Open-access A restauração das letras sagradas Felipe II e a edição das obras completas de Isidoro de Sevilha (1599)

The Restoration of Sacred Letters Philip II and the Edition of the Complete Works of Isidore of Seville (1599)

RESUMO

O artigo analisa o processo de edição das obras completas de Isidoro de Sevilha, publicadas em 1599 por Juan de Grial sob os auspícios de Felipe II. Utilizando os vinte livros de Etimologias como fio condutor, questionamos como um texto que remonta ao século VII manteve relevância quase mil anos após sua criação a ponto de merecer uma edição patrocinada pela corte (publicada pela imprensa régia após vinte e cinco anos de preparação). Nesse sentido, exploramos as dimensões políticas e religiosas no contexto da contrarreforma católica desde a Monarquia Hispânica, analisando como a obra isidoriana representava um conjunto de textos eruditos e sagrados em meio a uma Europa fraturada por intensas disputas religiosas.

PALAVRAS-CHAVE
Isidoro de Sevilha; etimologias; Felipe II

ABSTRACT

The article analyzes the process of editing the complete works of Isidore of Seville, published in 1599 by Juan de Grial under the auspices of Philip II. Using the twenty books of the Etymologies as a guiding thread, we question how a text dating back to the seventh century remained so relevant almost a thousand years after its creation that it merited a court-sponsored edition (published by the royal press after twenty-five years of preparation). In this sense, we explore the political and religious dimensions in the context of the Catholic counter-reformation since the Hispanic Monarchy, analyzing how the Isidorian work represented a set of erudite and sacred texts in the midst of a Europe fractured by intense religious disputes.

KEYWORDS
Isidore of Seville; etymologies; Philip II

Multidões protestantes e católicas destruíram livros (Davis, Ritos de Violência, p. 146)

Em 1599, pela primeira vez na Espanha, as obras completas de Isidoro de Sevilha (Madrid: Typographia regia)1 foram impressas e seu principal texto eram os vinte livros das Etimologias.2 A obra foi concebida sob reinado de Felipe II (1556-1598),3 no contexto teológico da contrarreforma católica tridentina. O processo de preparação dos originais, transcrições e correções levou mais de vinte e cinco anos e dele participaram grandes eruditos do chamado Século de Ouro, convidados pelo rei e seus editores.

O projeto teve início a partir de uma carta, datada de 8 de outubro de 1571, enviada por Alvar Gómez de Castro (1515-1580)4 ao Rei Prudente, sugerindo a produção da edição das obras completas de Isidoro.5 Para tanto, seria necessário um esforço de reunião dos manuscritos do bispo sevilhano, dispersos por toda a Península Ibérica, localizados sobretudo em “Asturias e Castilla la Vieja”. Seis meses depois, o monarca - por meio de seu secretário Antonio Gracián - responde a Alvar Gómez assinalando positivamente à sua proposta, dando início ao processo compositivo da obra.6 Além de Gómez de Castro, participam da elaboração da edição, na busca de manuscritos, correção e fixação do texto, alguns dos principais eruditos da época: Pedro Chacón; António Agustín; Juan de Mariana, Diego de Covarrubias, Benito de Arias Montano. O produto final foi executado pelas mãos de Juan de Grial,7 publicado em 1599, logo após a morte de Felipe II, ocorrida em 13 de setembro de 1598.

A partir da proposta apresentada pelas organizadoras deste dossiê dedicado à historiadora da cultura Natalie Zemon Davis (1928-2023), interessa-nos estabelecer um diálogo com sua obra, especialmente com dois de seus ensaios: The Rites of Violence: Religious Riot in Sixteenth-Century France (originalmente publicado na Revista Past & Present) e Printing and the People. Ambos os textos também foram publicados conjuntamente no livro Society and Culture in Early Modern France: Eight Essays (Stanford, 1975), cuja tradução brasileira saiu em 1990.8 Em ambos os ensaios, Davis enfatiza o impacto da Reforma Protestante no mundo católico, demostrando como as guerras de religião relacionaram-se diretamente com o mundo dos livros, que se tornou mais uma frente de batalha nas disputas pela ortodoxia religiosa.

Nesse sentido, desde a Monarquia Hispânica, a edição das obras completas de Isidoro de Sevilha por Grial integrou esse campo de disputa tipográfico confessional travado na Europa quinhentista. Felipe II, chamado Rey Católico e Defensor Fidei, funda, em 1565, a biblioteca do El Escorial como um locus de recepção e difusão cultural, no intuito de fortalecer sua imagem já reconhecida de rei douto e defensor da fé romana. No âmbito desse projeto, emerge um especial interesse na recolha de exemplares manuscritos e impressos de textos canônicos fundamentais para a fé católica: dos Santos Padres; exegetas primitivos e medievais (Bouza, 2018, p.153). A montagem da coleção desses exemplares também tinha como objetivo verificar, cotejar e comparar versões desses textos, para produzir edições católicas patrocinadas pela Monarquia Hispânica (Bouza, 1998, p. 182). Dentre esses projetos, destaca-se a Bíblia Sacra Poliglota (Hebraice; Caldaiche; Graece & Latine) dirigida por Arias Montano (Plantin, Amberes, 1569-1573) e As Obras Completas de Isidoro (1599), objeto de estudo deste artigo.

Podemos dizer que os supracitados projetos gráficos hispanos, concebidos em pleno contexto pós-tridentino, articulam-se com os conflitos descritos por Natalie Davis nas décadas de 1560 e 1570 na França, em meio a um ambiente atravessado pela violência religiosa. Davis descreve os atos de profanação de objetos sagrados, tanto católicos como protestantes, como “ritos de purificação” manifestados na violência popular, inclusive contra livros. A historiadora descreve profanações de relíquias por parte dos huguenotes, cuja contrapartida foi, por exemplo, a destruição de uma bíblia em vernáculo pelos católicos:

Em Angers, as multidões católicas respondiam [...] apanhando uma bíblia em francês – bem encadernada, com dourações, tomada a casa de um rico comerciante – e arrastando-a pelas ruas, enfiada numa alabarda. ‘Aí está a verdade pendurada. Aí está a verdade dos huguenotes, a verdade de todos os demônios’. E atirando-a no rio: ‘Aí está a verdade de todos os demônios afogada’ (Davis, 1990b, p. 133).

Esse ato de destruição da bíblia em francês expressa a defesa católica da vulgata: o “verdadeiro” texto sagrado, fazendo eco às determinações tridentinas. De acordo com as lições da História Cultural, podemos observar que tanto no registro das elites como no âmbito da menu peuple, estava travada a batalha em torno da memória e do esquecimento; da afirmação e do apagamento da verdade e da falsidade.9 Essa guerra expressou-se ritualmente também sobre os textos religiosos – qual versão deveria permanecer? Qual deveria ser eliminada? De que maneira a imprensa poderia atuar como elemento conservador e propagandístico da “verdadeira” fé? Além da destruição de livros apontada por Davis, há o fenômeno de elaboração de edições que interpretassem a religião de maneira “correta”, tanto do ponto de vista reformado como contrarreformado. Veremos como essas questões se manifestaram no âmbito da produção das obras completas de Isidoro por Grial, evidenciando a luta em prol da “restauração das letras sagradas” (Bouza, 2018, p. 140).

