Resumo
Objetivo Este estudo visou determinar as atitudes e os níveis de ansiedade em estudantes de enfermagem em relação ao uso da inteligência artificial (IA).
Métodos Estudo transversal descritivo foi conduzido com 234 estudantes de enfermagem de uma universidade privada. Os critérios de inclusão incluíram ser cidadão turco e estar matriculado no programa de enfermagem. Os dados foram coletados usando um Formulário Sociodemográfico, a Escala de Atitude Geral em relação à IA e a Escala de Ansiedade de IA. Os dados foram analisados usando o teste t, ANOVA e a correlação de Pearson (p<0,05).
Resultados A idade média dos participantes foi de 20,47±1,00 e 85,9% deles eram do sexo feminino. O escore total médio na Escala de Atitude Geral em relação à IA foi de 69,54±8,79. O escore médio da Atitude Positiva em relação à IA foi de 44,38±6,10 e o da Atitude Negativa em relação à IA foi de 25,16±5,73. O escore médio na Escala de Ansiedade de IA foi calculado como sendo 45,90±11,57. Foi encontrada uma significativa e moderada correlação negativa entre os escores totais na Escala de Atitude Geral em relação à IA e na Escala de Ansiedade em IA (r=-0,595). Foi determinado que os escores de atitude positiva dos participantes com conhecimento detalhado sobre IA e usavam IA na educação eram significativamente maiores que aqueles dos que não sabiam sobre IA e não a usavam na educação (p<0,05). Os escores de ansiedade das participantes foram significativamente maiores que os dos participantes. Foi observado que os escores na Escala de Ansiedade de IA dos participantes que não usaram IA na educação foram significativamente maiores que os dos participantes que a usaram (p<0,05).
Conclusão Apoiar atitudes positivas e integrar a IA na educação em enfermagem pode ajudar a reduzir a ansiedade e melhorar o preparo dos alunos para futuras tecnologias de saúde. Aumentar a conscientização e a experiência com IA pode fortalecer ainda mais a aceitação e o uso eficaz entre estudantes de enfermagem.
Descritores:
Estudantes de enfermagem; Inteligência artificial; Ansiedade; Atitude
Abstract
Objective This study aims to determine nursing students’ attitudes and anxiety levels toward using artificial intelligence.
Methods This descriptive cross-sectional study was conducted with 234 nursing students from a private university. Inclusion criteria included being a Turkish citizen and enrolled in the nursing program. Data were collected using a Socio-demographic Form, the General Attitude towards Artificial Intelligence Scale, and the Artificial Intelligence Anxiety Scale. Data were analyzed using t-test, ANOVA, and Pearson correlation (p < 0.05).
Results According to results, the participants’ mean age was 20.47±1.00 and 85.9% were female. The mean total score of the General Attitude towards Artificial Intelligence Scale was 69.54±8.79. The mean score of Positive Attitude Towards Artificial Intelligence was 44,38±6,10 and Negative Attitude Towards Artificial Intelligence was 25,16±5,73. The mean score of Artificial Intelligence Anxiety Scale was calculated as 45,90±11,57. A significant and moderate negative correlation was found between the total scores of General Attitude Scale to Artificial Intelligence scores and Artificial Intelligence Anxiety Scale (r=-0.595). It was determined that positive attitude scores of participants who had detailed knowledge about Artificial Intelligence and used Artificial Intelligence in education were significantly higher than those who didn’t know about Artificial Intelligence and didn’t use it in education (p<0.05). The anxiety scores of female participants were significantly higher than male participants. It was observed that the Artificial Intelligence Anxiety Scale scores of participants who didn’t use AI in education were significantly higher than those who did (p<0.05).
Conclusion Supporting positive attitudes and integrating Artificial Intelligence into nursing education may help reduce anxiety and improve students’ readiness for future healthcare technologies. Enhancing awareness and experience with Artificial Intelligence can further strengthen acceptance and effective use among nursing students.
Keywords:
Sudents, nursing; Artificial ıntelligence; Anxiety; Attitude
Resumen
Objetivo El objetivo de este estudio fue determinar las actitudes y los niveles de ansiedad de los estudiantes de enfermería con relación al uso de la inteligencia artificial (IA).
