Resumo
Este estudo quantifica as emissões incorporadas (EI) de carbono de uma edificação residencial multifamiliar de alto padrão, localizada em Brasília-DF. Aplicando a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), com escopo do berço ao canteiro de obras, o inventário foi elaborado considerando duas fontes de quantitativos dos materiais: dados do orçamento de projeto (DP) e dados reais de obra (DR), permitindo a comparação das emissões provenientes de estimativas orçamentárias e consumo efetivo de materiais. Os resultados indicaram EI totais de 402,63 kgCO2eq/m2 com base nos dados de obra. A comparação entre projeto e obra indicou aumento de até 20%, associado a diferenças nos quantitativos, ausência de materiais no orçamento prévio de projeto e alterações projetuais. A análise de sensibilidade apontou EI sistematicamente maiores com DR, com variações entre 10% e 20%, sendo esse intervalo interpretado como valor exploratório inicial, sem caráter normativo, inicialmente aplicado para análises preliminares de incerteza. A pesquisa contribui ao analisar uma tipologia pouco explorada no Brasil e ao propor uma primeira aproximação para incorporar emissões adicionais do canteiro e mudanças projetuais. Evidencia-se, por fim, que o uso de dados reais é essencial para diagnósticos precisos e metas confiáveis de redução de carbono na construção.
Palavras-chave
AVC; Emissões incorporadas; Dados de obra; Consumo efetivo
Abstract
This study quantifies the embodied carbon emissions (EC) of a high-end multifamily residential building located in Brasília, Brazil. Using a Life Cycle Assessment (LCA) approach with a cradle-to-construction-site scope, the inventory was developed based on two material quantitative sources: design-based (DD) estimates and actual construction site data (SD), enabling comparison between estimated and actual material consumption emissions. The results indicate total EC of 402.63 kgCO2eq/m2 based on construction data. The comparison between design and construction shows an increase of up to 20%, associated with differences in quantities, omission of materials in the initial budget, and design changes. The sensitivity analysis indicates systematically higher EC when using SD, with variations ranging from 10% to 20%. This range is interpreted as an initial exploratory value, without normative character, intended for preliminary uncertainty assessments. The study contributes by addressing a building typology still underexplored in Brazil and by proposing a first approximation to incorporate additional emissions from construction activities and design changes. Finally, it highlights that the use of real data is essential for accurate assessments and for establishing reliable carbon reduction targets in the construction sector.
Keywords
LCA; Embodied emissions; Construction site data; Effectie consumption
1 Introdução
O setor da construção civil, mesmo com seu papel estratégico no desenvolvimento urbano-habitacional, permanece entre os principais emissores globais de carbono, contribuindo expressivamente para as mudanças climáticas. Em 2023 o setor respondeu por 34% das emissões globais, aumento de 5% em relação a 2015, permanecendo aquém da redução de 28% necessária até 2030 para o cumprimento do Acordo de Paris (UNEP, 2024a). Embora caracterizado por elevados níveis de emissão, o setor de edificações destaca-se por concentrar 11% do potencial global de mitigação até 2035, evidenciando sua centralidade rumo à trajetória de baixo carbono (UNEP, 2024b).
No Brasil, as emissões associadas às edificações atingiram 30 Mt CO₂eq em 2024, respondendo por aproximadamente 6% das emissões de processos industriais e uso de produtos (SEEG; Observatório do Clima, 2025). Apesar da relevância do setor da construção civil no Brasil, responsável por cerca de 4,3% do PIB nacional em 2024, com crescimento de 3,5% no segundo trimestre e respondendo por 40% dos empregos formais, o setor enfrenta desafios estruturais para descarbonizar sua cadeia produtiva, fortemente dependente de cimento e aço (Brasil, 2022, 2024; CBIC, 2024; IBGE, 2025).
Nesse contexto, as emissões incorporadas (EI), associadas à fabricação, transporte, construção e descarte de materiais, configuram um dos principais obstáculos à mitigação do setor. Materiais como aço e cimento respondem por 18% das emissões globais de CO₂ relacionadas às edificações, enquanto transporte e indústrias associadas representam 63% (UNEP, 2024b, 2025). De acordo com os cenários de transição para emissões líquidas zero apresentados pela International Energy Agency (IEA), seriam necessárias reduções de aproximadamente 25% nas emissões incorporadas do aço e 20% do cimento. Entretanto, o crescimento contínuo da área construída, sobretudo em economias emergentes, tem elevado as emissões e tensionado os esforços globais de mitigação (International Energy Agency; International Renewable Energy Agency; UN Climate Change High-Level Champions, 2023).
Estudos recentes evidenciam a relevância das EI no ciclo de vida das edificações. Lützkendorf e Balouktsi (2022) indicam que essas emissões podem representar, em média, 50% em edifícios novos energeticamente eficientes. Röck et al. (2020) apontam valores entre 40 e 45% em construções de alta performance, com picos de até 1250 kg CO₂eq/m² concentrados nos primeiros anos. Alaux et al. (2023) demonstram que, sem medidas de mitigação, as EI podem atingir 44% das emissões totais de novas edificações residenciais em 30 anos, enquanto cenários com tecnologias como captura de carbono e bioenergia permitem reduções de até 19%. Esses dados indicam que restringir as análises às emissões operacionais (OEs) é insuficiente para a descarbonização do setor, reforçando o papel crítico das EI (International Energy Agency; International Renewable Energy Agency; UN Climate Change High-Level Champions, 2023).
Diante dessa dualidade entre relevância econômica e impacto ambiental, a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) tem sido amplamente reconhecida e aplicada como metodologia para quantificação e mitigação das emissões de edificações (Costa; Kos, 2021; Wang et al., 2024; Zhang et al., 2024). A ACV permite não apenas a mensuração sistemática de emissões, mas também a comparação entre materiais, o desenvolvimento de frameworks de projeto sustentável e o suporte ao alinhamento do setor com metas globais de descarbonização (Caldas et al., 2020; Chan; Masrom; Yasin, 2022). Em sua completude, a metodologia de ACV engloba diversos tipos de impacto ambientais, entretanto, destaca-se que esta pesquisa se limita ao impacto ambiental de mudanças climáticas por meio da quantificação das emissões de carbono incorporadas (pegada de carbono). No contexto brasileiro, observa-se que a ACV apresenta base científica consolidada, com avanços simultâneos em integração com ferramentas de projeto, aprimoramentos metodológicos e ampliação de aplicações no ambiente construído (Barros; Silva, 2016; Pulgrossi; Silva, 2020; Biasi; Bertuol; Passuello, 2022). Entretanto, lacunas ainda são identificadas.
Um dos grandes desafios para maior implementação da ACV no setor da construção civil é a falta de consenso metodológico (Silva et al., 2020; Carneiro; Santos; Borja, 2024).). Observa-se uma carência de concordância entre praticantes de ACV sobre os métodos de distribuição de impacto em processos multifuncionais, com a prática divergindo substancialmente das recomendações apresentadas pela ISO 14044: Environmental Management – Life Cycle Assessment – Requirements and Guidelines (2006). Desse modo, a condução metodológica da ACV ainda é complexa e de difícil entendimento para o profissional comum da construção civil, exigindo conhecimento muito especializado (Evangelista; Torres; Gonçalves, 2016; Alencar et al., 2026). Timm e Passuello (2021) corroboram com essa afirmação, enfatizando que há uma falta de conhecimento técnico para interpretar dados de ACV e de Declarações Ambientais de Produto (DAP), sendo esse um obstáculo significativo para maior disseminação da ACV no setor.
