RESUMO
O presente estudo tem como objetivo analisar os efeitos da criminalidade, representada pelas taxas de homicídios, sobre o influxo líquido de capital externo como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) na América Latina. Para tal, utilizou-se o método de painel dinâmico, que permite o controle da relação endógena entre as variáveis, a partir de dados do World Bank Data para o período 1990-2020. Como principal resultado, foi possível verificar que as taxas de homicídios tendem a reduzir o influxo líquido de capital externo como proporção do PIB nos países latino-americanos. Diante dos resultados obtidos que evidenciam os efeitos nefastos da criminalidade, espera-se que este trabalho possa contribuir para a produção científica que tange o tema, além de servir de subsídio para a possível formulação de políticas públicas que reduzam a criminalidade nos países latino-americanos, o que propiciaria maior influxo de capital externo e elevação das taxas de crescimento econômico.
PALAVRAS-CHAVE:
Influxo de capital externo; Taxas de homicídios; Crescimento econômico; Painel dinâmico
ABSTRACT
The aim of this study is to analyze the effects of crime, represented here by homicide rates, on the net inflow of foreign capital as a proportion of Gross Domestic Product (GDP) in Latin America and the Caribbean. To do so, the study used the dynamic panel method which allows one to control for the endogenous relationship between variables, using data from the World Bank Data for the 1990-2020 period. The main result showed that homicide rates tend to reduce the net inflow of foreign capital as a proportion of GDP in Latin America and the Caribbean countries. In view of these results, which highlight the devastating effects of crime, it is expected that this study can contribute to the scientific production on the subject, and also serve as a support for the possible drafting of public policies to reduce crime in Latin America and the Caribbean countries, which would lead to a greater inflow of foreign capital and increase economic growth rates.
KEYWORDS:
Inflow of foreign capital; Homicide rates; Economic growth; Dynamic panel
1 INTRODUÇÃO
Em uma economia integrada, o investimento estrangeiro é crucial para o crescimento econômico, possibilitando o desenvolvimento de nações que enfrentam desafios de financiamento interno. Nesse sentido, o investimento direto externo (IDE) pode trazer benefícios tanto para os investidores quanto para os países receptores, dependendo de seus objetivos e características macroeconômicas específicas (Carminati & Fernandes, 2013).
Essa modalidade de investimento contribui para a disseminação de tecnologias e ideias inovadoras, impulsionando o progresso econômico, além de benefícios adicionais, tais como redução do desemprego, aumento na arrecadação, maior competitividade por parte das empresas, elevação nas remunerações, abertura ou consolidação de novos mercados consumidores e redução do risco vide diversificação das operações (Holland & Barbi, 2010. Kubicová, 2013; Carvalho, 2022; Lascurain Fernández, 2012).
Para atrair mais IDE, um país deve adotar medidas estratégicas, considerando fatores como a qualificação da mão de obra, o tamanho e a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a resiliência econômica frente a crises, a receptividade ao capital externo e o desempenho das bolsas de valores, que são determinantes essenciais (Nonnenberg & Mendonça, 2005).
Por outro lado, apesar da sua elevada importância em um mundo globalizado, o excesso de dependência da entrada desses recursos pode prejudicar a economia desses países, já que a entrada de empresas transnacionais pode reduzir a market share das empresas nacionais no mercado competitivo. Além disso, importante ressaltar as desvantagens competitivas, levando em consideração a facilitação do processo de transferências intrafirma entre uma filial e outra por parte transnacionais (Chiarini, 2016; Galvão & Pereira, 2017).
Na década de 1990, a desregulamentação dos mercados possibilitou aos países latino-americanos o acesso ao mercado financeiro internacional, impulsionado pela adoção de políticas de abertura comercial e pela busca de financiamento externo (Colombo & Sartório, 2022). A abertura comercial, aliada à receptividade das gestões locais e às baixas taxas de juros, resultou no aumento da entrada de capital externo na região. Contudo, esses investimentos não foram duradouros e começaram a desacelerar devido ao baixo crescimento da industrialização e às incertezas econômicas e políticas (UNCTAD, 2015).
Conforme a Cepal (2011), a América Latina experimentou significativo crescimento nos Investimentos Diretos Estrangeiros (IDEs) após a crise financeira internacional de 2010, impulsionado pelo aumento da demanda interna e pela busca de mercados por empresas transnacionais. Nesse sentido, os países latino-americanos mais beneficiados foram o Brasil (48,4 bilhões de dólares), o México (17,7 bilhões), o Chile (15,1 bilhões) e o Peru (7,3 bilhões), com os Estados Unidos e a China sendo os principais investidores. Entretanto, em 2020, devido à pandemia da Covid-19, os investimentos externos na região diminuíram, representando uma redução de cerca de 34,7 % em relação ao ano anterior. Importante destacar que essa queda nos IDEs foi um fenômeno global (Cepal, 2022).
Em 2021, após a vacinação e a estabilização dos casos de Covid-19, houve recuperação dos IDEs nessa região, sendo registrado aumento de 40,7 % em relação ao ano anterior, o que representa cerca de 9 % do investimento externo global. Entretanto, as previsões para os próximos anos é de que todos os países ainda sofram com os resquícios da pandemia, que impactarão os investimentos externos (Cepal, 2022).
Dada a significativa importância dos Investimentos Diretos Estrangeiros (IDEs) para os países em desenvolvimento, especialmente os latino-americanos, e considerando a desregulamentação dos mercados, torna-se essencial analisar os fatores que influenciam o influxo de capital externo. Nesse contexto, destacam-se a estrutura da firma, as características dos países receptores e seus atributos regionais, como o tamanho da economia (PIB), o ritmo de crescimento médio dos anos anteriores e o coeficiente de abertura da economia (Nonnenberg & Mendonça, 2005). Adicionalmente, Amal e Seabra (2007) ressaltam a importância de fatores institucionais, como o grau de liberdade e risco político, para atrair investimentos externos, enquanto Freitas e Prates (1998) afirmam que, além do grau de abertura financeira, a gestão macroeconômica dos fluxos de capitais é indispensável.