Métodos Este estudio transversal descriptivo se llevó a cabo con 234 estudiantes de enfermería de una universidad privada. Los criterios de inclusión fueron ser ciudadano turco y estar matriculado en el programa de enfermería. Los datos se recopilaron utilizando un formulario sociodemográfico, la Escala de Actitud General hacia la IA y la Escala de Ansiedad hacia la IA. Los datos se analizaron utilizando la prueba t, el ANOVA y la correlación de Pearson (p<0,05).
Resultados La edad promedio de los participantes fue de 20,47 ± 1,00, de los cuales el 85,9 % eran mujeres. El puntaje promedio total de la Escala de Actitud General hacia la IA fue de 69,54 ± 8,79. El puntaje promedio de la Actitud Positiva hacia la IA fue de 44,38 ± 6,10 y la de la Actitud Negativa hacia la IA fue de 25,16 ± 5,73. El puntaje promedio de la Escala de Ansiedad hacia la IA se calculó en 45,90 ± 11,57. Se encontró una correlación negativa significativa y moderada entre los puntajes totales de la Escala de Actitud General hacia la IA y de la Escala de Ansiedad hacia la IA (r = -0,595). Se determinó que los puntajes de actitud positiva de los participantes con conocimientos detallados sobre IA y que utilizaban IA en la educación eran significativamente mayores que los de aquellos que no sabían nada sobre IA y no la utilizaban en la educación (p = 0,05). Los puntajes de ansiedad de las participantes fueron significativamente mayores que los de los participantes. Se observó que los puntajes de la Escala de Ansiedad de IA de los participantes que no utilizaban IA en la educación eran significativamente mayores que los de los participantes que la utilizaban (p<0,05).
Conclusión Fomentar actitudes positivas e integrar la IA en la educación de enfermería puede ayudar a reducir la ansiedad y mejorar la preparación de los estudiantes para las futuras tecnologías sanitarias. Aumentar la concientización y la experiencia con la IA puede reforzar aún más su aceptación y uso eficaz entre los estudiantes de enfermería.
Descriptores:
Estudiantes de enfermería; Inteligencia artificial; Ansiedad; Actitud
Introdução
A inteligência artificial (IA), que antes era vista como um conceito futurista, é agora uma força dinâmica presente em nossa vida cotidiana, levantando questões sobre o futuro que estamos construindo juntos. Do avanço na assistência médica às transformações nos sistemas financeiros, a IA está abrindo possibilidades que estão mudando o modo como vivemos, trabalhamos e nos conectamos com as pessoas. Estudos recentes mostram que a IA não só aumenta as capacidades humanas na medicina e nas finanças, mas também acelera a tomada de decisões e a eficiência operacional em quase todos os principais setores, inaugurando uma nova era de sistemas inteligentes e colaboração entre humanos e máquinas.(1-3) À medida que o uso da IA continua a se expandir, é imperativo entender seus efeitos sobre os que estão na linha de frente, tais como estudantes de enfermagem, cujas atitudes e níveis de conforto ou ansiedade em relação ao uso da IA podem afetar sua abordagem ao atendimento de pacientes e às responsabilidades profissionais.(2)
A IA pode ser definida como a capacidade de um sistema interpretar corretamente dados externos, aprender com dados e usar esse aprendizado para atingir objetivos através de adaptação flexível.(1) Ela é também considerada “A ciência que permite que as máquinas façam coisas que exigiriam inteligência se fossem feitas por humanos”.(2) O uso da IA, que se tornou muito popular nos primeiros anos do século XXI (no sentido de que todos dispositivos tecnológicos incorporaram facilidade de acesso e uso), remonta, na verdade, a meados do século XIX.(4,5) A IA se desenvolveu ao longo do tempo. Recentemente, ela começou a fornecer funções de integração, análise e melhoria das decisões tomadas dentro da estrutura dos comportamentos humanos.(6) Além disso, a IA tem sido usada em muitas áreas, da saúde à análise financeira, do atendimento aos clientes à automação, aumentando a eficiência e incentivando a inovação.(7) Com a integração da IA aos serviços de saúde, houve um significativo progresso no tratamento de pacientes, acompanhamento e diagnóstico de doenças pelos profissionais de saúde. Ao mesmo tempo, foi previsto que ela contribuirá para atingir altos padrões nos cuidados de enfermagem, fortalecendo a autoridade e as responsabilidades da profissão de enfermagem, bem como dos cuidados individualizados de enfermagem com base em evidências, assegurando o uso de vários dados ambientais, genômicos, de saúde e sociodemográficos obtidos antes. (8,9)
