Open-access O MONSTRO PRECIADO E AS QUESTÕES COLOCADAS À PSICANÁLISE

The monster Preciado and the questions posed to Psychoanalysis

RESUMO:

O artigo analisa a crítica de Paul B. Preciado à psicanálise em Eu sou um monstro que vos fala, com foco na denúncia da filiação da psicanálise à epistemologia da diferença sexual como matriz normativa. A discussão interroga a atualidade da concepção psicanalítica de diferença sexual em face das transformações sociopolíticas e subjetivas. A crítica do monstro é tratada como oportunidade de rever os fundamentos epistêmicos da psicanálise diante das mutações contemporâneas nos campos do gênero e da sexualidade. Sustenta-se que a psicanálise pode reencontrar sua força crítica na escuta do que insiste como irrepresentável.

Palavras-chave:
epistemologia da diferença sexual; Paul. B. Preciado; psicanálise

ABSTRACT.

The article analyzes Paul B. Preciado’s critique of psychoanalysis in Can the Monster Speak, focusing on his denunciation of the discipline’s affiliation with the epistemology of sexual difference as a normative framework. The discussion questions the current relevance of the psychoanalytic conception of sexual difference in light of contemporary sociopolitical and subjective transformations. The monster’s critique is treated as an opportunity to reconsider the epistemic foundations of psychoanalysis in the face of ongoing mutations in the fields of gender and sexuality. It is argued that psychoanalysis can recover its critical force by listening to what persists as unrepresentable.

Keywords:
epistemology of sexual difference; Paul B. Preciado; psychoanalysis

Introdução

Este artigo tem por objetivo analisar as formulações de Paul B. Preciado sobre a psicanálise no livro Eu sou um monstro que vos fala 1, com ênfase em sua denúncia da epistemologia da diferença sexual e na articulação que estabelece entre essa noção e o funcionamento do regime farmacopornográfico. Partiremos da explicitação dos fundamentos dessa epistemologia para, em seguida, apresentar o diagnóstico de Preciado quanto à sua obsolescência e seus efeitos de violência epistêmica, por não considerar válidos certos corpos e subjetividades. Por fim, discutiremos os desafios que essa crítica impõe à psicanálise contemporânea.

Em Eu sou um monstro que vos fala (2020), Paul B. Preciado formula uma das críticas contemporâneas mais incisivas à psicanálise, compreendida por ele não apenas como prática clínica e teoria do funcionamento e da constituição do psiquismo, mas, sobretudo, como regime epistemológico e político. Para o autor, a psicanálise se mantém ancorada em uma epistemologia binária da diferença sexual, no interior da qual masculino e feminino são pensados como categorias fixas, naturais e complementares, e que organizam a inteligibilidade do desejo e da subjetividade - e mesmo, de modo mais amplo, nossa relação com o mundo e seus objetos. Em sua concepção, essa epistemologia não apenas estrutura os conceitos fundadores da teoria - como o complexo de Édipo, o falo, a castração -, mas também opera como matriz normativa que orienta a escuta clínica e a psicopatologia.

O filósofo trans nomeia esse regime como epistemologia da diferença sexual: um sistema de oposições que sustenta regimes de verdade sobre os corpos, os gêneros e os modos de vida, convertendo diferenças históricas em leis psíquicas e destino normativo. Crítica que se insere em um contexto mais amplo de questionamento dos processos de naturalização e normatização das categorias sexuais, tal como encontramos nos trabalhos de autoras como Judith Butler, Luce Irigaray e Donna Haraway. Preciado, todavia, vai além, ao sugerir que a psicanálise opera como tecnologia política de controle e normalização das subjetividades, notadamente daquelas que escapam aos moldes prescritos pelo regime epistemológico que o filósofo procura descrever - e que a psicanálise, segundo ele, subscreve. Em uma fórmula de impacto, refere-se a ela como a “ciência do inconsciente patriarco-colonial” (Preciado, 2020, p. 78).

Essa crítica à psicanálise só pode ser bem compreendida quando se considera a noção de regime farmacopornográfico, um regime de produção e governo da subjetividade definido por Preciado (2018, p. 84) como “um terceiro sistema de saber-poder, diferente do soberano e do disciplinar”. Neste regime de subjetivação, corpos, gêneros e desejos não são apenas produzidos discursiva ou performaticamente, pois são também modulados por tecnologias biomédicas, midiáticas e farmacológicas.

Devido a essas mutações, a psicanálise, que manteria a insistência na diferença sexual como fundamento da subjetivação, teria se tornado inadequada para lidar com os modos de subjetivação contemporâneos. Mais que isso: ela representaria um obstáculo à afirmação de existências dissidentes, visto que signatária da epistemologia da diferença sexual; ela daria sua parte de contribuição para a produção de monstros, isto é, de corpos e modos de vida ininteligíveis em face de seus pressupostos. Para ela, ser humano corresponderia, forçosamente, a ser homem ou ser mulher.

