Open-access ANÁLISE DO FUNGICIDA ACETATO DE FENTIN POR ESPECTROFOTOMETRIA INFRAVERMELHA

Analysis of the fungicide fentin acetate by infrared spectrophotometry

RESUMO

Os compostos organoestânicos com o cation fentin são atualmente importantes fungicidas; dentre eles sobressai-se, entre nós, o acetato de fentin por suas aplicações em muitas culturas.

Os métodos químicos analíticos mais usados para a determinação do acetato de fentin apresentam incovenientes de onerosidade, complexidade e inespecificidade.

O presente trabalho descreve a pesquisa realizada, no âmbito da espectroscopia infravermelha, para o estabelecimento de um método analítico de determinação do acetato de fentin. A absorção utilizada foi em 7 ,65 gm ou I. 310 cm I correspondente ao grupo acetato e para solubilização empregou-se o clorofórmio.

PALAVRAS-CHAVE:
acetato de fentin; análise; espectrofotometria infravermelha.

SUMMARY

Organic tin compounds with the fentin cation are important fungicides. In Brazil fentin acetate is employed in many crops.

Analytical methods more used for determining fentin acetate have disadvantage of onerouness, complexity and unspecifity.

This paper describes a research in infrared spectroscopy for analyzing fentin acetate. The absorption used was 7 gm / I due to the acetate anion and chloroform employed as solvent.

KEY-WORDS:
fentin acetate; analysis; infrared spectrophotometry.

INTRODUÇÃO

As propriedades fungicidas dos compostos orgânicos de estanho foram descobertas em 1954 (6). A maioria deles apresenta propriedades fitotóxicas, o que não acontece com aqueles contendo o cation trifenilestanho, daí a sua importância na agricultura. Este cation recebeu o nome comum de fentin.

Dentre os fungicidas fentínicos destaca-se no Brasil, o acetato de fentin que é indicado para aplicação em culturas de grande importância como arroz, feijão, seringueira e trigo (3). Este fungicida se apresenta vinte vêzes mais eficaz que os fungicidas cúpricos com os quais compete (5).

O acetato de fentin é quimicamente definido como acetato de trifenilestanho. A nomenclatura, trifenilacetato de estanho é imprópria uma vez que neste caso os radicais fenflicos deveriam estar substituidos no carbono alfa o que não ocorre conforme percebe-se pela fórmula estrutral abaixo:

A substância pura apresenta-se na forma de cristais incolores e ponto de fusão entre 121 e 123°C. O produto técnico é amorfo e incolor com ponto de fusão entre 118 - 120°C Solubilidade à 20°C, cerca de 9 mg/litro de água (pH = 5,0), pouco solúvel na maioria dos solventes orgânicos, sendo os principais solventes do acetato de fentin o álcool, acetona e clorofórmio.

No Brasil o acetato de fentin é atualmente comercializado sob a forma de pó molhável 20% e é aplicado no controle de brotamento prematuro e tardio em batatas; Cercospora spp. em cana de açúcar, amendoim e café; Phytophtora em cacau, etc.

A determinação do acetato de fentin é feita por métodos clássicos (2), colorimétrico(7) e potenciográfico (1), que são precisos e exatos mas não específicos. Os métodos de cromatografia líquida (4) (8) e cromatografia gasosa (9) são os mais utilizados atualmente pela exatidão, precisão e especificidade.

A importância agrícola do acetato de fentin e as características dos métodos utilizados em sua análise (muito oneroso e envolver o processo de formação dé derivados voláteis), mostraram a necessidade de se pesquisar um método analítico alternativo (8) para o acetato de fentin.

FIGURA 1
Fórmula estrutural do acetato de fentin

Neste trabalho descreve-se a pesquisa, no âmbito da espectroscopia infravermelha, que permitiu estabelecer um novo método analítico para o acetato de trifenilestanho.

MATERIAL

Espectrofotômetro infravermelho da Perkin-Elmer modelo 727-B; células seladas de cloreto de sódio com 0,5mm de espessura; seringas hipodérmicas de IO e 5ml com agulhas de 5cm; pipetas graduadas e volumétricas de 5ml; erlenmeyer de 50ml com tampa esmerilhada. Os reagentes empregados foram sulfato de sódio anidro p.a.e. padrão analítico de acetato de trifenilestanho 99% fabricado por Riedelde-Haen AG. Como solventes foram utilizados acetona e clorofórmio, ambos grau p.a. As amostras padrões utilizadas foram material técnico 97% e pó molhável 20%.

MÉTODO

Uma quantidade equivalente a 0,042 g de principio ativo foi pesada num erlenmeyer de 50ml e sofreu tm tratamento com acetona: foram adicionados 4ml do solvente e após agitação manual evaporados com ar comprido quase até a secura. Após a adição de 5ml.de clorofórmio e cerca de Ig de sulfato de sódio anidro agitou-se manualmente e deixou-se duas horas em repouso.

