Resumo
Os autores descrevem um vaporizador de éter para ratos, artesanalmente construído, com o objetivo de se estabelecer um plano anestésico com fluxo contínuo e homogêneo em cirurgia experimental. O vaporizador é constituído de um compressor de ar para aquários, tubo de ensaio, equipos e válvulas, e outros materiais descartáveis de uso doméstico. As vantagens deste aparelho são a facilidade de manutenção do animal em plano anestésico, com redução da perda de anestésico para o ambiente, redução do gasto de anestésico e seu baixo custo e a possibilidade de mensuração do consumo de anestésico.
Anestesia; Cirurgia experimental; Ratos; Nebuladores; Home made
Abstract
The authors have described a homemade ether vaporizer to be used in small rodents' anesthesia. The device was built whith hospital material and products bought in aquarium supply stores. The advantages are: maintenance of anestesic level without successive induction, lower ether consumption, less environmental pollution and increased cost-effectiveness.
Anesthesia; Experimental surgery; Rats; Home made
11 - ARTIGO ORIGINAL
VAPORIZADOR DE ÉTER PARA CIRURGIA
EXPERIMENTAL EM RATOS1
Fernando de Souza2
Antonio Marcos de Andrade Paes3
Helvércio Fernando Polsaque Alves4
Fernando Jorge Siroti4
Paulo Cézar de Freitas Mathias5
SOUZA, F.; PAES, A.M.A; ALVES, H.F.P.; SIROTI, F.J.; MATHIAS, P.C.F. - Vaporizador de éter para cirurgia experimental em ratos. Acta. Cir. Bras. 12(4):270-2, 1997.
RESUMO: Os autores descrevem um vaporizador de éter para ratos, artesanalmente construído, com o objetivo de se estabelecer um plano anestésico com fluxo contínuo e homogêneo em cirurgia experimental. O vaporizador é constituído de um compressor de ar para aquários, tubo de ensaio, equipos e válvulas, e outros materiais descartáveis de uso doméstico. As vantagens deste aparelho são a facilidade de manutenção do animal em plano anestésico, com redução da perda de anestésico para o ambiente, redução do gasto de anestésico e seu baixo custo e a possibilidade de mensuração do consumo de anestésico.
DESCRITORES: Anestesia. Cirurgia experimental. Rtos. Nebuladores. Home made.
INTRODUÇÃO
No laboratório de cirurgia experimental, depara-se com certas dificuldades em anestesia para pequenos roedores, onde habitualmente utiliza-se o éter sob campânula, com todas as suas desvantagens5. Com o objetivo de obter-se anestesia mais segura e controlada, os autores construíram um vaporizador eficiente e de baixo custo7.
Pode ser utilizado , neste vaporizador, quaisquer anestésicos voláteis, com controle satisfatório de administração.
MÉTODO
Descrição do vaporizador
Utiliza-se um compressor de ar (BrasilR), cujo orifício de saída é conectado a um equipo de soro, e este, conectado a uma válvula de metal reguladora de fluxo. Nesta válvula, conecta-se outro segmento de equipo, cuja ponta é posicionada no nível mais profundo do tubo de ensaio (PirexR) com 20 cm3 de capacidade. Este tubo de ensaio é selado com uma vedação de borracha. Também inserido nesta vedação, outro segmento de equipo é posicionado ao nível da metade superior do mesmo tubo de ensaio e então conectado a outra válvula de metal reguladora de fluxo. Desta última válvula, mais outro segmento de equipo é conectado em uma campânula de plástico, medindo 6.0 x 4,0 x 2,5 cm, por um orifício na sua base. Esta campânula é toda fenestrada por pequenos orifícios de 0,3 cm de diâmetro que permite a inalação do anestésico e a respiração do animal.
O compressor de ar deve ser mantido sobre uma esponja (3MR), para se evitar a vibração causada pelo mesmo. Todo o sistema é suportado por uma plataforma de madeira (figuras 1 e 2).
O compressor de ar pode ser obtido em lojas comerciais especializadas em aquários para peixes. Os equipos e válvulas podem ser obtidos em lojas comerciais especializadas em material médico-hospitalar. A esponja pode ser obtida em lojas comerciais. A campânula pode ser obtida improvisando-se um recipiente de plástico descartável.
Funcionamento do Sistema
O compressor de ar faz com que ocorra um constante fluxo inalatório de anestésico. A vaporização é efetiva mediante o borbulhamento do anestésico observado no tubo de ensaio. O anestésico é conduzido até a campânula para ser inalada pelo animal. As válvulas controlam o fluxo do sistema e, portanto, a quantidade de anestésico inalado.
