Palavras-chave
Ecocardiografia; Medição de Risco; Mortalidade; Voluntários Saudáveis
Keywords
Echocardiography; Risk Assessment; Mortality; Healthy Volunteers
Palavras-chave
Ecocardiografia; Medição de Risco; Mortalidade; Voluntários Saudáveis
Keywords
Echocardiography; Risk Assessment; Mortality; Healthy Volunteers
A Ecocardiografia Transtorácica (ETT) é uma ferramenta amplamente estabelecida para a avaliação da função cardíaca e da hemodinâmica. Embora parâmetros de função sistólica e diastólica do Ventrículo Esquerdo (VE) sejam comumente utilizados, o Débito Cardíaco (DC) permanece central na avaliação do estado hemodinâmico, especialmente em contextos de cuidados intensivos. Parâmetros derivados da ETT, como a Integral Velocidade–Tempo do Trato de Saída do Ventrículo Esquerdo (LVOT VTI) e a área do trato de saída, quando combinados a características antropométricas e à frequência cardíaca, permitem estimativas não invasivas do débito cardíaco. Entretanto, a precisão dos cálculos de DC pode diminuir quando múltiplas covariáveis são incluídas, sendo o diâmetro da LVOT uma das principais fontes de erro.1 Em contraste, a LVOT VTI isoladamente pode representar um marcador substituto mais simples e potencialmente mais reprodutível do desempenho cardíaco.
Em pacientes com Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção reduzida (ICFEr), valores de LVOT VTI inferiores a 12 cm ou 8 cm foram associados a piores desfechos cardiovasculares, com aumento progressivo do risco à medida que o VTI diminui.2,3 De forma semelhante, em casos de embolia pulmonar de risco intermediário a alto, uma LVOT VTI ≤ 15 cm associou-se a maior mortalidade intra-hospitalar, parada cardiorrespiratória, choque e necessidade de terapia de reperfusão.4 Na insuficiência mitral secundária, uma LVOT VTI ≤ 17 cm prediz mortalidade cardiovascular mortalidade por todas as causas.5 Em adultos ambulatoriais com Doença Arterial Coronariana (DAC) estável, LVOT VTI ≤ 18 cm esteve associado à hospitalização por insuficiência cardíaca e à mortalidade.6 Apesar desses achados, ainda há dados limitados quanto à utilidade da LVOT VTI em adultos vivendo na comunidade.
Neste estudo, buscamos avaliar a associação entre LVOT VTI e mortalidade entre participantes da coorte ELSA-Brasil, um estudo multicêntrico ocupacional com adultos brasileiros.7 Os participantes foram submetidos à ETT padronizada entre 2008 e 2010, conforme diretrizes publicadas. Todos os exames foram posteriormente analisados em laboratório central.7 As medidas incluíram LVOT VTI, Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE), Índice de Volume Sistólico (IVS) e Índice Cardíaco (IC). A mortalidade foi avaliada por acompanhamento anual e adjudicada pelos investigadores até dezembro de 2022.
Dados ecocardiográficos estavam disponíveis para 2.237 participantes (58,6 ± 9,1 anos; 46% do sexo masculino). A média da LVOT VTI foi 19,6 ± 4,0 cm, e 11% apresentaram valor inferior ao ponto de corte pré-especificado (< 15 cm), semelhante aos pontos de corte adotados em outros estudos e situado entre os percentis 10 e 25 da distribuição da amostra. Participantes com LVOT VTI < 15 cm eram ligeiramente mais velhos (57 ± 9,9 vs. 58,8 ± 8,9 anos; p = 0,009) e apresentavam maior proporção de homens (63% vs. 44%; p < 0,001) em comparação ao grupo com LVOT VTI ≥ 15 cm. A prevalência de outros parâmetros de desempenho cardíaco abaixo dos limiares estabelecidos de anormalidade4,5 foi: FEVE < 50% (n = 71; 3%), IVS ≤ 38 mL/m² (n = 1.673; 74%) e IC ≤ 2 L/min/m² (n = 905; 40%). A distribuição das demais variáveis relevantes encontra-se na Tabela 1. Durante acompanhamento médio de 11,8 ± 2,2 anos, ocorreram 199 óbitos (8,9%), sendo 137 em homens e 62 em mulheres.
A mortalidade foi maior entre os participantes com LVOT VTI < 15 cm em comparação àqueles com valores ≥ 15 cm (12,6% vs. 8,4%; teste de log-rank χ² = 4,68; p = 0,026; Figura 1). Na análise multivariada por modelo de riscos proporcionais de Cox, essa associação mostrou-se independente de idade e sexo (Modelo 1: HR 1,48; IC de 95% 1,00–2,18; p = 0,048). A associação permaneceu significativa após ajuste para área de superfície corporal (Modelo 2) e apresentou discreta atenuação após ajuste adicional para pressão arterial sistólica (Modelo 3: HR 1,46; IC de 95% 0,99–2,15; p = 0,053) (Tabela 2). De modo geral, valores mais baixos de LVOT VTI associaram-se de forma consistente a maior risco de mortalidade em todos os modelos, mesmo após ajustes sequenciais para covariáveis demográficas e hemodinâmicas.
– Modelos multivariados de Cox para mortalidade por todas as causas segundo LVOT VTI (< 15 cm vs. ≥ 15 cm)
Observou-se ainda correlação fraca entre LVOT VTI e altura (r = -0,073; p < 0,001), e ausência de correlação significativa com peso (r = 0,039; p = 0,067) ou com área de superfície corporal (r = 0,0003; p = 0,99), reforçando a relativa independência do LVOT VTI em relação às características antropométricas.
Em síntese, uma LVOT VTI < 15 cm foi associada a maior mortalidade em adultos residentes na comunidade em um país de renda média. A LVOT VTI pode representar uma métrica simples para rastreamento do desempenho cardíaco na estratificação de risco cardiovascular em populações gerais, independentemente de ajustes para variáveis demográficas e hemodinâmicas. Estudos adicionais são necessários para confirmar o papel independente da LVOT VTI na classificação de risco e para definir pontos de corte clinicamente relevantes em diferentes contextos clínicos.
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Vinculação Acadêmica:
Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.
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Aprovação Ética e Consentimento Informado:
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Clínicas de Porto Alegre sob o número de protocolo 0017.1.069.000-06 194/06. Todos os procedimentos envolvidos nesse estudo estão de acordo com a Declaração de Helsinque de 1975, atualizada em 2013. O consentimento informado foi obtido de todos os participantes incluídos no estudo.
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Uso de Inteligência Artificial:
Os autores não utilizaram ferramentas de inteligência artificial no desenvolvimento deste trabalho.
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Disponibilidade de Dados:
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo está disponível mediante solicitação ao autor correspondente.
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Fontes de Financiamento:
O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.
Editado por
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Editor responsável pela revisão:
Marcelo Tavares
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