No pensamento de certos intelectuais europeus do século XVIII e XIX sobre raças, predominaram ideias de hierarquia, inferioridade e desigualdade racial. A Société d’Ethnologie de Paris (SEP) e a Société d’Anthropologie de Paris (SAP) são duas instituições francesas que tiveram intelectuais que participaram da consolidação dessas concepções. Desde o século XVIII existiam críticas realizadas por intelectuais negros; contudo, com o surgimento da Primeira República Negra da era moderna no Haiti, essas críticas ganharam novos contornos. Muitos intelectuais haitianos da primeira e segunda metade do século XIX se dedicaram a combater as formas hierárquicas de pensamento, demonstrando suas inconsistências. Neste artigo, por meio de uma pesquisa bibliográfica, apresentamos algumas considerações sobre as obras antropológicas do haitiano Louis-Joseph Janvier (1855-1911), destacando a sua contribuição nas lutas para desconstruir o imaginário de inferioridade racial atribuído às pessoas negras e utilizado para legitimar sua dominação e sua exploração. Discutir a questão racial no pensamento de Janvier assume relevância na medida em que este continua sendo um dilema e um desafio no mundo contemporâneo.
Palavras-chave:
raça; racismo; Louis-Joseph Janvier; pensamento antropológico; pensamento social haitiano