Open-access AVALIAÇÃO DE INERTES, USADOS NAS FORMULAÇÕES DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS

Evaluation of carriers used in pesticide formulation

RESUMO

Com a finalidade de avaliar a qualidade dos inertes utilizados no preparo de defensivos agrícolas, de natureza sólida (pó molhável e pó seco), foi realizado um levantamento dos fornecedores e efetuada uma coleta de amostras desses materiais.

Os inertes foram classificados em grupos e submetidos aos testes necessários para a avaliação de suas características físicas.

Os resultados encontrados em alguns inertes apresentaram índices satisfatÓrios em determinadas características físicas. Com base nestas características, classificaram-se os materiais mais adequados na utilização de formulações do tipo pó seco, pó molhável e materiais que podem ser empregados em ambas as formulações.

PALAVRAS-CHAVE
Inertes; avaliação; características física.

SUMMARY

Carriers used 'in wettable and dry pesticide formulations were submited to physical tests to evaluate the qualities.

Some carriers showed acceptable results and according to then were classified to be used in dry, wettable or in both types of formulations.

KEY-WORDS
Carriers; evaluations; physical properties.

INTRODUÇÃO

Desde 1968, quando iniciaram os trabalhos do projeto BRA/67/524, ROSENFIELD (7) verificou a necessidade de uma ampla investigação da matéria prima usada nos produtos existentes e a serem lançados no mercado nacional. Como conseqüência, surgiram algumas medidas, que tinham como principal objetivo enquadrar as formulações dentro de melhores qualidades técnicas.

Observou-se que um dos fatores que mais contribuíram nas reprovações dos produtos foram os testes físicos, comprovando assim, o uso inadequado de certos componentes, como por exemplo os inertes empregados em formulações.

Os inertes também são conhecidos como vefculos diluentes, absorventes e atrativos, e de acordo com suas propriedades físicas podem causar a decomposição do ingrediente ativo, instabilidade física, desgaste de equipamento, etc.

Foi firmado um convênio entre o Instituto BiolóÚco e o Fundo de Financiamento de Estudos e Projetos (FNEP) objetivando pesquisar veículos inertes usados em formulações de defensivos do tipo sólido.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram coletados 96 amostras de material inerte pelo Centro Piloto de Formulações de Defensivos Agrícolas em 61 localidades diferentes, como: em jazidas de mineração, empresas mineradoras e em casas comerciais, oriundas dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia, que aparentavam ter boas características para a utilização na formulação de defensivos Agrícolas.

Juntamente com a coleta, foram preenchidas fichas técnicas para cada contendo: classificação, nome comercial, endereço, localização de mineração, capacidade de produção, análises mineraló$ca, química e física.

No Centro Piloto, estes materiais foram divididos em grupos baseados na classificação, representando os grupos dos: agalmatolitos, dolomitas, caulins, talcos, diatomitas, filitos, argilas e outros.

Os inertes foram submetidos aos testes físicos recomendados e necessários para a devida avaliação obedecendo a metodologia conforme a legislação, ou seja, higroscopicidade, umidade, adsorção em querozene, mobilidade, densidade aparente e absoluta, pH, acidez e alcalinidade, tamanho de partículas, molhabilidade e pKa.

Os testes físicos foram realizados em 4 repetições de cada inerte, e os valores constantes das tabelas representam a média aritmética das leituras daquelas repetições.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Ao se efetuar uma formulação do tipo sólida, muito cuidado deve ser tomado na escolha do inerte a ser utilizado. O uso de um material inadequado poderá comprometer a qualidade do produto final, como afirmam URWLER (11) e BARRETO (4) em seus trabalhos.

As tabelas de 1 a 8 apresentam a relação dos inertes classificados em grupos específicos e os resultados das determinações das características físicas de cada amostra.

Um dos fatores que contribui para a má qualidade de um produto é 0 pKa, AUGUSTO (2) e SYNNATSCHKE etalii (10), também citados pelos autores BENESI (5) e WALLING (12). Dentre os inertes analisados no presente trabalho, destacarn-se as dolomitas, os filitos, o silicato de cálcio, os gafites, por apresentarem um pKa bom, sendo que, esta característica física é classificada em pKa bom, regular e mau.

O teste de umidade de alguns materiais apresentaram o teor muito alto, acima de 3%, tais como: a diatomita 726-V, o filito Itapeva, o gepol, o fundipol, o silicato de cálcio, as argilas castanha, branca, natural, ativada, MC40 e a argila de número 39. ROSENFIELD (8) relata que o teor de umidade elevado altera a qualidade do produto, portanto inadequado para formulações de defensivos agrícolas.

O pH dos inertes analisados referentes as tabelas 1 e 2, apresentaram-se alcalinos e em torno de 8 e só a dolomita 325 ultrapassou a 9, mostrando assim, uma uniformidade nesta característica física, tanto nos agalmatolitos quanto nas dolomitas. No grupo dos caulins (Tab. 3) e dos talcos (Tab. 4) o pH oscilou entre o ácido ao alcalino, isto em decorrência das diferentes origens de cada material.