O monstro, nesse sentido, não é a produção defeituosa de uma natureza de tal modo maculada, mas o efeito direto de um regime de verdade que, ao delimitar os contornos do que pode ser reconhecido como humano, estabelece, no mesmo gesto, seu avesso monstruoso. Ao estabelecer uma matriz binária e complementar entre homem e mulher, a epistemologia da diferença sexual institui não apenas os sujeitos possíveis, mas também os impossíveis - aqueles cuja existência extrapola os marcos normativos da inteligibilidade. O monstro, portanto, não nasce, mas é discursiva e tecnologicamente construído: “Eu sou o monstro que vocês construíram com seus discursos e suas práticas” (Preciado, 2020, p. 17) - diz o autor à sua audiência de psicanalistas.

O monstro é então a figura daquele que, por não corresponder aos imperativos da inteligibilidade sexual - ser, fora de dúvida, homem ou ser mulher, conforme os códigos da ordem social dominante -, é rejeitado como sujeito pleno, restando como corpo abjeto, desautorizado, silenciado. O monstro é tudo aquilo que extrapola o domínio da norma. Na linha de Foucault, Preciado demonstra como os discursos interessados em estabelecer a verdade do sexo acionam, necessariamente, mecanismos de exclusão. Desse modo, a monstruosidade está menos no sujeito sobre o qual recai essa pecha do que nos limites epistêmicos da racionalidade sexual moderna que, ao tentar organizar o campo da sexualidade, produz sistematicamente o além de si mesma - seu resto, seu excesso monstruoso.

A crítica do filósofo é contundente, sem dúvida. Mas gostaríamos de sustentar, na contramão da postura hegemônica, que, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, ela não é apenas negativa ou desconstrutiva, pois se trata, para ele, de dar ensejo à construção de uma psicanálise que possa funcionar como “uma tecnologia de invenção de subjetividades dissidentes face à norma” (Preciado, 2020, p. 125). Neste sentido, as reações defensivas de muitos psicanalistas diante das críticas parecem revelar o desejo de proteger certa visão de mundo respaldada por um regime epistemológico que, embora a maioria dos psicanalistas insista em afirmar que não endossa, parece constituir ainda um elemento central e mesmo estruturante da prática clínica e da elaboração teórica. Essa filiação não inteiramente assumida à epistemologia da diferença sexual pode assim estar na base da desconfiança generalizada, por parte da comunidade analítica, frente às dissidências de gênero.

Pensamos que a intervenção de Preciado não pode ser reduzida à crítica a um saber, mas deve ser compreendida, de maneira mais ampla, como uma tomada de posição no campo das disputas sobre os regimes de verdade que orientam as formas como compreendemos os corpos e as subjetividades. Trata-se de problematizar os critérios segundo os quais certas formas de vida são consideradas válidas ou inteligíveis, enquanto outras são percebidas como desvios, aberrações monstruosas ou patologias.

1. A epistemologia da diferença sexual

Como vimos, a crítica de Paul B. Preciado à psicanálise se funda na recusa, pelo filósofo trans, daquilo que denomina epistemologia da diferença sexual. O filósofo faz notar que a disciplina freudiana é contemporânea à cristalização dos elementos centrais desse regime epistemológico, que, por isso mesmo, funciona como terreno histórico e epistemológico no qual a psicanálise assenta suas bases (Preciado, 2020). Ao fazê-lo, ela se torna signatária de uma política da marginalização de tudo aquilo que escapa à lógica binária que reina no interior dessa epistemologia.

Para a psicanálise, o sexo não é considerado um dado biológico bruto. Apesar disso, tanto em Freud quanto em Lacan, a sexualidade permanece organizada em torno da diferença entre os sexos como uma diferença primeira, fundacional, na medida em que estrutura os modos possíveis de subjetivação. Muito cedo, Freud ([1905]1996) propôs sua tese da bissexualidade originária, mas, gradativamente, o autor a submete à lógica edipiana, reinserindo-a em uma narrativa que conduz, forçosamente, à assunção de uma identidade masculina ou feminina (Haute; Geyskens, 2017). De sua parte, Lacan se esforça para deslocar essa diferença da esfera da anatomia para aquela da lógica. No entanto, para Preciado (2020), sua tentativa não é de todo bem-sucedida. O binarismo permanece intransponível.

Isso porque, para o filósofo, a psicanálise permaneceria tributária de uma epistemologia binária que teria efeitos performativos. A disciplina freudiana prescreveria modos legítimos de existência, recaindo em uma naturalização insuspeita que teria por efeito mascarar o caráter histórico, político e tecnológico da própria constituição das categorias de sexo e de gênero. Para Preciado, a diferença sexual, longe de ser uma evidência anatômica, é uma ficção normativa que opera como dispositivo de poder que, ao prescrever modos de subjetivação, é produtora de monstros, na medida em que não reconhece como inteligíveis certas configurações subjetivas.