Além desses aspectos, fatores socioeconômicos, como o nível de escolaridade, também podem exercer influência nos influxos de capital externo (Nonnenberg & Mendonça, 2005). Outro componente socioeconômico de grande relevância é o nível de criminalidade, uma vez que um ambiente instável e violento pode não ser atrativo para investimentos (Carneiro & Oliveira, 2020; Ashby & Ramos, 2013).
Durante o período de aumento nos Investimentos Diretos Estrangeiros (IDEs), observou-se um considerável crescimento nos índices de criminalidade na América Latina, tornando-a uma das regiões mais violentas do mundo. Segundo o Relatório da UNODC (2019), a taxa de homicídios atingiu 62,1 por 100 mil habitantes na América Central, correlacionada ao aumento da desigualdade resultante da significativa entrada de commodities nos últimos anos. A análise abrangente de todos os países, conforme a Revista InSight Crime (Appleby et al., 2023), revela que as 50 cidades mais violentas de 2021 estão predominantemente localizadas na América Latina e no Caribe (Appleby et al., 2023).
O tráfico de drogas, o uso e contrabando de armas são apontados como fatores associados às elevadas taxas de mortes violentas por homicídios na região, conforme indicado pelo Instituto Humanitas Unisinos em março de 2023 (Behs, 2023). O Instituto de Economia e Paz destaca as consequências desse aumento da criminalidade na América Latina, analisando o custo econômico global da violência. O impacto econômico foi estimado em US $16,5 trilhões em 2021, equivalente a 10,9 % do PIB global, ou US $2.117 por pessoa (IEP, 2022).
O referido impacto econômico resultante do avanço da criminalidade pode ser categorizado em gastos diretos, que incidem diretamente sobre os envolvidos, e gastos indiretos, como a perda de produtividade e o influxo de capital. Esses aspectos evidenciam o impacto direto da criminalidade nos indicadores econômicos dos países, incluindo o influxo de capital externo.
Assim sendo, o Relatório do IEP (2022) sugere uma relação inversa entre a incidência de crimes e o influxo de IDEs. Países que não registraram aumento nos índices de criminalidade apresentaram aumento anual de 5,2 % na taxa de IDEs, enquanto aqueles em que o crime diminuiu até 2019 tiveram aumento de 2,6 %, evidenciando a possível relação inversa entre criminalidade e investimento externo.
Apesar da importância do tema, a literatura sobre a relação entre incidência de crimes e influxo de IDEs é limitada, com resultados geralmente consistentes. No cenário analisado por Loría (2020), o México enfrentou desafios econômicos devido às altas taxas de criminalidade na última década, resultando em uma redução nos Investimentos Diretos Estrangeiros (IDEs). Torres et al. (2018) aprofundam essa análise, destacando que homicídios e roubos são os crimes mais prejudiciais para a entrada de investimento externo no país. Daniele e Marani (2008) corroboram essa tendência ao evidenciar a significativa relação entre o aumento da criminalidade na Itália e a diminuição nos IDEs, especialmente em áreas com elevadas taxas de crimes. Santos (2017) também identificou a existência de relação negativa entre algumas modalidades de criminalidade e influxo de capital externo.
Levando em consideração de que a América Latina é uma das regiões mais violentas do mundo, o que impacta negativamente a qualidade de vida dos indivíduos e o ambiente econômico, este estudo visa analisar os efeitos da criminalidade, representada pelas taxas de homicídios, sobre o influxo líquido de capital externo como proporção do PIB na região, considerando o período 1990-2020. Contribuindo para a literatura ao considerar os países latino-americanos e utilizar dados recentes, o estudo ganha relevância. Compreendendo cinco seções, o trabalho abrange evidências empíricas, metodologia, resultados e considerações finais.
2 EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS
O avanço da criminalidade e o influxo de capital externo possuem relação intrínseca. Por um lado, a entrada de investimento externo direto pode reduzir os índices de crimes em função da melhoria das condições de vida (Amundsen, 2023). Por outro lado, pode haver elevação da criminalidade, dada a aceleração do processo de urbanização (Levchak, 2024).
Não obstante, o foco no presente estudo é investigar como a elevação das taxas de criminalidade impacta o influxo de capital externo. Nesse sentido, segundo Carneiro e Oliveira (2020), os crimes violentos trazem diversas implicações para a sociedade, dentre elas a redução do nível de confiança na respectiva região. A América Latina é uma região em desenvolvimento que desde 1980 vem recebendo um fluxo relativamente elevado de investimentos externos. Tendo em vista que o nível de confiança e estabilidade são fatores primordiais para o ingresso de investimento externo nos países, é importante compreender como e em que magnitude a criminalidade pode interferir nesse influxo.
Islam e Hussain (2018) desenvolveram uma pesquisa com o intuito de analisar o impacto do crime, principalmente homicídios e corrupção, no desempenho econômico de mais de cem países, por meio da estimação de um modelo de Mínimos Quadrados Ordinários (MQO) para 110 países, considerando o ano de 2014. Os resultados encontrados evidenciam que a redução das taxas de criminalidade, somada ao aumento da sensação de segurança entre os cidadãos, do Estado de Direito e dos esforços intensificados para conter a corrupção são fatores que impactam positivamente o PIB. Logo, quando os índices de criminalidade diminuem em 1 %, há efeito positivo de 0,8 % no PIB, gerando incentivos aos investimentos estrangeiros.
