Alterações na repolarização ventricular estão associadas a arritmias ventriculares e maior mortalidade. A associação entre o padrão pressórico não dipper e as alterações na repolarização ventricular continua sendo controversa. O objetivo principal é comparar as medições da repolarização ventricular (intervalo QT, QTc, Tp-Tf, Tp-Tf/QT e QTd) em hipertensos dippers e não dippers. Os objetivos secundários são comparar as medições entre pacientes hipertensos controlados e não controlados, assim como entre hipertensos resistentes e não resistentes. Este estudo observacional e transversal envolveu pacientes monitorados em um Serviço de hipertensão. O nível de significância adotado para a análise estatística foi 5%. Foi admitido um total de 130 participantes. A média de idade foi de 67,4 anos, com 72% apresentando alguma forma de lesão de órgãos-alvo. As medições de repolarização não apresentaram diferenças entre dippers e não dippers. No entanto, dentro do grupo de hipertensão resistente em comparação com o grupo não resistente, foram observadas diferenças no intervalo QT em V5 (433,3 ms vs. 420,9 ms, p = 0,046), Tp-Tf em V2 (85,4 ms vs. 78,7 ms, p = 0,049) e em V5 (84,6 ms vs. 74,6 ms, p = 0,006), Tp-Tf/QT em V5 (0,19 vs. 0,18, p = 0,019), índice de Sokolow-Lyon (18,8 mm vs. 15,7 mm, p = 0,011) e índice de Cornell (14,2 mm vs. 11,2 mm, p = 0,002), com valores ajustados pela idade. Nessa população hipertensa de alto risco cardiovascular, não foi encontrada diferença nas medições de repolarização entre dippers e não dippers. Entretanto, este é o primeiro estudo a demonstrar o aumento das medições de repolarização ventricular em pacientes com hipertensão resistente.
Hipertensão; Fatores de Risco de Doenças Cardíacas; Eletrofisiologia Cardíaca

Análise da repolarização ventricular em pacientes hipertensos: influência do fenômeno de redução da pressão arterial durante a noite.