Resumo
RESUMO: O presente artigo tem como objetivo apresentar o desenvolvimento histórico da documen-tação museológica entre os períodos de 1895 e 2024, em contextos nacionais e internacionais, desta-cando eventos e iniciativas que contribuíram para a consolidação dessa prática no âmbito museológico. Parte-se do entendimento de que a documentação constitui um processo essencial para a salvaguarda, gestão e acesso ao patrimônio cultural, cujo desenvolvimento reflete mudanças teóricas, institucionais e tecnológicas ocorridas ao longo do tempo. Com base em uma abordagem qualitativa e histórico-ana-lítica, a pesquisa foi conduzida por meio de revisão bibliográfica, análise de documentos normativos e consulta a fontes institucionais disponíveis em plataformas digitais. A metodologia utilizada permitiu reunir e organizar conhecimentos previamente produzidos, favorecendo a sistematização cronológica dos eventos mais relevantes para o campo. Os dados coletados foram analisados à luz de referenciais teóricos da área, permitindo uma compreensão contextualizada das práticas documentais. Como resul-tado, o estudo revela que, apesar das diferentes trajetórias e soluções adotadas por museus em distintas regiões do mundo, há um movimento convergente em direção a padronização, interoperabilidade e ampliação do acesso público aos dados museológicos.
PALAVRAS-CHAVE:
Documentação museológica; História da documentação; Práticas museológicas.
Abstract
ABSTRACT: This article aims to present the historical development of museum documentation from 1895 to 2024, in both national and international contexts, highlighting events and initiatives that have contributed to the consolidation of this practice within the museum field. It is based on the understanding that documentation is an essential process for the preservation, management, and access to cultural heritage, whose evolution reflects theoretical, institutional, and technological changes over time. Drawing on a qualitative and historical-analytical approach, the research was conducted through a literature review, analysis of regulatory documents, and consultation of institutional sources available on digital platforms. The adopted methodology enabled the collection and organization of previously produced knowledge, supporting the chronological systematization of the most relevant events. The collected data were analyzed in light of theoretical frameworks in the field, allowing for a contextualized understanding of documentation practices. As a result, the study reveals that, despite the different trajectories and technical solutions adopted by museums in various regions of the world, there is a converging movement toward standardization, interoperability, and the expansion of public access to museum data.
KEYWORDS:
Museum documentation; History of documentation; Museological practices.
INTRODUÇÃO
A documentação museológica constitui uma prática fundamental para a salvaguarda, a gestão e a democratização do patrimônio cultural, funcionando como elo entre os acervos e os diversos públicos. Seu desenvolvimento acompanha os avanços técnicos e científicos, bem como as transformações sociais, culturais e tecnológicas que impactaram o campo museal ao longo do tempo. Embora o registro e a organização dos objetos sejam atividades tão antigas quanto os próprios museus, a documentação museológica só veio a se consolidar como uma disciplina específica no século XX, impulsionada principalmente pela informatização e pela adoção de métodos sistemáticos de registro e recuperação da informação.
A documentação museológica refere-se a um sistema metodológico voltado ao registro, à organização e à disponibilização das informações sobre os objetos museológicos, que visa preservar os acervos e orientar a gestão da informação no museu. Nesse sentido, a documentação ultrapassa sua função técnica e se insere como instrumento estratégico da política de preservação e da função social dos museus, contribuindo para a memória coletiva e a valorização da diversidade cultural.1
Historicamente, a prática documental nos museus teve início com a produção de catálogos elaborados por eruditos interessados na divulgação científica de coleções de antiguidades, como nos Gabinetes de Curiosidades. Ao longo do século XVIII, com o surgimento do museu moderno, essas práticas passaram a adquirir contornos mais sistemáticos, acompanhando uma reorganização das coleções com enfoque histórico-artístico.2 Já no século XIX, a consolidação do museu moderno, marcada pela abertura ao público e pela incorporação de coleções privadas, resultou na valorização da documentação como atividade essencial à gestão museológica e contribuiu para o início da sua profissionalização. Já no século XX, a criação de instituições como o Conselho Internacional de Museus (ICOM) e a regulamentação da profissão de museólogo fortaleceram esse reconhecimento, estabelecendo normas e parâmetros que definiram a documentação como uma disciplina especializada.3
A documentação museológica é tão antiga quanto os próprios museus, embora só recentemente tenha se consolidado como disciplina.4 Seu desenvolvimento se deu de maneira gradual, acelerando-se com a introdução da informática - um fenômeno que impactou outras áreas do conhecimento, especialmente nas questões terminológicas.5 Historicamente, a prática documental nos museus teve início com os primeiros catálogos, elaborados por eruditos dedicados à divulgação científica de coleções de antiguidades. Esses catálogos, assim como as classificações e compilações geradas nos ambientes dos Gabinetes de Curiosidades, representaram as primeiras tentativas sistemáticas de organizar e preservar o conhecimento. No século XVIII, essa organização atingiu um novo patamar com a reorganização das coleções sob um viés histórico-artístico, um movimento que coincidiu com o surgimento do museu moderno.6
Vale destacar que o termo “documentação” passou a ser utilizado apenas no século XX. Antes disso, as atividades voltadas à organização das coleções eram denominadas principalmente como “registro” ou “catalogação”. A documentação museológica tem suas origens nas áreas da arquivologia e da biblioteconomia e, em seus primórdios, consistia em inventários simples, voltados à organização básica dos acervos. A consolidação da documentação como uma prática mais sistemática e especializada ocorreu à medida que os museus passaram a adotar métodos científicos para a gestão de seus acervos, incorporando abordagens que ampliaram tanto a preservação quanto o acesso aos bens culturais.7
Nesse sentido, é importante destacar a influência da biblioteconomia nos processos de documentação museológica, especialmente no que diz respeito à terminologia. Também é importante sublinhar que o termo “ficha catalográfica” foi, por muito tempo, utilizado em contextos museológicos.8 Esse uso reflete a forte influência da Biblioteconomia na organização dos processos de documentação museológica, sobretudo em períodos anteriores à consolidação da Museologia como campo profissional e acadêmico. Muitas bibliotecárias, ao assumirem funções técnicas em museus, contribuíram para a incorporação de terminologias e metodologias próprias de sua área de origem.
Contudo, é necessário distinguir os significados dos termos. A expressão “ficha catalográfica” é típica da Biblioteconomia e se refere a um registro síntese de publicações, com informações como autoria, título, assunto e dados editoriais, geralmente localizado no verso da folha de rosto dos livros. No contexto museológico, é mais apropriado empregar o termo “ficha de catalogação” para designar o instrumento técnico do processo de catalogação, que reúne informações detalhadas sobre os objetos museológicos - tais como procedência, material, dimensões, uso, entre outros aspectos relevantes para sua identificação, preservação e comunicação.
METODOLOGIA
Esta pesquisa tem como objetivo apresentar uma linha do tempo do desenvolvimento histórico da documentação museológica, entre os períodos de 1895 e 2024, destacando seus principais marcos e transformações, com ênfase nas experiências nacionais e internacionais até a contemporaneidade. Para alcançar esse propósito, adota-se uma abordagem qualitativa, que possibilita uma compreensão aprofundada dos fenômenos investigados por meio da análise dos dados. Nesse contexto, a revisão de literatura desempenha um papel fundamental, pois além de contribuir para a delimitação de categorias analíticas, enriquece a interpretação dos resultados, permitindo uma compreensão mais ampla, densa e articulada das temáticas estudadas.9 Assim, a metodologia adotada oferece suporte sólido à análise histórica proposta, assegurando a consistência e a relevância da construção teórica apresentada.
Trata-se de uma pesquisa de caráter bibliográfico, fundamentada na análise de publicações acadêmicas, documentos normativos e estudos históricos sobre a documentação museológica, abrangendo tanto o contexto brasileiro quanto o internacional. Essa abordagem metodológica se justifica pela necessidade de reunir, organizar e interpretar conhecimentos previamente produzidos, permitindo identificar os processos históricos que influenciaram o desenvolvimento das práticas documentais no campo museológico ao longo dos séculos. Para garantir a consistência da análise, os dados extraídos da literatura foram sistematizados, possibilitando a organização cronológica dos eventos e transformações identificados durante a leitura. Esse procedimento, conforme destacam Rodrigues e Neubert,10 é fundamental para assegurar a padronização dos registros e a coerência analítica na construção de uma linha do tempo historicamente fundamentada.
A investigação se apoia em uma abordagem histórico-analítica, que busca evidenciar as mudanças nas concepções e práticas relacionadas à documentação museológica, observando os marcos teóricos, legais e institucionais que influenciaram essa trajetória. A revisão histórica tem por objetivo identificar a evolução de conceitos e práticas ao longo do tempo, sendo especialmente adequada para pesquisas que exigem contextualização temporal e análise crítica de fontes documentais.11 De acordo com o levantamento bibliográfico realizado, não foram identificados estudos preliminares que tratem de forma condensada do histórico da documentação museológica. Além disso, o tema se mostra pertinente para a comunidade acadêmica e os profissionais de museus, pois o conhecimento histórico sobre a evolução dos métodos e conceitos de registro e gestão de acervos contribui tanto para o aprofundamento teórico e metodológico da disciplina quanto para aprimorar, de forma prática, os processos de catalogação, preservação e interpretação das coleções.
LINHA DO TEMPO DA DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA
Inícios - 1895-1903
A consolidação da documentação como disciplina está relacionada às movimentações teóricas e práticas de duas figuras centrais: Paul Otlet (1868-1944) e Henri La Fontaine (1854-1943). Ambos advogados, foram os fundadores, em 1895, do Instituto Internacional de Bibliografia (IIB), posteriormente renomeado como Instituto Internacional de Documentação (IID). Seus esforços se concentravam na resolução de questões ligadas à organização e ao acesso às fontes documentais.12 Otlet acreditava que “o acesso ao conhecimento por todos os povos levaria a uma maior compreensão da concepção da alteridade, no sentido do conhecimento das diferenças, o que possibilitaria a paz mundial”13, motivação que reforçava seu empenho na consolidação do campo da documentação.
Reconhecido como o “pai” da documentação, Paul Otlet deu contribuições fundamentais tanto para a definição do termo “documento” quanto para a concepção do termo “documentação”. Em 1903, ele utilizou pela primeira vez o termo documentação no artigo Le sciences bibliographiques et la documentation, no qual o concebe como o processo de fornecimento de documentos, ou de referências a eles, para aqueles que necessitam da informação contida nesses registros.14
Em 1904, foi fundado na Itália o Istituto Internazionale di Studi sul Museo, considerado um dos primeiros centros dedicados ao estudo sistemático dos museus e às práticas de organização e registro de acervos, prenunciando preocupações que mais tarde seriam centrais na documentação museológica.15 Já em 1907, o francês Georges Henri Rivière iniciou sua atuação no campo museológico, influenciado pelos museus de história natural e etnografia. Suas ideias iniciais sobre a importância do inventário e da documentação sistemática das coleções foram fundamentais para o desenvolvimento posterior da museologia como disciplina.16
Anos depois, em 1913, é fundado, na Alemanha, o Bildarchiv Foto Marburg, pelo historiador da arte Richard Hamann. Vinculado à Universidade Philipps de Marburg,17 tornou-se o Centro Alemão de Documentação da História da Arte, contribuindo significativamente para a produção de um inventário nacional do patrimônio cultural, funcionando como uma base de dados de referência para pesquisadores, instituições culturais e políticas públicas voltadas à salvaguarda da memória. Com um acervo de aproximadamente 1,7 milhão de imagens, é hoje um dos maiores arquivos dedicados à arte e à arquitetura europeias.18
Durante e após a Primeira Guerra Mundial, surgiram iniciativas que buscavam padronizar os registros museais, especialmente nos Estados Unidos. Em 1917, a American Association of Museums (hoje American Alliance of Museums) começou a recomendar práticas mais uniformes de catalogação, como forma de garantir a preservação e a acessibilidade da informação sobre os acervos.19 Em 1918, diversos museus europeus passaram a publicar catálogos sistemáticos das coleções como resposta aos riscos de perda e dispersão provocados pela guerra, demonstrando uma preocupação crescente com a documentação.20
A década de 1920 marcou o início da popularização do uso de fichas catalográficas padronizadas, o que permitiu uma forma mais sistemática de registro dos objetos museológicos e influenciou diretamente os sistemas que mais tarde seriam formalizados no pós-Segunda Guerra Mundial.21 Em 1921, começaram a surgir fóruns internacionais de discussão sobre a normatização de práticas museológicas, o que preparou o terreno para a fundação do ICOM em 1946.