Em conformidade, Ramos e Ashby (2017) verificaram como a sensação de segurança pode interferir nos investimentos externos do México. Para tal, os autores, inicialmente, estimaram o modelo com dados em painel estático por meio do modelo de efeitos fixos, e em seguida, utilizaram modelos com dados em painel dinâmico, controlando vários determinantes do IDE em nível estadual e o potencial da reprodução geográfica dessa violência no país para o período entre 2001 e 2015. Os resultados sinalizaram que a existência de um julgamento prévio dos investidores a respeito dos elevados índices de criminalidade os deixa receosos em realizar os investimentos. Assim, um aumento de 1 % nos índices de criminalidade provoca redução nos investimentos externos na ordem de 41 a 46 milhões de dólares.
Já Agyapong et al. (2016) utilizaram o modelo de crescimento de Solow na forma de função de produção Cobb-Douglas para analisar a relação entre criminalidade e investimento externo em Gana, considerando o período 2000-2014, por meio de um modelo Autorregressivo de Defasagens Distribuída. Os resultados sugerem que o crime organizado gera insegurança, ineficiência e incerteza nos investidores internos e externos, o que afeta diretamente o crescimento e desenvolvimento do país. Nesse sentido, crimes de diversas naturezas afetam o comércio e os investimentos externos, como analisado também por Blomberg e Mody (2005), considerando o período de 1980 a 2000.
À vista disso, Afriyanto (2017) ressaltou que além da imagem negativa que a criminalidade traz para os países, a relação inversa entre investimento estrangeiro e criminalidade também é reflexo do elevado custo com equipamentos de segurança adicionais, segundo a estimação de um modelo econométrico com dados em painel para o período 2005 a 2015, considerando 31 províncias na Indonésia. Mais especificamente, o autor concluiu que a elevação dos níveis de crime exerce efeito negativo de aproximadamente 0,95 % nos IDEs. Logo, pelo fato de os investidores terem que ampliar seus gastos com segurança à medida que a criminalidade aumenta, há desestímulo de investimentos no país.
Carreira (2011) buscou analisar os efeitos de uma modalidade de crime sobre os investimentos externos que gera controvérsias na literatura: a corrupção. Enquanto alguns autores sugerem que a corrupção atua como um facilitador para o ingresso de capitais, vide Huntington (1975), Carreira (2011) demonstrou que o nível de corrupção gera incertezas e diminui a entrada de investimentos externos ao analisar 49 países por meio da estimação de um modelo econométrico Tobit, em que encontrou que o aumento de uma unidade no nível de corrupção implica redução de 21 % no influxo de IDE.
Cabe ainda ressaltar que, de acordo com a UNCTAD (2015), o México foi o décimo terceiro maior receptor de IDEs em 2014 e 2015. Por outro lado, o país foi constantemente considerado como um dos mais violentos do mundo, com milhares de mortes decorrentes da violência do narcotráfico. Nesse sentido, Garriga e Phillips (2015) e Ashby e Ramos (2013) analisaram o impacto da criminalidade no investimento externo em diversos setores do país para o período de 2000 a 2012 e 2004 a 2010.
Os resultados obtidos evidenciam que a criminalidade tem efeitos significativos e reduzem os investimentos externos. De acordo com os resultados encontrados por Ashby e Ramos (2013), o adicional de um homicídio por 100 mil pessoas está associado a uma redução de 2 % a 4 % nos investimentos nos setores financeiros, administrativos e imobiliários; além de diminuição de 4 % a 5 % nos investimentos nos setores de comércio e comunicação e transporte. Tais resultados retratam a esperada relação inversa entre criminalidade e influxo de capital externo.
De fato, Loría (2020), por meio da estimação de um modelo de séries temporais para o México com o período temporal de 1997-2017, verificou que os elevados índices de sequestros e homicídios intencionais desencorajam os investimentos externos no México em 1,19 % e 0,28 %, respectivamente.
Mais recentemente, Garriga e Phillips (2022), utilizando dados em painel estático (Efeitos Fixos) e painel dinâmico para o período 2000-2018, inovaram ao considerar os efeitos do crime organizado em âmbito regional. Os autores constataram que a maior presença de grupos criminosos por estados mexicanos diminui em aproximadamente 31 % os novos fluxos de novos investimentos externos, ou seja, um Estado sem a presença de atividades criminosas receberia cerca de 1,235 bilhão de dólares em forma de IDE.
No que tange ao Brasil, Marchezini et al. (2022) corroboram a existência dessa relação ao analisarem o estado de São Paulo no período 2002-2018. Por meio de um modelo econométrico composto por um sistema de equações para dados em painel, os autores verificaram que o crime reduz o ritmo de crescimento econômico.
3 METODOLOGIA
3.1 Dados
Os dados utilizados para a construção das variáveis utilizadas neste trabalho foram extraídos do World Bank Data, plataforma que disponibiliza diversos dados e estatísticas econômicas em nível internacional para todos os países, inclusive a América Latina. O período analisado é de 1990 a 2020, resultando em 930 observações. A delimitação desse período foi realizada com o intuito de desenvolver um trabalho que traga resultados mais recentes possíveis para a literatura relativa ao tema.
3.2 Modelo Econométrico
Para analisar os efeitos da criminalidade no influxo de capital externo em países latino-americanos, adota-se a metodologia de dados em painel dinâmico. Modelos com dados em painel apresentam vantagens notáveis, permitindo a análise do impacto e da evolução de diversas variáveis ao longo de vários períodos, mesmo quando as informações são incompletas para algumas variáveis específicas. Além disso, esse método proporciona uma quantidade significativa de informações ao aumentar o número de observações, resultando em mais graus de liberdade, maior eficiência das estimativas e redução da colinearidade. Isso, por sua vez, viabiliza uma análise mais aprofundada dos dados (Marques, 2000).
