RESUMO
Quatro triterpenos foram isolados do extrato etanólico dos galhos de Vitis vinifera (Vitaceae) e identificados com bases em dados espectroscópicos, como sendo lupeol, 28-hidroxilupeol, 30-hidroxi-b-amirina e 19-hidroxi-a-amirina.
PALAVRAS-CHAVE:
Triterpenos; extrato etanólico; Vitis vinifera, Vitaceae.
ABSTRACT
Four triterpenes were isolated from the ethanolic extract of branches Vitis vinifera (Vitaceae) and identified as, lupeol, 28-hydroxylupeol, 30-hydroxy-b-amirin and l 9ahydroxy-a-amirin, by spectroscopic data.
KEY WORDS:
Triterpens; ethanolic extract; Vitis vinifera, Vitaceae.
INTRODUÇÃO
Desde o início do século 20 até hoje Vitis vinifera (Fig. 1), pertencente à família Vitaceae, tem sido objeto de muitos estudos químicos. Numerosos compostos químicos de diferentes classes de metabólitos secundários têm sido isolados de frutos, folhas e outras partes desta planta (BOMBARDELLI & MORAZZONI, 1995), tais como os triterpenos, ácido 16bhidroxioleanolico e seus derivados, a e b amirina, taraxerol, taraxasterol, cicloartenol, 24-metilcicloartanol, ácidos ursólico e oleanólico (HEGNAUER, 1990).
Os triterpenos são metabólitos secundários, contendo 30 átomos de carbono formados à partir de unidades de isopreno, produzidos por organismos terrestres e marítimos, que podem ocorrer na forma livre, bem como na forma de éter, éster e glicosídeos. Embora o uso desta classe de compostos na medicina, seja mais limitado que outras classes de metabólitos secundários, trabalhos recentes (MAHATO & KUNDU, 1994) relatam que os triterpenos apresentam um forte potencial como drogas medicinais. Este trabalho relata o isolamento e a identificação estrutural de quatro triterpenos ainda não isolados de Vitis vinifera.
MATERIAL E MÉTODOS
Procedimentos experimetais gerais: Para cromatografia em coluna e em camada delgada foi utilizada sílica gel Kieselgel da Merck, e para as revelações das placas cromatográficas foi utilizado iodo resublimado como revelador. Os espectros de RMN1 H e 13C foram registrados em espectrometro gemini 200 da Variam (1H 200MHz e 13C 50 Mhz), usando como solvente CDC13 ou DMSD6 e TMS como referência interna. As técnicas totalmente desacoplado edept com f = 135º foram utilizadas para diferenciar õs sinais de CH e CH3 de CH2 , cujo deslocamento e comparação com modelos descritos na literatura.
Material vegetal: Os galhos de Vitis vinifera foram coletados de um especimen localizados no Instituto Biológico de São Paulo.
Preparação do extrato: Os galhos de V. vinifera (620g) foram secos em estufa a 40ºC e moídos na forma de pó (380g) que posteriormente foi submetido à extração com etanol 96º em aparelho de soxhlet. O extrato após filtragem, foi concentrado em rotaevaporador sob pressão reduzida a temperatura de 50ºC para obter o extrato etanólico (36g).
Fracionamento do extrato etanólico dos galhos: Vinte gramas do extrato etanólico dos galhos de V. vinifera foram cromatografadas em coluna de sílica gel 60 (200g), eluída inicialmente com hexano e em seguida mistura de clorofórmio e metanol em ordem crescente de polaridade. As frações foram recolhidas e o solvente evaporado sob pressão reduzido em rotaevaporador, para a obtenção de seus respectivos resíduos, os quais foram reunidos de acordo com o perfil cromatográfico obtido na cromatografia em camada delgada comparativa, eluida com mistura de hexano acetato de etila (9:1) e (8:2).
P:urificação das frações do extrato etanólico do galhos: A mistura das frações 4 e 5 (465 mg) foi cromatografada em coluna de sílica gel 60H (10g) sob baixa pressão, eluída sucessivamente com mistura de hexano e acetato de etila (8:2) em ordem crescentes de polaridade, para obter 90 frações de 5 mL. O solvente foi evaporado e estes foram monitorados em cromatografia de camada delgada, desenvolvida em hexano acetato (8:2), cujos resultados estão indicados no esquema 1.
