Open-access Vulnerabilidade Socioambiental: uma análise por meio da integração de dados sociodemográficos e ambientais

Resumo

As mudanças climáticas, a degradação dos ambientes naturais e o uso inadequado do solo agravam problemas socioeconômicos em escala global. Relacionar esses fatores à condição socioeconômica contribui para estratégias mais eficazes de enfrentamento e adaptação. Esta pesquisa teve como objetivo caracterizar a vulnerabilidade socioambiental em áreas afetadas por eventos hidrológicos em Goiânia (GO). Para isso, sobrepuseram-se dados de alagamentos, fornecidos pela Defesa Civil, à vulnerabilidade social, definida com base em variáveis censitárias de infraestrutura, condições sociais e renda, extraídas do Sistema IBGE de Recuperação Automática, seguindo pressupostos de Santos et al. (2017) e Cunico et al. (2021). Em Goiânia, a infraestrutura e fatores sociais elevam a vulnerabilidade, enquanto a renda é determinante na redução. O mapeamento da vulnerabilidade socioambiental com enfoque socioeconômico é fundamental para orientar o planejamento urbano, qualificar ações de resposta e fortalecer a resiliência local frente às ameaças ambientais cada vez mais recorrentes.

Palavras-chave:
Perigo; risco ambiental; desastres hidrológicos; setores censitários; planejamento urbano

Abstract

Climate change, the degradation of natural environments, and inadequate land use are all aggravating socioeconomic problems at a global scale. Understanding the link between these processes and socioeconomic conditions provides important insights for the development of more effective strategies for tackling these problems and adapting environmental policy. The present study describes the socioenvironmental vulnerability of areas affected by hydrological events in the central Brazilian city of Goiânia, the capital of Goiás state. For this, data on flooding events provided by the Civil Defense Corps were mapped in relation to social vulnerability, which was defined based on census data on infrastructure, social conditions, and income, extracted from the IBGE Automatic Recovery System, following the assumptions of Santos et al. (2017) and Cunico et al. (2021). In Goiânia, infrastructure and social factors accentuate vulnerability, while income is the principal factor determining a reduction in vulnerability. The mapping of socioenvironmental vulnerability from a socioeconomic perspective is fundamental to adequate urban planning, and the development of effective responses capable of reinforcing local resilience to environmental threats that are recurring with increasing frequency.

Keywords:
Hazard; environmental risk; hydrological disasters; census sectors; urban planning

Resumen

El cambio climático, la degradación de los entornos naturales y el uso inadecuado del suelo agravan los problemas socioeconómicos a escala global. Relacionar estos factores con la condición socioeconómica contribuye a estrategias más eficaces de enfrentamiento y adaptación. Esta investigación tuvo como objetivo caracterizar la vulnerabilidad socioambiental en áreas afectadas por hydrological events en Goiânia (GO). Para ello, se superpusieron datos de inundaciones, proporcionados por la Defensa Civil, con la vulnerabilidad social, definida a partir de variables censales de infraestructura, condiciones sociales y renta, extraídas del Sistema IBGE de Recuperación Automática, siguiendo los supuestos de Santos et al. (2017) y Cunico et al. (2021). En Goiânia, la infraestructura y los factores sociales aumentan la vulnerabilidad, mientras que el ingreso es determinante en su reducción. El mapeo de la vulnerabilidad socioambiental con enfoque socioeconómico es fundamental para orientar la planificación urbana, calificar las acciones de respuesta y fortalecer la resiliencia local frente a las amenazas ambientales cada vez más recurrentes.

Palabras-clave:
Peligro; riesgo ambiental; deisasteres hidrológicos; sectores censitaários; planificación urbana

Introdução

Mudanças climáticas, degradação de ambientes naturais e uso e ocupação inadequado do solo têm amplificado os problemas de ordem econômica, social e ambiental por todo o planeta. Percebe-se um aumento significativo nos registros de desastres ambientais, ao mesmo tempo em que há ampliação da desigualdade social e da expansão das áreas de riscos ambientais. No ambiente urbano, o crescente aumento populacional potencializa essas questões.

Relatórios internacionais apontam que 55% da população mundial vive em áreas urbanas, com previsão de aumento para 70% até 2050, quando as cidades abrigarão cerca de dois terços da população global (United Nations, 2018). No Brasil, esse percentual é ainda mais expressivo: 85% da população já reside em áreas urbanas. Destacam-se as regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde 93% e 90% da população, respectivamente, habitam espaços classificados como urbanos (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE], 2015).