Apesar de Preciado não ter sido o primeiro a questionar as concepções de gênero e de sexualidade da psicanálise, o filósofo introduz uma inflexão decisiva nesse debate. Para o autor, ao permanecer ancorada na epistemologia da diferença sexual, a psicanálise arrisca se tornar um saber datado, incapaz de fazer frente às transformações tecnopolíticas da contemporaneidade. Assim, em vez de acompanhar as mutações dos corpos e dos modos de subjetivação, o aparato conceitual da psicanálise tenderia a condená-las, operando como instância de normatização de tudo aquilo que escapa às expectativas no regime epistemológico da diferença sexual.

Essa epistemologia não se confunde com um modelo teórico, mas opera como uma verdadeira tecnologia de poder e de produção de subjetividades. Não se trata de uma descrição do mundo, mas de sua produção. Preciado é incisivo ao caracterizá-lo como “uma máquina performativa” (Preciado, 2020, p. 68), isto é, uma engrenagem discursiva e tecnológica que produz os corpos sexuais e as formas de vida legíveis dentro de seus parâmetros. Nesse contexto, o bebê humano só é reconhecido como sujeito a partir do momento em que é designado como menina ou menino, inscrição que opera como ato inaugural da humanização. Aquelxs que não se encaixam em nenhum destes gêneros “ficam fora do humano, constituem a rigor o domínio do desumanizado e do abjeto, em contraposição ao qual o próprio humano se estabelece” (Butler, 2015, p. 193-194). Ou o domínio dos monstros, para dizer com Preciado. No caso da psicanálise, tal epistemologia se faz passar por marcador de entrada na ordem simbólica, inscrevendo-se em uma espécie de antropogênese de base psicanalítica que delimitaria as fronteiras entre o humano e o monstruoso.

A utilização, por Preciado, da expressão regime epistemológico remete, pensamos, a Foucault e sua noção de regimes de verdade. Nos dois casos, trata-se de uma organização histórica e política do saber que permite definir o que pode ser conhecido, quem é sujeito e quem é objeto do conhecimento, o que conta como prova de validação e quais corpos ou experiências são reconhecidas ou, ao contrário, excluídas. Ancorada nesse regime, a psicanálise inadvertidamente contribui para a exclusão e patologização de modos de vida que não se conformam às normas binárias da cisgeneridade e da heterossexualidade. Para Preciado, trata-se de interrogar esse efeito de verdade. Daí porque sua crítica, muito embora dirigida a um conjunto de psicanalistas, não pode ser reduzida à crítica a um saber, devendo ser compreendida, mais amplamente, como uma tomada de posição ativa no campo das disputas sobre o que pode ser considerado legítimo a respeito do corpo, do gênero e da sexualidade.

Nesse sentido, a epistemologia da diferença sexual é aquilo que, ao se manter binário, elimina as frestas, as interseções e impede o pensamento da multiplicidade. Ao fixar o sujeito entre dois polos - masculino ou feminino -, os saberes fundados nesta epistemologia findam por excluir do campo do pensável - e do possível - tudo aquilo que se apresenta como variação, trânsito ou desvio em relação a esse eixo. Daí a urgência, segundo Preciado, de desvelar o caráter de construção tecnológica deste regime, permitindo pensar o corpo falante - expressão comum a Lacan e Preciado, diga-se - fora da matriz binária.

2. O regime farmacopornográfico

A crítica de Preciado à psicanálise devido à adesão desta à epistemologia da diferença sexual como máquina performativa só pode ser bem compreendida quando se leva em conta as transformações biopolíticas que reconfiguram os modos de gestão dos corpos e dos gêneros e da sexualidade na contemporaneidade. O autor nomeia esse novo regime de produção de subjetividades como regime farmacopornográfico (Preciado, 2018), expressão que articula duas dimensões aparentemente díspares, isto é, o farmacológico e o pornográfico. Trata-se de uma forma histórica específica da construção dos corpos e da gestão dos afetos, característica do capitalismo avançado, que dispensa a necessidade da diferença sexual, todavia necessária na fase industrial do capitalismo. Lembremos, a propósito, que esse período industrial do capitalismo cobre o nascimento da psicanálise, cujo destaque dado à família nuclear já fora objeto de crítica (Deleuze; Guattari, [1972] 2011).

No regime farmacopornográfico, por outro lado, o corpo perde seu caráter pretensamente natural; o sexo anatômico deixa de ter valor ontológico, como base imutável, e a distinção entre masculino e feminino vê esmaecer seus contornos outrora bem definidos, dando lugar à proliferação de subjetividades dissidentes do sistema binário. Tais mutações não se limitam ao plano simbólico ou meramente discursivo, mas incluem e são sustentadas por tecnologias materiais que operam diretamente sobre os corpos. Eis porque Preciado amplia o campo de análise de autores como Foucault e Butler de modo a tecer uma genealogia das formas contemporâneas de governo da vida. Segundo o autor, hoje, o “gênero não é simplesmente performativo (isto é, um efeito das práticas culturais linguístico-discursivas) como desejaria Butler” (Preciado, 2017, p. 29). Além disso, em suas análises, Foucault teria negligenciado “a emergência de um conjunto de profundas transformações das tecnologias de produção do corpo e da subjetividade que apareceram progressivamente com o começo da Segunda Guerra Mundial” (Preciado, 2018, p. 84). É disso que a proposição do regime farmacopornográfico vem dar conta.