Outros estudos destacam a falta de metodologias de avaliação de impacto adaptadas à realidade brasileira e a ausência de bancos de dados regionais, gerando um dissenso sobre qual método é mais adequado para o país (Medeiros; Durante; Callejas, 2018). A ausência de inventários para materiais específicos brasileiros também é destacada, o que obriga o uso de modelagens simplificadas e bases de dados internacionais, aumenta assim o grau de incerteza dos estudos frente às diferenças culturais, climáticas e econômicas (Silva et al., 2020; Farias et al., 2022; Carneiro; Santos; Borja, 2024).
Revisões recentes sobre ACV também apontam lacunas metodológicas na fase de construção e limitações no acesso a dados primários (Wang et al., 2024). A falta de cooperação e a dificuldade de obter informações junto a agentes do setor configuram desafios centrais à aplicação da ACV com resultados mais próximos à realidade (Costa; Kos, 2021; Farias et al., 2022; Iyer; Rao; Hertwich, 2023). De forma adicional, as incertezas existentes no processo de modelagem na maioria dos casos não são declaradas e os resultados são apresentados de forma determinística (Baiochi; Silva, 2021). Nesse contexto, parte-se do entendimento, já consolidado na literatura, de que o uso de dados reais de consumo de materiais no canteiro de obras tende a gerar estimativas mais representativas das emissões efetivas. A dependência de dados projetuais, que desconsideram perdas e alterações em obra, tende a subestimar as emissões, especialmente em cenários de elevado desperdício e baixa padronização construtiva (Mohebbi et al., 2021).
Outra carência destacada é a falta de análises voltadas às EI que extrapolam a estrutura e a envoltória das edificações. Essa carência evidencia uma lacuna na literatura nacional e internacional quanto ao escopo adotado nas análises (Carcassi et al., 2022). A falta de estudos que apliquem a ACV de forma sistemática com escopo voltado para as fases iniciais de projeto também é evidenciada, uma vez que a maior parte dos estudos têm focado nas etapas de operação ou de fim de vida das edificações (Silva; Passuello, 2023; Roberts; Allen; Coley, 2020).
De forma semelhante, a ausência de dados sobre emissões de tipologias menos convencionais também é mencionada. Observa-se que a maioria dos estudos brasileiros é restrita a cidades ou tipologias específicas, o que impede a generalização para todos os municípios do país (Alencar et al., 2026). Em convergência, apenas um estudo que contempla uma edificação multifamiliar característica das superquadras Brasília foi identificado na literatura mapeada (Faria, 2023). Essa escassez indica a ausência de estudos empíricos representativos na região do Distrito Federal e reforça a contribuição do presente trabalho para o preenchimento dessa lacuna.
Diante desse cenário, este estudo quantifica as EI de uma edificação residencial multifamiliar brasileira no escopo do berço ao canteiro de obras (A1–A5), por meio da metodologia ACV baseada em dados do orçamento de projeto (DP) e em dados reais de obra (DR), considerando exclusivamente os impactos relacionados às mudanças climáticas por meio da quantificação das emissões de carbono incorporadas. O diferencial da pesquisa reside na quantificação empírica das diferenças de emissões entre estimativas baseadas em orçamentos de projeto e dados reais obtidos no canteiro de obras, tendo como estudo de caso brasileiro uma tipologia representativa de Brasília–DF, de alto padrão, ainda pouco explorada na literatura. A análise abrangeu os elementos de fundação, estrutura, envoltória, partições internas e acabamentos, considerando mais de 20 materiais. Essa abordagem permitiu identificar padrões reais de consumo e emissões em etapas do ciclo de vida frequentemente negligenciadas (como a fundação e a obra).
2 Método
Para analisar as emissões incorporadas (EI) do berço ao canteiro de uma edificação multifamiliar, com base no orçamento de projeto (DP) e nos dados reais de obra (DR), aplicou-se a metodologia de ACV, amplamente consolidada no setor da construção (Burrows; Black, 2021; LCBI, 2024).
Todas as etapas da NBR 14040 (ABNT, 2025), que padroniza a ACV no Brasil, foram seguidas, com apoio das normas europeias EN 15978 (BSI, 2011) e DS/EN 15804:2012+A2:2019. A Figura 1 apresenta o fluxograma metodológico do estudo, dividido em quatro fases correspondentes às da ACV segundo a NBR 14040 (ABNT, 2025), acrescidas de etapas específicas necessárias à sua aplicação nesta pesquisa.
2.1 Objetivo, escopo e unidade declarada
Foram quantificadas as EI dos estágios de produto e de construção. O estágio de produto inclui a extração de matérias-primas (A1), o transporte dessas matérias (A2) e a manufatura (A3). O estágio de construção abrange o transporte dos materiais até o canteiro de obras (A4) e os processos construtivos no local (A5). A análise, do berço ao canteiro de obras, refere-se a uma edificação residencial multifamiliar de alto padrão localizada em Brasília (DF) e contempla fundação, estrutura, envoltória, partições internas e acabamentos de piso, parede e teto. O Quadro 1 apresenta a síntese do objetivo e do escopo da ACV, conforme a NBR ISO 14040 (ABNT, 2025).
2.2 Estudo de caso
O estudo de caso refere-se a uma edificação residencial multifamiliar de alto padrão localizada no Setor Noroeste, em Brasília (DF), selecionada pela disponibilidade de dados reais de obra, acesso ao canteiro e pela relevância de uma ainda tipologia pouco investigada. O edifício possui projeção retangular de 920 m², térreo em pilotis e seis pavimentos, totalizando 14.203,67 m² de área construída e 31 m de altura. Abriga 48 unidades de dois quartos, 30 de três quartos e seis coberturas duplex, além de dois subsolos de garagem e reservatórios inferior e superior. O pavimento tipo (1º ao 5º) concentra 14 unidades (Figura 2), enquanto o sexto pavimento reúne as coberturas e oito apartamentos.
A fundação é composta por sapatas isoladas escavadas a céu aberto, com profundidade média de 2 m, sobre solo duríssimo de arenito compactado. A estrutura conta com 59 pilares em concreto usinado, incluindo sete poços de elevadores, e laje protendida de 20 cm. A envoltória adota fachada unitizada com módulos pré-fabricados de alumínio, vidro temperado e granito, complementada por trechos em blocos de concreto, com Percentual de Abertura das Fachadas variando entre 54% e 63%. As partições internas são formadas por blocos cerâmicos nas paredes internas e blocos de concreto nas paredes entre unidades. Os acabamentos de piso, parede, teto e bancadas também foram inventariados, incluindo porcelanatos, revestimentos cerâmicos, pedras naturais, pinturas e forro de gesso acartonado.
2.3 Inventário do Ciclo de Vida (ICV)
Para a elaboração do ICV, realizou-se a coleta detalhada de dados de projeto e de dados reais de obra, permitindo a análise comparativa entre os valores estimados e os efetivamente empregados na construção. Os materiais foram incluídos no ICV conforme sua relevância e representatividade na edificação, sendo excluídos aqueles com insuficiência de dados ou contribuição insignificante aos resultados. O Quadro 2 apresenta os materiais considerados no ICV para cada elemento analisado.