Embora esses fóruns ainda não constituíssem uma organização formal, já sinalizavam a necessidade de padrões internacionais para o inventário e a descrição técnica dos acervos.22
1922-1951
Em 1922, foi criado, no âmbito da Sociedade das Nações, o Comitê Internacional de Cooperação Intelectual (International Commission for Intellectual Cooperation - ICIC). Esse órgão consultivo tinha como objetivo promover o intercâmbio intelectual entre cientistas e pesquisadores, facilitando a colaboração internacional em diversas áreas do conhecimento.23
Em 1926, o governo francês fundou o Instituto Internacional de Cooperação Intelectual (IICI) (The International Institute of Intellectual Cooperation), com a responsabilidade de organizar e executar as resoluções estabelecidas pelo Icic. Henri Focillon, historiador da arte e membro ativo dessa comissão, sugeriu a criação de um órgão especializado na gestão e nos estudos de museus. Como resultado dessa proposta, foi estabelecido, ainda no mesmo ano, o Escritório Internacional de Museus, com o objetivo de promover a colaboração e o intercâmbio de conhecimentos e práticas entre instituições museológicas ao redor do mundo.24
Entre 1927 e 1945, o L’Office International des Musées (OIM.), com sede em Paris, tornou-se a primeira agência internacional dedicada ao cuidado e à organização de museus. Vinculado ao IICI, que era um desdobramento da Liga das Nações, o OIM teve um papel fundamental na padronização de práticas museológicas. Uma de suas principais recomendações foi a adoção de fichas e etiquetas descritivas padronizadas, facilitando o intercâmbio de informações entre museus de diferentes países e contribuindo para a sistematização e organização do conhecimento museológico em uma escala global.25
Embora o OIM tenha se mostrado promissor inicialmente, com a intenção de se consolidar como um centro de documentação que promovesse “o caráter enciclopédico e pedagógico dos museus”26, sua abordagem encontrou limitações significativas. O organismo iniciou um trabalho de unificação dos catálogos e publicações utilizadas pelos museus para divulgar seus acervos. No entanto, devido à diversidade de coleções e à particularidade de cada instituição, os catálogos apresentaram divergências substanciais. Com o tempo, ficou claro que a tentativa de padronização imposta pela OIM não poderia ser mantida, pois ela comprometia as especificidades de cada museu. Esse processo de uniformização, ao tentar organizar de forma homogênea coleções tão distintas, corria o risco de omitir informações valiosas, prejudicando a riqueza e o contexto dos acervos.
Posteriormente, em sua obra Traité de Documentation, publicada em 1934, Otlet ampliou a definição, ao considerar os documentos como registros escritos, gráficos ou tridimensionais que representam ideias ou objetos e que informam.27 Dessa forma, qualquer objeto capaz de transmitir informação poderia ser entendido como documento.
Dentro desse esforço de sistematização e representação do conhecimento, surgiu na década de 1940 o sistema de classificação ICONCLASS,28 quando Henri van de Waal começou a desenvolver ideias para uma classificação universal dos temas das obras de arte.
No contexto institucional, destaca-se a fundação do ICOM Brasil em 9 de janeiro de 1948, que integra tanto o ICOM-LAC (Comitê Regional para a América Latina e Caribe) quanto o ICOM-SUR (Comitê Regional dos países do MERCOSUL). O ICOM Brasil tem sido um importante canal para o intercâmbio de informações e o desenvolvimento de atividades na área museológica. No entanto, apesar do papel central do ICOM como fórum internacional de discussão e normatização, muitas das técnicas e padrões desenvolvidos por seus comitês especializados, como o CIDOC, foram incorporados de maneira gradual e desigual pelos museus brasileiros.29 Essa adoção lenta revela tanto os desafios específicos da realidade museal nacional quanto a necessidade de adaptação dos modelos internacionais às particularidades locais.
Em âmbito internacional, o ICOM (International Council of Museums) foi fundado em 1946, em substituição ao OIM,30 e se consolidou como um organismo não governamental vinculado à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Desde sua criação, o ICOM tem desempenhado um papel central no fortalecimento da museologia como campo profissional e acadêmico, promovendo a pesquisa, a conservação, a sustentabilidade e a transmissão à sociedade do patrimônio natural e cultural, tanto do passado quanto do presente, em suas dimensões tangíveis e intangíveis. Trata-se de uma associação de membros que atua como instância de referência mundial para a definição de padrões profissionais e éticos nas práticas museológicas, sendo um espaço de articulação e diálogo internacional.
Sua estrutura atual é composta por mais de 57.000 membros individuais distribuídos em 129 países, organizados em 120 Comitês Nacionais, 34 Comitês Internacionais, 8 Alianças Regionais e 21 Organizações Afiliadas. O ICOM tem cinco grandes missões: estabelecer padrões de excelência para a atuação profissional em museus; atuar como fórum diplomático nas questões culturais e patrimoniais internacionais; desenvolver redes de cooperação e apoio mútuo entre profissionais e instituições; estimular reflexões críticas e globais sobre o papel dos museus; e realizar missões internacionais voltadas à proteção e salvaguarda do patrimônio em contextos de risco.31
Como parte dessa estrutura institucional, em 1950 foi criado o Comitê Internacional de Documentação (CIDOC), um dos Comitês Internacionais do ICOM, com apoio do Centro de Documentação da UNESCO-ICOM. O desenvolvimento inicial do CIDOC foi fortemente influenciado por Yvonne Oddon, bibliotecária e colaboradora de George Henri Rivière, um dos principais nomes da Nova Museologia. Oddon se destacou pela criação de um esquema de classificação museológica voltado a bibliotecas e centros especializados em museus, além de atuar na formação de profissionais por meio de cursos nos quais enfatizava o papel essencial da documentação para os museus.32 O CIDOC surgiu como continuidade das iniciativas desenvolvidas anteriormente pela Oficina Internacional de Museus (OIM), extinta em 1945, assumindo como preocupação central a padronização das informações nos catálogos de acervos.33
Desde então, o Comitê se consolidou como uma das principais referências internacionais no campo da documentação museológica. Entre suas premissas fundamentais, está a afirmação de que acervos e coleções sem documentação adequada não podem ser considerados verdadeiros acervos de museus.34 Composto por profissionais comprometidos com a promoção de boas práticas e o avanço do conhecimento técnico, o CIDOC atua por meio da elaboração de padrões, guias e ferramentas, além do incentivo ao intercâmbio de experiências, à formação continuada e à articulação em rede. A comunicação com seus membros ocorre por meio de eventos presenciais e virtuais, com destaque para a conferência anual, que funciona como espaço central de debate e encontro dos diversos Grupos de Trabalho do comitê. Desde sua criação, o CIDOC já instituiu cerca de 30 grupos de trabalho, alguns de caráter temporário, voltados a temas específicos, e outros de atuação contínua. A proposição de novos grupos deve partir dos próprios membros, sendo apresentada durante a Assembleia Geral Anual do Comitê.35
Paralelamente ao desenvolvimento institucional, o campo da documentação também foi marcado por reflexões teóricas importantes, como as de Suzanne Briet (1894-1989), bibliotecária e documentalista da Biblioteca Nacional da França. Interessada pelos debates conceituais da área, Briet deu continuidade aos trabalhos de Otlet, aprofundando a reflexão sobre o que pode ou não ser considerado um documento e trazendo importantes contribuições para o amadurecimento da disciplina.
Na obra O que é documentação? (Qu’est-ce que la documentation?), publicada originalmente em 1951, a autora propõe que documento é “[...] todo indício, concreto ou simbólico, conservado ou registrado, com a finalidade de representar, reconstruir ou provar um fenômeno físico ou intelectual”36. Para ilustrar essa definição, ela provoca o leitor com uma sequência de questionamentos:
Uma estrela é um documento? Um seixo rolado pela correnteza é um documento? Um animal vivo é um documento? Não, mas são documentos as fotografias e os ca-tálogos de estrelas, as pedras de um museu de mineralogia, os animais catalogados e expostos num zoológico.37
Além disso, Briet argumenta que quaisquer objetos, inclusive seres vivos, podem adquirir o status de documento, desde que carreguem consigo uma condição de evidência. Esse status é atribuído a posteriori, concretizando-se apenas quando agentes sociais e institucionais os reconhecem como tal.38
Essas contribuições reforçam a ideia de que há uma linha tênue na definição do que constitui um documento. Muitos objetos podem adquirir essa condição, mas isso exige determinados critérios para que deixem de ser itens comuns e passem a ter valor informacional, sendo passíveis de serem armazenados e preservados. A comparação entre Otlet e Briet evidencia uma continuidade conceitual no campo da documentação, em que o trabalho de ambos contribui para o aprofundamento e a expansão das possibilidades interpretativas sobre o que é um documento - premissa essencial para se pensar, mais adiante, a documentação no contexto museológico.
1952-1959
Em 1954, dois eventos importantes marcaram o campo da documentação e da preservação do patrimônio cultural. O primeiro foi a adoção da Convenção de Haia para a Proteção dos Bens Culturais em Caso de Conflito Armado, sendo, portanto, o primeiro tratado internacional voltado exclusivamente à salvaguarda do patrimônio cultural durante guerras. A Convenção enfatizou a importância da identificação e da documentação sistemática dos bens culturais, incentivando a criação de inventários e registros como forma essencial de proteção preventiva.39 No mesmo ano, foi fundado o Archives of American Art, pelo Smithsonian Institution, nos Estados Unidos.
Essa iniciativa se dedicou à coleta, à preservação e à disponibilização de documentos relacionados à história da arte americana, desempenhando um papel fundamental na sistematização e acessibilidade dos registros artísticos e influenciando diretamente práticas de documentação em museus e centros culturais.40 A Convenção de Haia entrou em vigor dois anos depois, em 1956.
Em 1955, o ICOM promoveu uma reunião conjunta em Viena, reunindo o Comitê de Laboratórios Museológicos e a Comissão para o Cuidado de Pinturas. Durante o encontro, foram aprovadas resoluções que destacaram a importância da cooperação técnica entre instituições museológicas, incluindo a criação de uma lista internacional de laboratórios científicos e técnicos de museus, com o objetivo de promover o intercâmbio de informações especializadas e a padronização de procedimentos técnicos.41
Já em 1958, foi publicado no Brasil o livro O museu ideal, de Regina Real, pelo Museu Nacional de Belas Artes. A obra é considerada um marco na museologia brasileira por propor diretrizes técnicas para o funcionamento dos museus, com destaque para a padronização das fichas de registro, etiquetas expositivas e normas classificatórias. Baseado nas reflexões do I Congresso Nacional de Museus (1956).42
1960-1980
Na França, em 1964, é criado pelo Ministério da Cultura o Inventário Geral do Patrimônio Cultural (Inventaire général du patrimoine culturel)43, responsável pelo mapeamento sistemático de monumentos, conjuntos urbanos e riquezas artísticas em todo o país.44
Nessa mesma década, o CIDOC/ICOM tinha entre suas tarefas tratar questões de padronização e compatibilização dos registros dos museus. Recomendava-se o uso de etiquetas padronizadas para a identificação do objeto, de fichas catalogação e inventários, cujos modelos foram desenvolvidos por Yvonne Oddon.45 Nesse sentido, Oddon, que esteve presente no Comitê desde sua criação, foi uma figura central na configuração do campo da documentação museológica, especialmente com a publicação de seu livro Elements de Documentation Museógraphique em 1968. Também nesse período, iniciaram-se as primeiras discussões sobre a aplicação de técnicas informatizadas na documentação museológica.46 Nesse mesmo contexto de avanços na padronização e no uso de tecnologias, destaca-se a publicação da primeira edição do sistema ICONCLASS como parte do Decimal Index of Art of the Low Countries (DIAL) em 1968.47
A partir de 1967, surgem as técnicas informatizadas direcionadas à documentação de museus, sendo, inicialmente, vistas como uma solução promissora para muitos dos desafios enfrentados pelo campo. Nesse contexto, o CIDOC procurou coordenar os sistemas de documentação existentes, formando o Grupo de Trabalho para a Documentação de Coleções (Working Group on the Documentation of Collections)48. Apesar das altas expectativas geradas pela implementação dessas técnicas, foi evidenciado que a informatização da documentação alcançava funções de armazenamento, organização e comunicação dessas informações de forma rápida, mas não conseguia substituir completamente o desenvolvimento da documentação em si, que ainda demandava a realização de processos manuais.