Este regime teorizado por Preciado não deve ser entendido como mero período histórico que vem tomar o lugar do regime disciplinar, tal como analisado por Foucault. Esse terceiro sistema de saber-poder (Preciado, 2018), diferente do soberano e do disciplinar, “não oblitera totalmente as técnicas biopolíticas disciplinares” (Preciado, 2018, p. 85). As técnicas de governo biopolíticas, que atuam sobre a vida das populações, são a antessala das formas mais capilares de controle analisadas por Preciado. “Esta é a era das tecnologias suaves, ligeiras, viscosas e gelatinosas, que podem ser injetadas, inaladas - incorporadas” (Preciado, 2018, p. 85).

Com efeito, no regime descrito pelo filósofo espanhol, as técnicas de normalização perdem a rigidez dos sistemas disciplinares e passam a operar de maneira difusa, diretamente sobre os corpos. O poder, agora, age no nível molecular, endócrino, psíquico, conectivo. Ele se infiltra na carne e se faz corpo. A governamentalidade contemporânea se exerce por meio de substâncias químicas, hormônios sintéticos, psicofármacos, imagens que excitam e plataformas digitais. Trata-se de um poder que não mais interdita, mas incita; que não mais proíbe, mas estimula, produz, otimiza e modula formas de vida.

Nesse regime, a distinção entre o natural e o artificial se esmaece. Antes compreendido como base ontológica a partir da qual se erigiam as diferenças sexuais, o corpo se converte em um espaço de múltiplas intervenções técnicas. “Masculino ou feminino é a primeira distinção que os senhores fazem quando se encontram com outro ser humano, e estão habituados a fazer essa distinção com indubitável certeza” - disse Freud em uma conferência em 1933. Em 2025, já não estamos mais tão seguros assim. De categoria fixa, como passara a ser percebido na modernidade ocidental (Laqueur, 2001), o sexo cede lugar a um sistema de signos corporais em constante reconfiguração. Por sua vez, a identidade de gênero, antes pensada como produto das diferenças anatômicas, torna-se passível de experimentação e autogestão.

A crítica à psicanálise encontra aí sua razão de ser. Pois, se os corpos e as subjetividades estão sendo reconfigurados por tecnologias biomoleculares, devemos nos perguntar como pode a disciplina freudiana continuar operando com categorias herdadas, forjadas no século XIX. Ao desconsiderar o impacto dessas transformações, a psicanálise arrisca se tornar um saber obsoleto. Além disso, é preciso ainda considerar que a gestão farmacopornográfica das subjetividades não é algo que diga respeito apenas aos que realizam em si mesmos experiências de transição de gênero. Os corpos considerados “normais” são, hoje, igualmente fabricados e produzidos tecnologicamente, tornando “impossível estabelecer onde terminam ‘os corpos naturais’ e onde começam ‘as tecnologias artificiais’” (Preciado, 2017, p. 158).

A crítica de Preciado aponta para a necessidade de reinventar os dispositivos clínicos e teóricos levando em consideração as mutações paradigmáticas que o autor descreve. Trata-se de poder trabalhar para a construção de dispositivos clínicos e teóricos que nos permitam acolher formas de vida que não se deixam capturar pelas ficções binárias, nem pelos modelos edipianos que ainda embasam parte considerável da prática psicanalítica.

3. O que a crítica do monstro exige da psicanálise?

No discurso que deu origem ao livro Eu sou um monstro que vos fala, Preciado evoca sua própria experiência de transição de gênero para convocar a revisão dos fundamentos sobre os quais a psicanálise teria construído suas concepções de gênero e sexualidade. O filósofo queixava-se, então, que os saberes psi não reconheciam os dissidentes do sistema sexo-gênero como pessoas capazes de formular um conhecimento válido e coerente sobre si mesmos, tomando-os, antes, como objetos dos saberes especializados. Ora, desta feita, era um homem trans quem estava na posição de ensinar uma ou duas coisas a um conjunto de psicanalistas. O “objeto de estudo torna-se sujeito e aquele que até agora era o sujeito aceita se submeter a um processo de estudo, de questionamento e de experimentação. Ele aceita mudar” (Preciado, 2020, p. 123).