A utilização de dados em painel dinâmico propicia vantagens adicionais, uma vez que se leva em consideração a relação inercial ao se utilizar a variável dependente como variável explicativa defasada, além de possível controle da relação de endogeneidade entre algumas variáveis ao considerar as próprias variáveis defasadas em dois lags como instrumentos. Tal controle é fundamental, pois a endogeneidade implica vieses, inconsistências e ineficiência na estimação econométrica (Arellano & Bond, 1991).
Assim, foi construído um painel desbalanceado com dados de 30 países da América Latina, para o período 1990-2020, totalizando 930 observações. Segundo Arellano e Bond (1991), a estimação do modelo com dados em painel dinâmico é realizada por meio do Método de Momentos Generalizados (GMM), descrita em sua forma geral da seguinte forma:
Onde y é a variável dependente, X é o vetor de variáveis explicativas e ε corresponde ao termo de erro da regressão. O subscrito 𝑖 indica o país, enquanto 𝑡 representa o período. Ademais, assume-se também que estão inclusos no termo de erro os efeitos específicos sobre as taxas de criminalidade de cada país ( 𝑢 𝑖 ), e os choques aleatórios não observados ao longo do tempo, ( 𝑣 𝑖,𝑡 ).
Desse modo, a equação da regressão pode ser reescrita como:
Assumindo que 𝑢 𝑖 ∼ IID (0, 𝛼 𝑢 2 ) e 𝑣 𝑖 ∼IID(0, 𝛼 𝑣 2 ), onde os 𝑢 𝑖 representam os efeitos fixos individuais de cada país invariantes no tempo. E 𝑣 𝑖,𝑡 representam os choques aleatórios específicos de cada país, que variam com o tempo, sendo heterocedásticos e correlacionados no tempo entre os países, mas não entre eles. Assim:
A regressão pelo método GMM é capaz de eliminar os efeitos fixos sobre a taxa de criminalidade de cada país quando é aplicada a transformação de momento no modelo. Desse modo, a primeira regressão é realizada com o intuito de retirar do modelo os componentes que não variam com o tempo. Assim, a equação de estimação específica estimada para esse trabalho pode ser definida como:
onde (Influxo_inv) corresponde aos influxos líquidos de investimento direto externo como proporção do PIB e é a variável dependente. E os β’s são os parâmetros estimados para cada variável independente, que foram incluídas a partir da literatura relativa ao tema e estão apresentadas no Quadro 1, abaixo, onde elas foram sumarizadas e descritas com seus respectivos sinais esperados.
Importante destacar que o Influxo_invdef possui sinal esperado positivo, uma vez que a literatura aponta para um efeito inercial na trajetória dos investimentos externos. Logo, o investimento estrangeiro passado tem efeito positivo sobre o investimento presente (Axarloglou, 2007).
Para a variável Homicídios é esperada relação negativa com os influxos líquidos de investimentos externos. Loría (2020) argumenta que elevadas taxas de homicídios têm o efeito de reduzir os investimentos externos, enquanto Blomberg e Mody (2005) destacam a relação negativa entre violência, especialmente em países em desenvolvimento, e a entrada de IDE para o país anfitrião. Nesse contexto, em regiões onde a criminalidade é prevalente, o ambiente caracterizado por insegurança e medo tende a inibir a atividade econômica do país, especialmente aquelas que envolvem agentes externos.
Desse modo, elevadas taxas de homicídios e sequestros podem diminuir significativamente os investimentos externos (Bernal & Castillo, 2012). Essa variável foi considerada endógena na estimação, pois o influxo de capital externo também pode diminuir (Amundsen, 2023) ou aumentar (Levchak, 2024) as taxas de homicídios, sinalizando a existência de causalidade reversa.
No tocante à variável que aponta os gastos com saúde em relação ao PIB dos países, espera-se relação positiva com a variável dependente. De acordo com Alsan, Bloom e Canning (2006), a melhoria das condições de saúde, que poderia ocorrer por meio da elevação dos dispêndios com saúde, tende a aumentar a entrada de investimentos diretos externos.
Com relação ao cresc_pop, espera-se relação ambígua com a variável dependente. Por um lado, um país que apresente maior potencial em termos de mão de obra pode ser atrativo para o investimento externo (Nonnenberg & Mendonça, 2005). Por outro lado, segundo Negri e Acioly (2004), alguns investidores demandam mão de obra mais qualificada ao invés de quantidade de trabalhadores, tornando possível a existência de relação negativa.
Ademais, espera-se relação positiva entre a variável dependente e o Gasto_educ_gov, dado que a elevação no investimento público em educação tende a melhorar a produtividade do país, afetando diretamente o ritmo de crescimento econômico. Nesse sentido, de acordo com Silva Filho (2015), a ampliação do estoque de capital humano é um requisito indispensável para a adesão aos projetos de IDEs.
Por sua vez, a Fbkf_pib, ou seja, a ampliação da capacidade produtiva futura de uma economia, é uma variável considerada endógena na estimação, já que possui relação de causalidade reversa com o influxo líquido de capital externo. Segundo Mordecki e Ramirez (2018), a FBKF está positivamente relacionada com o PIB, visto que uma ampliação da capacidade de produção implicará o aumento da riqueza nacional, a qual é medida pelo PIB. Conforme definido por Islam e Hussain (2018), fatores macroeconômicos como a ampliação do PIB são fatores primordiais para a fomentação dos IDEs.
Por outro lado, Krkoska (2001) afirma que a relação entre IDE e a FBKF não é tão simples nem necessariamente positiva. Em alguns casos, como na ocorrência de privatizações estrangeiras, essa relação pode ser negativa, vide transferência da capacidade produtiva para outros países. Assim, espera-se resultado ambíguo para essa variável.