2.3.1 Dados de Projeto (DP)
Os dados de projeto utilizados neste estudo não derivam de uma extração detalhada de modelos ou documentos executivos (como modelos BIM), esses foram obtidos a partir do orçamento prévio de projeto, disponibilizado pela construtora. Para cada material, as informações foram extraídas do orçamento e organizadas por tabulação de dados em planilha do Excel, desenvolvida pelos autores para o ICV deste estudo.
2.3.2 Dados Reais de Obra (DR)
Os dados reais de obra correspondem aos quantitativos de materiais efetivamente utilizados. Esses foram obtidos a partir da extração manual das informações contidas nas notas fiscais coletadas diretamente no canteiro de obras e posteriormente organizadas por tabulação de dados nas planilhas do ICV, assegurando rastreabilidade e verificação cruzada na quantificação dos insumos e das EI.
A coleta de dados primários permitiu a quantificação das emissões de GEEs nos estágios A1–A3. A identificação de fabricantes e fornecedores viabilizou o cálculo das distâncias reais de transporte, por meio do Google Maps, subsidiando as estimativas do estágio A4. As EI do estágio A5 foram estimadas com DR do consumo de diesel por maquinários e caminhões-betoneira, obtidos a partir de notas fiscais e relatórios de concretagem da própria construtora, bem como com DR do uso de energia elétrica, água e do transporte de resíduos da obra, cujos dados foram coletados diretamente dos relatórios de gestão e registros internos do canteiro. O Quadro 3 sintetiza as fontes de dados e os estágios do ciclo de vida considerados.
A Tabela 1 apresenta os fatores de emissão adotados nos cálculos dos estágios A1-A3 para cada material inventariado neste estudo.
As EI do estágio A4 foram calculadas para os cenários de Dados de Projeto (DP) e Dados de Obra (DR), utilizando as mesmas informações de fabricantes, fornecedores e distâncias, todas baseadas em dados reais. O fator de emissão do transporte rodoviário () adotado foi 0,396 kg CO₂eq/t·km, conforme a base de dados Ecoinvent. O dataset utilizado contempla o serviço de transporte rodoviário de carga em perspectiva de ciclo de vida, incluindo produção e combustão do diesel, operação e manutenção do veículo e impactos associados à infraestrutura viária. As EI do estágio A5, fase de construção e instalação no canteiro de obras, foram estimadas com DR do consumo de diesel por maquinários e caminhões-betoneira, obtidos a partir de notas fiscais e relatórios de concretagem da própria construtora, bem como com DR do uso de energia elétrica, água e do transporte de resíduos da obra, cujos dados foram coletados diretamente dos relatórios de gestão e registros internos do canteiro. As emissões de todos esses elementos foram inventariadas e somadas, resultando nas emissões do estágio A5 em kg CO₂eq.
2.4 Análise de sensibilidade
Para aumentar a confiabilidade das conclusões, realizou-se uma análise de sensibilidade utilizando apenas os dados referentes ao estágio de produto (A1-A3), tanto para Dados de Projeto (DP) quanto para Dados Reais de Obra (DR), visando avaliar a robustez dos resultados frente às incertezas dos dados. Para tanto, os cálculos foram refeitos substituindo os fatores de emissão (FCi) dos materiais, obtidos em EPDs ou no Ecoinvent (kg CO₂eq/unidade), pelos fornecidos pela plataforma brasileira SIDAC (kg CO₂/unidade). O SIDAC fornece fatores mínimo e máximo para cada material; assim, as EI foram recalculadas considerando ambos os valores, com resultados em kg CO₂.
Devido à indisponibilidade de fatores de emissão para parte dos materiais na plataforma, a análise com o SIDAC foi limitada aos materiais disponíveis. Foram consideradas as emissões totais de concreto, aço e brita (fundação + estrutura), madeira aplainada (estrutura), argamassa pré-fabricada (envoltória + acabamentos internos), cimento, blocos de concreto (envoltória + partições internas) e bloco cerâmico (partições internas), totalizando 8 materiais, de um universo de 30 materiais avaliados no estudo
Dessa forma, 22 materiais (73% do total) não puderam ser incluídos na análise de sensibilidade por ausência de fatores no SIDAC. Em termos de contribuição para as emissões, esses materiais excluídos representam 31,96% das EI totais de A1–A3 (DR), enquanto os 8 materiais analisados respondem por 68,1% das emissões, indicando que, apesar da exclusão, a análise concentra-se nos insumos de maior relevância emissiva, não comprometendo os principais achados do estudo, mas delimitando seu escopo de interpretação.
É importante ressaltar que as métricas kg CO₂eq e kg CO₂ não são diretamente equivalentes, pois representam indicadores distintos. O CO₂eq (EPD) corresponde a um indicador de impacto ambiental (Potencial de Aquecimento Global), que agrega diferentes gases de efeito estufa por meio de fatores de caracterização, enquanto o CO₂ utilizado no SIDAC constitui um indicador de inventário, que contabiliza apenas as emissões diretas de dióxido de carbono fóssil e químico (Belizario-Silva et al., 2023).
Essa diferença foi contornada pela adoção de uma abordagem de ACV simplificada (streamlined), na qual o CO₂ é utilizado como proxy, considerando que esse gás representa mais de 95% das emissões do setor da construção. Essa simplificação reduz a complexidade e a demanda por dados, favorecendo o uso de dados primários e maior consistência entre materiais. Como implicação, os resultados não abrangem todo o escopo de uma AICV completa, mas tendem a apresentar maior precisão no contexto de análises voltadas à descarbonização, sendo assim válidos para esta análise de sensibilidade (Belizario-Silva et al., 2023). Adicionalmente, o SIDAC constitui, até o momento, a base de dados brasileira mais abrangente para esse tipo de informação, de modo que sua inclusão na análise de sensibilidade agrega robustez e relevância aos resultados. Os resultados do SIDAC foram comparados aos derivados de EPDs, considerando as emissões totais dos mesmos materiais, conforme apresentado na Seção 3.3 – Análise de Sensibilidade.
3 Resultados e discussão
3.1 Índice de Perda e Emissões Relacionadas
A partir do levantamento dos quantitativos de materiais, foi possível calcular o índice de perda/diferença e as emissões associadas no contexto específico desta edificação analisada. Destaca-se que os cálculos de emissões foram realizados com base na massa desperdiçada dos materiais, e não no consumo total, considerando exclusivamente os volumes efetivamente perdidos no canteiro (Figura 3).
Os resultados evidenciam discrepâncias expressivas entre os materiais. Observam-se valores elevados para a brita na fundação (+400%) e para o revestimento cerâmico (+600%), associados à complexidade do solo, desperdícios e substituição de materiais para atendimento a requisitos normativos de desempenho. Outros insumos também apresentam variações relevantes, embora de menor magnitude, como concreto de fundação (83%), granito da envoltória (131%), massa PVA (126%), tinta acrílica (96%) e esmalte (151%). Em contrapartida, o aço da fundação e da estrutura apresenta as menores variações, de 2% e 1%, respectivamente. Esses resultados evidenciam a influência de condições locais, decisões construtivas e processos executivos na variabilidade dos quantitativos, com implicações diretas na estimativa das emissões associadas às perdas.
