Saussure e a Escola de Genebra é uma coletânea, organizada por Valdir do Nascimento Flores e Gabriel Othero, ambos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Valdir do Nascimento Flores é professor titular de língua portuguesa na graduação e na pós-graduação, é pesquisador PQ-CNPq, e um dos mais importantes precursores dos estudos saussurianos e benvenistianos no Brasil; tem se dedicado a desenvolver uma perspectiva antropológica da enunciação. Gabriel Othero é professor de linguística na graduação e na pós-graduação, tem voltado seu interesse à sintaxe e suas interfaces, à gramática do português brasileiro e à história da linguística, e contribui consistentemente com publicações nessas áreas, incluindo obras em torno da reflexão de Noam Chomsky.
Os organizadores tiveram o meticuloso e cuidadoso trabalho não apenas de selecionar os textos para compor a obra, mas também de reunir uma equipe de tradutores para tornar esses textos acessíveis em português. Trata-se de uma coletânea de artigos: um deles de autoria dos próprios organizadores e outros oito traduzidos do francês para o português.
Acrescenta-se ao importante mérito da coletânea o fato de que se pode vislumbrar parte da vida e obra de alguns dos principais linguistas, sucessores do programa linguístico iniciado por Ferdinand de Saussure e que podem ser considerados como pertencentes à “Escola de Genebra”. Além disso, é proposta uma discussão sobre a Escola de Genebra, sobre alguns dos principais conceitos linguísticos saussurianos e sobre a edição do Curso de linguística geral. Essa reunião de textos revela ainda, em português e ao público brasileiro, textos inéditos de Albert Sechehaye, de Charles Bally e de estudiosos e filólogos saussurianos. Por tudo isso, para os interessados nesses tópicos, a obra é relevante. Contudo, não é apenas uma obra “temática”: há um fio condutor que engendra uma proposta de abordagem inédita e interessantíssima para os estudos linguísticos, conforme descrevemos a seguir.
No texto de apresentação, os organizadores, Valdir do Nascimento Flores e Gabriel Othero, inspirados por Milner (2021), explicam sua proposta de iniciar um estudo da teoria de Saussure a partir de uma perspectiva de “Escola linguística”. Pode-se dizer que, com isso, inauguram, no Brasil, um caminho de estudos muito fértil para a linguística geral, por pelo menos dois motivos principais. Em primeiro lugar, essa proposta propicia uma nova maneira de (re)construir as ideias de Saussure, não como o que supostamente subjaz a todas as abordagens linguísticas modernas, muitas vezes até por leituras terceirizadas e/ou superficiais, mas como o que se pode depreender daquilo que Saussure propôs teoricamente ele próprio e, ainda, o que seus seguidores mais próximos formularam e interpretaram, em continuidade à sua reflexão. Em segundo lugar, vista como movimento sociológico originado por um programa de pesquisa, é possível questionar e entender a “Escola de Genebra” como “Escola linguística” e, assim, chega-se também a uma profunda e necessária discussão epistemológica sobre a linguística geral.
A perspectiva proposta pelos organizadores, ainda que nova para a pesquisa no Brasil, está em interlocução com a reflexão de autores como Amsterdamska (1987), Amacker (1976), Curea (2015) e Puech (2019), que são alguns dos autores citados, especialmente na discussão sobre a configuração de uma “Escola linguística”.
O livro está dividido em três partes. Para a primeira parte, cujo título é “Leituras de Saussure: a figura de Albert Sechehaye”, foram selecionados três textos do próprio Sechehaye e um foi escrito pelos organizadores, Valdir do Nascimento Flores e Gabriel Othero.
O primeiro texto, “Os problemas da língua à luz de uma nova teoria”, conforme informam os organizadores, contém uma das primeiras resenhas do Curso de linguística geral. Para além do valor histórico, esse texto apresenta, de fato, a partir de sua terceira parte, uma interpretação em forma de resumo das deduções de Saussure sobre língua e fala, sobre o lugar da língua em uma semiologia, sobre a teoria do valor, do arbitrário, da mutabilidade e imutabilidade da língua, da sincronia e diacronia etc. Sechehaye apresenta essas ideias não para desenvolvê-las pessoalmente, conforme ele mesmo declara nesse texto, mas para projetar uma ciência linguística que poderia ser continuada sobre as bases lançadas por Saussure. Mas, sobretudo, destaco o fato de que Sechehaye apresenta, nas duas primeiras seções desse texto, uma boa parte do contexto de estudos e de autores do entorno de Saussure, no qual emergiu e se contrapôs o Curso de linguística geral. Esse contexto, investigado com maior atenção, em minha opinião, pode ser decisivo para uma interpretação renovada e mais precisa das ideias saussurianas.