A variável relativa à utilização de crédito do FMI (Fmi) também tem relação endógena com o influxo de investimento. De acordo com Biage et al. (2008), o influxo de capitais tende a ser mais intenso à medida que aumenta a expectativa de retorno e diminui o risco associado aos investimentos. Por meio da utilização do crédito do FMI como proxy de risco, espera-se relação positiva entre as variáveis, visto que maior concessão de crédito reflete em menor risco. Por outro lado, o aumento nos IDEs pode ser sinal de estabilidade do país aos olhos dos investidores, o que terá impacto positivo na concessão de crédito do FMI. Esse resultado é corroborado por Coelho (2012), que destaca como a volatilidade nos negócios internacionais reflete também a volatilidade da concessão de crédito.
A variável relativa ao PIB per capita (Pibpc) também possui relação endógena com a variável dependente. Por um lado, a elevação do PIB per capita tende a aumentar o influxo de capital externo, dado o maior poder de compra da população (Alshamsi, Hussin, & Azam, 2015). Entretanto, analisando-se sob outra perspectiva, Sghaier (2022) aponta que o influxo de capital externo tende a elevar o ritmo de crescimento econômico dos países. Ademais, a variável para controle do período relativo ao início da pandemia da Covid-19 (Covid) tende a apresentar sinal estimado negativo para seu coeficiente (Koçak & Barış-Tüzemen, 2022).
Por fim, para atestar a robustez dos modelos estimados com dados em painel dinâmico, Arellano e Bond (1991) sugerem os testes de Sargan e de correlação serial. O primeiro verifica a validade dos instrumentos, em que rejeitar a hipótese nula indica que os instrumentos são válidos. Já o segundo é um teste de Multiplicador de Lagrange, responsável por verificar a existência de correlação serial em primeira e segunda ordem dos resíduos em primeira diferença na variação dos choques aleatórios específicos a cada país, os quais variam com o tempo. A hipótese nula desse teste é de que os erros são autocorrelacionados, em primeira diferença, e se espera que eles sejam correlacionados em primeira ordem, mas não em segunda ordem.
4 RESULTADOS
Nesta seção, são apresentados os resultados da pesquisa, a qual será dividida em duas subseções. Na primeira, é apresentada a análise descritiva, enquanto na segunda se expõem os resultados encontrados por meio da estimação econométrica, ambas compreendendo ao período temporal de 1990 a 2020.
4.1 Análise Descritiva
A análise descritiva descreve aspectos importantes a respeito das variáveis utilizadas no modelo em estudo, como a média, o desvio padrão e os valores de mínimo e máximo, possibilitando melhor compreensão da amostra e auxiliando, posteriormente, na compreensão dos resultados econométricos. A Tabela 1, abaixo, descreve os resultados das estatísticas descritivas.
No geral, todas as variáveis apresentam elevada disparidade, demonstrando a heterogeneidade entre os países latino-americanos. Importante destacar a elevada variabilidade dos controles que representam os gastos dos governos com educação e saúde, cujos desvios padrão superam as médias.
De forma complementar, as Figuras 1 e 2, apresentam, respectivamente, as taxas de homicídios e influxo líquido de capital externo nos anos de 1990 e 2020, primeiro e último anos considerados na amostra. Por meio das referidas figuras, é possível relacionar a entrada líquida dos IDEs nos países latino-americanos com a variação das taxas de homicídios, utilizada como proxy para criminalidade nos anos analisados.
Nota-se que houve, no geral, redução das taxas de homicídios em poucos países da região entre 1990 e 2020, notadamente Colômbia e Equador. De forma similar, o influxo líquido de capital externo para esses países apresentou, no geral, aumento no mesmo período. Além disso, os países que apresentaram aumento em suas taxas de homicídios no período analisado tiveram, em geral, reduções nos influxos de capital externo, a exemplo de Jamaica e Santa Lúcia.
Cabe ainda destacar o caso de Antígua e Barbuda, o país que recebeu o maior influxo líquido de investimentos como porcentagem do PIB em 1990, caindo para menos da metade no ano de 2020. Já as taxas de homicídios para esse país tiveram elevação de 82,6 % no período. Tal resultado dá indícios da existência de relação inversa entre taxas de homicídios e influxo líquido de capital externo como proporção do PIB, o que será atestado na próxima subseção, vide apresentação dos resultados econométricos.
Influxo líquido de capital externo como proporção do PIB para países latino-americano nos anos 1990 e 2020
4.2 Resultados Econométricos
A Tabela 2, abaixo, apresenta os resultados encontrados por meio da estimação do modelo econométrico com dados em painel dinâmico, considerando erros padrão robustos. Considerando-se um nível de significância de pelo menos 10 %, as variáveis Gasto_saude, Cresc_pop, Gasto_educ_gov, Fbkf_pib e Pibpc não foram estatisticamente significativas. Ademais, para analisar a robustez da estimação, foram realizados o teste de correlação serial Arellano-Bond e o teste de validação instrumental de Sargan, assinalando que não havia correlação serial dos erros e que os instrumentos utilizados são válidos.
Inicialmente, é possível atestar que a variável de maior interesse no estudo, a taxa de homicídios, se mostrou significativa a 5 % para explicar o influxo líquido de capital externo como percentual do PIB. Nesse sentido, a elevação em 1 % nas taxas de homicídios diminui em 4,87 % o influxo líquido de capital externo como proporção do PIB nos países latino-americanos no período 1990-2020. Esse resultado está em conformidade com os trabalhos de Blomberg e Mody (2005) e Bernal e Castillo (2012). Tais autores buscaram analisar o impacto do crime em suas diversas modalidades (taxa de homicídios, sequestros ou crime organizado) sobre o influxo de investimentos estrangeiros em determinados países com resultados similares.