Sua intervenção desestabiliza as fronteiras tradicionais que separam quem fala de quem escuta, quem formula o saber daqueles a quem o saber se aplica. Ao colocar-se como monstro ante sua audiência de psicanalistas - logo, como ser abjeto e irrepresentável -, Preciado questiona a capacidade da psicanálise de escutar o que, segundo ele, ela mesma teria rejeitado. A fala do monstro não busca reconhecimento, acolhimento da norma, mas interroga os aparatos responsáveis pela construção da diferença entre norma e abjeção, entre inteligibilidade e monstruosidade.

Falar como monstro é falar a partir de um lugar desautorizado. Ao contrário do que a reação hegemônica da comunidade analítica parece indicar, a crítica que emerge daí não visa demolir a psicanálise, mas procura fazê-la reconhecer sua subscrição à ideia da diferença sexual como estrutura universal, como “um meta-sistema quase tão rígido quanto as noções modernas de sexo e de diferença anatômica” (Preciado, 2020, p. 92). Nesse sentido, a figura do monstro denuncia o que foi naturalizado como necessário: a identificação compulsória com um dos polos do binário sexual como condição de entrada no campo do humano. A subjetivação é pensada em consonância com o regime da diferença sexual.

O discurso do monstro, é preciso que se diga, não tem como alvo declarações preconceituosas de alguns psicanalistas. Afirmar isso é não compreender o alcance da crítica. Esta concerne, mais profundamente, aos alicerces epistêmicos da psicanálise, à sua inscrição histórica em uma matriz que, ao fazer da diferença sexual o princípio organizador da subjetividade, faz da identificação com “homem” ou “mulher” a condição da humanização. Nesse sentido, a crítica preciadiana convoca o campo analítico a reabrir seus conceitos ao risco das experiências que colocam em xeque o modo como os corpos foram codificados na modernidade.

O filósofo exige da psicanálise que ela possa abdicar de sua pretensão universalista, o que implica se reconhecer como saber situado. Contemporânea à cristalização das noções centrais da epistemologia da diferença sexual, no século XIX, a psicanálise nasce em um contexto histórico de consolidação do capitalismo industrial e da família nuclear, isto é, nasce imersa em uma determinada configuração de saber-poder. Muitas de suas noções principais - o édipo, a correspondente centralidade do pai, o falo - já não parecem preservar o mesmo lugar que ocupavam anteriormente. As mutações somatopolíticas que Preciado ajuda a compreender não apenas parecem refratárias a essas categorias, como frequentemente as desestabilizam.

Essas transformações impõem consequências à escuta do analista. Preciado nos permite interrogar o que, da nossa escuta, é ainda tributário do regime da diferença sexual como estrutura universal. Trata-se de saber se estamos escutando o sujeito em sua singularidade, como propôs Lacan em sua formalização do discurso do analista (a  $), ou, ao contrário, se estamos aplicando esquemas herdados de outra época, esquemas incapazes de manter a psicanálise à altura do tempo presente e que reiteram processos de exclusão de subjetividades ininteligíveis ou monstruosas em face das nossas concepções. Daí a necessidade de retornar aos conceitos centrais da psicanálise à luz das mutações contemporâneas da subjetividade. No limite, isso pode corresponder à reinvenção do arcabouço teórico e do dispositivo clínico de modo a garantir seu aggiornamento.

A crítica do monstro exige, portanto, deslocamento do lugar daquele que escuta. Ela demanda que o analista consinta em perder as garantias simbólicas com as quais operava até então. O desafio consiste em ocupar um lugar tal que permita o reconhecimento não identitário de modos de gozo que excedem o binarismo sexual e de gênero, de sujeitos que falam a partir de corpos tecnologicamente modificados. Isso implica deixar-se desestabilizar por aquilo que questiona nossa rede teórica de inteligibilidade. Por isso, aliás, o filósofo critica (Preciado, 2020) nosso insistente retorno a Freud e a Lacan na busca de respostas para questões que não estavam no horizonte de preocupação destes autores.

A crítica do monstro demanda a transformação da teoria. E, nesse ponto, talvez a questão mais importante consista em saber se a psicanálise está disposta a se deixar afetar por aquilo mesmo que ela não soube escutar, se ela está disposta a mudar. Eis a exigência.

4. Contribuições e impasses

A crítica desenvolvida em Eu sou um monstro que vos fala opera como uma exigência de trabalho endereçada ao campo analítico. Preciado direciona nosso olhar para os nossos pressupostos teóricos e nos convida a tomar parte na elaboração coletiva de uma nova epistemologia, que contorne o caráter compulsório da identificação com um dos dois gêneros inteligíveis. Ao questionar os alicerces mesmos da teoria, Preciado desloca o debate do plano das identidades ou da inclusão para aquele, mais incômodo, dos fundamentos. Sua crítica implica que nos perguntemos não apenas se podemos conferir reconhecimento a corpos que escapam da epistemologia binária, mas se somos capazes de reconhecer que a psicanálise dá sua parte de contribuição para a produção de figuras do impossível, graças aos nossos próprios sistemas de leitura e interpretação.

