Doenças zoonóticas representam uma grande ameaça à saúde pública em comunidades indígenas devido ao isolamento geográfico, saneamento inadequado e contato próximo entre humanos, animais domésticos e animais selvagens. Este estudo teve como objetivo investigar a presença de anticorpos contra Toxoplasma gondii, Neospora caninum, Leishmania infantum e Leptospira spp. em cães da comunidade indígena Fulni-ô, localizada em Águas Belas, Pernambuco, Brasil. Amostras de sangue foram coletadas de 66 cães soltos ou semidomiciliados para análise sorológica. Testes de imunofluorescência indireta (RIFI) foram usados para detectar anticorpos para T. gondii e N. caninum, enquanto a detecção de Leishmania infantum foi realizada usando o kit TR DPP® Canine Visceral Leishmaniasis. A presença de Leptospira spp. foi avaliada por teste de aglutinação microscópica (MAT). Os resultados revelaram taxas de soropositividade de 46,9% (31/66) para T. gondii, 9,1% (6/66) para N. caninum, 22,7% (15/66) para Leishmania infantum e 18,2% (12/66) para Leptospira spp. Entre os sorovares de Leptospira spp. identificados, Icterohaemorrhagiae (83,3%, 10/12) e Pomona (50%, 6/12) foram os mais prevalentes, os quais foram associados a reservatórios ambientais e condições inadequadas de saneamento. Os resultados sugerem que os cães na comunidade Fulni-ô atuam como sentinelas ambientais, refletindo os riscos zoonóticos locais. Este estudo pioneiro destaca a necessidade de estratégias baseadas em Saúde Única para prevenir doenças zoonóticas em comunidades indígenas vulneráveis.
Palavras-chaves:
saúde pública; vigilância epidemiológica; protozoários; doenças negligenciadas
Thumbnail