As pesquisas mostram que a IA contribui para os serviços de saúde e os cuidados de enfermagem. Porém, as atitudes e preocupações de enfermeiros e estudantes de enfermagem em relação às percepções da IA entre estudantes de enfermagem podem variar. Embora muitos estudantes de enfermagem reconheçam os benefícios da IA, descobertas recentes sugerem que suas percepções são moldadas por fatores tais como nível acadêmico, gênero e exposição anterior às Tecnologias de IA.(10-12) Alguns estudos mostram que os estudantes da área da saúde têm uma atitude positiva e esperançosa em relação à IA, mas alguns a veem como uma ameaça à sua profissão.(10,13) Além disso, alguns estudos indicam que os enfermeiros têm uma atitude positiva em relação à IA e essa percepção facilita a adoção da IA em ambientes clínicos.(13,14) Os estudantes de enfermagem também mostraram opiniões favoráveis em relação à IA mas seu conhecimento sobre suas aplicações práticas foi frequentemente limitado. Realmente, uma revisão sistemática observou que, embora as atitudes sejam geralmente positivas entre os estudantes de enfermagem, as disparidades no conhecimento e prontidão tecnológica (especialmente em relação às implicações éticas e uso clínico da IA) continuam sendo significativas barreiras à sua efetiva integração.(15) Além disso, foi afirmado que os estudantes de enfermagem estavam abertos à integração da IA, mas tinham algumas preocupações, emoções negativas e ansiedade sobre isso.(16-18)
Acredita-se que as aplicações da IA na área da saúde têm o potencial de revolucionar áreas tais como diagnóstico, tratamento, atendimento ao paciente e gestão, contribuindo para reduzir a carga de trabalho dos profissionais de saúde.(8) Acredita-se também que a integração bem-sucedida dessa tecnologia inovadora será moldada pela gestão eficaz das atitudes e níveis de ansiedade dos estudantes de enfermagem em relação à IA, pois eles são os futuros líderes na área da saúde. Nesse contexto, compreender as percepções dos estudantes de enfermagem sobre a IA esclarecerá como ela afeta suas abordagens no cuidado aos pacientes. Esses resultados contribuirão para o desenvolvimento curricular e a preparação dos estudantes de enfermagem para o ambiente de saúde em constante mudança, no qual ferramentas baseadas em IA desempenham um papel cada vez mais importante.(4,8)
Este estudo buscou responder às seguintes questões:
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Quais são as atitudes dos estudantes de enfermagem em relação à IA?
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Quais são os níveis de ansiedade dos estudantes de enfermagem em relação à IA?
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Existe uma relação entre as atitudes dos alunos e seus níveis de ansiedade em relação à IA?
Nesse contexto, determinar a atitude e a ansiedade dos estudantes de enfermagem em relação à IA é importante para entender suas tendências e desenvolver habilidades. Além disso, os resultados desta pesquisa podem fornecer evidências para alinhar a educação em enfermagem e o desenvolvimento profissional com a IA. Este estudo foi conduzido para determinar a atitude e a ansiedade de estudantes de enfermagem em relação à IA. O objetivo deste estudo foi determinar as atitudes e os níveis de ansiedade dos estudantes de enfermagem em relação ao uso da IA.
Métodos
Este estudo transversal descritivo foi conduzido em 2024 no Departamento de Enfermagem da Faculdade de Ciências da Saúde em Ancara (Turquia). A população do estudo incluiu 382 estudantes de enfermagem matriculados no Departamento de Enfermagem. O tamanho mínimo de amostra necessário foi calculado em 192 alunos usando o programa Raosoft (intervalo de confiança: 95%; margem de erro: 5%). Porém, prevendo uma possível perda de dados, a pesquisa foi aplicada a 234 estudantes para aumentar a confiabilidade dos dados. No final, 234 questionários respondidos foram incluídos na análise.
