RESUMO
Objetivo Desenvolver e validar um vídeo como ferramenta de educação em saúde auditiva infantil.
Métodos Estudo descritivo de validação de tecnologia. O vídeo foi elaborado seguindo as etapas de pré-produção (desenvolvimento do roteiro), produção (elaboração do vídeo) e pós-produção (validação do vídeo). A validação ocorreu em duas fases: a primeira com cinco especialistas selecionadas por amostragem não probabilística, do tipo intencional, por julgamento da análise curricular e, a segunda, com a população-alvo (50 mães), oriunda de amostra por conveniência. Cada público respondeu a um questionário específico e, adicionalmente, aplicou-se a métrica Net Promoter Score (NPS) à população-alvo. Realizou-se análise descritiva por meio de medidas de tendência central e dispersão para variáveis contínuas e frequências para variáveis categóricas.
Resultados As especialistas avaliaram o vídeo positivamente. No primeiro bloco, referente à impressão geral, as respostas variaram entre “concordo” e “concordo fortemente” e foram realizadas quatro sugestões. De forma semelhante, no bloco de avaliação do conteúdo a maioria das respostas foi marcada como “concordo” ou “concordo fortemente”. A população-alvo relatou que o vídeo é útil para aumentar o conhecimento (98%), fácil de entender (94%) e apresenta quantidade adequada de informações (92%). Quanto à satisfação individual, a maioria das participantes apresentou respostas positivas para cada item. Na avaliação pelo NPS, 84% das mães foram classificadas como promotoras.
Conclusão O vídeo foi desenvolvido e validado como uma ferramenta de educação em saúde auditiva infantil, com avaliação positiva, tanto pelas especialistas, quanto pela população-alvo.
Palavras-chave:
Educação em saúde; Perda auditiva; Audição; Tecnologia educacional; Filme e vídeo educativo
ABSTRACT
Purpose To develop and validate a video as a tool for children’s hearing health education.
Methods A descriptive study of educational technology validation was conducted. The video was developed in three stages: pre-production (script development), production (video production), and post-production (video validation). The validation occurred in two phases: the first with five experts, selected by non-probabilistic sampling, of the intentional type, based on curriculum analysis, and the second with the target population (50 mothers), from a convenience sample. Each group answered a specific questionnaire, and the Net Promoter Score (NPS) metric was additionally applied to the target population. Descriptive analysis was performed using measures of central tendency and dispersion for continuous variables, and frequencies for categorical variables.
Results The experts evaluated the video positively. In the general impression section, responses ranged from “agree” to “strongly agree,” and four suggestions were made by the experts. Similarly, in the content evaluation section, most responses were “agree” or “strongly agree.” The target population reported that the video was useful for increasing knowledge on the topic (98.0%), easy to understand (94.0%), and presented an appropriate amount of information (92.0%). Regarding individual satisfaction, most participants provided positive responses for each item. In the NPS assessment, 84.0% of mothers were classified as promoters.
Conclusion The video was developed and validated as a children's hearing health education tool, receiving positive evaluations from experts and the target population.
Keywords:
Health education; Hearing loss; Hearing; Educational technology; Instructional film and video
INTRODUÇÃO
A perda auditiva (PA) tem impactos significativos na vida de um indivíduo e, quando se trata de crianças, pode comprometer o seu desenvolvimento. Os pais desempenham um papel essencial no acompanhamento da audição de seus filhos, porém, estudos mostram que ainda há uma grande parte dessa população que possui pouco conhecimento relacionado à saúde auditiva infantil(1-3). Assim, é fundamental fornecer informações de qualidade a esse público.
O uso de mídias sociais tem se tornado cada vez mais importante na disseminação de informações sobre saúde. Com o rápido desenvolvimento da tecnologia digital, a demanda por conhecimento sobre saúde também está aumentando e o uso de vídeos tem ganhado destaque na educação em saúde(4). Ao desenvolver um vídeo educativo, é essencial considerar aspectos como a clareza da linguagem, a relevância do conteúdo para o público-alvo, a duração apropriada para manter a atenção do espectador e o formato de apresentação(5).