Na década de 1970, George Henri Rivière introduziu o tema “documentação”, destacando-o como um elemento essencial da pesquisa científica nos museus. Esse conceito gerou uma série de colóquios organizados pelo ICOM, reunindo representantes de museus de todo o mundo para discutir a importância e as razões subjacentes à documentação no contexto museológico.49
Ainda na década de 1970, o CIDOC/ICOM, diante das grandes dificuldades enfrentadas na área da documentação, concentrou-se em dois pontos principais: primeiro, realizou um estudo sobre as necessidades dos museus, disciplina por disciplina, com o objetivo de identificar as informações específicas que cada área do conhecimento exigia em relação às suas coleções. Em segundo, buscou estabelecer um conjunto mínimo de dados necessários para a descrição dos objetos de museu, elementos essenciais para o adequado gerenciamento das coleções.50
Como desdobramento dessas ações e refletindo uma preocupação mais ampla da área, desde a década de 1970, diversas iniciativas foram implementadas com o objetivo de padronizar a gestão e a descrição das informações no contexto museológico. Essas ações resultaram na formulação de padrões agrupados em quatro categorias principais: estrutura de dados (esquemas), valores de dados (vocabulários controlados, tesauros, listas controladas), conteúdo de dados (regras de catalogação e códigos) e de formato/intercâmbio técnico (estrutura de dados, expressos em formato legível por máquinas), todos fundamentais para a organização e o intercâmbio de informações sobre coleções culturais.51
Segundo a British Standards Institution,52 um padrão pode ser definido como uma forma acordada de realizar determinada atividade. Ele estabelece diretrizes para a produção de bens, a gestão de processos, a prestação de serviços ou o fornecimento de materiais. Em contextos profissionais, os padrões representam o conhecimento condensado de especialistas que conhecem profundamente suas áreas e as necessidades das instituições envolvidas - como fabricantes, usuários, reguladores e associações profissionais. No campo museológico, os padrões são fundamentais para garantir interoperabilidade, consistência, acesso à informação e qualidade na documentação das coleções, conforme apresentado pelo ICOM.53
Um exemplo importante de padrão de valor de dados é o Art & Architecture Thesaurus (AAT)54, um tipo de vocabulário controlado essencial para garantir a consistência e a precisão na descrição de obras de arte e objetos culturais. Esses vocabulários fornecem termos, nomes e outros valores padronizados utilizados para preencher elementos nos padrões de estrutura de dados, especialmente em museus, bibliotecas e arquivos.
O desenvolvimento do AAT teve início no final da década de 1970,55 em resposta a uma demanda crescente de bibliotecas de arte e serviços de indexação que começavam a automatizar seus processos. Logo, museus e coleções visuais também passaram a solicitar um vocabulário controlado para padronizar a catalogação e melhorar a recuperação da informação.56
O ICONCLASS atendia bem às exigências dos sistemas digitais que começaram a ser desenvolvidos a partir da década de 1970. Em diversos relatórios, foram analisadas as peculiaridades técnicas do sistema, e esses materiais estão sendo disponibilizados pela primeira vez como fontes úteis para uma futura “arqueologia da tecnologia”.57
Sua trajetória de desenvolvimento envolveu diversas fases, culminando na publicação completa do sistema entre 1973 e 1985, em 17 volumes impressos. No final da década de 1980, foi incluído no sistema de gerenciamento de banco de dados Hida-Midas do Marburger Index.58
Em 1972, no Canadá, foi criado o National Inventory Programme, atualmente denominada como Rede de Informação do Patrimônio Canadense (Canadian Heritage Information Network - Chin)59. A Chin oferece diretrizes e padrões técnicos, promove a capacitação de profissionais por meio de cursos e materiais educativos, e atua na consultoria para o desenvolvimento de sistemas de documentação.60
Já na Itália, em 1975, destaca-se a criação do Instituto Central para o Catálogo e a Documentação (Istituto Centrale per il Catalogo e la Documentazione - ICCD)61 vinculado ao Ministério da Cultura. O ICCD é responsável por coordenar e promover políticas nacionais voltadas à catalogação e documentação do patrimônio cultural italiano (ICCD, 2018).
Em 1977, no Reino Unido, o grupo Information Retrieval Group of the Museums Association (IRGMA) fundou a Museum Documentation Association (MDA), com o propósito de desenvolver padrões e ferramentas voltados à documentação museológica. Essa associação foi responsável por importantes avanços na normalização de processos e no compartilhamento de dados entre instituições, originando inclusive os códigos MDA utilizados até hoje por muitos museus.62
Também em 1977, o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais elaborou e publicou o Manual de Levantamento de Acervo Museológico, além de desenvolver um modelo padronizado de ficha de catalogação.63 Essas iniciativas representaram avanços significativos na padronização dos procedimentos de documentação museológica no Brasil, estabelecendo metodologias unificadas para o trabalho com acervos que serviriam de base para desenvolvimentos posteriores na área. Oliveira Junior (2014)64 salienta a elaboração e publicação do Manual de Levantamento de Acervo Museológico em 1977, fruto de um projeto pelo Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, assim como a elaboração de uma ficha de catalogação.
O envolvimento da documentação com a pesquisa científica, com o objetivo de tornar eficiente o trabalho dos pesquisadores, só se consolidou nos anos de 1980. No entanto, essa visão não é homogênea.65 Diante de duas tendências em relação à documentação museológica, destaca-se a influência norte-americana e francesa. A tendência francesa, considerada mais reflexiva, se debruça sobre a importância do objeto como documento e suporte de informações significativas para as pesquisas científicas. Por outro lado, a tendência norte-americana, conhecida como tecnicista, visa em primeiro lugar ao acesso rápido aos objetos e seus respectivos registros. Nessa abordagem, busca-se, preferencialmente, o controle das coleções por meio da conexão entre registros, fichas e fichários, com referências cruzadas para que possam ser recuperados.66
Dando continuidade às ações iniciadas ainda na década de 1970, desde 1980, o MDA67 vinha desenvolvendo modelos de fichas para a catalogação de objetos museológicos como os Cartões de Registro da MDA, além da publicação do Manual de instruções para preenchimento de fichas catalográficas de MDA.68
Em 1981, foram estabelecidos os princípios fundamentais que orientam a construção do AAT, com base em estruturas hierárquicas inspiradas no tesauro médico MeSH, na terminologia atual validada por fontes literárias confiáveis, e no uso acadêmico nas áreas de arte e arquitetura. O AAT é construído com base em padrões nacionais e internacionais para tesauros e responde continuamente às necessidades da comunidade usuária. A partir de 1983, o trabalho editorial do AAT passou a ser coordenado pelo Getty Trust, que também forneceu suporte técnico e financeiro.69
O Union List of Artist Names (ULAN)70 é um vocabulário controlado desenvolvido pelo Getty Research Institute, nos Estados Unidos. A história do ULAN começou em 1984, quando o Getty decidiu integrar e coordenar recursos de vocabulários controlados para seus projetos de documentação automatizada. O trabalho foi informado pelas comissões do CIHA TAU (Thesaurus Artis Universalis), que, na década de 1980, se reuniram na Europa para criar modelos de autoridades para pessoas e lugares necessários à documentação e pesquisa em arte e história da arte.71
Inicialmente, o ULAN foi desenvolvido apenas para o uso dos projetos do Getty, mas rapidamente a comunidade mais ampla de informações sobre arte expressou interesse em utilizá-lo para catalogação e recuperação de dados. Assim, o Getty começou a distribuir o ULAN para uso público, seguindo os mesmos princípios que haviam sido aplicados ao Art & Architecture Thesaurus (AAT). O ULAN inclui nomes necessários para catalogar e recuperar informações sobre as artes visuais e a arquitetura, utilizando terminologia atualizada e validada por fontes literárias autoritativas, além de ser editado em resposta às necessidades da comunidade usuária.72
Aprovado pela primeira vez em 1986 e revisado em 2004, o Código de Ética do ICOM73 para Museus se tornou uma das principais referências normativas para a atuação de museus e profissionais da área. Traduzido para 38 idiomas, o documento estabelece diretrizes éticas e profissionais reconhecidas internacionalmente. O Código constitui um conjunto de normas mínimas de conduta profissional, elaborado como um instrumento de autorregulação para orientar as práticas museológicas de forma ética, transparente e responsável. Ele apresenta princípios fundamentais acompanhados de normas detalhadas, aplicáveis a diferentes realidades institucionais e culturais. Redigido de forma transversal, busca refletir os valores compartilhados pela comunidade museológica internacional. A adesão às diretrizes do Código é obrigatória para todos os membros do ICOM. Atualmente, o documento está passando por uma nova revisão, conduzida pelo Comitê Permanente de Ética (ETHCOM), com o objetivo de atualizar suas diretrizes à luz dos desafios éticos do século XXI, incluindo questões sociais, ambientais, tecnológicas e de diversidade cultural que afetam diretamente o trabalho nos museus.74
Em 1987, o Getty criou o Getty Vocabulary Program, um departamento dedicado à compilação e distribuição de vocabulários como o AAT, o ULAN) e o Getty Thesaurus of Geographic Names (TGN).
Ainda nesse cenário de fortalecimento das práticas museológicas no Brasil, destaca-se também o livro Introdução à técnica de museus, lançado em 1946, que apresenta uma sistematização das referências e dos materiais utilizados na disciplina Técnica de Museus, criada e ministrada por Gustavo Barroso no Curso de Museus do Museu Histórico Nacional, localizado no Rio de Janeiro - Brasil. Essa obra se consolidou como a principal referência bibliográfica para a formação de museólogos, preparados para um exercício prático e aplicado de classificação de objetos pertencentes às mais diversas tipologias.75
Assim como Camargo-Moro, com seu livro Museu, aquisição e documentação: tecnologias apropriadas para a preservação dos bens culturais (1986), Ferrez e Bianchini também trouxeram contribuições relevantes para o campo da documentação museológica ao introduzirem uma nova ferramenta de apoio: o thesaurus. As autoras publicaram, em 1987, duas edições do Thesaurus para Acervos Museológicos, com o objetivo de tornar a recuperação da informação mais eficiente e precisa.76
1990-2010
Na década de 1990, as discussões passaram a se concentrar principalmente no controle terminológico da documentação, com ênfase nas questões relativas ao controle de vocabulários e às terminologias descritivas.77 Nesse contexto, foi criado, em 1987, o Grupo de Trabalho para o Controle Terminológico (Terminology Control Working Group), com o objetivo de abordar essas questões e promover a padronização na documentação museológica.78
Nesse mesmo contexto de padronização terminológica, foi publicada em 1990 a primeira edição impressa do AAT, sob direção de Toni Petersen, pela Oxford University Press. Em 1994, foi lançada uma segunda edição, disponível tanto em formato impresso quanto em arquivos legíveis por máquina. No entanto, em 1997, devido ao crescimento acelerado do tesauro e à frequência de atualizações, optou-se por interromper as publicações físicas. Desde então, o AAT passou a ser disponibilizado exclusivamente em formatos digitais, acessível via interface web de busca e por meio de arquivos de dados licenciados, que atualmente são oferecidos gratuitamente sob a licença aberta ODC-By 1.0.79
Durante a década de 1990, o ICONCLASS foi disponibilizado como um navegador independente pelo departamento de Computer & Letteren da Universidade de Utrecht. O sistema passou por várias revisões e discussões ao longo dos anos, com diversas publicações contendo índices iconográficos baseados nas programações do ICONCLASS. Um exemplo inicial é a obra Die emblematischen Elemente im Werke Joris Hoefnagels, de Th.A.G. Wilberg-Vignau-Schuurman.80
A partir dos anos 1990, a MDA passou a desenvolver um padrão mais sistematizado para a gestão das coleções: MDA data standard (1991).81
Em 1994, foi publicada a primeira versão do padrão Spectrum, no Reino Unido, posteriormente, atualizada em 1997, sendo resultado da colaboração de centenas de profissionais da comunidade museal. Desde então, o Spectrum tem sido sinônimo de boas práticas em documentação, oferecendo diretrizes precisas para a catalogação e descrição de objetos culturais, abrangendo aspectos como semântica e os relacionamentos entre itens no contexto das coleções museológicas.82
O ULAN foi inicialmente construído como uma lista alfabética simples de nomes de artistas e suas biografias. No entanto, na década de 1990, o vocabulário foi revisado para atender aos padrões nacionais e internacionais de construção de tesauros, ampliando seu escopo para incluir entidades corporativas como empresas de arquitetura e repositórios de arte. A estrutura hierárquica foi incorporada para organizar diferentes tipos de entidades, como pessoas desconhecidas ou de autoria incerta.83
No mesmo período, em 1991, Ferrez publica o texto Documentação Museológica: Teoria para uma Boa Prática,84 que se consolidou como uma importante referência para o campo da documentação museológica, ao lado da obra de Camargo-Moro (1986).
