Objetivo Avaliar os fatores associados à sobrecarga de cuidadores de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA), identificando quais variáveis apresentam maior impacto na vida diária desses cuidadores.
Métodos Foram avaliados 19 cuidadores de crianças com TEA, com idades entre 2 e 12 anos, sendo 18 meninos (94,7%). O diagnóstico foi realizado por equipe multiprofissional e os participantes estavam em acompanhamento com neurologista infantil. As variáveis coletadas incluíram idade e sexo da criança, presença de comorbidades (deficiência intelectual, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, entre outras), queixas atuais, tipo de intervenção em andamento, pontuação na escala Childhood Autism Rating Scale (CARS), idade do cuidador, número de filhos e renda familiar. A sobrecarga do cuidador foi avaliada por meio da escala Zarit Burden Interview. Para a análise estatística, utilizou-se regressão linear com método de seleção stepwise, a fim de identificar os fatores significativamente associados à sobrecarga.
Resultados Apenas a pontuação na escala CARS apresentou associação significativa com a sobrecarga do cuidador (p = 0,0077), indicando que níveis mais altos de comprometimento no TEA estão relacionados à maior sobrecarga. As variáveis idade e sexo do paciente, comorbidades, queixa atual, presença de intervenção no momento da avaliação e nível socioeconômico não foram significativas.
Conclusão A gravidade dos sintomas do TEA, refletida pela pontuação na escala CARS, foi o principal fator associado à sobrecarga dos cuidadores. Outros aspectos, como idade, comorbidades e nível socioeconômico, podem também exercer influência, conforme descrito pela literatura, mas não demonstraram associação estatisticamente significativa no presente estudo.
Palavras-chave:
Transtorno do espectro autista; Sobrecarga do cuidador; Estresse psicológico; Comorbidades; Cuidadores