RESTAURANDO AS LETRAS SAGRADAS: A COMPOSIÇÃO DA EDIÇÃO DE GRIAL

A primeira e principal parte que compõe as obras completas de Isidoro, publicadas em 1599, são os vinte livros de Etimologias. Foram escritos por volta de 625 no contexto visigótico, sendo que o bispo de Sevilha possuía uma relação próxima aos monarcas, especialmente Sisebuto, e com o clero católico peninsular.10 Do ponto de vista da cultura erudita, o texto teve um papel central, junto com outros escritos, na atualização da cultura greco-latina a partir do século VII. Para termos uma ideia da escala de difusão desse texto no espaço europeu, tem-se notícia da existência de mais de mil manuscritos, íntegros ou fragmentários, produzidos durante os séculos VIII e XV (Díaz, 1982, p. 200).

Com o advento da imprensa, a edição princeps veio à luz em 1472, em Ausburgo, por G. Zainer, e desde então, sucederam-se diversas publicações.11 Na segunda metade do século XVI, destaca-se a edição das obras completas, sob o título Isidori Hispalensis Episcopi Opera Omnia, em Paris (1580), preparada pelo teólogo Marguerin de La Bigne (Lawrence, 2019, p. 623). Em 1599, um ano após a morte de Felipe II, surge a edição hispânica das obras completas de Isidoro, patrocinada pelo Rei Prudente, a do humanista Juan de Grial. Esta é considerada a primeira versão erudita da obra, servindo de referência para os estudos isidorianos até meados do século XIX (Barney, 2006, p. 27).

Como indicamos, foi Alvar Gómez quem propôs ao rei a confecção das obras completas por meio de uma carta, na qual enfatiza a necessidade da busca por manuscritos para que, em seguida, fossem reunidos em edição impressa “muy correctos”. Para convencer o rei, Gómez enfatiza o caráter douto, milagroso e santo de Isidoro. Segundo ele, o próprio Felipe II estaria emparentado com o bispo, que, por sua vez, teria um vínculo linhagístico com os monarcas visigodos: “Este santo foi de linhagem real, acredito que, ao presente momento, está vinculado à Casa Real de Castela por oitenta e tantos graus de consaguinidade” (Álvar Gómez Castro, citado por Antolín, 1923, p. 70-71).12

Ao final da carta, observa que a edição da obra formaria um par com a Bíblia Poliglota (1569 - 1573), que estava sendo preparada por Arias Montano em Amberes (Antuérpia). A bíblia foi financiada por Felipe II e publicada por Christophe Plantin (1514-1589), um dos editores mais afamados de sua época, nomeado arquitipógrafo régio pelo Rei Prudente em 1570 (Macías Rosendo, 1998, p. XXI-XLIII). Assim, as escrituras, junto a seus “comentários”, representados pelos textos isidorianos, seriam dois dos grandes feitos de Felipe II em defesa da Igreja e da Monarquia Católica.

Seis meses depois de receber a carta, por meio de seu secretário Antonio Gracián, o rei responde a Alvar Gómez assinalando positivamente para sua proposta, solicitando mais informações acerca da localização dos códices. Em seguida, Felipe II dirige-se ao cronista Ambrosio de Morales (1513-1591), estimulando a pesquisa de outros manuscritos. Morales, então, parte em uma viagem pelas terras de Leão e Galícia em busca desse material. Pedro Ponce de León (bispo de Plasencia) também é contatado por Gracián, que comenta o interesse de Alvar Gómez pelos códices sob sua tutela. Ponce de León, em carta ao secretário do rei, aconselha que ele faça uma viagem a Cáceres para que este lhe apresente os manuscritos e logo os leve consigo, servindo de apoio à edição impressa da obra de Isidoro. Essas negociações se desenvolvem no verão de 1572 e, devido às altas temperaturas nessa época do ano na meseta, Gómez sugere empreender a viagem no outono. Concomitantemente: “[...] empreendeu a correção do texto das Etimologias, para a qual enviaram-lhe vários códices desta obra, como um excelente que estava em posse dos monges de S. Benito em Valladolid.” (Andrés, 1975, p. 614).13 Alvar Gómez de Castro realiza sua viagem a Cáceres, verificando pessoalmente os manuscritos do bispo, e comunica a Gracián a existência de uma profusão de manuscritos, ressaltando o ineditismo de muitos deles.

Depois de cumprida essa missão, volta para Toledo para prosseguir em seu labor de correção e fixação do texto de Etimologias a partir da reunião de trinta manuscritos.14 Sabe-se que Alvar Gómez foi auxiliado nessa tarefa por António Agustín e Pedro Chacón (Taylor, 2006, p. 135).

Esse projeto de compilação dos manuscritos para a confecção da edição impressa das obras de Isidoro evidencia um fenômeno central na cultura escrita da alta modernidade. A tipografia representou uma possibilidade maior de reprodutibilidade técnica, cuja difusão seria mais estável e menos sujeita a modificações em relação à cultura manuscrita medieval. Não obstante, como demonstra Fernando Bouza, o advento da imprensa, em meados do século XV, não representou um corte radical em relação à cultura manuscrita vigente. Mais precisamente, houve um reposicionamento desse modelo escriturário. Se, por um lado, a imprensa é uma tecnologia que permite a maior difusão e precisão da informação, por outro, vincula-se a um tipo de expressão mais impessoal e “vulgar” face à escritura manual. Desse modo, o manuscrito passa a ser valorizado como um meio escriturário mais veraz, cuja credibilidade relaciona-se à sua materialidade, sendo a antiguidade dos textos um fator de prestígio. Essa dimensão é um dos elementos que explica o esforço empenhado na recolha desses documentos, que baseariam a edição dos textos isidorianos. 15

Ao longo da década de 1570, o projeto editorial ganha cada vez mais fôlego: Felipe II solicita aos bispados que possuíssem obras de Isidoro o envio da relação dos textos à corte (Andrés, 1975, p.609). Chegam informações e manuscritos ao Escorial, como resultado da requisição do rei. Benito Arias Montano (1527-1598), que estava em Amberes, cuidando da edição da Bíblia Sacra,16 foi diretamente consultado sobre a existência e localização de manuscritos e edições impressas de Isidoro, dentro e fora da Península Ibérica. Montano logo responde sobre a matéria solicitada, afirmando que havia um tipógrafo na Basileia, chamado Henrich Petri, interessado em imprimir as obras completas do bispo de Sevilha em “muy buena impresión” (Lazure; Pérez, 2000, p. 269). A ideia é considerada seriamente e envia-se a Arias Montano uma relação de textos em bibliotecas espanholas, atualmente arquivada no museu Plantin, em Amberes (Lazure; Pérez, 2000).

Por razões ainda hoje desconhecidas, o projeto não foi efetivado, sendo concluída a impressão apenas em 1599, em Madrid. Alvar Gómez de Castro trabalhou no projeto até sua morte, em 1580, sendo substituído pelo preceptor de Felipe III, García de Loaysa y Girón (1534-1599),17 e finalizado por meio do trabalho editorial encabeçado por Juan de Grial, com a versão das obras completas.