Importante destacar que a relação endógena entre crime e influxo de capital externo foi controlada na estimação do modelo. Desse modo, é possível constatar que a criminalidade, vide seu efeito de insegurança e instabilidade, desencoraja os possíveis investidores, além de exercer impacto negativo nos indicadores econômicos e sociais dos países. Detotto e Otranto (2010) associam as atividades criminosas a impostos sobre a economia, visto que elas reduzem a atratividade de investimentos nacionais ou estrangeiros, inibem a competitividade das empresas e geram incertezas e ineficiência econômica. Além disso, o avanço da criminalidade pode elevar substancialmente o custo de criação de uma empresa (Dadzie et al., 2014)
Especificamente no caso da América Latina, a literatura tem ressaltado que os elevados índices de criminalidade são responsáveis pela elevação do medo, incerteza e insegurança nos investidores (Garriga & Phillips, 2015; Ashby & Ramos, 2013). Outrossim, Dadzie et al. (2014) apontam que os gastos por parte dos investidores com segurança privada podem se elevar com o avanço do crime, colaborando para desencorajar os investimentos.
É importante destacar que a criminalidade também gera consequências indiretas, como as elevadas despesas na tentativa de minimizar suas taxas e lidar com suas consequências (Cerqueira, 2014). Os gastos elevados com tais despesas comprometem a distribuição dos recursos financeiros dos países com a agenda de segurança pública, diminuindo a cifra que poderia ser destinada à infraestrutura, elevando a dependência dos investimentos diretos externos para cobrir essa falta de recursos (Fialho, 2020).
Com relação às demais variáveis de controle, o influxo de investimento externo defasado em um período, também foi significativo a 1 % e apresentou resultado esperado, evidenciando o efeito inercial da trajetória dos investimentos externos, conforme sugerido por Axarloglou (2007). Assim, a elevação em 1 % no influxo líquido de capital externo como proporção do PIB do período anterior aumenta em aproximadamente 49,57 % o indicador no período subsequente.
Por sua vez, a variável referente à utilização de crédito do FMI (Fmi) foi estatisticamente significativa e apresentou sinal estimado positivo para seu coeficiente. Assim, uma elevação em 1 % na utilização de crédito junto ao FMI elevou em aproximadamente 8,37 o influxo de capital externo como proporção do PIB. Conforme Biage et al. (2008), o influxo de capitais aumenta à medida em que a expectativa de retorno se eleva e quanto menor o risco associado aos investimentos, o que justifica o resultado encontrado.
A variável Covid foi inserida com vistas a controlar o efeito inicial da pandemia da Covid-19, que afetou todos os países e teve início no ano de 2020, sobre o influxo de capitais. O resultado indica uma forte influência negativa da pandemia no influxo de capital externo, o que é corroborado por Koçak e Barış-Tüzemen (2022). Os autores analisaram os investimentos estrangeiros em países emergentes e encontraram evidências de que a pandemia impactou de forma considerável os fluxos de investimentos.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A busca pela atração de investimentos externos em uma economia é motivada por diversos fatores, dentre os quais se destacam a contribuição ao saldo do balanço de pagamentos, adoção de novas tecnologias, qualificação da mão de obra, ganhos de produtividade e, principalmente, possibilidade de financiamento externo na formação de capital.
Diante desses inúmeros efeitos positivos decorrentes da entrada dos investimentos externos, o objetivo primordial deste trabalho foi investigar os efeitos da criminalidade, representada pelas taxas de homicídios, sobre o influxo líquido de capital externo como proporção do PIB nos países latino-americanos durante o período de 1990 a 2020, utilizando como método a estimação de um modelo com dados em painel dinâmico a partir das informações extraídas do World Bank Data.
De acordo com os resultados obtidos, é possível concluir que as taxas de homicídios impactam negativamente os influxos líquidos de capital externo como proporção do PIB. Nesse sentido, regiões com taxas de criminalidade muito elevadas tendem a gerar um ambiente de instabilidade e insegurança, reduzindo o bem-estar social e inibindo atividades econômicas, particularmente os investimentos estrangeiros. Diante de tal resultado, destaca-se a importância de promover medidas que contingenciem as taxas de homicídios, vide seu impacto nos indicadores econômicos e no bem-estar social.
Outrossim, com relação aos demais controles inseridos na estimação econométrica, as variáveis Influxo_invdef e Fmi apresentaram relação positiva com a variável dependente. Desse modo, quanto maior o influxo de capital externo do período anterior e a utilização de crédito junto ao FMI, mais elevados tendem a ser os influxos de capital externo como proporção do PIB nos países latino-americanos. Por outro lado, a dummy Covid apresentou sinal estimado negativo para seu coeficiente, o que aponta que o período inicial da pandemia da Covid-19 determinou uma queda brusca no influxo de capital externo como proporção do PIB nos países latino-americanos.
Assim, diante dos resultados que evidenciam os efeitos nefastos da criminalidade sobre o influxo líquido de capital externo como proporção do PIB latino-americano, seria fundamental a formulação de políticas públicas que mitiguem as elevadas taxas de homicídios que assolam os referidos países, como maior nível de qualidade dos dispêndios em segurança pública, particularmente em tecnologia capaz de tornar as polícias mais eficazes. Com um ambiente mais estável e seguro, é possível que a região se torne mais atraente para investimentos externos, trazendo diversos benefícios.
Posto isso, salienta-se que este estudo possui limitações por utilizar apenas a taxa de homicídios como proxy para criminalidade, um conceito abrangente e de difícil mensuração, especialmente devido aos casos de subnotificações. Entretanto, os resultados obtidos foram robustos e são passíveis de utilização como ponto de partida para diversas análises no tocante à temática e para possíveis estudos futuros.
