Open-access Suplementação com Nitrito Atenua a Rigidez Vascular Independentemente do Exercício Físico

Palavras-chave
Remodelação Vascular; Nitritos; Exercício Físico; Rigidez Vascular

Keywords
Vascular Remodeling; Nitrites; Exercise; Vascular Stiffness

Palavras-chave
Remodelação Vascular; Nitritos; Exercício Físico; Rigidez Vascular

Keywords
Vascular Remodeling; Nitrites; Exercise; Vascular Stiffness

A prática de exercício físico é considerada uma das medidas não farmacológicas mais eficientes na redução da pressão arterial e no incremento do estado redox na parede de vasos sanguíneos.1 De fato, o exercício físico regular pode causar relaxamento do endotélio por meio do aumento dos níveis de óxido nítrico (NO), associado ou não com a redução na quantidade de espécies reativas de oxigênio (EROs). Produção e/ou excessivo acúmulo de EROs podem resultar em desequilíbrio redox, com diminuição da biodisponibilidade do NO e consequente disfunção endotelial.1,2 Nesse aspecto, menor liberação de NO configura um dos fatores críticos para desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica.1,3

De fato, o NO é uma molécula de sinalização gasosa diatômica que é solúvel em água e consegue passar livremente pela membrana celular. Esse peptídeo é fundamental na regulação de diversas ações fisiológicas no organismo, sendo de suma importância para processos de vasodilatação, resposta imune, neurotransmissão, apoptose e regulação genética.4 Quando liberado, o NO se difunde das células endoteliais para as células musculares lisas vasculares, promovendo relaxamento e vasodilatação.5 Por meio desse mecanismo, o NO pode reduzir a resistência periférica total e, consequentemente, diminuir a pressão arterial. No contexto endógeno, a produção de NO resulta da oxidação e clivagem do grupo guanidina da L-arginina, com liberação de NO e de L-citrulina. Em seguida, o NO livre é facilmente transformado em nitrito e nitrato, sendo estes produtos reciclados posteriormente em NO e outras formas de oxidação do nitrogênio, por meio da via nitrato/nitrito/NO.6

Na perspectiva exógena, o aporte de NO é resultante da alimentação. Em geral, 75% do nitrato advindo da alimentação é excretado na urina e o residual é absorvido pelas glândulas salivares que transformam nitrato em nitrito; na deglutição da saliva, o nitrito é protonado e se converte em ácido nitroso, o qual é também convertido em NO.6 Sendo assim, a ingestão de alimentos ricos nitrato e nitrito (beterraba, alface e espinafre), ou ainda, o consumo de suplemento específico têm potencial de aumentar a oferta de NO. Com a suplementação contínua, tem-se maior biodisponibilidade de NO, contribuindo para maior aporte de oxigênio e produção de ATP por meio da biogênese mitocondrial. Por conseguinte, há um impacto positivo quando se trata na melhora do desempenho na prática de exercício físico.7

Na presente edição dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, em Souza et al.,8 a suplementação oral com nitrito, de forma aguda, repercutiu em benefícios hemodinâmicos, como melhora da rigidez e pressão arterial. De fato, a rigidez arterial tem sido estudada em diferentes modelos experimentais,9,10 sendo considerada um importante preditor de risco cardiovascular. Neste mais novo estudo,8 a intervenção resultou em maiores níveis de nitrito no plasma, no músculo esquelético e no coração, de modo independente do exercício físico aeróbico. Portanto, o tratamento com nitrito pode ser uma alternativa para aumentar suas concentrações e, consequentemente, contribuir com maior biodisponibilidade do NO. Nesse contexto, a pressão arterial sistólica revelou-se reduzida em resposta ao nitrito e ao exercício físico de forma independente, sendo que a combinação das duas intervenções não resultou em benefícios adicionais. Além disso, a suplementação com nitrito demonstrou benefícios na remodelação cardíaca e no relaxamento vascular.

Uma possível fundamentação para esses achados é o aumento do fator de crescimento endotelial vascular, diminuição da concentração de EROs, aumento da produção e concentração de NO, redução na produção de Ang II e menor atividade simpática.11,12 Outros estudos mostraram que a suplementação oral de nitrito protege o endotélio vascular da atividade antioxidante, inibindo e ou reduzindo a atividade da NADPH oxidase e da xantina oxidoredutase em modelos animais.13,14 Portanto, a suplementação oral de nitrito, por se, promove múltiplos benefícios hemodinâmicos, como melhora da rigidez vascular, mostrando que, assim como a prática de exercício físico, pode ser uma alternativa para prevenção e tratamento da hipertensão arterial.

  • Minieditorial referente ao artigo: A Administração Oral de Nitrito a Curto Prazo Diminui a Rigidez Arterial em Ratos Wistar Treinados e Sedentários

Agradecimentos

Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS/MEC – Brasil, e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    11 Dez 2024
  • Revisado
    08 Jan 2025
  • Aceito
    08 Jan 2025
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