Fundamento: A disfunção diastólica (DD) é altamente prevalente e está associada a alta taxa de morbidade e mortalidade. Diretrizes mais recentes introduziram a classificação de Função ou Disfunção Diastólica Indeterminada (FDI ou DDI), mas ambos os diagnósticos ainda são pouco compreendidos na prática clínica, com prevalência variável.
Objetivos: Avaliar o entendimento sobre FDI e DDI entre cardiologistas não ecocardiografistas no Brasil.
Métodos: Pesquisa online de abrangência nacional distribuída por plataformas de mensagens móveis, com um questionário breve e anônimo sobre conhecimento e interpretação da Função Diastólica.
Resultados: Um total de 570 cardiologistas de todas as regiões do Brasil participaram do estudo. A maioria dos participantes (64,21%) possuía mais de dez anos de experiência clínica. Enquanto 71% identificaram corretamente os graus 2 ou 3 como indicativos de pressões de enchimento elevadas, apenas 34,21% compreendiam com precisão os critérios diagnósticos para FDI ou DDI. Entre os equívocos associados à classificação indeterminada, destacam-se atribuição desse status a condições que interferem na avaliação da diástole (49,12%), limitações técnicas dos equipamentos de ecocardiografia (3,33%) e suposta falta de conhecimento dos ecocardiografistas (4,91%). Além disso, 46,7% relataram encontrar esse diagnóstico raramente nos laudos, 33,5% acreditavam que essa classificação influenciava a conduta clínica e 43,5% consideravam que o exame poderia ter sido melhor realizado.
Conclusão: Apesar do conhecimento sobre a função diastólica, a interpretação equivocada de FDI ou DDI ainda é comum entre cardiologistas não ecocardiografistas. Investimentos em educação, com compartilhamento desses conceitos aos clínicos, e diretrizes claras são essenciais para otimizar o uso e a precisão diagnóstica na ecocardiografia.
Palavras-chave
Diástole; Ecocardiografia; Guias de Prática Clínica como Assunto

Thumbnail
Thumbnail
Thumbnail
IDF: Indeterminate Diastolic Function; IDD: Indeterminate Diastolic Dysfunction.