Referências bibliográficas
- Afriyanto, M. M. (2017). The impact of crime on foreign direct investment. Economic Journal of Emerging Markets, 9(2), 189.
- Agyapong, D., Asiamah, M., & Yaa Tiwaa Addo-Danquah, M. (2016). Organised Crime, Foreign Direct Investment and Economic Growth in Ghana. Journal of Economics, Management and Trade, 15(4), 1-12.
- Alsan, M., Bloom, D. E., & Canning, D. (2006). The Effect of Population Health on Foreign Direct Investment Inflows to Low- and Middle-Income Countries. World Development, 34(4), 613-630.
- Alshamsi, K. H., Hussin, M. R., & Azam, M. (2015). The impact of inflation and GDP per capita on foreign direct investment: the case of United Arab Emirates. Investment Management and Financial Innovations, 12(3-1), 132-141.
- Amal, M., & Seabra, F. (2007). Determinantes do investimento direto externo (IDE) na América Latina: uma perspectiva institucional. Revista economia, 8(2), 231-247.
- Amundsen, M. (2023). Does Foreign Direct Investment by Multinational Corporations Increase Interpersonal Violence in Host Countries? A Cross-National Analysis of 170 Countries, 1990-2019. [Unpublished master’s thesis]. Norwegian University of Science and Technology.
-
Appleby, P., Dalby, C., Doherty, S., Mistler-Ferguson, S., & Shuldiner, H. (2023, February 8). InSight Crime’s 2022 Homicide Round-Up. InSight Crime. https://insightcrime.org/news/insight-crime-2022-homicide-round-up/
» https://insightcrime.org/news/insight-crime-2022-homicide-round-up/ - Arellano, M., & Bond, S. (1991). Some tests of specification for panel data: Monte Carlo evidence and an application to employment equations. The review of economic studies, 58(2), 277-297.
- Ashby, N. J., & Ramos, M. A. (2013). Foreign direct investment and industry response to organized crime: The Mexican case. European Journal of Political Economy, 30, 80-91.
- Axarloglou, K. (2007). Multinational corporations and inertia in foreign direct investment flows. The International Trade Journal, 21(4), 359-383.
-
Behs, E. (2023, March 8). Criminalidade aumenta na América do Sul e caribe. Instituto Humanitas Unisinos. https://www.ihu.unisinos.br/626778-criminalidade-aumenta-na-america-do
» https://www.ihu.unisinos.br/626778-criminalidade-aumenta-na-america-do - Bernal, M., & Castillo, R. (2012). Efecto de la delincuencia sobre la inversión extranjera directa en México. Comercio exterior, 62(3), 18-27.
- Biage, M., Correa, V. P., & Neder, H. D. (2008). Risco País, fluxos de capitais e determinação da taxa de juros no Brasil: uma análise de impactos por meio da metodologia VEC. Economia, 9(1), 63-113.
- Blomberg, S. B., & Mody, A. (2005). How Severely Does Violence Deter International Investment? SSRN Electronic Journal, 722812.
- Carminati, J. G. O., & Fernandes, E. A. (2013). O impacto do investimento direto estrangeiro no crescimento da economia brasileira. Planejamento e políticas públicas, 41, 141-172.
- Carneiro, L. A., & Oliveira, N. M. (2020). Crimes violentos e suas implicações no desenvolvimento regional: uma revisão da literatura. Research, Society and Development, 9(6), e199963626-e199963626.
- Carvalho, J. (2022). Política fiscal um entrave ao IDE-União Europeia (Publication No. 27). [Master thesis, Universidade do Porto]. Universidade do Porto.
- Carreira, H. (2011). Como a corrupção influencia os influxos de investimento direto estrangeiro: efeito da corrupção no país receptor e investidor. [Master thesis, Instituto Politécnico de Leiria]. IC Online.
- Cerqueira, D. R. C. (2014). Causas e consequências do crime no Brasil. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
-
Cepal. (2011, May 12). América Latina e Caribe foi a região onde mais cresceu o investimento estrangeiro direto em 2010. https://www.cepal.org/pt-br/comunicados/america-latina-caribe-foi-regiao-onde-mais-cresceu-o-investimento-estrangeiro-direto
» https://www.cepal.org/pt-br/comunicados/america-latina-caribe-foi-regiao-onde-mais-cresceu-o-investimento-estrangeiro-direto -
Cepal. (2022). La Inversión Extranjera Directa en América Latina y el Caribe, 2022. LC/PUB.2022/12-P. https://www.cepal.org/es/publicaciones/48520-la-inversion-extranjera-directa-america-latina-caribe-2022
» https://www.cepal.org/es/publicaciones/48520-la-inversion-extranjera-directa-america-latina-caribe-2022 - Chiarini, T. (2016). A inércia estrutural da base produtiva brasileira: o IDE e a transferência internacional de tecnologia. Brazilian Journal of Political Economy, 36, 286-308.
- Coelho, J. C. (2012). A Política de empréstimos do fundo monetário internacional: soberania e hierarquia na economia política internacional. Revista Tempo do Mundo, 4(1), 179-196.
- Colombo, A. O., & Sartório, S. G. P. (2022). Implementação das políticas neoliberais nas principais economias da América Latina: alterações na condução de políticas e suas consequências. Revista de Economia Mackenzie, 19(1), 269-295.
- Dadzie, C., Blanco, L., & Dony, C. (2014). Study on crime and investment in Latin America and the Caribbean. Development Experience Clearinghouse, 5, PA-00K-4WM.
- Daniele, V., & Marani, U. (2008). Organized Crime and Foreign Direct Investment: The Italian Case. CESifo, 2416, 26461.