Além do aumento populacional, fatores como geomorfologia, clima, solos, vegetação e cursos hídricos devem ser considerados no planejamento territorial urbano, uma vez que podem interferir significativamente na qualidade ambiental das cidades e sua suscetibilidade a eventos extremos (Gonçalves et al., 2022). Como os eventos hidrológicos onde alagamentos, inundações, enxurradas, provocam impactos negativos de diferentes magnitudes, em especial para a população mais vulnerável (Cunico & Lohmann, 2017). Assim, a identificação dos locais de eventos hidrológicos, à vista disso, a identificação do perigo, constitui informação essencial à sua prevenção e ao seu controle (COMPDEC, 2020/2021).

Compreender as vulnerabilidades sociais, tanto nas áreas de origem quanto nas diretamente afetadas, é essencial para fundamentar a análise da dinâmica desses processos. Isso porque o potencial de danos está diretamente ligado a essa correlação, definida como vulnerabilidade socioambiental (Hogan et al., 2001).

Portanto, identificar esses fenômenos, e a partir disso discutir a situação socioeconômica desses grupos, é uma “alternativa analítica” que permite compreender a capacidade de mobilização e de respostas que cada um possui frente às suscetibilidades ambientais (Cunico; Lohmann, 2017).

Neste contexto, a presente pesquisa tem como objetivo caracterizar a vulnerabilidade socioambiental em áreas afetadas por eventos hidrológicos na cidade de Goiânia (GO). Os resultados obtidos oferecem contribuições importantes para a compreensão da relação entre os perigos ambientais, as condições sociais da população e sua capacidade de reação a esses eventos.

BASES CONCEITUAIS

Vulnerabilidade socioambiental e a utilização de indicadores para sua caracterização

Segundo Mendonça e Lima (2020), o termo socioambiental foi incorporado à literatura para enfatizar a proporcionalidade da relação entre sociedade e natureza, especialmente em países em desenvolvimento. Os autores destacam que o termo “sócio” está associado ao ambiente para evidenciar a sociedade como sujeito, um elemento indissociável nas discussões sobre problemáticas ambientais. O termo vulnerabilidade socioambiental começou a ser construído na década de 1980, quando as condições sociais passaram a ser levadas em conta na análise da extensão e distribuição das ameaças naturais (Maior & Cândido, 2014).

Dentro da perspectiva das Ciências Sociais, a vulnerabilidade é apreendida como a maneira pela qual fenômenos diversificados atingem de forma distintas as pessoas e os grupos sociais. Neste sentido,

[f]atores como nível de renda, escolaridade, idade, gênero, acesso aos serviços públicos, habitação e participação política podem aumentar a predisposição à ocorrência de danos de diversas ordens, incluindo a própria morte, bem como expressam a capacidade de lidar com as crises e de aproveitar as oportunidades para melhorar sua situação de bem-estar (Olímpio & Zanella, 2017, p. 102).

Watts e Bohle (1993) definem vulnerabilidade como o grau de risco a que diferentes classes sociais estão expostas, de forma desigual. Esses níveis de vulnerabilidade são determinados por fatores naturais ou antropogênicos, que influenciam a capacidade dos distintos grupos sociais de responder a eventos extremos.

Segundo Liverman (1990), a vulnerabilidade está associada a condições biofísicas que influenciam os locais e as populações expostas a riscos. Em contraposição, Marandola e Hogan (2009) argumentam que associar vulnerabilidade exclusivamente à pobreza é uma visão limitada. Essa abordagem ignora a capacidade das comunidades de lidar com situações de vulnerabilidade, gerenciar riscos e se apropriar do território de maneira estratégica.

Ao considerarmos as Ciências Naturais, o termo vulnerabilidade pode ser descrito como a fragilidade de uma área, como de solos e açudes, para sofrer danos, quando submetida a alguma ação humana (Figueirêdo et al., 2007).

O grau de vulnerabilidade de uma comunidade está relacionado à interação entre ambiente e sociedade e à capacidade de reação a eventos adversos, sendo determinado pela combinação de diversos fatores que influenciam o nível de risco. Conforme Santos et al. (2017), é a partir deste delineamento que o conceito de vulnerabilidade socioambiental se acende como tema a ser discutido academicamente.

Cutter (2011) define a vulnerabilidade socioambiental como a probabilidade de um grupo ou indivíduo ser exposto e diretamente impactado por um perigo. Essa vulnerabilidade resulta da interação entre os riscos específicos de um determinado local e o perfil social das comunidades que ali vivem.

Santos et al. (2020) e Alves (2021) pontuam que as áreas de entorno a ambientes hídricos são historicamente ocupadas por grupos socialmente vulneráveis, ficando assim sujeitos a oscilações hídricas decorrentes de eventos extremos de precipitação, aliados a outros fatores, como impermeabilização do solo e retirada da vegetação nativa.

