Open-access OCORRÊNCIA DE CALOPTILIA AZALEELLA (BRANTS, 1913) EM RHODODENDRON INDICUM (L.) SWEET

OCCURRENCE OF CALOPTILIA AZALEELLA (BRANTS, 1913) IN RHODODENDRON INDICUM (L.) SWEE

RESUMO

O trabalho relata a primeira ocorrência da traça Caloptilia azaleella (Brants, 1913) (Lepidoptera:Gracillaridae) no Brasil. A praga foi encontrada em plantas de Rhododendron indicum (L.) Sweet (Ericaceae), nas variações sulferina e branca, nas cidades de São Paulo (SP), Joinville (SC) e Ubatuba (SP). São citados dados biológicos obtidos em laboratório e descritos os danos ocasionados.

PALAVRAS-CHAVE:
Ocorrência; Caloptilia azaleella ; Rhododendron indicum

ABSTRACT

The work reports the first occurrence of Caloptilia azaleella (Brants,1913) (Lepidoptera: Gracillaridae) in Brazil. The pest was found inRhododendron indicum (L.) Sweet (Ericaceae) plants, in the pink and withe colors in São Paulo (SP), Joinville (SC) and Ubatuba (SP) cities. The biological aspects were obtained in laboratory and damage is described.

KEY WORDS:
Occurrence; Caloptilia azaleella ; Rhododendron indicum

Constatou-se pela primeira vez a presença da traça Caloptilia azaleella (Brants, 1913), em plantas de Rhododendron indicum (L.) Sweet na cidade de São Paulo, em setembro de 1990. As lagartas foram encontradas minando folhas de plantas de azaléia de cor sulferina em parques e jardins da cidade, não sendo observada sua presença nas plantas de flores brancas, mesmo quando próximas de plantas infestadas. As lagartas da traça foram coletadas e criadas em laboratório e os adultos obtidos foram identificados pelo Dr. Vitor Osmar Becker (EMBRAPAPlanaltina), que observou não haver, em literatura, citação de sua ocorrência na América do Sul. Em novembro de 1991, os autores observaram alta incidência da traça em azaléias de cor sulferina em parques e jardins de Joinville (SC). Em outubro de 1992, constatou-se alta infestação em maciços de azaléia de coloração branca, na cidade de São Paulo e em maciços de coloração sul ferina, na cidade de Ubatuba (SP).

Em laboratório, observou-se que, após a eclosão, as lagartas fazem pequenas minas que vão se alargando em galerias na face inferior da folha e apresentam-se como manchas na face superior (Fig.1). Posteriormente, abandonam as minas, caminhando para a extremidade da folha. Dobrando o ápice da mesma, as lagartas constroem um abrigo para se proteger, no interior do qual se alimentam da epiderme foliar, provocando um rendilhamento que pode ser observado por transparência e onde depositam seus detritos (Fig.2). As folhas minadas apresentam a área fotossintética reduzida, secam e caem prematuramente (Fig.3). No final da fase larval, o inseto dobra a margem lateral da folha e tece uma rede de fios de seda branca, sob a qual transformase em pré-pupa e pupa.O período pupal médio foi de 17 dias e a longevidade média dos adultos foi de 1O dias. O adulto mede cerca de 1cm de envergadura e possui asas cobertas por escamas de coloração castanha escura com uma faixa dourada. As pernas são longas, com a coxa e a tíbia robustas e, quando em repouso, formam um ângulo de 45° com a parte anterior do corpo, como ocorre com outras espécies do gênero (Fig.4).

KUMATA(9) faz uma revisão taxonômica das espécies do grupo Gracillaria que ocorrem no Japão, descrevendo morfologicamente, entre outras, a espécie Caloptilia azaleella, sinonimia de Gracillaria azaleella, além de fornecer ilustrações das estruturas genitais de machos e fêmeas. Segundo o autor, a espécie encontra-se disseminada no Japão em diversas espécies deRhododendron, não só em jardins mas também em florestas naturais, além do leste da Ásia, Europa e América do Norte. A C. azaleella foi descrita pela primeira vez através de espécimens encontrados na Holanda em 1912, em plantas jovens de R. indicum, importadas do Japão (9). Em 1914, a traça foi descrita novamente por BUSCK (1) como Gracillaria azaleae, a partir de espécimens criados em azaléias nos Estados Unidos. MEYRICK (10), em 1913, também descreveu a traça como G. anthracosperma, com espécimens do Japão. Desde então, a traça é relatada ocorrendo em toda Europa e norte da América (4,8,9) e na Austrália e Tasmânia (3). HELSON (7) relata a disseminação da minadora G. azaleella em folhas de azaléia para o norte da Nova Zelândia, a partir daChristechurchno sul da ilha, onde foi encontrada em 1952. SCHREAD (12) apresenta observações de danos de G. azaleella em plantas ornamentais em Connecticut. YANG (13) relata a ocorrência de Caloptilia sp. em baixas populações em florestas mista contendo abeto chinês (Cunninghamia lanceolata) e em plantações do mesmo na China.

