Os subprodutos da indústria vitivinícola portuguesa são muitas vezes subvalorizados, mas constituem uma potencial fonte de compostos fenólicos bioativos que podem ser aplicados como aditivos naturais em diversas indústrias. Neste contexto, o objetivo do presente estudo foi avaliar a composição nutricional, o perfil fenólico de dois bagaços de uvas portuguesas Vitis vinifera L. − Touriga Nacional (variedade tinta) e Alvarinho (variedade branca) − e correlacionar as suas caracterizações químicas com as suas atividades antioxidantes. Fortes correlações foram observadas entre a presença de compostos fenólicos e a atividade antioxidante, o que potencializa a aplicação dos extratos dos bagaços na área alimentar e farmacêutica. Os altos teores de compostos fenólicos totais (25 - 41 g/kg extrato seco) e de flavonoides (9,2 - 18 g/kg extrato seco) encontrados em ambas as amostras tornam estes bagaços excelentes candidatos a aditivos alimentares em produtos alimentícios, como agentes antioxidantes ou corantes naturais. Alguns fenólicos foram identificados por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE), sendo a rutina e a catequina os compostos maioritariamente encontrados no bagaço de uva tinta (Touriga Nacional), enquanto a quercetina foi apenas quantificada no bagaço de uva branca (Alvarinho). O cis-resveratrol foi quantificado em ambos os bagaços de uvas, o que abre horizontes para seu uso, uma vez que este composto possui consideráveis efeitos quimiopreventivos nos três principais estágios da carcinogênese. Como esperado, o teor de antocianinas foi significativamente maior no bagaço de uva tinta (37 g/kg extrato seco), enfatizando o seu interesse como aditivo alimentar natural. Com base nos resultados obtidos, pode-se concluir que estes subprodutos têm valor agregado, o que lhes confere potencial aplicabilidade nas indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética.
Palavras-chave:
Vitis vinifera L.; Bagaços de uvas autóctones; Composição nutricional; Polifenóis; CLAE; Atividade antioxidante; Aditivos alimentares