Em 1993, Leonard Will, representante inglês no Grupo de Terminologia para Nomes de Objetos do CIDOC, afirmou que a documentação museológica ainda está na sua fase inicial, pois muitas dessas instituições não se viam como prestadoras de serviços de informação. De acordo com Will, a questão da indexação nos museus ainda era incipiente, pois a documentação nunca ocupou o mesmo papel central que tem nas bibliotecas. Contudo, ele acreditava que a indexação estava ganhando cada vez mais importância e reconhecimento, e que o número de especialistas em informação estava em constante crescimento.85
Em 1993, o Getty Information Institute iniciou um projeto colaborativo para desenvolver um padrão internacional de documentação para identificar objetos culturais, em parceria com forças policiais, alfândega, museus, comércio de arte, avaliadores e seguros. A definição do conteúdo do padrão foi baseada em pesquisas e questionários internacionais, recebendo mais de 1.000 respostas de 84 países. Os resultados foram publicados no estudo Protecting Cultural Objects in the Global Information Society, demonstrando consenso sobre as informações necessárias para a identificação de objetos, o que resultou na criação da checklist do Object ID.86
Ainda em 1993, foi publicado o CIDOC Fact Sheet 1 - Registration step by step,87 oferecendo orientações práticas sobre o processo de registro de objetos em museus. O material foi disponibilizado em inglês, francês e espanhol.
Neste mesmo ano, no Brasil, o Museu Nacional de Belas Artes iniciou a implantação do Sistema de Informação do Acervo, inicialmente denominado Simba, com o objetivo de recatalogar cerca de 16 mil obras, elaborar um manual de catalogação para diferentes tipologias e aprimorar o banco de dados, permitindo o uso de acentuação e a inclusão de imagens no ambiente gráfico Windows. O sistema posteriormente passou a se chamar Sistema Donato.88
Dando continuidade às orientações práticas propostas pelo CIDOC, no ano seguinte, em 1994, foi lançado o CIDOC Fact Sheet 2 - Labeling and marking objects,89 também nas três línguas, com diretrizes específicas para a rotulagem e marcação de objetos de acervo, contribuindo para a padronização e segurança da documentação museológica.
O ULAN90 foi lançado em 1994 em formato impresso e arquivos legíveis por máquina.
O ano de 1996 foi marcante para os avanços na normatização da documentação museológica. Nesse período, o ICOM foi o principal impulsionador da criação do primeiro modelo conceitual voltado à descrição de objetos museológicos, com o desenvolvimento do Conceptual Reference Model (CIDOC CRM).91 Esse modelo pioneiro, elaborado dentro da própria comunidade museológica, adotou metodologias de modelagem orientadas a objetos, permitindo a padronização da descrição de uma ampla diversidade de objetos culturais, a partir de uma estrutura inicial composta por 86 classes e 137 atributos.
Paralelamente, foi publicada a primeira versão do Categories for the Description of Works of Art (CDWA),92 desenvolvida pelo J. Paul Getty Trust em parceria com a College Art Association, Inc. O CDWA estabeleceu diretrizes para a descrição de obras de arte, arquitetura e outros bens culturais, servindo como um padrão de estrutura de dados (esquema) que define categorias para organizar informações dentro de registros documentais. Esse modelo tornou-se uma referência internacional para a documentação detalhada e sistematizada de objetos culturais.
Ainda em 1996 foi publicada a primeira versão do Visual Resources Association Core Categories (VRA Core),93 uma iniciativa da Visual Resources Association para estabelecer uma estrutura padronizada voltada à descrição consistente e interoperável de obras de arte. Esses padrões passaram a facilitar a recuperação de dados em diferentes plataformas e se mostraram aplicáveis a diversas coleções culturais.94
No mesmo ano, o Getty Art History Information Program (AHIP)95 foi renomeado para Getty Information Institute (GII)96 em 1996. Essa iniciativa tem como principal objetivo estabelecer padrões e normas técnicas para a documentação, organização e disseminação de informações relacionadas à história da arte. A mudança de nome reflete sua evolução dentro da organização Getty, que possui uma trajetória consolidada na pesquisa e documentação em história da arte. O programa busca garantir a acessibilidade, a interoperabilidade e a preservação de dados artísticos, promovendo a integração entre museus, bibliotecas, arquivos e instituições de pesquisa.
Devido ao crescente tamanho e às frequentes atualizações, a publicação impressa do ULAN97 foi descontinuada em 1997, e o vocabulário passou a ser publicado exclusivamente em formatos automatizados, acessíveis por meio de uma interface online e arquivos de dados disponíveis para licenciamento. A gestão editorial do ULAN é mantida pelo Getty Vocabulary Program, com controle final baseado em regras editoriais bem estabelecidas.
Em 1998, o primeiro modelo do CIDOC CRM foi formalizado como um referencial conceitual para a documentação cultural. Desenvolvido por equipes interdisciplinares de especialistas de diversas áreas, o modelo passou a integrar progressivamente os conteúdos semânticos de esquemas de banco de dados e estruturas de documentação aplicadas em museus, arquivos e, mais recentemente, bibliotecas.
Também em 1998, foi publicada a primeira versão da obra Introduction to Metadata, oferecendo uma visão detalhada sobre metadados, sua utilidade e importância para museus na web. A publicação apresenta conceitos fundamentais sobre a estruturação de dados e destaca a relevância dos metadados na organização, acesso e preservação de informações culturais em ambientes digitais.
No ano seguinte, em 1999, foi lançada a primeira versão do Object ID, um padrão internacional para descrever objetos culturais em caso de perda ou roubo. O objetivo dessa norma é fornecer uma maneira padronizada de registrar informações detalhadas sobre obras e coleções, facilitando sua recuperação caso se tornem objeto de furto.
Entre 1999 e 2004, o projeto Object ID foi gerido pelo Council for the Prevention of Art Theft (CoPAT) no Reino Unido. Em outubro de 2004, o ICOM assinou um acordo com o J. Paul Getty Trust para adquirir os direitos de uso mundial do padrão, passando a promover sua implementação global por meio de workshops, em colaboração com a UNESCO, WCO e INTERPOL.
A partir de 2000, teve início o processo de padronização do modelo, representando o culminar de mais de dez anos de trabalho do Documentation Standards Working Group e do Special Interest Group on CIDOC CRM. O Modelo de Referência Conceitual do CIDOC fornece definições e uma estrutura formal para descrever os conceitos e relacionamentos utilizados na documentação, promovendo uma linguagem comum entre especialistas e profissionais da área e funcionando como um guia de boas práticas para a modelagem conceitual. Seu escopo geral pode ser resumido como o conhecimento dos museus, com o objetivo principal de possibilitar a troca e a integração de informações entre fontes heterogêneas sobre obras de arte e o patrimônio cultural de modo geral.
Com o avanço do século XXI, observa-se um movimento crescente de integração entre organismos internacionais voltados à documentação museológica. O CIDOC, por exemplo, passou a colaborar com o Getty Information Institute, consolidando esforços na busca por normas e práticas padronizadas que possibilitem a comunicação entre sistemas, a construção de um corpus de conhecimento técnico-profissional, e o intercâmbio de dados entre instituições. Nesse cenário, os métodos de documentação museológica continuam em processo de estruturação, buscando se adequar às tecnologias digitais e às exigências de um mundo globalizado. A tendência à interoperabilidade da informação - ou seja, a capacidade de diferentes sistemas se comunicarem de forma eficaz - tem se intensificado, configurando-se como um dos maiores desafios enfrentados pelos museus na contemporaneidade.
A partir de 2005, Etienne Posthumus e Hans Brandhorst, ambos profissionais com forte envolvimento em tecnologia da informação e humanidades digitais, são responsáveis pela produção e manutenção do sistema online ICONCLASS, com Etienne focado na programação e Hans na gestão do conteúdo. O sistema foi possível graças ao trabalho dos catalogadores que enriqueceram imagens com informações iconográficas, formando uma comunidade ativa de usuários que aplica as teorias de Henri van de Waal. O software ICONCLASS é Open Source e os dados são Open Data, disponíveis no GitHub para contribuições.
O ICONCLASS passou então a ser tema de várias palestras e se transformou em um módulo de recuperação de informações, incorporado em catálogos digitais e websites. As publicações oferecem valiosas percepções sobre as ideias de Van de Waal, com destaque para o uso de inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina na análise de imagens. A documentação sobre o ICONCLASS inclui uma bibliografia abrangente, fontes em texto completo e informações sobre sua evolução. Além disso, foi iniciado um levantamento sobre sites que utilizam o ICONCLASS, com o objetivo de melhorar a uniformidade na apresentação de informações iconográficas.
Em 2006, o modelo CIDOC CRM foi oficializado como o padrão ISO 21127:2006, consolidando-se como referência para a troca de informações sobre patrimônio cultural. Destaca-se por sua semântica formal e aplicação em iniciativas de Web Semântica. O modelo tem potencial para análises em diferentes escalas, e contribui para a integração global de dados culturais.
Em 17 de julho de 2006, foi lançada a versão 1.1 do CDWA Lite, um esquema XML criado para descrever registros essenciais de obras de arte, arquitetura e outros bens culturais. Desenvolvido como uma adaptação simplificada das diretrizes do CDWA, o CDWA Lite (também chamado de CCO Lite) buscou facilitar a padronização e o compartilhamento de metadados em ambientes digitais, permitindo a interoperabilidade entre sistemas e a disseminação de informações sobre coleções culturais em plataformas online. Os padrões de formato de dados e intercâmbio técnico são expressos em forma de metadados legíveis por máquinas e representam a manifestação de um padrão de estrutura de dados específico, codificado ou marcado para processamento automático.
Ainda em 2006, foi publicado nos Estados Unidos o padrão Cataloging Cultural Objects (CCO) pela American Library Association, em Chicago. O CCO é um padrão de conteúdo voltado à criação de descrições e à recuperação de informações sobre objetos culturais. Ele define regras e códigos específicos para formatar e organizar os valores inseridos nos elementos de metadados, contribuindo para a consistência e interoperabilidade na documentação de acervos culturais. Esses padrões de conteúdo de dados são fundamentais para garantir a clareza e a padronização das informações nos registros.