Da solução sobrenadante retirou-se com seringa, uma quantidade para injetar na célula. Verificou-se que a adição direta de clorofórmio, sem o tratamento prévio com acetona, ocasiona a formação de uma suspensão coloidal na análise do pó molhável. O material técnico é soluvel em clorofórmio e não forma a suspensão coloidal. Durante a experiência, verificou-se que o tratamento prévio com acetona dispensou a etapa de purificação em coluna cromatográfica que seria necessária par separar e retirar o princípio ativo da suspensão coloidal.

Os espectrogramas do padrão e amostras foram obtidos pela técnica de compensação e para os cálculos analíticos quantitativos utilizou-se o processo da linha de base em I . 310cm I / 7,65gm aplicando-se a seguinte fórmula:

100 × A a × p p A p × p a = % de acetatu de fentin

onde:

Aa = absorção da amostra

Ap = absorção do padrão

pa = pêso da amostra

pp = pêso do padrão

Nas figuras 2 e 3 estão os espectrogramas completos obtidos do acetato de fentin padrão em pastilha de brometo de potássio e dissolvido em clorofórmio que são fundamentais para a identificação e quantificação. As figuras 4 e 5 mostram os espectrogramas das amostras padrões.

Figura 2
Espectrograma infravermelho do acetato de fentin padrão em pastilha de brometo de potássio.

Figura 3
Espectrograma infravermelho do acetato de fentin padrão dissolvido em clorofórmio.

Figura 4
Espectrograma infravermelho do material técnico padrão dissolvido em clorofórmio.

Figura 5
Espectrograma infravermelho do pó molhável padrão após o tratamento descrito no texto.

TABELA 1
Resultados obtidos nas amostras padrões.
TABELA 2
Análise estatística dos resultados da tabela I

Na análise estatística calculou-se o êrro relativo e o coeficiente de variação (tab.2) correspondentes às determinações das amostras padrões de material técnico 97% e pó molhável 20%.

RESULTADOS

Na tabela 1 encontram-se os valores das determinações efetuadas nas amostras padrões de acetato de fentin técnico 97% e pó molhável 20%.

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

A análise estatística das determinações realizadas nas amostras padrões (tabela 1 e 2) indica que a metodologia analítica desenvolvida pela presente pesquisa é perfeitamente válida para a análise do acetato de fentin.

O método desenvolvido é exato, preciso e específico e apresenta a grande vantagem que a técnica espectroscópica no infravermelho leva sobre as demais ou seja identificação simultânea à quantificação (desde que se processe a varredura total do espectro entre 2,5 e 15,0 pm).

A absorção em 7,65gm / 1.310cm l , escolhida para quantificação corresponde ao grupo acetato o que garante excelente especificidade uma vez que o grupo trifenilestanho está sempre presente nos fungicidas fentínicos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • 1 ÃLMEIDA, J.B.; PIEDADE, J.R.; BENATTI, V.L.T.S. - Análise de defensivos estânicos por potenciografia. Arq. Inst. Biol. 46:93-5, 1979.
  • 2 ALMEIDA, N.F.•, PIEDADE, J.R.•, SOUZA, D.A. - Química dos Pesticídas. São Paulo, Fundo de Pesquisas do Instituto Biológico, 1962. p. 173.
  • 3 ANDREI, E. - Compêndio de defensivos agrícolas. São Paulo, Organização Andrei Editora Ltda, 1987. p.92.
  • 4 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9994 Fentin acetato - Análise por cromatografia líquida porpadronização externa. Rio de janeiro, ABNT, 1987. p. l .
  • 5 CARDOSO, C.O.N.•, CARDOSO, E.J.B.N.•, TOLEDO, A.C.D.•, KlMATI, H.; SOAV, J. Guia de Fungicidas. Piracicaba, Editora Luiz de Queiroz, 1976. p.4.
  • 6 KERK, G.J.M.; LUIJTEN, J.G.A. - Investigation on organo-tin compounds. III. The biocidal properties of organo-tin compounds. J. Appl. Chem. 4:314-9, 1954.
  • 7 LLOYD, G.A.; OTACI, LAST, F.T. - Triphenyltin acetate residues on potato leaves in blight spraying trials. J. Sci. Food Agric. 13:353-8, 1962.
  • 8 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. - Pesticidas, métodos de análise e informações técnicas. Curitiba, 1988. p.467, 396.
  • 9 PESTICIDE Manual. H. Martin and C.R. Worthing. Craydon, British Crop Protection Council, 1983. p. 270.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Dec 1990
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