Objetivo Avaliar sintomas psíquicos em familiares de pacientes críticos na pandemia.
Métodos Coorte prospectiva com familiares adultos de pacientes admitidos no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) de um hospital universitário, de julho de 2020 a abril de 2022, via contato telefônico imediatamente, seis e 12 meses após a alta do CTI, coletando-se dados sociodemográficos e avaliando sintomas de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático. Para avaliar os sintomas de ansiedade e depressão, foi utilizada a Hospital Anxiety and Depression Scale e para sintomas de transtorno de estresse pós-traumático, utilizou-se a Impact of Event Scale-6. Realizadas análises estatísticas descritivas e bivariadas.
Resultados Após a alta, 37,7% dos familiares apresentaram sintomas de ansiedade e, 32,5%, de depressão. Após seis meses, esses índices reduziram para 33,3% e 21,9%, respectivamente, e, após um ano, para 12,3% e 6,1%, respectivamente. Além disso, 30,7% dos familiares relataram sintomas de estresse pós-traumático após seis meses, caindo para 12,3% ao final de 12 meses. O núcleo familiar experienciou percentuais mais elevados de ansiedade (p<0,001) e depressão (p=0,02) em duas ou mais fases do estudo. Familiares com diagnóstico prévio de ansiedade/pânico (p=0,002) ou depressão/bipolaridade (p=0,01) apresentaram maiores percentuais de sintomas depressivos em duas ou mais fases.
Conclusão Familiares do núcleo familiar e do sexo feminino experienciaram sintomas psíquicos mais intensos, especialmente no momento da alta do CTI, perdurando por até 12 meses em alguns indivíduos.
Descritores:
Pandemia; COVID-19; Cuidados críticos; Unidades de terapia intensiva; Relações familiares; Sintomas psíquicos; Inquéritos e questionários
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