Alves e Torres (2006) discutem que metodologias de operacionalização da vulnerabilidade social baseadas quase exclusivamente em critérios monetários, como a linha da pobreza, são limitadas. Isso porque outros fatores, como infraestrutura e educação, também influenciam a vulnerabilidade frente a eventos naturais. Dessa forma, a vulnerabilidade não se restringe à renda, mas envolve aspectos como estabilidade econômica, gênero, educação, emprego estável, infraestrutura e a qualidade dos serviços nos bairros onde os indivíduos residem.

Dessa forma, destaca-se um dos aspectos mais relevantes: a sobreposição de riscos, problemas ambientais e sociais, que representa um desafio para as políticas públicas, frequentemente estruturadas de forma compartimentada em áreas de intervenção setorial.

Maior e Cândido (2014) destacam a necessidade de aprimoramento dos procedimentos metodológicos na dimensão ambiental, ressaltando a importância de relacionar as variáveis ambientais aos indicadores que refletem a exposição a riscos naturais no espaço urbano, como enchentes e deslizamentos.

O termo vulnerabilidade socioambiental é polissêmico e amplamente utilizado nas ciências. Compreendê-lo, mensurá-lo e classificá-lo é essencial para avançar na pesquisa e melhorar as condições de vida da população, subsidiando políticas públicas de prevenção a desastres ambientais.

Nesta pesquisa, o conceito de vulnerabilidade adotado é o proposto por Cutter (1993), que a define como a interação entre os perigos do lugar e o perfil social das comunidades locais. Além disso, trabalhamos com os conceitos de risco e perigo como complementares, mas não equivalentes, em conformidade com as reflexões de Aneas de Castro (2000) e Luciano Lourenço (2014). Esse enfoque busca contribuir para o que Marandola Jr. e Hogan (2004) defendem em suas produções científicas: a adoção de uma abordagem multidimensional que permita compreender melhor a dinâmica da natureza, seus riscos e perigos, visando impactar positivamente a vida da sociedade urbana.

Desastres hidrológicos: do grau de exposição à gestão dos riscos

A partir de dados do International Disaster Database, nos países da América do Sul, entre os anos de 1960 e 2009, quase 80% das catástrofes e prejuízos econômicos ocorridos derivaram-se de desastres hidrometereológicos, sendo que os mais comuns foram as inundações (Nunes, 2015).

Entre 1991 e 2019, o Brasil registrou 58.883 desastres ambientais em 4.971 municípios, afetando quase 248 milhões de pessoas e causando 4.065 mortes. Cerca de 90% desses desastres foram de origem hidrológica, conforme o Atlas Digital de Desastres no Brasil (UFSC, 2020).

Nos últimos 30 anos, as definições de desastres, antes considerados de origem natural, passaram a ser debatidas e interpretadas como processos socioambientais, com a vulnerabilidade sendo diretamente relacionada a esses eventos. É nesse contexto que a noção de risco se torna relevante na realidade atual, devido à complexidade e intensificação dos problemas que dele decorrem, além da sua ampla abrangência na sociedade contemporânea. Conforme pontua Mendonça,

[p]ara tratar dos riscos, especialmente quando se pensa em gestão de riscos, deve-se concebê-los como parte de uma tríade formada também por vulnerabilidade e resiliência. Nessa perspectiva, são envolvidas não só as concepções teórico-conceituais e metodológicas dos termos de uso, mas também suas aplicabilidades e resultados no âmbito da gestão dos desastres que acometem a sociedade (Mendonça, 2021, p. 15).

Para Almeida (2012), essa complexidade relacionada às concepções teórico-conceituais, metodológicas, de gestão advém, especialmente, por essa característica ser inerente à sociedade contemporânea que se encontra permeada pela incerteza, pelo medo e pela insegurança.

Na perspectiva conceitual de Brüseke (1997), o termo risco no campo ambiental não é entendido como uma cadeia de determinações que leva a um resultado previsível, mas como movimentos lineares que inevitavelmente culminam em catástrofes ou danos irreparáveis. Visão contrária ao que foi afirmado por Smith (1992), que definiu risco como um fator probabilístico, independentemente de sua quantificação.

Veyret (2003), discorre que risco é um objeto social e que pode ser definido como a percepção do perigo. Portanto, quando se discute risco, infere-se que ele não existe sem que uma população ou indivíduo o perceba e, consequentemente, sofra os seus efeitos.

A junção de fatores sociais, econômicos, culturais, demográficos e naturais, fatores esses inerentes às relações entre os homens, os grupos sociais e entre estes e a natureza, resultam na materialização da condição de risco (Mendonça, 2021). Almeida (2021, p. 41) coaduna com essa perspectiva, quando afirma que “a exposição é um determinante de risco necessário, mas não exclusivo”, uma vez que a vulnerabilidade é parte integrante da condição. Assim sendo, os riscos possuem um caráter de hibridismo.