- Detotto, C., & Otranto, E. (2010). Does crime affect economic growth? Kyklos, 63(3), 330-345.
- Fialho, V. (2020). Investimentos diretos externos chineses no Paquistão (1965-2018): financiando a infraestrutura para o desenvolvimento. [Master´s thesis, Universidade Federal do Rio Grande do Sul]. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS.
- Freitas, M. C. P., & Prates, D. M. (1998). Abertura financeira na América Latina: as experiências da Argentina, Brasil e México. Economia e Sociedade, 7(2), 173-198.
- Galvão, C. A., & Pereira, V. F. (2017). Empresas transnacionais (ETNs) e os países pobres: reflexões sobre a governança global. Geosul, 32(63), 7-49.
- Garriga, A. C., & Phillips, B. J. (2022). Organized crime and foreign direct investment: Evidence from criminal groups in Mexico. Journal of Conflict Resolution, 67(9), 1675-1703.
-
Garriga, A. C., & Phillips, B. J. (2015, January 2). Criminal violence and the subnational distribution of foreign direct investment. Divisón de Estudios Políticos, Documentos de Trabajo. http://cide.repositorioinstitucional.mx/jspui/handle/1011/341
» http://cide.repositorioinstitucional.mx/jspui/handle/1011/341 - Holland, M., & Barbi, F. (2010) China na América Latina: Uma análise da perspectiva dos investimentos diretos estrangeiros. In. R. Baumann (Org.), O Brasil e os demais BRICs - Comércio e Política (pp. 109-130). Cepal/Ipea.
- Huntington, S. (1975). Ordem política em sociedades em mudança. Forense Universitária.
- Islam, M. M., & Hussain, S. (2018). Impact of crime and corruption on GDP per capita an empirical analysis of cross-country data. Pakistan Journal of Criminology, 10(2), 72-93.
-
IEP - Institute for Economics & Peace. (2022, December 20). Global Peace Index 2022: Measuring peace in a complex world. https://www.visionofhumanity.org/resources/global-peace-index-2022/
» https://www.visionofhumanity.org/resources/global-peace-index-2022/ - Koçak, S., & Barış-Tüzemen, Ö. (2022). Impact of the COVID-19 on foreign direct investment inflows in emerging economies: Eidence from panel quantile regression. Future Business Journal, 8(1), 22.
- Krkoska, L. (2001). Foreign Direct Investment Financing of Capital Formation in Central and Eastern Europe. European Bank for Reconstruction and Development Working paper No. 67.
- Kubicová, J. (2013). The role of corporate income tax in foreign direct investment inflows into the “old” and “new” EU member states. Research Project VEGA, 1(0238), 222-233.
- Lascurain Fernández, M. (2012). Empresas Multinacionales y sus efectos en los países menos desarrollados. Economía Teoría y Práctica, 36, 83-105.
- Levchak, P. J. (2024). Modernization Theory Revised: Testing the Relationship between Inward Foreign Direct Investment and Homicide. International Journal of Criminology and Sociology, 13, 97-109.
- Loría, E. (2020). Impacto de secuestros y homicidios en la inversión extranjera directa en México. Contaduría y administración, 65(3), 00006.
- Marchezini, B, Spolador, H. F. S., Jorge, M. A. (2022, September 28-30) Crescimento Econômico e Criminalidade: uma análise de dados em painel para o estado de São Paulo [artigo apresentado]. XX Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos Regionais e Urbanos - XX ENABER 2022, Salvador, Bahia.
- Marques, L. D. (2000). Modelos dinâmicos com dados em painel: revisão de literatura. Centro de estudos Macroeconómicos e Previsão, Faculdade de Economia do Porto, 30, 37.
- Mordecki, G., & Ramírez, L. (2018). ¿Qué es lo primero: el crecimiento del PIB o la inversión? El caso de una economía pequeña y abierta. El trimestre económico, 85(337), 115-136.
- Negri, J., & Acioly, L. (2004). Novas evidências sobre os determinantes do investimento externo na indústria de transformação (No. 1019). Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada-IPEA.
- Nonnenberg, M. J. B., & Mendonça, M. J. C. D. (2005). Determinantes dos investimentos diretos externos em países em desenvolvimento. Estudos Econômicos (São Paulo), 35, 631-655.
- Ramos, M. A., & Ashby, N. J. (2017). The halo effect: Violent crime and foreign direct investment. Multinational Business Review, 25(4), 287-306.
- Santos, K. D. A. (2017). Corrupção e desenvolvimento: revisão da literatura e evidências empíricas preliminares [Master thesis, Universidade Federal de Pernambuco]. Attena Repositório Digital da UFPE.
- Sghaier, I. M. (2022). Foreign capital inflows and economic growth in North African countries: The role of human capital. Journal of the Knowledge Economy, 13, 2804-2821.
- Silva Filho, E. B. D. (2015). Trajetória recente do investimento estrangeiro direto e em carteira no Brasil. Boletim de Economia e Política Internacional, 19, 5-24.
- Torres, R. C., Mollick, A. V., & Saucedo, E. (2018). The Impact of Crime and Other Economic Forces on Mexico's Foreign Direct Investment Inflows. Banco de México.
- UNCTAD - United Nations Conference on Trade and Development. (2015). World Investment Report 2015: Reforming International Investment Governance. United Nations.
-
United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC). (2019, June 26). Relatório Mundial sobre Drogas 2019: 35 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de transtornos por uso de drogas, enquanto apenas uma em cada sete pessoas recebe tratamento. https://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/frontpage/2019/06/relatrio-mundial-sobre-drogas-2019
» https://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/frontpage/2019/06/relatrio-mundial-sobre-drogas-2019
Todo o conjunto de dados de apoio aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.



Fonte: Elaboração própria.
Fonte: Elaboração própria.