Figura 1
Manchas relativas a minas de Caloptilia azaleella em folha de azaléia A=3,0x

Com relação ao controle da praga, as pesquisas são escassas. PRITCHARD & BEER (11) observaram que a pulverização com parathion controlou a minadora de folhas G. azaleella na Baía de São Francisco, na Califórnia. FRANKENHUYZEN (5) obteve bons resultados de controle com compostos organofosforados na Holanda, onde se tem observado um aumento na incidência da praga, apresentando também descrições e ilustrações morfológicas de C. azaleella, além dos danos causados. Aplicações periódicas de permetrina ou triazofós são recomendadas tão logo os primeiros adultos sejam detectados e aplicações com parathion para o controle em plantas com minas já formadas (6). ZHANG & ZHOO (14) observaram um controle efetivo com produtos phoxim, malathion, fenitrothion e diclorvós em plantas deAcer spp.. Entre os inimigos naturais de Caloptilia sp. encontrados citam-se alguns himenópteros parasitóides de larvas como Bracon sp., Anastatoidea sp. e Chelonus sp. (2).

Figura 2
Dobra do ápice da folha de azaléia causada por C. azaleella para pupação A= 3,0x

Figura 3
Aspecto geral de danos de C. azaleella em azaléia A=0,48x

Figura 4
Adulto de C. azaleella A=6,0x

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • 1 BUSCK, A. A new Gracilaria on azalea (Lep., Gracilaridae). lns. lnsc. menstr., 2: 1-2, 1914.
  • 2 CHACON, P. & CALDERON, M. Algunosaspectos sobre la biologia e possibilidades de control biológico de Caloptilia sp. barrenador del Stylosanthes spp. Rev. Colombiana Entomol. 5 (3/4): 27-34, 1979.
  • 3 COMMON, I.F.B. Moths of Australia. Victoria Melbourne University, 1990.535p.
  • 4 DAVIS, D.R. Gracillariidae. ln Stehr, F.W. lmmature insects. Dubuque, Iowa, Kendall & Hunt. 1987.pp.372-374.
  • 5 FRANKENHUYZEN, A.VAN. Beware of the azalea leaf-miner. Vakbladvoor de Bloemisterig. 12: 36,1980.
  • 6 FRANKENHUYZEN, A.VAN. Control of the azalea moth. Gewasbescherming, 16 (4): 125-130,1985.
  • 7 HELSON, G.A.H. Outhbreaks and New Records. FAO Plant Prot. Buli., 1 (5/6): 89-92,1953.
  • 8 HERING, E.M. Biology of the leaf miners. S-Gravenhage, Junk, 1951. 420p.
  • 9 KUMATA, T. A taxonomic revision of the Gracillaria group occuring in Japan (Lepidoptera: Gracillaridae),/ns. Matsum. 26: 1-186, 1982.
  • 10 MEYRICK, E. Exotic Microlepidoptera. IV. Marlborough, Author, 1931, 171p.
  • 11 PRITCHARD, A.E. & BEER, R.E. Parathin for control of pest of ornamental and flowering plants. J. Economic. Entornol. 42 (2): 372-379, 1949.
  • 12 SCHREAD, J.C. Leaf-miners and theircontrol. Buli. Conn. Agric. Exp. Stn. 693: 1-15, 1968.
  • 13 YANG, J.K.; JI, L.Z.; QU, S.P. Effectsofmixed forest of Chinese fir and homana on populations ofinsectpest.J. Ecol., China,7 (1): 45-47, 1987.
  • 14 ZHANG, Z.S. & ZHOO, Z.Y. The occorrence of Caloptilia sp. and its control. Insect Knowledge. 22 (1): 27-29, 1985.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Dec 1994

Histórico

  • Recebido
    08 Mar 1993
  • Revisado
    Mar 1995
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