Open-access FAUNA HELMÍNTICA DE BOVINOS PROCEDENTES DO MUNICÍPIO DE ELDORADO DO SUL, NO RIO GRANDE DO SUL, BRASIL1

HELMINTHIC FAUNA IN CATTLE PROCEEDING FROM THE MUNICIPALITY OF ELDORADO DO SUL, RIO GRANDE DO SUL, BRAZIL

RESUMO

Neste inquérito foram identificadas as seguintes espécies dehelmintos: Haemonchus similis (Travassos, 1904); Ostertagia ostertagi (Stiles, 1892); Cooperia oncophora (Railliet, 1898); Cooperia punctata (v.Linstow, 1907); Cooperia pectinata (Ranson, 1907); Cooperia spatulata (Baylis, 1938); Trichostrongylus axei (Cobbold, 1879); Trichostrongylus colubriformis (Giles, 1892); Bunostomum phlebotomum (Railliet, 1900); Nematodirus spatigher (Railliet, 1803); Trichuris discolor (v.Linstow, 1906); Moniezia benedeni (Moniez, 1879); Mamomonogamus laryngeus (Railliet, 1899); Dictyocaulus viviparus (Bloch, 1872) eParamphistomum spp. (Fischoeder, 1901). Todos os gêneros identificados apresentaram níveis moderados de infecção, evidenciando-se as parasitoses causadas pelos helmintos pertencentes às famílias Trichostrongylidae e Paramphistomidae.

PALAVRAS-CHAVE:
helmintos gastrintestinais; Trichostrongylidae; Paramphistomidae

ABSTRACT

This research identified the following species: Haemonchus similis (Travassos, 1904); Ostertagia ostertagi (Stiles, 1892); Cooperia oncophora (Railliet, 1898); Cooperia punctata (v.Linstow, 1907); Cooperia pectinata (Ranson, 1907); Cooperia spatulata (Baylis, 1938); Trichostrongylus axei (Cobbold, 1879); Tcolubriformis (Giles, 1892); Bunostomum phlebotomum (Railliet, 1900); Nematodirus spatigher (Railliet, 1896); Oesophagostomum radiatum (Rudolphi, 1803); Trichuris discolor (v. Linstow, 1906); Moniezia benedeni (Moniez, 1879); Mamomonogamus laryngeus (Railliet, 1899); Dictyocaulus viviparus (Bloch, 1782) and Paramphistomum spp (Fischoeder, 1901). All the genera identified revealed moderate leveis of infection showing evidence of the parasitoses determined for the helminths belonging to the Trichostrongylidae and Paramphistomidae families.

KEY WORDS:
gastrintestinal helminths; Trichostrongylidae; Paramphistomidae

Estudos preliminares sobre a "Fauna Helmíntica"de bovinos foram desenvolvidos na base física da fazenda "FlordoConde", localizadanazonabaixadomunicípio de Eldorado do Sul, outrora pertencente ao município de Guaíba, Estado do Rio Grande do Sul. Nesta propriedade, 12 animais com idade média de 8 meses e isentos de everminação foram submetidos à necropsias mensais, exames parasitológicos de fezes e coproculturas. Ressalta-se que foi necropsiado 1 animal/mês através da utilização da técnica de necropsia a campo.(UENO & GUTIERRES, 1989), no período de setembro de 1981 a agosto de 1982.

Neste inquérito foram identificadas as seguintes espécies dehelmintos de acordo com COSTA (1986) e UENO & GUTIERRES (1989): Haemonchus similis (Travassos, 1904); Ostertagia ostertagi (Stiles, 1892); Cooperia oncophora (Railliet, 1898); Cooperia punctata (v.Linstow, 1907); Cooperia pectinata (Ranson, 1907); Cooperia spatulata (Baylis, 1938); Trichostrongylys axei (Cobbold, 1879); Trichostrongylys colubriformis (Giles, 1892); Bunostomum phlebotomum (Railliet, 1900); Nematodirus spatigher (Railliet, 1803); Trichuris discolor (v.Linstow, 1906); Moniezia benedeni (Moniez, 1879); Mamomonogamus laryngeus (Railliet, 1899); Dictyocaulus viviparus (Bloch, 1782) e Paramphistomum spp (Fischoeder, 1901).

Todos os gêneros identificados apresentaram níveis moderados de infecção, evidenciando-se asparasitíases causadas pelos helmintos pertencentes às famílias Trichostrongylidae e Paramphistomidae.

Da família Trichostrongylidae destacaram-se pela intensidade parasitária, respectivamente, os gêneros: Haemonchus, Cooperia e Trichostrongylys. Sendo que as maiores taxas de infecção por vermes adultos foram observadas na primavera de 1981 e final de inverno de 1982. Período em que a temperatura média foi de 20 ºC, umidade relativa de 71,0% e precipitação pluviométrica de 95,7 mm.