Para Mendonça (2021), os riscos híbridos têm origem na associação entre dois ou mais riscos específicos (naturais, sociais, tecnológicos etc.), sendo intensificados pela imbricação de elementos e fatores diversos.

Da mesma forma, Marandola Jr. e Hogan (2004) descrevem o perigo como um dos componentes do risco, uma ameaça potencial para pessoas e seus bens. Assim, riscos e perigos, a partir da perspectiva da geografia, tem expressiva relação com a forma em que os grupos sociais transformam e utilizam o espaço, sendo a relação homem e ambiente indissociáveis quando da conceituação de tais termos.

Portanto, a conceituação de perigo pode ser discutida como sendo um limiar de transição entre risco e crise, ou seja, o perigo corresponde à situação em que o risco deixa de estar latente para se manifestar (Lourenço, 2014).

Assim sendo, a contextualização e identificação do perigo e a espacialização das vulnerabilidades sociais é de fundamental importância para o direcionamento das ações de mitigação (Marandola Jr. & Hogan, 2006).

Entrementes, a temática dos riscos de desastres representa um campo político que evidencia as contradições entre o planejamento urbano voltado ao monitoramento e controle dos fatores de risco para os habitantes das cidades e a capacidade efetiva de enfrentar essa problemática (Valêncio, 2021). Sendo o perigo a equivalência da manifestação da crise, identificar e mapear sua ocorrência e recorrência não consiste diretamente em anular a sua existência, mas sim em diminuir seus possíveis efeitos por meio do conhecimento dos processos que os conflagram e pela instalação de dispositivos adequados que contribuam, assim, com a cultura antecipatória frente aos riscos.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Delineamento da pesquisa

Para atingir o objetivo proposto, foram seguidas as diretrizes metodológicas de Alves (2006), Alves e Torres (2006) e Cunico et al. (2021), que possibilitam a operacionalização empírica da vulnerabilidade socioambiental da população da área de estudo, conforme ilustrado na Figura 01.

Figura 1
Síntese metodológica (Fluxograma)

A metodologia adotada visa identificar áreas sujeitas a eventos ambientais adversos, especificamente alagamentos, e sua sobreposição com a vulnerabilidade social. A abordagem teórica utiliza o conceito de perigo, em vez de risco, pois foca em áreas já afetadas por alagamentos, identificadas com base no Relatório bianual da Defesa Civil de Goiânia (2021). Para caracterizar a vulnerabilidade social, foram analisadas três dimensões socioeconômicas (infraestrutura, renda e situação social) com dados censitários de 2010. A vulnerabilidade socioambiental foi entendida como a sobreposição espacial dos aspectos de suscetibilidade ambiental e da condição socioeconômica da população exposta (Cutter, 1993).

Procedimentos

Para espacializar as áreas de suscetibilidade ambiental, foram utilizados dados do Relatório Bianual 2020/2021 da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (2022) e a ferramenta Google Earth, com os eventos hidrológicos plotados e processados em Sistema de Informações Geográficas (SIG). Como o relatório não especifica se os eventos foram alagamentos ou inundações, optou-se por realizar a espacialização sem essa distinção, considerando a ocorrência como critério para definir áreas suscetíveis. A análise foi feita para a área urbana de Goiânia, sem refletir a suscetibilidade ambiental do município como um todo.

Para a identificação da vulnerabilidade social, adotamos variáveis censitárias que refletem as condições de infraestrutura, social e renda que foram extraídas diretamente do Sistema IBGE de Recuperação Automática SIDRA2, hierarquizadas a partir de cinco classes, com intervalos iguais para representar o universo total da área urbana de Goiânia. Para cada dimensão, as variáveis foram selecionadas de acordo com o Fluxograma a seguir (Figura 2).

Figura 2
Delineamento metodológico para análise da vulnerabilidade social (Fluxograma)

As variáveis para operacionalizar a vulnerabilidade social têm unidades de mensuração distintas. Assim, foi necessário normatizar os valores para uma escala comum, conforme Santos et al. (2017) e Cunico et al. (2021).

Para tal, empregamos a equação Min-Max (Equação 1) para todas as variáveis selecionadas, exceto a variável “valor do rendimento médio domiciliar”, em que aplicamos a Equação 2, considerando, segundo os autores, que a análise da presente variável se comporta de maneira inversa quando comparada com as demais, sendo que quanto maior os valores encontrados para a renda, menor será a condição de vulnerabilidade do grupo em questão.

I P S = I S I V I + V l v (Equação 1)

I P S = 1 I S I V I + V l v (Equação 2)

Onde:

Ips = valor normatizado da variável “I” no setor censitário “s”

Is = valor da variável “I” no setor censitário “s”

I-v = menor valor da variável “I” no universo dos setores censitários; e

I+v = maior valor da variável “I” no universo dos setores censitários

Os pesos foram atribuídos para cada dimensão, conforme Cardoso (2023).