HENRIET (6) classificou inertes com alta capacidade de absorção, aqueles que apresentaram índices maiores que 90%, e inertes de baixa absorção aqueles que apresentaram resultados inferior a 50%.

AUGUSTO (2, 3) em seus trabalhos, obteve ótimas formulações quando utilizou inertes com alto índice de absorção combinados com princípio ativo líquido e também inertes de baixa absorção com princípio ativo sólido.

Neste trabalho, foram encontrados inertes com alta absorção, tais como; argila caulinítica L.A. (Tab. 8) e as diatomitas (Tab. 5); o agalmatolito tipo 5 (Tab. 1), o caulim M. E. (Tab. 3), o talco 17 1 .E. (Tab. 4). A costargila, a aluminosa M.A. e a tumba (Tab. 8) estão na faixa intermediária e todos os demais inertes foram considerados de baixa absorção.

Um bom produto do tipo pó molhável deve apresentar boa molhabilidade, de acordo com a legislação vigente (1, 9) não deve ser superior a 2 minutos. Este trabalho, constatou a existência de materiais dentro de um mesmo grupo com molhabilidade acima do permitido; como os agalmatolitos tipo 4 e 5 e instantânea como o agalmatolito 667/325, e devido a tais características os inertes são adequados para formulações do tipo pó seco e pó molhável, respectivamente.

Foram encontrados alguns materiais com tamanho de partículas grandes, como a argila tumba que apresentou índice de retenção de 58,9% na malha 325, a mica sericita com 54,53% na mesma malha e o caulim OBY com 90,5% na malha 200. Conforme descreveu HENRIET (6) em seu trabalho, que o tamanho de partículas exerce influência nas características e nas propriedades físicas do produto final.

Porém, AUGUSTO (2, 3) relata em seus trabalhos de desenvolvimento de formulações de pós molháveis, que esta característica não é prejudicial, pois ao efetuar as moagens do produto, o problema será resolvido.

É importante salientar que na escolha do inerte além das características físicas deve ser considerada a compatibilidade química com o princípio ativo.

TABELA 1
Resutados médios obtidos nas determinações das características físicas dos veículos "inertes" do grupo dos Agalmatolitos. Centro Piloto de Formulações. Campinas, 1985.
TABELA 2
Resultados médios obtidos nas determinações das características físicas dos veículos "inertes" do grupo das Dolomitas. Centro Piloto de Formulações. Campinas, 1985.
TABELA 3
Resultados médios obtidos nas determinações das características físicas dos veículos "inertes" do grupo dos Caulins. Centro Piloto de Formulações. Campinas, 1985.
TABELA 4
Resultados médios obtidos nas determinações das características físicas dos veículos "inertes" do grupo dos Talcos. Centro Piloto de Formulações. Campinas, 1985.
TABELA 5
Resultados médios obtidos nas determinaeoes das características físicas dos veículos "inertes" do grupo das Diatomitas. Centro Piloto de Formulações. Campinas, 1985.

CONCLUSÃO

Diante dos resultados obtidos, podemos agrupar os inertes em 4 blocos:

1 - Aqueles materiais que devem ser empregados em formulações do tipo pó seco, devido a sua molhabilidade ser superior a 2 minutos como os agalmatolitos tipo 4 e tipo 5; o caulim OBY.

2 - Para formulações do tipo pó molhável, na qual se pretende utilizar grande quantidade de princípio ativo líquido, é indicada a diatomita VC-BM-MA, por apresentar alto índice de absorção. Para formulações com pequena quantidade de princípio ativo, são indicados inertes denominados grafitoso, filito Itapeva, bem como a mica/sericita ou a argila refratária que possuem baixo índice de absorção.

3 - A mica ref. 23 deve ser utilizado em formulações do tipo pó molhável, quando se usa princípio ativo sólido.

4 - Os três materiais pertencentes ao grupo das dolomitas devem ser empregados para formulações do tipo pó molhável, porém, não é recomendado quando utilizar princípio ativo líquido, por apresentarem índice de absorção baixo.

TABELA 6
Resultados médios obtidos nas determinações das características físicas dos veículos "inertes" do grupo dos Filitos. Centro Piloto de Formulações. Campinas, 1985.
TABELA 7
Resultados médios obtidos nas determinações das características físicas dos veículos "inertes" pertencentes a grupos divresos Centro Piloto de Formulações. Campinas, 1985.
TABELA 8
Resuhados mMios obtidos nas determinações das características físicas dos veículos "inertes" do grupo das Argilas. Centro Piloto de Formulações. Campinas, 1985.

Quanto as diatomitas por possuirem uma densidade aparente muito baixa, não são adequadas no emprego em formulações de defensivos agrícolas, pois terão um volume muito grande para pouco peso de produto.