O uso de vídeos educativos curtos pode aumentar significativamente o conhecimento dos espectadores sobre assuntos relacionados à saúde, com impacto positivo na promoção de saúde(6). As evidências também indicam a importância de desenvolver vídeos educativos sobre audição infantil, com o objetivo de aprimorar o conhecimento dos pais sobre a temática(7).
A adequação às necessidades do público-alvo é essencial, tornando a avaliação da satisfação do usuário um componente fundamental no desenvolvimento de estratégias educacionais em saúde. Isso permite verificar a eficácia e o impacto das ações propostas(8). Portanto, é fundamental investigar se o uso de vídeo educativo é uma ferramenta eficaz na disseminação do conhecimento sobre saúde auditiva infantil, além de avaliar a satisfação da população em relação a esse recurso. Acredita-se que o vídeo educativo seja uma estratégia viável para intervenções nessa área. Nesse contexto, o objetivo deste estudo consistiu em desenvolver e validar um vídeo como ferramenta de educação em saúde auditiva infantil.
MÉTODO
Trata-se de um estudo descritivo de validação de tecnologia, caracterizado como pesquisa de desenvolvimento metodológico, que propôs o desenvolvimento e validação de um vídeo educativo sobre saúde auditiva infantil, para transmitir informações para mães, pais, cuidadores e gestantes.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição (parecer 6.681.227) e todas as participantes foram incluídas mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O sigilo e o anonimato das participantes foram preservados, em conformidade com os preceitos éticos e com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) 13.709/2018.
A pesquisa foi conduzida entre maio e agosto de 2024, nas enfermarias de alojamento conjunto e na unidade de alto risco de uma maternidade pública, referência no estado.
O vídeo foi desenvolvido em três etapas: pré-produção (desenvolvimento do roteiro), produção (elaboração do vídeo) e pós-produção (validação do vídeo).
Pré-produção
A etapa de pré-produção consistiu na elaboração do roteiro do vídeo pelos pesquisadores, fundamentada em uma revisão da literatura científica. As buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram utilizados descritores controlados, selecionados a partir dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e do Medical Subject Headings (MeSH) e combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, respeitando as particularidades de indexação de cada base de dados. As estratégias de busca incluíram combinações como (Triagem Neonatal OR Recém-Nascido) AND (Audição OR Perda auditiva) AND Educação em Saúde; e Audição AND Educação em Saúde AND Saúde Materno-Infantil.
Os estudos identificados foram analisados quanto à pertinência temática e as informações extraídas subsidiaram a definição dos conteúdos abordados no roteiro. Foram priorizados estudos publicados nos últimos dez anos, bem como documentos técnicos e diretrizes nacionais e internacionais relevantes à temática. Assim, o processo incluiu a atualização dos indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA), garantindo alinhamento com as recomendações científicas e normativas vigentes sobre saúde auditiva infantil. Além disso, adotou-se linguagem simples e acessível, adequada a diferentes níveis de escolaridade do público-alvo.
Produção
O vídeo foi desenvolvido seguindo o roteiro elaborado e abordou as seguintes temáticas: fatores de risco para os diferentes tipos de perda auditiva, crenças de modelo não biomédico, identificação e intervenção da deficiência auditiva (DA) na infância. Intitulado “Pílulas da Audição” (Figura 1), o vídeo foi produzido no site da plataforma Vimeo, por meio da ferramenta Vimeo Create. Contou com narração gerada por voz de inteligência artificial (IA), mediante o serviço de conversão de texto em fala do Microsoft Azure, além de legendas e imagens ilustrativas obtidas em bancos de imagens gratuitos e de domínio público. O vídeo tem duração de três minutos e 32 segundos e está disponível no YouTube(9).