No ano seguinte, em 2007, foi realizado o I Encuentro Iberoamericano de Museos na cidade de Salvador, Brasil. O encontro reuniu os principais representantes dos setores museológicos de 22 países ibero-americanos, bem como organismos multilaterais atuantes nas áreas da cooperação e da cultura. A partir dessa reunião, foram estabelecidas diretrizes amplas, reunidas na Declaración de la ciudad de Salvador, que serviram de base para a criação formal, em 2009, do Programa de Cooperación Ibermuseos.
O Programa Ibermuseos é uma iniciativa voltada à articulação de políticas museológicas na região ibero-americana, com o objetivo de promover a cooperação, o desenvolvimento de ações conjuntas e o intercâmbio de conhecimentos entre instituições e profissionais de museus. Uma das principais ações do programa foi a criação do Registro de Museos Iberoamericanos (RMI), um sistema de classificação que contempla desde museus comunitários e tradicionais até instituições especializadas, como ecomuseos e museos virtuales.
O RMI classifica os museus em diferentes categorias: comunitários, que fortalecem a identidade local; tradicionais, com ênfase em história, arte e ciência; e instituições especializadas, como aquários, zoológicos e jardins botânicos, voltados à preservação de espécies e ecossistemas. Inclui também os museus de território e centros de interpretação, que promovem a valorização da cultura regional; os sítios arqueológicos e parques arqueológicos, que protegem o patrimônio histórico; os ecomuseos e zonas ecológicas, que aproximam comunidade e meio ambiente; e os museus virtuais, que ampliam o acesso ao conhecimento por meio de plataformas digitais. Atualmente, integram o programa os seguintes países, em ordem alfabética: Andorra, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
Ainda em 2007, membros da comunidade Warumungu, em colaboração com Kim Christen e Craig Dietrich, criaram o Mukurtu Wumpurrarni-kari Archive. O termo “Mukurtu”, que significa “bolsa” ou “lugar seguro” na língua Warumungu, foi escolhido pelo ancião Michael Jampin Jones para reforçar a ideia de que o arquivo deveria ser um espaço seguro para compartilhar histórias, conhecimentos e materiais culturais, respeitando os protocolos próprios da comunidade. A partir dessa iniciativa comunitária, foi desenvolvido o Mukurtu CMS, uma plataforma de código aberto voltada à gestão e ao compartilhamento do patrimônio cultural digital de comunidades, sempre de acordo com seus valores e tradições.
Posteriormente, o Mukurtu Core passou a oferecer uma alternativa aos esquemas de metadados tradicionais, incluindo campos adicionais como a narrativa cultural, que enriquecem a descrição dos objetos e ampliam a representatividade cultural nas estruturas de metadados.
Por fim, no mesmo ano, foi lançada a versão 4.0 do Visual Resources Association Core Categories VRA Core, estabelecendo um esquema XML atualizado para a descrição padronizada de obras visuais e objetos culturais, com foco na consistência e interoperabilidade dos metadados entre instituições.
Em 2008, a segunda edição da obra Introduction to Metadata foi publicada pelo Getty Research Institute, em Los Angeles, por J. Paul Getty Trust, oferecendo uma visão detalhada sobre metadados. Ainda em 2008, a MDA foi renomeada como Collections Trust, consolidando-se como a principal organização responsável pela manutenção e disseminação do padrão Spectrum, além de atuar internacionalmente na promoção de boas práticas em documentação museológica.
Um dos marcos importantes desse período foi a instituição da legislação sobre museus, destacando-se a Lei 11.904, de 14 de janeiro de 2009, que trouxe o reconhecimento legislativo dos museus no Brasil. A lei também abordou aspectos relacionados à documentação, conforme o artigo 39, da subseção IV, que estabelece a “obrigação dos museus de manter documentação sistemática e atualizada sobre os bens culturais que integram seus acervos, por meio de registros e inventários”.
2010-2018
Em 2010, foi publicada online a obra Introduction to Controlled Vocabularies, que define as características, o escopo e os usos dos vocabulários controlados aplicados a materiais artísticos e culturais. Trata-se de um guia prático voltado à criação e utilização desses vocabulários na catalogação e indexação, demonstrando como os termos padronizados podem ser integrados a sistemas de informação e buscadores, com o objetivo de aprimorar a recuperação de dados. A publicação explica a utilidade dos vocabulários controlados, exemplifica aqueles já existentes no campo da arte e cultura, orienta sobre seu uso na indexação e sobre a construção de arquivos de autoridade locais, além de destacar o papel dos vínculos conceituais entre termos na otimização das buscas digitais.
Naquele mesmo ano, foi lançado o padrão Lightweight Information Describing Objects (LIDO), da Alemanha, desenvolvido por um grupo internacional coordenado pelo ICOM-CIDOC LIDO Working Group, com forte participação de instituições alemãs como a Deutsche Digitale Bibliothek e a Stiftung Preußischer Kulturbesitz (SPK). O LIDO é utilizado para descrever objetos culturais de forma padronizada e interoperável, facilitando a troca e a agregação de dados entre museus e coleções. Ele é especialmente relevante para a documentação digital e a publicação online de acervos museológicos.
Ainda em 2010, o CIDOC lançou o Fact Sheet 3 - Recommendations for shooting identity photographs, disponível em inglês, francês e espanhol. Esse documento forneceu orientações sobre como capturar fotografias de identidade para fins de documentação museológica, ajudando a padronizar essa prática em instituições culturais.
Além disso, no mesmo ano, é lançada a versão do LIDO (v.1.0), que teve seu desenvolvimento impulsionado pela colaboração internacional, com contribuições significativas de infraestrutura e expertise de organizações baseadas na Alemanha, como a Deutsche Digitale Bibliothek (Biblioteca Digital Alemã) e a Stiftung Preußischer Kulturbesitz (Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano). Essas instituições desempenharam um papel chave na evolução do LIDO, promovendo a interoperabilidade e a troca de informações no contexto da documentação de objetos culturais. Também em 2010, foi lançada a versão XML do LIDO, um esquema de coleta desenvolvido para fornecer metadados utilizados em diversos serviços online.
Já em 2011, foi desenvolvida na Irlanda a versão 1.1 do Cultural, Artistic and Archaeological Resources in Europe (CARARE) Esse esquema estabelece um esquema de coleta destinado a fornecer metadados sobre coleções online e recursos digitais relacionados a ativos patrimoniais.
Paralelamente, o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) publicou o Museus em Números, resultado de uma pesquisa baseada no Cadastro Nacional de Museus. Esse levantamento forneceu dados importantes sobre os museus brasileiros, ajudando a mapear e compreender melhor o panorama museológico do país.
Em 2012, o ICOM/CIDOC, atualmente denominado ICOM DOCUMENTATION, consolidou sua atuação global com a publicação de dois documentos fundamentais para o fortalecimento da prática documental em museus.
O primeiro documento publicado nesse contexto foi o Statement of Principles of Museum Documentation, traduzido para o inglês, francês e português. O documento estabelece diretrizes éticas e técnicas para a documentação e gestão de coleções, servindo como referência internacional para políticas institucionais e práticas profissionais.
No mesmo ano, foi lançado o Statement of Linked Data Identifiers for Museum Objects, que apresenta orientações para a aplicação de identificadores URI e o uso de dados vinculados (Linked Data) em objetos museológicos. A proposta é promover a interoperabilidade, o acesso aberto e a integração das informações museológicas ao ambiente digital global, em consonância com os princípios da web semântica.
À época, o CIDOC já contava com uma comunidade internacional ativa, com mais de 700 membros em 78 países, demonstrando o crescente compromisso global com o aprimoramento da documentação museológica.
Em 2013, o IBRAM criou o Programa Acervo em Rede, cujo principal objetivo era promover a democratização do acesso digital aos bens culturais musealizados. O programa também visava à digitalização e à documentação dos acervos de instituições museológicas na internet, oferecendo ferramentas digitais para aprimorar a gestão e a catalogação desses acervos. Além disso, no mesmo ano, foi lançada a última versão do CARARE (2.0.6).
Em 2014, foi publicada a tradução para a língua portuguesa do padrão britânico de gestão de coleções Spectrum. A iniciativa foi resultado da parceria entre a Collections Trust e os integrantes do projeto Spectrum PT, formado por instituições portuguesas e brasileiras.
Também em 2014, o CIDOC CRM foi renovado e oficialmente reconhecido como a norma internacional ISO 21127:2014, reforçando seu papel como um modelo conceitual de referência para a troca de informações entre instituições culturais. Essa atualização consolidou o CIDOC CRM como uma ferramenta essencial para promover a interoperabilidade semântica entre bases de dados de museus, arquivos e bibliotecas, contribuindo significativamente para a integração do patrimônio cultural no ambiente digital.
Por outra parte, a iniciativa do ULAN continua a se desenvolver com contribuições da comunidade de usuários e com o trabalho editorial contínuo do Getty. A sua versão mais recente foi lançada em 30 de abril de 2015, quando o Getty Research Institute disponibilizou o vocabulário como Linked Open Data (LOD). Essa versão contém mais de 650.000 registros, incluindo nomes e informações biográficas de artistas, arquitetos, patronos, oficinas, empresas, museus e outros grupos associados à criação e história da arte e patrimônio cultural.
Desde então, o ULAN tem sido atualizado regularmente, com novos registros e edições, mas sem o lançamento de uma nova versão numerada. As atualizações são feitas por meio de edições mensais, conforme indicado no Vocabularies Download Center. Para acessar a versão mais recente do ULAN ou obter os dados atualizados, pode ser visitado o site oficial do Getty Research Institute, no qual os vocabulários estão disponíveis para download, compartilhamento e modificação sob a licença Open Data Commons Attribution License (ODC BY 1.0).
Em 2016, em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), o IBRAM contribuiu para o desenvolvimento do sistema livre Tainacan. Essa plataforma online foi criada para permitir a construção de repositórios digitais e a difusão de acervos com foco em mídias digitais. A parceria viabilizou a customização do Tainacan para atender especificamente às necessidades de catalogação e divulgação dos acervos dos museus do IBRAM, facilitando o gerenciamento e o acesso a essas coleções de forma mais eficiente e acessível.
Nesse mesmo ano, foi reeditada pelo Getty Research Institute a obra Introduction to Metadata, vinculada ao J. Paul Getty Trust, oferecendo uma visão detalhada sobre metadados, sua utilidade e importância para museus na web.
Em 2017, foi publicada a última versão do AAT, pelo J. Paul Getty Trust. Ao longo dos anos, o AAT passou a incorporar recursos multilíngues, multiculturais e inclusivos, com contribuições da comunidade internacional de usuários. A equipe editorial trabalha em um sistema desenvolvido especificamente para integrar dados de diversos colaboradores, gerenciar hierarquias complexas e publicar o conteúdo em diferentes formatos. A sede do Getty Vocabulary Program foi transferida para o Getty Center, em Los Angeles, para facilitar a integração com os demais vocabulários mantidos pela instituição. A supervisão editorial do AAT continua sob responsabilidade do Getty, com base em regras editoriais consolidadas e compatíveis com padrões internacionais.
No ano seguinte, em 2018, durante a Conferência Anual do Comitê Internacional de Documentação do ICOM (ICOM/CIDOC), realizada em Heraklion, Creta, foi criado o Grupo de Trabalho DOMINO - acrônimo para Documentando Museu Iberoamericano. A iniciativa surgiu da constatação de que as atividades do CIDOC são majoritariamente conduzidas em inglês, com algumas traduções para o francês e o espanhol, o que dificultava a participação plena de profissionais da comunidade de língua hispano-portuguesa. Além disso, havia um contraste significativo entre o número de membros anglófonos e os de outras línguas, especialmente no contexto ibero-americano.
Diante dessa lacuna, o grupo Domino foi formado com o propósito de ampliar a presença e o engajamento da comunidade museal ibero-americana dentro do CIDOC. Seus objetivos gerais incluem difundir as diretrizes do ICOM DOCUMENTATION na região, servir como ponte linguística para o intercâmbio de conhecimentos especializados e fortalecer o vínculo com a comunidade internacional.