No que diz respeito à associação das variáveis, portanto, no aspecto das dimensões, normatizamos os dados a partir da Equação 3. No que diz respeito ao ranqueamento da vulnerabilidade - relação das dimensões - aplicamos novamente a Equação 1.

I s j = i a i x i j n i (Equação 3)

Onde:

Isj = resultado do índice no universo amostrado censitário “s”

ai = peso da i-ésima variável

xij = valor da i-ésima variável observada para j-ésima variável; e

ni = número de dimensões

Assim, operacionalizamos a vulnerabilidade socioambiental por meio da associação das cartografias ambiental (eventos hidrológicos) e socioeconômica (vulnerabilidade social), utilizando a técnica chamada overlayer - sobreposição de camadas no ambiente SIG. Destaca-se que, para hierarquizar a vulnerabilidade socioambiental, adotamos as seguintes unidades de classificação: baixa, muito baixa, média, alta e muito alta (Cunico et al., 2021).

As áreas sujeitas a eventos hidrológicos, ou seja, ambientalmente suscetíveis, também foram consideradas no recorte de análise. Reforçamos que a vulnerabilidade socioambiental aqui abordada se refere às áreas impactadas por eventos hidrológicos. A base cartográfica dos mapas apresentados na seção de resultados é oriunda do IBGE (2010), pois os dados censitários correspondem a esse recorte temporal.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Suscetibilidade ambiental a eventos hidrológicos

Para essa etapa da pesquisa, utilizamos dados provenientes do banco de informações da Defesa Civil (Goiânia, 2021), que atesta que a cidade de Goiânia conta hoje com noventa e nove (99) pontos de alagamento devidamente identificados e em monitoramento (Figura 3), sendo as regiões localizadas ao Sul e Centro da cidade as com o maior número de ocorrências registradas, vinte e oito (28) e vinte e um (21), respectivamente.

Considerando tais regiões, observamos que as ocorrências estão distribuídas das seguintes formas: para a região Sul, o setor Parque Amazonas aparece com maior número de ocorrências, juntamente com setor Bueno. Já na região Central, o bairro com maior ocorrência é o Centro. Os setores Parque Amazônia e Bueno são bairros criados na década de cinquenta e que hoje encontram-se em franca expansão imobiliária. Segundo o censo demográfico do ano de 2010, os três bairros estão entre os mais populosos da capital, sendo compostos por 24.204, 20.907 e 39.394 habitantes respectivamente.

Figura 3
Ocorrência dos eventos hidrológicos, 2020 a 2021

Referente às demais regiões da cidade de Goiânia, o Relatório da Defesa Civil destaca algumas áreas como de alto risco para a ocorrência de eventos hidrológicos, sendo a Vila Roriz, localizada na região Norte, relacionada devido à sua localização coincidir com a planície de inundação do Rio Meia Ponte e ali reside uma população que sofre com periódicas inundações (Cunha, 2007). Segundo Alves (2013), áreas às margens de cursos d’água, sujeitas a enchentes e/ou doenças de veiculação hídrica são áreas que reforçam a situação de vulnerabilidade socioambiental, sendo crianças de até quatro anos de idade os indivíduos mais vulneráveis a essas patologias.

Rego e Barros (2014), ao analisarem os dados quantitativos referentes aos eventos hidrológicos na cidade de Goiânia, a partir de levantamento na imprensa e dados da Defesa Civil, pontuam que nos anos de 2003 a 2006 foram registradas 64 ocorrências de eventos hidrológicos e de 2006 a 2010 o quantitativo registrado é de 74 ocorrências, sendo que os setores mais afetados são Bueno, Jardim Guanabara I e II, Jardim América, Urias Magalhães, Pedro Ludovico e Campinas. Em nossa pesquisa, o Bairro Parque Amazônia aparece na lista dos mais afetados, corroborando com as autoras no que diz respeito ao aumento das ocorrências de eventos hidrológicos em bairros já consolidados desde o fim da década de 1980.

A ocorrência desses fenômenos está diretamente relacionada com as formas de uso e ocupação do solo e suas descaracterizações em virtude da ocupação ora planejada, quando observamos o planejamento a partir das determinações do capital imobiliário, ora imposta à população socioeconomicamente vulnerável. Exemplos disso são os bairros Parque Amazônia, região Sul, que a partir dos anos 2000 começou a receber implementações urbanas com ações do capital imobiliário, e o Residencial Jardim Emanueli, localizado no Jardim Novo Mundo 2, que corresponde a uma área não legalizada, destituída de saneamento e acesso à iluminação pública, localizada próxima às margens do córrego dos Buritis.