Quais razões podem ser apontadas para a consecução de tão demorada e custosa edição, tanto do ponto de vista humano como financeiro? Felipe II explorou politicamente sua imagem de rei mecenas, amante dos livros e das artes (Bouza, 1998), dimensão da figura real que passou a ser um elemento fundamental no contexto político europeu, em que o Rei Prudente procurava elevar sua imagem face às demais monarquias europeias, especialmente a francesa e a britânica. A edição de Grial emerge como uma peça de propaganda em uma Europa cindida pelas disputas religiosas. Como observa Davis, tanto os católicos como os protestantes disseminaram sua literatura por meio da imprensa, atingindo inclusive as camadas populares, que liam desde vidas de santos à Bíblia nas línguas romances, em reuniões em que se praticava a leitura em voz alta (Davis, 1990a). Nesse sentido, obras de caráter erudito também foram produzidas. Do lado reformado, podemos citar as Centúrias de Magdeburgo, um projeto monumental de reinterpretação luterana da História Eclesiástica, rivalizando com os escritos católicos produzidos desde a Antiguidade Tardia.18

Essa disputa confessional também se fez notar com a já mencionada Bíblia Sacra. Plantin fixado em Amberes (Antuérpia), ulteriormente nomeado tipógrafo régio por Felipe II, já sondava eruditos europeus, como o francês Andrea Masio, para dirigir a edição de uma bíblia poliglota humanista desde 1565, como indica sua correspondência (Macías Rosendo, 1998, p. XXI). Autoridades protestantes como Augusto I da Saxônia e os Senhores de Frankfurt estavam dispostos a custear o projeto de Plantin. Essa situação muda significativamente a partir de 1566, ano da chamada revolta iconoclasta nos Países Baixos hispânicos (Beeldenstorm), gerando uma forte repressão à chamada heresia protestante, presente no seio dos territórios governados por Felipe II, levada a cabo pelo Duque de Alba a mando do rei.19 Dada a situação política, no intuito de preservar sua imprensa, bem como o projeto da Bíblia Poliglota, Plantin escreve ao secretário de Felipe II, Gabriel de Zayas, pedindo o mecenato do Rei Prudente para seu projeto gráfico : “Plantin não deixa de mencionar as ofertas recibidas por potências protestantes, para, em seguida, reforçar seu desejo de permanecer sob a obediência do Rei Católico, servindo-lhe com a impressão de obras católicas e úteis para o bem da cristandade” (Macías Rosendo, 1998, p. XXIV).20 Depois de consultar eruditos, teólogos e a Inqusição, Felipe II aceita financiar a obra, tornando-a uma empresa vinculada à ortodoxia católica, e a coloca a cargo de Arias Montano.

Cabe dizer, ainda, que, na alta Idade Moderna, a imprensa - por sua característica reprodutibilidade técnica – era, ao mesmo tempo, um meio de possibilidade de difusão de ideias “verdadeiras” como “falsas”, dependendo do ponto de vista teológico adotado. Adriano Prosperi observa que a questão já estava claramente posta desde o papa Paulo IV, aprovando o Index librorum prohibitorum (1559). Nessa mesma época, o polímata siciliano Francesco Maurolico: “[...] propunha não somente a eliminação de todos os livros de autores suspeitos, mas também um programa de edições romanas de uma biblioteca de autores ortodoxos” (Prosperi, 2010, p. 99).21 Dialogando com essa dimensão, na folha em que consta a aprovação da edição de Grial (datada de 28 de novembro de 1595), lê-se:

[O Rei] Porque, sabendo que as obras do glorioso S. Isidoro, Doutor das Espanhas estavam mal escritas e corrompidas em muitos trechos e correndo grande risco de adulteração da sua saudável e grandiosa doutrina, da qual a Santa Igreja sempre teve grande estima, pela imensa devoção ao Santo, e aos serviços que estes reinos lhe devem, ordenei procurar nas bibliotecas hispânicas antigas e em outros lugares, exemplares manuscritos de suas obras. Encontraram-se muitas cópias antiquíssimas e autorizadas e ordenei reparti-las entre os homens doutos, que com muito cuidado e diligência corrigiram as obras e reparando-as, procurando vertê-las à sua primeira e verdadeira escritura.22

Ao mesmo tempo em que Felipe II atuou na censura de obras consideradas perigosas, especialmente nos Países Baixos (Bouza, 1998, p. 157), apresenta-se como mecenas de edições fidedignas de textos fundamentais para a fé, dentre os quais a Bíblia Sacra e as obras completas de Isidoro. Sendo assim, afirma a necessidade de que os textos sejam preservados em sua primeira e verdadeira escritura. Arias Montano, que após finalizar a edição da Bíblia Poliglota, foi encarregado pelo rei da gestão da biblioteca escorialense, afirmou: “[os originas] hão de servir como exemplares perpétuos e por pedras de toque da verdade” (Bouza, 1998, p. 179).23 Nesse sentido, nada era mais oportuno do que publicar a obra de um Santo e Doutor da Igreja de procedência hispânica em um projeto que combinava erudição e sacralidade.

O LIVRO COMO RELÍQUIA: A EDIÇÃO DE UMA SANTA OBRA

A evidência de que a edição das obras completas de Isidoro possuía um caráter santo aparece já em seu título, Diui Isidori Hispa. Episcopi Opera. No frontispício da obra [fig.1], outros elementos sublinham essa relação. Apresenta-se a gravura de um pórtico: ao centro, está Isidoro com um báculo e um livro, destacando seu caráter episcopal e uma vida dedicada ao conhecimento. Os lados são adornados por duas alegorias femininas: “Ecclesia” e “Religio”. A Igreja é representada por uma mulher com os cabelos cobertos, segurando uma pena e uma coroa com a mão direita. À esquerda, sobre livros, estão uma mitra papal, as chaves da Igreja e o Espírito Santo. Abaixo da figura, uma citação de De unitate ecclesiae, de São Cipriano: “Só a Igreja coroa. Não pode ser um mártir quem não está na Igreja”. 24

Figura 1
: Frontispício de Divi Isidori Hispal. Episcopi Opera

Religio também é uma mulher com os cabelos cobertos. Em sua mão direita, sustenta um templo cristão; com a esquerda, carrega flores e uma pena. Destaca-se um texto formado por diferentes partes de uma epístola de Cipriano: “Nem os lírios, nem as rosas estão ausentes. A paz e a batalha têm suas flores, com as quais os soldados de cristo são coroados”.25 Ao centro, é apresentado o escudo de armas de Felipe II com os territórios que compunham a Monarquia, inclusive Portugal, incorporado em 1581.

Treze anos antes do advento da edição de Grial, em 1586, foi publicado o Martyrologium Romanum (Typographia Dominici Basae),26 editado por Cesare Baronio, fixando o calendário litúrgico pós-tridentino, segundo o qual o dia 4 de abril, morte de Isidoro, está associado ao bispo de Sevilha. O frontispício desta obra [fig.2] traz as alegorias da ecclesia e religio com as mesmas citações de Cipriano. No mesmo lugar onde está Isidoro na edição de Grial, acima do pórtico, está Cristo, que ocupa o centro da imagem. Evidencia-se um diálogo entre os dois frontispícios, fortalecendo a imagem da santidade de Isidoro em sua comunhão com Cristo, bem como, entre a Monarquia Hispânica e o Papado.