Pós-produção (validação)
A pós-produção envolveu duas fases. A primeira consistiu na validação do vídeo por especialistas, seguida de edições conforme as sugestões elencadas pelos participantes. Na segunda fase, a versão modificada do vídeo foi validada pela população-alvo. Para a avaliação do vídeo, foram utilizados dois questionários distintos, um direcionado às fonoaudiólogas (especialistas) e o outro às mães.
Primeira etapa - especialistas
Para a validação do conteúdo e dos aspectos técnicos do vídeo, participaram cinco fonoaudiólogas com atuação direta na triagem auditiva neonatal (TAN), selecionadas por amostragem não probabilística do tipo intencional, a partir do universo de profissionais que atuavam ou tinham atuado como fonoaudiólogas assistenciais, residentes ou pesquisadoras na maternidade onde o estudo foi desenvolvido. A seleção foi realizada por julgamento do pesquisador, com base na análise do currículo cadastrado na Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), considerando o tempo de atuação na área de saúde auditiva infantil e em TAN, a experiência assistencial e/ou acadêmica relacionada à temática e a participação em atividades de ensino, pesquisa ou assistência no contexto da maternidade. Como critérios de inclusão, estabeleceram-se: graduação em Fonoaudiologia, experiência prática comprovada em TAN no serviço em que o estudo foi desenvolvido e titulação mínima de especialização lato sensu. Foram excluídas fonoaudiólogas sem experiência em TAN, sem vínculo atual ou prévio com a maternidade, ou que não atendessem ao critério mínimo de titulação.
O vídeo foi enviado por e-mail, acompanhado de um questionário no Google Forms, a ser respondido após sua análise. O instrumento de avaliação(10) é dividido em dois blocos: o primeiro aborda a impressão geral, com sete questões e, o segundo, a avaliação do conteúdo, com 18 questões. Todas as perguntas utilizam uma escala Likert com quatro opções de resposta, variando de “discordo fortemente” a “concordo fortemente”. Há ainda a opção “não sei” para todas as questões e um campo destinado a observações e sugestões. O primeiro bloco inclui também duas questões com opções de respostas “sim” ou “não”, seguidas de um espaço para sugestões em caso de resposta afirmativa.
Segunda etapa - população-alvo
Participaram desta etapa 50 mães, provenientes de uma amostra não probabilística, por conveniência, atendidas em uma maternidade durante o período de internação hospitalar. Foram incluídas mulheres no pós-parto imediato ou gestantes internadas na enfermaria de alto risco da maternidade durante o período de realização do estudo, com idade igual ou superior a 18 anos e capacidade de compreender e responder aos instrumentos de pesquisa. Foram excluídas mulheres que se recusaram a participar do estudo, que apresentavam analfabetismo ou que não responderam aos questionários de forma completa.
Após aceite e assinatura do TCLE, as participantes assistiram ao vídeo presencialmente, em um tablet da marca Apple (iPad 4ª geração de 9.7 polegadas). Em seguida, foi aplicado o questionário com perguntas baseadas e adaptadas de estudo anterior(11), relacionadas à satisfação e utilidade do vídeo educacional utilizado. O questionário é dividido em dois blocos: o primeiro avalia a satisfação geral com o vídeo e o segundo, aspectos de satisfação individual. As questões da segunda parte utilizam uma escala Likert de cinco opções de resposta, variando de “discordo fortemente” a “concordo fortemente” nas quatro primeiras questões; “muito insatisfeito” a “muito satisfeito” em duas questões e “muito inútil” a “muito útil” na última questão. Para fins de análise, as respostas foram agrupadas em três categorias: positivas, neutras e negativas.
