O artigo tem como objetivo principal compreender, desde uma antropologia histórica, o papel das políticas brasileiras de incentivo à mobilidade acadêmica internacional como estratégia nacional de formação de Estado e de elites nacionais. Para tal, partirá de uma análise dos processos sociogenéticos de construção dessas políticas - sobretudo a partir dos anos de 1950, com a criação das agências brasileiras responsáveis pela pesquisa científica e formação qualificada no exterior - e seus rearranjos nas décadas seguintes. Por fim, será abordado o cenário contemporâneo de uma destas políticas, a partir da experiência de doutores brasileiros que obtiveram financiamento público para sua formação doutoral em uma instituição estrangeira. A partir dessas trajetórias, será discutido como estas políticas de Estado compreendem o papel destes pesquisadores e estudantes brasileiros, com formação no exterior, bem como os desencontros e moralidades presentes entre as expectativas estatais e os projetos individuais desses sujeitos.
Palavras-chave:
Elites acadêmicas; processos de formação de Estado; CAPES; Moralidades; Mobilidades acadêmicas