Em “A Escola de linguística geral de Genebra”, Sechehaye não somente atesta o quanto está filiado às ideias de Saussure e expressa o seu ponto de vista, consolidando o movimento de criação da Escola, como também relata alguns aspectos do desenvolvimento da reflexão de discípulos da doutrina saussuriana que os levaram, inclusive, a desenvolver ideias em várias direções. Entre esses discípulos, são mencionados os trabalhos de Marguerite Lips e Serge Karcevski, por exemplo, mas Sechehaye descreve com mais detalhes a reflexão de Bally e dele próprio, Sechehaye, que foram, antes de editar o Curso de linguística geral, sucessores de Saussure como mestres nas aulas de Linguística geral em Genebra. O que chama a atenção nesse texto é que, ao explicar como o Curso se apresenta aos olhos de Bally e de Sechehaye, a primeira coisa que é colocada é a questão da distinção entre a língua e a fala, convergindo para uma teorização que coloca a gramática como um esqueleto, uma abstração seca e morta, ao lado da realidade linguística completa e concreta, que seria a parte viva da linguagem. Bally desenvolve essa e outras questões, colocando-se no campo da fala e postulando sobre os mecanismos de expressividade linguística, que fazem intervir não apenas fatores lógicos e gramaticais, mas também os afetivos e imaginativos. Já Sechehaye coloca vida e lógica não como dois polos opostos da linguagem, mas busca uma explicação em que a lógica da gramática organiza a linguagem e implica o uso de uma língua. Assim, um se torna impensável sem o outro para o domínio da língua: a vida (da “fala espontânea”, conforme expressão que Sechehaye emprega) é a fonte da lógica, que, por sua vez, é o princípio de sua organização.
No terceiro texto, intitulado “As três linguísticas saussurianas”, Sechehaye inicia, promovendo uma defesa de Saussure - que pode ser qualificada como feroz, pela articulação e força de seus argumentos - diante das várias críticas de que foi alvo o precursor genebrino. Sechehaye conclui a primeira parte desse texto, afirmando que o tipo de crítica que a reflexão de Saussure comporta é a do complemento, do preenchimento de lacunas, de mostrar “verdades que ele teria negligenciado” ou de “mostrar como podemos fazer um uso melhor e mais justo de suas próprias teses”. E é assim, com esse espírito, que Sechehaye propõe pensar as relações da diacronia e da sincronia nas seções seguintes desse texto, chegando a uma linguística sincrônica e estática, ao lado de uma linguística diacrônica e evolutiva. Acrescenta, ainda, uma terceira: a linguística da fala organizada ou do funcionamento da língua, que teria um objeto muito diferente da linguística estática. Na linguística estática, o trabalho é sobre generalidades por abstração, ao passo que na linguística da fala o trabalho é sobre os fenômenos concretos, em que a língua é colocada a serviço do pensamento.
O quarto e último texto da parte 1, de autoria dos organizadores da obra, configura-se como uma continuidade à questão das críticas a Saussure, em especial ao problema da arbitrariedade do signo, em que os autores mostram como Sechehaye, Bally e Frei, em um artigo publicado na revista Acta Linguistica, defenderam as contradições alegadas à teorização de Saussure sobre o assunto. Nesse texto, sobressai também a importância do debate sobre o arbitrário do signo, que até hoje tem um impacto grande para a compreensão das ideias saussurianas.
Encaminha-se, assim, a segunda parte do livro, cujo título é “A Escola linguística de Genebra em exame” e tem como primeiro texto “O arbitrário do signo como problemática na linguística de Genebra: Charles Bally, Albert Sechehaye e Henri Frei”, de autoria de Anamaria Curea. O enfoque da autora é, no entanto, não o arbitrário em si, mas como o arbitrário repercutiu nos trabalhos dos linguistas dessa primeira geração da “Escola de Genebra”.