Entre suas principais diretrizes, destacam-se: o desenvolvimento de uma rede de profissionais alinhados com os contextos e necessidades ibero-americanos; a elaboração de guias de boas práticas em documentação museológica; o mapeamento e atualização do panorama documental dos museus da região; o incentivo à troca de experiências entre instituições; e a promoção da harmonização dos processos de documentação de acervos e coleções.
2019-2021 - Período da pandemia de covid-19
O ano de 2019 foi marcado pela identificação da covid-19, uma infecção respiratória causada pelo coronavírus SARS-CoV-2. No início de 2020, diante da rápida disseminação do vírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia, desencadeando uma crise sanitária global que afetou profundamente diversos setores, incluindo o campo cultural. No Brasil, a promulgação da Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, instituiu medidas emergenciais para o enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente do novo coronavírus. Conforme destacou a OMS (2020), o avanço acelerado da covid-19 exigiu o fechamento temporário de instituições consideradas não essenciais. Entre elas, os museus foram particularmente impactados, sendo obrigados a suspender suas atividades presenciais e a repensar suas formas de atuação. Diante do cenário de distanciamento social, essas instituições tiveram que desenvolver estratégias para manter sua função social, educativa e informacional, o que evidenciou ainda mais a importância da documentação museológica como ferramenta para garantir o acesso remoto e contínuo ao patrimônio cultural.
Em março de 2020, surgiu a Red de Museos y Estrategias Digitales (Remed), durante a crise da covid-19, como uma iniciativa de docentes da Universitat Politècnica de València (UPV) para apoiar museus na adaptação digital diante dos desafios do confinamento. Coordenada a partir do Departamento de Comunicação Audiovisual, Documentação e História da Arte, e com apoio do Mestrado em Gestão Cultural UPV e do Instituto de Design e Fabricação (IDF), a Remed busca promover o diálogo e a colaboração entre profissionais e instituições culturais hispânicas, principalmente da Espanha e América Latina. Com mais de 400 colaboradores de museus, universidades e empresas, a rede atua como plataforma de pesquisa, partilha e documentação de estratégias digitais aplicadas aos museus, incentivando o uso da tecnologia como meio de valorização patrimonial, educação, acessibilidade e inovação. Seu foco está em temas como open data, redes sociais, realidade aumentada, gamificação, novas narrativas e públicos, promovendo uma museologia participativa, ética e voltada para as pessoas.
Em 2021, o Grupo de Trabalho DOMINO do ICOM DOCUMENTATION realizou a pesquisa Documentação nos Museus da Ibero-América, entre agosto de 2021 e março de 2022, com 138 participantes. O estudo abordou aspectos como o perfil dos respondentes, o número de funcionários dedicados à documentação, a utilização de padrões e o nível de digitalização das coleções.
Os resultados mostraram que, embora os museus tenham avançado no inventário das coleções, a catalogação detalhada ainda é uma área crítica. A falta de tempo dos funcionários, devido a múltiplas tarefas, foi identificada como um desafio. Assim, a pesquisa sugeriu a adoção de ferramentas como o Object ID para otimizar o tempo e garantir a segurança das coleções.
Além disso, foi destacada a necessidade de promover a profissionalização da documentação digital nos museus, incentivando o uso de padrões como LIDO, Exhibition Object Data Exchange Model (EODEM) e CIDOC CRM para melhorar a interoperabilidade e a troca de informações entre as instituições. A pesquisa foi publicada em espanhol, com versões em português, inglês e francês para alcançar um público mais amplo.
2022 - Atualidade
Em 2022, o VRA Core Schema passou a ser adaptado para outros contextos linguísticos e culturais, como a tradução para o chinês, ampliando seu alcance e aplicabilidade em coleções de diferentes partes do mundo. Desde então, versões em outros idiomas também vêm sendo desenvolvidas.
Em setembro de 2022, foi lançada a versão mais recente do padrão britânico para gestão de coleções museológicas, o Spectrum 5.1, que reúne 21 procedimentos essenciais para garantir o registro consistente, seguro e acessível dos acervos. Atualmente, o Spectrum é amplamente adotado por instituições museológicas em diversos países. Sua versão web-interativa está disponível em inglês e galês, enquanto a versão 5.0 pode ser acessada em vários outros idiomas, como árabe, espanhol, francês, holandês, norueguês, polonês, português e sueco.
A partir de 2023, o Collections Trust passou a integrar a rede de Investment Principles Support Organisations (IPSO), dentro do portfólio nacional do Arts Council England (ACE). Nesse período, a organização desenvolveu, e vem desenvolvendo, ações financiadas pelo ACE, incluindo treinamentos gratuitos, projetos de consultoria e a colaboração com parceiros como a Art UK e a University of Leicester na construção do Museum Data Service, uma iniciativa inovadora voltada à integração de dados museológicos em nível nacional.
No mesmo ano, o International Committee for Documentation estabeleceu seus objetivos estratégicos para o período de 2023-2025. Um dos principais objetivos é desenvolver uma estratégia de comunicação, com uma equipe multilíngue que assegure uma maior visibilidade e facilite a comunicação dentro e fora da comunidade internacional. O Comitê também busca ampliar o alcance e o compartilhamento de conhecimentos, promovendo a reutilização de materiais e o fortalecimento das redes de colaboração entre os membros.
Em relação à elaboração de documentos e padrões, o Comitê está trabalhando na definição do conceito de “documentação”, que ainda está em andamento, assim como no desenvolvimento de um padrão para a documentação do patrimônio imaterial. Além disso, está em processo de atualização do CIDOC CRM, que foi renovado como norma ISO 21127:2023 no ano de 2023. A versão mais recente do modelo 7.1.3 foi publicada em 2024 e conta com 99 classes e 198 propriedades.
Em termos de colaboração e desenvolvimento, o ICOM DOCUMENTATION mantém 14 Grupos de Trabalho ativos, como: Archaeological Sites, Digital Preservation, Documentation Standards, DOMINO, LIDO, Linked Art, Museum Process Implementation e outros. Esses grupos são abertos a todos os membros e servem como pontos de encontro para o desenvolvimento de melhores práticas e padrões na área.
Ainda em 2023, foi lançada a versão 1.0 do Exhibition Object Data Exchange Model (EODEM), um perfil do padrão LIDO, desenvolvido para permitir que bancos de dados museológicos exportem e importem dados de objetos expositivos entre diferentes sistemas de forma automática e padronizada, com apenas um clique.
No ano seguinte, foi revisada a versão do CDWA, com atualizações nas diretrizes para a descrição de obras de arte, arquitetura e outros bens culturais.
A versão mais recente do sistema ICONCLASS é a 4ª edição, lançada em 14 de maio de 2024. Essa edição inclui um conjunto de dados de imagens indexadas ao longo dos anos por diversas instituições culturais, uma bibliografia iconográfica com mais de 60.000 itens e links profundos para outras fontes iconográficas, como o Banco de Dados Iconográfico do Warburg Institute e o Índice de Arte Medieval de Princeton. Além disso, apresenta uma funcionalidade de busca visual com suporte de IA, permitindo que imagens sejam usadas como consultas de pesquisa. A 4ª versão também marca a transição para um modelo de governança mais colaborativo: a partir de 1º de julho de 2024, instituições e pesquisadores individuais poderão se tornar membros do ICONCLASS Consortium, visando garantir uma presença online estável e sustentável para o sistema.
Ainda em 2024, foram disponibilizadas novas versões de recursos como o CDWA Lite e o LIDO Primer, que agora conta com sua versão 1.1 atualizada.
Por fim, durante a reunião anual do ICOM International Committee for Documentation, realizada em 2024, no evento do Rijksmuseum, foi oficializada a mudança de nome do Comitê para ICOM DOCUMENTATION. Essa mudança foi feita para evitar a duplicidade com o modelo CIDOC e para esclarecer o foco central das atividades do Comitê, que se concentra na documentação museológica de maneira mais ampla.
A Figura 1 mostra os principais marcos históricos do desenvolvimento da documentação museológica, organizados em uma linha do tempo sintética com os eventos centrais por período, desde o início do século XX até a atualidade.
A seleção dos acontecimentos mais representativos de cada etapa permite visualizar a trajetória progressiva da área, desde a consolidação do conceito de documentação no início do século XX até os recentes avanços em padrões digitais e dados abertos. Essa perspectiva cronológica reforça como a documentação museológica tem evoluído em diálogo com transformações tecnológicas, institucionais e epistemológicas, constituindo-se como um campo cada vez mais estruturado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O percurso histórico da documentação museológica revela um campo em permanente construção, cujo desenvolvimento está intrinsecamente ligado às transformações sociais, institucionais e tecnológicas que moldaram os museus ao longo do tempo. Desde os registros empíricos e inventários manuais, até os sofisticados sistemas digitais de hoje, observa-se uma trajetória marcada por esforços de padronização, consolidação de metodologias e promoção de boas práticas, articuladas em escalas nacionais e internacionais.
Essa transformação histórica da documentação não apenas ampliou as possibilidades de preservação e disseminação do conhecimento sobre as coleções, mas também fortaleceu o papel social dos museus, tornando-os mais inclusivos e conectados aos diferentes públicos. A documentação, assim, deixou de ser vista como uma mera tarefa administrativa e passou a ser reconhecida como uma atividade estratégica para a gestão museológica e para a promoção do acesso público ao patrimônio. Sua capacidade de gerar, organizar e tornar acessíveis os dados sobre os acervos é hoje compreendida como elemento essencial para a transparência institucional, a mediação cultural, a pesquisa científica e o reconhecimento da diversidade cultural.
Além disso, a consolidação da documentação museológica como disciplina especializada permitiu o aprofundamento de reflexões teóricas e o desenvolvimento de ferramentas mais adequadas à complexidade das coleções, contribuindo para práticas mais éticas, participativas e contextualizadas. Os debates contemporâneos sobre soberania informacional, inclusão de epistemologias diversas e uso de tecnologias abertas refletem uma mudança de paradigma que coloca a documentação no centro das discussões museológicas.
Diante disso, compreender a trajetória histórica da documentação museológica não é apenas um exercício de memória institucional, mas uma ferramenta crítica para repensar os rumos futuros da área. Em um cenário cada vez mais digital, colaborativo e globalizado, a documentação se reafirma como uma dimensão estratégica e política, fundamental para que os museus cumpram sua missão social de preservar, interpretar e compartilhar o patrimônio cultural com todas as pessoas.
AGRADECIMENTOS
Este estudo integra o projeto de pesquisa intitulado Documentação Museológica e os Desafios Contemporâneos, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e com o apoio da Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas (FEPESE).
Referências
- BARROSO, Gustavo. Introdução à técnica de museus. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, Museu Histórico Nacional, 1946-1947.
- BRIET, Suzanne. O que é documentação?. Trad. Maria de Nazareth Rocha Furtado. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2016.
- CAMARGO-MORO, Fernanda. Museu, aquisição e documentação: tecnologias apropriadas para a preservação dos bens culturais. Coleção Eleutherias. São Paulo: Livraria Eça, 1986.
- FERREZ, Helena Dodd. Documentação museológica - teoria para uma boa prática. In: IV FÓRUM DE MUSEUS DO NORDESTE, Recife, 1991.
- FERREZ, Helena Dodd; BIANCHINI, Maria Helena S.. Thesaurus para acervos museológicos. Rio de Janeiro: Fundação Nacional Pró‑Memória, 1987.
- LUNA, S. V.. Planejamento de pesquisa: uma introdução. São Paulo: Educ, 1997.
- RIVIÈRE, Georges Henri. La muséologie selon Georges Henri Rivière: cours de muséologie, textes et témoignages. Paris: Dunod, 1989.
-
AMERICAN ASSOCIATION OF MUSEUMS. Museum work, including the proceedings of the American Association of Museums. Museum work, Providence: The Association, 1918. Disponível em: Disponível em: https://www.loc.gov/item/20003657 Acesso em: 2 jun. 2025.
» https://www.loc.gov/item/20003657 -
AZOR LACASTA, Ana. El Programa Ibermuseos y los Encuentros iberoamericanos de museos como herramientas de cooperación. Museos.es: Revista de la Subdirección General de Museos Estatales, Madrid, n. 7-8, p. 292-297, 2011-2012. Disponível em: Disponível em: https://www.cultura.gob.es/dam/jcr:116ecb43-c9fb-47e9-adb8-bb0dad87013a/programa-ibermuseos.pdf Acesso em: 8 maio 2025.