Além disso, foi aplicada a métrica Net Promoter Score (NPS), utilizada para medir a probabilidade de o participante recomendar o vídeo educacional a outras pessoas. A escala varia de 0 a 10, em que 0 significa “nada provável” e 10, “muito provável”(12). A avaliação do NPS foi realizada da seguinte forma: indivíduos que atribuíram pontuação 9 ou 10 foram considerados “promotores”; aqueles que responderam 7 ou 8 foram considerados “indiferentes” e aqueles que pontuaram entre 0 e 6 foram considerados “detratores”.
Processamento e análise dos dados
Os dados obtidos foram registrados nos questionários e, em seguida, armazenados em uma planilha eletrônica no programa Microsoft Excel 2010®, contabilizados e apresentados em forma de gráficos. Foi utilizada análise descritiva, com o uso de medidas de tendência central e de dispersão para variáveis contínuas e frequências relativas (%) para as variáveis categóricas.
RESULTADOS
A validação do vídeo foi realizada em duas etapas, sendo a primeira com especialistas e a segunda com o público-alvo. No grupo de especialistas, o tempo de formação variou de 4 a 16 anos (média de 8,6 anos). Todas possuíam pós-graduação, sendo duas especialistas, duas mestres e uma doutora.
No grupo de mães (público-alvo), a média de idade foi de 31 (±7,0) anos, variando entre 19 e 45 anos. Quanto à escolaridade, 24,0% das mães apresentavam ensino fundamental completo ou incompleto, 18,0% iniciaram, mas não concluíram o ensino médio, 42,0% concluíram o ensino médio e 16,0% possuíam ensino superior. Em relação às ocupações, 42,0% se declararam “do lar”, 10,0% agricultoras, 6,0% professoras, 6,0% autônomas e 36,0% exerciam outras atividades profissionais diversas.
Na percepção das especialistas, tanto a impressão geral quanto o conteúdo foram bem avaliados. No primeiro bloco (impressão geral), todas as respostas para as cinco primeiras perguntas variaram entre “concordo” e “concordo fortemente” (Figura 2). Na segunda questão, que abordava o uso de animações como recurso para facilitar o aprendizado da temática, foi inserido um comentário na seção ’observações/sugestões’: “colocar imagens referentes aos indicadores para exemplificar melhor, por exemplo: hiperbilirrubinemia – uma criança com tal condição”.
Frequência relativa das respostas apresentadas pelas especialistas em relação aos aspectos gerais do vídeo
Em relação às sugestões de modificação do vídeo, foram feitas duas observações: “incluir que a falha na TAN ocorre após um reteste”, e modificar a “velocidade da voz do narrador, pois uma fala ligeiramente mais lenta seria mais confortável de assistir”. Além disso, como sugestão de conteúdo adicional, foi indicado “mostrar o resultado da triagem na caderneta da criança”. Dentre os pontos elencados, a alteração na velocidade da narração e a inserção de imagens para exemplificar os indicadores de risco não foram acatadas, pois implicariam o aumento de duração do vídeo. Uma das preocupações dos pesquisadores era manter um vídeo curto, capaz de prender a atenção do público-alvo.
De forma similar, no bloco de avaliação do conteúdo, a maioria das respostas concentrou-se nas opções “concordo” ou “concordo fortemente”. Apenas uma das fonoaudiólogas respondeu “discordo” à afirmação: “O vídeo educativo permite aprendizado baseado em experiência prévia do usuário” e selecionou “não sei” à questão “A apresentação de sons é relevante para a informação incluída no texto”. No entanto, nenhuma observação adicional foi registrada para essas questões (Figura 3).
Frequência relativa das respostas apresentadas pelas especialistas na avaliação do conteúdo do vídeo
Na avaliação da satisfação com o vídeo, do ponto de vista da população-alvo, 49 (98,0%) participantes relataram que o vídeo é útil para aumentar o conhecimento sobre o tema abordado, enquanto apenas uma (2,0%) discordou. Quanto à facilidade de compreensão do vídeo, 47 (94,0%) consideraram o vídeo fácil de entender, ao passo que 3 (6,0%) acharam difícil. Sobre a quantidade de informações fornecidas, 92,0% classificaram como adequada, 4,0% avaliaram como excessiva e outros 4,0%, como insuficiente.