O segundo artigo da parte 2 é de autoria de Pierre-Yves Testenoire e trata de “A Escola de Genebra vista pela Sociedade Linguística de Paris”. Nesse texto, o autor apresenta, pela primeira vez na obra, uma visão de fora sobre a “Escola de Genebra”, ou seja, pela investigação de um ponto de vista outro e não de um sucessor de Saussure sobre a “Escola”. Antes de fazer uma análise histórica de comparação entre a “Escola de Genebra” e a “Sociedade Linguística de Paris”, que, segundo o autor, estão, aliás, em uma relação de estreita imbricação, Testenoire conduz uma interessante discussão sobre o conceito de “Escola” e “Sociedade linguística”, que retoma, no contexto da obra, e problematiza ainda mais uma vez, a discussão feita no início pelos organizadores. Outro ponto de destaque é um quadro esquemático em que Testenoire apresenta a produção linguística genebrina de 1908 a 1940, separando as produções de movimento excêntrico das de movimento concêntrico e, ainda, as resenhas publicadas no Bulletin de la société de linguistique de Paris.
A parte 3 da obra é dedicada à “Correspondência sobre a edição do CLG”. São três artigos, dois de Estanislao Sofia e um terceiro também deste autor, em coautoria com Anne-Marguerite Fryba. No primeiro e no segundo artigos, trata-se de cartas trocadas entre Sechehaye e Bally, a respeito da edição e elaboração do Curso de linguística geral. O último artigo revela aspectos sobre a colaboração de Albert Riedlinger na edição do Curso, principalmente a partir do estudo de correspondências entre Sechehaye e Bally e entre Sechehaye e Riedlinger. Além do conteúdo, que é de suma importância para constituir os estudos sobre o pensamento de Saussure e do que esse pensamento fecundou em ideias, a partir da “Escola de Genebra”, há o ineditismo da tradução dessas cartas. Entre outras vantagens, a tradução permite o estudo sobre o modo de apresentar os pensamentos através de correspondências pessoais, que, por si só, também já é um trabalho que se apresenta como inovador no que diz respeito à ciência linguística que fazemos no Brasil.
Por fim, ainda sobre os artigos que transcrevem as correspondências, gostaria de salientar o cuidado dos organizadores em comentar as decisões editoriais da tradução desses documentos: o leitor fica, assim, muito melhor e mais preparado para a leitura sutil e para o outro olhar requeridos nesses casos.
Como se pode notar, há muito mais nessa obra do que uma revelação de textos inéditos, ainda que somente isso já se configure como uma contribuição inestimável, abrindo novas perspectivas de leituras e desenvolvimentos de pesquisas sobre questões que ainda são problemas para a linguística, como as questões da língua e da fala e/ou do texto e do discurso, empregando aqui os termos que designam conceitos problemáticos para a linguística que fazemos atualmente. Nessa reunião de textos, os organizadores promovem, além disso, uma profunda, interessante e necessária discussão sobre o conceito de “Escola linguística”, o que, por sua vez, faz pensar também sobre o lugar da linguística como ciência. Aquilo que os organizadores anunciam no texto de apresentação perpassa efetivamente todos os textos reunidos na obra, em que pontos teóricos e epistemológicos nevrálgicos são tocados e fazem com que tenhamos a impressão, ao mesmo tempo inquietante e instigante, de que ainda há muito a desbravar quando se trata de investigar em linguística, inclusive e talvez, principalmente, (re)partindo de Saussure e do legado que este pensador deixou e pode ser atestado pela “Escola de Genebra”.
REFERÊNCIAS
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AMACKER, René. L’influence de F. De Saussure et la linguistique d’inspiration saussurienne en Suisse, 1940-1970. Cahiers Ferdinand de Saussure, Genebra, n.30, p. 71-96, 1976. Disponível em https://www.cercleferdinanddesaussure.org/CFS/Volume_30_1976.pdf Acesso em 20 fev. 2024.
» https://www.cercleferdinanddesaussure.org/CFS/Volume_30_1976.pdf - AMSTERDAMSKA, Olga. Schools of Thought: The Development of Linguistics from Bopp to Saussure. La Haye: Mouton, 1987.