Vulnerabilidade social na área urbana de Goiânia/GO

Para a caracterização da vulnerabilidade social utilizamos dados censitários do ano de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Goiânia conta com 1.636, sendo que para essa pesquisa foram compilados dados de 1.629 setores censitários, em virtude da ausência de dados para 7 dos setores totais.

Figura 4
Mapa vulnerabilidade social

Seis setores censitários apresentaram vulnerabilidade social na categoria muito alta englobam 0,37% dos setores censitários, ou seja, aproximadamente 1.267 habitantes enfrentam adversidades ligadas à falta de renda, estabilidade econômica, educação, emprego e serviços de qualidade (infraestrutura urbana ou precariedade na moradia). Soma-se a esse contingente as 2.202 pessoas que, conforme a metodologia aplicada, encontram-se em situação de alta vulnerabilidade social. Em números absolutos, aproximadamente 330.053 pessoas encontram-se em situação de média vulnerabilidade social.

A classe de baixa vulnerabilidade social em números absolutos é a mais significativa, sendo 920.115 mil pessoas identificadas, em um universo de 1.128 setores censitários. Importante destacar que a unidade de análise (setores censitários) não coincide com a divisão entre bairros nas áreas de amostragem, podendo coincidir situações de alta vulnerabilidade social com de baixa vulnerabilidade, gerando uma média que não se aproxima da realidade.

Para Medeiros e Almeida (2015), o fato de a cidade apresentar espaços contíguos de profunda desigualdade social aliados às características dos limites dos setores censitários que não coincidem com os limites das comunidades mais carentes, fazem com que, em um mesmo setor censitário, haja domicílios de baixa vulnerabilidade social com domicílios de alta vulnerabilidade que, quando unificados, fazem refletir um padrão social mediano, sendo, portanto, a análise censitária, um grande desafio para a caracterização de aspectos socioeconômicos (Canil, 2021).

Goiânia caracteriza-se como uma cidade onde facilmente podemos perceber a presença de construções com infraestrutura precária próximas a áreas de grandes condomínios ou bairros de classe média a classe média alta, como por exemplo, nos setores Jardim Goiás, onde encontramos um dos metros quadrados mais valorizados da capital e o Setor Parque Amazônia, que inicialmente foi construído para atender à população de baixa renda e, a partir de incrementos de infraestrutura, passou a atender à classe média da capital.

Resultados apresentados pela ONU HABITAT (2012) classificam a capital goiana como uma das capitais mais desiguais da América Latina. Ressalta-se que o fator renda figura como mecanismo de emancipação social frente a fenômenos ambientais, uma vez que pode garantir ao indivíduo capacidade imediata de reação quando da deflagração de um evento. Assim, uma sociedade com menor desigualdade de distribuição de renda é, por si só, uma sociedade com maior poder de resiliência e o cenário contrário caracteriza uma cidade pouco ou nada resiliente frente a esses fenômenos.

Além do fator econômico, uma alternativa essencial para melhorar a capacidade adaptativa da população diante da recorrência de eventos extremos é a integração efetiva entre os critérios ambientais e o zoneamento urbano, por meio de um Plano Diretor atento às dinâmicas socioambientais locais. A necessidade de articular planejamento urbano e gestão ambiental torna-se cada vez mais eminente, considerando que os conflitos socioambientais urbanos revelam e aprofundam processos de exclusão socioespacial (Haesbaert, 2004).

Essa postura exige que o Plano Diretor transcenda sua função normativa, assumindo também um papel político e redistributivo, que promova equidade socioterritorial, não negligenciando áreas periféricas, ambientalmente frágeis e ocupadas por populações vulneráveis (Rolnik, 2009).

A construção de cidades mais justas e resilientes demanda o reconhecimento das vulnerabilidades e das fragilidades ambientais como centrais no processo de ordenamento territorial.

Os resultados da vulnerabilidade social mostram que para a cidade de Goiânia existe um padrão regular, no que diz respeito à infraestrutura, renda e aspectos socioeconômicos. No entanto, quando observamos pontualmente aspectos relacionados à composição das sínteses, podemos levar em consideração que os índices regulares aqui apresentados ao analisarmos a área urbana como um todo podem esconder as desigualdades pontuais de vulnerabilidade.

Assim, para uma discussão mais geral, faz-se necessário entendermos as dinâmicas setoriais/regionais. E aqui ressaltamos a importância de investimento em pesquisas, com objetivo de acessarmos respostas que nos levarão a entendermos as dinâmicas locais com maior assertividade.