Na avaliação dos itens de satisfação individual, predominou o relato de respostas positivas para cada item, conforme apresentado na Figura 4.
Frequência relativa (%) das respostas das mães para os itens de satisfação individual do vídeo educativo
Na avaliação com o NPS, que mediu a probabilidade de recomendação do vídeo “Pílulas da Audição”, 41 das 50 mães participantes (82,0%) atribuíram nota 10; uma (2,0%) deu nota 9; 5 (10,0%) deram 8; 2 (4,0%) atribuíram nota 7 e uma (2,0%) respondeu com nota 6. De acordo com os critérios de avaliação do NPS, 42 participantes (84,0%) foram classificadas como promotoras (Figura 5).
Porcentagem de mães classificadas como promotoras, indiferentes e detratoras no Net Promoter Score
DISCUSSÃO
Com o avanço das tecnologias e da era digital, a disseminação de informações vem incorporando novos meios de transmissão, dentre eles, os vídeos educativos, instrumento utilizado no estudo.
A validação do vídeo como ferramenta de educação em saúde auditiva infantil evidencia sua utilidade na divulgação de conhecimento de forma acessível e com embasamento científico. Por meio da validação por profissionais especialistas na área abordada e das adaptações realizadas, garantiu-se que o material fosse adequado à população-alvo, visto que se obtiveram resultados favoráveis das mães participantes do estudo. Portanto, o vídeo “Pílulas da Audição” é um recurso que pode ser utilizado para promover o conhecimento sobre a saúde auditiva na infância, contribuindo para a conscientização e possíveis mudanças de atitude em relação à detecção e prevenção de alterações auditivas na criança.
Embora sejam escassos na literatura, estudos que utilizaram vídeos educativos para a veiculação de informações específicas sobre saúde auditiva infantil, um estudo observou aumento no conhecimento dos pais a respeito do desenvolvimento da audição e da linguagem na infância após assistirem um vídeo abordando esse assunto(13). Em questões de saúde no geral, ou em áreas específicas, o vídeo constitui um instrumento amplamente utilizado para a educação em saúde de diferentes populações, ou como forma complementar às informações transmitidas aos pacientes(14), com melhora da compreensão das informações em diferentes cenários clínicos.
A despeito do amplo alcance e facilidade de divulgação do conhecimento, para que a ferramenta educativa seja, de fato, eficaz é necessária sua validação, sendo indispensável a avaliação por especialistas com expertise no assunto. São eles que possuem visão técnica e científica para o conteúdo abordado, dando maior confiabilidade ao recurso utilizado(15,16). Adicionalmente, para que seja um material acessível para diferentes públicos, com diversos graus de instrução, é fundamental conhecer a percepção da população-alvo, a fim de confirmar a validação realizada pelos especialistas(17).
De acordo com estudo prévio, o uso do vídeo como estratégia para disseminar informações deve atender a alguns critérios básicos, como a duração do vídeo e o formato de apresentação. Contudo, não apenas os aspectos técnicos devem ser considerados, mas também o estado emocional do espectador no momento da visualização do vídeo(5). O vídeo “Pílulas da Audição” apresenta formato breve, com linguagem simples, e aborda os aspectos relevantes de saúde auditiva infantil, assim como no vídeo utilizado em pesquisa realizada com mães sobre saúde bucal em bebês e crianças(18), que verificou sua eficácia como forma de orientação e aumento do conhecimento dessas mães.
Ainda sobre a duração do vídeo, recomenda-se que materiais educacionais audiovisuais não excedam 15 minutos, a fim de evitar a fadiga do espectador e manter sua atenção, além de adotarem uma linguagem acessível(19). O vídeo validado no presente estudo segue essas recomendações, com duração de três minutos e 32 segundos.