- CUREA, Anamaria. Entre expression et expressivité: l´école linguistique de Genève de 1900 à 1940: Charles Bally, Albert Sechehaye, Henri Frei. Lyon: ENS Éditions, 2015.
- MILNER, Jean-Claude. Introdução a uma ciência da linguagem. Tradução do francês de Daniel Costa da Silva et al. Petrópolis: Vozes, 2021.
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PUECH, Christian. O espírito de Saussure: recepção e herança (a herança linguística saussuriana: Paris contra Genebra). Tradução do francês de Marcio Alexandre Cruz. Leitura, Maceió, n.62, p. 364-80, 2019. Disponível em https://www.seer.ufal.br/index.php/revistaleitura/article/view/5459/4518 Acesso em 20 fev. 2024.
» https://www.seer.ufal.br/index.php/revistaleitura/article/view/5459/4518
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Declaração de disponibilidade de conteúdo
Os conteúdos subjacentes ao texto da pesquisa estão contidos no manuscrito.
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Pareceres
Tendo em vista o compromisso assumido por Bakhtiniana. Revista de Estudos do Discurso com a Ciência Aberta, a revista publica somente os pareceres autorizados por todas as partes envolvidas.
Parecer I
Sobre o autor do parecerSCIMAGO INSTITUTIONS RANKINGSParecer I
O texto em pauta percorre in extenso os trabalhos que compõem o livro de Flores e Othero. Trata-se de uma apresentação trabalhada e refletida, que deixa ecoar na sua organização um conjunto de informações muitas vezes novas até mesmo para os estudiosos de Saussure. Dentre esses casos podemos citar a atenção dada ao fato de os organizadores da obra - inspirados em Milner -partirem de uma perspectiva de “Escola linguística”. Esse ponto de partida é de certo modo novo nos estudos saussurianos no Brasil e foi bem explorado pelo autor da apresentação, que acrescenta a esse fato ainda outro aspecto importante da obra: os organizadores reuniram uma equipe de bons tradutores para tornar textos pouco conhecidos, ou desconhecidos, acessíveis em português. Além desses aspectos introdutórios o autor prossegue passo a passo na apresentação comentada dos capítulos que se seguem.
Neste momento é necessário dizer que o texto em avaliação tem a estrutura de uma resenha muito bem escrita e organizada, mas uma resenha a que se acrescentam comentários valiosos. Podemos apreciar, entre tantos outros pontos, os comentários tecidos na parte 3 da obra dedicada à “Correspondência sobre a edição do CLG”: as correspondências pessoais se revelam como um trabalho inovador “no que diz respeito à ciência linguística que fazemos no Brasil”. Além disso, o próprio conceito de “Escola linguística “é reconhecido pelo autor como um rico instrumento para se pensar o lugar da linguística como ciência”.
Para concluir, volto a dizer que o texto apreciado é uma resenha de qualidade e se esse formato está incluído no rol dos trabalhos publicados pela Bakhtiniana , meu parecer é completamente favorável à sua publicação.
- recomendação: aceitar
Parecer II
Sobre o autor do parecerSCIMAGO INSTITUTIONS RANKINGSParecer II
A resenha do livro Saussure e a Escola de Genebra, em 6 páginas, começa por uma completa e precisa apresentação de seus autores: Valdir Flores e Gabriel Othero. Aos dados biográficos oferecidos nas páginas finais do livro (“Notas sobre os Autores”) acrescentaram-se alguns outros dados dos autores - o que parece bem adequado para situar a importância de V. Flores e G. Othero, organizadores do livro.
Composto de uma coletânea de artigos, oito (8) deles foram traduzidos do francês para o português e um (1) é de autoria dos próprios organizadores. O cuidado dos organizadores em oferecer ao leitor a tradução dos artigos (originalmente em francês) é destacado logo no segundo parágrafo e poderia receber uma menção adicional no parágrafo seguinte como “mérito importante” da obra. A título de sugestão, fica aqui a ideia de incorporar à redação o que segue à passagem da página 1:
“Um importante mérito dessa reunião de textos reside em oferecer, em português e ao público brasileiro, textos inéditos de A. Sechehaye, de C. Bally e de outros estudiosos e filólogos saussurianos.”