Figura 2
: Frontispício de Martyrologium Romanum

A santificação de Isidoro remonta ao período visigótico, momento em que a canonização ainda não estava concentrada nas mãos do Papa, sendo uma prerrogativa episcopal (Delooz, 1962, p. 19). No oitavo Concílio de Toledo (653), Isidoro foi definido como: “Doutor egrégio do nosso século, honra novíssima de nossa igreja católica, mais moderno que os anteriores, mas não menos importante em comparação de doutrina, e o mais relevante, o mais douto, e digno de reverente menção”.27 Assim, a figura do bispo de Sevilha soma-se a de Agostinho, Gregório e Ambrósio, como doutor da Igreja. 28

O culto a Isidoro estende-se durante toda a Idade Média, especialmente em Sevilha e Leão, para onde suas relíquias haviam sido transferidas em 1063, por Fernando I (Sanz Serrano, 1999, p. 193). No entanto, de acordo com María Jesús Sanz, a devoção ao santo teve um crescimento expressivo a partir do século XV, acompanhado da ampliação de imagens e representações de Isidoro nas catedrais e igrejas sevilhanas, com sua imagem vinculada à sua função eclesiástica, simbolizada pela mitra, o báculo e o livro. A importância do culto ao bispo aprofunda-se ao longo do século XVI, associando-se ao esplendor cultural e econômico de Sevilha (Sanz Serrano, 1999), que se relaciona com sua atividade portuária e a consequente instalação da Casa de Contratação das Índias, ainda no tempo dos Reis Católicos (1503), como ponto de conexão fundamental da Monarquia Hispânica, concentrando e fiscalizando toda a atividade comercial com as possessões americanas.29 Sendo assim, o crescimento do culto a Isidoro demostra a circulação de sua imagem dentre diferentes camadas sociais na Espanha filipina, afirmando a conexão de sua santidade com o estudo e com o livro.

No que diz respeito ao caráter douto de Isidoro, é importante ressaltar a relevância do seu método etimológico como mecanismo de estudo de desvelamento da verdade, compreendida também como revelação divina, sendo, ao mesmo tempo, um procedimento epistêmico e teológico. Esse procedimento é herdado, sobretudo, do helenismo, tendo se tornado uma das grandes referências na utilização desse método (Balmaceda, 2013, p.77-78). Nesse sentido, é um dos autores mais citados na Legenda Aurea de Jacopo Varezze, reunião hagiográfica datada do século XIII,30 na qual mais da metade das histórias dos santos iniciam-se com a demonstração da ligação das personagens com seu nome:

De fato, para toda a Idade Média, examinar uma palavra era levantar um véu que permitiria alcançar a essência última da pessoa ou da coisa. Nessa atividade intelectual e mística ao mesmo tempo, pouco importavam contradições racionais. Tomé pode vir do latim thomas, “duplicado”, pois conheceu o Senhor duplamente, pela fé e pelo tato, mas pode vir também do grego thómos, “divisão”, pois seu ato de fé em Cristo foi específico, pessoal, separado do dos outros apóstolos (Franco Júnior, 2003, p. 17- 18).

O estudo dos nomes como fonte de conhecimento da verdade continuou a ser um procedimento epistêmico relevante no século XVI (Foucault, 2007), inclusive na Monarquia Hispânica (Bilbao, 2023). Esse caráter erudito constitui um dos elementos que compõem a santidade de Isidoro de Sevilha. Nesse sentido, a edição de Grial publicada quase um milênio após a emergência de Etimologias no século VII atualiza a relevância de Isidoro no momento filipino, seja pela valorização da obra como corpus referencial de erudição, seja pelo seu caráter sagrado no contexto pós-tridentino. Considerando nossos argumentos, a edição de Grial representa a “recuperação das letras sagradas” isidorianas como uma afirmação da presença divina do bispo de Sevilha na passagem do século XVI para o XVII. Sendo assim, Diui Isidori Hispa. Episcopi Opera pode ser pensada como uma relíquia.

Como um livro editado tanto tempo após a morte do santo pode ser considerado uma relíquia? As relíquias eram partes dos corpos dos santos, ou objetos que entraram em contato com seus corpos, que carregavam consigo a santidade, mesmo que fossem fragmentos ou partes ínfimas desse corpo ou objeto (Franco Júnior, 2010). Funcionavam como mecanismo de “conexão entre a terra e o céu”, abolindo o tempo da morte do santo, fazendo com que sua santidade permaneça eternamente presente no plano terreno (Brown, 1981, p. 78). Outra característica era sua portabilidade e mobilidade: eram objetos em circulação, que sacralizavam os templos e cidades onde se encontravam em determinado momento (Cymbalista, 2006). O Rei Prudente era um aficionado por elas e contava com uma grande coleção no Escorial,31 incluindo santos ligados ao passado visigótico:

Filipe II reuniu 7420 relíquias no Escorial, muitas das quais de homens hispanos [...], incluindo vários de sangue real: Justo e Pastor, Eugênio de Toledo e Hermenegildo. Os cronistas reais de Filipe esforçavam-se por sublinhar a continuidade do sangue real desde os Godos até o presente. Neste período, assiste-se também a um conjunto de novas edições de histórias medievais e a novos escritos históricos sobre os godos (Taylor, 2006, p. 132).32

O rei guardava, em seu mosteiro-biblioteca-palácio, milhares de relíquias, dentre as quais figuravam artefatos de Eugênio de Toledo (importante bispo de Toledo que mantinha estreitas relações com a monarquia e o clero visigodos) e Hermenegildo (mártir de sangue real, que desafiou seu pai, que professava o arianismo, em uma revolta católica). Álvar Gomez, em carta em que sugere ao rei a edição das obras completas, afirma o vínculo linhagístico dos Habsburgos com os monarcas visigóticos, relação que é reforçada na dedicatória de Divi Isidori. Nesse sentido, há, no início da Idade Moderna hispânica, uma vertente erudita neogoticista (Fernández Albaladejo, 2007), que enfatizava a relação direta entre os reis de então com os visigodos, que aparecem como um modelo positivo de organização política e religiosa, uma monarquia católica que fora capaz de reunir eficazmente os territórios peninsulares até a ocupação islâmica, no século VIII. Sendo assim, a reedição das obras isidorianas dialoga com esse movimento de apologia ao passado gótico e seu vínculo com os Habsburgos.

De acordo com os eruditos que participaram da edição de Grial, a obra representava a publicação de sua verdadeira e original escritura por meio da recuperação de manuscritos fidedignos, associados, em sua própria materialidade, à verdade. Há, portanto, um movimento de aproximação ao próprio corpo do santo pelo texto escrito. A versão “oficial” das obras de Isidoro nos volumes impressos em Madrid, em 1599, poderia ser reproduzida como objeto tipográfico portátil e móvel, como uma relíquia: a santidade do bispo de Sevilha ganha a possibilidade de circular amplamente pelas bibliotecas, como um texto erudito, culto e santo – representando a afirmação da presença da Monarquia Hispânica do ponto de vista religioso, político e cultural através de mecanismos simbólicos de representação da realeza (Megiani, 2004).

CONCLUSÃO

Nunca houve um monumento de cultura que não fosse também um monumento de barbárie. E, assim como a cultura não é isenta da barbárie, não o é tampouco, o processo de transmissão da cultura (Benjamin, 2012, p. 225).

Na Alta Idade Moderna, a escritura firma-se como o modo de transmissão da cultura par excellence, como a maneira mais adequada de registro, difusão das informações e da fixação da memória. Na Monarquia Hispânica, não por acaso, são fundados importantes arquivos e bibliotecas nos tempos de Carlos V - Simancas - e Felipe II - El Escorial – como manifestação dessa nova dimensão integrada de governo e devoção. A edição das obras completas de Isidoro de Sevilha, em 1599, expressa esse aspecto, sendo uma empresa que durou mais de vinte e cinco anos, contando com a participação dos principais humanistas hispânicos, inserindo-se vivamente nas disputas religiosas no contexto pós-tridentino.