Com base na massa desperdiçada de cada material e em seus respectivos fatores de emissão (kg CO₂-eq), calculou-se a contribuição relativa de cada insumo para as emissões totais de carbono provenientes de perdas no canteiro. Os maiores contribuintes foram o concreto da estrutura (18%), o concreto da fundação (15%) e o granito da envoltória (12%). Em seguida, destacam-se o bloco de concreto, a argamassa colante, o granito de bancadas e o piso porcelanato, com participações entre 6% e 9%. Materiais com menor participação relativa também contribuíram para o total de emissões, em função de sua intensidade de carbono e do volume de perdas registrado.
3.2 Emissões Incorporadas (EI) de GEEs: A1-A5
As EI totais (A1–A5) com DR (402,63 kg CO₂eq/m²) foram superiores às de DP (336,41 kg CO₂eq/m²), evidenciando aumento associado não só à inclusão das emissões do estágio A5 mas também a ajustes nos demais processos. Mesmo com distribuição percentual semelhante entre os cenários, observa-se predominância dos estágios de produto (A1–A3), seguidos pelo transporte (A4), enquanto A5 apresenta contribuição marginal no total. A comparação indica acréscimo de 19,68% no escopo completo e de 17,10% quando considerados apenas os estágios equivalentes (A1–A4), evidenciando que as diferenças não se limitam à e a inclusão de materiais não previstos do orçamento de DP, mas também ao maior consumo de materiais de alguns materiais intensivos em carbono ao longo da construção.
Em comparação com a literatura, Chen et al. (2022) reportaram 295,60 kg CO₂eq/m² para A1–A5 em um edifício multifamiliar em Xangai, enquanto Illankoon, Vithanage e Pilanawithana (2023) obtiveram 213 kg CO₂eq/m² em edificações residenciais australianas e 232,45 kg CO₂eq/m² em edificações de concreto e aço nos Estados Unidos (A1–A5). Os valores obtidos neste estudo são superiores aos reportados pelos autores, o que se explica principalmente por diferenças de escopo. Chen et al. (2022) consideraram apenas fundação, estrutura e paredes, enquanto Illankoon, Vithanage e Pilanawithana (2023) adotaram um conjunto mais limitado de elementos construtivos, o que reduz a abrangência das emissões contabilizadas.
Röck et al. (2022) reportaram uma média de 340 kg CO₂eq/m² (A1–A5) em edificações residenciais europeias. Ao considerar o ciclo completo (A1–A5 + B1–B4 + C1–C4), os autores obtiveram 356 kg CO₂eq/m² na Dinamarca, 385 kg CO₂eq/m² na União Europeia, 457 kg CO₂eq/m² na Finlândia, 591 kg CO₂eq/m² na Bélgica e 634 kg CO₂eq/m² na França. As EI de obra deste estudo (402,63 kg CO₂eq/m² em A1–A5) situam-se 18,42% acima da média europeia, mas permanecem dentro da faixa usual de 250 a 600 kg CO₂eq/m² para edificações multifamiliares.
Percentual de participação de cada estágio nas emissões totais da edificação para dados de projeto e dados de reais de obra
A predominância das emissões incorporadas (EI) nos estágios de produto (A1–A3) também é consistente com a literatura. Chen et al. (2022) identificaram a concentração de 85,44% das emissões em A1–A3, 11,61% em A4 e 2,93% em A5 em um edifício residencial multifamiliar em Xangai. De forma semelhante, Frischknecht et al. (2020) observaram que aproximadamente 80% das emissões de uma edificação multifamiliar chinesa de 12 pavimentos concentram-se nesses estágios.
Em termos absolutos, Frischknecht et al. (2020) reportaram cerca de 525 kg CO₂eq/m² em A1–A3. No presente estudo, os valores foram inferiores — 307,88 kg CO₂eq/m² com dados reais (DR) e 259,19 kg CO₂eq/m² com dados de projeto (DP) —, o que é coerente com a menor altura da edificação analisada (6 pavimentos), implicando menor demanda estrutural. Para os estágios A4–A5, os autores indicam média de 125 kg CO₂eq/m², enquanto, neste estudo, a etapa de obra totalizou 94,75 kg CO₂eq/m².
O estudo de Faria (2023) avaliou edificações de mesma tipologia e no mesmo bairro do estudo de caso desta pesquisa, obtendo 265,22 kg CO₂eq/m² e 292,71 kg CO₂eq/m² em A1–A3 para áreas de 11.047,25 m² e 15.824,25 m², respectivamente. Em comparação, as emissões obtidas com dados reais de obra neste estudo (307,88 kg CO₂eq/m²) foram 5,18% superiores às da edificação de maior porte analisada por Faria (2023), apesar da diferença de 11,41% entre as áreas construídas. Esse acréscimo decorre do maior número de elementos e materiais considerados na presente análise. Já os resultados com dados de projeto permaneceram 11,45% abaixo do valor de 292,71 kg CO 2 eq/m² reportado por Faria (2023). De forma consistente, os resultados de Melo et al. (2023), que variam entre 270 e 390 kg CO₂eq/m² para A1–A3 em edificações brasileiras, também englobam a faixa observada neste estudo, embora sem a inclusão da fundação.
De modo geral, os resultados alinham-se às tendências consolidadas da literatura, confirmando o predomínio das emissões nos estágios de produto e o papel central dos materiais estruturais, especialmente concreto e aço. As variações observadas estão associadas principalmente ao porte das edificações, aos elementos considerados e ao escopo dos inventários, evidenciando a influência das escolhas metodológicas e das bases de dados. Ainda assim, os valores obtidos permanecem coerentes com estudos nacionais e internacionais, reforçando a consistência dos achados e a necessidade de maior padronização dos limites de sistema para ampliar a comparabilidade entre pesquisas.
3.2.1 Estágios A1-A3
Nesta seção, analisam-se as EI dos estágios A1–A3, que englobam a extração das matérias-primas, o transporte até as indústrias e a fabricação dos materiais. As EI de A1–A3 calculadas com DR (307,88 kg CO₂eq/m²) foram 18,75% superiores às estimadas com DP (259,26 kg CO₂eq/m²), evidenciando diferenças relevantes entre estimativas de projeto e consumo efetivo em obra.
A estrutura foi o principal contribuinte em ambas as fontes, representando 64,91% no projeto e 58,68% na obra. As emissões totais do elemento foram de 168,28 kg CO₂eq/m² (DP) e 180,68 kg CO₂eq/m² (DR), o que corresponde a um aumento de 7,37%, indicando relativa proximidade entre as estimativas de projeto e os valores reais obtidos em obra. O concreto predominou (Figura 5B), representando 64,79% das EI em projeto (109,04 kg CO₂eq/m²) e 66,69% em obra (120,49 kg CO₂eq/m²), com aumento de 10,5% associado ao uso de lajes protendidas, que demandaram vigas mais robustas. O aço apresentou comportamento relativamente estável, com leve redução de 33,37% (DP) para 31,45% (DR), enquanto brita e madeira para formas permaneceram abaixo de 1% de participação.