Quanto ao gênero Paramphistomum far-se-á uma referência especial, dirigida às médias elevadas e constantes de infecção (887 espécimes/animal). No término da primavera de 1981, aquele Trematoda Paramphistomidae apresentou uma intensidade parasitária mais acentuada, quantificando-se em média 2.659 espécimes/animal com um OPG3 médio de 187.

Temeiros oriundos de Eldorado do Sul, naturalmente infectados por Paramphistomum spp, foram sacrificados e na realização do exame pós-morte foram observadas as seguintes alterações macroscópicas: no mesentério, tecido adiposo com aspecto gelatinoso e de coloração amarelo-ouro (processo de degeneração gordurosa); presença de líquido na cavidade peritoneal (ascite); intestino delgado apresentando corpúsculos avermelhados fixados na mucosa, com maior concentração na porção duodenal e numerosas erosões, petéquias e presença de muco sanguinolento, revestindo a mucosa. Estas alterações são esclarecidas por BENNET (1936) ao relatar que as metacecárias de Paramphistomum microbotrioides, quando ingeridas pelos ruminantes, se excistam no duodeno, onde permanecem até a terceira ou quinta semana, antes de alcançarem o rúmen. Salientou ainda, que algumas destas formas ficam aderidas à submucosa e à muscular da mucosa.

Referindo-se as alterações pós-morte, sabe-se que estes paranfistomídeos fixam-se na mucosa ruminai, através da ventosa acetabular, estrangulando-a em pequenas porções, formando saliências em forma de botões. Entre os estudiosos no assunto, existem algumas divergências. Mas ainda há quem afirme que estas alterações são apatogênicas (JENSEN & MACKEY, 1965), enquantoparaBORCHERT(1964)as lesões causadas por este paranfistomídeo adulto, em infecções maciças, facilitam a chegada de produtos metabólicos tóxicos à circulação hemática ou linfática do animal parasitado. A fim de se conseguir dados mais concretos sobre estas alterações, submeteu-se amostras de rúmens de bovinos parasitados, procedentes da fazenda Flor do Conde, a exames histopatológicos, obtendo-se os seguintes resultados: projeções da mucosa do rúmen em forma de botões, com infiltrações da lâmina própria por células linfóides e eosinófilos, enquanto que o epitélio apresentou hiperplasia e áreas de degeneração (JENSEN & MACKEY, 1965). Concluindo-se que a última alteração citada poderia atuar como porta de entrada para microorganismos, agentes de infecções secundárias.

Durante o período de estudos aFasciola hepática náo foi encontrada em fígados de bovinos nativos da fazenda e nem moluscos dulciaquícolas, hospedeiros intermediários deste trematódeo no meio ambiente. Porém, de acordo com os livros de protocolo sobre Diagnósticos em Parasitologia Animal do "Departamento de Pesquisa" da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Sul (1981-1988), este trematódeo foi diagnosticado pela autora em outras propriedades de Eldorado do Sul.

  • 1
    Financiado pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (EMBRAPA). Apresentado no VI SEMINÁRJO BRASILEIRO DE PARASITOLOGIA VETERINÁRJA, 1989, Bagé, RS.
  • 3
    Ovos por grama de fezes.
  • 4
    Resultado do exame do rúmem sob o n.3302/82, fornecido pela Equipe de Histopatologia do Departamento de Pesquisa da SAAb/RS.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • BENNET, H.J. The life history of Cotylophoron cotylophorum, the trematode from ruminants. Illinois Biai. Monogr., v.14, p.1-119, 1936.
  • BORCHERT, A. Parasitologia Veterinária. Zaragoza: Ed. Acribia, 1964. 745p.
  • COSTA, H.M. DE A.; GUIMARÃES, M.P.; LEITE, A.C.R.; LIMA, W.S. Distribuição de helmintos parasitos de animais domésticos no Brasil. Arq.Bras.Med. Vet.Zootec., v.38, p.465-579, 1986.
  • JENSEN, R. & MACKEY, D.R. Diseases of fedlot cattle. 2.ed. Philadelfia: Lea & Febiger, 1965. 377p.
  • UENO, H. & GUTTERRES, V.C. Manual para diagnóstico dashelmintoses de ruminantes. 2.ed. Tok:yo: Japan Intemational Cooperation Agency, 1989. 166p.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Dec 1995

Histórico

  • Recebido
    26 Mar 1993
  • Revisado
    Mar 1995
  • Aceito
    Jun 1995
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