Vulnerabilidade socioambiental aos eventos hidrológicos

Segundo procedimento metodológico adotado, a vulnerabilidade socioambiental pode ser classificada como muito baixa, baixa, média, alta ou muito alta. Rebelo (2003) pontua em seus achados que, independentemente das classificações e da metodologia a ser utilizada, a vulnerabilidade existirá e sempre deverá ser analisada concomitantemente à abordagem de risco, perigo e desastre.

A caracterização da vulnerabilidade socioambiental permite-nos compreender sobre as carências que uma comunidade ou grupo apresenta e como tais podem afetar na qualidade de vida dos citadinos, sendo possível associar cenários de suscetibilidade do ambiente a eventos naturais com dados que caracterizam os aspectos socioeconômicos e de infraestrutura de uma determinada região (Figura 5).

Desta forma, podemos observar que as classes de ocorrência da vulnerabilidade socioambiental são assim distribuídas: vulnerabilidade socioambiental muito baixa equivale a 1,01% dos pontos de ocorrência dos eventos hidrológicos; vulnerabilidade socioambiental baixa, 72,73%; vulnerabilidade socioambiental média, 24,24%; e vulnerabilidade socioambiental alta, 2,02%. Para a classe de vulnerabilidade socioambiental muito alta não foi registrada ocorrência.

Farias e Mendonça (2022) constataram que os bairros com maiores índices de riscos e vulnerabilidades socioambientais encontram-se localizados nas regiões periféricas do município analisado, e ressaltam que tais áreas correspondem aos índices mais elevados de vulnerabilidade social que, associados aos locais com perigo de inundação, se caracterizam por apresentar os maiores índices de risco socioambiental.

Figura 5
Vulnerabilidade socioambiental

O esforço no sentido de reduzir a vulnerabilidade socioambiental não consiste unicamente em tentar reduzir as situações de perigo, mas, sim, em minimizar os possíveis efeitos dos desastres por meio do conhecimento dos processos e pela instalação dos dispositivos necessários, como políticas de inclusão social até o Plano Municipal de Drenagem. A exemplo disto, Nascimento (2015) chama atenção para os impactos ambientais que a cidade de Goiânia vem sofrendo devido ao incremento populacional e a sua rápida expansão urbana. O autor cita problemas quanto ao surgimento e ampliação de diversos processos erosivos, a modificação do clima urbano e a consolidação do fenômeno de ilha de calor, a recorrência e aumento dos eventos hidrológicos e, ainda, a elevação da temperatura, a redução da umidade e a perda da cobertura vegetal que segue ocorrendo, conforme os resultados aqui apresentados.

Na recente lei que regulamenta o Plano Diretor da cidade de Goiânia, podemos observar que algumas decisões legislativas seguem na contramão da prevenção aos riscos e desastres, como por exemplo, o texto que caracteriza áreas consideradas suscetíveis ambientalmente e que são bens de interesse nacional, como topos de morros, que a partir do novo texto inclui áreas com altura mínima de 100 (cem) metros e inclinação maior que 25% e as encostas com declividade superior a 45%, sendo excluídos, portanto, do texto atual, os morros do Mendanha, Serrinha e áreas próximas a BR 153, e o ribeirão João Leite, áreas essas protegidas pelo Plano Diretor anterior.

O mesmo texto também modifica o entendimento a respeito das Áreas de Proteção Ambiental próximas aos cursos hídricos, que passaram a ser contabilizadas a partir da borda da calha do leito regular, conforme o artigo 143 da lei em vigor.

Frequentemente, as áreas ambientalmente frágeis são negligenciadas nos planos diretores municipais, o que contribui para sua ocupação por populações pertencentes aos grupos de alta e muito alta vulnerabilidade social. Essa dinâmica reflete a ausência de uma abordagem integrada de planejamento urbano e ambiental, além de evidenciar um cenário de injustiça socioambiental.

A cidade também ganha em possibilidade de expansão urbana, uma vez que a partir do novo Plano Diretor, a macrozona construída encontra-se ampliada, contrariando, assim, o planejamento anterior que ressaltava a importância das melhorias de infraestrutura nas áreas urbanas já estabelecidas. Sendo assim, um sinal de alerta no que diz respeito aos cenários de riscos e desastres.

Segundo dados recentes do IBGE (2022), a capital conta com um incremento populacional de 10,39%, se considerarmos os dados de 2010, sendo 1.423.237 indivíduos reais que esperam que a cidade que caminha para o seu primeiro centenário não seja apenas a Goiânia do futuro, conforme peça publicitária da Prefeitura Municipal, mas que seja cidade do presente: pequena em desigualdade e grande em inclusão.

Conclusões

A partir do mapeamento dos eventos hidrológicos, observamos que as ocorrências se dão preponderantemente em áreas classificadas como urbanas, sendo as regiões/bairros consolidados os que concentram um maior número de registros.

Em Goiânia, 46% do território apresenta média vulnerabilidade social, abrangendo uma população de 330.053 habitantes. Além disso, 25% da população encontra-se em situação de vulnerabilidade social, variando entre os níveis de muito alta a média. Por outro lado, os índices de muito baixa vulnerabilidade social concentram-se principalmente em áreas onde estão localizados os condomínios de alto padrão da capital.

Em relação a ocorrência de eventos hidrológicos relacionados às dimensões sociais, os resultados mostram que para a cidade de Goiânia as dimensões que mais contribuem para situação de alta vulnerabilidade socioambiental são a infraestrutura e a social e para baixa vulnerabilidade socioambiental a dimensão renda.

Portanto, para as áreas analisadas, a vulnerabilidade socioambiental é majoritariamente classificada como média. Assim, apesar da capacidade de reação a eventos hidrológicos ser significativa, a exposição ao perigo também é notória. Nesse cenário, a ausência ou ineficiência do poder público no gerenciamento adequado dessas áreas, no que diz respeito ao adensamento, uso e cobertura do solo, e às questões de infraestrutura - que deveriam acompanhar o crescimento e desenvolvimento da cidade - poderá transformar áreas hoje consideradas de média vulnerabilidade socioambiental em áreas de alta e muito alta vulnerabilidade socioambiental.

Esses achados contribuem para o avanço da temática de vulnerabilidade socioambiental, especialmente na perspectiva de perigo, ao associar aspectos socioeconômicos com fenômenos desencadeadores de desastres ambientais recorrentes em áreas urbanas. Pode, ainda, contribuir com as decisões técnicas dos órgãos municipais, incluindo a Diretoria de Defesa Civil do município de Goiânia, uma vez que os resultados dessa pesquisa podem embasar a elaboração de projetos, funcionando, assim, como um diagnóstico.

A pesquisa pode servir como guia para políticas públicas e referencial teórico no planejamento territorial urbano, com ações de médio a longo prazo voltadas à educação e prevenção de desastres ambientais, visando uma cidade menos suscetível a problemas ambientais.

A informação sobre o perigo relacionado aos aspectos socioeconômicos e sua espacialização (mapeamento) são ferramentas eficientes para capacitar tanto o poder público quanto a população frente aos desastres ambientais. A partir desses dados, é possível criar uma agenda de ação para o poder público municipal, voltada à prevenção de desastres ambientais.

Diante dos resultados apresentados, sugere-se que pesquisas futuras abordem a caracterização da vulnerabilidade socioambiental com foco na análise socioeconômica por setores ou bairros. Isso possibilitaria o refinamento dos procedimentos metodológicos, considerando a escala, a atualização dos dados censitários e o aumento do número de variáveis, com o objetivo de observar características mais específicas da área de estudo.

Sugere-se também a aplicação dos procedimentos metodológicos descritos, sob a perspectiva conceitual de risco, para gerar análises comparativas com a presente pesquisa. Isso poderia, então, indicar refinamentos metodológicos que contribuam para o avanço do debate sobre a temática da vulnerabilidade socioambiental na área urbana.

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  • Declaração de disponibilidade de dados:
    Os dados de pesquisa só estão disponíveis mediante solicitação.
    Os dados utilizados são provenientes de bases públicas (IBGE/SIDRA e Defesa Civil), porém o conjunto final resulta de processamento, integração e modelagem espacial pelos autores, configurando uma base analítica derivada. A disponibilização irrestrita pode gerar interpretações inadequadas ou permitir a identificação indireta de populações vulneráveis em escala intraurbana, implicando riscos éticos.
    Assim, em consonância com as diretrizes de Ciência Aberta, os dados poderão ser disponibilizados mediante solicitação ao autor correspondente, para fins acadêmicos e com uso responsável das informações.

Editado por

  • Editor Responsável
    Pedro Roberto Jacobi
  • Editor Associado
    Rylanneive Teixeira

Disponibilidade de dados

Os dados de pesquisa só estão disponíveis mediante solicitação.

Os dados utilizados são provenientes de bases públicas (IBGE/SIDRA e Defesa Civil), porém o conjunto final resulta de processamento, integração e modelagem espacial pelos autores, configurando uma base analítica derivada. A disponibilização irrestrita pode gerar interpretações inadequadas ou permitir a identificação indireta de populações vulneráveis em escala intraurbana, implicando riscos éticos.

Assim, em consonância com as diretrizes de Ciência Aberta, os dados poderão ser disponibilizados mediante solicitação ao autor correspondente, para fins acadêmicos e com uso responsável das informações.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    06 Jul 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    26 Mar 2025
  • Aceito
    29 Set 2025
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ANPPAS - Revista Ambiente e Sociedade Anppas / Revista Ambiente e Sociedade - São Paulo - SP - Brazil
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