Emissões incorporadas (EI) de GEEs por elemento da edificação para dados de projeto e dados reais de obra nos estágios A1-A3 - (A) Fundação; (B) Estrutura; (C) Envoltória; (D) Partições Internas; (E) Acabamentos internos
Os acabamentos internos constituíram o segundo maior emissor das EI de A1–A3, correspondendo a 13,85% em projeto e 18,88% em obra. As emissões totais desse elemento para DP foram de 35,92 kg CO₂eq/m², enquanto com DR houve aumento de 61,8%, alcançando 58,11 kg CO₂eq/m², associado à inclusão de materiais não previstos nas estimativas orçamentárias.
Entre os cinco grupos de materiais analisados neste elemento (Figura 5E), o piso apresentou a maior contribuição para as emissões, totalizando 38,13% das EI em projeto (13,7kg CO₂eq/m²) e 30,81% em obra (17,91 kg CO₂eq/m²). Apesar da redução em termos proporcionais, as emissões de obra foram 30,77% superiores. No grupo piso, o porcelanato foi o principal emissor, representando 72,48% das emissões em projeto (9,93 kg CO₂eq/m²) e 77,80% em obra (13,93 kg CO₂eq/m²), correspondendo a um acréscimo de aproximadamente 41% entre DP e DR. O granito foi o segundo maior emissor, com 15,37% (DP) e 9,46% (DR), seguido pelo contrapiso, com 9,40% (DP) e 6,03% (DR). Os demais materiais apresentaram participações inferiores a 2%.
O segundo maior emissor do elemento acabamentos internos foi o grupo parede, representando 27,83% das EI em projeto (10 kg CO₂eq/m²) e 24,54% em obra (14,3 kg CO₂eq/m²), sendo as emissões para DR aproximadamente 31% superiores. Em projeto, o porcelanato concentrou 53,03% das EI do grupo (5,30 kg CO₂eq/m²), seguido pela pintura (36,83%) e pela massa PVA (9,09%). Em obra, a pintura tornou-se o principal emissor do grupo, respondendo por 51% das EI. O 2° maior contribuinte em obra foi o porcelanato, com 25,48% das EI (3,63 kg CO₂eq/m²), representando redução de aproximadamente 32% em relação ao projeto, associada ao menor consumo em obra (–2.042 kg).
O grupo de materiais gerais foi o terceiro maior contribuinte das EI do elemento acabamentos internos para DR, respondendo por 22,71% das EI (13,2 kg CO₂eq/m²). A argamassa pré-fabricada respondeu por 58% das emissões (7,65 kg CO₂eq/m²), representando um aumento de 31,85% em relação ao projeto, associado ao maior consumo em obra. A argamassa colante contribuiu com 41,72% das EI e a refratária com apenas 0,35%. Destaca-se que, caso a análise se restringisse aos dados de projeto, mais de 78 mil kg CO₂eq deixariam de ser contabilizados.
Para DP o grupo teto foi o terceiro maior emissor dos acabamentos internos, representando 17,90% das EI (6,4 kg CO₂eq/m²). Em projeto, a chapa de gesso acartonado foi o principal emissor representando 53,64% das EI (3,45 kg CO₂eq/m²), seguido pela pintura com 43,52% das emissões (2,8 kg CO₂eq/m²). Já em obra, o grupo teto foi o quarto maior emissor, respondendo por 11,93% das EI. Apesar da menor participação relativa em DR, as emissões por m² do grupo teto foram superiores em obra, atingindo 7 kg CO₂eq/m². A pintura representou a maior parcela das emissões deste grupo (58,17%), atingindo 4,03 kg CO₂eq/m², correspondendo a um aumento de aproximadamente 43,93% em relação ao DP.
A envoltória totalizou 9,21% das EI com DP (23,87 kg CO₂eq/m²) e 9,08% com DR (27,96 kg CO₂eq/m²), configurando este elemento como o terceiro maior emissor em ambos os cenários de A1-A3. A análise por material (Figura 5C) indica que, em DP, o vidro 8 mm foi o principal emissor, respondendo por 35,9% (8,6 kg CO₂eq), seguido pelo alumínio das esquadrias (26,9%) e pelo granito (24%). Em DR, o granito passou a liderar, com 47,31% (13,23 kg CO₂eq/m²), seguido pelo alumínio (26,43%) e pelo vidro 8 mm (13,83%).
A fundação foi o quarto maior emissor em A1–A3, respondendo por 6,13% das EI em projeto (15,90 kg CO₂eq/m²) e 8,36% em obra (25,73 kg CO₂eq/m²) um aumento de 62%. Esse acréscimo está associado ao maior consumo de concreto em obra, associado à escavação em solo extremamente duro, que ampliou as valas além do previsto, e à execução de um bloco de grande volume no subsolo para o reservatório inferior.
Em ambos os cenários, as partições internas (Figura 5D) apresentaram a menor participação nas EI totais de A1–A3, com 5,9% em projeto (15,29 kg CO₂eq/m²) e 5,0% em obra (15,40 kg CO₂eq/m²). Foi o elemento com menor variação entre as fontes, registrando acréscimo de apenas 0,7% para DR. Em projeto, a ausência de bloco de concreto, chapisco e cimento no orçamento levou o bloco cerâmico a concentrar 99,66% das EI (15,24 kg CO₂eq/m²), as portas prontas responderam por apenas 0,34%. Com dados reais, o bloco cerâmico manteve-se como principal emissor, porém com redução de aproximadamente 45%, totalizando 8,37 kg CO₂eq/m² (54,40%), evidenciando possível superestimação nas estimativas de projeto.
A Figura 6 apresenta o desvio padrão das EI por material construtivo, em kg CO₂eq/m², considerando a comparação entre dados de projeto e dados reais de obra no estágio A1–A3. Destaca-se que, enquanto os DR foram coletados diretamente no canteiro a partir das notas fiscais, os DP derivam do orçamento prévio de projeto; por essa razão, alguns materiais não foram contemplados no orçamento inicial e, consequentemente, não aparecem nos DP, sendo registrados apenas nos DR.
Desvio Padrão das Emissões Incorporadas (EI) por material construtivo por m² para Dados de Projeto e Dados Reais de Obra no estágio A1-A3
Observa-se que as emissões são significativamente concentradas em poucos materiais, com destaque para o concreto, que apresenta a maior intensidade (DP=120,61 kg CO₂eq/m²; DO=141,63 kg CO₂eq/m²) e coeficiente de variação relativamente baixo de 11,34%, indicando variabilidade moderada. Esses resultados evidenciam não apenas sua elevada contribuição absoluta do concreto, mas também uma dispersão considerável entre os valores estimados e executados, refletindo a sensibilidade do material a variações de traço, fornecedores e condições de obra, que já foi verificado em trabalhos anteriores (Silva; Caldas; Ferreira, 2025). O aço configura-se como o segundo maior emissor (DP= 60,45 kg CO₂eq/m²; DO= 61,18 kg CO₂eq/m²), com o menor coeficiente de variação observado (0,84%), evidenciando elevada consistência entre os dados e baixa dispersão.