Técnica de Anestesia
Foram submetidos a operações de vagotomia subdiafragmática, 36 ratos de linhagem Wistar, pesando entre 80 e 300 g. A indução anestésica foi realizada em câmara plástica de 4 litros de capacidade, com 6 ml de éter etílico embebido em algodão. Após a perda dos reflexos, o animal foi posicionado na plataforma de operações. O animal foi imobilizado por fixação dos quatro membros, em decúbito dorsal, para então adaptar-se a campânula à cabeça do animal 6. Pela intensidade de borbulhamento do anestésico dentro do tubo de ensaio, pôde-se controlar, pelas válvulas reguladoras, o plano anestésico desejado. Poderia-se superficializar ou aprofundar o procedimento anestésico de acordo com a necessidade durante o ato operatório 2.
Foram avaliados durante a utilização deste vaporizador, a comodidade de manuseio do aparelho, a manutenção do plano anestésico, a segurança e estabilidade do animal durante o ato operatório, a comodidade de trabalho para o cirurgião, a recuperação pós-anestésica, volume de anestésico consumido e o índice de complicações.
A intensidade de anestesia pôde ser controlada com o ajuste das válvulas, o que foi obtido com a experiência de manuseio do aparelho. Os parâmetros utilizados para a adequação do plano anestésico foram: o nível dos reflexos à dor por parte do animal, a freqüência respiratória e a intensidade de bobulhamento dentro do tubo de ensaio.
Em relação à freqüência respiratória, a manutenção ideal esteve entre 80 e 100 movimentos respiratórios por minuto, utilizando-se apenas a musculatura torácica, evitando-se o aprofundamento do plano (freqüência respiratória abaixo de 80) ou a superficialização do plano anestésico (freqüência respiratória acima de 100 e utilizando-se de musculatura abdominal para respirar) 2.
Em relação ao borbulhamento dentro do tubo de ensaio, foi quantificado com a observação durante o ato operatório, adquirida com a experiência em utilizar-se o aparelho.
RESULTADOS
O tempo médio de anestesia foi de 40 minutos (30 a 50 minutos) e o de operação foi de 30 minutos (20 a 40 minutos). Observou-se facilidade de manuseio do aparelho e de manutenção de plano anestésico. O animal se expõe muito menos ao risco de excesso de anestésico, sem o risco de uma superficialização durante o ato operatório. Vinte minutos após o final do ato anestésico, o animal iniciou a deambulação. A média de consumo de anestésico foi de 4 ml/100g de peso/hora de éter etílico.
No primeiro ato operatório houve um óbito devido a insuficiência respiratória, causada pelo excesso de anestésico. Isto ocorreu devido a não adequação da intensidade de vaporização no ajuste das válvulas, o que foi resolvido nos atos operatórios subseqüentes.
DISCUSSÃO
O principais objetivos de se construir, artesanalmente, um vaporizador de anestésicos em cirurgia experimental, foram: a necessidade de se controlar mais efetivamente o plano anestésico e não comprometer-se com equipamentos onerosos para o laboratório. A labilidade inicial do animal durante o procedimento anestésico é uma das maiores preocupações existentes no ato operatório. Com a padronização e experiência com o uso deste aparelho, tornou-se mais cômodo e seguro o controle do plano anestésico. As vantagens deste vaporizador são: custo de confecção baixo, R$25,00; não há necessidade de repetidas induções anestésicas; possibilidade de mensuração de consumo do anestésico por procedimento; possibilidade de utilização de outros anestésicos voláteis e, também, possibilidade de utilização em outras espécies de animais, respeitando-se a adequação de dosagem e resposta ao tipo de anestesia.
As desvantagens deste vaporizador são relacionadas às desvantagens de anestesia inalatória com o éter etílico e a necessidade de se adquirir experiência com o aparelho para monitorização visual do animal, durante o ato anestésico.
CONCLUSÃO
Este modelo de vaporizador experimental é de fácil confecção, baixo custo, com relativa facilidade de manuseio, promove a redução do nível de poluição do ambiente, proporciona economia no uso do anestésico e possibilita a permanência dos animais em plano anestésico adequado na maioria dos procedimentos experimentais.
SOUZA, F.; PAES, A.M.A; ALVES, H.F.P.; SIROTI, F.J.; MATHIAS, P.C.F. - Vaporizador de éter para cirurgia experimental em ratos. Acta. Cir. Bras. 12(4):270-2, 1997.
SUMMARY: The authors have described a homemade ether vaporizer to be used in small rodents' anesthesia. The device was built whith hospital material and products bought in aquarium supply stores. The advantages are: maintenance of anestesic level without successive induction, lower ether consumption, less environmental pollution and increased cost-effectiveness.
SUBJECT HEADINGS: Anesthesia. Experimental surgery. Rats. Home made.
Endereço para correspondência:
Dr. Fernando de Souza
Av. Dr. Luiz Teixeira Mendes, 1888 Z. 05
CEP: 87015-000 - Maringá - Paraná - Brasil.
Data do recebimento: 15.05.97
Data da revisão: 18.06.97
Data da aprovação: 16.07.97
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