Ainda na página 1, o aspecto original da publicação é assinalado: não é uma mera coletânea. Há, na organização do livro, um “fio condutor”, capaz de alimentar um “caminho de estudos fértil no Brasil”. A resenha põe em destaque este aspecto: “uma nova maneira de (re)construir as ideias de Saussure”, a partir “do que se pode depreender daquilo que Saussure propôs teoricamente ele próprio e, ainda, o que seus seguidores mais próximos formularam e interpretaram, em continuidade à sua reflexão”.
Página 2: bem apontada a perspectiva aberta a publicações, que passam pelos anos de 1987 (Amsterdamska), 1976 (Amacker), 2015 (Curea), chegando a 2019 (Puech).
Nas páginas subsequentes, numa exposição ordenada e clara, a resenha acompanha a divisão programática do livro, que vai da primeira parte à segunda parte do livro; e desta, à terceira parte, dedicada à “correspondência sobre a edição do CLG”. Não vou me deter, uma a uma, em cada repartição interna, mas assinalo que, de maneira bem fiel à organização do livro, a resenha destina a cada artigo reunido neste livro uma apresentação informativa e bem-acabada.
A resenha dá ao leitor esclarecimento quanto ao conteúdo dos textos selecionados, sem perder de vista uma apreciação sobre cada contribuição, condizente com a proposta dos autores do livro. No caso de “Os problemas da língua à luz da nova teoria”, reconhece seu valor histórico, apontando “uma boa parte do contexto de estudo e de autores do entorno de Saussure”, e sua relevância “para uma interpretação renovada e mais precisa das ideias saussurianas”. Para outro artigo de Sechehaye: “A Escola linguística geral de Genebra”, mostra o que chama a atenção neste texto: “a primeira coisa que é colocada é a questão da distinção entre a língua e a fala, convergindo para uma teorização que coloca a gramática como um esqueleto, uma abstração seca e morta, ao lado da realidade linguística completa e concreta, que seria a parte viva da linguagem” (p. 3).
Segue-se o terceiro texto: “As três linguísticas saussurianas”, exposto como um convite à leitura, já que passa sobre questões, uma delas aquela que se propõe a pensar numa “linguística da fala organizada ou do funcionamento da língua, que teria um objeto muito diferente da linguística estática” (p. 3)
Passando ao quarto e último texto da parte 1, temos uma ponte com a segunda parte do livro. A resenha não perde de vista o fato de que nele “sobressai a importância do debate sobre o arbitrário do signo” - uma questão que, como se sabe, encerra até hoje “impacto grande para a compreensão das ideias saussurianas” (p. 3).
Entre as páginas 4 e 5, a atenção da resenha volta-se para as partes 2 e 3 do livro.
No que diz respeito à parte 2, intitulada: “A Escola linguística de Genebra em exame”, após a menção ao artigo de Anamaria Curea, a resenha se detém na contribuição de Pierre-Yves Testenoire. Conforme se lê, este autor “conduz uma interessante discussão acerca do conceito de ‘Escola’ e de ‘Sociedade linguística’” (p. 4). Incluído nesta parte, como informado na resenha, um quadro da produção genebrina de 1908 a1940.
Na terceira e última parte do livro, intitulada “Correspondência sobre a edição do CLG” comparece Estanislao Sofia. Através do que é exposto, amplia-se para o leitor a gama de interesses que a edição do Curso levantou (ou melhor, ainda levanta).
No parágrafo em que se menciona Riedlinger, faço uma observação sobre a escrita do sobrenome deste discípulo de Saussure, que aparece em duas grafias (deslize mínimo, num texto perfeitamente bem redigido). Convém uniformizar: a grafia é Riedlinger.
Uma correção que passou despercebida na revisão está na p. 4 da resenha. Em vez de: "O segunda artigo" - "O segundo artigo".
Concluindo:
A página final da resenha é de agudo e merecido reconhecimento pelo alcance da obra Saussure e a Escola de Genebra. A resenha presta reconhecimento disto, na passagem (p. 5) com que finalizo este parecer: “Nessa reunião de textos, os organizadores promovem (...), uma profunda, interessante e necessária discussão sobre o conceito de “Escola linguística”, o que, por sua vez, faz pensar também o lugar da linguística como ciência”. APROVADO.
- recomendação: aceitar
Os conteúdos subjacentes ao texto da pesquisa estão contidos no manuscrito.


