Open-access Desafios e Perspectivas dos Biomarcadores de Fibrose Cardíaca: Do Diagnóstico à Aplicação Clínica

Palavras-chave
Fibrose Endomiocárdica; Colágeno; Matriz Extracelular; Biomarcadores

Keywords
Endomyocardial Fibrosis; Collagen; Extracellular Matrix; Biomarkers

Palavras-chave
Fibrose Endomiocárdica; Colágeno; Matriz Extracelular; Biomarcadores

Keywords
Endomyocardial Fibrosis; Collagen; Extracellular Matrix; Biomarkers

Conforme relatado por Cheng-Mei et al.,1 a fibrose miocárdica está presente em diversas doenças cardíacas e pode ter impacto negativo no coração. Ela desempenha papel central na disfunção e falência cardíaca em várias patologias, além de ser forte indicador de desfechos clínicos desfavoráveis e de mortalidade.2 No entanto, é essencial reconhecer que a fibrose é um processo complexo e heterogêneo, que em algumas condições cardíacas pode ter papel importante, como após infarto do miocárdio. Nessa situação, a fibrose atua como um mecanismo reparador, substituindo cardiomiócitos mortos por tecido cicatricial. Essa resposta fibrótica inicial é fundamental para evitar a ruptura cardíaca, complicação grave e fatal, que é uma das principais causas de morte em pacientes com infarto agudo do miocárdio.3

A fibrose cardíaca caracteriza-se pelo acúmulo excessivo de componentes da matriz extracelular (MEC), especialmente colágenos, no miocárdio.4 É importante compreender que esse processo envolve mais do que apenas a quantidade de colágeno; a caracterização da fibrose inclui também a qualidade do colágeno, a proporção entre os diferentes tipos de fibras e o grau de cross-linking do colágeno.5 O colágeno tipo I, predominante na MEC cardíaca e vascular, contribui para a resistência e rigidez do tecido devido à sua estrutura espessa e densa. Já o colágeno tipo III, por ser mais flexível, promove a complacência da MEC. A elasticidade do miocárdio é, determinada pela proporção entre as fibras de colágeno tipo I e tipo III.2,6 Além disso, o grau de ligações covalentes entre as microfibrilas, ou seja, o cross-linking, é fator crítico na rigidez das fibras de colágeno, tornando-as mais resistentes à degradação e contribuindo para o enrijecimento do tecido.2,7 Portanto, para melhor compreensão do processo de fibrose cardíaca, e desenvolvimento de novas terapias e métodos diagnósticos, é fundamental avaliar a quantidade, a qualidade e o grau de cross-linking do colágeno.

Embora a fibrose miocárdica seja um elemento comum entre diversas doenças cardíacas, os métodos atuais para sua detecção e diagnóstico clínico ainda são limitados e carecem de melhorias quanto à sensibilidade e especificidade.2 Para avaliação clínica, a biópsia endomiocárdica (BEM) é considerada o padrão-ouro, permitindo uma análise direta e específica da deposição de colágeno por meio de técnicas histológicas, como coloração com picrosirius red ou tricrômico de Masson em amostras de biópsia. Apesar de o procedimento ter baixo risco de complicações graves, é invasivo e envolve desafios para a triagem de fibrose em grandes populações, além de limitações de representatividade, devido ao pequeno volume de tecido examinado e possíveis erros de amostragem.2,8

Parâmetros obtidos por técnicas de imagem apresentam certas vantagens em relação à BEM, sendo métodos não invasivos, capazes de avaliar o coração inteiro e adequados para monitoramento da progressão da doença e da resposta ao tratamento. Entretanto, os biomarcadores de imagem apresentam resolução relativamente baixa e uma capacidade limitada de discriminar características específicas do tecido.2,5

Nesse cenário, a análise de biomarcadores circulantes tem se destacado como estratégia promissora, que apresenta boa reprodutibilidade, pode ser implementado para grandes populações mais facilmente, e é independente do operador. Isso a torna útil para triagem populacional, acompanhamento da progressão da doença e eficácia terapêutica ao longo do tempo. Apesar de muitos biomarcadores terem sido propostos nos últimos anos, poucos apresentam resultados consistentes e validação robusta que sustentem sua implementação em ensaios clínicos e na prática clínica. É provável que a complexidade e heterogeneidade da fibrose miocárdica exijam o uso de painéis de múltiplos biomarcadores para melhorar a precisão diagnóstica.2 Nesse contexto, abordagens de bioinformática, como a utilizada no estudo,1 desempenham um papel essencial na triagem inicial e identificação de potenciais biomarcadores de fibrose cardíaca, enquanto técnicas de proteômica e peptidômica são fundamentais para validar esses candidatos e investigar sua aplicabilidade clínica.2,9,10

Outro aspecto relevante é analisar se a capacidade diagnóstica e preditiva desses biomarcadores, bem como a avaliação de custo-efetividade, em comparação com os biomarcadores convencionais,11 é melhor. Após essa etapa, é essencial propor novas tecnologias em saúde para que os avanços sejam efetivamente transferidos para a prática clínica em benefício dos pacientes.

  • Minieditorial referente ao artigo: Biomarcadores Potenciais na Fibrose Miocárdica: Uma Análise Bioinformática

Referências

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    04 Nov 2024
  • Revisado
    06 Nov 2024
  • Aceito
    09 Nov 2024
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