Em um mundo que já não é mais aquele de Freud ou de Lacan, o sujeito não é mais definido pelo lugar determinado a ele pelo Outro, porém, aquele cujo corpo é laboratório e superfície de operações políticas, farmacológicas e técnicas. A figura do “monstro”, que Preciado assume como operador conceitual, encarna esse deslocamento: trata-se do sujeito que se recusa a habitar os lugares previstos - e prescritos - pelas categorias dominantes, que rejeita os termos da inteligibilidade hegemônica e exige novas formas de reconhecimento. O monstro não reivindica simplesmente um lugar dentro da ordem simbólica vigente - ele denuncia os efeitos de exclusão implicados na própria constituição dessa ordem.

Um impasse se delineia aqui, pois o estudo das reações do campo analítico às críticas do monstro nos faz perguntar até que ponto estamos efetivamente dispostos a rever os fundamentos da nossa teoria. Será que os conceitos forjados por Freud e Lacan resistem ao teste do tempo? Será que as ferramentas que herdamos desses autores permitem contemplar a proliferação contemporânea dos modos de gozo e das formas de vida sem recair na patologização? Pensamos que essa tarefa exige que a psicanálise deixe de se apoiar em uma lógica de defesa de fronteiras (Ayouch, 2019) e passe a sustentar sua vocação para o não-saber e para a escuta do que não tem nome.

Nesse contexto, as fórmulas da sexuação, propostas por Lacan, têm sido objeto de reexame. Isso porque elas consistem na mais forte teorização lacaniana sobre a diferença sexual e têm sido convocadas como instrumento de leitura de como a psicanálise pode, ou não, se abrir à reinvenção de suas categorias diante da alteridade sexual e de gênero. Elas representam, de fato, um notável esforço de formalização da diferença sexual como estrutura lógica e não anatômica, sobretudo ao introduzir a noção de gozo não-todo, um gozo aberto à infinitização e, por isso mesmo, não identitário. Gozo este, aliás, que tem sido aparentado à racionalidade queer, dadas suas características essencialmente anti-identitárias (Fajnwaks, 2015), expressas no fato de que a posição não-toda é apresentada por Lacan como um conjunto aberto formado por elementos díspares e singulares. Moreira (2021, p. 42) vai mais longe, chegando a afirmar que “as modificações no campo da experiência sexual que o movimento queer representa, sem querer representar, podem ser lidas como manifestações do não-todo”.

Esta leitura, sem dúvida interessante, finda, entretanto, por apresentar a racionalidade das fórmulas como algo que se aproxima bastante de um metassistema transcendente que paira acima das evoluções históricas e é capaz de explicá-las, tal como criticou Preciado (2020). Tal problema parece ser o resultado da formalização lógica lacaniana, que, ao se apresentar como pura formalização, tende a mascarar o fato de que toda construção lógica ou simbólica está imersa em relações de poder historicamente construídas. Nesse sentido, as fórmulas lacanianas não operariam fora da história, mas, ao contrário, participariam de um regime de validação que é socialmente e culturalmente situado.

Não é por acaso, portanto, que o esquema se mantém organizado em torno de dois conjuntos, o que nos obriga a perguntar: não haveria aí uma fidelidade residual à estrutura binária que se pretendia superar? Fabrice Bourlez (2018, p. 232) formula a questão de modo preciso: “A oposição, mesmo que não complementar, entre o gozo fálico, lado homem, e o gozo suplementar, lado mulher, não é o decalque do binarismo reinante?”. Toda a questão consiste em saber se a concepção lacaniana da diferença sexual, tal como proposta no quadro da sexuação, consegue escapar da matriz cultural que a informa.

De nossa parte, pensamos que, ainda que apresentadas sob a forma de quantificadores lógicos, as fórmulas da sexuação não estão isentas de implicações históricas e culturais. Elas não emergem em um vácuo, mas respondem a certo regime de saber sobre o sexo. Nesse sentido, reconhecer sua sofisticação lógica não pode significar deixar de interrogar a própria lógica que as sustenta. A potência subversiva das fórmulas, porque pretensamente à parte da lógica de gênero, tem servido como salvo-conduto, permitindo ao psicanalista se esquivar das críticas sem se dar ao trabalho, decerto árduo, de interrogar os alicerces epistêmicos nos quais o discurso analítico se assenta. Com frequência, alega-se que as críticas são fruto de mal-entendidos ou leituras enviesadas (Dafunchio, 2018).

A crítica do filósofo dá ensejo para interrogar a suposta pureza lógica das fórmulas. Ela permite levantar a hipótese de que até mesmo os recursos mais formalizados da teoria estão marcados por concepções generificadas que operam como condição de possibilidade dessas mesmas construções teóricas. Mesmo a abertura das fórmulas à multiplicidade do gozo, por meio da noção de gozo não-todo, pode, nesse caso, mascarar seu pertencimento a um regime que organiza o campo do sexual em função de dois polos - as posições masculina e feminina -, ainda que tais polos sejam apresentados como irredutíveis às definições anatômicas dos gêneros.