Portanto, ao usar um inerte fora de especificações ou decorrência de uma escolha inadequada, com certeza terá problemas com o produto final acabado.

QUADRO 1 - Relação de firmas elou produtoras dos materiais "inertes" pesquisados.

1. Empresa de Mineração Antonio Mendes Ltda.

2. Minérios Ouro Branco Ltda.

3. Beneficiadora de Minérios Curucá.

4. Magnesita S.A.

5. Minebra - Minérios Brasileiros S.A.

6. Mineraçlro Montita Ltda.

7. Mineradora Lagoa Bonita - Socavão Ltda.

9. Ind. de Talco e Cia. Ltda.

12. Ciernil Com. e Ind. Exp. de Minérios Ltda.

13. Brasil Minas.

14 - Lavras Santo Amaro S.A.

15. Costalco Mineraçlro Ind. e Com. Ltda.

17. Rhódia S.A. Divislro Química Mineral

19. J. de Augustinis e Cia. Ltda.

22. Mineração Mibay

23. Empresa de Mineração Lopes Ltda.

25. Mineradora Moraes Ltda.

27. Abraão Machie e Com. Ltda.

31 . Mineração Itapeva Ltda.

32. Soe. Min. Ceramite Ltda.

33. Cia. Nacional de Grafite.

34. Cia. Extrativa Dolomia

35. Mineragäo e Benef. de Min. ARGOS

37. Bemil Beneficiadora de Minerais Ltda.

38. Mineragäo Corimbaba Ltda.

39. Menegral Cia. Bras. de Mineragäo Ind. e Com.

40. Taiyo Mineragäo Ltda.

REFERENCIAS BIBLIOGRÅFICAS

  • 1 ASSOCIACÄO BRASILEIRA DE NORMAS TÉcNICAS. MetodologiÅ de ensaios de defensivos agrfcolas: NBr 8511, Säo Paulo, ABNT 1984.
  • 2 AUGUSTO, Nilson T. - Influéncia do valor do pKa em inertes na estabilidade de produtos formulados a base de Endrin e Paration Etflico, durante o armazenamento. Biolågico, Säo Paulo, 50: 285-8, 1984.
  • 3 AUGUSTO, Nilson T. - Desenvolvimento de Formulagöes de Endrin e Paration, p6s molhåveis, usando LIGNOSSULFONATOS derivados da LIGNINA como agente dispersante. Biolågico, Säo Paulo, (51): 119-24, 1985.
  • 4 BARRETO, H. B. F. - Vefculos inertes usados nas formulagöes de defensivos agrfcolas. Biolågico, Säo Paulo, 43:25-8, 1977.
  • 5 BENESI, H. A. Acidity of catalyst surfaces. Acid strenght from colors adsorbed indicators. J. Am. Chem soc., 73:5490-4, 1956.
  • 6 HENRIET, J. J. Some corßiderations on the particle size determination in pesticides formulations. In: HERBICIDES, fungicides, formulation chemistry. Ad. GORDON & BRECH. 1973. V.5 pag. 471-84.
  • 7 ROSENFIELD, C. - Como avaliar as formulagöes de pesticidas: manual preparado durante o Projeto UNDP/SP, BRA-24, Säo Paulo - 1970.
  • 8 ROSENFIELD, C. & VALKENBURG, W. V. Decomposition of (0,0 Dimetyl 0-2, 4, 5 - Triclorophenyl) Phosphorothioate - (Ronnel) adsorbed on bentonite and other clays. J. Agric Food Chem. 13: pag. 68-72, 1965.
  • 9 SECRETARIA DE DEFESA SANITARIA VEGETAL - Ministério da Agricultura - Portaria n.0 6, de 08 de fevereiro de 1985. Diårio Oficial, Brasilia, 15.02.1985. Normas sobre o registro e renovaqäo de registro de produtos fitossanitårios ou defensivos agrfcolas.
  • 10 SYNNATSCHKE, G. & GUCKEL, W. The influence of the PK values of carriers on the storage stability of differente classes of active ingrediente in plant protection. In: HERBICIDES, fungicides formulation chemistry. Ed. GORDON & Brech. 1973. v. 5 pag. 553-65.
  • 11 URWYLER, H. & EICHENBERGER, J. Some aspects of chemical problems associated with the manufatured of formulated and their physical properties. In: HERBICIDES, fungicides formulation chemistry. Ad. GORDON & BRECH. V. 5 pag. 425-39, 1973.
  • 12 WALLING, C. The acid strenght of surfaces. J. Am. Chem soc. 72: 1164-8, 1950.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    21 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Dec 1988

Histórico

  • Recebido
    01 Set 1988
location_on
Instituto Biológico Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 - Vila Mariana - São Paulo - SP, 04014-002 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: arquivos@biologico.sp.gov.br
rss_feed Acompañe los números de esta revista en su lector de RSS
Ir para arriba Notificar error