Como afirmamos, a edição das Etimologias era vista como uma tarefa de restauração das letras sagradas, por meio da compilação de manuscritos ibéricos, portadores das consideradas versões fidedignas do texto do bispo de Sevilha, junto ao trabalho editorial e de correção dos textos latinos. A verdade presente na obra de Isidoro emergiria, assim, em uma versão oficial, que recuperaria a pureza originária das mãos do próprio santo. A obra seria, portanto, um conjunto douto e sagrado a ser difundido pela Europa em nome da Monarquia: uma verdadeira relíquia de um santo erudito e hispânico.

A partir da perspectiva de análise adotada por Natalie Davis, é possível dizer que o conhecimento das caraterísticas episcopais e doutas de Isidoro, diretamente relacionadas ao livro, não se restringiam às camadas letradas peninsulares. O crescente culto ao santo nos séculos XV e XVI e a consequente difusão de suas imagens nas igrejas junto aos seus símbolos – mitra, báculo e livro – evidenciam uma conexão cultual entre a menu peuple e a obra editada em 1599 sob auspícios da corte, ressaltando um movimento abrangente de fortalecimento da santidade do bispo de Sevilha, em evidência naquele contexto.

Os trabalhos de Natalie Davis apresentam o uso da imprensa como ferramenta nas disputas religiosas europeias quinhentistas. A historiadora analisa como as motivações da violência popular no contexto pluriconfessional francês eram encorajadas por impulsos pios e não foram conflitos, propriamente, classistas. De cima a baixo, a força das disputas em torno da fé verdadeira se traduziu em batalhas pela purificação da comunidade religiosa, seja do lado reformado, seja do católico. A edição de Grial pode ser, assim, entendida como um desses rituais de purificação, já que foi concebida como extensão do catolicismo em meio a uma Europa teologicamente conflagrada, inclusive os territórios de Felipe II, como os Países Baixos.

Diui Isidori Hispa. Episcopi Opera foi compreendida por aqueles que a produziram como um artefato sagrado, uma projeção da fé capaz de difundir o poder da Monarquia Hispânica, uma arma teológica, política e cultural em uma Europa onde a violência se manifestava tanto nas ruas como nas bibliotecas.

REFERÊNCIAS

  • ALMEIDA, Néri de Barros. Hagiografia, propaganda e memória histórica: O monasticismo na Legenda Aurea de Jacopo de Varazze. Revista Territórios e Fronteiras, v. 7, n. 2, p. 94-111, 2014.
  • ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira. Um espelho esmaecido: O reino visigodo de Toledo, cristianismo e monarquia. Signum (Associação Brasileira de Estudos Medievais. Online), v. 14, n. 1, p. 124-151, 2013.
  • ANDRÉS, Gregorio. Viaje del humanista Álvar Gómez de Castro a Plasencia en busca de códices de obras de S. Isidoro para Felipe II (1572). Homenaje a Don Agustín Millares Carlo. Gran Canaria: Caja Insular de Ahorros de Gran Canaria, tomo I. v. 1, 1975. p. 607-622.
  • ASENSIO, Eugenio. El ramismo y la crítica textual en el círculo de Luis de León. Carteo del Brocense y Juan de Grial. Academia literaria renacentista. I. Fray Luis de León. Salamanca, Universidad, 1981.
  • BALMACEDA, Catalina. La Antigüedad tardía: la historiografía cristiana y bizantina. In: AURELL, Jaume et al. Comprender el pasado: Una historia de la escritura y el pensamiento histórico. Madrid: Akal, 2013.
  • BARNEY, Stephen et al. Introduction. In: ISIDOR OF SEVILLE. The Etymologies of Isidore of Seville. Cambridge University Press, 2006.
  • BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito de história. In: Magia e técnica, arte e política: Ensaios Sobre Literatura e História da Cultura, v. 1. Tradução de Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 2012.
  • BEVILAQUA, Johannes Baptist. Isidori Hispalensis episcopi sententiarum libri III, emendati et notis illustrati, Turin, 1593.
  • BILBAO, Julian Abascal Sguizzardi. Disputas pelo neto de Noé: Tubal e as origens da Península Ibérica (1543-1666). Doutorado em História - Universidade de São Paulo. São Paulo, 2023
  • BOLLBUCK, Harald. Searching for true religion: the Church History of the Magdeburg Centuries between critical methods and confessional polemics. Renaissance Studies, v. 35, n. 1, p. 100-117, 2021.
  • BOUZA ÁLVAREZ, Fernando. Del escribano a la biblioteca. La civilización escrita europea en la Alta Edad Moderna (siglos XV-XVII). Madrid: Akal, 2018.
  • BOUZA ÁLVAREZ, Fernando. Imagen y propaganda. Capítulos de historia cultural del reinado de Felipe II. Madrid: Akal, 1998.
  • BROWN, Peter. The cult of the saints: Its rise and function in Latin Christianity. University of Chicago Press, 1981.
  • DE SAN ROMÁN, Francisco de Borja. El testamento del humanista Álvar Gómez de Castro. Boletín de la Real Academia Española, Madrid, t. XV, p. 543-566, 1928.
  • CODOÑER, Carmen Merino. La edición de Juan de Grial de las Etymologiae de Isidoro de Sevilla, un informe de Juan de Mariana y el trabajo de Alvar Gómez de Castro. Faventia, v. 31, n. 1-2, p. 213-225, 2009.
  • CYMBALISTA, Renato. Relíquias sagradas e a construção do território cristão na Idade Moderna. Anais do Museu Paulista: história e cultura material, v. 14, p. 11-50, 2006.
  • DAVIS, Natalie Zemon. O povo e a palavra impressa. In: DAVIS, Natalie Zemon. In: Culturas do povo: Sociedade e cultura no início da França moderna. Rio de Janeiro: Paz e Terra, p. 157-185, 1990a.
  • DAVIS, Natalie Zemon. Ritos de Violência. DAVIS, Natalie Zemon. In: Culturas do povo: Sociedade e cultura no início da França moderna. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990b. p. 157-185.
  • DELOOZ, Pierre. Pour une étude sociologique de la sainteté canonisée dans l'Église catholique. Archives des sciences sociales des religions, v. 13, n. 13, p. 19, 1962.
  • DÍAZ, Manuel. Introducción general. In: ISIDORO DE SEVILLA. Etimologías. Ed. bilingüe de José Oroz Reta y Manuel A. Marcos Casquero. Madrid: BAC 2, 1982.
  • DIUI ISIDORI HISPAL. Episcopi Opera. Madriti: ex Typographia, 1599. [Biblioteca Digital Hispánica - Biblioteca Nacional de España].
  • FERNÁNDEZ ALBALADEJO, Pablo. Entre "godos" y "montañeses": Reflexiones sobre una primera identidad española " In: FERNÁNDEZ ALBALADEJO, Pablo. Materia de España: Cultura política e identidad en la España moderna. Madrid: Marcial Pons, 2007. p.287-321.
  • FOUCAULT, Michel. A Prosa do mundo. In: FOUCAULT, Michel. As Palavras e as Coisas: Uma Arqueologia das Ciências Humanas. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p.23-61.
  • FRANCO JÚNIOR, Hilário. Apresentação. In: VAREZZE, Jacopo. Legenda áurea: Vidas de santos. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
  • FRANCO JÚNIOR, Hilário. Relíquia, metonímia do sagrado. Historiae, v. 1, n. 1, p. 9-29, 2010.
  • GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes: O cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela Inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
  • LAWRANCE, Jeremy. Isidore of Seville in the Renaissance (1500-1700): The Role of Golden Age Spain. In: A Companion to Isidore of Seville. Brill, 2019. p. 604-643.
  • LAZURE, Guy; PÉREZ, Antonio Dávila. Un catálogo de las obras de Isidoro de Sevilla conservadas en diversas bibliotecas españolas en el siglo XVI. Excerpta philologica, p. 10-12, 2000.
  • MACÍAS ROSENDO, Baldomero. La Biblia políglota de Amberes en la correspondencia de Benito Arias Montano: (ms. Estoc. A 902). Servicio de Publicaciones de la Universidad de Huelva, 1998.
  • MEGIANI, Ana Paula Torres. O rei ausente: Festa e cultura política nas visitas do Filipe a Portugal (1581-1619). São Paulo: FAPESP/Alameda, 2004
  • NASCIMENTO, Aires Augusto. De uma introdução à obra isidoriana, para uma nota sobre o manuscrito preparatório das "Etimologias" por Alvar Gómez de Castro. Euphrosyne, v. 12, p. 263-270, 1983.
  • NÚÑEZ ROLDÁN, Francisco. La vida cotidiana en la Sevilla del Siglo de Oro Madrid: Sílex ediciones, 2004.
  • ORELLA, José Luis. Respuestas católicas a las Centurias de Magdeburgo (1559-1588). Madrid: Fundación Universitaria Española, 1976.
  • PROSPERI, Adriano. Il Concilio di Trento: Una introduzione storica. Torino: Einaudi, 2010.
  • QUANTIN, Jean-Louis. The Patristic Texts in Confessional Age (16th-17th centuries ). Erudition, Theology and Censorship. Brill, 2024
  • SANZ SERRANO, María Jesús. El culto a San Isidoro: Reliquias e imágenes. Iconografía sevillana. Estudios humanísticos. Geografía, historia y arte, n. 21, p. 187-218, 1999.
  • SORANO, Caesare Baronio. Martyrologium Romanum ad nouam kalendarii rationem, et ecclesiasticae historiae veritatem restitutum. Gregorii 13. pont. max. iussu editum. Accesserunt notationes atque tractatio de Martyrologio Romàno. Romae: Typographia Dominici Basae, 1586. Disponível em: https://www.google.com.br/books/edition/Martyrologium_Romanum_ad_novam_kalendari/w2ZGAAAAcAAJ?hl=pt-BR&gbpv=0 Acesso em: 28 ago. 2025.
    » https://www.google.com.br/books/edition/Martyrologium_Romanum_ad_novam_kalendari/w2ZGAAAAcAAJ?hl=pt-BR&gbpv=0
  • TAYLOR, Barry. Gothic Revival: The 1599 Opera of St. Isidore. In: HOOK, David (ed.), Manuscripts, Texts and Transmission from Isidore to the Enlightenment, Bristol, 2006.
  • TEJERO, Emilia Fernández; MARCOS, Natalio Fernández. Luis de Estrada y Arias Montano. Sefarad, v. 42, n. 1, p. 41, 1982
  • VÁZQUEZ DE PRADA, Valentín. La monarquía hispánica de Felipe II (1556-1598). In: FLORISTÁN, Alfredo. Historia de España en la Edad Moderna. Barcelona: Ariel España, 2004. p. 191-220.
  • VAQUERO SERRANO, María del Carmen, Alvar Gómez de Castro. In: REAL ACADEMIA DE LA HISTORIA. Diccionario Biográfico electrónico. Disponível em: http://dbe.rah.es Acesso em: 28 ago. 2025.
    » http://dbe.rah.es
  • DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS:
    Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
  • 1
    Isidoro Hispalensis. Diui Isidori Hispal. Episcopi Opera. Madriti: ex Typographia Regia, 1599. [Disponível em: Biblioteca Digital Hispánica – Biblioteca Nacional de España. Acesso em: 28 ago. 2025]. A obra é composta por três volumes. Sobre detalhes da edição: Taylor, 2006.
  • 2
    Esta pesquisa em andamento está vinculada ao Projeto Temático FAPESP “Uma história conectada da Idade Média: comunicação e circulação a partir do Mediterrâneo. Disponível em: https://sites.usp.br/historiaconectada/. Acesso em: 28 ago. /2025.
  • 3
    “Felipe II, como persona y como soberano, ha sido – y todavía lo es, aunque se han disipado muchas de las sombras que pesaban sobre él – uno de los personajes históricos más discutidos. Ya desde su época, como soberano poderoso, gobernador de un inmenso imperio, con una política claramente antiprotestante y defensora de la iglesia católica es compresible que haya sido objeto de las críticas de sus enemigos y de los del catolicismo. La Brevissima relación de la destrucción de las Indias que había dirigido fray Bartolomé de Las Casas a Carlos V, fue editada por los holandeses rebeldes en 1578 (…); el capellán calvinista de Guillermo de Orange escribió en 1581 una Apologie, traducida en diversas lenguas, como justificación de su rebelión en los Países Bajos; y Antonio Pérez, que había sido su secretario y confidente cuando huyó a Francia, publicó unas Relaciones plagadas de acusaciones” (Vázquez de Prada, 2004, p. 191).
  • 4
    “Gómez de Castro, Álvar. Santa Olalla (Toledo), 6.XII.1515 – Toledo, 16.IX.1580. Helenista, catedrático de las Universidades de Alcalá de Henares y Toledo, historiador y poeta”. Nascido em uma família convertida do judaísmo, desde os dezesseis anos frequentou a Universidade Complutense, onde adquiriu sua formação humanística e estudou teologia. Ali, chegou a ocupar a cátedra de língua grega. Após a morte de seu irmão (o médico Tomás de Castro), transfere-se a Toledo onde exerce cargos eclesiásticos e frequenta círculos eruditos. Entre 1553 e 1556, compõe os quatro principais poemas de sua carreira como literato: Coralium (1553); Naiades, 1554; Carmen [...] D. Gaspare Quiroga, [...] ad Sacrum Rotae Tribunal esset designatus (1555) e Crux (1556). Escreve também a biografia do Cardeal Cisneiros por encomenda da Universidade Complutense, obra publicada em 1566 com o título de De rebus gestis a Francisco Ximenio Cisnerio. Entre 1571 até 1580, ano de sua morte, esteve diretamente implicado na confecção das obras completas de Isidoro de Sevilha e na fixação e correção de Etimologias. VAQUERO SERRANO, María del Carmen, “Alvar Gómez de Castro”. In: REAL ACADEMIA DE LA HISTORIA, Diccionario Biográfico electrónico [en red, http://dbe.rah.es].
  • 5
    Carta de Álvar Gómez de Castro a Felipe II. In: ANTOLÍN, Guillermo. Catálogo de los códices latinos de la Real Biblioteca del Escorial. v. 5. Madrid: Imprenta Helénica, 1923, p. 70.
  • 6
    “Al maestro Álvar Gómez Castro sobre la impresión de las obras de Sant Isidro; Madrid 28 de marzo de 1572”. In: GAYANGOS, Pascual. Catalogue of the Manuscripts in the Spanish Language in the British Museum. v. 3. Order of the Trustees, 1881. p.110.
  • 7
    Não há muitos dados sobre a biografia de Juan de Grial, sabe-se que foi poeta e latinista. Segundo Eugenio Asensio, foi canônico no bispado de Calahorra e secretário do bispo Pedro Portocarrero (que ocupou também o cargo de Inquisidor Geral) desde 1570. Foi amigo pessoal do poeta Frei Luis de León (1527-1591) e do gramático Francisco Sánchez de Las Brozas, o Brocense. Ver: ASENSIO, Eugenio. “El ramismo y la crítica textual en el círculo de Luis de León. Carteo del Brocense y Juan de Grial”, Academia literaria renacentista. I. Fray Luis de León, ed. de V. García de la Concha (Salamanca, Universidad, 1981).
  • 8
    Na revista Past & Present: “The Rites of Violence: Religious Riot in Sixteenth-. Century France”, Past and Present, n. 59 (May I973), p. 53-9I, reunido com outros enaios em Davis, Natalie Zemon. Society and Culture in Early Modern France: Eight Essays. Stanford: Stanford University Press, 1975.
  • 9
    Nesse sentido, dialogamos com a concepção de circularidade cultural elaborada por Carlo Ginzburg em O Queijo e os Vermes, conceito anteriormente formulado por Mikhail Bakhtin “A impressionante convergência entre as posições de um desconhecido moleiro friulano e as de grupos intelectuais dos mais refinados e conhecedores de seu tempo repropõe com toda força o problema da circularidade da cultura formulado por Bakhtin” (Ginzburg, 1987, p, p. 25-26).
  • 10
    A partir de 587, o rei Recaredo converte-se ao catolicismo, abandonando o arianismo outrora praticado pela nobreza visigótica. Em 589, no III Concílio de Toledo (com a participação ativa do bispo Leandro, irmão de Isidoro) o reino torna-se oficialmente católico. Nesse sentido, Isidoro atua como um importante intelectual na elaboração da imagem do reino visigótico, estabelecido em Toledo, com os territórios peninsulares e o catolicismo: “Desde então, tinha início o trabalho de elaboração de uma teoria política, que buscava garantir a Monarquia através de um sistema teológico, onde ganham destaque, especialmente, as ideias de Isidoro de Sevilha” (Andrade Filho, 2013, p. 143).
  • 11
    “Después de la edición príncipe de las Etimologías (de que hay un ejemplar en la Biblioteca Nacional de Madrid) aparecen otras: en Estrasburgo en 1473, con tipos de Juan Mentelín; sobre 1478, en Colonia. La edición conjunta de Etimologías y Sentencias, impresa en Basilea en 1477, se repite en Venecia, en 1483 y 1485, y en 1493 (Scoto) y después. Solas se vuelven a imprimir las Etimologías a partir de 1485, en Venecia, Basilea 1489, Paris 1499 y 1500. Otros incunables isidorianos son los siguientes: Contra Judíos: hacia 1470, en Roma, impreso por G. Herolt; Vida y muerte de los Padres: hacia 1485, no se sabe dónde, con nueva edición posterior, de Rouen, hecha por L. Hostingue; Sentencias (siempre bajo el título De summo bono): sobre 1470, en Colonia por U. Zell; en 1470, en Nuremberg, por J. Sensenschmidt; en 1483, en Venecia, por P. Loslein en 1486, en Lovaina, por J. de Westfalia; en 1491, en París, por P. Pigouchet, y repetidamente luego; Sinónimos: hacia 1470, en Nuremberg, por Sensenschmidt; en 1477, en Estrasburgo, por M. Flachen; en 1479, en Merseburg; en 1480, en Albi; 1486, en Amberes, etc.; Varones eclesiásticos: antes de 1490, junto con la obra homologa de Jerónimo. Por el contrario, algunas obras sólo después de 1500 fueron entregadas a la prensa por vez primera: Alegorías y Proemios, en 1529, en Haguenau, por J. Secerio; Crónica, en edición de G. Loaysa, en 1593, en Turín; Cuestiones, en 1530, en Colonia, por J. Sotere; Historia Goda, en 1579, en París; Oficios eclesiásticos, en 1534, en Amberes, en edición de J. Cochleo” (Díaz, 1982, p, p. 226-227).
  • 12
    No original: “Este santo fue del linaje Real, creo que está al presente en ochenta y tantos grados de consanguinidad con la casa Real de Castilla”.
  • 13
    No original: “[...] emprendió la corrección del texto de las Etimologías: para lo cual se le fue enviando varios códices de esta obra, como una excelente que tenían los monjes de S. Benito en Valladolid.”
  • 14
    “Constat autem omnes triginta, aut eo pluribus manuscripitis libris in hoc opera emendando fuisse usos”. Diui Isidori Hispal. Episcopi Opera. Madriti: ex Typographia, 1599 [Ad Lectorem]. O testamento de Álvar Gómez assevera que ele próprio possuía dezesseis manuscritos: “De las Etimologías de san Isidoro tengo diez ·y seis volumines de mano y algunos de letra Gothica, y uno ympreso que tiene Torres, y más un Rabano so que trata del mismo argumento, digo q el Rabano es del sr Arzobispo de tarragona que fue obispo de Lerida, los treçes; son de diversas partes, embiados por el Rey N. S., cada uno tiene un título cuyo es de letra de Pedro de naba; otros tres, uno de letra moçarabe i dos de letra latina, son de la sta. yglesia de Toledo,·como tambien pareçeran por sus títulos; ay tambien otros dos fragmentos de lo mismo, de letra moçarabe, escritos en pargamino, uno ele marca mayor de muy antigua letra es del sr Arzobispo de Tarragona, otro de pliego, donde tambien ay ciertos opusculos de san Martin dummiense, el qual me embio el sr. Antonio de Cobarrubias del consejo de su magestad”. (De San Román, 1928, p, p. 560). Sobre a centralidade de Álvar Gómez na edição de Etimologias: CODOÑER, Carmen Merino. La edición de Juan de Grial de las Etymologiae de Isidoro de Sevilla, un informe de Juan de Mariana y el trabajo de Alvar Gómez de Castro In Faventia, v. 31, n. 1-2, p. 213-225, 2009.
  • 15
    “La consciencia de la mayor privacidad y cercanía que tenía el manuscrito frente al impreso tuvo un inesperado efecto en la mentalidad colectiva: la suposición de que los manuscritos debían estar naturalmente más cerca de la verdad que, sin embargo, lo que corría de molde era fácil soporte de engaño o de la parcialidad interesada. Esto se tradujo en que muchos autores, para realizar retóricamente la verosimilitud de su narración, recurriesen a la ficción de decir que lo que se estaba leyendo en impreso no era otra cosa que el traslado de un original de mano que habían hallado, quizá por azar en el Alcaná de Toledo, como se encontró la Historia de Don Quijote de la Mancha, escrita por Cide Hamete Benengeli” (Bouza, 2018, p. 58).