Com isso, não defendemos que as fórmulas devam ser descartadas, mas que seu estatuto deve ser problematizado. Cabe interrogar, sobretudo, sua atualidade ou, ao contrário, sua obsolescência em face das mutações descritas. Interrogamos, ainda, se pode haver lógica que se pretenda neutra quando falamos do campo sexual e do gozo dos corpos. Nesse sentido, os questionamentos dirigidos pelo filósofo à concepção de diferença sexual da psicanálise - ainda que não diretamente voltados às fórmulas - podem servir como contrapeso à sua desinscrição histórica. Situá-las em um determinado contexto histórico e político significa reconhecer seus méritos, mas também seus limites.

E isto não significa abandonar a psicanálise. Pelo contrário, trata-se de mantê-la viva e em movimento. Reconhecer nas fórmulas os resquícios da epistemologia moderna da diferença sexual nos permite avançar na construção de uma psicanálise menos normativa. Não se trata, então, de rejeitar a psicanálise, mas de trabalhar no sentido de mantê-la capaz de escutar os monstros de hoje, de acolher as formas de vida que não se adequam à gramática normativa que herdamos da modernidade.

A crítica-convite de Preciado implica reabrir o campo analítico ao que insiste como irrepresentável, impossível, monstruoso. O que pressupõe um questionamento dos limites de nossa teoria. Afinal de contas, manter-se fiel à invenção freudiana não significa reproduzir à risca os conceitos de Freud e de Lacan, mas a continuar a repensar e a reinventar a psicanálise.

Conclusão

O trajeto realizado até aqui teve como eixo a crítica de Paul B. Preciado em Em sou um monstro que vos fala, especialmente quanto à sua denúncia quanto à fidelidade da psicanálise à epistemologia da diferença sexual. Argumentamos, com o filósofo, que a disciplina freudiana, ao fazer da diferença dos sexos condição incontornável da subjetivação, reproduz um regime de verdade que prescreve modos de existência reconhecíveis, tornando-se insidiosamente cúmplice da exclusão de corpos e subjetividades que escapam às normas binárias.

Preciado estende à psicanálise um espelho incômodo. Nele, o saber analítico se revela atravessado por concepções historicamente datadas, mas tomadas como universais e a-históricas, renegando seu caráter culturalmente situado. Sua crítica não se limita à consideração pelo caráter discursivo-performativo das construções identitárias, mas inclui as modificações na materialidade do corpo resultantes do regime farmacopornográfico, que redesenha os modos de governo e gestão dos corpos e dos gêneros na contemporaneidade. Nesse contexto, o binarismo deixa de ser tomado como um fato inquestionável, como verdade imutável. Em decorrência, assistimos ao ocaso do regime que tomava a diferença binária entre homens e mulheres como condição de entrada no campo do humano.

Esse deslocamento impõe à psicanálise o desafio de repensar seus fundamentos. Como escutar sujeitos que não reconhecem no Édipo um destino, que não se inscrevem no par homem/mulher, que vivem seus corpos como plataformas tecnopolíticas? No lugar de ser pensada como um ataque que se desfaz da psicanálise, a crítica de Preciado pode - e talvez deva - ser compreendida como ocasião para mobilizar a força anti-normativa que a teoria psicanalítica abriga, mas também para reinventar a teoria, sempre que isso se fizer necessário.

Reinvenção que passa pela reconsideração das nossas ferramentas conceituais. As fórmulas da sexuação, por exemplo, que se propõem a abordar a diferença sexual em termos de gozo, como formalização não anatômica dessa diferença, têm sido reiteradamente mobilizadas para responder aos impasses colocados pelas experiências de gênero contemporâneas. Esse descompasso entre seu escopo formal e os usos que vêm recebendo torna-se, por isso mesmo, um ponto estratégico a ser interrogado. Tudo se passa como se elas pudessem ajudar a ler e interpretar questões ligadas ao gênero e à sexualidade, mas, curiosamente, estivessem imunes à análise do gênero como categoria crítica, bem como às concepções generificadas. No entanto, como procuramos sugerir, a sofisticação lógica dessas fórmulas e seu caráter formal não as torna imunes às marcas da cultura e da história no seio da quais as fórmulas vieram à luz. Tudo isso permite observar que, mais do que respostas, elas se tornam um campo particularmente fecundo para o exercício da crítica - crítica que não visa à sua rejeição, mas à sua reabertura.

É evidente que nem toda crítica formulada por Preciado deve ser comprada por seu valor de face. Tampouco se trata de se desfazer da psicanálise em nome de uma adaptação acrítica às demandas do presente. Entretanto, recusar-se a escutar tais críticas - como tem sido frequente no campo analítico - é, mais uma vez, perpetuar a segregação do que escapa às redes de inteligibilidade fornecidas pela teoria. Gesto profundamente anti-psicanalítico, pois devemos lembrar que foi justamente o que Freud tentou evitar ao fundar a psicanálise como saber interessado pelo que escapa à norma e pelo que retorna como resto do saber hegemônico. Nesse sentido, os monstros são hoje, para a psicanálise, o que a histeria foi para Freud: eles nos ensinam, nos provocam, nos obrigam a trabalhar.