Os participantes deveriam ser estudantes matriculados nos programas de enfermagem turco ou inglês na Universidade Ankara Medipol e ter cidadania turca.
Estudantes com problemas psicológicos tais como ansiedade ou depressão, aqueles que não responderam completamente ao questionário e estudantes internacionais (não turcos) foram excluídos do estudo.
Os dados foram coletados com três instrumentos:
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Formulário de Características Sociodemográficas: este formulário foi desenvolvido com base na literatura relevante e reuniu dados sobre variáveis incluindo idade, gênero, nível de conhecimento sobre IA, ano acadêmico e nível de escolaridade dos pais.(19-21)
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Escala de Ansiedade de IA (originalmente desenvolvida por Wang e Wang e adaptada ao turco por Akkaya et al.): este instrumento (escala Likert de 16 itens) mede a ansiedade relacionada à IA em quatro subdimensões: (1) aprendizagem, (2) substituição de emprego, (3) cegueira sociotécnica e (4) configuração da IA.(19) Escores mais altos indicam ansiedade aumentada (faixa de escores: 16-80). Na Escala de Ansiedade de IA, os escores totais mais altos indicam níveis mais altos de ansiedade relacionada à IA. A escala tem um alfa de Cronbach de 0,93, indicando alta confiabilidade. Em nosso estudo, o nível de confiabilidade da escala foi alto (0,92).
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Escala de Atitude Geral em Relação à IA (originalmente desenvolvida por Schepman e Rodway e adaptada ao turco por Kaya et al.): esta escala (20 itens) mede atitudes positivas e negativas em relação à IA.(20,21) As respostas foram classificadas em uma escala Likert (5 pontos) com itens negativos. O escore para atitudes positivas variou de 12 a 60, e o escore para atitudes negativas variou de 8 a 40. Na Escala de Atitude Geral em Relação à IA, escores mais altos indicam uma atitude mais positiva em relação à IA, ao passo que escores mais baixos indicam uma atitude mais negativa ou hesitante. Os valores da escala alfa de Cronbach variaram de 0,82 a 0,88. Em nosso estudo, o nível de confiabilidade da escala foi alto (0,79-0,82).
O estudo foi conduzido de novembro a dezembro de 2024 em salas de aula do Departamento de Enfermagem na Universidade Medipol de Ankara. Os alunos foram informados sobre o estudo durante os intervalos das aulas e convidados a participar. Após obter o consentimento informado livre e esclarecido, os dados foram coletados através de entrevistas presenciais. Cada participante respondeu ao questionário em cerca de 15 min (em média).
Os dados foram analisados usando o software IBM SPSS Statistics (v. 26.0). As variáveis categóricas foram resumidas com frequências e porcentagens, ao passo que as variáveis numéricas foram apresentadas como médias e desvios-padrão. A normalidade foi avaliada usando os coeficientes de assimetria e curtose, e todas as variáveis estavam distribuídas normalmente (dentro de ±1,5). Portanto, foram aplicados testes paramétricos. A relação entre duas variáveis contínuas foi analisada usando o coeficiente de correlação de Pearson. Um teste t de amostras independentes foi usado para comparar dois grupos, e ANOVA unidirecional foi aplicada para comparações envolvendo mais de dois grupos. Quando os resultados da ANOVA foram significativos, o teste post-hoc de Tukey foi realizado para identificar a origem das diferenças. Um valor de p<0,05 foi considerado estatisticamente significativo.
Foi obtida a aprovação do Comitê de Ética da Universidade Medipol de Ankara (Data: 27.11.2024; Número: E-81477236-604.01.01-9761/144). Os consentimentos informados por escrito e verbal foram obtidos dos participantes após informar sobre a pesquisa. A permissão dos autores que desenvolveram escalas foi obtida por e-mail. O estudo seguiu os critérios descritos na Declaração de Helsinque.
Resultados
A idade média dos participantes foi de 20,47±1,72 (mín.:19, máx.:27) anos e 85,9% deles eram do sexo feminino. Além disso, 46,2% dos pais tinham formação universitária e 44,9% das mães tinham ensino médio. O local onde 79,9% dos participantes viveram mais tempo foi na província. A maioria deles (87,6%) estava no programa de enfermagem no idioma turco, e 42,7% deles eram calouros. A grande maioria (76%) dos estudantes afirmou ter usado IA em sua vida educacional, ao passo que 65% deles disse que “têm algum conhecimento” sobre ela. O escore médio dos participantes na escala de Atitudes Gerais em relação à IA foi de 69,54±8,79, ao passo que menores escores foram obtidos para Atitudes Positivas (44,38±6,10) e Negativas (25,16±5,73) em relação à IA. O escore médio na Escala de Ansiedade de IA foi de 45,90±11,57. Diferentes escores foram encontrados nas subdimensões de aprendizagem (10,72±12,82), substituição de emprego (12,82±3,65) cegueira sociotécnica (13,45±3,75) e configuração (8,90±3,45) de IA (Tabela 1).
Há uma relação negativa moderada e estatisticamente significativa entre os escores na Escala de Atitude Geral em relação à IA e aqueles na Escala de Ansiedade em IA (r=-0,595) (p<0,05). Há uma relação negativa moderada e estatisticamente significativa entre os escores na Escala de Atitude Geral em relação à IA e as subdimensões de aprendizagem (r=-0,495), substituição de emprego (r=-0,466), cegueira sociotécnica (r=-0,417) e aqueles na configuração da IA (r=-0,541) (p<0,05). Além disso, há uma relação negativa moderada e estatisticamente significativa entre os escores de Atitudes Positivas em relação à IA e aqueles na Escala de Ansiedade de IA (r=-0,324) (p<0,05). Há uma relação negativa moderada e estatisticamente significativa entre os escores de Atitudes Negativas em relação à IA e aqueles na Escala de Ansiedade de IA (r=-0,569) (p<0,05) (Tabela 2).
Foi observado que há significância estatística na relação entre os escores na Escala de Atitude Geral em relação à IA e as variáveis de gênero e programa de linguagem de enfermagem (p<0,05). Os escores na escala dos homens são significativamente maiores que os das mulheres. Além disso, os escores na escala dos alunos do programa de enfermagem em língua turca foram significativamente maiores que os do programa em língua inglesa (p<0,05). Foi observada uma diferença estatisticamente significativa entre os escores de Atitudes Positivas em relação à IA e as variáveis de gênero, nível de conhecimento em IA e seu uso na educação (p<0,05). Assim, os escores de atitude positiva daqueles com conhecimento detalhado sobre IA e a usam na educação são significativamente maiores que aqueles que não têm conhecimento e não usam IA na educação (p<0,05) (Tabela 3).
Foi observada uma diferença estatisticamente significativa entre os escores na escala de ansiedade da IA e as variáveis de gênero e uso da IA na educação (p<0,05). Os escores de ansiedade das mulheres foram significativamente maiores que os dos homens. Além disso, os escores na escala daqueles que não usam IA na educação foram significativamente maiores que os daqueles que a usam (p<0,05). Foi observado que os escores da faixa etária ≥20 na subdimensão aprendizagem foram significativamente maiores que os da faixa etária ≤21 (p<0,05). No programa de enfermagem inglês foi também observada uma diferença estatisticamente significativa na subdimensão mudança de emprego e gênero feminino na subdimensão cegueira sociotécnica (p<0,05). (Tabela 4).
Discussão
Neste estudo, o escore médio na Escala de Atitude Geral em relação à IA está em um nível moderado. Além disso, o escore de atitudes positivas em relação à IA foi maior que o de atitudes negativas. Tarsuslu et al. descobriram que 82,7% dos participantes tinham uma atitude positiva em relação à IA, ao passo que 82,7% experimentaram baixa ou moderada ansiedade em relação à IA.(17) Uma meta-análise mostrou que alunos tinham um nível moderado de conhecimento e atitudes geralmente positivas em relação à IA.(21) No estudo realizado por Swed et al. com médicos e estudantes de medicina, foi observado que 70% deles têm conhecimento sobre IA e uma atitude positiva em relação às aplicações de IA nessa área.(22) Em um estudo realizado com enfermeiros, foi observado que a IA foi útil e atitudes positivas foram manifestadas quanto à sua integração na vida diária.(15) Os resultados do presente estudo são semelhantes aos da literatura. Foi observado que ela causa ansiedade moderada além de uma atitude positiva em relação à IA. Podemos dizer que esses resultados estão relacionados ao conhecimento e à conscientização sobre a IA. As atitudes positivas exibidas em diferentes grupos, tais como enfermeiros, médicos e estudantes de enfermagem, sugerem que essas tecnologias criarão um efeito positivo na integração dos serviços de saúde e na vida diária.
Neste estudo, foi observado que o escore médio na Escala de Ansiedade de IA é alta. Além disso, foi avaliado que o escore na escala da subdimensão de cegueira sociotécnica foi o mais alto. Na literatura, o número de estudos que refletem as subdimensões da escala é limitado. Em um estudo realizado com enfermeiros, os níveis de ansiedade da IA foram de 43,36±11,13, e a subdimensão mais alta foi a cegueira sociotécnica.(23) Um outro estudo afirmou que a confiança na tecnologia e o uso da tecnologia estão positivamente correlacionados.(24) Foi afirmado que conforme aumenta a frequência de uso da tecnologia por profissionais de saúde, sua confiança na tecnologia também aumenta. Essa descoberta é consistente com a literatura, podendo indicar uma falta geral de conscientização entre os profissionais de saúde em relação às implicações sociotécnicas da IA. Para desenvolver aplicações de IA na área da saúde, a confiança dos estudantes de enfermagem nessas tecnologias deve ser aumentada e sua conscientização sobre as dimensões sociotécnicas deve ser desenvolvida. Integrar o uso de IA no currículo de enfermagem pode ser um método eficaz para reduzir a ansiedade sobre esse assunto.
Neste estudo, foi encontrada uma relação negativa moderada e estatisticamente significativa entre os escores na Escala de Atitude Geral em relação à IA e aqueles na Escala de Ansiedade de IA. Em um estudo realizado com enfermeiros, foi encontrada uma relação negativa e igualmente significativa entre atitudes em relação à IA e preocupações com a IA.(17) Um outro estudo mostrou que uma atitude positiva em relação à IA tem um efeito redutor na ansiedade em relação à IA. Foi afirmado que a adoção dessas práticas e seu uso nos negócios pelos gestores têm um efeito redutor na Ansiedade em relação à IA.(25) Essa consistência entre estudos sugere que promover uma atitude positiva em relação à IA pode ser uma estratégia eficaz para aliviar a ansiedade relacionada ao seu uso.
Assim, ter uma atitude positiva em relação à IA pode reduzir a ansiedade. Portanto, tanto a educação e a conscientização individuais como o apoio dos educadores para integrar a IA nos currículos de enfermagem podem ser eficazes em reduzir a ansiedade em relação à IA. Fortalecer atitudes positivas e ativar mecanismos de apoio institucional podem facilitar a adaptação à IA e aumentar seu uso efetivo.
Neste estudo, os escores na Escala de Atitude Geral em relação à IA e os escores de atitude positiva dos alunos foram maiores que os das alunas. Em um estudo, foi observado que a taxa de atitudes negativas de enfermeiras era maior que a de enfermeiros.(26) Um outro estudo observou que as mulheres geralmente têm uma atitude mais negativa em relação à IA, ao passo que os homens mostram mais interesse.(27) Os resultados do presente estudo confirmam essas descobertas e destacam uma consistente diferença baseada em gênero nas atitudes em relação à IA. No âmbito destas informações, acreditamos que a dinâmica de gênero deve ser considerada em aplicações relacionadas à IA para estudantes de enfermagem.
Os escores na Escala de Atitude Geral em relação à IA dos alunos do programa de enfermagem em língua turca foram maiores que os dos alunos do programa de enfermagem em língua inglesa. Não foi encontrado na literatura estudo mostrando a relação entre o idioma de ensino e o uso da IA. Como os dados obtidos nos estudos de validade e confiabilidade são próximos, poderíamos concluir que o idioma da educação não é uma variável relacionada à atitude e à ansiedade em relação à IA. Porém, essa variável pode ser avaliada realizando estudos mais abrangentes sobre o assunto.
No presente estudo, os escores de atitudes positivas em relação à IA dos que têm conhecimento detalhado sobre IA e a usam na educação é maior que os daqueles que não têm conhecimento sobre IA e não a usam na educação. Em um estudo, foi observado que os enfermeiros não tinham conhecimento suficiente sobre IA.(28) Além disso, foi observado que enfermeiros com menor nível de escolaridade, que desconhecem tecnologias de IA e acreditam que ela não terá impacto positivo no cuidado aos pacientes, apresentaram maior Ansiedade em Relação à IA.(23) Estratégias que enfatizam os benefícios das tecnologias de IA e seu impacto na assistência à saúde podem reduzir a ansiedade. Além disso, o uso de IA no ensino de enfermagem pode contribuir para desenvolver atitudes positivas nos alunos.
Este estudo contribuiu muito para a literatura examinando as atitudes e os níveis de ansiedade dos estudantes de enfermagem em relação à integração da IA na educação em enfermagem. Ao abordar variáveis tais como gênero, idioma de instrução e nível de conhecimento de IA, este estudo possibilitou uma compreensão detalhada dos aspectos sociotécnicos e psicológicos da percepção da IA na educação em saúde. Os resultados indicam que, embora os alunos geralmente mostrem atitudes positivas em relação à IA, isso não corresponde necessariamente a níveis mais baixos de ansiedade. Isso destaca a necessidade de estratégias educacionais direcionadas abordando tanto a compreensão como as respostas emocionais à IA. Nossos resultados fornecem percepções valiosas para orientar o desenvolvimento curricular, o planejamento institucional e os esforços para formular políticas visando preparar futuros enfermeiros para ambientes de assistência à saúde integrados à tecnologia.
Este estudo foi realizado em uma única instituição, o que pode limitar a generalização dos achados. A participação foi voluntária, o que pode ter introduzido um viés de autosseleção, pois alunos mais seguros ou interessados em IA podem ter tido maior probabilidade de participar. Além disso, o delineamento transversal impede quaisquer conclusões sobre causalidade. Os dados foram coletados usando instrumentos autorrelatados, que podem ser influenciados por viés de recordação ou desejabilidade social. Finalmente, o estudo foi limitado a estudantes de enfermagem na Turquia. Pesquisas futuras devem considerar amostras mais amplas, multicêntricas ou internacionais para melhorar a comparabilidade e a generalização.
Conclusão
Apoiar atitudes positivas em relação à Inteligência Artificial (IA) é importante para moldar o cuidado de enfermagem. A integração de aplicações de IA no currículo de enfermagem pode assegurar que tecnologias futuras sejam incluídas no cuidado. Para gerenciar efetivamente a ansiedade dos estudantes de enfermagem em relação à IA, o treinamento prático e o apoio à pesquisa sobre esse assunto podem contribuir para atitudes positivas. Além disso, incentivar os estudantes de enfermagem a usarem IA pode ser importante para desenvolver atitudes positivas. Alunos com mais conhecimento sobre IA e aqueles que a usaram em ambientes educacionais tiveram atitudes significativamente mais positivas e menores níveis de ansiedade. Em contraste, alunos com conhecimento limitado ou sem experiência de uso mostraram maiores níveis de ansiedade, particularmente nos domínios de cegueira sociotécnica e configuração de IA. Os estudantes mostraram atitudes mais positivas e as estudantes mostraram maior ansiedade, sugerindo a importância de estratégias sensíveis ao gênero. Além disso, uma correlação negativa moderada entre atitudes e ansiedade indica que melhorar a percepção pode efetivamente reduzir o medo e a resistência. São necessárias intervenções direcionadas para aumentar a familiaridade e a competência com tecnologias de IA entre estudantes de enfermagem, promovendo assim futuros profissionais de saúde mais confiantes e capazes.
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Disponibilidade dos dados:
Os dados da pesquisa estão disponíveis no artigo.
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Editor Associado:
Thiago da Silva Domingos (https://orcid.org/0000-0002-1421-7468) Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
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