» https://www.cultura.gob.es/dam/jcr:116ecb43-c9fb-47e9-adb8-bb0dad87013a/programa-ibermuseos.pdf -
BACA, Murtha. Cataloging Cultural Objects and CDWA Lite: New Data Content and Data Format Standards for Art and Material Culture Information. Digitalia. Rivista dei Digitale nei Beni Culturali, Roma, v. 1, p. 45-55, 2006. Disponível em: Disponível em: https://digitalia.cultura.gov.it/article/download/313/204 Acesso em: 6 dez. 2024.
» https://digitalia.cultura.gov.it/article/download/313/204 - BARROSO, Juliana Martins de Castro; DIAS, Célia da Consolação. Metadados para acervos culturais. Múltiplos Olhares em Ciência da Informação, Belo Horizonte, n. especial, 2021. DOI: https://doi.org/10.35699/2237-6658.2021.37137.
- BOUGHIDA, Karim. CDWA Lite for Cataloging Cultural Objects (CCO): A New XML Schema for the Cultural Heritage Community. In: HUMANITIES, COMPUTERS, AND CULTURAL HERITAGE: PROCEEDINGS OF THE XVI INTERNATIONAL CONFERENCE OF THE ASSOCIATION FOR HISTORY AND COMPUTING, 16., 2005, Amsterdã. Anais eletrônicos.... Amsterdã: Royal Netherlands Academy of Arts and Sciences, 2005.
-
CARRASCO, Laís Barbudo. Integração de conteúdos culturais heterogêneos em ambientes digitais do patrimônio cultural: harmonização de modelos culturais. 2019. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2019. Disponível em: Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/182113 Acesso em: 3 maio 2024.
» http://hdl.handle.net/11449/182113 -
CERAVOLO, Suely Moraes. Proposta de sistema de informação documentária para museus (SIDM): a organização da informação para o Museu de Anatomia Veterinária (FMVZ/USP). 1998. Dissertação (Mestrado em Museologia) - Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998. Disponível em: Disponível em: https://museologia.ffch.ufba.br/sites/museologia.ffch.ufba.br/files/ceravolo_s._dissertacao_017.pdf Acesso em: 9 maio 2025.
» https://museologia.ffch.ufba.br/sites/museologia.ffch.ufba.br/files/ceravolo_s._dissertacao_017.pdf - CERAVOLO, Suely Moraes; TÁLAMO, Maria de Fátima Gonçalves Moreira. Tratamento e organização de informações documentárias em museus. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, n. 10, p. 241-253, 2000. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2000.109390.
- CHUNQIU LI, Chunqiu; SHIGEO SUGIMOTO, Shigeo. Provenance description of metadata application profiles for long-term maintenance of metadata schemas. Journal of Documentation, Bingley, v. 74, n. 1, p. 36-61, 2018. DOI: https://doi.org/10.1108/JD-03-2017-0042.
-
COLLECTIONS TRUST. SPECTRUM: The UK Museum Documentation Standard. Cambridge: Collections Trust, 2009. Disponível em: Disponível em: https://collectionstrust.org.uk/wp-content/uploads/2017/10/spectrum-3-2.pdf Acesso em: 8 maio 2025.
» https://collectionstrust.org.uk/wp-content/uploads/2017/10/spectrum-3-2.pdf -
COLLECTIONS TRUST. SPECTRUM 4.0: o padrão para gestão de coleções de museus do Reino Unido/Collections Trust. São Paulo: Secretaria de Estado de Cultura; Associação de Amigos do Museu do Café; Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2014. Disponível em: Disponível em: https://www.sisemsp.org.br/wp-content/uploads/2023/03/5-spectrum-4.0.pdf Acesso em: 8 maio 2025.
» https://www.sisemsp.org.br/wp-content/uploads/2023/03/5-spectrum-4.0.pdf -
DE LA ROCHA MILLE, Raymond. Museums without Walls: The Museology of Georges Henri Rivière. 2011. Tese (Doutorado em Museologia) - City University London, London, 2011. Disponível em: Disponível em: https://openaccess.city.ac.uk/id/eprint/2154 Acesso em: 2 jun. 2025.
» https://openaccess.city.ac.uk/id/eprint/2154 -
DOERR, Martin; ORE, Christian-Emil; STEAD, Stephen. The CIDOC Conceptual Reference Model - A New Standard for Knowledge Sharing. In: CHALLENGES IN CONCEPTUAL MODELLING. INTERNATIONAL CONFERENCE ON CONCEPTUAL MODELING, 26., 2007, Auckland. Anais eletrônicos. Auckland: Springer, 2007. Disponível em: Disponível em: http://old.cidoc-crm.org/docs/CRM_Tutorial_ER2007.pdf Acesso em: 13 ago. 2022.
» http://old.cidoc-crm.org/docs/CRM_Tutorial_ER2007.pdf -
FERNÁNDEZ BLANCO, Bruno. Marco conceptual común para la elaboración del Registro de Museos Iberoamericanos. Informe con la recopilación de datos, registros y censos de museos iberoamericanos y primera propuesta teórica para el futuro registro de museos. Madrid: Observatorio Iberoamericano de Museos, 2013. Disponível em: Disponível em: https://www.ibermuseos.org/wp-content/uploads/2018/10/registro-museos-iberoamericanos-pt-es.pdf Acesso em: 16 dez. 2024.
» https://www.ibermuseos.org/wp-content/uploads/2018/10/registro-museos-iberoamericanos-pt-es.pdf -
FORMENTON, Danilo; GRACIOSO, Luciana de Souza. Metadata standards in web archiving technological resources of archived websites. Digital Journal of Library and Information Science, Campinas, v. 20, e022001, p. 1-28, 2022. Disponível em: Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/8666263/27830 Acesso em: 6 dez. 2024.
» https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/8666263/27830 - GEMENTE, Gilson. Vinte anos de Donato: um breve histórico do Banco de Dados do Museu Nacional de Belas Artes. In: SEMINÁRIO SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO EM MUSEUS, 1., 2010, São Paulo. Anais eletrônicos.... São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2010. p. 127-132.
-
GILLILAND-SWETLAND, Anne Jervois. Setting the Stage. In: BACA, Murtha (ed.). Introduction to Metadata. 3. ed. Los Angeles: Getty Publications, 2016. Disponível em: http://www.getty.edu/publications/intrometadata/setting-the-stage/
» http://www.getty.edu/publications/intrometadata/setting-the-stage/ - GUGLIOTTA, Alexandre Carlos. Uma bibliotecária a serviço da documentação. Biblos: Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação, Rio Grande, v. 31, n. 2, p. 14-30, jun./dez. 2017. DOI: https://doi.org/10.14295/biblos.v31i2.7117.
- HERNÁNDEZ SAMPIERI, Roberto; FERNÁNDEZ COLLADO, Carlos; BAPTISTA LUCIO, María del Pilar. Metodología de la investigación. 6. ed. México, D. F.: McGraw-Hill, 2014. Acesso em: 27 dez. 2023.
-
INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS - ICOM. Resolutions Adopted By ICOM's 5th General Assembly. Geneva: ICOM, 1956. Disponível em: Disponível em: https://icom.museum/wp-content/uploads/2018/07/ICOMs-Resolutions_1956_Eng.pdf Acesso em: 2 jun. 2025.
» https://icom.museum/wp-content/uploads/2018/07/ICOMs-Resolutions_1956_Eng.pdf -
MONTEIRO, Juliana. Diretrizes teórico-metodológicas do projeto. São Paulo: Sistema Estadual de Museus de São Paulo, 2013. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/4caE3tw Acesso em: 2 jun. 2025.
» https://bit.ly/4caE3tw - MONTENEGRO, María. Subverting the universality of metadata standards: The TK labels as a tool to promote Indigenous data sovereignty. Journal of Documentation, Bingley, v. 75, n. 4, p. 731-749, 2019. DOI: 10.1108/JD-08-2018-0124.
- OLDMAN, Dominic; DOERR, Martin; GRADMANN, Stefan. Zen and the Art of Linked Data. In: SCHREIBMAN, Susan; SIEMENS, Ray; UNSWORTH, John (eds.). A New Companion to Digital Humanities. New Jersey: John Wiley & Sons, 2015. p. 251-273. DOI: 10.1002/9781118680605.ch18.
-
OLIVEIRA JUNIOR, Albino Barbosa de. Sistemas de Documentação Museológica na Fundação Joaquim Nabuco: Análises e proposições. 2014. Dissertação (Mestrado em Gestão Pública) - Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2014. Disponível em: Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/11704 Acesso em: 2 jun. 2025.
» https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/11704 - OLCINA, Paulette. The development and coordination of museum documentation by international agencies. In: LIGHT, Richard B.; ROBERTS, D. Andrew; STEWART, Jennifer D. (orgs.). Museum documentation systems: development and applications. Oxford: Butterworth-Heinemann, 1986. p. 307-314. DOI: 10.1016/B978-0-408-10815-7.50035-1.
- ORTEGA, Cristina Dotta. Surgimento e consolidação da documentação: subsídios para a compreensão da história da Ciência da Informação no Brasil. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 14, número especial, p. 59-79, 2009. DOI: 10.1590/S1413-99362009000400005.
-
REAL, Regina. O museu ideal. Belo Horizonte: Museu Nacional de Belas Artes, 1958. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/4vxrnnU Acesso em: 2 jun. 2025.
» https://bit.ly/4vxrnnU - RIVIÈRE, Georges Henri. Role of Museums of Art and of Human and Social Sciences. Museum International, Paris, v. 53, n. 4, p. 33-42, 2001. DOI: 10.1111/1468-0033.00339.
- ROCHA, Cláudia Regina Alves da. Da Pinacoteca ao Museu: historicizando processos museológicos. 2014. Dissertação (Mestrado em Museologia) - Programa de Pós-Graduação Interunidades em Museologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014. DOI: 10.11606/D.103.2014.tde-13022015-104640.
- RODRIGUES, Rosângela Schwarz; NEUBERT, Patricia da Silva. Introdução à pesquisa bibliográfica. Florianópolis: Editora da UFSC, 2023. DOI: 10.5007/978-65-5805-082-7.
- SILVA, Camila Aparecida da. Esquema de metadados para descrição de obras de arte em museus brasileiros: uma proposta. 2020. Tese (Doutorado em Cultura e Informação) - Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2020. DOI: 10.11606/T.27.2020.tde-01032021-162722.
-
SIMIONATO, Ana Carolina. Modelagem Conceitual Dilam: Princípios Descritivos de Arquivos, Bibliotecas e Museus para o Recurso Imagético Digital. 2015. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, São Paulo, 2015. Disponível em: Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/123318 Acesso em: 6 ago. 2022.
» http://hdl.handle.net/11449/123318 - SLEDGE, Jane; COMSTOCK, Betsy. The Canadian Heritage Information Network. In: LIGHT, Richard; ROBERTS, D. Andrew; STEWART, Jennifer D. (eds.). Museum documentation systems: developments and applications. London: Butterworth & Co., 1986. p. 7-16. DOI: 10.1016/B978-0-408-10815-7.50007-7.
-
SMIT, Johanna Wilhelmina. Documentação em suas diversas abordagens. In: GRANATO, Marcus; PENHA DOS SANTOS, Claudia; LOUREIRO, Maria Lucia N. M. (orgs.). Documentação em museus. Rio de Janeiro: Museu de Astronomia e Ciências Afins, 2008. p. 11-23. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/4tcThnR Acesso em: 8 maio 2025.
» https://bit.ly/4tcThnR - STÄDTLER, Domenic; GERBER, Anja. ie Minimaldatensatz-Empfehlung für Museen und Sammlungen. In: VERBANDSTAGUNG DES NORDWESTDEUTSCHEN VERBANDS FÜR ALTERTUMSFORSCHUNG, 84., 2024, Bochum. Anais eletrônicos.... Bochum, 2024. DOI: 10.5281/zenodo.13904324.
