sólidos, como rim, fígado, coração e pulmão, exceda em três vezes o número de procedimentos efetivamente realizados11. De acordo com os dados do relatório da ABTO, somente em 2020, 12.757 novos pacientes foram incluídos na lista de espera12.
Desse modo, a elevada quantidade de pacientes ativos na fila de espera por procedimentos denota a premente necessidade de expansão da infraestrutura de saúde, bem como a urgência de estratégias que assegurem o acesso equitativo aos tratamentos. A compreensão da distribuição desses pacientes entre os diversos estados da região é crucial para a formulação de políticas de saúde mais eficazes e para a alocação direcionada de recursos, visando mitigar as desigualdades e preservar vidas.
CONCLUSÃO
Portanto, o estudo analisou e discutiu as estatísticas de transplantes realizados e da lista de espera na Região Nordeste no ano de 2024. A análise dos dados desse ano evidenciou uma disparidade significativa na distribuição dos 5.919 transplantes realizados, com CE concentrando 31,63% dos procedimentos, seguido por PE e BA.
Em contraste, a lista de espera totalizou 12.611 pacientes ativos, com a maior demanda concentrada na BA (30,41%) e em PE (24,70%). Os resultados demonstram que os transplantes renais e de córnea representam a demanda preponderante na lista de espera na maioria dos estados do Nordeste, reafirmando a lacuna crítica entre a demanda e a oferta de órgãos na região.
Este estudo contribui substancialmente para o planejamento estratégico de políticas públicas de saúde, visando mitigar as filas de espera e expandir a disponibilidade de órgãos e tecidos. Recomenda-se que as políticas de saúde priorizem o investimento em infraestrutura, logística e capacitação contínua dos profissionais para otimizar o processo de doação, salvando e melhorando a qualidade de vida de inúmeros pacientes.
AGRADECIMENTOS
Não se aplica.
-
FINANCIAMENTO
Não se aplica.
-
DECLARAÇÃO DE USO DE FERRAMENTAS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Os autores declaram que nenhuma ferramenta de inteligência artificial foi usada na preparação, redação, análise de dados ou revisão deste manuscrito.
DISPONIBILIDADE DE DADOS DE PESQUISA
Os dados serão fornecidos mediante solicitação.
REFERÊNCIAS
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Ilka de Fátima Santana F. Boin https://orcid.org/0000-0002-1165-2149



Fonte: Elaborada pelos autores.
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