A escuta do “monstro” implica deslocar o saber do analista de modo a colocá-lo à prova. Implica também reconhecer que os corpos que hoje atravessam a clínica não são os mesmos corpos que Freud escutou no início do século XX, nem mesmo os que Lacan recebeu nos últimos decênios do mesmo século. Portanto, a psicanálise só poderá manter-se viva se for capaz de se reinventar a partir desse novo corpo que lhe fala. Trata-se, enfim, de escutar o que ainda não tem nome, de acolher o que não se deixa representar no interior da matriz de inteligibilidade hegemônica. Há uma dimensão ética incontornável na proposta do filósofo trans. Trata-se, para nós, de ouvir o que teoria ainda não alcançou, o que quer dizer ouvir a partir do nosso não-saber. Mas isso só pode ser feito a partir da interrogação dos nossos pressupostos - inclusive daqueles que se apresentam sob a forma de rigor formal. Eis onde o discurso do monstro talvez mais nos desafie.

Referências

  • AYOUCH, T. Psicanálise e fronteiras: hibridações. In: PASSOS, M. C.; SAMPAIO, M. A. (orgs.). Psicologia clínica nas fronteiras: saúde, educação e cultura. Curitiba: CRV, 2019, p. 63-84.
  • BOURLEZ, F. Queer psychanalyse: clinique mineure et déconstruction du genre. Paris: Hemann Éditeurs, 2018.
  • BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.
  • DAFUNCHIO, N. S. Nudos del amor Buenos Aires: Ed. Del Bucle, 2018.
  • DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O anti-Édipo (1972). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2011a.
  • FAJNWAKS, F. Lacan et les théories queer: maletendus et méconnaissances. In: FAJNWAKS, F.; LEGUIL, C. Subversion lacanienne des théories du genre Paris: Éditions Michèle, 2015, p. 19-45.
  • FREUD, S. A feminilidade (1933). In FREUD, S. Obras incompletas (v. Amor, sexualidade, feminilidade,). Belo Horizonte: Autêntica, 2019, p. 313-345.
  • FREUD, S. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905). Rio de Janeiro: Imago, 1996. (Edição standard brasileira das obras psicológicas completas, 7, p. 128-229)
  • HAUTE, P.; GEYSKENS, T. Psicanálise sem Édipo? Uma antropologia clínica da histeria em Freud e Lacan. Belo Horizonte: Autêntica , 2017.
  • LACAN, J. Mais, ainda (1972-1973). Rio de Janeiro: Jorge Zahar , 2008. (O Seminário, 20)
  • LAQUEUR, T. Inventando o sexo: corpo e gênero dos gregos a Freud. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.
  • MALEVAL, J-C. Quand Preciado interpelle la psychanalyse. Lacan Quotidien, n. 856, p.1-9, 2019. Disponível em:Disponível em:https://blogs.mediapart.fr/j-c-maleval/blog/071219/quand-preciado-interpelle-la-psychanalyse Acesso em: 16 out. 2025.
    » https://blogs.mediapart.fr/j-c-maleval/blog/071219/quand-preciado-interpelle-la-psychanalyse
  • MOREIRA, M.M. O feminismo é feminino? A inexistência da mulher e a subversão da identidade. Belo Horizonte: Scriptum, 2021.
  • PRECIADO, P. Je suis un monstre qui vous parle Bernard Grasset: Paris, 2020.
  • PRECIADO, P. Manifesto contrassexual São Paulo: N-1 Edições, 2017.
  • PRECIADO, P. Testo Junkie: sexo, drogas e biopolítica na era farmacopornográfica. São Paulo: N-1 Edições, 2018.

Nota

  • 1
    Texto originalmente apresentado em 2019 diante da Escola da Causa Freudiana, em Paris, Eu sou um monstro que vos fala é uma conferência em que Paul B. Preciado critica a permanência da epistemologia binária da diferença sexual na psicanálise. A intervenção, depois convertida em livro (Preciado, 2020), causou forte reação no meio analítico. O filósofo trans convoca a psicanálise a se confrontar com as transformações contemporâneas das formas de vida e dos saberes sobre sexo e gênero.
  • Disponibilidade de dados
    Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do documento.

Disponibilidade de dados

Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do documento.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    24 Out 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    01 Jul 2025
  • Aceito
    15 Jul 2025
location_on
Programa de Pós-graduação em Teoria Psicanalítica do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ Instituto de Psicologia UFRJ, Campus Praia Vermelha, Av. Pasteur, 250 - Pavilhão Nilton Campos - Urca, 22290-240 Rio de Janeiro RJ - Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: revistaagoraufrj@gmail.com
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro