Este artigo propõe uma abordagem relacional da noção de plantation a fim de identificar continuidades entre a exploração e a proteção de formas de vida na modernidade. Mobilizamos o conceito de plantation em sentido operacional, e não como uma categoria substantiva ou uma figura meramente metafórica. Essa abordagem nos permite colocar em primeiro plano mecanismos de homogeneização de ecossistemas, formas de violência colonial e o disciplinamento de corpos que continuam a operar na expansão de modos coloniais de habitar a terra. A partir da história de criação de uma Unidade de Conservação que se sobrepõe a um território quilombola no Cerrado brasileiro, mostramos como a violência necropolítica, os incêndios florestais e o trabalho racializado emergem como efeitos da governança preservacionista sobre a terra. O objetivo do artigo é ampliar as análises do fenômeno da plantation para abarcar não apenas os empreendimentos agrícolas do século XVII e sua continuidade no agronegócio contemporâneo, mas também aquilo que poderia ser considerado seu antípoda: áreas naturais conservadas sob regimes de proteção integral.
Palavras-chave:
plantation; conservação ambiental; quilombos; Cerrado; antropologia da técnica
Thumbnail
Thumbnail
Thumbnail