Na sequência, o porcelanato e o revestimento cerâmico apresentam emissões elevadas, entre 15,53 (DP) e 17,73 kg CO₂eq/m² (DR), sendo o terceiro material mais emissivo. Apesar disso, o baixo coeficiente de variação (9,32%) indica variabilidade baixa a moderada, evidenciando consistência entre estimativas e valores executados, além de maior previsibilidade de consumo. O granito aparece como quarto maior emissor, com 7,83 kg CO₂eq/m² em DP e DR, destacando-se pela elevada variação (~66%), explicada pelo maior consumo em obra e pela inclusão de bancadas no ICV de dados reais, tornando-o um dos materiais com maior dispersão.
Entre os materiais de contribuição intermediária, a tinta acrílica (DP=6,48; DR=11,24 kg CO₂eq/m²) apresentou variação de ~38%, o bloco cerâmico (DP=15,24; DR=8,38) de 41,07%, a argamassa (DP=6,44; DR=14,06) de 52,59% e o vidro (DP=8,83; DR=3,87) de 55,29%. Embora com emissões moderadas, exibem alta variabilidade, refletindo diferenças entre orçamento e consumo real, além de desperdícios e alterações projetuais.
Entre os maiores coeficientes de variação, destacam-se o cimento (90,19%) e o bloco de concreto (128,46%). As emissões do cimento passaram de 0,64 kg CO₂eq/m² (DP) para 2,87 (DR), enquanto o bloco de concreto aumentou de 0,23 para 4,70 kg CO₂eq/m². Apesar de ocuparem posições inferiores (12º e 13º emissores), a elevada variabilidade evidencia inconsistências nas estimativas e no consumo, indicando limitações na acurácia dos dados de projeto e a necessidade de maior controle e detalhamento no planejamento. Nos materiais de menor contribuição, observa-se comportamento heterogêneo. Brita (DP=3,04; DR=3,52 kg CO₂eq/m²), tinta látex-acrílica (DP=1,29; DR=1,11) e chapa de gesso acartonado (DP=3,45; DR=2,51) apresentaram variações entre 10% e 20%, com baixas emissões e variações reduzidas, indicando boa concordância entre dados de projeto e obra e maior confiabilidade das estimativas.
De forma geral, os resultados evidenciam uma distribuição assimétrica da variabilidade das emissões dos estágios A1–A3, concentrada principalmente nos materiais estruturais, especialmente concreto e aço, independentemente da fonte de dados adotada (DR ou DP), estando de acordo com a literatura (Machado; Silvestre; Bohne, 2025; Benk et al., 2025). Contudo, a análise do desvio padrão e coeficiente de variação evidencia que a maior variabilidade não está necessariamente associada aos materiais de maior emissão absoluta, mas sim àqueles mais suscetíveis a diferenças entre o previsto e o executado, como o concreto, granito e parte dos materiais de acabamento. Em contrapartida, materiais como aço, cimento e alumínio apresentaram elevada consistência entre os dados de projeto e de obra, indicando maior confiabilidade nas estimativas. Assim, as discrepâncias observadas reforçam limitações inerentes aos dados de projeto, sobretudo na representação de consumos reais, e evidenciam a importância de incorporar a variabilidade da execução na ACV, de modo a aprimorar a acurácia das estimativas de EI.
3.2.2 Estágio A4
As EI do estágio A4, relativas ao transporte dos materiais até o canteiro, foram analisadas para os cinco elementos da edificação e evidenciaram diferenças relevantes entre dados de projeto (DP) e dados reais de obra (DR). As emissões totais para DP atingiram 77,14 kg CO₂eq/m², já para DR observou-se um acréscimo de 11,56%, chegando a 86,10 kg CO₂eq/m². Esse aumento está associado ao maior volume de materiais e às distâncias reais de transporte identificadas a partir das notas fiscais.
O elemento fundação apresentou a maior variação proporcional (Figura 7A), com aumento de 50,7% das EI para DR, elevando sua participação total de 2,14% com DP para 2,89% em obra. Na estrutura (Figura 7B), as EI cresceram 4,38%. Contudo, sua participação relativa reduziu de 31,16% (DP) para 29,16% (DR), refletindo o maior crescimento dos demais elementos. Em ambos os elementos, o concreto foi o principal responsável pelas EI em A1–A3, seguido pelo aço. Já em A4, essa relação se inverte, com o aço predominando devido à maior distância de transporte (≈975 km), em contraste com o concreto, adquirido localmente (≈20 km), evidenciando a relevância da escolha de fornecedores.
Percentual de participação nas emissões por elemento e por material para Dados de Projeto e Dados Reais de Obra no estágio A4
Na envoltória, as EI aumentaram 21,83%. O alumínio destacou-se como principal emissor (Figura 7C), com 48,68% as EI para DP e 46% para DR, passando a liderar as emissões da envoltória no estágio A4. As partições internas (Figura 7D) foram o único elemento com redução nas EI em A4, uma redução de 25,7%, associada ao menor consumo de blocos cerâmicos e à otimização logística.
O principal responsável pelas emissões do estágio A4 foi o elemento acabamentos internos (Figura 7E), totalizando 34,10 kg CO₂eq/m² (44,20%) em DP, com aumento de 16,39% em DR, atingindo 39,69 kg CO₂eq/m² (46,12%). Esse aumento decorre do maior número de materiais inventariados e do maior consumo de insumos com fatores de emissão maiores.
Em ambos os cenários, porcelanato e revestimento cerâmico concentraram a maior parcela das emissões, respondendo por 63,44% em projeto e 61,68% em obra. A chapa de gesso acartonado foi o segundo maior emissor, com 21,66% (DP) e 13,55% (DR), apresentando redução de 27,20% associada ao menor consumo efetivo. O granito ocupou a terceira posição, com 3,34% das EI em DP e 10,17% em DR, um aumento de 288,18% devido ao maior consumo e à inclusão das bancadas com dados reais. Os demais materiais apresentaram participação inferior a 1,5%.
A avaliação das EI do estágio A4 por material, normalizadas por m² (Figura 8), indica que porcelanato e revestimento cerâmico foram os principais emissores, com 21,63 kg CO₂eq/m² em projeto e 24,48 kg CO₂eq/m² em obra, seguidos pelo aço, com 14,43 kg CO₂eq/m² (DP) e 14,58 kg CO₂eq/m² (DR).Na sequência, destacaram-se, para DP, a chapa de gesso acartonado (7,39 kg CO₂eq/m²), alumínio (6,04 kg CO₂eq/m²), concreto (5,68 kg CO₂eq/m²), brita (5,60 kg CO₂eq/m²), granito (3,87 kg CO₂eq/m²) e vidro (3,35 kg CO₂eq/m²). Os demais materiais apresentaram emissões inferiores a 3 kg CO₂eq/m².
Desvio Padrão das Emissões Incorporadas (EI) por material construtivo por m² para Dados de Projeto e Dados Reais de Obra no estágio A4
Em obra, observa-se reconfiguração das contribuições relativas: o granito passa a ser o 3º maior emissor, atingindo 10,57 kg CO₂eq/m², (+~63% em relação a DP). Em sequência, o alumínio mantém elevada contribuição, com 6,95 kg CO₂eq/m² (+~15%), o concreto apresenta um crescimento de ~17%, alcançando 6,68 kg CO₂eq/m², e a brita atinge 6,31 kg CO₂eq/m² (+~12%). Já a chapa de gesso acartonado reduziu sua contribuição, chegando a 5,38 kg CO₂eq/m² (- ~17%).