As frações de 4-20 foram reunidas e submetidas a sucessivas cromatografias em coluna de sílica gel 60H, eluídas com hexano acetato (9:1), para obter 35 mg de VV1. A mistura das frações 21-23 foram cromatografadas em camada delgada preparativa eluidas com clorofórmio e metanol (95:5), obtendo desta forma 12 mg da mistura de VV2 e VV3, mistura esta obtida também nas frações 24-27. A mistura das frações 61-90 foi cromatografada em coluna de sílica gel 60H (10g) eluída com clorofórmio metanol 9:1, fornecendo a substância denominada VV4.
A identificação das estruturas químicas das substâncias isoladas do extrato etanólico dos galhos V. vinifera foi baseada nas análises e comparações de seus dados de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) de próton e carbono treze com a literatura.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Identificação estrutural de VV 1, VV2, VV3 e VV4 Os espectros de RMN 1 H das substâncias VV 1, VV2, VV3 e VV4 apresentam quase que na totalidade absorções na região alifática, em campo alto, correspondentes a prótons característicos de terpenos. Os espectros de Ressonância Magnética Nuclear de Carbono treze RMN 13C de VVl e VV4, mostram algumas similaridades a exemplo; dois sinais que indicam absorções de carbonos olefínicos em 150,7; 109,1; 149,7 e 110,2 ppm estes deslocamentos químicos são característicos de triterpenos com o esqueleto estrutural do tipo do lupeol, substância comumente isoladas de plantas superiores.
No mesmo espectro pode observar um sinal em 78,6 e 78,8 ppm para VVl e VV4 respectivamente, correspondente à absorção de carbonos carbinólicos; para VV4 observa-se ainda outro carbono desta natureza absorvendo em 60,5 ppm , o DEPT 135º apresenta este carbono como CH2. Comparando os deslocamentos químicos de VV1 e VV4 com os do lupeol e seus derivados descritos por MAHATO & KUNDU (1994) (Tabela 1) permitiu concluir que VVl trata-se do próprio lupeol e VV4 um derivado hidroxilado na posição 28. A diferença básica em relação aos deslocamentos químicos de VVl e VV4 ocorre nos carbonos 16, 17, 22 e 28 respectivamente, devido à substituição da metila 28 por hidroxila.
Quanto a VV2 e VV3 o espectro de RM N1 3 C totalmente desacoplado apresenta vários sinais, caracterizando uma mistura de triterpenos. Os sinais decarbonoolefínicosem 138,1; 125,2; 143,6e 121,5 ppm foram atribuídos a duplas ligações entre os carbobos 12 e 13, são características de esqueletos de triterpenos do tipo a e b-amirina respectivamente. Para a identificação das estruturas das substâncias os deslocamentos químicos da mistura foram comparados com a literatura (MAHATO & KUNDU, 1994) e esta comparação permitiu concluir que a mistura de VV2 e VV3 trata-se do 28-hidroxi-aamirina e 30-hidroxi-b-amirina respectivamente.
CONCLUSÕES
O isolamento dos quatro triterpenos, já isolados de várias plantas superiores, está sendo relatado pela primeira vez como componente de Vztis vinifera, as estruturas químicas das substâncias podem ser verificadas na figura 2. Os triterpenos isolados estão em quantidade bastante razoável nas frações iniciais do extrato etanólico, talvez porque estas substâncias apresentam um papel importante para a vida da planta.
Estrutura química dos triterpenos isolados do extrato etanólico dos·galhos de Vitis vinifera.
AGRADECIMENTOS
J.D. Felicio de Souza agradece à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo financiamento do projeto "Estudo dos metabólitos de Vztis vinifera antes e após ao stress causado por ozônio".
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- BOMBARDELLI, E. & MORAZZONI, P. Vitis vinifera L. Fitoterapia, v.66, p.291-319, 1995.
- HEGNAUER, R. Chemotoxonomie der Pflanzen. v.9, 1990, p.754-762.
- MAHATO, S.B. & KUNDU, A P. 13CMNR spectra of pentacyclictriterpenoids - Acompilations and· some salient features. Phytochemistry, v.37, p.1517-1575, 1994.