Observou-se que 84,0% das mães seriam promotoras, ou seja, recomendariam o vídeo para outras pessoas. Esse achado é consistente com estudo prévio, em que o total dos participantes indicaria o material utilizado. A principal justificativa para essa recomendação foi o fato de o vídeo abordar informações até então desconhecidas e relevantes, contribuindo para o conhecimento sobre o tema(17).
Além dos vídeos educativos, a Inteligência Artificial (IA) tem sido amplamente utilizada na área da saúde, incluindo a promoção de hábitos saudáveis, por meio de chatbots – softwares que simulam interações com os usuários. Estudos demonstraram que essa tecnologia pode ser eficaz na disseminação de informações em saúde, mas é essencial garantir sua acessibilidade, de modo que esteja ao alcance de diferentes perfis populacionais(20). Nesse sentido, as mídias sociais também desempenham um papel relevante na divulgação de informações sobre saúde auditiva, permitindo o compartilhamento de conteúdos e a troca de experiências. No entanto, é necessário cautela quanto à veracidade das informações difundidas por esses meios(21).
No contexto brasileiro, os diferentes níveis de escolaridade e letramento em saúde representam desafios para a compreensão e assimilação de informações, especialmente na área da saúde auditiva. Assim, é fundamental adotar estratégias que facilitem essa comunicação, promovendo maior envolvimento dos usuários. O vídeo educativo “Pílulas da Audição” surge como uma ferramenta promissora para a divulgação de informações de qualidade, podendo ser utilizado em salas de espera, compartilhado por aplicativos de mensagens ou veiculado em mídias sociais, ampliando o alcance e o interesse pelo tema(17,22).
Uma limitação deste estudo refere-se ao número de especialistas participantes na etapa de validação, característica comum em estudos metodológicos dessa natureza. Tal aspecto direcionou a opção por análise descritiva dos dados, que se mostrou adequada diante do elevado grau de concordância observado entre os avaliadores. Em relação à população-alvo, destaca-se o fato de a validação ter sido realizada exclusivamente com mães, embora crianças também sejam acompanhadas por outros familiares e cuidadores, que poderiam contribuir com percepções complementares. Além disso, o ambiente em que as mães assistiram ao vídeo foi a enfermaria hospitalar, local que apresenta ruído ambiental constante, o que pode ter interferido na atenção e compreensão do conteúdo apresentado. Estudos futuros poderão explorar a aceitação e o impacto desse material junto a outros públicos, ampliando a compreensão sobre sua aplicabilidade e efetividade na promoção da saúde auditiva infantil.
CONCLUSÃO
O vídeo “Pílulas da Audição” foi avaliado de forma positiva como ferramenta de educação em saúde auditiva infantil, tanto por especialistas, quanto pela população-alvo. A elevada taxa de recomendação sugere que o material pode ser uma estratégia eficaz para ampliar o conhecimento e a conscientização sobre o tema. Além de facilitar o acesso a informações essenciais de forma didática e acessível, o vídeo tem potencial para engajar as famílias, tornando-as participantes ativas na promoção da saúde auditiva de suas crianças.
AGRADECIMENTOS
Às especialistas pelas contribuições no processo de validação.
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Trabalho realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil.
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Declaração de Disponibilidade de Dados:
Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do artigo.
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Financiamento:
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) (Código de Financiamento 001).
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Editado por
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Editor-Chefe:
Maria Cecilia Martinelli Iorio.
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Editor Associado:
Ana Cláudia Mirândola Barbosa Reis.
Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do artigo.







Legenda: DF = discordo fortemente; D = discordo; C = concordo; CF = concordo fortemente; NS = não sei; % = percentual
Legenda: DF = discordo fortemente; D = discordo; C = concordo; CF = concordo fortemente; NS = não sei; % = percentual
Legenda: % = percentual
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