- THORPE, Kirsten; CHRISTEN, Kimberly; BOOKER, Lauren; GALASSI, Monica. Designing archival information systems through partnerships with Indigenous communities: developing the Mukurtu Hubs and Spokes Model in Australia. Australasian Journal of Information Systems, Sydney, v. 25, 2021. DOI: 10.3127/ajis.v25i0.2917.
-
YASSUDA, Sílvia Nathaly. Documentação museológica: uma reflexão sobre o tratamento descritivo do objeto no Museu Paulista. 2009. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências, Marília, 2009. Disponível em: Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/93662 Acesso em: 28 abr. 2025.
» http://hdl.handle.net/11449/93662 -
BRASIL. Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020. Dispõe sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus responsável pelo surto de 2019. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ed. 27, p. 1, 7 fev. 2020. Disponível em: Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l13979.htm Acesso em: 30 abr. 2025.
» https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l13979.htm -
COLLECTIONS TRUST. Spectrum timeline. Collections Trust, 2025a. Disponível em: Disponível em: https://collectionstrust.org.uk/resource/spectrum-timeline/ Acesso em: 8 maio 2025.
» https://collectionstrust.org.uk/resource/spectrum-timeline/ -
COLLECTIONS TRUST. What we do. Collections Trust, 2025b. Disponível em: Disponível em: https://collectionstrust.org.uk/what-we-do/ Acesso em: 8 maio 2025.
» https://collectionstrust.org.uk/what-we-do/ -
COMITÊ INTERNACIONAL DE DOCUMENTAÇÃO - CIDOC. Declaração dos princípios de documentação em museus e Diretrizes internacionais de informação sobre objetos: categorias de informação do Cidoc. São Paulo: Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo, 2014. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/3OguJuZ Acesso em: 16 dez. 2024.
» https://bit.ly/3OguJuZ -
GETTY RESEARCH INSTITUTE. About the AAT. Getty Research Institute, 2024a. Disponível em: Disponível em: https://www.getty.edu/research/tools/vocabularies/aat/about.html Acesso em: 8 maio 2025.
» https://www.getty.edu/research/tools/vocabularies/aat/about.html -
GETTY RESEARCH INSTITUTE. About the ULAN. Getty Research Institute, 2024b. Disponível em: Disponível em: https://www.getty.edu/research/tools/vocabularies/ulan/about.html Acesso em: 8 maio 2025.
» https://www.getty.edu/research/tools/vocabularies/ulan/about.html -
INTERNATIONAL COMMITTEE FOR DOCUMENTATION - ICOM. Welcome to the ICOM International Committee for Documentation. ICOM CIDOC, 2025. Disponível em: Disponível em: https://cidoc.mini.icom.museum/ Acesso em: 7 maio 2025.
» https://cidoc.mini.icom.museum/ -
INTERNATIONAL COMMITTEE FOR DOCUMENTATION - ICOM. Documentación en los museos de IberoAmérica: encuesta 2021-2022. ICOM CIDOC, 2024b. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/41zki8Y Acesso em: 7 maio 2025.
» https://bit.ly/41zki8Y -
INTERNATIONAL COMMITTEE FOR DOCUMENTATION - ICOM. AGM VOTE RESULTS: ICOM DOCUMENTATION. ICOM CIDOC, 2024a. Disponível em: Disponível em: https://us8.campaign-archive.com/?u=1cc3f4ab4ebb2b452c27dc2a3&id=4198473e52 Acesso em: 7 maio 2025.
» https://us8.campaign-archive.com/?u=1cc3f4ab4ebb2b452c27dc2a3&id=4198473e52 -
INTERNATIONAL COMMITTEE FOR DOCUMENTATION - ICOM. CIDOC Strategy 2023-2025. Paris: ICOM-CIDOC, 2023. Disponível em: Disponível em: https://icom-documentation.mini.icom.museum/organisation/who-we-are/ Acesso em: 8 maio 2025.
» https://icom-documentation.mini.icom.museum/organisation/who-we-are/ -
ICONCLASS. General introduction. ICONCLASS, s.d. Disponível em: Disponível em: https://iconclass.org/help/about Acesso em: 8 maio 2025.
» https://iconclass.org/help/about -
INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS. About Object ID. ICOM, 1999. Disponível em: Disponível em: https://icom.museum/en/resources/standards-guidelines/objectid/ Acesso em: 8 maio 2025.
» https://icom.museum/en/resources/standards-guidelines/objectid/ -
INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS. Definition of the CIDOC Conceptual Reference Model. ICOM, 2022. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/4cuXqMQ Acesso em: 8 maio 2025.
» https://bit.ly/4cuXqMQ -
INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS. About. ICOM, 2025. Disponível em: Disponível em: https://icom.museum/en/about-us/ Acesso em: 7 maio 2025.
» https://icom.museum/en/about-us/ -
INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS - IBRAM. Acervo em Rede e Projeto Tainacan. IBRAM, 24 ago. 2021a. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/4cqu8P8 Acesso em: 7 nov. 2024.
» https://bit.ly/4cqu8P8 -
INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS - IBRAM. Cadastro Nacional de Museus. IBRAM, 24 ago. 2021b. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/4cJYygG Acesso em: 9 maio 2025.
» https://bit.ly/4cJYygG -
INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS - IBRAM. Acervos IBRAM - Tainacan. IBRAM, 19 nov. 2021c. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/481B300 Acesso em: 9 maio 2025.
» https://bit.ly/481B300 -
ISTITUTO CENTRALE PER IL CATALOGO E LA DOCUMENTAZIONE - ICCD. La storia dell'ICCD. ICCD, 2018. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/3Q7FksM Acesso em: 12 maio 2025.
» https://bit.ly/3Q7FksM -
LIBRARY OF CONGRESS. New Book: Card Catalog's History. Library of Congress, 2017. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/4mBAn7M Acesso em: 8 maio 2025.
» https://bit.ly/4mBAn7M -
MINISTÈRE DE LA CULTURE. Inventaire général du patrimoine culturel. Ministère de la Culture, Paris, 2025. Disponível em: Disponível em: https://www.culture.gouv.fr/thematiques/inventaire-general-du-patrimoine Acesso em: 28 abr. 2025.
» https://www.culture.gouv.fr/thematiques/inventaire-general-du-patrimoine -
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE - OPAS. OMS caracteriza COVID-19 como pandemia. OPAS, 11 mar. 2020. Disponível em: Disponível em: https://www.paho.org/pt/news/11-3-2020-who-characterizes-covid-19-pandemic Acesso em: 8 maio 2025.
» https://www.paho.org/pt/news/11-3-2020-who-characterizes-covid-19-pandemic -
PHILIPPS-UNIVERSITÄT MARBURG. Bildarchiv Foto Marburg - Deutsches Dokumentationszentrum für Kunstgeschichte. Philipps-Universität Marburg, Marburg, 2025. Disponível em: Disponível em: https://www.uni-marburg.de/de/fotomarburg Acesso em: 29 abr. 2025.
» https://www.uni-marburg.de/de/fotomarburg -
SMITHSONIAN INSTITUTION. Archives of American Art: Fifty Years. Smithsonian Institution. Disponível em: Disponível em: https://www.si.edu/spotlight/fifty-years Acesso em: 2 jun. 2025.
» https://www.si.edu/spotlight/fifty-years -
UNESCO. Convention for the Protection of Cultural Property in the Event of Armed Conflict with Regulations for the Execution of the Convention. The Hague: Unesco, 1954. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/3QeIPxu Acesso em: 2 jun. 2025.
» https://bit.ly/3QeIPxu
-
1
Cf. Monteiro (2010).
-
2
Cf. Rocha (2014).
-
3
Cf. Yassuda (2009).
-
4
Cf. Olcina (1986).
- 5
-
6
Cf. Rocha, op. cit.
-
7
Cf. Yassuda, op. cit.
-
8
Cf. Camargo-Moro (1986), Ferrez (1991), Bottalo (2010). Cf. Hernández Sampieri, Fernández Collado e Baptista (2014).
- 9
- 10
-
11
Cf. Luna (1997).
-
12
Cf. Luna (1997).
- 13
-
14
Ibid.
- 15
- 16
-
17
Disponível em: https://www.bridgemanimages.com/en-US/explore/partners/BILDARCHIV-FOTOMARBURG/.
- 18
- 19
-
20
Cf. Rivière, op. cit.
- 21
-
22
Cf. Rivière (2001).
-
23
Cf. Rocha, op. cit.
-
24
Ibid.
-
25
Cf. Ceravolo, op. cit.
- 26
-
27
Cf. Smit (2008).
-
28
Disponível em: https://iconclass.org/.
-
29
Cf. Ceravolo (1998).
-
30
Ibid.
- 31
-
32
Cf. Ceravolo (1998).
- 33
-
34
Ibid.
-
35
Ibid.
- 36
-
37
Id.
-
38
Cf. Saldanha, 2012 apud Gugliotta (2017).
-
39
Cf. UNESCO (1954).
- 40
-
41
Cf. ICOM (1956).
-
42
Cf. Real (1958).
-
43
Disponível em: https:// www.culture.gouv.fr/ thematiques/inventaire general-du-patrimoine.
- 44
-
45
Cf. Ceravolo, op. cit.
- 46
- 47
-
48
Cf. Ceravolo op. cit.
-
49
Ibid.
- 50
- 51
-
52
Disponível em: https:// www.bsigroup.com/en-GB/ products-and-services/ standards/.
-
53
Disponível em: https:// cidoc.mini.icom.museum/ standards/cidoc-standards guidelines/.
-
54
Disponível em: https:// www.getty.edu/research/ tools/vocabularies/aat/ index.html.
-
55
Disponível em: https:// www.getty.edu/research/ tools/vocabularies/aat/about. html.
- 56
-
57
Cf. ICONCLASS, loc. cit.
-
58
Ibid.
-
59
Disponível em: https:// www.canada.ca/en/heritage information-network.html.
- 60
-
61
Disponível em: https:// www.iccd.beniculturali.it/.
- 62
- 63
-
64
Ibid.
- 65
- 66
-
67
Disponível em: https:// proceedings.caaconference. org/files/1981/14_Stewart_ CAA_1981.pdf.
-
68
Cf. Silva op. cit.
- 69
-
70
Disponível em: https:// www.getty.edu/research/ tools/vocabularies/ulan/ index.html.
- 71
-
72
Ibid.
-
73
Disponível em: https:// icom.museum/wp-content/ uploads/2018/07/ICOM code-En-web.pdf.
-
74
Cf. ICOM (2025).
-
75
Cf. Rocha, op. cit.
- 76
-
77
Cf. Yassuda, op. cit.
-
78
Cf. Ceravolo, op. cit.
- 79
-
80
Cf. ICONCLASS, loc. cit.
- 81
- 82
- 83
- 84
- 85
-
86
Cf. ICOM (1999).
-
87
Disponível em: https://bit. ly/435MTD0.
-
88
Cf. Gemente (2010).
-
89
Disponível em: https://bit. ly/4kbX5kc.
-
90
Disponível em: https://www.getty.edu/research/tools/vocabularies/ulan/index.html.
-
91
Disponível em: http://old. cidoc-crm.org/docs/notes_ trans_cidoc.pdf.
-
92
Disponível em: https:// www.getty.edu/research/ publications/electronic_ publications/cdwa/ definitions.pdf.
-
93
Disponível em: https:// www.loc.gov/standards/ vracore/VRACore1.0_ elements.pdf.
-
94
Cf. Baca (2006) e Silva (2020).
-
95
Disponível em: https:// www.getty.edu/research/ c o l l e c t i o n s / component/10V20Y.
-
96
Disponível em: https:// id.loc.gov/authorities/names/ n85271479.html.
-
97
Disponível em: https:// www.getty.edu/research/ tools/vocabularies/ulan/ index.html.
DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS
Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do documento.
-
Editores responsáveis:
Maria Aparecida de Menezes Borrego e David Ribeiro.


Fonte: elaborado pelos autores (2025).