  • 16
    Arias Montano, que participou pessoalmente no Concílio de Trento, intencionava utilizar na Bíblia Poliglota a versão latina moderna de Sanctes Pagnino (c.1527), que seria mais acurada em relação à Vulgata de Jerônimo. Isso gerou problemas na aprovação do texto por parte de Roma. No entanto, seguindo as determinações de Trento, sob ordens diretas de Felipe II, a vulgata foi inserida na edição como o texto latino oficial (a tradução de Pagnino foi publicada somente em um volume suplementar). Portanto, apesar da fama e difusão da Bíblia Sacra como versão culta dos textos sagrados, permitindo a comparação entre originais e traduções, a edição não esteve isenta de polêmicas. O papa Pio V, desconfiado da edição que mostrava o texto em uma pluralidade linguística, não o aprovou. Já Gregório XIII, mais favorável à Monarquia Hispânica, finalmente aprovou o texto, chamando a obra de “opus veri regium”, outros contemporâneos a qualificavam de “miraculum obris”. No entanto, Montano foi criticado por setores eclesiásticos e teólogos que questionavam a valorização do texto hebraico dizendo que representava “la bandera de la sinagoga”, como disse León de Castro, que chegou a denunciar o artífice da Poliglota para o Conselho da Inquisição em 1574. Ver : Macías Rosendo (1998) e Tejero e Marcos (1982).
  • 17
    García de Loaysa publicou em 1593 (Turim) uma edição dos três livro de sentenças de Isidoro, os quais foram posteriormente incorporados nas Obras Completas de 1599 [pars altera]: Isidori Hispalensis episcopi sententiarum libri III, emendati et notis illustrati, Johannes Baptist Bevilaqua, Turin, 1593.
  • 18
    As Centúrias de Magdeburgo (1559-72, Basiléia) foram um projeto realizado por eruditos luteranos sediados na Saxônia, cujo objetivo era produzir uma revisão da história eclesiástica desde a era apostólica até o século XIII. Esse projeto resultou quase imediatamente em reações católicas como Annales Ecclesiastici de César Barônio, que também editou o Martirológio Romano (1586). Vários eruditos hispânicos participaram de uma comissão chamada por Felipe II para fazer frente às Centúrias, dentre os quais estava Diego de Covarrubias e Antonio Agustín, que participaram da edição das obras completas de Isidoro (Bollbuck, 2021). Sobre as reações católicas ibéricas às Centúrias e a relação dos humanistas neste projeto e na edição de Grial: Orella (1976); Lazure e Pérez (2000).
  • 19
    Antes da intervenção do Duque de Alba, os Países Baixos hispânicos eram governados por Margarita da Áustria, duquesa de Parma, que havia afrouxado a repressão aos protestantes: “De momento, la gobernadora decidió suspender la aplicación de los edictos contra la herejía y consultar a Madrid. El consentimento tácito de libertad religiosa se convirtió, sin embargo, atizado por el hambre provocado por los altos precios alcanzados por los cereales después de un invierno excesivamente riguroso (1565-1566), en verdadera revuleta popular. A finales de agosto se expresó en un saqueo de iglesias, destrozo de imágenes y robo de ornamentos y objetos valioso de culto. […] Felipe II [y] algunos de sus más allegados consejeros, que miraban siempre al espejo de Francia, donde la política de tolerancia de Catalina de Médicis no había conseguido sino avivar las llamas del conflicto y desencadenar la guerra sin cuartel entre católicos y calvinistas […] se impuso la opinión de Alba, de que la sedición y la herejía de los rebeldes justificaban el uso de la fuerza si no quería caerse en una situación semejante a la del vecino país” (Vázquez de Prada, 2004, p, p. 206).
  • 20
    No original: “Plantino no deja de mencionar las ofertas recibidas por diversas potencias protestantes, para remarcar acto seguido su deseo de permanecer bajo la obediencia del Rey católico, sirviéndole con la impresión de obras católicas y útiles para el bien de la cristiandad.
  • 21
    No original: “[...] proponeva non solo l’eliminazione di tutti libri di autori sospetti, ma anche un programma di edizioni romane di una biblioteca di autori ortodossi”
  • 22
    No original: “[EL REY] Porque aviendo noticia, que las obras del glorioso S.Isidoro Doctor de las Hespañas, andaban mal escritas y depravadas en muchos lugares dellas y con muy gran riesgo de tocar en este crédito de su sana y gran doctrina, de que la santa iglesia ha hecho siempre tanto precio, por la mucha devoción al Santo que tengo, y el servicio que en estos reinos se le debe, mandé buscar en las librerías antiguas dellos, y en otras partes, exemplares manuscritos de las dichas obras: y aviendose hallado muchas de gran antigüedad y autoridad, las mandé repartir entre hombre doctos, que con mucho cuidado y diligencia han corregido por ellos, y emendado dichas obras, procurando reduzirlas a su primera y verdadera escritura”. Diui Isidori Hispal. Episcopi Opera. Madriti: ex Typographia Regia, 1599, (s/p).
  • 23
    No original: “[los originales] han de servir por ejemplares perpétuos y por piedras de toque de la verdad”.
  • 24
    No original: “[Ecclesia] Sola coronat esse martyr non potest qui in ecclesia non est”.
  • 25
    No original: “Nec liliae nec rose desunt. Pax et acies habet flores suos, quibus christi milites coronentur”.
  • 26
    Martyrologium Romanum ad nouam kalendarii rationem, et ecclesiasticae historiae veritatem restitutum. Gregorii 13. pont. max. iussu editum. Accesserunt notationes atque tractatio de Martyrologio Romàno. Auctore Caesare Baronio Sorano. Romae: Typographia Dominici Basae, 1586. Disponível em: https://www.google.com.br/books/edition/Martyrologium_Romanum_ ad_novam_kalendari/w2ZGAAAAcAAJ?hl=pt-BR&gbpv=0. Acesso em: 6 abr. 2025.
  • 27
    No original: “Nostri quoque seculi doctor egregius, eclesiae cotolichae novissimum decus, praecedentibus aetate postremus, doctrinae comparatione non infimus, et quod majus [maius] est in secolorum fine doctisimus atque cum reverentia nominandus Isidorus [...]” Tejada y Ramiro, Juan. Colección de Cánones de la Iglesia española. T. II. Madrid : Imprenta de D. Anselmo Santa Coloma,1850. (p.373-374).
  • 28
    Edições da patrística tiveram um novo impulso em disputas teológicas e eruditas na Idade Moderna (atravessadas pela filologia como procedimento epistêmico). Ver: Quantin (2024).
  • 29
    “La tradición portuaria de la ciudad, iniciada en el siglo XIII gracias a las iniciativas mercantiles genovesas, al apoyo político regio y a las relaciones comerciales con otros puertos mediterráneos, italianos y norteafricanos, hizo posible que hacia 1503, consolidada esa posición estratégica y una vez descubierto el continente americano, se procediese al establecimiento en Sevilla de la Casa de Contratación, que regularía todo el tráfico indiano con Europa. La denominación de puerto y puerta de las Indias no es, por esa razón, un recurso exagerado y retórico” (Núñez Roldán, 2004, p, p. 29-30).
  • 30
    Acerca das dimensões historiográficas, hagiográficas e epistêmicas de Varezze. Ver: Almeida (2014).
  • 31
    Essa coleção é descrita pelo padre José de Siguenza em Historia Primitiva exacta del Monasterio del Escorial [...] [1605] como aponta Cymbalista (2006, p, p. 25).
  • 32
    No original: “Philip II assembled 7420 relics in the Escorial, many of them those of preinvasion Spaniards, including several of royal blood: Justus and Pastor, Eugenius of Toledo, and Hermengild. Philip’s royal chroniclers were at pains to emphasize the continuity of the royal blood from the Goths to the present. In this period, we also see a corpus of new editions of medieval histories and new historical writing on the Goths”.
  • Editor responsável:
    Ely Bergo de Carvalho

Disponibilidade de dados

Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    01 Dez 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    6 Abr 2025
  • Revisado
    29 Ago 2025
  • Aceito
    31 Jul 2025
location_on
Pós-Graduação em História, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais Av. Antônio Carlos, 6627 , Pampulha, Cidade Universitária, Caixa Postal 253 - CEP 31270-901, Tel./Fax: (55 31) 3409-5045, Belo Horizonte - MG, Brasil - Belo Horizonte - MG - Brazil
E-mail: variahis@gmail.com
rss_feed Acompañe los números de esta revista en su lector de RSS
Ir para arriba Notificar error