A análise do estágio A4 evidencia a influência das escolhas logísticas e da qualidade dos dados na quantificação das EI. A comparação entre projeto e obra revelou aumentos significativos, associados tanto ao maior consumo de materiais quanto às distâncias reais de transporte, reforçando a importância da rastreabilidade por meio de notas fiscais e da priorização de fornecedores locais como estratégias fundamentais para a redução das EI de transporte.
3.2.3 Estágio A5
O estágio A5, referente às atividades no canteiro de obras, apresentou uma parcela mais baixa, prém significativa, das emissões totais, sobretudo pelo consumo de energia, combustíveis e geração de resíduos. Considerando os DR, as emissões do estágio A5 foram quantificadas, conforme ilustrado na Figura 9.
O estágio A5 registrou emissões totais de 8,70 kg CO₂eq/m², valor inferior aos obtidos nos estágios A1–A4, mas ainda relevante na pegada de carbono da edificação, indicando importantes oportunidades de redução. O consumo de diesel se destaca, sendo responsável por 4,97 kg CO₂eq/m² (57,25%), evidenciando a forte dependência de combustíveis fósseis no transporte de materiais e na operação de maquinário pesado. A análise do estágio A5, viabilizada exclusivamente por dados reais de obra, revela um perfil de emissões altamente concentrado em poucos processos. O consumo de diesel é a principal fonte, refletindo a forte dependência de máquinas a combustão e indicando limitações na adoção de alternativas mais eficientes e no planejamento das operações.
3.3 Análise de sensibilidade
A Figura 10 apresenta a análise de sensibilidade das emissões incorporadas (EI), considerando três cenários de fatores de emissão:
Análise de sensibilidade entre EPDs e SIDAC para Dados Reais de Obra (DR) e Dados de Projeto (DP)
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valores de EPD (kg CO₂eq/m²);
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valores mínimos do SIDAC (kg CO₂/m²); e
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valores máximos do SIDAC (kg CO₂/m²).
Foram utilizados tanto dados reais de obra (DR) quanto dados de projeto (DP). Essa estrutura permitiu avaliar a influência da escolha da base de dados na estimativa das emissões, evidenciando a amplitude de variação associada aos diferentes inventários. A comparação de unidades diferentes, kg CO₂eq/m² e kg CO₂/m², foi justificada anteriormente na seção 2, Método, subseção 2.4.
Para DR, observa-se elevada dispersão entre os resultados de EPD e os limites do SIDAC, indicando forte sensibilidade às fontes de dados. Para o concreto, o valor de EPD (141,63 kg CO₂eq/m²) situa-se entre o mínimo (131,60 kg CO₂/m²) e o máximo (183,65 kg CO₂/m²) do SIDAC, sugerindo convergência relativa, ainda com variação significativa. Em contraste, o aço apresenta comportamento divergente, com valor de EPD (61,18 kg CO₂eq/m²) substancialmente superior ao intervalo do SIDAC (16,08 a 40,07 kg CO₂/m²), evidenciando alta sensibilidade e ausência de sobreposição.
Para materiais de impacto intermediário, como argamassa e cimento, a sensibilidade também é elevada, porém com padrão inverso ao do aço. A argamassa apresenta 8,51 kg CO₂eq/m² na EPD, enquanto no SIDAC varia entre 14,21 e 17,41 kg CO₂/m². De forma semelhante, o cimento registra 2,87 kg CO₂eq/m² na EPD, frente a 4,87 a 6,53 kg CO₂/m² no SIDAC. Esses resultados indicam que a escolha da base de dados pode gerar variações superiores a 100%, evidenciando elevada incerteza nos fatores de emissão.
Nos materiais de menor contribuição, observa-se comportamento menos uniforme, com casos em que os valores de EPD se posicionam tanto dentro quanto fora dos limites do SIDAC. Nesses casos, pequenas diferenças absolutas resultam em variações percentuais expressivas, aumentando a sensibilidade relativa e a incerteza dos resultados.
Com DP, a análise de sensibilidade mantém padrões consistentes com os da obra, indicando que a variabilidade decorre principalmente das diferenças entre bases de dados. Para o concreto, o valor de EPD (120,61 kg CO₂eq/m²) permanece entre os limites do SIDAC (112,07 a 156,40 kg CO₂/m²), mantendo comportamento intermediário. Para o aço, persiste discrepância significativa, com EPD (60,45 kg CO₂eq/m²) superior ao intervalo do SIDAC (15,89 a 39,59 kg CO₂/m²).
Para argamassa e cimento, repete-se o padrão de EPD inferior ao SIDAC. A argamassa varia de 6,44 kg CO₂eq/m² (EPD) para 10,76 a 13,18 kg CO₂/m² (SIDAC), enquanto o cimento apresenta 0,64 kg CO₂eq/m² (EPD) frente a 1,08 a 1,45 kg CO₂/m² (SIDAC). A consistência entre obra e projeto indica que a sensibilidade está mais associada às diferenças metodológicas e de inventário entre EPD e SIDAC do que às fontes de dados dos materiais.
Na análise conjunta, não se observa comportamento uniforme entre as bases. Para materiais como o concreto, os valores de EPD situam-se dentro da faixa do SIDAC, atuando como estimativa intermediária. Para o aço, são sistematicamente superiores aos do SIDAC, enquanto para argamassa e cimento ocorre o oposto, com EPD consistentemente inferiores. De modo geral, na maioria dos casos, os valores de EPD tendem a posicionar-se entre os limites mínimo e máximo do SIDAC, ainda que sem padrão universal aplicável a todos os materiais.
Adicionalmente, a análise de sensibilidade mostra que a contabilização das EI é sistematicamente maior com dados reais de obra, independentemente da base. A variação percentual entre projeto e obra é mais acentuada nos cenários com SIDAC, atingindo cerca de 19,42% no cenário mínimo e 17% no máximo. Em contraste, o uso de EPDs resulta em variação mais moderada (11,67%), indicando menor dispersão e maior estabilidade frente às mudanças entre fontes de dados (DR e DP). Essa diferença reforça que a sensibilidade está diretamente associada aos conjuntos de dados e aos pressupostos metodológicos adotados na obtenção dos fatores de emissão, e não à superioridade de uma abordagem. Nesse contexto, a menor variabilidade das EPDs deve ser interpretada como maior consistência interna dos dados, e não como maior precisão.
Assim, a análise de sensibilidade demonstra que as incertezas associadas às bases de dados de fatores de emissão são centrais na avaliação das EI. Isso reforça a importância da transparência na seleção das fontes e da consideração explícita das faixas de variação, especialmente em estudos de Avaliação do Ciclo de Vida aplicados ao ambiente construído.
3.4 Avaliação das incertezas associadas às estimativas de emissões incorporadas (EI)
A análise indica variação de aproximadamente 10% a 20% entre dados de projeto e dados reais de obra na edificação estudada. Ressalta-se, contudo, que os “dados de projeto” não derivam de extrações detalhadas de modelos ou documentos executivos (como BIM), mas de estimativas orçamentárias, que podem incorporar simplificações, omissões ou subdimensionamentos, refletindo práticas correntes do setor. Assim, a variação observada deve ser interpretada com cautela, pois pode decorrer não apenas de diferenças entre projeto e execução, mas também das limitações do processo de orçamentação.
Ainda assim, os resultados indicam que discrepâncias entre valores estimados e dados reais são relevantes na quantificação das emissões incorporadas (EI) nas etapas A1–A5. A consideração de margens de variação ou fatores de ajuste pode ser explorada como abordagem preliminar para incorporar incertezas dos dados de entrada, desde que devidamente contextualizada e restrita ao escopo do estudo. Essa abordagem pode contribuir para metas mais realistas de redução de emissões, frente à crescente urgência de neutralidade de carbono no setor da construção.
Destaca-se, porém, que a definição de fatores de correção generalizáveis requer base empírica mais robusta. Recomenda-se que estudos futuros comparem estimativas de projeto — preferencialmente oriundas de modelos detalhados e quantitativos (como BIM) — com dados reais de obra, abrangendo diferentes tipologias construtivas. Especial atenção deve ser dada a edificações de interesse social, como as de programas habitacionais de larga escala, a exemplo do Programa Minha Casa, Minha Vida, dada sua elevada repetibilidade no contexto brasileiro.
Por fim, a realização desse tipo de análise ainda enfrenta desafios relevantes, como:
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dificuldade de acesso a dados junto às empresas, devido à confidencialidade e competitividade; e
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complexidade na coleta e organização das informações, que envolvem grande volume de materiais e dependem de documentos fiscais nem sempre sistematizados nos canteiros.
Nesse contexto, o estudo contribui ao explicitar tais limitações e propor um caminho metodológico inicial para comparar estimativas e dados reais na avaliação de EI.
4 Conclusão
A avaliação das emissões incorporadas (EI) de carbono nos estágios A1–A5 de uma edificação residencial multifamiliar de alto padrão em Brasília, a partir de um estudo de caso, permitiu caracterizar de forma abrangente o perfil de carbono dessa tipologia ainda pouco explorada no contexto brasileiro. As emissões calculadas com dados reais de obra totalizaram 402,63 kg CO₂eq/m², valor 19,72% superior ao estimado em projeto que atingiu 336,41 kg CO₂eq/m². A produção de materiais (A1–A3) concentrou 76,47% das emissões, seguida pelo transporte (A4), com 21,37%, e pelos processos construtivos (A5), com 2,16%.
Entre os elementos, a estrutura foi o principal emissor em A1–A3 (58,68%), seguida por acabamentos internos (18,88%) e envoltória (9,08%). No estágio A4, os acabamentos internos predominaram (46,12%), influenciados pela longa distância dos fornecedores (algumas superiores a superior a 1.600 km) e pela elevada contribuição do porcelanato e revestimento cerâmico.
Por material de A1-A3, destacaram-se o concreto da estrutura (39,13%), o aço estrutural (18,46%), o concreto da fundação (6,87%), os revestimentos cerâmicos e porcelanato (4,53%), o granito da envoltória (4,30%) e o alumínio das esquadrias e brises (2,89%). No transporte (A4), os maiores emissores foram porcelanato e revestimentos cerâmicos (28,45%), aço estrutural (15,73%), alumínio (8,10%) e granito (7,59%). As diferenças entre projeto e obra foram expressivas, sobretudo na fundação (+60,8%) e nos acabamentos internos (+39,67%), evidenciando limitações associadas ao uso de estimativas baseadas em dados de previsão orçamentária
A análise de sensibilidade revelou forte dependência dos resultados em relação à base de dados adotada (SIDAC, EPDs e Ecoinvent), com variações nos valores absolutos e na contribuição relativa dos materiais. Ainda assim, observou-se que, para o estudo de caso analisado, a diferença entre estimativas e dados reais situou-se na faixa de 10% a 20%, embora tal intervalo deva ser interpretado com cautela devido às limitações dos dados de entrada.
Conclui-se que a incorporação de dados reais de consumo de material é fundamental para diagnósticos mais precisos e para a definição de políticas públicas e metas confiáveis de mitigação de carbono no setor da construção. A faixa de variação identificada pode ser entendida como um valor exploratório inicial, útil para indicar a ordem de grandeza das incertezas associadas a estimativas baseadas em dados não observados, não devendo ser interpretada como um fator normativo ou generalizável, uma vez que diferentes materiais, componentes e sistemas construtivos apresentam comportamentos e fatores de emissão distintos. Estudos futuros devem ampliar a análise para outras tipologias e regiões, intensificar o uso de dados reais, incluir os módulos de uso (B) e fim de vida (C) e abranger outras categorias de impacto, fortalecendo a representatividade das ACVs e sua aplicação no planejamento urbano sustentável.
Como limitações, destaca-se que os resultados decorrem de um único estudo de caso, o que restringe sua validade externa e generalização para outras tipologias construtivas, regiões ou padrões de execução. Adicionalmente, os dados de “projeto” utilizados correspondem a estimativas de previsão orçamentária, podendo incorporar simplificações ou subdimensionamentos. Assim, as diferenças observadas podem refletir não apenas variações entre fases do empreendimento, mas também limitações inerentes às práticas de orçamentação. Nesse sentido, os resultados devem ser interpretados como indicativos e exploratórios, reforçando a necessidade de ampliação da base empírica para consolidação de parâmetros mais robustos no contexto brasileiro.
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Declaração sobre IA Generativa e Tecnologias Assistidas por IA no Processo de Escrita
Durante a preparação deste manuscrito, os autores utilizaram ferramentas de inteligência artificial generativa para apoio na revisão linguística e correção gramatical da redação acadêmica. Todas as sugestões foram cuidadosamente avaliadas, revisadas e validadas pelos autores. Os autores assumem total responsabilidade pelo conteúdo final do manuscrito, incluindo a precisão das informações, interpretações, análises e conclusões apresentadas.
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Financiamento
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001' (primeira autora). Os autores também agradecem as bolsas concedidas pelo CNPq – Processo 301650/2025-0e FAPERJ – Processo E-26/200.162/2023 (terceiro autor).
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CLARIMUNDO, M.; FIGUEIREDO, C. R.; CALDAS, L. R. Avaliação do ciclo de vida de emissões de carbono de uma edificação residencial multifamiliar em Brasília, DF: comparação entre dados de projeto e dados reais de obra. Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 26, e153242, jan./dez. 2026. ISSN 1678-8621 Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído. http://dx.doi.org/10.1590/s1678-86212026000100997
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os autores declaram que os dados de pesquisa do manuscrito estão disponíveis no repositório da Universidade de Brasília – UnB. Disponível em: https://repositorio.unb.br/handle/10482/53911.
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Editado por
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Editora:
Giane de Campos Grigoletti












Fonte: adaptado da construtora (2024).



Notas: foram apresentados apenas os materiais com emissões iguais ou superiores a 0,5 kgCO₂eq/m². Argamassa* = somatória de toda argamassa analisada. Alumínio* = somatória de todo alumínio analisado. Tinta acrílica* = somatória da tinta acrílica aplicada nas paredes e teto.

Notas: foram apresentados apenas os materiais com emissões iguais ou superiores a 0,25 kgCO₂eq/m². Argamassa* = somatória de toda argamassa analisada.

